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Aguiar, o novo Francescoli

à(s) 03:29

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


A designação não é minha. Luís Aguiar recebeu-a no Uruguai, quando ainda jogava no Liverpool de Montevideu. Mesmo idolatrando Recoba e Forlan, os uruguaios procuravam um novo pibe, digno sucessor de Francescoli. E o 'escolhido' foi Aguiar, internacional uruguaio sub-20. Hoje percebe-se que não foi por acaso.

O Porto, descobriu-o. Provavelmente da mesma forma que descobriu Hulk e ninguém sabe como. Chegado a Portugal, Aguiar foi emprestado primeiramente ao Estrela da Amadora, onde substituiria Binya, chamado de volta para o Benfica de Camacho. A primeira metade da época não lhe correu bem, até porque certamente o Estrela não seria o clube indicado para um jovem uruguaio brilhar no seu primeiro ano de Europa.
A partir de Dezembro, na Académica, foi diferente. Aguiar conseguiu ser mais constante, mostrando atributos que aguçavam o apetite de todos. Estranhamente não ficou num Porto carente de elementos desequilibradores no meio-campo. Jesualdo Ferreira deve agora, perguntar-se o porquê de o ter dispensado.

Hoje no Braga de Jesus, Meyong, Renteria ou Alan, Luis Aguiar é o 'jogador mais'. Bem sei que este Braga vale pelo colectivo, mas notam-se diferenças no equilíbrio da equipa quando o 22 não joga. Vendo-o actuar uma característica raríssima salta à vista. Joga perfeitamente e de forma semelhante com os dois pés. É frequente vermos este grande jogador marcar cantos ou livres, de pé direito ou de pé esquerdo.
No futebol moderno, dizem não haver espaço para os '10' á moda antiga. Mas para '10' de escola uruguaia há, sem dúvida. Aguiar é um deles. Pela disponibilidade para o jogo, pela capacidade de perceber os seus diferentes momentos. Porque o vemos num instante junto aos avançados (leva por exemplo 6 golos na Taça UEFA), e no outro vemo-lo junto ao médio mais defensivo. E depois mistura velocidade, recepção quase sempre orientada, técnica, garra, facilidade de remate, intensidade, e a já referida capacidade nas bolas paradas.
Aos 23 anos, é já um jogador muito completo e uma indiscutível mais valia neste Sporting de Braga. A pergunta que fica é: por quanto tempo mais?

Fugindo agora um pouco para a Taça UEFA, vemos que o seu grande golo de hoje, figura nos melhores da jornada ao lado dos de Pato (a Taça UEFA terminou para Maldini mais cedo do que a sua carreira merecia), Ben Arfa, Rothen (adversário do Braga), Kewell, e Giovanni dos Santos (continuo sem perceber como faz parte das segundas escolhas no Tottenham).

Quanto tempo mais Renteria?

à(s) 05:52

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



Penso no Braga x Standard Liége. Rapidamente me vem à memória o golo fantástico de um colombiano, que alterou as coordenadas de um jogo que demonstrou um Braga fortíssimo e um Standard Liége demasiado dependente de Defour (e abaixo das minhas expectativas).

Boa recepção, um toque para o lado a desviar do defesa, cabeça levantada, remate de antologia. Arrisco a dizer, não seria qualquer jogador a fazer aquele golo. Escrevi no Futebol Total, a 12 de Novembro 'A propósito do colombiano, é certo que os avançados vivem de golos, e ele sabe-os falhar como ninguém. Mas num esquema táctico de dois avançados, é um jogador imprescindível. Pelo perigo que constrói, pelos espaços que cria, pelos desequilíbrios que causa. Mesmo que tenha tendência para enervar os adeptos. Mas Jorge Jesus sabe o jogador que tem'

A verdade é que cada vez mais se confirma como um bom jogador. E golos, a lacuna principal que muitos lhe apontam, tem-os feito. Portanto, cada vez menos espaço para críticas e interrogações à sua volta. Só não lhe peçam para jogar em cunha entre os centrais. Ou para marcar golos decisivos, porque me parece ainda lhe faltar alguma maturidade e solidez psicológica. Mas Jesus tem trabalhado esse aspecto. Renteria aparece cada vez mais confiante e as bolas na rede têm ajudado.

Enfim, desde que se perceba o seu futebol, é fácil considerá-lo um dos bons avançados do campeonato. Um pormenor importante: os seus 23 anos e a evolução no seu jogo, desde que vestiu pela primeira vez a camisola do Porto. Por isso a pergunta: quanto tempo mais é preciso para te compreenderem Renteria?


Notas:_ o 18 do Braga foi apenas um dos destaques individuais (Aguiar, Alan, João Pereira foram outros), de mais uma fantástica exibição colectiva de uma equipa que, quase de forma rara no futebol moderno, apresenta intensidade, grande futebol e resultados.
A pedido do Vila Real Sport, deixo um apelo sobre a forma de hiperligação, no sentido de continuarmos a demonstrar porque é que os portugueses são um povo solidário. A estória de Ernesto, merece indiscutivelmente, um olhar atento.

Bom Jesus de Braga

à(s) 12:57

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


A minha idade não me permite ver futebol há tanto tempo quanto isso. Lembro-me vagamente do Braga do Rui Correia, do Zé Nuno Azevedo, do Artur Jorge, do Barroso, do Karoglan ou do Forbs. Depois o de Armando Sá, Ricardo Rocha, Tiago, do Fehér, do Zé Roberto. Provavelmente alguns destes jogadores nem coincidiram na mesma equipa, mas a ideia que essencialmente quero passar, é que todos eram grandes jogadores. Mas não tenho a memória de considerar o Braga ano após ano como uma equipa temível. Naturalmente, um candidato à UEFA, ou à primeira metade da tabela.
Isso mudou. E justiça seja feita desde a chegada de António Salvador, aquele que considero um dos dirigentes mais sagazes e profícuos do futebol português. Um homem, que desde que começou a consolidar o seu projecto, colocou o Braga como actual quarto grande do futebol português (sim, considero o título de quarto grande rotativo, ou seja Belenenses, Boavista, Braga e Vitória de Guimarães vão chamando a si a disputa). Contratações cirurgicamente (bem) efectuadas, um estádio fantástico que foi um acto de coragem, boa política financeira.

Mas, apesar de tudo, com um ego demasiado grande. Ou provavelmente com a ambição que o clube crescesse mais depressa do que podia. Por isso, desde a saída de Jesualdo Ferreira (após excelente trabalho) nenhum treinador tenha conseguido cumprir a 100% os objectivos propostos. E por lá passaram homens competentes como Carlos Carvalhal, Manuel Machado ou Jorge Costa. Este ano talvez seja diferente. Salvador contratou alguém que sabe muito da coisa - Jorge Jesus. E que provavelmente tem um ego até maior que o seu. Mas agora, tem uma espécie de dicionário do futebol nacional - Carlos Janela - a fazer a ponte. E os resultados estão à vista. Embora uma maior focalização inicial na Europa tenha feito o Braga sair de duas competições (Taça de Portugal e Taça da Liga) mais cedo do que o previsto, no campeonato os minhotos estão a apenas quatro pontos do primeiro lugar. As hipóteses de uma candidatura mais séria serão testadas durante este mês de Janeiro.

A equipa assenta por base numa mescla entre o 4x4x2 losango e o 4x1x3x2. Para isso, conta com a capacidade de Luis Aguiar bascular no terreno, alternando, muitas vezes no mesmo jogo, entre os dois sistemas. Quando joga Mossoró no centro, pelas suas características, tem mais dificuldade em baixar fazendo com que o Braga assuma mais o losango.
Na baliza aquele que considero o melhor guarda-redes do campeonato - Eduardo. Excelente quer entre os postes, quer fora deles, transmite muita força, liderança e confiança ao quarteto defensivo.
Que tem sido assolado por lesões, essencialmente no centro da defesa. Se Paulo Jorge é uma carta fora do baralho desde o início de época, Moisés e Rodriguez, têm sido também afectados por algumas mazelas. Fora isso, são a dupla indiscutível, centrais de muita qualidade, fortes na marcação (mais Moisés), muito bons a ler o jogo e a sair a jogar (mais Rodriguez), fortes nas bolas paradas ofensivas (outra vez mais Moisés).
Nas laterais outros dois bons jogadores: Evaldo e João Pereira. O primeiro, mais forte defensivamente, equilibra mais a equipa, enquanto o segundo aparece mais em incursões ofensivas. Embora ambos desempenhem bem as duas funções (e respectivas transições), o que lhes permite alternar funções, permitindo várias soluções à equipa, sem a desequilibrar. Também por isso a promessa Edimar (que vai finalmente poder alinhar) terá dificuldades em jogar, um pouco à imagem de Filipe Oliveira.

Mesmo por que, na impossibilidade de João Pereira, ou quando Jesus pretende outro tipo de soluções, seja Frechaut o homem que actua na lateral direita. Ou no centro da defesa quando há lesões ou castigos. Ou à frente da defesa. Uma autêntica benesse como o seu treinador o tem apelidado. Quando a equipa está toda operacional, é na posição 6 que Frechaut actua. Discutindo esse lugar com Vandinho. Lugar onde me parece o Braga ainda poder melhorar. Seria com o Madrid, o melhor Madrid. Com boa leitura de jogo e ocupação de espaço, cultura de posse, qualidade de passe. Bruno Tiago e Stélvio são duas jovens promessas que poderiam igualmente ocupar essa mesma posição. Têm qualidade, mas neste plantel a afirmação será difícil.
Mais sobre a direita, o lugar é de Alan. Porque as lesões e a falta de ritmo não largam Jorginho, mas porque o brasileiro desempenha as funções muito bem. Culto tacticamente, cumpre muito bem tarefas defensivas, e a atacar abre muito bem na faixa, dando largura ao jogo do Braga. Rapidez, qualidade técnica, imprevisibilidade, tudo armas com que dota a equipa.
Á esquerda, maioritariamente, alinha um jogador incompreendido no Minho. César Peixoto. Mesmo assobiado, já afirmou não mudar o seu futebol. Acredito que Jesus agradeça. Porque numa equipa com muitos homens de pendor ofensivo, ele é quem melhor equilibra a equipa. Ou antes, nunca a desequilibra. Sabe quando guardar a bola, sabe quando soltá-la. Mesmo que por vezes seja de certa forma passivo, a sua colocação no terreno resolve muitos problemas ao Braga. E depois tem muita qualidade quer no cruzamento, quer na bola parada. A importância de Peixoto, faz com que Matheus jogue poucas vezes ali. Apenas quando Jesus quer arriscar mais. Caso contrário actua no vértice ofensivo, ou na frente. Maioritariamente até inicia os jogos a partir do banco. Porque é daqueles jogadores capazes de mexer com um jogo, de abanar com os colegas, de deixar de rastos defesas já desgastadas. Muita qualidade técnica naquele pé esquerdo.
Mais sobre o centro Aguiar ou Mossoró. Mais o uruguaio porque é mais capaz no conjunto dos quatro momentos de jogo. Mesmo ofensivamente, não sendo tão imprevisível, tão tecnicista, dá mais soluções. É mais consequente, bate bem bolas paradas, faz mais golos. E depois a tal questão do sistema que falei em cima. Dá mais equilíbrio à equipa e possibilita a transição entre o losango e o trio de meio campo em linha.

Á frente quatro boas opções. Cinco se contássemos com Orlando, que não tem alinhado. Se de Paulo César se pode aplicar um pouco do que disse a Matheus, sendo até indicado para jogar mais no contra ataque, o austríaco Linz, principal figura do Braga nas últimas épocas, tem tido dificuldades em entrar no 11, porque Meyong e Renteria se complementam melhor e se adequam mais a um esquema com dois avançados. Linz continua a ser um óptimo jogador, obviamente que nada desaprendeu, e tem utilidade em determinado tipo de jogos, ou situações específicas dentro de um jogo. No entanto, a sua menor mobilidade, faz com que esteja mais talhado para jogar sozinho na frente. Com alguém nas costas.
Meyong e Renteria quase já jogam de olhos fechados. O camaronês é um avançado que consegue iludir muito bem a marcação, que joga também muito bem fora da aérea, mas que ao mesmo tempo é um excelente finalizador, marcando muitos golos. Renteria tem reconhecidas dificuldades na marcação. Mas é importantíssimo na equipa. É algo trapalhão, é verdade, mas Meyong pode agradecer em boa parte ao colombiano grande parte dos golos que tem marcado esta época. Renteria, embora não seja um exímio finalizador, desgasta imenso a defesa contrária, abrindo ao mesmo tempo inúmeros espaços, porque joga com qualidade e de forma inteligente. Sem dúvida um dos bons avançados da nossa Liga, talhado para esquemas com dois homens na frente.

Em suma este Braga, é ao contrário do que se poderia pensar pela quantidade e qualidade de soluções de cariz mais ofensiva, uma equipa muitíssimo equilibrada e que defende muito bem. Prova disso é o facto de ser a defesa menos batida do campeonato. E curiosamente a atacar é mais curta. Conta com uma média de cerca de um golo por jogo, sendo que Meyong tem cerca de metade dos golos da equipa (6 em 14, 13 jornadas). O conseguir este equilíbrio é um dos grandes méritos de Jorge Jesus, aliás, é mais uma prova da sua capacidade enquanto treinador. E está num clube excelente para explanar as suas qualidades.
Nesta segunda metade do campeonato, um dos principais desafios dos arsenalistas será melhorar a relação entre processos. Principalmente nas transições ofensivas, claro, sem perder o equilíbrio que vem demonstrando. Acredito que a solução passará pelo melhor Andrés Madrid, afinal, uma garantia de "saída" de bola com qualidade.
Passando bem por Janeiro, acredito que este Braga seja uma equipa a ter em conta na disputa pelos três primeiros lugares. O salto que tem faltado ao clube.

Sorteio UEFA

à(s) 00:07

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


Motivos pessoais impediram-me de expressar uma análise sobre o sorteio das competições europeias, no que concerne especialmente às equipas portuguesas.

Começando pela Champions, penso que o Sporting não foi feliz no sorteio. Aliás, se quisermos falar em sorte, a única que o Sporting teve foi ter evitado o Man Utd. Ainda assim e falando em patamares, colocaria os alemães no primeiro juntamente com a equipa de CR7, Juventus e Liverpool no segundo e Roma e Panathinaikos num terceiro.
A equipa de Jurgen Klinsmann, depois de uma passagem pela Taça UEFA (onde na época passada atingiu as meias-finais), parece estar a regressar ao seu melhor nível. Para documentar esse facto, constatamos que num grupo que contava com Lyon e Fiorentina, o Bayern classificou-se em primeiro lugar, invencível, apenas com dois empates.
Com o pouco consensual Rensing na baliza (Butt é o seu suplente), Lahm à esquerda e Oddo à direita ocupam habitualmente as laterais, enquanto a dupla de centrais é sul-americana: Lúcio e Demichelis. À espreita para a zona central surge o belga Van Buyten. Na zona central do meio campo, Van Bommel tem sido praticamente indiscutível como homem mais recuado, tampão para as investidas contrárias. A seu lado, com mais liberdade para se soltar em tarefas mais ofensivas, Zé Roberto ou Tim Borowski, homens que possuem muita qualidade no remate. Nas alas, usando e abusando de movimentos interiores, Ribery à esquerda (a principal estrela da equipa) e Schweinsteiger à direita (perigosíssimo nas bolas paradas). Na frente são os fortes e perigosíssimos Toni e Klose as setas apontadas às balizas contrárias. Podolski continua a esperar por uma oportunidade.
No campeonato, o Bayern segue em primeiro lugar em igualdade pontual com o surpreendentemente Hoffenheim. Osso muito duro de roer para o Sporting, que precisará ser a equipa muito certinha e eficaz que tem sido na maior parte da Champions, e ganhar algum estofo que não demonstrou contra o Barcelona, para acalentar esperança de seguir em frente.

O Porto fará uma deslocação bem mais curta até Madrid. Para defrontar o Atlético. Aqui, se quisermos continuar a falar em sorte, chegamos à conclusão que o Porto evitou os teoricamente mais fortes Real Madrid, Inter e Chelsea e os teoricamente mais fracos Villarreal. Lyon e Atlético de Madrid seriam dos possíveis adversários, aqueles que mais se equivalem ao Porto, e surgindo o Atlético como adversário, penso que se tratará de uma partida muito equilibrada, e previsivelmente com muitos golos.
O Atlético qualificou-se em segundo lugar do seu grupo, apenas atrás do Liverpool, numa disputa muitíssimo equilibrada pelo segundo lugar. Terminou a primeira fase também sem derrotas, num grupo que, para além dos ingleses, contava com Marselha e PSV, boas equipas europeias, e habituais na Liga dos Campeões. No equilibradíssimo (por cima) campeonato espanhol, os colchoneros estão actualmente em 3º lugar a um ponto do Sevilla, e à frente de Real Madrid, Valência e Villarreal. Longe, em primeiro lugar, seguem os incríveis de Barcelona.
A equipa de Simão Sabrosa, joga num esquema muitíssimo semelhante ao Bayern, adversário do Sporting. Na baliza Coupet e Léo Franco vêm discutindo uma vaga entre os postes. São dois bons guarda-redes, embora o francês estando em forma, seja melhor jogador. Para formar o quarteto defensivo Javier Aguirre tem tido algumas dúvidas o que é natural, até porque domesticamente a equipa sofreu 23 golos em 16 jogos. Antonio Lopez, Perea, Pernia e Seitaridis formavam a defesa mais utilizada na época passada, mas as chegadas de Ujfalusi e Heitinga trouxeram um acréscimo de qualidade, para já ainda insuficiente. À frente da defesa, mais posicional o ex-Porto Paulo Assunção (que certamente não terá uma recepção muito favorável no Dragão), e ainda no centro, embora ligeiramente mais adiantado, surja Maniche (que ganhou o lugar a Raul Garcia). Nas alas, à direita o argentino e muito influente Maxi Rodriguez, e à esquerda Simão Sabrosa, que continua letal nas bolas paradas. Luis Garcia é um suplente de luxo. Como dupla avançada, os muito móveis Forlán e a super-estrela Kun Aguero. Estes dois homens são sinónimos de muitos golos (Pongolle, jogador também muito perigoso, é suplente da dupla). Este Atlético de Madrid é actualmente permeável defensivamente, mas tal facto também se deve ao grande ímpeto ofensivo que coloca no seu jogo. Numa eliminatória que prevejo muito equilibrada, o Porto terá de se preocupar em trazer um bom resultado do Vicente Calderon, onde sofrerá uma grande pressão, para tentar resolver a eliminatória na Invicta.

Pela Taça Uefa, o adversário do Braga, serão os belgas do Standard Liége, orientados por Laszlo Boloni. A equipa belga passou por uma travessia no deserto nos últimos anos, arredada dos títulos, mas o ex-jogador do Benfica Michel Preud'Homme devolveu alguma da glória passada ao clube, dando-lhe um título e operando uma verdadeira revolução na forma de trabalhar, apostando fortemente nas camadas jovens. Fellaini foi o primeiro a dar o salto, Defour e Witsel podem seguir-lhes os passos. Todos provenientes da academia dos belgas, e previsivelmente movimentando valores muito elevados. Na Liga Belga o Standard tem feito uma carreira algo abaixo das expectativas, ocupando actualmente o segundo posto atrás do Anderlecht. Pelo contrário, na Taça UEFA, foi primeiro colocado do grupo mais forte da fase inicial, apurando-se juntamente com Estugarda e Sampdoria, e deixando de fora os espanhóis do Sevilha.
Boloni esquematizou a equipa em 4x3x3, com Aragon na baliza, a (ex) promessa americana Onyewu a acompanhar Sarr no centro, enquanto os brasileiros Comozatto e Dante Bonfim (este já falado como estando na órbita do Benfica), ocupam as laterais direita e esquerda respectivamente. No meio campo o experientíssimo Wilfried Dalmat (um poço de técnica), acompanha as super promessas belgas Witsel e Defour. O trio ofensivo é constituído por De Camargo e Mbokani nas alas, a apoiar a principal estrela da equipa, e talvez o melhor jogador do campeonato belga, Milan Jovanic.
Prevejo igualmente uma eliminatória muito equilibrada, com o Braga a sentir algumas dificuldades. No entanto, o Braga tem provado ao longo da época que adquiriu já um importante estofo europeu, aliando boas exibições a bons resultados. No entanto, convém também não esquecer que o Standard Liége disputou a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, obrigando o Liverpool, a disputar um prolongamento. Além de tudo, duelo táctico interessante entre Jesus e Boloni.

Em frente Braga

à(s) 22:54

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

No dia em que se fala da potencial transferência de Orlando Sá para o Chelsea (não vás miúdo, o caminho mais fácil e apelativo nem sempre é o mais produtivo!), o Braga conseguiu o apuramento para a próxima fase da Taça UEFA, inserido num dos grupos mais difíceis.

Foi vencer fora, ao terreno do Herenveen, equipa que eliminou o Vitória de Setúbal. Numa exibição bastante convincente, com um grande Eduardo entre os postes, dois laterais muito capazes e dois avançados que explicam dentro do campo porque é que Linz não tem sido opção. No banco, Jesus continua a ditar as leis, e a colocar o Braga no mapa do futebol europeu.
Há duas épocas, caíram numa eliminatória muito disputada, aos pés dos ingleses do Tottenham, na época passada o Bremen de Diego e Hugo Almeida eliminou os minhotos após estes falharem dois penalties na Alemanha, nesta, veremos daquilo que os arsenalistas serão capazes.

Quanto ao Benfica, é preciso um milagre. E dos grandes. Ou dos impossíveis.

O Braga em San Siro

à(s) 00:30

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Na semana passada assistimos a uma fantástica exibição de uma equipa portuguesa em San Siro, um dos estádios mais imponentes de todo o Mundo.

O Sporting de Braga, uma das equipas que em Portugal luta pelo estatuto de "quarto grande", realizou uma personalizada exibição no campo do gigante Milan, na altura o primeiro classificado da Liga Italiana. É certo que é o resultado fica para a história, mas todas as equipas consideradas inferiores deviam ver aquele jogo. O Braga entrou em campo de uma forma absolutamente descomplexada, tranquila e confiante. Uma lição para as exibições, quer do Sporting em Barcelona, quer do Porto em Londres.

Este jogo, pode desmistificar o complexo de inferioridade que muitas das vezes as equipas portuguesas ostentam quando se deslocam a terrenos de equipas mais fortes. Desde que haja um trabalho táctico, técnico e mental bem efectuado...Até porque em termos de conhecimento futebolístico, os treinadores portugueses tem uma cultura muito vanguardista.

Jorge Jesus é disso um exemplo. Está a construir um Braga ganhador, assente em bases muito sólidas. O golo de Ronaldinho no último minuto foi um precalço que Renteria antes podia ter evitado, por mais do que uma vez. A propósito do colombiano, é certo que os avançados vivem de golos, e ele sabe-os falhar como ninguém. Mas num esquema táctico de dois avançados, é um jogador imprescindível. Pelo perigo que constrói, pelos espaços que cria, pelos desequilíbrios que causa. Mesmo que tenha tendência para enervar os adeptos. Mas Jorge Jesus sabe o jogador que tem.