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Crise em Anfield

à(s) 03:11

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Estávamos a pouco mais de meio do defeso quando elementos do Real Madrid aterraram em Liverpool para resgatar Arbeloa e Xabi Alonso. Se em relação ao lateral espanhol, aposta de Rafa Benitez quando ninguém o conhecia, e 'apenas' um bom jogador de plantel, a perda poderia ter sido atenuada, Xabi Alonso peça fundamental no esquema do Liverpool foi uma subtracção gigante à equipa.

Com esta cedência ao mercado, colmatada apenas pela chegada de dois substitutos directos para as saídas (Glen Johnson num nível superior a Arbeloa, Aquilani ainda num nível inferior a Xabi), os responsáveis do Liverpool como que se resignaram à manutenção do défice de títulos internos.
A equipa ao invés de evoluir, e progredir para o mesmo patamar de Chelsea e Manchester, mantém-se num nível inferior, onde só com muita fortuna poderia lutar pelo título, nomeadamente numa época onde Arsenal e City ameaçam intrometer-se, por mais ou menos tempo, na luta.


De facto, desde a chegada de Fernando Torres que não se vê em Anfield uma contratação ao nível daquilo que o clube representa. A chegada de novos proprietários retirou-lhes aquela pequena dose de risco que por vezes é necessária em futebol, e transformou o Liverpool num clube com perspectivas quase exclusivamente economicistas. Isto na óptica dos 'Chairmans', obviamente que ao contrário dos 'Supporters', os melhores do Mundo.


Em todo este turbilhão, Rafa Benitez não está isento de culpas. Mesmo sem o orçamento que desejaria, tem procedido a contratações de carácter duvidoso para equipa com a qualidade dos 'reds'. Degen (100 minutos desde a época passada), Dossena, Kyrgiakos, Riera ou Voronin são bons exemplos do que refiro. As chegadas de Dossena na época passada quando faziam já parte do plantel Fábio Aurélio e Insua (e pouco tempo depois da dispensa de Riise), ou de Kyrgiakos nesta época, quando o plantel conta já com Carragher, Skrtel, Agger e o promissor Daniel Ayala para a posição, são ainda mais misteriosas.
Especialmente quando no ataque, a equipa vive constantemente orfã de um parceiro/substituto para Fernando Torres, factor exponenciado pela preferência sobre Voronin ou NGog, em detrimento do super promissor Nemeth. Mesmo na ala esquerda, e no modelo do Liverpool, será um eterno mistério a escassa utilização de Ryan Babbel.

Enfim, parece-me inegável que a qualidade do plantel do Liverpool não lhe permite de todo lutar por mais do que uma competição. Por culpa de todos aqueles que tomam decisões na estrutura do clube. E, quando em Novembro, verificamos que a equipa foi já eliminada da Taça de Inglaterra, quando percebemos que está às portas de uma saída inglória da Champions, quando no campeonato dista já 11 pontos do Chelsea, constata-se que os reds estão num caminho obscuro e difícil. Nada que afecte a paixão com que os adeptos cantam o 'You Will Never Walk Alone', mas claramente abaixo dos seus pergaminhos. Uma reflexão é necessária, porque o clube corre sérios riscos de ser ultrapassado na pior altura, a do surgimento de um forte candidato ao 'Big Four' - o Manchester City, e ao mesmo tempo em que os principais rivais Chelsea, Arsenal e MU (mesmo que os red devils passem também por um período transicional), continuam fortes e saudáveis.

Pelo que se tem observado da Premier League, das exibições da equipa, das lesões dos 'presos por arames' Aquilani, Torres e Gerrard, e mesmo pela capacidade demonstrada por Tottenham e Aston Villa, o Liverpool corre o risco de obter uma classificação final perigosamente assustadora. Porque a época ainda vai no início, porque ainda aí vem o mercado de Inverno, porque a equipa tem sempre o apoio incondicional dos adeptos, o quadro pode ser revertido. A ver vamos.

O que esperar desta Premier League

à(s) 03:30

sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Vai já na 6a jornada aquele que é por muitos considerado o melhor e mais competitivo campeonato europeu. A Premier League, histórica competição da pátria do futebol, perdeu o melhor jogador do Mundo, mas ainda assim continua a brindar os adeptos com grandes espectáculos, golos, estádios cheios.

Na liderança da competição segue já a equipa que considero a principal favorita à conquista do ceptro de campeão. O Chelsea modificado para o 4x4x2 losango, por Ancelotti, é uma máquina de jogar futebol. Com um plantel muito completo (apenas ligeiramente curto no ataque, onde Anelka e Drogba não têm um substituto à altura), a equipa tem os processos de jogo bastante bem assimilados e joga sempre numa intensidade muito elevada. O talento individual dos seus executantes faz o resto, e também por isso os blues são 'o candidato'.
O Manchester United é provavelmente principal adversário do Chelsea, embora não me pareça que este vá ser um campeonato tão competitivo como o último, no que diz respeito à luta pelo título. Os 'red devils', estão consideravelmente menos fortes com as saídas de Ronaldo e Tevez, e mesmo que Ferguson afirme que tal facto servirá para deixar o colectivo mais forte, sabemos que não é verdade. O colectivo era mais forte também com jogadores como Cristiano e Tevez, e ao MU resta esperar por explosões a altíssimo nível e pouco prováveis de Obertan, Valencia ou Nani, e pelo crescimento exponencial daquilo que Berbatov conseguiu fazer na época passada, por forma a poder dar a adição de qualidade ao trabalho de Evra, Vidic, Ferdinand e Rooney. Este assemelha-se como um daqueles anos transicionais que Ferguson reserva, na antecâmara de uma nova grande equipa.

Ligeiramente mais abaixo, o Liverpool surge com a mesma cara da época passada. Perdeu Arbeloa e Xabi Alonso, recrutou Glenn Johnson e Aquilani, e se claramente fica a ganhar na lateral direita, no meio campo, mesmo reconhecendo a elevada qualidade do italiano, fica a perder com a troca. Na frente, Benitez continua a esperar pelo crescimento de Nemeth e NGog, para fazer companhia a Torres, ao mesmo tempo que recuperou Voronin. Manifestamente pouco para ser um candidato sólido até final.
Mantendo o diapasão sobre o Big Four, o Arsenal terá que ter cuidado, para não perder o comboio da Champions para o City. As perdas de Touré e Adebayor para os blues de Manchester são um duro golpe, e não se espera que o Arsenal faça muito melhor do que na época passada. Mesmo com o crescimento de Walcott, o reaparecimento de Rosicky, e a completa adaptação de Arshavin, continua a faltar aos gunners um pouco mais de experiência e classe para mais altos voos. Apesar de tudo, política longe de ser censurável, antes pelo contrário.
Ameaçador q.b., surge o renovado City, com uma equipa e um plantel muito fortes, e já com sinais dados de que lutará até ao fim, por um lugar nos primeiros classificados. Adebayor, Robinho, Tevez e Ireland, entre outros, não mereceriam outro destino.

Um patamar mais abaixo, e como equipas capazes de surpreender, mas sem a capacidade de lutar com os maiores até ao fim, surgem os fortes Everton, Tottenham e Aston Villa. Tendo em conta a valia dos seus planteis e dos seus treinadores, certamente que ocuparão no final um lugar europeu, na primeira metade da tabela.

Pelas vagas restantes nos 10 primeiros lutarão Stoke City (promovido na época passada mas fortíssimo a jogar em casa e com um plantel muito equilibrado), Fulham (à imagem da época passada onde de forma algo surpreendente conseguiu a qualificação para a Europa), West Ham
(bem orientado por Zola e com uma 'prenda' de José Mourinho - Luis Jimenez, para apoiar o perigosíssimo Carlton Cole) e Sunderland (equipa cirurgicamente bem reforçada com as chegadas de Turner, Cattermole e Bent).

Na luta pela manutenção, se Bolton e Blackburn pelas suas valias individuais poderão estar mais livres de grandes sobressaltos, entre Wolves (do muito prometedor Sylvan Ebanks Blake), Hull City, Burnley, Birmingham, Wigan e Portsmouth (provavelmente a equipa mais fraca do campeonato, como também é atestado pelos seus actuais zero pontos) deverão estar os despromovidos quando a época terminar.

Sem Ronaldo, mas com Gerrard, Torres, Lampard, Drogba, Fabregas, Rooney, Adebayor, Robinho, Defoe, e muitos mais. Além do fantástico ambiente, da atmosfera vibrante, do ritmo de jogo, da lealdade entre agentes do jogo. Assim vai a Velha Albion. O espectáculo continua.

Jogadores revelação da Premier League

à(s) 01:48

segunda-feira, 4 de maio de 2009


Aquela que, no cômputo geral, é provavelmente a melhor Liga do Mundo aproxima-se do fim. As posições estão mais ou menos clarificadas, o título para o Man Utd, os lugares da Champions para o Big Four, a UEFA para Everton, Aston Villa e um terceiro clube entre City, West Ham e Fulham. A despromoção é um cenário cada vez mais real para WBA e Middlesbrough, ao mesmo tempo que Hull City, Sunderland e Newcastle fogem à última 'vaga'.
O defeso está a chegar com as ofertas mirabolantes, as trocas de jogadores entre clubes concorrentes, tudo o que torna o mercado inglês um dos mercados de transferências mais peculiares. Na boca de muitos treinadores, na lista de muitos empresários, estarão muitos dos jogadores revelação desta época.

Denilson
- não foi a primeira época de Arsenal. O jovem brasileiro já fazia parte dos quadros da turma de Wenger há algum tempo, mas foi este o ano da sua afirmação. Teve como principal desígnio substituir Gilberto Silva, depois de um defeso em que o Arsenal procurou sem sucesso, um pivot defensivo. E a sua época foi bastante bem conseguida. Competente na cobertura defensiva, dá qualidade à equipa na saída para o ataque, e contribuiu decisivamente com algumas assistências. Ao lado de Fabregas, o rendimento de Denilson foi muito positivo.

Ashley Young e Agbonlahor
- residiu no Aston Villa a sociedade mais entusiasmante na primeira metade da Premier League. Estes jovens ingleses, rápidos, técnicos e explosivos conduziram o Villa a uma luta bem real pelo apuramento para a Champions, que o Arsenal enterrou quando o campeonato se aproximou do fim. Ainda assim nada apaga a carreira destas duas promessas reais, desequilibrando o adversário essencialmente em velocidade. Apesar de tudo são diferentes, Young mais técnico sobre a ala, Agbonlahor mais forte em frente à baliza, aparece mais no meio. A próxima época, provavelmente ainda no Villa, será a da confirmação, ao mesmo tempo que a Selecção Inglesa será um cenário cada vez mais constante.

Taylor e Davies
- Se falei de uma sociedade interessante na primeira metade da época, Matt Taylor e Kevin Davies representam uma das mais interessantes no terço final, ao serviço do Bolton. Apesar de não serem propriamente jogadores revelação, atingiram níveis qualitativos bastante elevados, provavelmente mais do que o que seria expectável. Kevin Davies fortíssimo dentro da área, essencialmente de cabeça. Matt Taylor, temível nas bolas paradas, lateral de origem, com um bom pé esquerdo que lhe permitiu avançar no terreno e ter mais oportunidades de visar a baliza. Foram os golos destes dois homens que permitiram ao Bolton fugir da linha de água e à perspectiva (por altura do Natal muito real) de despromoção.

Baines e Fellaini
- Num Everton cada vez mais sólido e constante e superiormente bem orientado por David Moyes, Leighton Baines e Marouane Fellaini são as faces do novo futebol da equipa. Um acréscimo de qualidade para acompanhar os já interessantes Jagielka, Lescott, Arteta, Cahill ou Yakubu. 2008/2009 foi já a segunda época para Baines, vindo do Wigan, mas foi apenas a partir de Dezembro que o lateral esquerdo se afirmou. Competente a defender, muito bom a atacar, Baines é hoje, depois de Ashley Cole, o melhor lateral esquerdo inglês.
A tarefa de Fellaini não era fácil. Grande revelação do campeonato belga, chegou ao Everton por um valor muito próximo dos 20milhões de euros, e tinha como companheiros de meio-campo Arteta, Cahill, Phil Neville, Pienaar ou Leon Osman. Contudo, o belga agarrou o lugar, num estilo técnico e robusto, mas capaz de contribuir com muitos golos para a equipa. Sinal muito positivo para esta primeira época de Premier League.

Turner
- Num Hull City que inicialmente foi a grande surpresa do campeonato, e que actualmente luta para não descer, Michael Turner foi a par de Geovanni, a grande figura da equipa. Central tipicamente inglês, com boa leitura de jogo, forte no jogo aéreo e perigoso nas bolas paradas ofensivas, o jovem inglês na próxima época concerteza dará o salto para um clube de maior dimensão.

Skrtel
- O Liverpool tem um bom lote de centrais. Embora nenhum seja verdadeiramente de top, Carragher, Agger, Hyppia e Martin Skrtel dão tranquilidade a Benitez no centro da defesa. O eslovaco, chegado do Zenit no mercado de transferências do Inverno de 2008, conquistou esta época o lugar ao lado do capitão Carragher, deixando Agger e Hyppia com pouco espaço de manobra. Rápido, forte no um para um, de processos simples, Skrtel fez uma boa época em Inglaterra.

Ireland
- O irlandês do City é uma das grandes figuras do Campeonato. No 4x2x3x1 do City desempenha com qualidade quer o lugar de médio de transição quer o lugar de médio mais ofensivo. Apesar de tudo, é como médio de transição, vindo de trás, que Ireland melhor expressa o seu futebol. Sempre com grande qualidade na posse de bola, fortíssimo em movimentos verticais, Ireland aparece inúmeras vezes em situação de remate, e consegue muitos golos devido a essa capacidade. Será sem sombra de dúvidas, uma das grandes figuras do novo City.

Rafael da Silva
- o jovem brasileiro que Queirós tenta seduzir para jogar por Portugal, é um jogador com muito potencial. Se no início da época se questionou bastante o facto de Ferguson não reforçar o lado direito da defesa, as prestações de Rafael deixaram claro que será ele o futuro dono do posto. Nesta primeira época, o dedo de Ferguson percebe-se pelo facto de a sua aparição no onze titular ser criteriosa e gradual, lutando pelo lugar com Brown, Neville e O'Shea. Contudo, nenhum destes terá já a qualidade de Rafael, que embora de baixa estatura e ainda com algumas limitações a nível de posicionamento, demonstra já inúmeras qualidades. Técnica apurada que lhe permite sair a jogar pela lateral, boa capacidade de cruzamento, rapidez na recuperação defensiva são as suas principais marcas.

Lennon e Modric
- O Tottenham tem grandes valores individuais e no início da época havia muitas expectativas em White Hart Lane. Apesar de tudo, só após a troca de Juande Ramos pelo 'dinossauro' Redknapp é que a equipa conseguiu bons resultados. Para esta evolução, muito contribuíram os alas do 4x4x2 de HR: Aaron Lennon e Luka Modric. O croata cumpre a sua primeira época em Inglaterra e chegou ao Tottenham depois de um excelente Europeu. A fase inicial, jogando mais sobre a zona central foi de difícil afirmação, mas nos últimos tempos, partindo da esquerda, em movimentos interiores, fazendo uso do seu drible curto, da sua excelente capacidade de passe, tem feito grandes jogos.
De Lennon direi sem pestanejar, que é o jogador mais entusiasmante do último terço de Premier League. Com uma rapidez impressionante, sobre a direita, em drible curto ou ultrapassando os adversários em velocidade, Lennon é um quebra cabeças para os defesas adversários. Fortíssimo no contra-ataque, bom nos cruzamentos, o jovem inglês tem um números impressionantes nos últimos 10 jogos: 3 golos, 5 assistências, 4 vezes melhor em campo. Passam muito por estes dois jogadores as perspectivas de sucesso do Tottenham na próxima época.

Brunt - Este jovem médio norte irlandês, jogando na ala ou mais atrás do ponta de lança, tem sido também ele, uma boa surpresa. Com 8 golos marcados ao serviço do último classificado, na época de estreia no principal campeonato inglês, Brunt certamente não ficará mais tempo no WBA. As suas características que se distinguem pela finta curta e pela grande inteligência na ocupação dos espaços, pedem uma melhor equipa.

Carlton Cole
- o 12 do West Ham não é propriamente um desconhecido. Aos 25 anos conta já com passagens por Chelsea e Aston Villa, mas, 9 golos e 5 assistências para golo, ao serviço dos londrinos, numa época que para ele terminou em Março, são de assinalar. Com 1,91 é o típico ponta de lança do velho futebol inglês, embora curiosamente seja mais forte a jogar com os pés.

Zaki e Valencia
- O egípcio foi um dos grandes destaques individuais da primeira metade da época. Um bom avançado, que recua para receber a bola e não se limita a recebê-la perto da área. E muita facilidade de remate. Contudo, se, ao serviço do Wigan, 10 golos até Dezembro são uma marca excelente, o facto de não ter festejado qualquer um em 2009 merece um acompanhamento mais cuidado. A qualidade está lá, o lado psicológico parece não acompanhar.

O equatoriano Valência, foi um dos destaques já na época passada. Esperar-se-ia uma subida de rendimento na actual, mas tal não aconteceu. O nível manteve-se, e talvez o destaque aqui dado seja errado, mas o potencial e muitos bons momentos proporcionados pelo extremo direito fazem-me escolhê-lo. Quem sabe se não precisa do salto para explodir.

O topo dos principais campeonatos

à(s) 02:30

quinta-feira, 26 de março de 2009


Em vésperas de duplo compromisso das selecções nacionais, esta será a melhor altura para fazer um balanço e uma espécie de antevisão, à luta pelos lugares cimeiros nos principais campeonatos. Ou não fossem estes dias, aproveitados pelos técnicos, pelos responsáveis, no fundo por todos os elementos ligados aos clubes, para sem pressão competitiva, preparar mais minuciosamente o resto da época. Gerindo os meios técnicos, logísticos e humanos à sua disposição, em virtude da condição actual, das perspectivas de crescimento, dos próprios adversários. Hoje Inglaterra e Itália. Amanhã, Espanha, França e Alemanha.

Começando pelo Norte. A Premier League claro está. Lembro-me de, em meados de Dezembro, aqui ter afirmado que o Manchester United (na altura 3º classificado), ser o principal candidato à reconquista do ceptro. Hoje, prestes a chegar a Abril, a turma de Alex Ferguson é líder do campeonato. Contudo, tem tido oscilações que não esperaria. Duas derrotas consecutivas e esclarecedoras (1x4 em Old Trafford frente ao Liverpool, e 0x2 em Craven Cottage frente ao Fulham). Esse facto conjugado com a mais recente performance do Liverpool (nada menos que fantástica), veio trazer alguma incerteza ao campeonato. O ponto que separa as duas equipas, com menos um jogo para o Man Utd, deixa antever uma disputa interessante até final. Com vantagem para o United.
Aliás, mesmo tendo em conta as últimas jornadas, parece-me que o Liverpool é uma equipa para ser levada mais a sério na Europa. Pela sua formatação nesse sentido exponenciada desde a chegada de Benitez, e por um plantel que tendo 13/14 jogadores excelentes, é um pouco curto. Nesse sentido, prevejo mais equilíbrio na luta pelo segundo lugar, com o Chelsea de Hiddink. Duas equipas que se enfrentam em palco europeu já em Abril, e onde o equilíbrio deverá ser palavra dominante. Ligeira vantagem interna para o eliminado da Liga dos Campeões. Mas uma previsível luta até ao final.
De seguida, outra parelha. Em luta pelo 4º lugar, Arsenal e Aston Villa. Wenger e O'Neill, dois treinadores que conjugam experiência e competência. O Villa é uma das grandes surpresas deste campeonato. Começou muito bem, andou muito perto do primeiro lugar, mas tem perdido fulgor. Essencialmente pelo facto de o seu plantel não permitir manter um rendimento alto por cada abaixamento de forma de jogadores mais importantes (actualmente Agbonlahor). Será 5º, e com muitíssimo mérito. Digo isto porque prevejo um final de época fulgurante do Arsenal. A todos os níveis. Os Gunners foram assolados por uma onda de lesões, que os afastou do título muito cedo. Embora a defesa tenha sido o suporte da equipa, no ataque foram notadas carências importantes. Também por isso o 5º lugar durante muito tempo. Actualmente em 4º lugar, com o Villa a 3 pontos, e com os regressos eminentes de Fabregas, Walcott, Rosicky, Eduardo e Adebayor, somados à contratação de Arshavin, o Arsenal poderá ainda aproximar-se do 3º classificado, e há muito que contar com eles na Liga dos Campeões.
Em relação aos dois últimos lugares de acesso às competições europeias, se quase seguramente se pode afirmar que o 6º será do regularíssimo Everton (mesmo sem Arteta), a luta pelo 7º lugar será interessante. West Ham, Wigan e Fulham estão bem posicionados, mas ligeiramente mais abaixo e em crescendo, os 'aspirantes a gigantes' City e Tottenham deverão discutir a última vaga entre si.

Em Itália, a coisa está mais definida. O ano zero de Mourinho no Calcio vai consagrá-lo mais jornada menos jornada, permitindo ao português, com um plantel envelhecido e onde se não se vêem muitos jogadores à sua imagem, prosseguir a saga vitoriosa de Mancini. Mesmo que a Juventus, em determinada altura da época tenha incomodado de certa forma o domínio do Inter, este nunca esteve verdadeiramente em causa. Afinal, esta ainda não é, passe a redundância, a velha 'Vecchia Signora'. Está a caminho de o ser, depois do ostracismo da segunda divisão, e provavelmente na próxima época teremos a verdadeira Juve.
Do Milan quase a mesma coisa. Os rossoneri estão a rejuvenescer um plantel que já deu muitas alegrias aos seus tiffosi, mas que actualmente não está ao nível de uma equipa dominadora em Itália e na Europa. Pato, Kaká, Flamini, Gourcouff, Thiago Silva e outros que chegarão, vão ser a nova face do Milan, por forma a readquirir o estatuto que a história lhes confere. Pelo que se tem visto, pelo afastamento das competições europeias e consequente focalização nas provas internas, e pelas distâncias pontuais, o panorama actual que nos dá Inter em primeiro, Juve em 2º e Milan em 3º, não deverá sofrer alterações.
O mesmo não se passará com o último lugar de acesso à Liga dos Campeões - 0 4º. Actualmente ocupado pelo surpreendente Génova de Diego Milito, mas que também é disputado por Fiorentina e Roma. Talvez a Fiorentina seja a mais forte candidata a repetir a presença na Champions, embora esta vá ser até final a luta mais emocionante da Serie A. Mutu, Gilardino, Montolivo e Kuzmanovic; Milito, Thiago Motta, Sculli e Jankovic ou Totti, Vucinic, De Rossi e Aquilani. Só um destes grupos veremos na próxima época no maior palco futebolístico europeu.
Se 0 6º lugar será interessante, 0 7º não será diferente. Embora haja bastantes equipas posicionadas para almejar esse feito, indico Palermo, Lazio, Napoles e Udinese como as mais habilitadas a atingi-lo. 4 planteis muito bem recheados de bons executantes, desde Miccoli e Cavani a Zarate e Pandev, passando por Lavezzi e Hamsik, Quagliarella e Di Natale. Mesmo que dos 4 tenha provavelmente o melhor plantel, a distância pontual e o facto de ainda estar em prova na Uefa deverão conferir o estatuto de menos favorito à Udinese. Mais candidatos, provavelmente a Lázio.

Uma coisa quero afirmar. Pese embora, nos últimos anos, tenhamos assistido a alguma perda de fulgor de alto nível das equipas italianas na Europa, é na Série A que existe o maior número de equipas capazes de se bater bem nas competições europeias - Champions e Taça Uefa. Mesmo que os mais fortes, os melhores dos melhores, continuem a morar na Velha Albion. Exceptuando o Futebol Total da Catalunha. Mas sobre isso falo amanhã.

Os caminhos de Quaresma

à(s) 02:33

quarta-feira, 4 de março de 2009


Hoje à hora de jantar procuro decidir entre o Liverpool Sunderland e o Portsmouth x Chelsea para passar as duas horas seguintes. O primeiro passa em HD, tem Gerrard e joga-se num Anfield repleto e com a relva super bem tratada. O segundo disputa-se debaixo de chuva intensa, em Fratton Park. Perante estes factos não será difícil perceber qual o jogo que fui seguindo com mais atenção. Tudo mudou com a entrada de Quaresma.

59 minutos. O jogo entre Portsmouth e Chelsea estava completamente equilibrado. O terreno de jogo estava pesado e as equipas (ambas em 4x3x3) encaixadas. Guus Hiddink olha para o banco e vê Quaresma. O campo não estaria perfeitamente adequado às características do cigano, mas o treinador holandês, demonstrando já um conhecimento importante das características do português, sabe que ele será o homem ideal para desfazer o nó em que se encontra o jogo.
Sai Kalou. Devo aliás dizer que é para mim inconcebível ver Quaresma como suplente do costa marfinense. Não que não o considere bom jogador, mas porque me parece que são jogadores semelhantes. Mas Quaresma é melhor nas boas características, e menos mau nas negativas. E mesmo que Kalou tenha potencialmente uma relação mais próxima com o golo, Quaresma é decisivo, mais vezes.
Apesar de tudo, continua a errar. É certo que o vimos, com espírito de equipa, a defender quando a equipa tentava segurar a vantagem de 1x0. Algo em que era muito criticado quando jogava no Porto. Mas cometeu um erro grave: uma falta desnecessária aos 90 minutos, que deu origem a um livre lateral, lance perigosíssimo quando se defronta uma equipa que conta por exemplo com Crouch, Campbell ou Distin. Podia o Chelsea, através de uma acção sua, ter desperdiçado a vantagem que Quaresma ajudou a construir.

Sim, porque foi Quaresma quem mudou as coordenadas da partida. Mais sobre o flanco direito, colocou a cabeça em água a Hreidarsson. O velho Quaresma, demolidor no um para um, muito perigoso nos cruzamentos, de trivela ou com o peito do pé. Deu confiança à equipa, ganhou ele próprio confiança. A confiança que veio perdendo. Ou parte dela. A verdade é que nos pouco mais de 31 minutos em que jogou, voltamos a ver parte do melhor Quaresma. Mesmo a jogada do golo, nasce de um cruzamento de Bosingwa para Drogba, desde o flanco direito, após combinação lusa.

Este é capaz de ser o primeiro passo para um bom fim de época do português. Depois da na primeira metade da época ter sido de certa forma uma desilusão, a chegada à Premier League pareceu-me uma boa opção. Poucos dias depois da transferência, era já titular no Chelsea de Scolari, A saída de Felipão endureceu o caminho de Quaresma, que até ontem foi suplente em duas partidas, e fez dois jogos pelas reservas. Talvez esta exibição seja o antídoto que o português precise para voltar ao seu melhor futebol. Bom para o Chelsea, bom para a Selecção Nacional, bom para o futebol.

Manchester City, quando os dólares não compram tudo

à(s) 04:52

sábado, 21 de fevereiro de 2009


Provavelmente o dia para escrever este texto não é o melhor. Até porque o City conseguiu, na véspera, um resultado que se pode considerar interessante. Obviamente que o Copenhaga não é um adversário de peso, mas empatar fora a duas bolas, numa eliminatória de uma competição europeia, não é de todo um mau resultado. Mesmo assim, 'arrisco'.

Digo arrisco, também porque a equipa visita o Liverpool no Domingo e em caso de uma vitória, estas linhas podem parecer nonsense. Ainda assim, penso que tal facto não apaga a época dos mais novos ricos do futebol inglês. Ok, na UEFA têm feito um bom trajecto, deixando por exemplo o Schalke 04 pela fase de grupos, e estão perto dos oitavos de final. Mas não será esse o primeiro objectivo dos seus responsáveis. Que será reafirmar-se no maior campeonato do Mundo e encurtar distâncias para os primeiros, onde se inclui o vizinho e maior rival, Manchester Utd. No entanto, se algum de nós estivesse ligado ao City e quisesse encontrar os reds teria duas hipóteses: ou fazer a viagem até ao outro lado da cidade, ou, dentro da tabela classificativa, levantar a cabeça e olhar bastante para cima, com a distância e a reverência que os 28 pontos que separam as duas equipas, merecem. Não me parece que isto, algures nos EAU, faça as delícias dos donos do clube.

Olhando para esta época, facilmente se constata a irregularidade da equipa. Curiosamente, tal não aconteceu no seu ano zero, a época passada, com Eriksson. O sueco tinha pouco mais de 11 bons jogadores, e fez uma primeira parte de Premier League excelente, decaindo depois um pouco, de forma natural.
Mark Hughes tem tido mais dificuldades. O City é muito forte em casa, mas demasiado débil fora (apenas uma vitória). Pensando no seu trajecto, houve dois jogos que podiam ter dado um forte ímpeto aos seus comandados (em Setembro recepção e vitória por 6x0 sobre um na altura forte Portsmouth de Redknapp; às portas de um Dezembro com a loucura habitual, recepção e vitória sobre o Arsenal, por 3x0). Mas tal não aconteceu, a estabilidade exibicional e de resultados não chegou.
Olhando para a actual equipa base temos pistas para perceber estes factos: Given, Richards, Dunne, Bridge, Zabaleta, Kompany, De Jong, Ireland, Wright Phillips, Robinho, Bellamy. Qual é o ponto circunstancial? 8 caras novas em relação à época passada (apenas Richards, Dunne e Ireland já faziam parte do elenco). Mark Hughes finalmente começa a ter uma ideia definida acerca dos jogadores que pensa serem os ideais para atingir os seus objectivos (nova qualificação para a Taça UEFA), que de facto não parece em risco. Mas para o galês conservar o cargo para a próxima época, talvez precise fazer mais, colocar a equipa a jogar mais, de forma mais consistente.

Para o fazer, talvez deva rever alguns dos princípios de jogo. O City assenta num 4x2x3x1, onde o duplo pivot defensivo tem dificuldade em sair a jogar. Principalmente quando Kompany ou Zabaleta aparecem a jogar ali. A contratação de De Jong, pode ter sido feita nesse sentido, mas o holandês não terá tudo que a equipa precisa. Principalmente a capacidade de transportar a bola, ao melhor estilo dos box to box ingleses. Nesse sentido o recuo de Ireland (agora a jogar mais como pivot ofensivo) chamando Elano para o onze, ou uma aposta mais efectiva em Gelson Fernandes (actualmente lesionado) ou Michael Johnson, parece-me mais produtiva.
A defesa é sólida. Á direita Zabaleta (mais ofensivo), ou Onuha mais de contenção, dão segurança é equipa, e à esquerda a capacidade de Bridge é reconhecida (nunca deixou de ser chamado à Selecção Inglesa, mesmo sendo suplente de Ashley Cole durante alguns anos). No centro dois bons jogadores, duros, impetuosos, fortíssimos na marcação, Dunne e Richards. Na baliza, Hart ou Given são bons guardiões.
Ofensivamente, outro problema. O homem mais avançado. Robinho, estrela da equipa, não é jogador para aquela posição. O brasileiro, idealmente, deve partir da esquerda em diagonais que destroem defesas, deixando as costas para as entradas de Bridge. O dono do lugar tem sido Bellamy desde que chegou. Mas o pequeno galês não é jogador para actuar em cunha entre os centrais, desgastando-os, indo ao choque (não esquecer, falamos da Premier League, que apesar da evolução, mantém algumas características típicas). Antes para jogar com alguém ao lado.
Que penso eu, deveria ser Jô, a girafa. O jovem brasileiro que marcou golos para todos os gostos no Brasil e na Rússia (CSKA). Hughes incompreensivelmente, preferiu ficar no plantel com Caicedo, Vassell ou Benjani e emprestou Jô ao Everton, onde na estreia marcou por duas vezes.
A equipa sente dificuldades em sair do pressing. A transição defensiva, é estranhamente descoordenada. Não há grande volume de jogo exterior, mesmo tendo Bridge ou Wright-Phillips. E nos jogos fora entra numa prisão emocional estranha. Tudo coisas que Mark Hughes deverá corrigir.

Porque o tempo passa e o grupo Abu Dhabi vai ficando cada vez mais impaciente. Contando os dólares, com que vai acenar a diversas caras no próximo Verão. Algumas delas podem mesmo ser treinadores. Mas estes multimilionários deviamm perceber que o dinheiro não compra tudo. Nem estabilidade, nem tempo, nem sequer ajuda a queimar etapas.
Há coisas que são certas no City: saúde financeira, fiéis e fervorosos adeptos, não fugindo à regra inglesa. Uma equipa, ainda não.

Os pecados de Scolari

à(s) 00:42

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Scolari foi hoje despedido do Chelsea. Após mais um empate caseiro e uma exibição pouco conseguida, com o Hull City. Aliás, se dele exigissem campeonatos perfeitos, diria que o seu principal pecado foi, para além dos jogos com os maiores do futebol inglês, aqueles onde defrontou em Stamford Bridge, equipas que mais que tentar ganhar o jogo, tentaram empatá-lo (foi assim com Hull, Newcastle e West Ham, e foi-o quase com o Stoke). Não vitórias, além dos referidos, apenas nos empates com Tottenham em casa, Everton e Fulham fora.

Olhando exclusivamente para as estatísticas, constatamos que em 25 jogos o Chelsea venceu 14. Empatou 7 e perdeu 4 (dois com o Liverpool, um com o Manchester United e um com o Arsenal). É a segunda defesa com 15 golos consentidos e o melhor ataque com 44 golos marcados. É certo que nos últimos 6 jogos venceu 2, e é certo que com um jogo a mais se encontra a 7 pontos do primeiro. Mas apesar de tudo, esse primeiro classificado, é o Manchester United, aquele que tem de longe, a melhor equipa e o melhor plantel da Premier League. E continua à frente do Arsenal, em lugar de acesso à Liga dos Campeões. Nem tudo é mau portanto. Até porque a Premier League é um campeonato muito competitivo.

Contudo, obviamente que a prestação de Scolari não foi um mar de rosas. Tal como
aqui adiantei em finais de Dezembro, Felipão estava a passar com dificuldades.
Também porque o balneário do Chelsea sempre foi muito mais difícil que o do Portugal (já desde o final do percurso de Mourinho). E na frente de ataque residiu o seu principal foco desestabilizador, com sucessivas polémicas criadas por Anelka e Drogba, ora reclamando a titularidade, ora reclamando uma parceria.


Depois, a sua preparação psicológica também falhou, pelo já referido baqueamento do equipa nos grandes momentos. Em 7 grandes jogos, o Chelsea apenas venceu uma vez, frente à Roma.
Lesões como as de elementos chave como Essien, Ricardo Carvalho, Drogba ou mais recentemente Joe Cole, e o súbito défice físico e consequente abaixamento de forma de Deco, foram também factores que contribuem para este estado de coisas.

Tal como as questões tácticas. É indesmentível que Scolari não é um dos melhores tácticos do mundo. Apesar de tudo, manteve o bom registo defensivo do Chelsea, num sector sempre muito bem liderado por John Terry. E manteve o bom aproveitamento de bolas paradas. Mas ofensivamente, o Chelsea pautava-se sempre por dificuldades em desmontar defesas. Porque mastigava sempre demais o jogo, porque não o lateralizava em volume suficiente - e para isso contribuiu sempre a preferência do brasileiro por homens como Ballack em detrimento de Malouda ou Kalou. E depois sempre um banco algo curto, de onde muitas vezes saiu Belletti como opção para melhorar o desempenho da equipa. A saída de Wright Phillips e a não contratação de Robinho (ambos para o City) não beneficiaram em nada o clube.


Quaresma poderia mudar esse estado de coisas, foi uma contratação inteligente de Scolari. Abramovich não quis experar. Há pouca paciência no russo, não compreende bem o futebol inglês. E também por isso em despedimentos de treinadores principais, dispendeu 45 milhões de euros desde Mourinho (cerca de um ano e meio).
Quanto ao futuro, por Hiddink, Zola ou Rijkaard deverá passar o nome do próximo treinador do Chelsea. A tempo do sucesso na próxima época. Nesta duvido.

Felipão em dificuldades

à(s) 19:52

domingo, 28 de dezembro de 2008



Bem sei que a Premier League é a par da Primera Divisón Espanhola, o campeonato mais equilibrado do Mundo. Que há voltas e reviravoltas, tropeços, despistes e escorregadelas. Muitas vezes seguidas de caminhos seguros em direcção à glória.


No entanto no Chelsea de hoje a cultura não é propriamente essa. Por várias razões. Pelo novo riquismo imposto por Abramovich, principalmente pelo "cheguei, vi e venci" de José Mourinho. E até pelo "quase lá" de um israelita previamente condenado ao insucesso em todas as linhas, mas que também ele andou à distãncia de uma escorregadela (como a de Terry em Moscovo) da glória. Mesmo Avram Grant que pegando numa equipa com a época em andamento conseguiu resultados muito interessantes, mesmo sendo um dos braços direitos do líder, saiu pela porta das traseiras. Para chegar Scolari.


Que pela primeira vez desde que saiu o Euromilhões em Stamford Bridge, não teve direito a grandes reforços. Bosingwa já tinha sido contratado, e o brasileiro apenas acrescentou ao plantel por indicação própria, o mágico Deco. E entretanto o Chelsea até quis fazer dinheiro com a venda de Shaun Wright Phillips (extremo direito rapidíssimo), jogador com características sem igual no plantel dos blues e que até se tem dado muito bem na casa mãe, no Manchester City. Entretanto também, Ricardo Carvalho tem passado grande parte da época no estaleiro, Drogba voltou a jogar agora, Essien nem se fala. Scolari e seus adjuntos já vieram a praça pública reclamar reforços, mas as altas patentes já se apressaram a negar. Isto claro, depois de Felipão ter visto a sua grande pretensão - Robinho (11 golos, 3 assistências) - fugir também para o Manchester City.


Abramovich não quer saber nada disto. Pretende que o Chelsea ganhe. Algo que não consegue há dois anos, de domínio de Ronaldo e companhia. Actualmente o Chelsea segue em segundo lugar a três pontos do Liverpool. O Manchester United segue perto, muito perto, a 7 pontos mas com três jogos em casa a menos. E na próxima jornada em Old Trafford, confronto entre estes dois gigantes. Avizinham-se mais problemas para Scolari.
Que hoje não conseguiu mais do que um empate em Craven Cottage perante um também surpreendente Fulham. O segundo empate consecutivo fora, depois de uma campanha 100% vitoriosa. Em casa, o recorde de invencibilidade iniciado por Ranieri, incrivelmente abrilhantado por Mourinho e bem continuado por Grant, caiu aos pés do Liverpool e foi enterrado com o Arsenal.
Mesmo na Liga dos Campeões, qualificação, mas com um ou dois tropeções inesperados.


Tacticamente, pela opção por Malouda deverá passar parte do sucesso. Como já não há Wright Phillips, é pelo francês que deve passar o alargamento do jogo do Chelsea, tão importante quando se defrontam equipas mais fechadas. Ashley Cole e Bosingwa fazem isso muito bem mas não chegam. No meio, o fantástico Lampard dita as leis. Impressionante a capacidade de não oscilar o seu rendimento (elevadíssimo) com o passar dos anos. Mais na frente, Drogba parece estar a querer assumir-se como o dono do lugar. Anelka, vai ter que se habituar-se mais vezes ao ostracismo do banco. Um revés, para alguém tão irregular e com problemas de confiança. Mas com talento.

Enfim, Scolari está com alguns problemas. Nos próximos três jogos e na diminuição ou aumento da distância para o primeiro lugar, findas essas partidas, estará parte do seu futuro. Mas só porque é o Chelsea, clube sedento de vitórias, liderado por alguém que percebe mais de petróleo do que de futebol. Talvez em alguns aspectos devessem olhar para os vizinhos do Arsenal. O futebol agradecia, a Premier League e o seu espírito sentir-se-iam melhor representadas.

No Hull City não se brinca

à(s) 22:43

sábado, 27 de dezembro de 2008



Sexta, boxing day em Inglaterra. Ao intervalo, o Hull é goleado em Manchester por 4x0. Mais uma prova das duas caras do Manchester City. O Hull, recém promovido mostra pela segunda vez nesta época ( a primeira fora frente ao Wigan) a face que toda a gente estaria à espera, ou seja, algo parecido com um novo Derby County, uma equipa frágil, destinada aos lugares de despromoção.

No tempo de descanso, Phil Brown mostra uma das razões para que tal não aconteça. O arrojo, a liderança, o controle emocional sobre os seus jogadores. Impede-os de recolher ao balneário, antes leva-os para junto da falange adepta do clube que orienta, e pede desculpa aos adeptos. Depois, senta os jogadores, reúne o corpo técnico, os auxiliares. Dá a sua palestra, rígida, dura. Na segunda metade, o resultado cifra-se numa igualdade a uma bola. Obviamente que o jogo estava mais do que perdido, mas muito mais importante que aqueles 45 minutos, era não perder uma equipa. Phil Brown não a perdeu, reconquistou os seus índices de confiança ali. E ganhou ainda mais cartel entre os adeptos.

Este inglês de 49 anos parece vir ser um caso sério. Em alguns pontos faz-me lembrar José Mourinho (salvo as naturais e devidas distâncias). Cuidado com a imagem, discurso fluente e por vezes agressivo, proximidade dos jogadores, muito estudo sobre o adversário. Não são raras vezes em que o Hull muda a esquematização de jogo para jogo. Em Anfield Road, vi algo inédito. Vencia por 2x1 e operou uma substituição (não forçada) ainda antes dos 30 minutos. O Liverpool estava a agigantar-se cada vez mais. Phil Brown apercebeu-se disso, leu rápido o jogo. Até ao final sofreu mais um golo, mas sobreviveu ao Inferno de Anfield.
Na Premier League, o Hull tem sido a principal surpresa. Ocupa o 7º lugar com 27 pontos. Numa equipa onde como principais jogadores se destacam o ex-benfiquista Geovanni, o central inglês Michael Turner e o jamaicano Marlon King, Phil Brown é a sua principal "estrela". A documentá-lo, a distinção para melhor treinador do mês de Setembro.

No mundo da Premier League

à(s) 18:25

domingo, 14 de dezembro de 2008


A 17ª jornada da Premier League (em Portugal vamos na 11ª...) parece ter deixado tudo na mesma. O big four empatou, ou seja é o mesmo que dizer que Liverpool, Chelsea, Manchester Utd e Arsenal, não conseguiram vencer os seus jogos. Mas por detrás destes quatro empates, há notas interessantes que ficaram.

Falando da primeira, arrisco-me a fazer uma previsão. O Manchester Utd vai revalidar o ceptro de Campeão Inglês. Essa minha convicção sai reforçada após esta última jornada, por uma razão simples: se Liverpool e Chelsea empataram em casa frente a Hull e West Ham respectivamente (duas equipas da classe média do campeonato), se o Arsenal apesar de jogar fora, também não conseguiu vencer o mediano Middlesbrough, o Manchester pode considerar o seu resultado positivo. Afinal, empatou no terreno do cada vez mais forte Tottenham a manteve distâncias. Está a 6 pontos do Liverpool e a 5 do Chelsea, contando contudo, com menos um jogo. No entanto, o leitor repare que, o clube de Ronaldo e Nani já fez todas as, em teoria, deslocações mais complicadas. Já saiu para jogar contra Liverpool, Arsenal, Chelsea, Aston Villa, Everton, Manchester City, Tottenham e Portsmouth (quando Redknapp ainda dava cartas no clube, internamente). Além de que, mantém uma enorme consistência defensiva e no meio campo vê Paul Scholes regressar após lesão. Indiscutivelmente são bons sinais, de alento e motivação. Apesar da imprevisibilidade da Premier League.

A segunda nota, é em relação ao Chelsea. Os comandados de Scolari, voltaram a desperdiçar mais uma oportunidade de ultrapassarem o Liverpool e assumirem isolados o comando da classificação. Sempre em jogos caseiros, o que de alguma forma indica que desta vez Scolari parece não estar a ter a sua habitual, grande influência mental, sobre os seus pupilos.
Penso que existe, para além deste factor, uma questão táctica para o que se tem verificado. Em Stanford Bridge, perante equipas demasiadamente fechadas, a opção por Ballack em detrimento de Malouda ou Kalou, retira amplitude de movimentos ofensivos à equipa, até porque as zonas laterais do campo são principalmente ocupadas apenas por dois homens, Ashley Cole e Bosingwa. Assim, sendo, o jogo central, com Mikel, Ballack, Lampard e Deco fica demasiado mastigado. Se é certo que Malouda nunca atingiu no Chelsea os níveis evidenciados no Lyon, e se Kalou ainda é de certa forma, um jogador ingénuo, penso que neste tipo de jogos, são ambos mais úteis que o alemão.

A terceira nota, tem a ver com o assumir (dentro do campo) do Aston Villa, comandado por Ashley Young e Gabbi Agbonlahor, de uma candidatura à Liga dos Campeões. Em prejuízo do Arsenal, que terá forçosamente que melhorar os seus níveis actuais. Pela cauda da tabela, WBA e Blackburn não conseguem disfarçar o seu mau momento, e são cada vez mais fortes candidatos à descida. Tudo isto numa altura em que se aproxima uma fase onde muito se encaminha para as decisões finais - o Natal.

Uma das boas equipas inglesas

à(s) 20:00

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quem não estiver tão atento à Premier League e passar os olhos na tabela classificativa, é capaz de ter uma surpresa. Em 5º lugar, a apenas um ponto do Arsenal e a dois do Manchester United, aparece a equipa actualmente mais representativa de Birmingham: o Aston Villa. Desde a chegada de Martin O'Neill, o Villa tem contado com a permanente irregularidade do Tottenham, para em conjunto com o Everton, disputar o lugar de quinto grande em Inglaterra. Pelo menos enquanto o Manchester City não explode.

O irlandês, trouxe ao Aston Villa a tendência que tem chegado nos últimos anos à Premier League (ou pelo menos aos clubes do topo). A europeização do seu futebol, e uma argúcia táctica que não se via antes. Apesar de não ter a capacidade financeira de clubes como os de Manchester ou o Chelsea, as contratações efectuadas têm sido, regra geral, muito bem conseguidas. Por exemplo, Ashley Young, actualmente e a par de Theo Walcott, o melhor extremo inglês. Após uma grande época em 2006/2007, ao serviço do na altura recém promovido Watford, Young captou as atenções de Martin O'Neill que viu nele um complemento muito importante para o esquema que queria implantar na equipa, tornando-o hoje, provavelmente no seu jogador com maior expressão.

O sistema do Villa assenta preferencialmente num 4x3x3, muito talhado para o contra-ataque. Na baliza, com a saída do prometedor Scott Carson para o WBA, chegou o norte-americano e veterano de Premier League, Brad Friedel, que transmite a confiança necessária ao quarteto defensivo. É precisamente na defesa que O'Neill tem tido mais dúvidas. Habitualmente o quarteto defensivo é constituído por Luke Young à direita e por Nicky Shorey (mais ofensivo) no flanco esquerdo. No centro, o indiscutível e patrão do sector Martin Laursen faz-se acompanhar do promissor Curtis Davies. No entanto, quando O'Neill opta por Cuellar para jogar no centro, assiste-se a uma espécie de revolução: Young passa para a esquerda, Davies para a direita, e Shorey sai da equipa. Em jogos com grau de dificuldade mais elevado.
No meio campo, Reo Coker, jovem esperança inglesa é o tampão, o homem mais recuado. Ladeado pelo grande capitão e exímio marcador de bolas paradas Gareth Barry e pelo búlgaro Petrov (não confundir com o extremo do City). Steve Sidwell, ex-Chelsea tem vindo a ganhar preponderância na equipa, e muito em breve, deve tornar-se num titular indiscutível.
No ataque o norueguês John Carew é a referência da equipa. Em torno dela, movem-se os muito rápidos e excelentes jogadores, Ashley Young e Gabriel Agbonlahor. Aliás, a lesão actual de Carew fez deslocar Agbonlahor para o centro, entrando James Milner na equipa. Também por isso, o Villa tem feito menos golos. Mas continua na senda dos bons resultados.

Na Velha Albion, pátria do futebol, onde se respira o verdadeiro espectáculo (dentro e fora das quatro linhas), o Aston Villa é uma das melhores equipas para seguir.

Atribulações no Arsenal

à(s) 19:02

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


O clube de Londres, um dos grandes emblemas europeus, passa por uma temporada algo atribulada. Os maus resultados dentro de campo, reflectem um balneário em crise, mas não só.

O Arsenal, liderado por Wenger, tem vindo a optar, por uma política que é de louvar. Principalmente desde a saída de Henry e Patrick Vieira, tem vindo a recrutar jovens promessas e a integrá-las progressivamente na equipa principal, findos um-dois-três anos de clube. Com consequências óbvias no balanço financeiro. Até porque, convém não esquecer que entretanto, construíram o novo Wembley. Peter Hill Wood (o chairman), em consonância com Arsene Wenger tem seguido esta política de contenção e razoabilidade que devia criar raízes no futebol actual. Contudo, provavelmente só no Reino Unido isto seja possível, pela cultura desportiva dos seus adeptos.

A ajudar a tudo isto à "paciência" dos adeptos, o futebol atractivo que o Arsenal pratica. Assente habitualmente num 4x4x2, com o espanhol Almunia na baliza, os frances Sagna e Clichy ocupam as laterais, sendo o segundo bastante mais ofensivo, aproveitando o facto de à sua frente não ter um extremo puro. No centro dois bons centrais: Gallas e Touré - não obstante Silvestre tenha vindo a fazer sombra ao costa marfinense. No meio-campo, um duplo pivot: Denilson e Fabregas, apesar de o espanhol se libertar mais para desempenhar tarefas ofensivas. Na ala esquerda Nasri, que frequentemente aparece em movimentos interiores para criar desequilíbrios, aproveitando as constantes subidas de Clichy. À direita, o supersónico Theo Walcott, extremo puro, tem evoluído a olhos vistos. Na frente, os mortíferos Van Persie e Adebayor.
Como alternativas, Wenger não tem grande margem de manobra. Silvestre e Song aparecem na defesa, Diaby, Eboué e agora o jovem Ramsey no meio campo, e Vela e Bendtner no ataque. O checo Rosicky, grande jogador, tem estado lesionado desde Janeiro. A juntar a esta escassez de opções, o departamento médico do clube Londrino tem andado lotado: Sagna, Touré, Walcott e Adebayor têm sido clientes habituais.

Como já referi, o balneário também não tem ajudado. Provavelmente devido ao excesso de juventude em consonância com a pressão de um grande clube. Há relato de diversos atritos, e o capitão Gallas veio a público pela segunda vez desde que está no Arsenal, fazer eco disso mesmo. O francês aliás parece não ser pacífico, se nos lembrarmos dos problemas que levantou no Chelsea de Mourinho. Resultado imediato - foi destituído do cargo de capitão, que provavelmente será entregue a Fabregas.

É certo que o Arsenal vai às compras em Janeiro, alterando de certa forma a sua política recente. No entanto, até lá terá ainda muitos e complicados jogos na Premier League, pelo que pode comprometer ainda mais as suas aspirações ao título. A Liga dos Campeões surgirá como objectivo maior, muito embora Wenger recentemente o tenha desmentido. Não poderia ser de outra forma.

Espectáculo Robinho

à(s) 17:21

sábado, 22 de novembro de 2008



Acabou há minutos o Manchester City 3 x Arsenal 0. Este fantástico golo de Robinho, o 2x0, praticamente acaba com o jogo e deixa a vida de Wenger difícil.
Apesar de tudo o Arsenal não contou com mais de meia equipa: Sagna, Touré, Gallas, Fabregas, Walcott e Adebayor. Já o City que se deu ao luxo de jogar com Vasell a titular e de ter Elano no banco e Jô na bancada, fez uma excelente partida (especialmente na 2a parte) e pode ter aqui o tónico para a partir de agora regularizar as suas exibições.
Ás 17h30 na Sportv segue o espectáculo Premier League, com o muito apetecível Aston Villa x Manchester United. Duelo táctico de escoceses à vista.