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A evolução do Shakhtar

à(s) 02:52

quinta-feira, 21 de maio de 2009


O clube ucraniano tem pouco mais de 70 anos de vida. Ainda longe do centenário, ainda longe da grandeza histórica dos rivais de Kiev, onde se destaca o Dynamo. Contudo, desde a virada do século, os 'laranjas' de Donetsk adquiriram um maior protagonismo interno, alargado nas últimas épocas para carreiras interessantes no domínio europeu. Terminaram com a hegemonia do clube da capital, ao mesmo tempo que conseguem já a maior média de assistências do campeonato ucraniano.

Se o maior protagonismo interno foi inicialmente adquirido, como referi, na viragem do século (Taça da Ucrânia em 2001, Dobradinha em 2002), com recurso a jogadores ucranianos (os africanos Aghahowa e Okoronkwo seriam as excepções com maior qualidade), foi a partir de 2004/2005, com a abertura das fronteiras de Donetsk ao mercado brasileiro que o clube deu o grande salto. A nível interno campeonatos conquistados em 2005, 2006 e 2008, Taça em 2008, Supertaça em 2005 e 2008. E a chegada de brasileiros como Elano, Jadson, Matuzálem, Leonardo, Fernandinho, Willian, Ilsinho ou Luiz Adriano. Tudo jovens com grande margem de evolução, e ainda não totalmente preparados para o salto do Brasileirão para os grandes clubes dos principais campeonatos, ao mesmo tempo que apresentam uma qualidade indiscutível.

Na Europa, e depois de carreiras interessantes na Taça UEFA e na Liga dos Campeões, chegou hoje a consagração na UEFA. Sob o comando do competente Mircea Lucescu, o Shakhtar emergiu de um grupo interessante de candidatos onde figuravam nomes fortes como Milan, Valência ou Zenit e interessantes como Bremen, Hamburgo, City, Villa, Tottenham, Udinese, Marselha ou CSKA, entre outros. Nesta competição, que neste formato, teve o seu término em 2008/2009, é difícil apontar o clube mais forte. Essencialmente pelo facto de os treinadores rodarem bastante o onze, privilegiando as competições internas. Apesar de tudo, os ucranianos foram certamente das equipas mais fortes e consolidadas e como tal, a vitória final assenta bem.

Tacticamente a equipa assenta num 4x2x3x1, muito dinâmico. Na baliza Pyatov é um guarda-redes interessante, com bons reflexos e apesar da falha monumental frente ao Bremen, mais forte entre os postes do que fora deles. À sua frente Chygrynskiy é titular indiscutível, o típico central da escola ucraniana, corpulento mas com grande leitura de jogo e forte no desarme, enquanto Kucher e Ischenko discutem a outra vaga. Os laterais são jogadores semelhantes, de muitíssima qualidade e de grande propensão ofensiva. O croata Darijo Srna e o romeno Rat, dois protótipos do lateral moderno.
Á frente da defesa um duplo pivot. Hubschmann mais posicional (castigado na final e substituído por Lewandowski), compensa quase sempre as subidas dos laterais. No papel ao seu lado, mas com incomparavelmente mais liberdade o tecnicista Fernandinho, temível na bola parada, e com grande facilidade de remate. Nas laterais, igualmente dois brasileiros. Ilsinho (lateral de origem mas com grande qualidade técnica) mais vertical na direita, o jovem Willian mais sobre a esquerda, ele que originalmente é uma espécie de 10 à moda antiga, quase sempre em diagonais para o interior do terreno, deixando as costas para as subidas de Rat.
Mais adiantados, os maiores desequilibradores e fazedores de golos: Luiz Adriano mais fixo na frente, entre os centrais. Jadson nas suas costas, numa espécie de 'jogador 9,5', capaz de contribuir com bastantes golos e assistências. Referência ainda para Marcelo Moreno, boliviano vindo do Cruzeiro, que na UEFA jogou pouco, mas com muito futebol nos pés, e uma próxima temporada à espera da explosão no futebol europeu.

Enfim, os ucranianos mantiveram o bom registo dos países de leste na Taça UEFA. Nas últimas 5 épocas, pelo meio da dobradinha do Sevilha, CSKA, Zenit e agora Shakhtar inscreveram o nome na galeria dos vencedores. Para o clube de Donetsk este é o mote decisivo para o estabelecimento de um nome forte e respeitado na Europa do futebol. O grande desígnio do actual presidente - vencer a Liga dos Campeões, pode já ter estado mais longe.

Perspectivas na UEFA

à(s) 20:15

sexta-feira, 10 de abril de 2009


Ao mesmo tempo que na Liga dos Campeões atingimos a fase mais decisiva, também esta semana se jogou a primeira mão dos quartos de final da Taça UEFA. Onde o factor casa teve, em três dos quatro jogos, um peso acentuado no resultado final. A verdade é que se na Champions temos 8 equipas de nível bastante alto, também esta competição ficará para a história, porque para além de ser a última neste formato, tem actualmente a disputá-la 8 muito boas equipas. Vamos aos jogos:

PSG x Dynamo Kiev - Este seria, à partida, o jogo menos apetecível desta fase. O PSG porque na luta pelo título francês, tem dado primazia à competição interna, o Dynamo porque ao contrário do Shakhtar, não me parece ter equipa para prolongar na Europa, a capacidade que demonstra na Ucrânia.
É no entanto certo que ambas as formações tiveram muito mérito em atingir esta fase. O PSG suportado por toda a competência do seu técnico, e numa fase crescente enquanto equipa/clube, formado por uma mescla de jovens jogadores como Chantôme, Sessegnon ou Hoarou com homens mais experientes como Makelelé, Giuly ou Rothen. O Kiev, após uma boa fase de grupos da Champions (especialmente quando comparado com os últimos anos) tem naturais ambições de progredir, até porque conta com jogadores como Milevskiy, Aliyev ou Eremenko.
Com 0x0 em Paris, há uma ligeira dose de favoritismo para os ucranianos, muito embora os franceses tenham provado em Braga que não se pode tomar tal facto como adquirido. Esta é contudo a eliminatória mais em aberto.

Shakhtar x Marseille - Num embate entre dois dos 'repescados' da Liga dos Campeões, perspectivava-se algum equilíbrio. Mas com alguma vantagem para os ucranianos, pelo factor casa, por terem anteriormente eliminado dois dos 'pesos-pesados' da competição (Tottenham e CSKA Moscovo) e pela focalização interna do Marselha, que não atingindo os níveis do PSG, existe.
Ainda assim, o resultado é relativamente enganador porque os franceses deram uma boa réplica. O 2x0 não espelha fielmente o que se passou em campo, mas é um resultado excelente para o Shakhtar e que abre muitas perspectivas para a passagem. Contudo, jogar no Velódrome é muito difícil e a eliminatória ainda não está fechada. Veremos o que fazem Niang, Ben Arfa, Zenden e companhia e como se defendem Jadson, Srna ou Fernandinho, por exemplo.

Werder Bremen x Udinese - Esta era uma autêntica final antecipada. Duas excelentes equipas, com boas performances europeias, mas estranhamente, e tendo em conta o valor dos seus plantéis, muito abaixo das expectativas na competição interna. Esta Taça UEFA é a única perspectiva de sucesso para ambos, e por isso concerteza se assistiria a um jogo muito intenso.
Assim foi. Mais do que intenso, bem disputado, bem jogado. O 3x1 é também um resultado enganador para o que se passou em campo, e poderia ter ainda sido pior para a Udinese se Quagliarella não tem reduzido perto do fim.
Na 2a mão assistiremos a mais um bom confronto, entre duas equipas que não seguem propriamente a escola dos seus países, antes praticam um futebol mais técnico e aberto. O 4x4x2 losango do Bremen, com grandes intérpretes como Diego, Ozil ou Pizarro e o 4x3x3 da Udinese (com muitas promessas sul americanas!) de Quagliarella, Di Natale ou Pepe. Mais golos, e incerteza no resultado naquela que, não me canso de o dizer, daria uma boa final.

Hamburgo x Man City - Final antecipada é outro dos adjectivos com que se podia caracterizar este confronto. O resultado não espanta os mais atentos, porque o Hamburgo é uma das grandes equipas alemãs (provavelmente, depois da dupla goleada sofrida pelo Bayern, a mais forte candidata ao título). E porque os ingleses são uma equipa em casa, e outra completamente diferente, fora.
Apesar de tudo, o City começou melhor, com um excelente golo de Ireland, mas insuficiente para suster a pressão dos alemães, que com relativa facilidade chegaram aos 3 golos. A vantagem de 3x1 pode ser importante para a equipa de Olic, Petric e Guerrero, principalmente pelas perspectivas de marcar fora que o seu poderio ofensivo lhe confere. Mas a turma de Ireland, Wright Phillips e Robinho é fortíssima em casa, faz da UEFA o principal ponto de retorno ao investimento feito nesta época e concerteza irá fazer a vida difícil ao Hamburgo.

Aguiar, o novo Francescoli

à(s) 03:29

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


A designação não é minha. Luís Aguiar recebeu-a no Uruguai, quando ainda jogava no Liverpool de Montevideu. Mesmo idolatrando Recoba e Forlan, os uruguaios procuravam um novo pibe, digno sucessor de Francescoli. E o 'escolhido' foi Aguiar, internacional uruguaio sub-20. Hoje percebe-se que não foi por acaso.

O Porto, descobriu-o. Provavelmente da mesma forma que descobriu Hulk e ninguém sabe como. Chegado a Portugal, Aguiar foi emprestado primeiramente ao Estrela da Amadora, onde substituiria Binya, chamado de volta para o Benfica de Camacho. A primeira metade da época não lhe correu bem, até porque certamente o Estrela não seria o clube indicado para um jovem uruguaio brilhar no seu primeiro ano de Europa.
A partir de Dezembro, na Académica, foi diferente. Aguiar conseguiu ser mais constante, mostrando atributos que aguçavam o apetite de todos. Estranhamente não ficou num Porto carente de elementos desequilibradores no meio-campo. Jesualdo Ferreira deve agora, perguntar-se o porquê de o ter dispensado.

Hoje no Braga de Jesus, Meyong, Renteria ou Alan, Luis Aguiar é o 'jogador mais'. Bem sei que este Braga vale pelo colectivo, mas notam-se diferenças no equilíbrio da equipa quando o 22 não joga. Vendo-o actuar uma característica raríssima salta à vista. Joga perfeitamente e de forma semelhante com os dois pés. É frequente vermos este grande jogador marcar cantos ou livres, de pé direito ou de pé esquerdo.
No futebol moderno, dizem não haver espaço para os '10' á moda antiga. Mas para '10' de escola uruguaia há, sem dúvida. Aguiar é um deles. Pela disponibilidade para o jogo, pela capacidade de perceber os seus diferentes momentos. Porque o vemos num instante junto aos avançados (leva por exemplo 6 golos na Taça UEFA), e no outro vemo-lo junto ao médio mais defensivo. E depois mistura velocidade, recepção quase sempre orientada, técnica, garra, facilidade de remate, intensidade, e a já referida capacidade nas bolas paradas.
Aos 23 anos, é já um jogador muito completo e uma indiscutível mais valia neste Sporting de Braga. A pergunta que fica é: por quanto tempo mais?

Fugindo agora um pouco para a Taça UEFA, vemos que o seu grande golo de hoje, figura nos melhores da jornada ao lado dos de Pato (a Taça UEFA terminou para Maldini mais cedo do que a sua carreira merecia), Ben Arfa, Rothen (adversário do Braga), Kewell, e Giovanni dos Santos (continuo sem perceber como faz parte das segundas escolhas no Tottenham).

Quanto tempo mais Renteria?

à(s) 05:52

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



Penso no Braga x Standard Liége. Rapidamente me vem à memória o golo fantástico de um colombiano, que alterou as coordenadas de um jogo que demonstrou um Braga fortíssimo e um Standard Liége demasiado dependente de Defour (e abaixo das minhas expectativas).

Boa recepção, um toque para o lado a desviar do defesa, cabeça levantada, remate de antologia. Arrisco a dizer, não seria qualquer jogador a fazer aquele golo. Escrevi no Futebol Total, a 12 de Novembro 'A propósito do colombiano, é certo que os avançados vivem de golos, e ele sabe-os falhar como ninguém. Mas num esquema táctico de dois avançados, é um jogador imprescindível. Pelo perigo que constrói, pelos espaços que cria, pelos desequilíbrios que causa. Mesmo que tenha tendência para enervar os adeptos. Mas Jorge Jesus sabe o jogador que tem'

A verdade é que cada vez mais se confirma como um bom jogador. E golos, a lacuna principal que muitos lhe apontam, tem-os feito. Portanto, cada vez menos espaço para críticas e interrogações à sua volta. Só não lhe peçam para jogar em cunha entre os centrais. Ou para marcar golos decisivos, porque me parece ainda lhe faltar alguma maturidade e solidez psicológica. Mas Jesus tem trabalhado esse aspecto. Renteria aparece cada vez mais confiante e as bolas na rede têm ajudado.

Enfim, desde que se perceba o seu futebol, é fácil considerá-lo um dos bons avançados do campeonato. Um pormenor importante: os seus 23 anos e a evolução no seu jogo, desde que vestiu pela primeira vez a camisola do Porto. Por isso a pergunta: quanto tempo mais é preciso para te compreenderem Renteria?


Notas:_ o 18 do Braga foi apenas um dos destaques individuais (Aguiar, Alan, João Pereira foram outros), de mais uma fantástica exibição colectiva de uma equipa que, quase de forma rara no futebol moderno, apresenta intensidade, grande futebol e resultados.
A pedido do Vila Real Sport, deixo um apelo sobre a forma de hiperligação, no sentido de continuarmos a demonstrar porque é que os portugueses são um povo solidário. A estória de Ernesto, merece indiscutivelmente, um olhar atento.

Sorteio UEFA

à(s) 00:07

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


Motivos pessoais impediram-me de expressar uma análise sobre o sorteio das competições europeias, no que concerne especialmente às equipas portuguesas.

Começando pela Champions, penso que o Sporting não foi feliz no sorteio. Aliás, se quisermos falar em sorte, a única que o Sporting teve foi ter evitado o Man Utd. Ainda assim e falando em patamares, colocaria os alemães no primeiro juntamente com a equipa de CR7, Juventus e Liverpool no segundo e Roma e Panathinaikos num terceiro.
A equipa de Jurgen Klinsmann, depois de uma passagem pela Taça UEFA (onde na época passada atingiu as meias-finais), parece estar a regressar ao seu melhor nível. Para documentar esse facto, constatamos que num grupo que contava com Lyon e Fiorentina, o Bayern classificou-se em primeiro lugar, invencível, apenas com dois empates.
Com o pouco consensual Rensing na baliza (Butt é o seu suplente), Lahm à esquerda e Oddo à direita ocupam habitualmente as laterais, enquanto a dupla de centrais é sul-americana: Lúcio e Demichelis. À espreita para a zona central surge o belga Van Buyten. Na zona central do meio campo, Van Bommel tem sido praticamente indiscutível como homem mais recuado, tampão para as investidas contrárias. A seu lado, com mais liberdade para se soltar em tarefas mais ofensivas, Zé Roberto ou Tim Borowski, homens que possuem muita qualidade no remate. Nas alas, usando e abusando de movimentos interiores, Ribery à esquerda (a principal estrela da equipa) e Schweinsteiger à direita (perigosíssimo nas bolas paradas). Na frente são os fortes e perigosíssimos Toni e Klose as setas apontadas às balizas contrárias. Podolski continua a esperar por uma oportunidade.
No campeonato, o Bayern segue em primeiro lugar em igualdade pontual com o surpreendentemente Hoffenheim. Osso muito duro de roer para o Sporting, que precisará ser a equipa muito certinha e eficaz que tem sido na maior parte da Champions, e ganhar algum estofo que não demonstrou contra o Barcelona, para acalentar esperança de seguir em frente.

O Porto fará uma deslocação bem mais curta até Madrid. Para defrontar o Atlético. Aqui, se quisermos continuar a falar em sorte, chegamos à conclusão que o Porto evitou os teoricamente mais fortes Real Madrid, Inter e Chelsea e os teoricamente mais fracos Villarreal. Lyon e Atlético de Madrid seriam dos possíveis adversários, aqueles que mais se equivalem ao Porto, e surgindo o Atlético como adversário, penso que se tratará de uma partida muito equilibrada, e previsivelmente com muitos golos.
O Atlético qualificou-se em segundo lugar do seu grupo, apenas atrás do Liverpool, numa disputa muitíssimo equilibrada pelo segundo lugar. Terminou a primeira fase também sem derrotas, num grupo que, para além dos ingleses, contava com Marselha e PSV, boas equipas europeias, e habituais na Liga dos Campeões. No equilibradíssimo (por cima) campeonato espanhol, os colchoneros estão actualmente em 3º lugar a um ponto do Sevilla, e à frente de Real Madrid, Valência e Villarreal. Longe, em primeiro lugar, seguem os incríveis de Barcelona.
A equipa de Simão Sabrosa, joga num esquema muitíssimo semelhante ao Bayern, adversário do Sporting. Na baliza Coupet e Léo Franco vêm discutindo uma vaga entre os postes. São dois bons guarda-redes, embora o francês estando em forma, seja melhor jogador. Para formar o quarteto defensivo Javier Aguirre tem tido algumas dúvidas o que é natural, até porque domesticamente a equipa sofreu 23 golos em 16 jogos. Antonio Lopez, Perea, Pernia e Seitaridis formavam a defesa mais utilizada na época passada, mas as chegadas de Ujfalusi e Heitinga trouxeram um acréscimo de qualidade, para já ainda insuficiente. À frente da defesa, mais posicional o ex-Porto Paulo Assunção (que certamente não terá uma recepção muito favorável no Dragão), e ainda no centro, embora ligeiramente mais adiantado, surja Maniche (que ganhou o lugar a Raul Garcia). Nas alas, à direita o argentino e muito influente Maxi Rodriguez, e à esquerda Simão Sabrosa, que continua letal nas bolas paradas. Luis Garcia é um suplente de luxo. Como dupla avançada, os muito móveis Forlán e a super-estrela Kun Aguero. Estes dois homens são sinónimos de muitos golos (Pongolle, jogador também muito perigoso, é suplente da dupla). Este Atlético de Madrid é actualmente permeável defensivamente, mas tal facto também se deve ao grande ímpeto ofensivo que coloca no seu jogo. Numa eliminatória que prevejo muito equilibrada, o Porto terá de se preocupar em trazer um bom resultado do Vicente Calderon, onde sofrerá uma grande pressão, para tentar resolver a eliminatória na Invicta.

Pela Taça Uefa, o adversário do Braga, serão os belgas do Standard Liége, orientados por Laszlo Boloni. A equipa belga passou por uma travessia no deserto nos últimos anos, arredada dos títulos, mas o ex-jogador do Benfica Michel Preud'Homme devolveu alguma da glória passada ao clube, dando-lhe um título e operando uma verdadeira revolução na forma de trabalhar, apostando fortemente nas camadas jovens. Fellaini foi o primeiro a dar o salto, Defour e Witsel podem seguir-lhes os passos. Todos provenientes da academia dos belgas, e previsivelmente movimentando valores muito elevados. Na Liga Belga o Standard tem feito uma carreira algo abaixo das expectativas, ocupando actualmente o segundo posto atrás do Anderlecht. Pelo contrário, na Taça UEFA, foi primeiro colocado do grupo mais forte da fase inicial, apurando-se juntamente com Estugarda e Sampdoria, e deixando de fora os espanhóis do Sevilha.
Boloni esquematizou a equipa em 4x3x3, com Aragon na baliza, a (ex) promessa americana Onyewu a acompanhar Sarr no centro, enquanto os brasileiros Comozatto e Dante Bonfim (este já falado como estando na órbita do Benfica), ocupam as laterais direita e esquerda respectivamente. No meio campo o experientíssimo Wilfried Dalmat (um poço de técnica), acompanha as super promessas belgas Witsel e Defour. O trio ofensivo é constituído por De Camargo e Mbokani nas alas, a apoiar a principal estrela da equipa, e talvez o melhor jogador do campeonato belga, Milan Jovanic.
Prevejo igualmente uma eliminatória muito equilibrada, com o Braga a sentir algumas dificuldades. No entanto, o Braga tem provado ao longo da época que adquiriu já um importante estofo europeu, aliando boas exibições a bons resultados. No entanto, convém também não esquecer que o Standard Liége disputou a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, obrigando o Liverpool, a disputar um prolongamento. Além de tudo, duelo táctico interessante entre Jesus e Boloni.

Em frente Braga

à(s) 22:54

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

No dia em que se fala da potencial transferência de Orlando Sá para o Chelsea (não vás miúdo, o caminho mais fácil e apelativo nem sempre é o mais produtivo!), o Braga conseguiu o apuramento para a próxima fase da Taça UEFA, inserido num dos grupos mais difíceis.

Foi vencer fora, ao terreno do Herenveen, equipa que eliminou o Vitória de Setúbal. Numa exibição bastante convincente, com um grande Eduardo entre os postes, dois laterais muito capazes e dois avançados que explicam dentro do campo porque é que Linz não tem sido opção. No banco, Jesus continua a ditar as leis, e a colocar o Braga no mapa do futebol europeu.
Há duas épocas, caíram numa eliminatória muito disputada, aos pés dos ingleses do Tottenham, na época passada o Bremen de Diego e Hugo Almeida eliminou os minhotos após estes falharem dois penalties na Alemanha, nesta, veremos daquilo que os arsenalistas serão capazes.

Quanto ao Benfica, é preciso um milagre. E dos grandes. Ou dos impossíveis.

Inferno grego...

à(s) 23:29

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


O título do post tem razão de ser. O estádio Karaskaiki foi um verdadeiro inferno para a equipa do Benfica. O Benfica sofreu o 0x1 aos 40 segundos do jogo.
Mas o golo inaugural do Olympiakos, foi sintomático em relação ao que se viria a passar no resto do encontro. Um desequilíbrio defensivo enorme, principalmente entre David Luiz (ainda não estaria preparado para um jogo desta exigência) e Jorge Ribeiro. A equipa do Olympiakos foi extremamente inteligente no aproveitamento do espaço concedido pelo Benfica, entre o central esquerdo e o lateral esquerdo.

O espanhol Valverde (que ao serviço do Espanhol, já eliminou o Benfica da taça UEFA), demonstrou ter a lição bem estudada. Apostou num 4x2x3x1, com dois médios mais posicionais - Dudu e Patsatzoglou a proteger a defesa (o elo mais fraco do Olympiakos) e três médios mais ofensivos - Belluschi (o tal que esteve nas cogitações do Porto), Djordevic (com uma missão mais de contenção, sobre o lado esquerdo) e Galletti (aberto no lado direito, mas recorrendo frequentemente a movimentos interiores) . Na frente o muito móvel Diogo. Foi aliás pelo sucesso da parceria entre Diogo e Galletti que o Olympiakos destroçou a defesa do Benfica, aproveitando o tal espaço entre David Luiz e Jorge Ribeiro, e o facto de o brasileiro sair imesas vezes da posição para procurar Diogo ou Belluschi. Aliás, por isso não jogou Kovacevic, mais estático, como homem mais avançado.
Quique Flores, montou o Benfica no 4x4x2 habitual, com Ruben Amorim sobre o lado direito e Binya no lugar de Katsouranis (o grego não estava a 100%). Ofensivamente, o Benfica fez um bom jogo. Circulou sempre a bola com qualidade, teve movimentos interessantes, oportunidades. No entanto, se há jogo que deve figurar nos manuais, sobre como se perde um jogo na defesa, é este. E nem falo do meio-campo defensivo, porque Yebda e Binya fizeram o seu papel. No entanto, Quique e os adeptos do Benfica terão saído deste jogo com algumas certezas: Luisão, ao contrário do que muitos dizem, ainda é o patrão da defesa, e quiçá da equipa. Faz muita falta. Jorge Ribeiro não terá qualidade para ser titular neste tipo de jogos. Binya e Balboa podem ser opções muito credíveis ao longo da época.
Quanto à qualificação (numa prova onde tinha ambições), não será preciso uma calculadora para se saber que estará praticamente fora do horizonte do clube da Luz.

Depois do Porto em Londres, da selecção no Brasil, do Sporting em Alvalde frente ao Barcelona, agora o Benfica em Atenas. Mau de mais para ser verdade. Acredito que estas goleadas não passem de infelizes coincidências, mas estes jogos devem fazer soar o alerta, porque não há memória destas conjugações de resultados na mesma época.
O Braga, perdeu o jogo nos últimos 10 minutos. Apesar de tudo o Wolfsburgo foi regra geral, superior, controlando o meio-campo. Ainda assim, um empate no campo do Herenveen, deixa os arsenalistas praticamente qualificados. Num grupo que não é nada fácil.

O Braga em San Siro

à(s) 00:30

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Na semana passada assistimos a uma fantástica exibição de uma equipa portuguesa em San Siro, um dos estádios mais imponentes de todo o Mundo.

O Sporting de Braga, uma das equipas que em Portugal luta pelo estatuto de "quarto grande", realizou uma personalizada exibição no campo do gigante Milan, na altura o primeiro classificado da Liga Italiana. É certo que é o resultado fica para a história, mas todas as equipas consideradas inferiores deviam ver aquele jogo. O Braga entrou em campo de uma forma absolutamente descomplexada, tranquila e confiante. Uma lição para as exibições, quer do Sporting em Barcelona, quer do Porto em Londres.

Este jogo, pode desmistificar o complexo de inferioridade que muitas das vezes as equipas portuguesas ostentam quando se deslocam a terrenos de equipas mais fortes. Desde que haja um trabalho táctico, técnico e mental bem efectuado...Até porque em termos de conhecimento futebolístico, os treinadores portugueses tem uma cultura muito vanguardista.

Jorge Jesus é disso um exemplo. Está a construir um Braga ganhador, assente em bases muito sólidas. O golo de Ronaldinho no último minuto foi um precalço que Renteria antes podia ter evitado, por mais do que uma vez. A propósito do colombiano, é certo que os avançados vivem de golos, e ele sabe-os falhar como ninguém. Mas num esquema táctico de dois avançados, é um jogador imprescindível. Pelo perigo que constrói, pelos espaços que cria, pelos desequilíbrios que causa. Mesmo que tenha tendência para enervar os adeptos. Mas Jorge Jesus sabe o jogador que tem.