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Em mais que uma final, 'més que un club'

à(s) 01:41

quinta-feira, 28 de maio de 2009


Quando se diz que este seria, até agora, o jogo mais ansiado do século, não é por acaso. Percebeu-se um pouco isso no jogo de Stamford Bridge entre Chelsea e Barcelona, percebeu-se sobretudo isso na ansiedade, nas expectativas, nos debates que antecederam a partida. Algo natural, até porque não me lembro de um confronto com um cariz tão decisivo, e que reunisse frente a frente duas equipas tão capazes individual e colectivamente. Duas equipas que obtivessem tão bons resultados jogando um futebol tão positivo.

O Manchester consolidou esta época, aquilo que iniciou na transacta. Uma imagem de solidez, de espírito competitivo fortíssimo, uma capacidade de manietar muito bem todos os momentos do jogo, de se moldar tacticamente e de forma eficaz às exigências dos 90 minutos (hoje não foi um bom exemplo), e de ao mesmo tempo praticar um bom futebol, atractivo, técnico, eficaz!
Variando entre o 4x3x3 mais europeu, com Ronaldo no centro e Rooney e Park ou Giggs na ala, à frente de um trio de meio-campo, ou entre um 4x4x2 com Ronaldo e Giggs/Park abertos na faixa e Tevez ou Berbatov a acompanhar Rooney na frente.
Mais uma grande época em Manchester, com jogadores menos capazes individualmente como O'Shea, Fletcher ou Park a alinharem em muitos jogos, e a provarem o excelente trabalho que se faz em Old Trafford. Mesmo depois da subjugação da final, é preciso dar o valor que a equipa tem e que faz dela a melhor das duas ultimas temporadas, com duas finais da Liga dos Campeões, um Campeonato do Mundo de clubes e duas Premier League's conquistadas.

O Barça desta época, é a prova de que um projecto idealista pode resultar, pode fazer os adeptos desta modalidade ter o grande prazer de ver o futebol de rua a dar cartas ao mais alto nível. Um projecto que só resultaria com um treinador como Guardiola, que provavelmente passou os últimos anos afastado dos vícios do futebol actual, em laboratório a congeminar os ensinamentos que recebeu no Dream Team de Cruyff. Mesmo a sua própria forma de jogar, no início da fase de construção, num futebol de régua e esquadro, técnico, preciso, descontraído, mas sempre produtivo.
Um projecto destes só poderia ter sucesso com jogadores como Xavi, Iniesta e Messi. Baixo centro de rotação, físico não muito desenvolvido, a antítese do que dizem ser o protótipo de jogador moderno. Mas e o talento onde fica? Estes jogadores explicam que o talento ainda ocupa o papel principal no melhor futebol. E se o notável crescimento de Piqué, o vaivém ofensivo de Daniel Alves que põe a equipa a jogar muitas vezes em 3x4x3 ou 3x3x4, o pulmão de Puyol, o tampão que Touré e Keita fazem às investidas adversárias, e que hoje Busquets com mais 'soupless' também fez muito bem, o instinto de Etoo e a classe de Henry dão muito ao Barcelona, são os 'três baixinhos' o principal suporte desta forma de jogar. Também por isso, na 2ª mão da meia-final, contra o Chelsea, o Barcelona se ressentiu muito do facto de Iniesta ter sido afastado da fase de construção.
O passe curto, o futebol apoiado, a progressão da equipa sempre com bola nas imediações, as muitas linhas de passe em cada momento, as tabelinhas, as desmarcações, as triangulações - o futebol ideal, o futebol do Barça, o resultado do fantástico trabalho preconizado por Guardiola, que levou os 'culés' à conquista do inédito triplete.

O jogo de Roma, começou com vantagem para um dos 'Gladiadores' - Cristiano Ronaldo. O United entrou fortíssimo, nos primeiros 5 minutos vimos 4 remates muito perigosos do português, e o favoritismo inclinava-se para o MU. Até que ao minuto 10, Iniesta pegou na bola e resolveu, assistindo Etoo para o primeiro golo do jogo. Esse foi o momento chave da final. A partir daí os ingleses tremeram, demasiados passes errados, o sub-consciente que temia o poderio demonstrado pelo Barça ao longo da época, veio ao de cima.
O futebol fantástico dos catalães tomou conta da partida, e no banco do Manchester, Ferguson nunca soube reverter a situação. Piorou-a até, quando se esqueceu de uma das noções básicas do futebol - a de que muitos avançados não significam golos. Especialmente quando se defrontam equipas como o Barça, com o poderio do seu meio-campo. Abdicar de Anderson ao intervalo, sendo o brasileiro o jogador com mais capacidade de pressionar e ter a bola, foi um autêntico tiro no pé, assim como colocar Berbatov antes de Scholes. Tudo isto atenua a exibição do Manchester. Mas a explicação para a vitória tranquila e justíssima do Barça (que penso não espelhar a real diferença entre as duas equipas), está no próprio futebol dos catalães.

A UEFA elegeu Messi como melhor em campo, mas Iniesta foi gigante. Dele um dia Guardiola disse qualquer coisa como 'Não usa gel no cabelo, não aparece nas revistas, não se lhe vêem muitas namoradas, mas em campo é o melhor'. Nunca esta frase foi tão verdade como hoje em Roma. Como nunca um estilo de futebol será tão testado como o do Barcelona na próxima época. Se o Barça continuar a brilhar, como acredito que continue, então podemos assistir a um novo (velho) paradigma no futebolês. O de que, fica mais perto da vitória, a equipa que joga melhor. Assim seja!

Vitória do futebol?

à(s) 02:27

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Tinha-o aqui escrito, a primeira mão das meias finais, tinha deixado bastante a desejar. Também no jogo de Manchester, mas principalmente no de Barcelona. A estirpe desta competição, a qualidade das equipas, dos seus jogadores, dos seus técnicos fazia-nos esperar muito mais. Não foi bem assim, mas apesar de tudo viu-se muito mais futebol e emoção do que há uma semana atrás.

Arsenal x Manchester Utd - Em Londres esperava ao Arsenal uma tarefa hercúlea, mas não impossível. Apesar de tudo, defrontar o Manchester Utd, que além de fortíssimo a defender tem jogadores perigosíssimos para jogar em contra-ataque, com uma desvantagem de 0x1 era difícil. As ausências de Gallas, Clichy ou Arshavin não ajudavam.
No entanto, alertei há uns tempos atrás para o facto de o Arsenal ir crescer bastante como equipa no último terço da temporada, alicerçado no regresso pós-lesão de muitas das suas grandes figuras. A verdade é que esta jovem equipa ainda não foi suficiente para o Manchester, e o que se viu ao longo de 180min foi ainda uma grande diferença de qualidade. Além de processos de jogo, de opções ou não estivessem no banco do Arsenal Fabianski, Silvestre, Eboué, Denilson, Diaby, Vela e Bendtner ao passo que no do Manchester, ao lado de Alex Ferguson se sentavam Kuszsack, Evans, Rafael, Scholes, Giggs, Tevez e Berbatov.
No mais, foi um Arsenal diferente da primeira mão. A entrada de Van Persie para o lugar de Diaby permitiu à equipa jogar no esquema que mais gosta, o 4x4x2 clássico, com Van Persie a baixar muitas vezes entre linhas, para as costas de Adebayor. Ferguson tambem alterou, para um 4x3x3 com Rooney e Park nas alas, Ronaldo na frente e Anderson, Fletcher e Carrick no meio-campo.
A estória do jogo quase se resume ao impacto do primeiro golo no jogo, à extraordinária partida de Ronaldo, à superioridade do trio de meio campo do United sobre Fabregas e Song, à fantástica competência defensiva de Ferdinand e Vidic e à constação de que o MU é de facto uma equipa especial e que o Arsenal ainda precisa de crescer para se bater a este nível. Ronaldo foi o melhor em campo, ao passo que do lado do Arsenal apenas Van Persie mostrou argumentos para incomodar o Manchester.

Chelsea x Barcelona - Stamford Bridge completamente cheio, muita gente com o 4x4 com o Liverpool na mente, pensando que o jogo de Barcelona tinha sido uma espécie de equívoco. A verdade é que o 11 inicial de ambas as equipas, fazia antever que se assistiria a um jogo melhor, mais aberto, sem complexos de inferioridade. O Chelsea porque preferiu Anelka a Obi Mikel, o Barça porque estava desfalcado de Marquez, Puyol e Henry (que são factos que convém não esquecer).
Teorizando, poder-se-ia antever que o primeiro golo traria indícios muito precisos sobre o apurado. Porque o Chelsea se marcasse primeiro poderia baixar as linhas e jogar como preferia frente a este Barça, porque o Barcelona se marcasse primeiro poderia aproveitar como tão bem sabe o espaço que o Chelsea seria obrigado a dar. Marcou o Chelsea, colocando-se em vantagem na eliminatória. As linhas dos blues baixaram muitos metros, quase sempre com 10 jogadores atrás do meio-campo, sem espaço para os blaugrana praticarem o seu futebol. Pelo contrário, o Chelsea foi sempre perigoso no ataque, com Drogba a assumir um papel de destaque. O jogo desenvolveu-se quase sempre nesta toada, espanhóis com pouco espaço para explanarem o seu melhor futebol, ingleses quase sempre melhores e mais perigosos ao longo dos 90 minutos. Até aos 93 minutos de jogo, com o golaço de Iniesta, que não quis ficar atrás do grande pontapé de Essien.

Uma palavra para os treinadores. Hiddink velha raposa, é um mestre do jogo, Pep Guardiola, é na sua época de estreia uma confirmação, que colocou uma equipa a jogar o futebol mais espectacular dos últimos anos. Contudo, no domínio da intervenção no decorrer do jogo, não me parece terem estado tão bem.
Guardiola porque demorou demasiado tempo a perceber que, na ausência de Henry, e perante jogo tão apagado de Busquets, ao mesmo tempo que Iniesta demonstrava ser o jogador mais interventivo da equipa, seria uma boa opção puxar o baixinho para o meio-campo onde o Barça estava com tanta dificuldade em contruir jogo, substituindo Busquets por Bojan. Hiddink porque com 70 minutos de jogo, uma superioridade inequívoca e mais um jogador em campo, aproveitou alguma inferioridade física de Drogba para o substituir por Belletti. Ultra-conservadorismo, especialmente quando havia Kalou no banco, fortíssimo em contra-ataque e com Keita adaptado a lateral-esquerdo. O holandês que estudou tão bem o Barça, esqueceu-se de uma coisa: estes culés, podem sempre e em qualquer circunstância marcar um golo. Hiddink podia ter-se precavido tentando forçar o segundo. Não pensou assim, saiu. Foi Guardiola quem, onde Mourinho foi feliz, fez de Setubalense, e encetou um sprint ao longo da linha lateral, festejando o golo de Iniesta (melhor em campo a par de Essien).
No cômputo geral, a eliminatória foi equilibrada. Bastante melhor o Barcelona na primeira mão, bastante melhor o Chelsea hoje. Obviamente que é impossível passar ao lado da arbitragem, mas se há, no máximo 3 penaltys não assinalados a favor do Chelsea (coisa nunca vista e impensável a este nível), na eliminatória houve também prejuízo para o Barcelona num penalty sobre Henry e numa expulsão perdoada a Ballack na primeira mão e numa má decisão do árbitro ao expulsar Abidal na segunda. Assim, por tudo isto, é difícil encontrar justiça no apuramento de alguma das equipas. Na Hora H, acredito que tenha vencido o futebol.


A 27 de Maio encontram-se em Roma as duas equipas que praticam um futebol mais atraente. Aquelas que são mais capazes de trazer novos adeptos à modalidade, ao mesmo tempo que renovam o gosto dos que já são 'aficionados'. É provavelmente a Final mais ansiada que tenho memória, e sem dúvida será um espectáculo a não perder. Um palpite? Já o digo desde o início da época - Manchester United. Mas se for o Barça, o futebol agradece na mesma.

Mais futebol meus senhores!

à(s) 02:36

quinta-feira, 30 de abril de 2009


Quando as melhores competições atingem a recta final, quando o melhor futebol se defronta na relva ao longo de 180 minutos, quando há incontável talento por cada metro quadrado de relva, os cuidados aumentam. Os técnicos, os jogadores, sabem que um simples erro pode deixar demasiado longe o objectivo de uma época, para alguns o sonho de uma carreira.
Em parte, foi esse o pensamento que inundou a mente de Hiddink e Wenger, treinadores de equipas que visitavam adversários teoricamente mais fortes. Um pensamento que não beneficia o melhor futebol, mas que não pode ser censurável, até porque foi a melhor forma que encontraram de manter em aberto a eliminatória. Vamos por partes.

Barcelona x Chelsea - Um Camp Nou com 100 mil pessoas esperava as equipas. Meia-final da Champions, um Chelsea acabado de eliminar o Liverpool num jogo de loucos, um Barça portador do futebol que traz adeptos à modalidade, que nos cola ao sofá. De um lado o metódico, o sonhador Guardiola. Do outro 'a raposa' Hiddink. Messi e Xavi, Drogba e Lampard.
O treinador holandês sabia o que o esperava. A Catalunha foi esta época um autêntico pesadelo para as equipas que por lá passaram. Especialmente quando defrontava aqueles que em teoria seriam melhores, o Barcelona motivava-se a níveis altíssimos. Atlético de Madrid, Sevilha, Valência, Lyon ou Bayern foram vergados a pesadas derrotas.
O Chelsea tem um plantel, e um estilo de jogo que não lhe permitem grandes transições rápidas. A estratégia seria ocupação perfeita dos espaços, saída para o ataque por Drogba, esperando subida da equipa. A primeira premissa resultou, a segunda não. Mérito do Barça. Explicação também pelo alinhamento do Chelsea, que transformou o 4x3x3 habitual num 4x5x1 com Ballack e Mikel à frente da defesa, Essien e Malouda fechando nas alas, Lampard perdido no centro, demasiado longe de Drogba. Natual, Lampard não é jogador para o aquele futebol. Apesar de tudo, não censuro Hiddink. Foi a melhor forma que o holandês encontrou para manter a eliminatória em aberto. Conseguiu-o.
O Barcelona encontrou pela primeira vez nesta época, uma equipa capaz de travar o seu futebol. Sim, é certo, não ganhou sempre. Mas em todas essas partidas, percebeu-se que o jogo continuava fluído, chegando perto da baliza contrária. Contra o Chelsea não. As tabelas, os passes de ruptura, as fintas, as mudanças de velocidade, o jogo apoiado e de pé para pé esbarraram quase sempre na muralha azul. Com o 4x3x3 habitual e Abidal na esquerda em detrimento de Puyol, pensar-se-ia que o Barça poderia fazer mais uso do jogo exterior, mas Essien foi um monstro, pelo que Daniel Alves era o único jogador capaz de dotar a equipa dessa alternativa, conciliando-a com o seu poderoso jogo vertical, e com as diagonais dos seus avançados. Foi contudo insuficiente para desmontar a teia do Chelsea. Mais ainda, para levar de vencido aquele adversário, Guardiola precisaria de ter todos os seus jogadores inspiradíssimos. mas a noite não foi a melhor para Henry e Messi, dois dos potencialmente maiores desequilibradores.
Individualmente, destaco Dani Alves e Touré do lado do Barcelona, Terry e Essien do lado do Chelsea. Dois defesas, dois médios mais defensivos, explica bem o que foi o jogo. Embora o brasileiro receba destaque pelo facto de ser, a par de Iniesta, o maior desequilibrador em campo. Bosingwa é fortemente elogiado por ter parado Messi. Mas o português fez uma exibição à imagem da equipa. E teve a sorte de nunca ter sido exposto em demasia a duelos individuais. Ainda assim, ponto muito positivo.
A segunda mão em Stamford Bridge será diferente. A eliminatória decidida em 90 minutos e espero um Chelsea mais afoito ofensivamente, o que à partida indicará um jogo mais aberto. Golos e muita intensidade, ingredientes expectáveis para de hoje a oito dias.

Man Utd x Arsenal - Em Old Trafford o primeiro de três confrontos entre Red Devils e Gunners, no próximo mês. Todos eles, assentes em bases diferentes. O de hoje seria naturalmente aquele em que o Arsenal jogaria mais recolhido. Direi contudo, que em demasia.
Parece-me que o Arsenal tentou ser uma equipa à imagem do Chelsea em Camp Nou. Contudo, Wenger tem à sua disposição um conjunto de elementos que lhe permitiriam fazer um jogo diferente, especialmente a nível ofensivo. Walcott, Fabregas e Nasri estiveram sempre muito presos a amarras tácticas, e a própria opção por Diaby em detrimento de Denilson ajuda a explicar o pensamento de Wenger. Mais contenção, mais músculo, menos fantasia ou qualidade de passe. Parece-me um erro. O Arsenal teve uma produção ofensiva nula, e defensivamente nunca conseguiu a competência do Chelsea. O ox1 é um resultado lisonjeiro, Almunia e a barra explicam-no muito bem.
Frente ao 4x2x3x1 do Arsenal, o 4x3x3 europeu do Manchester, que Ronaldo e Rooney sabem também transformar em 4x5x1, em determinados momentos do jogo. O certo é que nos grandes jogos europeus, Ferguson não prescende do trio de meio-campo na zona central, abdicando do seu 4x4x2 mais de consumo interno. Hoje, com Scholes e Giggs no banco, foram Carrick, Fletcher e Anderson a jogar. O inglês mais no miolo, essencialmente posicional, o escocês e o brasileiro a soltarem-se mais no ataque. O Manchester controlou sempre o jogo, ao mesmo tempo que o dominava. Alguma inépcia dos seus avançados, somada à grande exibição de Almunia, explicam que não tenha deixado a eliminatória muito perto da resolução.
Individualmente, a somar ao referido Almunia, parece-me justo distinguir o jovem Alexandre Song, por ter realizado uma das melhores exibições da equipa, numa zona onde os Gunners tiveram sempre dificuldades. No MU, o grande destaque vai para o colectivo, pela grande exibição. Compacta, confiante, personalizada em todos os momentos do jogo.
A 2a mão, um pouco à imagem do confronto de Stamford Bridge, trar-nos-á potencialmente mais golos. Um Arsenal que sabe jogar bom futebol, à procura do golo e um Manchester temível no contra-ataque.

Uma última nota. Camp Nou e Old Trafford. Meias-finais da Liga dos Campeões. Artistas como Xavi, Iniesta, Messi, Henry, Etoo, Lampard, Drogba, Ronaldo, Tevez, Rooney, Berbatov, Fabregas, Walcott, Adebayor. Quem foi o único jogador a balançar as redes nesta meia-final? John O'Shea. Tem o que se lhe diga...Que para a semana seja diferente!

Futebol é tudo isto

à(s) 02:18

quarta-feira, 15 de abril de 2009


Quartos de final da Liga dos Campeões. Persistem as oito melhores equipas, das 32 que tiveram um desempenho mais positivo na época passsada. Somam-se demonstrações do futebol de alto nível, aquele que ensina a gostar deste jogo, que converte até os mais cépticos.
Podem ser duelos tácticos, autênticas partidas de xadrez no relvado, como o jogo do Dragão entre Porto e Atlético de Madrid. Podem ser vitórias inquestionáveis, baseadas na intensidade como a do Liverpool frente ao Real Madrid, ou na beleza pura do futebol mais fantástico como a do Barcelona frente ao Bayern. Ou até mesmo empates loucos como o de ontem em Stamford Bridge, entre Chelsea e Liverpool. Com emoção, erros, reviravoltas no marcador, boas jogadas, e golos!

A partida entre estes dois rivais ingleses deveria fazer parte do manancial do verdadeiro futebol, o futebol espectáculo. E ser apresentada áqueles que, com total legitimidade, duvidam, desprezam ou criticam este desporto. Ao mesmo tempo que se devia perceber tudo aquilo que estava em jogo.
Os milhões de euros, o prestígio, a 'simples' vitória num confronto excepcional, a capacidade de alegrar os seus adeptos no que muitos consideravam o duelo da época, a oportunidade de seguir em frente na melhor prova futebolística do planeta, o desafio de tentar derrotar o Barcelona que muitos consideram a melhor equipa do mundo, os duelos individuais: entre os jogadores, entre os mestres de banco, Hiddink e Benitez.

À partida, depois do que se viu na primeira mão, a eliminatória estaria muito perto de estar sentenciada. A vantagem do Chelsea era bastante grande, e a este nível, que prima pelo equilíbrio, existem poucas reviravoltas espectaculares. No mais, o grande capitão e melhor jogador da equipa, Gerrard, falhou o teste físico de última hora, e ficou de fora da partida.
Mas pensar assim era, admito, desprezar o espírito centenário do magnífico Liverpool, o clube mais vitorioso da pátria do futebol, o segundo clube com mais Taças dos Campeões conquistadas, o clube que há poucos anos conseguiu o, desde aí apelidado, 'Milagre de Istambul', quando recuperou de uma desvantagem de 0x3 para derrotar o Milan na final. O clube suportado pelos melhores adeptos do mundo, ao lado da equipa, nas vitórias, nas derrotas, nos períodos melhores e nos menos bons. Alma de vitória, espírito de luta que se respira em Anfield e se estende aos jogadores, principalmente nestes grandes palcos.

O jogo em si não foi brilhante a nível tactico. Bastantes erros individuais e colectivos, alguns por demérito próprio, outros provocados.
O Chelsea manteve a mesma equipa de Anfield, montada num 4x3x3 em que Malouda baixava bastantes vezes ao meio-campo (um pouco à imagem do que faz Rodriguez no Porto), e apenas Ricardo Carvalho surgiu no lugar de Terry. No mais, Ivanovic continuou a ser preferido a Belletti ou Mancienne na lateral direita, e Ballack a Deco ou Mikel no meio-campo.
Na ausência de Gerrard, Benitez desmontou o 'Europeu' 4x2x3x1 e jogou também ele num 4x3x3 onde Lucas, Alonso e Mascherano (e como é diferente o Liverpool com o argentino) preenchiam o meio-campo, e Kuyt e Benayoun não estavam tão juntos à ala, antes surgiam mais próximos de Fernando Torres. Também por isso jogou o israelita em detrimento de Riera.

Incrivelmente, aos 28 minutos o Liverpool vencia já por 2x0 e estava a um golo de ficar em vantagem na eliminatória. Xabi Alonso e Fábio Aurélio souberam aproveitar dois erros de Ivanovic e Cech, e os 'reds' ganharam importantíssimo ascendente mental. Contudo, o Chelsea voltou melhor do balneário e deu a volta ao resultaodo. 3x2 aos 80 minutos, pensar-se-ia que tudo teria terminado. Puro engano, aos 84 o resultado ja era favorável ao Liverpool por 4x3, e a esperança dos seus adeptos era legítima. Enterrada aos 90 minutos pelo segundo golo de Lampard e o gesto de Drogba para os adeptos, dizendo que tudo tinha acabado.

O espectáculo não terminaria sem mais três grandes episódios. Ainda na compensação, enquanto se viam os jogadores do Liverpool a correr como se o cronómetro marcasse uns 30 minutos, Essien retirou, de forma fantástica, com a cabeça, uma bola em cima da linha de golo. O apito do árbitro deu azo a grandes manifestações nas bancadas - centenas de bandeiras do Chelsea ao vento, vozes em coro dos adeptos do Liverpool entoando o 'You'll never walk alone' e um arrepio na espinha que concerteza percorreu todos os amantes do futebol. Mesmo aqueles que torciam pelo Liverpool. Afinal, tínhamos acabado de assistir a um dos grandes confrontos do século. Quando será o próximo?

Perspectivas na UEFA

à(s) 20:15

sexta-feira, 10 de abril de 2009


Ao mesmo tempo que na Liga dos Campeões atingimos a fase mais decisiva, também esta semana se jogou a primeira mão dos quartos de final da Taça UEFA. Onde o factor casa teve, em três dos quatro jogos, um peso acentuado no resultado final. A verdade é que se na Champions temos 8 equipas de nível bastante alto, também esta competição ficará para a história, porque para além de ser a última neste formato, tem actualmente a disputá-la 8 muito boas equipas. Vamos aos jogos:

PSG x Dynamo Kiev - Este seria, à partida, o jogo menos apetecível desta fase. O PSG porque na luta pelo título francês, tem dado primazia à competição interna, o Dynamo porque ao contrário do Shakhtar, não me parece ter equipa para prolongar na Europa, a capacidade que demonstra na Ucrânia.
É no entanto certo que ambas as formações tiveram muito mérito em atingir esta fase. O PSG suportado por toda a competência do seu técnico, e numa fase crescente enquanto equipa/clube, formado por uma mescla de jovens jogadores como Chantôme, Sessegnon ou Hoarou com homens mais experientes como Makelelé, Giuly ou Rothen. O Kiev, após uma boa fase de grupos da Champions (especialmente quando comparado com os últimos anos) tem naturais ambições de progredir, até porque conta com jogadores como Milevskiy, Aliyev ou Eremenko.
Com 0x0 em Paris, há uma ligeira dose de favoritismo para os ucranianos, muito embora os franceses tenham provado em Braga que não se pode tomar tal facto como adquirido. Esta é contudo a eliminatória mais em aberto.

Shakhtar x Marseille - Num embate entre dois dos 'repescados' da Liga dos Campeões, perspectivava-se algum equilíbrio. Mas com alguma vantagem para os ucranianos, pelo factor casa, por terem anteriormente eliminado dois dos 'pesos-pesados' da competição (Tottenham e CSKA Moscovo) e pela focalização interna do Marselha, que não atingindo os níveis do PSG, existe.
Ainda assim, o resultado é relativamente enganador porque os franceses deram uma boa réplica. O 2x0 não espelha fielmente o que se passou em campo, mas é um resultado excelente para o Shakhtar e que abre muitas perspectivas para a passagem. Contudo, jogar no Velódrome é muito difícil e a eliminatória ainda não está fechada. Veremos o que fazem Niang, Ben Arfa, Zenden e companhia e como se defendem Jadson, Srna ou Fernandinho, por exemplo.

Werder Bremen x Udinese - Esta era uma autêntica final antecipada. Duas excelentes equipas, com boas performances europeias, mas estranhamente, e tendo em conta o valor dos seus plantéis, muito abaixo das expectativas na competição interna. Esta Taça UEFA é a única perspectiva de sucesso para ambos, e por isso concerteza se assistiria a um jogo muito intenso.
Assim foi. Mais do que intenso, bem disputado, bem jogado. O 3x1 é também um resultado enganador para o que se passou em campo, e poderia ter ainda sido pior para a Udinese se Quagliarella não tem reduzido perto do fim.
Na 2a mão assistiremos a mais um bom confronto, entre duas equipas que não seguem propriamente a escola dos seus países, antes praticam um futebol mais técnico e aberto. O 4x4x2 losango do Bremen, com grandes intérpretes como Diego, Ozil ou Pizarro e o 4x3x3 da Udinese (com muitas promessas sul americanas!) de Quagliarella, Di Natale ou Pepe. Mais golos, e incerteza no resultado naquela que, não me canso de o dizer, daria uma boa final.

Hamburgo x Man City - Final antecipada é outro dos adjectivos com que se podia caracterizar este confronto. O resultado não espanta os mais atentos, porque o Hamburgo é uma das grandes equipas alemãs (provavelmente, depois da dupla goleada sofrida pelo Bayern, a mais forte candidata ao título). E porque os ingleses são uma equipa em casa, e outra completamente diferente, fora.
Apesar de tudo, o City começou melhor, com um excelente golo de Ireland, mas insuficiente para suster a pressão dos alemães, que com relativa facilidade chegaram aos 3 golos. A vantagem de 3x1 pode ser importante para a equipa de Olic, Petric e Guerrero, principalmente pelas perspectivas de marcar fora que o seu poderio ofensivo lhe confere. Mas a turma de Ireland, Wright Phillips e Robinho é fortíssima em casa, faz da UEFA o principal ponto de retorno ao investimento feito nesta época e concerteza irá fazer a vida difícil ao Hamburgo.

A outra Champions

à(s) 02:49

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Os quartos de final da melhor competição do mundo do futebol vão a meio. Se ontem meia Europa ficou surpreendida com o resultado e principalmente a exibição alcançada pelo Porto em Manchester, também hoje os resultados tiveram a sua pontinha de surpresa. E sendo os jogos de 3aF pautados por bastante equilíbrio, normal nesta fase mais avançada, os de hoje praticamente definiram dois semi-finalistas.

Villarreal x Arsenal - No El Madrigal defrontaram-se duas equipas que embora assentem os seus princípios em futebol positivo e de ataque, sofrem muito poucos golos. Assim, o empate final a uma bola não é de todo um resultado inesperado e traduz muito bem o que se passou em campo.

De um lado um Villarreal bastante forte em casa, e assente num 4x4x2 com Senna a fazer uma excelente exibição no controlo do meio campo, e um duo muito perigoso na frente - Rossi mais móvel, Llorente mais posicional. Do outro, um Arsenal que adivinho fará um final de época muito forte. Sem Van Persie nem Eduardo e jogando fora de portas, Wenger montou a equipa numa espécie de 4x2x3x1 com Song e Denilson à frente da defesa e Fabregas, Nasri e Walcott nas costas de Adebayor. Pelo facto de não jogar com alas puros, o Villarreal conseguiu sempre equilibrar numericamente no meio-campo e essa será parte da explicação para o encaixe das duas equipas.

A segunda mão decide-se agora em Londres, e a vantagem está do lado do Arsenal, que perante o seu público concerteza vai materializar a passagem às meias-finais. Fase a partir da qual tudo é possível.

Liverpool x Chelsea - Neste confronto de velhos conhecidos, o favoritismo estaria à partida do lado do Liverpool. A equipa de Benitez vem claramente a crescer de forma, está ao fim de alguns anos ainda a discutir o campeonato em Abril, e destruiu completamente Manchester Utd e Real Madrid nas últimas semanas.
A verdade é que Benitez tinha uma ausência de peso, devido a castigo. Era Javier Mascherano, e se a sua importância é relativamente dissipada em Inglaterra, em jogos europeus ganha contornos quase fundamentais. Mesmo não desvalorizando Lucas Leiva, é a sociedade Xabi Alonso-Mascherano que suporta toda a equipa nestes grandes jogos. Pela capacidade de pressionar alto, pela incrível intensidade, pelo respeito que impõe no adversário. Hoje o argentino não pode dar o seu contributo à equipa, e o que se viu foi um Gerrard desinspirado porque na sua cabeça estava o dilema entre equilibrar o meio-campo ou chegar mais perto de Torres (excelente jogo, o melhor do Liverpool).
Quando é assim, o adversário respira melhor.
Mas o Chelsea ganhou, não pela falta de Mascherano, antes por uma grandíssima exibição, num dos campos mais difíceis de jogar. Em desvantagem muito cedo, a equipa nunca se perdeu, e em 4x3x3 com um monstruoso Essien a controlar metros e metros à sua volta, e um rapidíssimo Malouda a sair em transições rápidas, o Chelsea fez um jogo mestre em Anfield. Mérito para Hiddink porque se vislumbra agora que a equipa está mais bem preparada para as exigências do alto nível, ao mesmo tempo que concilia esse factor com bom futebol.

Em Stamford Bridge só uma hecatombe retira a passagem do Chelsea às meias-finais, as quintas nos últimos seis anos. O Liverpool, ao contrário do ADN imposto por Benitez, concerteza persistirá, esta época, até ao fim na luta pelo campeonato. E o espanhol provavelmente vai cair na Champions frente a alguém que sabe tanto ou mais de táctica do que ele.

Barcelona x Bayern - Em Camp Nou enfrentavam-se duas das mais concretizadoras equipas da competição, com 24 golos cada. Se a estatística apontava um jogo com golos e oportunidades para ambos os lados o Barcelona encarregou-se de a desmentir. Assente nos princípios do bom futebol que tão bem tem demonstrado esta época, o Barça fez uma primeira parte de luxo, asfixiando os alemães por completo, através de defesa subida, pressão orientada e combinações, arrancadas e trocas de bola do outro mundo. Foi um autêntico carrossel ofensivo, com Messi, Etoo, Henry, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves a aparecerem constantemente na área de Butt.
Foram 4 golos na primeira parte, podiam ter sido ainda mais, e que permitiram à equipa suportar uma segunda metade em alguma descompressão, controlando o jogo e gerindo já as meias finais (Marquez por exemplo limpou os cartões amarelos).
A verdade é que a impotência que se tinha apontado ao Sporting na eliminatória anterior, pode agora apontar-se ao Bayern de Munique, que ao longo de 90 minutos em Camp Nou conseguiu 5 remates, apenas 1 enquadrado com a baliza. Numa equipa que conta com jogadores como Schweinsteiger, Ribery ou Toni esta estatística dá conta da competência defensiva do Barcelona ao longo de todo o jogo. Ofensivamente os quatro golos falam por si, onde o tridente ofensivo fez o estrago do costume.
A segunda mão em Munique será exclusivamente para cumprir calendário
.

Ainda te ris Alex?

à(s) 01:43

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Rezam as crónicas que Sir Alex Ferguson deu grandes gargalhadas de satisfação quando a sorte quis que o FCP fosse o adversário da sua equipa. Perante o quadro de oponentes, não censuro a preferência dos tubarões por Porto ou Villarreal. Mas uma coisa é preferir, outra é desvalorizar.

Foi isso que me pareceu ter acontecido. O Man Utd apresentou-se inicialmente no seu 4x5x1 habitual quando atinge fases mais avançadas na Europa (embora o faça preferencialmente fora de casa), mas ao contrário do que seria de esperar, apareceu Park no lugar de Giggs. O sul coreano é excelente quando a equipa actua em 4x4x2 com dois avançados e um ala muito ofensivo (normalmente Ronaldo) porque equilibra o conjunto. É diferente quando num 4x5x1, ele, Ronaldo e Rooney seriam as lanças apontadas à baliza adversária.
Ferguson pensou que seria suficiente, enganou-se redondamente. O Man Utd raramente foi perigoso, raramente foi dominador, raramente foi intenso. Houve uma tentativa de reequilibrar a equipa em 4x4x2, mas nas alas apareciam Fletcher e Park. Até por volta dos 60 minutos quando Giggs entrou em campo, secundado, minutos mais tarde, por Tevez. Aí viu-se parte do melhor Man Utd, que ficou guardado na gaveta até muito tarde.

Que importa? Agradeceu o Porto. Antes do jogo referi que era a melhor equipa do Mundo frente à melhor equipa de Portugal. Que os portugueses teriam que ter muita sorte para levar a eliminatória à discussão no Dragão. A verdade é que me enganei, e o que se viu em Old Trafford foi um Porto dominador, personalizado, e bom de bola, que assustou os ingleses e os remeteu a um jogo do qual nunca verdadeiramente conseguiram sair.
A equipa apresentou-se no seu 4x1x3x2 europeu, com Rodriguez numa exibição fantástica e coroada com um golo, a abrir inúmeras vezes na esquerda, jogando em cima de O'Shea o elo mais fraco do adversário. Desdobrando-a no 4x3x3 importante para manter a defesa do United em sentido. Partindo sempre dos 4 médios, com uma linha de 3 - Lucho mais sobre a direita, Meireles no centro e Rodriguez. Atrás desta linha e à frente da defesa, o melhor em campo: Fernando. Grande exibição do jovem brasileiro, a provar o seu enorme crescimento (grande mérito de Jesualdo Ferreira). Bom na cobertura, importante nas dobras, fortíssimo na leitura de jogo. De resto, numa exibição que primou pela qualidade dos movimentos colectivos (e só assim se pode ter sucesso a este nível), Cissokho, o já referido Rodriguez e Lisandro também realizaram exibições de grande destaque.

O 2x1 não era de todo um mau resultado, mas o 2x2, além da óbvia vantagem numérica, é um resultado fantástico. Porque permite ao Porto jogar no Dragão da forma que mais gosta. Dando a iniciativa de jogo ao adversário (que necessita de marcar), para depois atacar preferencialmente em transições ofensivas rápidas, lançando Hulk e Rodriguez sobre os defesas adversários.
Contudo, a eliminatória está longe de estar resolvida. Principalmente se Rio Ferdinand (essencialmente este) e Berbatov puderem dar o seu contributo à equipa do MU, dotando-a de mais classe e equilíbrio. Além de que este jogo deve ter feito soar o sinal de alerta nos ingleses, que se apresentarão em Portugal uns furos acima daquilo que fizeram hoje. Ainda assim, a vantagem está do lado dos portistas e as meias-finais da Champions estão agora muito mais perto. À distância de 90 minutos.

Muito Porto

à(s) 03:02

terça-feira, 7 de abril de 2009


Depois de pesar os prós e os contras, de analisar o calendário, e de reflectir sobre os três grandes, deixei aqui uma afirmação: morava em Guimarães o último grande obstáculo do Porto à conquista do tetracampeonato.
Pela tradicional dificuldade em jogar no D.Afonso Henriques, pela recente rivalidade entre as duas equipas e consequente ambiente envolvente, pela valia do adversário e recente crescimento enquanto equipa e finalmente pela conjectura actual, depois de uma semana com jogos de Selecções e a três dias do confronto com o Man Utd, algo que obrigaria Jesualdo Ferreira a fazer alguma gestão da equipa. Nada disto seria pouco.

Dificuldades exacerbadas pelo golo de Roberto, um pouco contra a corrente do jogo, após entrada forte do Porto. A verdade é que mesmo sem Fucile, Lucho, Rodriguez ou Lisandro (quatro titulares indiscutíveis), a equipa deu mostras de toda a sua qualidade, suportada por um Hulk que fez aquela que considero a melhor e mais completa exibição no campeonato, por um Raul Meireles que cresce a olhos vistos, e por dois argentinos (Farías e Mariano) que apesar de mal amados no reino do Dragão, são de uma utilidade imensa. No final, uma vitória inquestionável, suportada por movimentos colectivos excelentes, resultantes de um processo de treino eficaz.

Se recuarmos uns meses, recordamos que na pré-época, mesmo sendo o Porto detentor do título, muitas desconfianças se abatiam sobre a equipa. Porque Bosingwa, Assunção e Quaresma saíram, porque os praticamente desconhecidos Sapunaru, Fernando e Hulk chegaram. Porque o Sporting apresentava uma estabilidade importante, porque o Benfica fazia desfilar grandes nomes. Desconfianças essas que aumentaram quase exponencialmente após os desaires com Leixões e Naval no campeonato, Arsenal e Dynamo Kiev na Liga dos Campeões.
Imunes ao que os rodeava, Jesualdo Ferreira e a sua estrutura próxima, nunca perderam o rumo. Confiantes nos activos, na sua evolução, na linha traçada no início da época. Hoje percebe-se que a aposta foi ganha. O Porto atingiu, pela primeira vez desde Mourinho, os quartos de final da Champions, ao mesmo tempo que a final da Taça de Portugal e o título estão 'ao virar da esquina'.

De resto, importa reflectir sobre um ponto: a evolução. Olhamos para o Sporting e constatamos alguma estagnação, que parece vir desde o início da época. Pensamos no Benfica e vemos que a equipa ao invés de crescer, tem regredido. O Porto, por sua vez, segue a tendência que positivamente é mais natural: tem evoluído de mês para mês. Terminará em Maio este processo que permite ao FCP chegar na frente no final desta temporada, e iniciar a próxima um passo à frente dos concorrentes directos. Nada de anormal portanto.

Tão cedo entre a espada e a parede

à(s) 18:33

domingo, 29 de março de 2009


1 - Este era, reconhecidamente por todos, um jogo fundamental para as contas da Selecção, em casa, frente a um adversário directo. O público não se demitiu das responsabilidades, compareceu em massa e foi sempre o 12º jogador.

2 - Obviamente que na conjectura actual, esta era uma partida que importava muito vencer. Essencialmente porque deixava Portugal a depender apenas de si próprio. Mas, mesmo que a Selecção continue a revelar incapacidade em vencer adversários directos em fase de qualificação, quando no final olharmos para o trajecto da equipa, não será este o resultado comprometedor. Antes a derrota perante a Dinamarca e o empate frente à Albânia.

3 - Ainda este resultado, estabelece o ponto de viragem definitivo na postura que Portugal terá de ter nos restantes jogos. Se uma qualificação pode ser encarada, com alguma tranquilidade, numa perspectiva resultadista - nas últimas qualificações fizemos isso muito bem, nas partidas que faltam a Selecção tem obrigatoriamente que entrar em campo sempre para ganhar. Incluindo nas, teoricamente mais difíceis, partidas na Hungria e na Dinamarca.

4 - Não pode portanto haver dúvidas. Um resultado menos positivo atira-nos para fora do Mundial. Contudo, mesmo com vitórias em todos os jogos (e Portugal tem indiscutivelmente equipa para isso), é preciso ter consciência que será preciso uma escorregadela da Suécia para alcançar o segundo posto. Sim, porque o primeiro lugar já será inatingível, e serão os suecos os nossos principais oponentes na disputa pela vaga que permite o acesso aos play-off.

5 - Digo-o sem problemas. Fui um dos que defendeu Carlos Queiroz como melhor opção para suceder a Luís Filipe Scolari. Hoje, tenho dúvidas. Do professor esperaria uma reforma importante e necessária dos quadros, alicerces e princípios da Selecção e consequentemente do edifício do futebol português. Actualmente isso não acontece.
Em mais do que uma entrevista (e ultimamente têm sido inúmeras), percebe-se que as boas ideias estão lá, mas a oportunidade não. A qualificação para o Mundial focaliza, naturalmente, todas as atenções do seleccionador. Só que CQ tem sido incapaz de fazer jus à história recente e à qualidade da equipa, através de opções técnico tácticas para mim incompreensíveis. Que me leva actualmente a questionar sobre se seria ou não mais útil num outro posto, que provavelmente não aceitaria.

6 - Sempre houve uma série de vozes críticas em relação à forma como o anterior seleccionador procedia às convocatórias. Pois bem, eu afirmo aqui que sou partidário dessa forma de agir. Na Selecção praticamente não há tempo de treino. Não há espaço para criar novas rotinas, novos laços, por cada concentração. Por isto, um grupo base, um núcleo duro alargado, com mecanismos quase automáticos, dentro e fora do campo, é aqui fundamental. Scolari não é tacticamente, ou a nível de treino, um grande treinador. Mas nas selecções o peso dessas componentes é muito menor. O brasileiro sempre percebeu isso muito bem. E juntava esse facto com o aspecto motivacional. Ressalvando um facto: esta não é uma comparação Scolari vs Queirós. Até porque o seleccionador nacional é Carlos Queiroz, e é este que tem de ser apoiado, no sentido de levar a equipa a bom porto. É antes uma comparação de métodos e de formas de agir e pensar.
Atentemos nas palavras de Deco, ontem após o final do jogo 'estamos a ter muitas alterações na Selecção com a entrada de novos jogadores, nova equipa técnica e tudo leva algum tempo de adaptação'. Eu pergunto se não teria sido mais inteligente, e principalmente mais seguro, proceder a estas alterações com uma base sólida a nível pontual, e aproveitar o que de bom deixou o seleccionador anterior. Lembremo-nos como Jesualdo Ferreira chegou ao FCP, praticamente no final da pré-época, após a saída do treinador campeão, Co Adriaanse. Perante um esquema táctico pouco comum, de difícil afirmação europeia, Jesualdo aproveitou o que de bom tinha deixado o seu antecessor, e passo a passo, após alguma consolidação pontual, implementou as suas ideias. No final, foi campeão.

7 - Agora a convocatória e as opções para o jogo. A baliza é ainda foco de dúvida. Continuo a reafirmar que Eduardo é actualmente o melhor guarda redes português (até porque Quim não joga). Mas sabemos que não temos neste posto um nível semelhante às melhores selecções mundiais, desde a saída de Vitor Baía. Em relação à defesa e meio-campo, parece-me haver em Portugal matéria prima mais do que suficiente.
Na frente, já não é assim. Hugo Almeida é útil apenas para determinadas situações de jogo e parece-me que subverte em demasia os princípios de jogo da equipa, Orlando Sá é uma aposta exclusivamente de futuro, de Edinho não vou falar. Por todas estas razões, continuo a achar incompreensível a ausência das convocatórias de Nuno Gomes e/ou Postiga (actualmente lesionado). Estes jogadores, não sendo os típicos matadores, não sendo os mais idolatrados pelos adeptos, são indicutivelmente os avançados mais capazes de perceber, de contribuir e de concretizar o jogo de Portugal. Não tenho qualquer dúvida acerca disso.

8 - Particularmente em relação a ontem, é inconcebível que olhemos para o banco e vejamos Gonçalo Brandão (originalmente central, mas que pode fazer o lugar de lateral esquerdo) e Rolando, e não vejamos o outro lateral convocado, Nélson, jogador capaz de actuar em ambos os flancos da defesa. A equação era fácil. Queirós tinha em campo três defesas centrais. No banco, certamente que Gonçalo Brandão e Nélson seriam os jogadores mais indicados para cobrir as posições defensivas. Ou não fossem em conjunto capazes de cobrir todas as posições da defesa. Rolando e Brandão cumpririam em conjunto todas menos uma - a que foi necessária.
Depois a própria substituição. Saída de Bosingwa, entrada de Rolando para o centro da defesa, Carvalho para o lado direito. Com um empate a zero. Seria arriscar tanto, retirar Bosingwa e colocar de imediato Deco, recuando Pepe para central e Meireles para trinco? Queirós deitou fora uma substituição, e esgotou as alterações aos 65 minutos com Nani e Moutinho no banco...E piorou o panorama, ao retirar Tiago (que estava a fazer um bom jogo), mantendo Pepe como homem mais recuado.

9 - Depois, a própria colocação de Pepe como médio mais defensivo. Esta recuperação (o luso-brasileiro chegou a jogar no meio-campo quando actuava no Marítimo) de Queirós pode ser importante quando não há Miguel Veloso (será que vai voltar a haver), quando não se sabe se Assunção alguma vez jogará por Portugal, e quando se pretende jogar com Meireles mais à frente. E ontem, na primeira metade Pepe foi mesmo um dos melhores portugueses em campo. Mas já não havia Deco, e portanto a dificuldade em construir adensar-se-ia previsivelmente. Nestas condições, e mesmo perante uns suecos fortes nas bolas aéreas, jogar com Pepe, em casa e num jogo onde era necessário ganhar, não foi propriamente uma ajuda à performance ofensiva.

10 - Insistindo no mesmo, ver Danny, que não sendo um extremo puro rende mais junto aos flancos, como homem mais avançado, com Nuno Gomes fora da convocatória é para mim um mistério. A entrada de Hugo Almeida foi um desastre, mesmo sendo este uma das partidas onde potencialmente poderia ter sido útil.
Olhando para a convocatória de Carlos Queirós, constata-se que também o actual seleccionador nacional não convoca apenas jogadores habituais titulares no clube de origem. Maniche não é titular no Atlético, Nani idem no Man Utd, Hugo Almeida vai jogando no Bremen. Por exemplo. Quim, Ricardo Quaresma e Nuno Gomes têm vindo a ser 'esquecidos'. Desta vez juntou-se-lhes Miguel. Não percebo o critério, se é que existe.

11 - Por Portugal, não há um jogador que tenha realizado uma exibição de destaque. Pepe esteve bem na primeira parte, a entrada de Deco mexeu com a equipa. Duda fez também um jogo seguro, embora por vezes lhe faltasse alguma acutilância. Contudo, ontem não foi o jogo ideal para testar a sua capacidade defensiva (afinal a principal competência de um lateral), embora pelo que fez, justifique nova 'oportunidade'.
De Cristiano Ronaldo dizer que, ao contrário do que foi muito veiculado quando Queirós chegou à equipa (inclusive pelo seleccionador), o rendimento tem sido semelhante ao seu passado recente, mesmo que actualmente tenha o seu ex-treinador de equipa a orientá-lo. De qualquer forma, dizer que me parece normal. Aceito que se exija ao melhor do mundo que se resolvam jogos, mas não há muitos exemplos de jogadores que atinjam na selecção, a mesma performance desenvolvida no clube. Por motivos óbvios.
Contudo, e por mais ou menos razões que tenha, CR7 devia perceber que declarações como as suas de 6aF, exponenciadas pelo facto de ser capitão de equipa, não podem cair bem no seio do grupo, num momento tão importante como este.

12 - Uma palavra para a Suécia. Esta equipa está longe do nível patenteado nos últimos anos, principalmente na ausência de Ibrahimovic. Contudo, fiel à sua matriz, fez ontem no Dragão um excelente jogo, frio e seguro, suportada pelos experientes Mellberg, Kallstrom e Larsson. E levou para casa um resultado muito importante.

13 - Após as recentes performances de Portugal em grandes competições e olhando para o grupo de qualificação em que estamos inseridos, termino convicto de que ficarmos de fora do Mundial 2010 será um dos maiores desastres do futebol português nos últimos anos. Maior mesmo do que, a tão falada, prestação de 2002.

O epílogo da Taça da Liga

à(s) 02:36

segunda-feira, 23 de março de 2009


1 - Depois de dois confrontos entre os rivais lisboetas, o primeiro com clara vantagem para o Benfica, o segundo com clara vantagem para o Sporting, este seria o último tira teimas da época, entre estas duas equipas. Logo numa final, que os dois clubes atingiram com inteiro mérito.

2 - Contudo, a partida foi quase sempre equilibrada. Alguma superioridade do Benfica no final da 1a parte, e do Sporting, no início da 2a, não chegam para apontar uma equipa que no jogo jogado merecesse a vitória mais do que o adversário.

3 - Se o início do encontro deixava antever um jogo intenso, de certa forma bem jogado, e com emoção, tal não se veio a verificar. Os nervos, as quezílias, a falta de discernimento, tomaram conta dos jogadores. Algo de certa forma natural, até porque a consagração estaria à distância de 90 minutos.

4 - Paulo Bento fez o Sporting alinhar no sistema habitual, com os intérpretes ultimamente habituais. Pedro Silva à direita, Caneira à esquerda, Pereirinha no vértice interior direito do losango (Izmailov estava lesionado) e Rochemback à frente da defesa. Na frente, Liedson e Derlei, habituais pesadelos do Benfica.

5 - Por sua vez, o Benfica apresentou-se numa espécie de losango, com Ruben Amorim na esquerda e Reyes na direita (posições teoricamente alteradas devido ao pendor ofensivo dos laterais adversários, mais Pedro Silva, menos Caneira), e com Aimar nas costas de Nuno Gomes e Suazo. A primeira intenção seria encaixar no adversário.

6 - Principais destaques individuais para Rochemback (um jogo ideal para as suas características) e Moutinho (o equilíbrio de sempre, incursões ofensivas perigosas e um papel muito importante no meio-campo) no Sporting. No Benfica, Reyes (ao contrário das últimas partidas, soube conciliar a sua enorme qualidade técnica com espírito de sacrifício) e Miguel Vítor (ganhou quase sempre uma luta intensa com Derlei, e tem crescido como jogador a olhos vistos). Referência também para Quim, que embora tenha tido um ou dos erros ao longo dos 90 minutos, foi enorme nos penalties, que até nem foram assim tão mal marcados pelos jogadores do Sporting.

7 - A partida confirmou ainda que Polga continua longe do seu melhor nível, assim como Suazo, que por entre lesões, e exibições pouco conseguidas, vem demonstrando que em 2009 o Hondurenho tem sido um grande flop. O 4x4x2 losango agudiza ainda mais o facto de que é Cardozo quem deveria assumir a titularidade, ao lado de Nuno Gomes.

8 - É impossível passar ao lado da arbitragem de Lucílio Batista. Que não se esgota no lance do penalty. Sendo certo que por entre demasiadas sanções disciplinares perdoadas, o minuto 73 vai ficar na história da partida, como sendo aquele que directamente alterou o seu cariz. Erros graves, que mancharam o jogo.

9 - Se Lucílio Batista errou, Pedro Silva, mesmo tendo inicialmente a razão do seu lado, não ficou atrás. A sua primeira reacção de confrontação do árbitro não pode passar em branco, muito menos a atitude manifestamente desrespeitosa de desfazer-se da sua medalha.
Mais ainda, e mesmo compreendendo a revolta de todos os Sportinguistas, me parece excessivo e despropositado, continuar a utilizar a palavra 'roubo', principalmente da parte de alguns dos seus responsáveis. É natural e imperioso que se faça uma exposição à Liga, que o árbitro seja 'afastado' por alguns jogos, mas para bem do futebol, é importante que se continue a repudiar a premeditação que a palavra roubo tem associada.

10 - Por fim, é de lamentar que uma competição importante tenha tido um final destes. Contudo, ao contrário de alguns profetas da desgraça que certamente rejubilaram com este final, é importante que se continue a dar o valor que esta prova merece.
Por se tratar indiscutivelmente de uma competição importante pelos motivos que já anteriormente referi, pelo crescimento que revelou da primeira para a segunda edição. E que vai continuar, acredito.

11 - Uma última nota para as novas tecnologias. Com base nesta polémica, foi esta noite aproveitado, com imensa demagogia à mistura, o penalty mal assinalado por Lucílio Batista, para reforçar esta problemática. Já aqui deixei a minha opinião em relação a este assunto. E parece.me que, defender uma posição, com base num lance ultra polémico, com um tempo de paragem de jogo invulgar, tem o que se lhe diga.
Sejamos claros. Tempos de decisão como aquele não acontecem sempre, aliás, acontecem raramente. Portanto, definir os lances em que se recorreria ao vídeo, seria no mínimo polémico. Mas se os defensores das novas tecnologias acharem por bem, se acharem que se justifica, então que se invista neste equipamento para colocar no relvado. E para em casos como este, utilizar duas, três ou quatro vezes por época. Parar o jogo em cada lance duvidoso é que não.

Vendavais em Liverpool e Munique

à(s) 02:32

quarta-feira, 11 de março de 2009


No mágico Anfield Road, estiveram hoje duas equipas que contabilizam 14 (!!) Ligas dos Campeões. 5 para o Liverpool, 9 para o Real Madrid. Fosse o peso dos números e este confronto dar-se-ia apenas na final. Sendo nos oitavos de final, seria o Real Madrid o apurado.
Assim não foi. De facto, olhando para as últimas épocas, elevamos (ainda mais) o Liverpool ao estatuto de superpotência europeia e colocamos o Real Madrid num plano inferior, mais de consumo interno. Ou não tivessem os reds, desde 2003/2004 (ano do título do Porto), uma Liga dos Campeões, uma meia final e uma final. Por sua vez, o Real não ultrapassa os oitavos de final da prova, precisamente desde 2003/2004.

Depois da vitória por 1x0 conquistada no Bernabéu, o favoritismo certamente que era do Liverpool. Mas, conhecendo o valor da equipa de Juande Ramos, e a recuperação que tem encetado no campeonato espanhol, nas últimas jornadas, pensar-se-ia que se discutiria intensamente cada minuto da eliminatória. Nada mais errado. Empurrado pelos seus adeptos, tivemos um Liverpool demolidor desde o primeiro minuto, em cada metro quadrado de relva.

Assente no seu 4x2x3x1 europeu, com os intensíssimos Alonso e Mascherano a dominar o meio campo, e Gerrard, Kuyt e Babel atrás de Torres, os reds foram fantásticos. Alta rotação, trocas posicionais, intensidade, técnica, garra, tudo misturado com disciplina táctica. E a sociedade Gerrard e Torres a funcionar na perfeição. Quando Casillas não conseguiu salvar mais a sua equipa com defesas impossíveis, os golos chegaram. Primeiro Torres, depois Gerrard à meia hora, num penalty. Que sendo fantasma, colocou o marcador num 2x0 mais que justo. E a eliminatória nuns definitivos 3x0. O resto do jogo foi a gestão natural, e o aproveitar da superioridade táctica e psicológica.
O Real Madrid nunca conseguiu fazer o seu jogo. Além de o adversário nunca lhe ter permitido pensar o jogo, viveu numa anarquia táctica preocupante, especialmente à frente de Lassana e Gago. Robben, que seria à partida o principal desequilibrador, nunca se encontrou, Sneijder e Higuain idem, e Raul foi sempre um homem demasiado só.

Depois deste jogo algumas certezas. Mesmo que individualmente o Real em nada fique a dever ao Liverpool, os ingleses são muito mais fortes no seu conjunto. E sem dúvidas que nos quartos de final são um dos adversários que qualquer equipa quererá evitar. Ou não tivessem aquele que até hoje tem sido o melhor jogador da Liga dos Campeões: Steven Gerrard. 7 golos (é um médio) e futebol que nunca mais acaba.

Em Munique já aqui o disse, esperava um jogo de baixa rotação. Fiquei absolutamente surpreendido pela vontade, motivação e ambição do Bayern, que mesmo tendo a eliminatória completamente decidida a seu favor desde Alvalade, nunca desistiu de procurar um golo mais. Mentalidade alemã, de louvar.
No Sporting deve fazer-se uma reflexão. Em 5 jogos contra Bayern, Barcelona e Real Madrid (particular), a equipa de Alvalade marcou 6 golos e sofreu 25. No campeonato é a defesa menos batida. Isto deve dizer alguma coisa.
Além da qualidade táctica e individual, que está longe de reflectir a diferença de 11 golos, falta à equipa estofo, mentalidade e capacidade de motivação. Este complexo de inferioridade é muito da responsabilidade do treinador. Mas não só.
Contudo, ao contrário do que ainda se diz a quente, a demissão de Paulo Bento, não é de todo a melhor solução nesta altura. Ou não estivesse o Sporting com uma final para disputar e na luta pelo título de campeão.
A partir deste grande golpe, resta aos sportinguistas esperar que haja uma estrutura capaz de proteger o balneário, um treinador capaz de motivar e focar os pupilos, e uns jogadores merecedores de vestir a camisola do Sporting.

A Champions, jogo a jogo

à(s) 03:05

terça-feira, 10 de março de 2009


Amanhã joga-se a 2ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ainda com a presença de dois clubes portugueses. Parece-me acertado dizer que a partir desta fase se quebra uma espécie de barreira psicológica (que por exemplo duas boas equipas como são Porto e Lyon não têm conseguido ultrapassar), e se começam a definir os maiores candidatos à vitória final. Tendo sempre presente que, nas competições de top, os vencedores decidem-se em pormenores. Vamos à análise dos jogos.

Bayern x Sporting
- Este é de todos os oito jogos, aquele que, futebolisticamente, terá menos interesse à partida. A eliminatória está totalmente decidida e ambos os treinadores farão uma gestão dos plantéis, tendo em vista o resto da época.
Se Paulo Bento e o Sporting pretendem recuperar a boa imagem que tem deixado na prova, o Bayern naturalmente pretende voltar a fazer vincar a sua superioridade. Apesar de tudo, parece-me que será um jogo com poucos (ou mesmo nenhum) golos e jogado em ritmo baixo. As ausências de Toni, Ribery ou Liedson empobrecem um pouco a partida, mas haverá sempre curiosidade em acompanhar os desempenhos de Podolski ou Klose no Bayern e Veloso ou Vukcevic no Sporting.

Porto x Atlético Madrid - O jogo da primeira mão foi de certa forma revelador. Mostrou-nos um Porto europeu de muito bom nível e uns colchoneros abaixo do que seria de esperar. Pelo que se viu há quinze dias atrás e pela vantagem já adquirida na eliminatória, o favoritismo está do lado dos dragões.
Convém no entanto, ter presentes duas ou três coisas. Primeiro, a este nível, e a não ser que aconteçam resultados atípicos como o de Alvalade, não se pode dar nada como garantido. Depois, não esquecer que o Atlético é uma excelente equipa. Que ao contrário do que se tem dito, é bastante mais forte em casa do que fora. Mas, não deve haver dúvidas que mesmo jogando no Porto, esta equipa vai ser mais forte que o da primeira mão (viu-se o seu verdadeiro valor nas últimas partidas, com Barcelona e Real Madrid).
O Porto geneticamente tem mais dificuldades em casa, mas o facto de não necessitar de assumir as despesas do jogo, dará algum conforto a Jesualdo Ferreira pra que possa jogar o jogo do gato e do rato. Golos em perspectiva e curiosidade para seguir Hulk e Lisandro, Aguero e Simão.

Panathinaikos x Villarreal - Na Grécia joga-se o 'parente pobre' desta eliminatória. O Panathinaikos conquistou um bom resultado fora de casa, e perante o seu público costuma ser temível. Contudo, o Villarreal tem mais jogadores capazes de fazer a diferença, muito embora no futebol isso não seja, garantidamente, sinónimo de sucesso. Mais um jogo bem disputado, com bastante equilíbrio e quem sabe, com mais do que 90 minutos para disputar. Será interessante seguir Karagounis e Mantzios, Giuseppe Rossi e Santi Cazorla.

Juventus x Chelsea - Os blues conquistaram um muito bom resultado em casa (1x0) e seguem imparáveis sob o comando de Hiddink - 5 jogos, 5 vitórias. Contudo, o Chelsea não terá uma tarefa fácil em Turim. A Juventus tem sido fortíssima em casa, e do que acontecer na primeira meia hora de jogo, dependerá grande parte da resolução da eliminatória.
É certo que o Chelsea tem jogadores para marcar em Itália, mas os comandados de Claudio Ranieri são um conjunto muito disciplinado, tipicamente italiano. Prevejo um grande equilíbrio, e mesmo que uma vantagem importante esteja do lado do Chelsea, não consigo adiantar um vencedor. Trezeguet e Del Piero, Drogba e Lampard serão os homens da bola. Muito embora seja de registar o provável regresso de Essien.

Liverpool x Real Madrid - O Liverpool de Benitez é uma equipa talhada para a Europa. No início da época pensou-se que tal facto pudesse ser diferente, mas o tempo e o Manchester Utd encarregarem-se de por as coisas no seu devido lugar. Os reds conquistaram uma importantíssima vitória em Madrid, mas a eliminatória está longe de estar resolvida.
O Real Madrid, contando com jogadores como Marcelo, Sneijder, Robben ou Higuain é uma equipa fortíssima no contra ataque, e mesmo jogando no Inferno de Anfield frente ao esquadrão de Gerrard, não tem a eliminatória perdida. Um jogo previsivelmente fechado, e tal como disse Cannavarro, a ser decidido em detalhes. A vantagem está do lado do Liverpool, mas tenho curiosidade em saber quem será mais decisivo: se Gerrard e Torres, se Robben e Raul.

Manchester Utd x Inter - Os oitavos de final da prova trouxeram-nos confrontos muito interessantes. Mas este, talvez seja o maior de todos. Olhando para o resultado da primeira mão, talvez haja tendência a desmentir estas palavras, mas o score é enganador. O Manchester comprovou porque é para mim a melhor equipa do Mundo, e a resposta do Inter não foi tão débil como se pode fazer crer.
A equipa de Mourinho, tendo em conta as suas características, conseguiu um resultado positivo e vai defender o resultado a Manchester, tentando aproveitar um contra ataque ou uma bola parada. Será muito difícil para o United se sofrer um golo, muito embora a equipa seja fortíssima ofensivamente. Um jogo muito emotivo em perspectiva, e muito embora dê o favoritismo aos homens de Alex Ferguson por de facto formarem um melhor conjunto, é preciso não esquecer que José Mourinho é mestre nestes jogos. Ronaldo e Berbatov, Ibrahimovic e Cambiasso, confronto de grandes jogadores.

Roma x Arsenal - Em Londres, um penalty de Van Persie decidiu um jogo onde o Arsenal foi claramente superior. A equipa de Wenger não perde para qualquer competição desde a derrota no Dragão, e mesmo com uma razia ofensiva (que tem obrigado Wenger a fazer alinhar Bendtner em alguns jogos) tem mantido uma consistência defensiva excelente. Acredito que se passar em Roma, com os regressos à equipa de Adebayor, Eduardo, Walcott e Fabregas, o Arsenal está no top 3 dos candidatos ao troféu.
Pra isso, como disse, é preciso passar a Roma. O Arsenal conquistou o mesmo resultado que o Chelsea (1x0), tendo como adversários duas equipas italianas. A juventude da equipa torna esta premissa um pouco mais imprevisível, mas parece-me que não passará tantas dificuldades como os blues. A Roma de Spalletti tem estado nesta época uns furos abaixo do que nos habituou, e nunca se conseguiu refazer completamente da saída de Mancini (que curiosamente nem joga no Inter) e consequente ajuste de modelo. Acredito que este jogo vá primar pelo equilíbrio, e que as grandes decisões passem pelos pés de Totti e Julio Batista, Nasri e Van Persie.

Barcelona x Lyon - O Barcelona está a tirar um pouco o pé do acelerador e no Stade de Gerland o Lyon até foi melhor, mas o resultado final foi de 1x1. Tal como referi na introdução do post, o melhor Lyon tem a barreira psicológica dos oitavos de final da Liga dos Campeões, e não me parece que esta época a vá ultrapassar. Desta vez mais por impotência, porque mesmo que este não seja claramente um Lyon ao nível das últimas épocas, tem pela frente um gigante Barcelona que em Camp Nou, concerteza fará valer o seu favoritismo.
Contudo, este deve ser um jogo aberto, interessante e com golos. Ou não estivessem em campo, por exemplo, Messi e Xavi, Juninho e Benzema.

Um clássico muito pobre

à(s) 22:19

domingo, 1 de março de 2009



1 - Ponto prévio. Depois de uma jornada de Liga dos Campeões a meio da semana, e estando os clubes portugueses (inexplicavelmente) pouco formatados para três jogos em 7 dias, não se podia esperar uma grande partida entre Porto e Sporting.

2 - Apesar de tudo, era exigível um pouco mais de ambas as equipas, principalmente ao nível do jogo ofensivo. É que, se o Sporting x Porto para a Taça de Portugal foi o melhor clássico da época, o de ontem, foi indiscutivelmente o pior.

3 - A estratégia dos treinadores, de certa forma, percebe-se. Jesualdo sabia que um empate colocava o Porto a depender apenas de si próprio, numa altura em que todas os três grandes já se defrontaram. Depois de ontem, actualmente o Porto tem vantagem na diferença de golos (+6, o que entre clubes equilibrados não é pouco) perante o Benfica, e vantagem no confronto directo com o Sporting.
Para Paulo Bento, depois de um resultado traumático a meio da semana, e perante uma saída de grau de dificuldade muito elevado, o mais importante seria, antes de tudo, conservar as distâncias. Até porque neste campeonato, os candidatos ao título têm perdido pontos onde menos se espera.

4 - O Porto apresentou-se no sistema habitual, embora a presença de Pedro Emanuel no flanco direito, tenha feito com que a equipa explorasse pouco jogo por esse lado. Rodriguez, ao contrário do jogo em Madrid, surgiu mais vezes em zona atacante, deixando o meio-campo entregue aos habituais Fernando, Lucho e Meireles. No mais, o normal em jogos do Porto em casa, Lisandro preferencialmente sobre a direita e Hulk na zona central.

5 - Um Sporting também no sistema habitual, embora a presença de Izmailov e Pereirinha tenha dado mais largura á equipa, em contraponto com o jogo com o Bayern. E apesar de João Moutinho ter sido sempre mais um médio centro, do que um 'vértice ofensivo'. A saída forçada de Grimi por troca com Caneira, também não permitiu a Paulo Bento, explorar o lado direito do Porto. Muito embora Grimi até estivesse a ser o pior jogador da equipa.

6 - A forma como as equipas e os seus treinadores encararam a partida, a sua menor condição física, e uma tendência de João Ferreira para apitar muitas vezes, encaminharam o jogo para o registo cinzento e sem golos.

7 - Jesualdo Ferreira, à semelhança do que aconteceu contra o Benfica, voltou a substituir Lisandro por volta dos 87 minutos. A questão que deixo é se, por mais desgastado que esteja, não será preferível manter um jogador em campo que é claramente melhor que o seu substituto, ainda mais quando este apenas tem pouco mais de 5 minutos para se integrar na partida.

8 - Volta a ser preocupante para o Sporting a discrepância nas declarações de Gomes Pereira e Paulo Bento. O treinador referiu ter feito todas as substituições por lesão, ao passo que o médico reiterou que Izmailov não apresentava qualquer problema físico. A ser assim não se percebe a saída do russo.

9 - No Porto Cristian Rodriguez fez uma grande exibição, cotando-se como um dos melhores da equipa, ao lado de Meireles. O uruguaio vai ser uma baixa importante com o Leixões, num jogo onde as suas características seriam importantes.

10 - Do lado do Sporting, Daniel Carriço continua a crescer a olhos vistos e fez mais um jogo em níveis bastante altos. Ao mesmo tempo, Pereirinha, além de equilibrado defensivamente, foi sempre um dos principais 'carregadores' da equipa para o ataque.

11 - Depois de ver o jogo Atlético de Madrid 4 x Barcelona 3, fico ainda mais a duvidar do argumento de que, com jogo a meio semana, seria impossível dar mais. Coisas do nosso campeonato.
Em relação à prova, saídas do Porto a Matosinhos, Guimarães e Madeira (para defrontar um Marítimo que vai sem dúvida crescer com a chegada de Carvalhal); do Benfica a Braga e ao Nacional; e do Sporting a Marítimo, Leixões e Guimarães, acentuam ainda mais a ideia de um campeonato que será decidido muito perto do final.

As revelações do derby

à(s) 19:15

domingo, 22 de fevereiro de 2009


O Sporting x Benfica é sem sombra de dúvidas, o maior derby do futebol português. A sua história percorre décadas, as jogadas, os golos, o que há para contar dos jogos passados, ocupam sempre largos minutos/parágrafos nos espaços noticiosos, tentando antever-se o que se poderá passar em campo. Sempre com duas correntes, uma defendendo (mais racionalmente) que quem chega melhor ao derby tem mais hipótese de o ganhar, outra socorrendo-se do facto de em muitos confrontos vencer a equipa que parte para o jogo em pior condição. Se considerarmos 'pior condição' apenas a tabela classificativa, então constatamos que esta última saiu ontem por cima.

Contudo, faço agora uso de uma frase famosa, 'prognósticos, só no fim do jogo'. E aqui refiro-me àquilo que o jogo nos deixou, em termos de perspectivas para o campeonato. Que são mais risonhas para o Sporting. Apesar de, volto a ressalvar, não conseguir encontrar em nenhum dos três grandes, regularidade exibicional, evolução marcada na solução dos seus principais problemas, estabilidade psicológica, e mesmo qualidade de jogo, para que considere algum consideravelmente mais forte e consequentemente mais candidato.

Em relação ao jogo propriamente dito, não posso discordar de Paulo Bento quando diz que o resultado peca por escasso. Especialmente pela segunda parte do Sporting. Mas vamos por pontos:

1 - O Sporting adiantou-se no marcador quando ambas as equipas ainda tentavam assentar os seus modelos, sem clara superioridade. O golo é de uma execução fantástica de Liedson, mas percebe-se a reacção de Quique Flores pelos dois erros que o antecederam.

2 - O Benfica reagiu bastante bem ao golo sofrido e fez um resto de primeira parte bem conseguida. Aimar e Yebda destacaram-se nesse período, enquanto o Sporting não conseguiu traduzir em volume de jogo o ímpeto que o golo marcado supostamente traria.

3 - A segunda parte começa com um golo do Sporting (em mais uma desconcentração colectiva grave do Benfica), que dá clube de Alvalade mais estabilidade para aproveitar as nuances (muito bem) impostas por Paulo Bento ao intervalo.

4 - A saber: trocou Izmailov por Vukcevic, aproximando o russo de Moutinho (valendo-se do facto de naquele lado actuar Amorim), e deu liberdade ao montenegrino para 'cair em cima' de David Luiz quer forçando o erro individual, quer utilizando movimentos interiores. Aí, o meio-campo do Sporting asfixiou completamente a zona central do Benfica (com Moutinho, Izmailov, Vukcevic e por vezes Rochemback a jogarem bastante na zona dos desprotegidos Yebda e Katsouranis. Enquanto Liedson e Derlei saiam inúmeras vezes do centro em direcção às alas).

5 - O Benfica nunca conseguiu reagir ao pressing intenso do Sporting, e com a zona central completamente bloqueada, eram importantes as saídas pelas laterais. Aí, Reyes seria fundamental, mas o espanhol fez uma exibição paupérrima na segunda metade. Intensidade e rasgo zero, pouca rapidez e incapacidade de galgar metros em posse, levando a equipa para a frente. Aqui, a entrada de Di Maria para o lugar de Reyes teria sido mais válida, mantendo a equipa equilibrada e dotando-a de capacidade de progressão. Quique Flores preferiu guardar o espanhol para as bolas paradas (bate sempre muito bem).

6 - As substituições no Benfica nunca conseguiram alterar minimamente o cariz da partida, o clube da Luz nunca conseguiu conservar a posse de bola, e consequência, o Sporting ia crescendo cada vez mais.

7 - Falar de erros individuais no Benfica é demasiado redutor. Muito embora (p.ex) David Luiz tenha feito uma exibição desastrada, Quique Flores terá de reflectir nas razões que levaram o Benfica a não conseguir qualquer remate à baliza no período compreendido entre os 45 e os 80 minutos. E nas razões pelas quais a equipa nunca conseguiu suster o caudal ofensivo do adversário, muito embora naturalmente, os motivos possam estar interligados.

8 - Paulo Bento saiu do clássico, penso, confirmado como o treinador dos três grandes mais capaz de ler o jogo e operá-lo a favor da sua equipa. E com a certeza que, mesmo tendo individualmente menor qualidade exibicional, consegue com o seu modelo, tirar o melhor rendimento da maioria dos seus jogadores. Além da convicção de que conta com um leque de escolhas alargado, sem que a equipa se ressinta de alguma rotatividade.

9 - Por seu turno, Quique Flores saberá que o seu Benfica precisa de crescer para poder chegar ao título. Depois do muito bom jogo no Porto, pensou-se que esse seria o estímulo que faltava à equipa, mas o jogo seguinte com o Paços de Ferreira revelou os problemas do costume, e ontem contra o Sporting, a equipa demonstrou carências que não se lhe conheciam.

10 - Estamos no final de Fevereiro, já na segunda volta, e neste momento, Reyes e Suazo não fizeram o suficiente para que o Benfica avance para as suas contratações no final da época (muito menos pelos números supostamente envolvidos). Por seu turno, continuo a bater-me que Aimar (mesmo que ontem não tenha feito um grande jogo) foi uma boa contratação. Apesar de tudo, David Luiz continua a ser, de longe, a melhor solução para a lateral esquerda da defesa do Benfica. E Cardozo, jogo após jogo, prova que tem de ser mais bem aproveitado.

11 - No Sporting, Liedson demonstra (se fosse preciso) a alguns críticos, as suas mais valias. Confundir qualidade de jogo com esteticidade, tem que se lhe diga. Mas se fosse preciso, o 'levezinho' marcou ontem dois grandes golos, e 10 golos em 12 jogos contra o Benfica, não será por acaso. Izmailov e Vukcevic continuam a somar grandes exibições e Pereirinha a provar que é um jogador útil, especialmente nas conjecturas como a que o levou a entrar. Pelo contrário, continuo convencido que Adrien ou Miguel Veloso desempenham melhor a função de pivot defensivo do que Rochemback e a dupla de centrais do Sporting revela algumas carências, que frente a Klose e Toni, não serão um bom cartão de vi
sita.

Porto x Benfica, a análise

à(s) 23:18

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Em primeiro lugar, assumo que não foi propriamente o jogo que estava à espera. Que seria, tal como eu aqui referi, um jogo mais intenso, mais rápido, de certa forma mais agressivo e com exploração do contra-ataque como arma preferencial de cada uma das equipas, para chegar ao golo.

Começando pelo Porto, se mais fosse preciso, este jogo demonstrou que a equipa de Jesualdo Ferreira não é a mesma de outras épocas. Onde, principalmente no Dragão, assumia naturalmente uma postura agressiva, imponente e de domínio sobre o adversário.
Contra o Benfica não foi assim. Este Porto tem dificuldades contra equipas bem organizadas defensivamente e o Benfica foi-o. Dificuldades que se atenuam quando não consegue assumir o meio-campo, algo impossibilitado também pela habitual superioridade do Benfica nessa zona (recorrendo a Aimar e Ruben Amorim, para se juntarem a Yebda e Katsouranis). Mais esses problemas se atenuam se os seus principais desequilibradores se encontrarem em noite não, tal como Hulk e Rodriguez hoje. No início da 2a parte Jesualdo tentou algo diferente, colocando Lucho mais vezes na ala direita (algo que acontecia muitas vezes na época passada), mas tal também não resultou.

O Benfica também não aproveitou a sua principal arma. A transição ofensiva rápida. Provavelmente porque Suazo também não estaria nas melhores condições. Mesmo que tenha sempre dado a impressão de controlar o jogo, mesmo roçando a perfeição no sector defensivo, faltou sempre algo à equipa para que pudesse ganhar o jogo. Sem dúvida que Quique Flores montou bem a equipa, mas esta foi sempre algo 'curta'. Foi em parte o Benfica de outros jogos, uma equipa compacta e racional, mas com dificuldades em explanar ofensivamente o potencial dos seus jogadores. Mesmo com um Aimar em grande nível.

Individualmente, destaque, para além de Pablo Aimar, para Yebda e Sidnei no Benfica e para Fucile e Lucho Gonzalez no Porto.
Em relação às pistas do clássico para o resto da campeonato, facilmente podemos constatar que o Benfica precisa resolver o seu 'problema' ofensivo se quiser ser melhor e ainda mais candidato. Nos 13 jogos que faltam, tem três (Sporting, Braga e Nacional fora) onde pode explanar as suas principais características, mas tem dez jogos contra equipas mais fechadas onde poderá ter dificuldades.
O Porto não é diferente. Sente as mesmas dificuldades que o Benfica, embora as tente resolver de outra forma. Apesar de tudo, talvez aproveite melhor os espaços que o seu rival, ou os crie mais facilmente. Ressalvo, quando encontra equipas que se expõem mais. Curiosidade para ver como se portam os dragões no confronto com o Sporting, jogo interessante para ver com que Porto se pode contar até final da época.

As meias-finais

à(s) 01:18

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Por entre as conjecturas já sabidas, as meias-finais da Taça da Liga realizaram-se esta 4aF. É obrigatório no Futebol Total analisar os grandes clássicos, mas antes quero deixar umas curtas linhas para o Benfica x Vitória de Guimarães. O jogo onde Artur Soares Dias também cumpriu um minuto de silêncio em honra do pai.

A partida não foi excepcional. Antes pelo contrário, apesar de intensa, foi muitas das vezes mal jogado. O Benfica manteve-se na toada da época. Não se desequilibra muitas vezes, mas também não desequilibra o adversário. Continua a notar-se uma falta de evolução nos problemas, na qualidade exibicional da equipa, muito embora a equipa de Quique Flores continue a ganhar jogos. Relevo para o crescimento de Aimar, e para as boas exibições de Reyes e Cardozo. A propósito destes dois jogadores, duas notas. Quanto a Reyes, e comparando com Di Maria (que hoje voltou a demonstrar carências importantes), não dá para perceber a preferência última de Quique para com o argentino. O jogo no Dragão deve dar pistas para o resto da época. Em relação ao clássico, nota para a substituição de Cardozo por Di Maria (com Nuno Gomes e Mantorras no banco), quando o resultado ainda se cifrava em 0x0, o que pode ser um indicador de que Suazo poderá não estar em condições para alinhar no Domingo e o treinador do Benfica tem um plano de jogo alternativo.
O Vitória de Guimarães, é notoriamente uma equipa em crescendo, e Nuno Assis um dos principais expoentes dessa evolução. A equipa apresentou-se no habitual 4x2x3x1, e a espaços, conseguiu jogar bem no relvado da Luz. Nota para a forma metódica e progressiva com que Manuel Cajuda tem integrado os reforços de Inverno.

Em Alvalde o jogo e o resultado foram mais desequilibrados do que na Luz. Já aqui me expressei acerca das opções de Jesualdo Ferreira, mas não me parece que os adeptos e responsáveis do Porto tivessem gostado de ver a prestação da equipa que defendeu o clube numa competição oficial.
Depois de estas duas equipas nos terem proporcionado, na Taça de Portugal, o melhor clássico da época, o de hoje, para a Taça da Liga, não tenho dúvidas que terá sido o pior.
O Sporting, apesar do resultado, não me parece ter realizado uma grande exibição. Pelo menos até ao 3x1, altura em que a resistência do Porto terminou. A equipa apresentou-se no sistema habitual, contudo com Vukcevic (avançado no papel) a descair muitas vezes para o lado direito, alargando o jogo da equipa, juntamente com Izmailov no flanco contrário. A defesa esteve sempre algo instável (particularmente Grimi), e no meio-campo Romagnoli teve sempre algumas dificuldades para assumir o seu jogo, criando as habituais situações de superioridade numérica numa das faixas.
Pelo contrário, Adrien realizou uma excelente exibição mostrando estar ali, na ausência de Miguel Veloso, a melhor solução para a posição 6. O luso-francês foi ainda bem secundado por Pedro Silva, Izmailov e Vukcevic, que realizaram boas exibições. Além de Derlei, claro, que com dois excelentes golos foi uma das maiores figuras do jogo. Acima de tudo, o Sporting aproveitou o facto de ter mais rotinas que o adversário, para afirmar a sua superioridade.
Do Porto, não se esperaria uma grande exibição. Nem que esta equipa fosse propriamente jogar de igual para igual com o Sporting. Contudo, a sua prestação, ao contrário do que afirmaram os seus técnicos, foi fraca. O 4x3x3 habitual com Farias, Mariano e Tarik, deu em certos momentos do jogo lugar a um 4x4x2, sempre que Mariano recuava uns metros. Aliás, o argentino foi um dos melhores jogadores do Porto, confirmando a sua subida de forma. Ele e Tomàs Costa. O resto da equipa definitivamente não esteve bem, revelando sempre dificuldades para levar perigo ao último terço do terreno. Mariano Gonzalez soltou-se bastantes vezes das marcações do meio-campo adversário, mas viu-se não raras vezes sozinho.
Em processo defensivo a equipa revelou muitas lacunas. Na primeira parte Guarín revelou muitas dificuldades na marcação, o que levou o Sporting a aproximar-se bastante da área do Porto. Mas tranquilamente Madrid (boa primeira parte do argentino), e a linha defensiva conseguiram resolver a maioria das situações. Na segunda metade nunca o Porto conseguiu 'aguentar' o Sporting. E se Stepanov, Benitez e Pedro Emanuel não ficaram nada bem na fotografia, o penalty de Sapunaru é de bradar aos céus. Enfim, uma estratégia de risco, que não deu resultado.
No próximo Domingo, dependendo do resultado do clássico com o Benfica, vamos perceber o verdadeiro sucesso deste planeamento.

Em Março, na final da Taça da Liga, um duelo muito interessante. Que será o 8º clássico do Sporting na temporada. Números atípicos. Mas, indiscutivelmente, bons para o espectáculo.

Pela Taça de Portugal..

à(s) 17:02

domingo, 14 de dezembro de 2008

Com o Sporting já eliminado, esta eliminatória da Taça tinha como principal foco de interesse, o jogo grande entre os dois primeiros classificados do campeonato principal. E ao contrário do que muitos previam, o jogo não foi particularmente bem jogado, por diversas razões. Primeiro pelo estado do terreno e condições atmosféricas envolventes. E depois, porque tratando-se de um jogo a eliminar, entre duas equipas que neste início de época têm tido uma performance equilibrada, a dimensão física e intensidade da partida seriam, e foram, sempre o principal prato forte.
O Benfica esteve neste jogo, melhor do que na partida anterior frente ao Leixões. Provavelmente entendeu melhor a partida, com mais pragmatismo, arregaçou as mangas e foi à luta. Luta essa onde encontrou um adversário que apesar de ter perdido a liderança, continua motivadíssimo.

Pode dizer-se que o Leixões manteve o mesmo modelo de jogo, sempre com as linhas bastante juntas, habitualmente baixas, tentando aproveitar transições ofensivas rápidas. O meio-campo forte e combativo de três homens (China, Morais e Roberto) contou ontem com um auxílio mais frequente do que o habitual, de Wesley. Foi talvez a única e ligeira nuance apresentanda por José Mota.
O Benfica com estes jogadores teve dificuldade em contrariar (ofensivamente) a estratégia do Leixões. Se por um lado Suazo não tinha grande espaço para as suas arrancadas nas costas da defesa, também Aimar nunca conseguiu encontrar espaço (algures entre os centrais e o forte meio-campo leixonense) para soltar o seu jogo. Reyes esteve sempre fortemente vigiado por Vasco Fernandes, que contava com o precioso auxílio de Roberto. Assim, o Benfica raramente conseguiu criar jogadas envolventes, de perigo.
Tal como o Leixões aliás, levando estes factores a que o jogo fosse sempre disputado mais sobre a zona central do campo, restrigindo o jogo nas áreas a dois ou três lances. Todas as condicionantes que falei anteriormente, aliadas ao respeito mútuo entre as duas equipas, levou a que a partida se desenrolasse desta forma.
No final, sorriu o Leixões, porque foi mais feliz nas sempre imprevisíveis grandes penalidades.

Em Cinfães, ambiente de taça. Jogo ao Sábado à tarde, bancadas cheias, público entusiasta. E óptima réplica do Cinfães, até que o segundo golo do Porto (imediatamente após o golo do empate dos homens da casa) deitou por terra as aspirações dos homens da terceira divisão. Deste jogo ficam apesar de tudo, algumas notas. Mais uma pista de que Guarín é um bom reforço para o Porto, outra de que Candeias talvez mereça mais oportunidades, e mais golo de Farias, que apesar de não ser bem-amado pelos portistas mantém uma média de golos muito interessante.

Nos outros jogos e até esta hora, nota para a passagem do Valdevez (após eliminar o Santa Clara). Estrela da Amadora, Belenenses (venceu um jogo muito difícil em Olhão), Naval e Nacional, fazem companhia ao Porto e ao Leixões na próxima eliminatória.

Inferno grego...

à(s) 23:29

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


O título do post tem razão de ser. O estádio Karaskaiki foi um verdadeiro inferno para a equipa do Benfica. O Benfica sofreu o 0x1 aos 40 segundos do jogo.
Mas o golo inaugural do Olympiakos, foi sintomático em relação ao que se viria a passar no resto do encontro. Um desequilíbrio defensivo enorme, principalmente entre David Luiz (ainda não estaria preparado para um jogo desta exigência) e Jorge Ribeiro. A equipa do Olympiakos foi extremamente inteligente no aproveitamento do espaço concedido pelo Benfica, entre o central esquerdo e o lateral esquerdo.

O espanhol Valverde (que ao serviço do Espanhol, já eliminou o Benfica da taça UEFA), demonstrou ter a lição bem estudada. Apostou num 4x2x3x1, com dois médios mais posicionais - Dudu e Patsatzoglou a proteger a defesa (o elo mais fraco do Olympiakos) e três médios mais ofensivos - Belluschi (o tal que esteve nas cogitações do Porto), Djordevic (com uma missão mais de contenção, sobre o lado esquerdo) e Galletti (aberto no lado direito, mas recorrendo frequentemente a movimentos interiores) . Na frente o muito móvel Diogo. Foi aliás pelo sucesso da parceria entre Diogo e Galletti que o Olympiakos destroçou a defesa do Benfica, aproveitando o tal espaço entre David Luiz e Jorge Ribeiro, e o facto de o brasileiro sair imesas vezes da posição para procurar Diogo ou Belluschi. Aliás, por isso não jogou Kovacevic, mais estático, como homem mais avançado.
Quique Flores, montou o Benfica no 4x4x2 habitual, com Ruben Amorim sobre o lado direito e Binya no lugar de Katsouranis (o grego não estava a 100%). Ofensivamente, o Benfica fez um bom jogo. Circulou sempre a bola com qualidade, teve movimentos interessantes, oportunidades. No entanto, se há jogo que deve figurar nos manuais, sobre como se perde um jogo na defesa, é este. E nem falo do meio-campo defensivo, porque Yebda e Binya fizeram o seu papel. No entanto, Quique e os adeptos do Benfica terão saído deste jogo com algumas certezas: Luisão, ao contrário do que muitos dizem, ainda é o patrão da defesa, e quiçá da equipa. Faz muita falta. Jorge Ribeiro não terá qualidade para ser titular neste tipo de jogos. Binya e Balboa podem ser opções muito credíveis ao longo da época.
Quanto à qualificação (numa prova onde tinha ambições), não será preciso uma calculadora para se saber que estará praticamente fora do horizonte do clube da Luz.

Depois do Porto em Londres, da selecção no Brasil, do Sporting em Alvalde frente ao Barcelona, agora o Benfica em Atenas. Mau de mais para ser verdade. Acredito que estas goleadas não passem de infelizes coincidências, mas estes jogos devem fazer soar o alerta, porque não há memória destas conjugações de resultados na mesma época.
O Braga, perdeu o jogo nos últimos 10 minutos. Apesar de tudo o Wolfsburgo foi regra geral, superior, controlando o meio-campo. Ainda assim, um empate no campo do Herenveen, deixa os arsenalistas praticamente qualificados. Num grupo que não é nada fácil.