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Os 22 + 1 de Queirós

à(s) 15:17

domingo, 9 de maio de 2010


Lendo este blog é fácil perceber a discordância para com muitas das opções de Queirós. Provavelmente a lista final do professor terá ainda alguns nomes diferentes. Contudo, nunca existirá um seleccionador imune a críticas nas opções técnicas, tácticas e de jogadores. Já sabemos que deste lado é mais fácil. Desse também e o leitor estará livre para discordar, devendo para isso utilizar a caixa de comentários.

Quim - Tem sido difícil perceber a ausência de Quim dos convocados de Queirós. O seleccionador já deu a transparecer que após a goleada sofrida com o Brasil necessitou de fortalecer o grupo, mas a constante não convocação do guarda-redes do Benfica é difícil de entender. Se numa selecção se elegem os melhores, e se mesmo não podendo dizer que o GR menos batido do campeonato é claramente o melhor de todos os guardiões portugueses, também não consigo apontar algum que seja melhor do que ele.
Eduardo - O guardião do Braga tem sido o dono das redes da Selecção, e mesmo não emprestando a qualidade extra que se pretende sempre dos melhores guarda-redes, não tem comprometido. A titularidade no Braga, o percurso ascendente desde Setúbal, e aquilo que já conquistou pela Selecção, fazem-me não ter dúvidas de que será um indiscutível nos 23.
Rui Patrício - Aos 22 anos Rui Patrício é dono absoluto das redes do Sporting, e mesmo não sendo um jogador totalmente apreciado por Alvalade, é importante que tenha consciência do seu valor e que vá crescendo sem queimar etapas. A presença num Mundial, como terceiro guarda-redes, é mais uma. Quem sabe se em 2014, mais próximo do pico de maturação de um 'keeper', não pode ser o titular de Portugal?

Miguel - A época de Miguel tem sido irregular. Dentro e fora do campo. O ex-Estrela da Amadora e Benfica nunca teve uma estrutura mental, nem atitudes que o pudessem catapultar para o nível que o seu potencial aparentava. Provavelmente precisaria de um novo campeonato, quem sabe Inglaterra, para estabilizar o seu futebol. Não deixa contudo de ser um dos bons laterais direitos do futebol europeu. Beneficiará da lesão do Bosingwa para marcar presença, numa perspectiva mais ofensiva para a lateral direita.
Paulo Ferreira - Paulo Ferreira é daqueles jogadores que todos os treinadores gostam de ter no plantel. Disciplinado tacticamente, consciente das suas limitações, bom companheiro no balneário, polivalente. Nunca esperamos ver um fantástico jogo a Paulo Ferreira, como lhe esperamos ver um jogo péssimo. É verdade que já os teve, mas a sua principal virtude é a constância. Tal como Miguel, aproveita a ausência de Bosingwa (embora acredite que Queirós o fosse sempre preferir, numa perspectiva de 23, ao lateral do Valência) e será o titular em jogos onde CQ pretenda uma maior coesão defensiva, ou jogue com um extremo direito declarado.
Fábio Coentrão - Que dizer de Coentrão? Discutir se é descoberta de Jesus ou Queirós? Ou dizer que é a grande revelação do campeonato português? Que foi fantástico para Portugal que a sua adaptação a lateral-esquerdo no Benfica tenha sido óptima? Precisando naturalmente de melhorar alguns aspectos a nível de posicionamento, Fábio é excelente a nível ofensivo, é fortíssimo em transição, e deveria ser, com algumas salvaguardas do treinador (provavelmente com Paulo Ferreira como titular no lado direita, ou com o médio mais recuado mais amarrado defensivamente), o indiscutível defesa-esquerdo. Além de que, será o único jogador dos 23 que poderá jogar, com qualidade, como extremo esquerdo numa perspectiva de linha de fundo, mais vertical.
Pepe - Pepe é um dos poucos absolutamente indiscutíveis da Selecção. A rotura no Ligamento Cruzado Anterior do joelho fez temer a sua presença, mas como defesa central ou médio mais defensivo (prefiro a primeira), a sua titularidade é indiscutível. E a época para o madrileno começa agora.
Carriço - Esta é talvez a minha escolha mais 'polémica'. E não tenho dúvidas que não constará dos seleccionáveis. No seu lugar surge Rolando, que não discuto, apresenta aos 24 anos já maior maturidade e provavelmente mais alguma confiança para a equipa. Aquilo que me faz escolher Carriço é simples: Rolando e Carriço serão sempre o quarto central de Portugal. Central esse que dificilmente jogará. Ambos fizeram épocas competentes, mas nenhum fez uma época extraordinária. Porque vejo mais potencial em Carriço, numa perspectiva de aprendizagem, ele que apenas tem 21 anos, e porque não vejo tão mais qualidade em Rolando, apenas mais 'andamento' em grandes palcos.
Carvalho - Ricardo Carvalho é, à imagem de Pepe outro dos indiscutíveis. Esperamos todos que a nível físico, a sua principal debilidade, se apresente bem, e se assim for, Portugal estará muito forte no centro da defesa.
Bruno Alves - A época do capitão do Porto não foi a melhor, e terá alguma dificuldade em ser titular se Queirós contar com Pepe como defesa central. No entanto, é preciso não esquecer a sua qualidade, o seu espírito competitivo e aquilo que já vem dando à Selecção. É, indiscutivelmente, importante.

Pedro Mendes - O pêndulo, a âncora, o geómetra. Chamem-lhe o que quiserem, mas Pedro Mendes é fundamental, quer na cobertura defensiva, que no primeiro passe, quer na destruição de jogo adversário. Mais importante do que isso, é o pivot à volta do qual gira muito do jogo da equipa. É importante.
Raul Meireles - O homem que selou a nossa qualificação, um todo o terreno muito bom nas transições, um carrilero no meio-campo. A época no Porto também não foi a melhor, mas as suas prestações na Selecção foram sempre acima da média. Se fisicamente bem provavelmente será titular.
Miguel Veloso - Esta época era importante para Veloso. A passada foi difícil, com muitos problemas, que punham em causa a sua afirmação. 2009-2010 correspondeu às expectativas e o jogador do Sporting cumpre as expectativas acerca da sua evolução. Considero-o um excelente médio, muitíssimo inteligente, com um pé esquerdo fantástico, que lhe permite marcar bons golos, ser eficaz no passe e competente em bolas paradas. Como médio-defensivo, como lateral-esquerdo ou médio centro, a importância de Miguel Veloso na Selecção será muita. Confere qualidade com e sem bola.
Tiago - época difícil para Tiago, na sequência do que tem sido desde que abandonou o Lyon. Contudo, ninguém discute a sua qualidade, e a importância que pode ter num 'plantel' por dar mais do que uma solução a nível de posição. Tem perdido alguma da capacidade com que fazia golos (embora tenha melhorado esse aspecto no Atlético de Madrid), e as suas performances por Portugal têm sido irregulares, mas se for dele extraído o melhor, é atleta para ajudar bastante a selecção. Além de que, é dos poucos que pode fazer a posição de Deco.
Ruben Amorim - Muitas dúvidas sobre a sua convocatória, nenhuma dúvida sobre a sua qualidade. Desde a época passada no Benfica onde mesmo não sendo titular indiscutível, podemos dizer tratar-se do 12º jogador. Muito bom com bola nos pés, tomando praticamente sempre a melhor decisão, seja no timing e na correcção de passe, seja na cobertura. Aparece em zonas de finalização e sabe jogar e fazer jogar a equipa. Além de que, numa estratégia onde se pretende que a equipa tenha a bola massivamente, a sua colocação como lateral direito faz todo o sentido. Importante.
Deco - O mágico tem vindo a cair de forma. A qualidade com bola está lá, intacta, mas a intensidade física caiu bastante. Contudo, numa prova curta, se a sua condição for bem gerida, ele é fundamental. Para desequilibrar, com a sua inteligência e sua qualidade. Espera-se muito de Deco. Também ele é indiscutível.
Simão - Internacionalizações em catadupa, muita experiência, importância no balneário, qualidade no campo. Não sei se Simão será titular indiscutível, provavelmente não. Mas é de uma valia muito importante, apesar de perdido algum do fulgor que apresentava há dois anos atrás. No entanto, continua a desequilibrar, é muito forte em livres directos, e contra selecções mais fortes mesmo sendo extremo, protege bem a equipa. Tem ainda a vantagem de poder jogar como vértice ofensivo de um losango, ou de um 4x1x3x2, à imagem do que fazia (bem) no Benfica de Fernando Santos.
Nani - início de época difícil, final fantástico assumindo um papel de destaque no Man Utd. A querer assumir a titularidade na Selecção e com fortes possibilidades de o fazer. Virtuosismo, irreverência, desequilíbrio, Nani pode desempenhar um papel fundamental na Selecção.

Ronaldo - É certo que uma selecção é o conjunto de 23 jogadores, mas Ronaldo é 'o jogador'. O nosso expoente máximo, a nossa maior esperança, aquele que pode desequilibrar os pratos da balança a nosso favor. Depois de uma época fantástica a nível individual, onde até ao momento em 33 jogos leva 32 golos, o Mundial pode ser a grande oportunidade para o jogador do Real reclamar para si o título de melhor jogador do Mundo. Ele acredita, Queirós acredita, Portugal acredita! Como homem mais avançado, como extremo partindo da esquerda para o meio, como segundo avançado, como homem solto, em arrancadas, explosões, livres, dribles, cantos, Ronaldo vai fazer um grande Mundial!

Danny - Depois de algum tempo lesionado, o jogador do Zenit voltou à competição e está a fazer uma excelente prova na Rússia. Como avançado mais móvel, ou jogando na linha, virtuosismo, técnica, repentismo, qualidade no passe, são características que não me fazem ter grandes dúvidas sobre a justiça da sua chamada.
Hugo Almeida - Coloco Hugo Almeida por duas ou três razões. A primeira é a completa ausência de Nuno Gomes em 2009-2010. Quem lê aquilo que escrevo sabe o quanto aprecio o jogador do Benfica, pela sua inteligência, pela sua capacidade de fazer jogar a equipa e de abrir espaços (como agradeceria Ronaldo com um bom Nuno Gomes como titular), pela sua experiência, por aquilo que deu já a Portugal. Não jogando, não pode ter aspirações. Infelizmente. A segunda razão é o facto de Hugo Almeida oferecer características totalmente diferentes daqueles que darão Danny ou Liedson. É mais posicional, remata melhor de longe, prende melhor os centrais adversários. E a terceira, é que fez uma boa época em Bremen. Pode matar muito jogo, mas pode ser importante em determinadas alturas.
Liedson - É verdade, Portugal não tem Torres. Não tem Villa, Drogba, Rooney, Milito, Tevez ou Fabiano. Ou uma série deles que podia enunciar, alguns que nem marcarão presença no Mundial. Terá Liedson, o que bem vistas as coisas, tem bastantes pontos positivos. O levezinho não vai construir muito jogo de qualidade, poderá não marcar muitos golos, mas vai abrir espaços para os colegas, vai desgastar as defesas contrárias, vai ter oportunidades surgidas do nada. Pode não ter a qualidade óptima para dar seguimento ao resto do meio-campo e ataque, mas é sem dúvida a melhor opção para o ataque. E é com ele que contamos. Quem sabe se não faz uma grande prova?

O 23º: Será um médio se Queirós acreditar que Fábio Coentrão, Paulo Ferreira e Miguel Veloso serão suficientes para cobrir a lateral esquerda, e pretender mais uma opção a meio-campo para jogar mais vezes com quatro médios. Será um defesa se Queirós contar unicamente com Ferreira para a direita e Veloso para o meio-campo.

Martins ou Moutinho - O jogador do Benfica fez uma época superior às expectativas, coloca uma intensidade elevada em jogo, é fortíssimo nas bolas paradas. O capitão do Sporting, pelo contrário, esteve bastante abaixo do que se esperava, mas é tacticamente mais capaz e tem mais ritmo de selecção. A optar, provavelmente Queirós optará pelo sportinguista, mas não me parece que a escolha seja tão linear assim.
Nuno Assis não seria de facto uma opção tão descabida. Tem sido claramente o melhor jogador do quarto classificado para baixo e tem grande mais valia técnica. Tenho contudo algumas dúvidas se apresentará bom rendimento num palco como o Mundial, mas não será de todo injusto ou surpreendente se fizer parte dos 23.
Duda ou Peixoto - Aqui é que a porca torce o rabo. Apenas se faz referência a estes jogadores por não haver definitivamente mais opções (talvez Evaldo, mas o bracarense acaba de se naturalizar e nunca sequer fez um estágio com a Selecção). Admito que definitivamente não vejo qualidade em Duda para fazer parte da Selecção, mas concebo que a necessidade possa fazer com que a sua chamada seja necessária. Duvido que Queirós não pudesse ter experimentado mais insistentemente outro jogador na lateral-esquerda, até porque Duda não é um bom extremo (posição de origem) e nunca será um bom lateral. É um jogador razoável, com experiência de Liga Espanhola. Mas nunca será uma mais valia para a Selecção. Peixoto é mais jogador. Tem mais qualidade de passe, sobe melhor, ocupa melhor o espaço, percebe melhor aquilo que o jogo, a equipa, e o adversário pedem. Mas nem conseguiu a titularidade no Benfica, onde praticamente não jogou nos últimos meses. É mais débil fisicamente e muitas vezes vira a cara à luta, o que não agrada de todo a um treinador. Opção difícil...

Nota:este texto foi igualmente publicado no Academia de Talentos.

Portugal e Queirós, rescaldo e perspectivas

à(s) 17:35

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Quando Carlos Queirós voltou a ser Seleccionador Nacional de Portugal, e embora tivesse o apoio de grande parte da nossa 'praça', desde comentadores a treinadores, passando por adeptos e presidentes, todos sabiam que a sua tarefa não seria nada fácil. Principalmente por ter de substituir Luis Felipe Scolari, brasileiro que goste-se mais ou menos, tão bons resultados trouxe a Portugal na sua passagem por cá. E contra factos, resultados desportivos, vitórias inesquecíveis, envolvimento do público com a selecção, contra isso não podem existir argumentos.

De Queirós esperava-se, não que conseguisse ter o mesmo cariz mobilizador e motivacional imprimido pelo seu antecessor, mas que pudesse reverter esse mesmo carisma de outra forma, utilizando outras competências. Nomeadamente a nível táctico onde é capaz, e a nível de trabalho de gabinete, onde poderia reorganizar de forma mais clara e produtiva todo o edifício do futebol português. Contudo, com o modelo actual para as concentrações das Selecções, por ser regra geral num curto intervalo de tempo entre jogos domésticos, o tempo que restava ao treinador era pouco para por em prática grande nuances tácticas. Os jogadores normalmente chegavam à concentração um dia depois dos jogos das suas equipas, ainda fatigados e com viagens pelo meio, e restavam a CQ (como aos outros seleccionadores, note-se) pouco mais de 4 dias de treino para colocar em prática, expor e treinar as suas ideias. Assim, por não ser o motivador que era Scolari, também por ir variando as convocatórias (algo que o brasileiro não fazia, fazendo da Selecção uma espécie de clube, mantendo o núcleo duro com uma ou outra alteração, e por isso de certa forma, consolidando os mecanismos de treino e a união de grupo), e por estar inserido num grupo difícil com os nórdicos Suécia e Dinamarca e ainda com os incómodos Húngaros, o trabalho de Queirós foi tremido.

Portugal teve uma qualificação difícil, quando já muito poucos acreditavam ser possível, por todos os factores já referidos e também, julgo por algumas opções incompreensíveis por parte do Seleccionador Nacional. Pessoalmente, e sendo certo que a posição de defesa lateral-esquerdo tem carências importantes, continuo sem perceber a insistência em Duda. Também por termos Miguel Veloso, que joga de facto melhor como médio-defensivo, mas, que mesmo fora da posição natural, terá mais rendimento que Duda. Espera-se para ver aquilo que Jorge Jesus consegue extrair de César Peixoto no Benfica, ou mesmo a afirmação de Tiago Pinto no Braga, mas não traz muito conforto pensar que na África do Sul esta carência se mantenha.
Ao mesmo tempo, as recorrentes chamadas de Edinho e Hugo Almeida (simultaneamente), são difíceis de compreender. São jogadores que não fazem a equipa jogar, que muitas vezes não entendem o seu jogo, e que, principalmente no caso do segundo, são mais finalizadores. Mas o que se pretende de um jogador deste tipo? Van Nistelrooy, Inzaghi, Dzeko, Luca Toni são atletas com este perfil, que passam grande parte do tempo à margem do jogo, mas quando têm a bola no pé, marcam golos. Os dois exemplos por mim referidos, fazem-no pouco. Agora que temos Liedson, mais matador, e quando eu ainda acredito em Nuno Gomes (porque tenho memória e sei aquilo que fez e continua a fazer sempre que é chamado, principalmente nas fases finais), porque acredito na sua capacidade de fazer jogar a equipa, não vejo grande utilidade em Almeida ou Edinho.
Batendo na mesma tecla, a de fazer jogar a equipa, pensemos em Pepe (excelente central) a trinco. Tudo bem, será uma boa medida frente a equipas de valor semelhanteao nosso, imponentes fisicamente e onde potencialmente precisemos de passar 50% do tempo de jogo em processos defensivos. Mas Pepe jogou naquela posição, por exemplo, frente à Albânia, e na Luz frente à Bósnia. A crítica é unânime: Pepe foi o melhor jogador em campo no primeiro jogo do Play-off, recuperou imensas bolas, destruiu imenso jogo adversário, etc etc. É tudo verdade, Pepe fez um excelente jogo, é positivamente agressivo, rouba bem a bola, mas não a sabe conservar. E se a equipa tem um jogador numa zona nuclear, que não sabe conservar a bola, que não a sabe circular, é natural que a perca muitas vezes. E que portanto haja bastante jogo contrário para Pepe destruir. Num jogo perante uma equipa bastante inferior (a segunda mão provou-o), onde precisávamos de marcar golos, a sua titularidade naquela posição foi um erro. Penso em Meireles, Veloso, Moutinho ou Pedro Mendes (na altura lesionado) para jogar ali e vejo Portugal a ter a bola com mais critério, a dominar. E a estar mais perto do golo.
Esta é a cultura das duas equipas mais fortes do Mundo, Barcelona e Espanha, ter a bola. Massivamente. Porque tendo a bola, além de estarmos mais perto de marcar, defendemos melhor, porque a equipa adversária está atrás dela. Valores superiores a 60% de posse de bola e os bons resultados das duas equipas referidas por mim, não são coincidência. Portugal deve perceber essa tendência, lembrar-se da sua matriz, ter a bola, jogá-la de pé para pé (tem jogadores para isso) e assim acredito que possa estar mais perto das vitórias.

Mas nem tudo foram maus sinais no trabalho de Queirós, antes pelo contrário. Ultrapassadas estas questões, temos razões para estar bastante confiantes numa excelente prestação na África do Sul. Primeiro porque o Seleccionador terá três semanas de trabalho com os jogadores antes da prova, e terá assim tempo de colocar as suas boas convicções em prática. É uma boa ideia querer abandonar a estandardização do 4x3x3 ou do 4x2x3x1 e utilizar como sistema alternativo o 4x4x2 em losango ou o 4x1x3x2. Actualmente esta é uma medida necessária, primeiro porque os melhores treinadores e as melhores equipas são aquelas que durante o jogo são capazes, de adaptar com qualidade, a sua disposição táctica a diferentes circunstâncias. E depois porque a equipa adversária nunca saberá com que esquematização do adversário poderá contar.
Igualmente a nível da formação, onde vem explanando boas ideias, para que o futebol em Portugal tenha futuro. Houvesse um reformista e alguém com boas ideias como Queirós a cada 20 anos no nosso futebol, e pelo menos a nível de Selecções poderíamos estar descansados.

Quanto à próxima grande prova em que vamos participar, acredito que também. Até porque Ronaldo fará um Mundial excepcional, acredito. E se Ricardo Carvalho, Bosingwa, Bruno Alves, Pepe, Veloso, Moutinho, Meireles, Tiago, Simão, Nani, Deco, Nuno Gomes e Liedson, entre outros, souberem acompanhá-lo, e vão saber, então somos capazes de lá para Junho ter muitas alegrias.
Ainda assim será preciso não esquecer que Espanha, Brasil e Inglaterra lá estarão como melhores selecções do Mundo da actualidade, que Itália e Alemanha se agigantam sempre nas fases finais, que a Argentina é sempre a Argentina e tem Messi, que a Holanda teve 10 vitórias em 10 jogos de qualificação, e que, pelo facto de o Mundial se realizar em África, as mais fortes selecções africanas (Gana e Costa de Marfim) possam também ter uma palavra a dizer. Todos estes são factores com que temos de contar. Mas ainda assim, Portugal vai dar que falar.

O declínio de uma Selecção

à(s) 01:43

terça-feira, 8 de setembro de 2009


Quando no caminho de Portugal para o Mundial de 2010, se atravessaram selecções de classe média-alta europeia, como Dinamarca e Suécia, percebeu-se que o caminho não seria fácil. Contudo, o recente trajecto da selecção portuguesa nos últimos 4 anos, um dos melhores de sempre (senão o melhor), dava a confiança necessária de um apuramento que mais tarde ou mais cedo chegaria.
Mais ainda, mesmo tendo saído o competente Scolari, chegou Queirós (cuja escolha apoiei), homem conhecedor de todo o edifício da Federação, dos seus problemas, das suas virtudes, e alguém que a nível táctico tem boas competências consolidadas com o tempo e com experiências interessantes em diversos clubes.

Hoje, percebe-se que a chegada de Queirós foi um erro, mais por culpa própria, do que por culpa de quem o escolheu - Madail, que mesmo tendo uma péssima liderança federativa, não pode ser fortemente responsabilizado por uma escolha, que seria a mesma da esmagadora maioria dos portugueses.
Actualmente, não existem grandes dúvidas que Queirós falhou redondamente. Portugal pode chegar ao Mundial (e ainda acredito que chegará), Portugal poderia até vencer o Mundial, mas a partir do momento em que a equipa deixou de depender de si própria a 3 jornadas do final, de um grupo que mesmo não sendo fácil, não é 'de morte', o balanço não pode ser bom.

E não pode ser bom porque o Seleccionador se esqueceu do primeiro objectivo: a qualificação. Não deixa de ser curioso que apenas para esta dupla jornada Queirós tenha feito aquela que considero a melhor convocatória, apostando em jogadores de qualidade que poderiam permitir o sucesso imediato. Mas, fê-lo apenas quando é pressionado pelo tempo, pelos resultados, pelos dirigentes, pelos adeptos.
Para CQ, o percurso foi o inverso do razoável: experiências atrás de experiências quando a qualificação estava no início e longe de estar garantida, regresso à consolidação, aos melhores dos melhores, quando as perspectivas são negras.

Se as experiências efectuadas foram sempre duvidosas (e nesta premissa não incluo jogos particulares), as actuais certezas de Queirós são...incertezas! Assim se viu na partida do passado Sábado, onde o treinador fez aquilo que se compreende no adepto de bancada e não se pode admitir num treinador - ou seja, mudar em função do resultado e não em função dos sinais que a equipa dava dentro do campo.
Depois, ao contrário do que tenho lido, sou da firme opinião que a aposta em Liedson como primeira opção para rebater o resultado é errada. Não pela maior ou menor qualidade do 'levezinho', mas essencialmente porque continuo com grandes dificuldades para perceber como é que Queirós não percebe que Nuno Gomes, jogando mais ou jogando menos, continua a ser, dentro da nossa conjectura, o melhor jogador para actuar como avançando, aumentando o rendimento da equipa em geral e de Ronaldo em particular. De Nuno Gomes não se esperam golos atrás de golos da sua autoria, mas pode e deve esperar-se um aumento da quantidade e qualidade de situações de concretização por parte da equipa, precisamente pela sua inteligência, de arrastar marcações, de abrir espaços, de jogar ao primeiro toque.
Liedson mesmo marcando o golo do empate, teve uma prestação quase nula até cerca dos 80 minutos. Não é de estranhar esse facto, visto que acabara de cumprir a primeira concentração, os primeiros treinos com o grupo, visto até que tem feito exibições não mais do que razoáveis. O que é de estranhar é que tenha sido o jogador do Sporting a primeira opção do seleccionador nacional no momento mais complicado pelo qual passou Portugal no apuramento. Daqui se percebe um pouco o estado de espírito de CQ.

Agora resta a Portugal vencer os três jogos que faltam. Se Queirós continuar a recorrer a jogadores como Eduardo, Rui Patrício, Beto, Bosingwa, Miguel, Bruno Alves, José Castro, Pepe, Ricardo Carvalho, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Tiago, Maniche, Deco, Simão, Danny, Nani, Ronaldo, Nuno Gomes e Liedson, se tiver a sorte de ver a afirmação de Quaresma no Inter, de César Peixoto no Benfica, de Hugo Viana no Braga, de Maniche no Colónia, eventualmente até de Postiga no Sporting, ou o recuperar da lesão de Paulo Ferreira no Chelsea e se com estes quiser construir e solidificar um grupo para tentar chegar ao Mundial e eventualmente cumprir com sucesso uma participação na prova, ao mesmo tempo que vai integrando gradualmente um ou outro jogador dos sub-21, as perspectivas de sucesso aumentam.
Se ao contrário pretender manter experiências incompreensíveis e alterações de sistema e modelo de jogo constantes, então dará definitivamente razão aqueles que afirmam que será realmente útil num gabinete, projectando e planeando todo o edifício da nossa Selecção, deixando o treino para alguém mais competente.

Ao contrário do que se tem afirmado, Portugal tem ainda sólidas aspirações de estar presente na fase final do Mundial. Essencialmente porque ao contrário do que se tem dito, a Dinamarca não poderá (repetindo o tristemente célebre jogo do Euro-2004) facilitar com a Suécia, uma vez que uma derrota caseira poderá atirar os dinamarqueses para o Play-Off onde poderá encontrar selecções fortes como França, Croácia ou Rússia. Assim sendo, resta-nos impreterivelmente vencer as nossas partidas, esperar por uma derrota da Suécia ou mesmo por um empate - transferindo a decisão para a diferença de golos. Vamos acreditar. Ou, excluindo 2004-2008, não fosse essa a nossa sina.

A Selecção de 2006 e a de hoje

à(s) 03:17

quarta-feira, 1 de abril de 2009


Nas últimas semanas não tem sido raro dizer-se que Portugal passa por um decréscimo de qualidade a nível dos jogadores seleccionáveis, e terá também em virtude desse facto, de renovar o elenco. Não concordo com ambos, e se em relação ao aspecto qualitativo deixo ao critério dos leitores fazer a sua própria análise, no que diz respeito à renovação, parece-me manifestamente exagerado em virtude da idade, das perspectivas de crescimento e do valor actual de grande parte do recente seleccionado.
De seguida, os 23 convocados para o Mundial 2006, onde atingimos as meias-finais, e uma selecção feita por mim, com base naquilo que têm sido as opções de Queirós, e naquilo que acredito ser o melhor para Portugal.

2006:
Ricardo - Sporting, Quim - Benfica, Bruno Vale - Estrela da Amadora
Miguel - Valência, Paulo Ferreira - Chelsea
Ricardo Costa - Porto, Ricardo Carvalho - Chelsea, Fernando Meira - Estugarda
Nuno Valente - Everton, Caneira - Sporting
Costinha - D.Moscovo, Petit - Benfica
Maniche - D.Moscovo, Tiago - Lyon, Deco - Barcelona, Hugo Viana - Valência
Luis Boa Morte - Fulham, Simão - Benfica, Cristiano Ronaldo - Man Utd, Figo - Inter
Postiga - Saint Ettiene, Pauleta - PSG, Nuno Gomes - Benfica

2009:
Eduardo - Braga, Quim - Benfica, Rui Patrício - Sporting
Miguel - Valência, Bosingwa - Chelsea
Ricardo Carvalho - Chelsea, Pepe - Real Madrid, Bruno Alves - Porto
Paulo Ferreira - Chelsea, Duda - Málaga
Fernando Meira - Zenit, Raul Meireles - Porto
Maniche - Atlético Madrid, Tiago - Juventus, Deco - Chelsea, Moutinho - Sporting
Nani - Man Utd, Simão - Atlético Madrid, C. Ronaldo - Man Utd, Quaresma - Chelsea
Danny - Zenit, Nuno Gomes - Benfica, Postiga - Sporting, Hugo Almeida - Bremen

É certo que poderíamos falar em maturação de características, em tops de forma, em carreira ascendente ou descendente. Mas penso que essa discussão penderia sempre para o equilíbrio entre 2006 e 2009. Poderia ainda acrescentar a esta lista Beto, Rolando, Nélson, Caneira, Antunes, César Peixoto, Miguel Veloso (que acredito poder ser o nosso médio mais defensivo), Ruben Amorim, Manuel Fernandes, Eliseu ou até Orlando Sá.
Tudo isto para afirmar, que é completamente errado dizer-se que esta Selecção tem menos qualidade em relação às mais recentes equipas de Portugal. A prova que uma 'mentira muitas vezes contada se torna verdade'. Os jogadores estão à vista, são de grande qualidade, e ainda bem que assim é. Para todos. Para Madail, para Queirós e para nós adeptos. A África do Sul espera por nós.

A Selecção Nacional e Cristiano Ronaldo

à(s) 03:13

terça-feira, 31 de março de 2009


Actualmente em Portugal discutem-se as razões para os maus resultados da Selecção Nacional. Razões essas que certamente não estarão isoladas, muito menos limitadas a uma menor performance dos jogadores ou do treinador.
O facto é que são eles os rostos mais visíveis, aqueles que directamente podem alterar o estado de coisas. A verdade é que o edifício federativo não é bem solidificado, não há uma visão de futuro, e muito menos um fenómeno de identidade nacional e de políticas definidas existe. O problema, penso eu, extravasa ainda o âmbito mais estrito da federação, e vai ainda de encontro aos clubes, à sua política de recrutamento, e ao seu futebol jovem. No sentido figurado, há demasiados interesses para que todos possam remar para o mesmo lado.

É certo que Scolari conseguia disfarçar bem este estado de coisas, com os óptimos resultados alcançados. A verdade é que nem o brasileiro preparou convenientemente os anos vindouros (desconheço as competências que lhe foram atribuídas), nem os dirigentes federativos, assentes numa base de sucesso, foram capazes de lançar as sementes para um futuro próspero. Hoje em dia é mais difícil. Queirós é reconhecidamente um homem mais bem preparado que o seu antecessor (e provavelmente o homem indicado) para levar a cabo esta reforma. Contudo, a conjectura actual não lhe permite desenvolver este trabalho a 100%. E o professor, através de algumas opções duvidosas, também não a tem conseguido reverter. Perante isto, Portugal encontra-se numa espécie de encruzilhada.
Uma questão importa deixar: existe ou não tempo e condições suficientes para que se possa preparar e proceder às reformas necessárias, sem comprometer a qualificação para o Mundial? Actualmente é muito difícil. Mas parece-me que ainda vamos a tempo. Há qualidade e competência para isso. Importa ter uma noção presente: preparar o futuro, não é sinónimo de comprometer o presente. Especialmente quando na actualidade existem condições mais do que suficientes para o sucesso.

E o sucesso passa pela união dos esforços de todos. Obviamente que nisto tudo há um nome que salta à vista: o de Cristiano Ronaldo. O melhor do mundo como suporte da nossa bandeira, com o peso do país sobre os ombros e o destino da selecção no pé direito, em cada 'rocket' ou na cabeça, depois de um cruzamento.
Aqui há os dois lados da moeda. Não tenho grandes dúvidas que Cristiano não reúne actualmente as melhores condições para ser o capitão de equipa. Primeiro porque não terá as características e a maturidade suficiente para o bom desempenho do cargo, e as suas declarações antes do jogo com a Suécia são disso prova. Depois porque a grande visibilidade e reconhecimento internacional, não é motivo isolado para ostentar a braçadeira. Messi não é capitão da Argentina, Kaká, Ronaldinho ou Robinho não capitaneiam o Brasil, Torres ou Fabregas idem na Espanha, Henry ou Ribery na França, entre muitos outros exemplos. Por fim porque a pressão dos adeptos portugueses sobre CR7 já está longe ser pequena e aumenta sendo ele o capitão de equipa.
Do outro lado, o jogador. Parece-me absolutamente injustificada a exigência, em regime de cobrança, colocada pelos portugueses sobre Ronaldo. Infelizmente é assim. Recordo-me perfeitamente do mesmo se passar com Figo. Hoje muitos comparam os dois, dizendo que Cristiano teria muito a aprender, a todos os níveis, com o jogador do Inter. Em Portugal antes de se idolatrar ou reconhecer, exige-se! Anos depois, nascem ídolos de barro, para contrapor às estrelas actuais.
Obviamente que não se pode exigir a mesma performance no clube de origem e na Selecção. Pela falta de mecanismos e de rotinas. Pela diferença infinita de tempo de treino. Pela falta de identificação com os jogadores, exponenciada por uma maior rotatividade nas convocatórias.

Particularizando em Ronaldo, acrescentaria a excessiva pressão de que é alvo, e a inexistência na Selecção do jogador que permite ao nosso nº 7, o avolumar de golos (essencialmente na época passada): Wayne Rooney. Obviamente que juntamente com toda a dinâmica da equipa do Man Utd. Mas é o inglês, a sua disciplina táctica, a capacidade de percorrer vários metros de terreno, o entendimento que tem com o português que permite o seu constante surgimento em condições de finalizar. Rooney parte da sua posição natural de avançado, mas sai muitas vezes desse habitat, em permuta com um Ronaldo vindo de trás em movimentos verticais, ou de um flanco em diagonais. Este é o Ronaldo dos golos, que os adeptos pretendem ver com as cores de Portugal.
Embora 63 internacionalizações e 22 golos não me pareçam de todo um mau score para um extremo. Embora pelo que anteriormente afirmei, e insistindo no que venho dito, mais do que um finalizador, vejo um pivot que poderia exponenciar esta forma de jogar do melhor do mundo, e ao mesmo tempo de toda a equipa: Nuno Gomes. No resto, Cristiano continua a ser importante. Pelos desequilíbrios em velocidade, pelo forte jogo aéreo, pela atenção que desperta no adversário, deixando muitas vezes livre o colega mais próximo. É isto que importa compreender.

Tão cedo entre a espada e a parede

à(s) 18:33

domingo, 29 de março de 2009


1 - Este era, reconhecidamente por todos, um jogo fundamental para as contas da Selecção, em casa, frente a um adversário directo. O público não se demitiu das responsabilidades, compareceu em massa e foi sempre o 12º jogador.

2 - Obviamente que na conjectura actual, esta era uma partida que importava muito vencer. Essencialmente porque deixava Portugal a depender apenas de si próprio. Mas, mesmo que a Selecção continue a revelar incapacidade em vencer adversários directos em fase de qualificação, quando no final olharmos para o trajecto da equipa, não será este o resultado comprometedor. Antes a derrota perante a Dinamarca e o empate frente à Albânia.

3 - Ainda este resultado, estabelece o ponto de viragem definitivo na postura que Portugal terá de ter nos restantes jogos. Se uma qualificação pode ser encarada, com alguma tranquilidade, numa perspectiva resultadista - nas últimas qualificações fizemos isso muito bem, nas partidas que faltam a Selecção tem obrigatoriamente que entrar em campo sempre para ganhar. Incluindo nas, teoricamente mais difíceis, partidas na Hungria e na Dinamarca.

4 - Não pode portanto haver dúvidas. Um resultado menos positivo atira-nos para fora do Mundial. Contudo, mesmo com vitórias em todos os jogos (e Portugal tem indiscutivelmente equipa para isso), é preciso ter consciência que será preciso uma escorregadela da Suécia para alcançar o segundo posto. Sim, porque o primeiro lugar já será inatingível, e serão os suecos os nossos principais oponentes na disputa pela vaga que permite o acesso aos play-off.

5 - Digo-o sem problemas. Fui um dos que defendeu Carlos Queiroz como melhor opção para suceder a Luís Filipe Scolari. Hoje, tenho dúvidas. Do professor esperaria uma reforma importante e necessária dos quadros, alicerces e princípios da Selecção e consequentemente do edifício do futebol português. Actualmente isso não acontece.
Em mais do que uma entrevista (e ultimamente têm sido inúmeras), percebe-se que as boas ideias estão lá, mas a oportunidade não. A qualificação para o Mundial focaliza, naturalmente, todas as atenções do seleccionador. Só que CQ tem sido incapaz de fazer jus à história recente e à qualidade da equipa, através de opções técnico tácticas para mim incompreensíveis. Que me leva actualmente a questionar sobre se seria ou não mais útil num outro posto, que provavelmente não aceitaria.

6 - Sempre houve uma série de vozes críticas em relação à forma como o anterior seleccionador procedia às convocatórias. Pois bem, eu afirmo aqui que sou partidário dessa forma de agir. Na Selecção praticamente não há tempo de treino. Não há espaço para criar novas rotinas, novos laços, por cada concentração. Por isto, um grupo base, um núcleo duro alargado, com mecanismos quase automáticos, dentro e fora do campo, é aqui fundamental. Scolari não é tacticamente, ou a nível de treino, um grande treinador. Mas nas selecções o peso dessas componentes é muito menor. O brasileiro sempre percebeu isso muito bem. E juntava esse facto com o aspecto motivacional. Ressalvando um facto: esta não é uma comparação Scolari vs Queirós. Até porque o seleccionador nacional é Carlos Queiroz, e é este que tem de ser apoiado, no sentido de levar a equipa a bom porto. É antes uma comparação de métodos e de formas de agir e pensar.
Atentemos nas palavras de Deco, ontem após o final do jogo 'estamos a ter muitas alterações na Selecção com a entrada de novos jogadores, nova equipa técnica e tudo leva algum tempo de adaptação'. Eu pergunto se não teria sido mais inteligente, e principalmente mais seguro, proceder a estas alterações com uma base sólida a nível pontual, e aproveitar o que de bom deixou o seleccionador anterior. Lembremo-nos como Jesualdo Ferreira chegou ao FCP, praticamente no final da pré-época, após a saída do treinador campeão, Co Adriaanse. Perante um esquema táctico pouco comum, de difícil afirmação europeia, Jesualdo aproveitou o que de bom tinha deixado o seu antecessor, e passo a passo, após alguma consolidação pontual, implementou as suas ideias. No final, foi campeão.

7 - Agora a convocatória e as opções para o jogo. A baliza é ainda foco de dúvida. Continuo a reafirmar que Eduardo é actualmente o melhor guarda redes português (até porque Quim não joga). Mas sabemos que não temos neste posto um nível semelhante às melhores selecções mundiais, desde a saída de Vitor Baía. Em relação à defesa e meio-campo, parece-me haver em Portugal matéria prima mais do que suficiente.
Na frente, já não é assim. Hugo Almeida é útil apenas para determinadas situações de jogo e parece-me que subverte em demasia os princípios de jogo da equipa, Orlando Sá é uma aposta exclusivamente de futuro, de Edinho não vou falar. Por todas estas razões, continuo a achar incompreensível a ausência das convocatórias de Nuno Gomes e/ou Postiga (actualmente lesionado). Estes jogadores, não sendo os típicos matadores, não sendo os mais idolatrados pelos adeptos, são indicutivelmente os avançados mais capazes de perceber, de contribuir e de concretizar o jogo de Portugal. Não tenho qualquer dúvida acerca disso.

8 - Particularmente em relação a ontem, é inconcebível que olhemos para o banco e vejamos Gonçalo Brandão (originalmente central, mas que pode fazer o lugar de lateral esquerdo) e Rolando, e não vejamos o outro lateral convocado, Nélson, jogador capaz de actuar em ambos os flancos da defesa. A equação era fácil. Queirós tinha em campo três defesas centrais. No banco, certamente que Gonçalo Brandão e Nélson seriam os jogadores mais indicados para cobrir as posições defensivas. Ou não fossem em conjunto capazes de cobrir todas as posições da defesa. Rolando e Brandão cumpririam em conjunto todas menos uma - a que foi necessária.
Depois a própria substituição. Saída de Bosingwa, entrada de Rolando para o centro da defesa, Carvalho para o lado direito. Com um empate a zero. Seria arriscar tanto, retirar Bosingwa e colocar de imediato Deco, recuando Pepe para central e Meireles para trinco? Queirós deitou fora uma substituição, e esgotou as alterações aos 65 minutos com Nani e Moutinho no banco...E piorou o panorama, ao retirar Tiago (que estava a fazer um bom jogo), mantendo Pepe como homem mais recuado.

9 - Depois, a própria colocação de Pepe como médio mais defensivo. Esta recuperação (o luso-brasileiro chegou a jogar no meio-campo quando actuava no Marítimo) de Queirós pode ser importante quando não há Miguel Veloso (será que vai voltar a haver), quando não se sabe se Assunção alguma vez jogará por Portugal, e quando se pretende jogar com Meireles mais à frente. E ontem, na primeira metade Pepe foi mesmo um dos melhores portugueses em campo. Mas já não havia Deco, e portanto a dificuldade em construir adensar-se-ia previsivelmente. Nestas condições, e mesmo perante uns suecos fortes nas bolas aéreas, jogar com Pepe, em casa e num jogo onde era necessário ganhar, não foi propriamente uma ajuda à performance ofensiva.

10 - Insistindo no mesmo, ver Danny, que não sendo um extremo puro rende mais junto aos flancos, como homem mais avançado, com Nuno Gomes fora da convocatória é para mim um mistério. A entrada de Hugo Almeida foi um desastre, mesmo sendo este uma das partidas onde potencialmente poderia ter sido útil.
Olhando para a convocatória de Carlos Queirós, constata-se que também o actual seleccionador nacional não convoca apenas jogadores habituais titulares no clube de origem. Maniche não é titular no Atlético, Nani idem no Man Utd, Hugo Almeida vai jogando no Bremen. Por exemplo. Quim, Ricardo Quaresma e Nuno Gomes têm vindo a ser 'esquecidos'. Desta vez juntou-se-lhes Miguel. Não percebo o critério, se é que existe.

11 - Por Portugal, não há um jogador que tenha realizado uma exibição de destaque. Pepe esteve bem na primeira parte, a entrada de Deco mexeu com a equipa. Duda fez também um jogo seguro, embora por vezes lhe faltasse alguma acutilância. Contudo, ontem não foi o jogo ideal para testar a sua capacidade defensiva (afinal a principal competência de um lateral), embora pelo que fez, justifique nova 'oportunidade'.
De Cristiano Ronaldo dizer que, ao contrário do que foi muito veiculado quando Queirós chegou à equipa (inclusive pelo seleccionador), o rendimento tem sido semelhante ao seu passado recente, mesmo que actualmente tenha o seu ex-treinador de equipa a orientá-lo. De qualquer forma, dizer que me parece normal. Aceito que se exija ao melhor do mundo que se resolvam jogos, mas não há muitos exemplos de jogadores que atinjam na selecção, a mesma performance desenvolvida no clube. Por motivos óbvios.
Contudo, e por mais ou menos razões que tenha, CR7 devia perceber que declarações como as suas de 6aF, exponenciadas pelo facto de ser capitão de equipa, não podem cair bem no seio do grupo, num momento tão importante como este.

12 - Uma palavra para a Suécia. Esta equipa está longe do nível patenteado nos últimos anos, principalmente na ausência de Ibrahimovic. Contudo, fiel à sua matriz, fez ontem no Dragão um excelente jogo, frio e seguro, suportada pelos experientes Mellberg, Kallstrom e Larsson. E levou para casa um resultado muito importante.

13 - Após as recentes performances de Portugal em grandes competições e olhando para o grupo de qualificação em que estamos inseridos, termino convicto de que ficarmos de fora do Mundial 2010 será um dos maiores desastres do futebol português nos últimos anos. Maior mesmo do que, a tão falada, prestação de 2002.

Quem deve ser o defesa-esquerdo da Selecção Nacional

à(s) 04:09

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009


Esta foi a pergunta que deixei no blog nos últimos dias, e tem sido um tema de discussão recorrente. Antes de mais um aviso: este texto vai ser longo.

Os mais atentos devem ter-se perguntado o porquê da ausência de Miguel Veloso da lista. A resposta é simples. Antes, porém, quero ressalvar que coloquei a opção 'outro' também a pensar naqueles que acham que o 24 do Sporting deverá assumir o lugar.
Quem segue o Futebol Total mais atentamente, saberá que sou um apreciador das qualidades futebolísticas de Miguel Veloso. Que vejo nele potencial, desde que se conjugem vários factores (muitos deles externos ao relvado), para ser um excelente médios defensivo. Provavelmente o seu percurso evolucional no Sporting terminou, mas Veloso deverá apressar-se para não 'perder o comboio'. São estas as razões pelas quais me recusei a colocá-lo como opção para a lateral-esquerda da Selecção. Ganhando-se um razoável lateral esquerdo, corre o risco de perder-se um muito bom médio defensivo, posição na qual Portugal não tem, hoje em dia, um indiscutível. Quero contudo ressalvar que, naturalmente, será a partir do seu clube que Veloso terá que se moldar nessa posição.

Voltando à 'sondagem'. Ou à votação, conforme se quiser. O espaço amostral, naturalmente, não é particularmente vasto . Responderam à questão 51 pessoas, número que, mesmo não sendo Rui Oliveira e Costa, posso afirmar não ser estatisticamente significativo. Contudo, dá para perceber que está longe de existir unanimidade em relação a esta questão. Vamos por partes.

Comecemos pelos centrais adaptados: Gonçalo Brandão, Manuel da Costa e Caneira. Os dois primeiros têm bastantes traços comuns: são jovens, esquerdinos, habituais na sub-21 (embora Manuel da Costa tenha sido ultimamente mais assíduo), e actualmente jogam no Calcio. O primeiro no Siena, o segunda na Sampdoria, emprestado pela Fiorentina. Ambos foram protagonistas menores nos resultados. O jovem ex-Belenenses não teve voto algum (o que se explica pelo desconhecimento que a maior parte dos adeptos têm do seu futebol), Manuel da Costa teve apenas um voto, correspondente a 1%, praticamente no mesmo pressuposto.
Caneira, que tem tido, no seu clube, uma preponderância e um rendimento inferiores ao que dele se esperava, é uma opção dentro da mesma linha. Perde pelo facto de não ter pé esquerdo, mas tem vantagem pela sua experiência. Acaba por ser uma opção segura, assegurando um rendimento constante, mas sem que dele se esperem grandes mais valias. Com 5 votos, representou 9% da votação.
Destes três jogadores, Queirós pode esperar uma maior cobertura defensiva e uma correcta aproximação aos centrais. Além disso, garantem que a equipa dificilmente fica desequilibrada, quando em processo atacante. Este pode ser um factor positivo porque na lateral direita, Bosingwa e Miguel têm bastante pendor ofensivo. No entanto, nesse mesmo pressuposto, Portugal torna-se uma equipa mais previsível (o lateral esquerdo dificilmente ataca) e com o flanco demasiadamente 'despido' (até porque os nossos melhores extremos - Ronaldo, Simão, Nani e Quaresma - são destros e jogando na esquerda, preferirão diagonais).

Depois, Antunes e Tiago Pinto. Dois jovens jogadores, laterais esquerdos de origem, que, pelas pistas dadas, têm bastante margem de progressão. Ambos bons nos cruzamentos, com interessante pendor ofensivo, mas ainda com naturais debilidades a defender. Nesse sentido a próxima época será quase fulcral. Antunes, já está num habitat táctico importante (Calcio), mas jogando no modesto Lecce será importante o regresso à Roma. Tiago Pinto, emprestado no Trofense e em fim de contrato com o Sporting, espera-se que deixe o estrangeiro potencialmente para mais tarde, e siga a carreira num dos três grandes, todos com algumas carências na sua posição.
Pelos resultados (15% para Tiago Pinto e 12% para Antunes), constatamos que são dois jogadores apreciados pelos adeptos. Pessoalmente parece-me que Queirós deverá manter estes jogadores sobre cuidada observação. E chamar frequentemente ao grupo aquele que em seu entender, servir melhor os interesses da selecção. Um destes dois elementos, e um a sair de Manuel da Costa ou Gonçalo Brandão (pelas características que cada 'par' apresenta) parece dotar Portugal de atributos importantes, para qualquer sistema ou modelo de jogo.

Paulo Ferreira e Jorge Ribeiro. Dois jogadores também com alguma expressão na votação. O jogador do Chelsea obteve 6% dos votos, o irmão de Maniche, 8%. Aqui vou ser breve. De Paulo Ferreira parece-me ser um jogador de grupo muito importante. O tal que não faz barulho por ser suplente, e que mantém uma regularidade conjugada com uma polivalência nas laterais, importante. Mesmo que por vezes tenha jogos menos conseguidos (p.ex. Brasil), é um jogador com o qual o treinador pode sempre contar. E que interessa à selecção.
Jorge Ribeiro é diferente. Aos 27 anos teve uma boa oportunidade no Benfica, a conjuntura estava a seu favor, mas não soube ou não a conseguiu aproveitar. Não sendo de todo um mau jogador, e mesmo tendo um pé esquerdo interessante, apresenta carências que podem ser decisivas ao mais alto nível. Também pelo facto de já não ter uma margem de evolução acentuada, não me parece a melhor solução.

Por fim, os mais votados: Duda e César Peixoto (o primeiro com 24%, Peixoto com 22%). São os dois duas adaptações. De Duda, dizer que tem feito uma Liga Espanhola interessante (no Málaga, a sensação da prova), e que terá justificado novo teste pela sua interessante exibição contra a Finlândia. Em processo ofensivo. Porque convém não esquecer que os nórdicos praticamente não atacaram, e quando o fizeram, foi mais por zonas centrais. Pessoalmente tenho algumas dúvidas que seja a solução indicada.
Que para mim seria actualmente César Peixoto. Apreciei a sua convocatória frente ao Brasil, mas estranhei que só tenha jogado 10 minutos, a meio-campo, com o resultado desnivelado e sem nova oportunidade na última convocatória. De Peixoto direi que em Braga, tem finalmente estabilizado o seu jogo. Que tem rotinas no lugar, forte tacticamente e aos 28 anos uma experiência que é uma mais valia. Boa estatura e fortíssima em bolas paradas (é um dos melhores batedores de cantos que conheço). Tem o revés de não ser lateral em Braga, mas é um dos suportes da equipa, um dos seus equilíbrios, e complementa sempre muito bem as subidas de Evaldo. Tudo razões para o gostar de ver a ser testado continuadamente como opção principal.

Enfim, é verdade que não temos uma opção que, em princípio, claramente assuma o lugar (como também se vê pela quantidade de jogadores que foram 'a votos'). Mas, penso, há matéria prima para todos os gostos, para que esse não seja o nosso principal problema.
Pistas sobre as opções mais firmes de Queirós, em Março, contra a Suécia.

A convocatória de Queirós

à(s) 19:58

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Primeiro ponto que quero ressalvar: apesar de tudo, dos resultados, de algumas opções, continuo a acreditar no método e na capacidade de Carlos Queirós (e dos nossos jogadores!) para levar a Selecção de Portugal ao Mundial e na equipa nacional, desenvolver um bom trabalho. Mas continuo com dificuldades em perceber algumas opções. Se de Scolari se dizia que não priveligiava o mérito (prestação nos clubes), preferindo contar quase sempre com os mesmos, de Queiróz quase pode afirmar-se o contrário, por vezes de forma algo 'exagerada'.

Começo por estranhar a convocatória dos Guarda-redes. Embora não alinhe por algumas críticas que tenho visto em relação à ausência de Beto. Não tenho dúvidas que seja um excelente guardião. Mas apesar de tudo considero Eduardo melhor. E o principal merecedor do posto de titular da nossa baliza. Em relação ao suplente, não me parece que Daniel Fernandes seja uma boa opção. Para o Mundial 2010, são convocados três guardiões, sendo habitualmente o terceiro, uma opção de futuro, no sentido de preparar uma sucessão. Nessa perspectiva e actualmente, Fernandes discutirá essa vaga com Rui Patrício. Assim, parece-me que a opção por Quim, mantendo a confiança no seu trabalho, seria importante numa fase em que o jogador dela precisa. Até porque, não haja dúvidas, Quim é um bom guarda-redes que brevemente, seja no Benfica ou noutro clube, voltará a jogar.
E se como argumento podemos utilizar a não titularidade de Quim no clube, facilmente chegamos a Paulo Ferreira. Apesar de não discutir a sua chamada. É reconhecidamente um jogador de equipa. E uma opção útil para o lado esquerdo. Onde Queirós continua a fazer muitos testes, inserindo-se nessa facto a chamada de Gonçalo Brandão, um jovem bom jogador português, que pode ser uma opção interessante, até pela sua cultura defensiva (o nosso lateral direito, seja Miguel ou Bosingwa terá sempre um grande balanceamento ofensivo). Quem não deve estar muito contente é Cesar Peixoto, jogador que foi riscado da convocatória, após ter a oportunidade de jogar 10 (?!) minutos em Brasília, quando já éramos goleados.

Na zona central do meio-campo, continua a faltar um número 6. Sendo um jogo particular, parecia-me importante uma de duas opções: se Paulo Assunção já pode ser chamado, e me parece que futuramente o será, seria interessante a sua chamada para jogar com a Finlândia. Ou em alternativa, Miguel Veloso, numa perspectiva de recuperação, porque indiscutivelmente o jovem jogador do Sporting tem talento. Apesar de ser uma chamada de risco.
O mesmo perspectivo para a extrema. Não sou um apreciador de Duda, não me parece jogador para a nossa Selecção. Considero-o uma espécie de Luís Boa Morte, não tendo dúvidas que a sua chamada é também por ser esquerdino. Mas Portugal tem dos melhores extremos do Mundo, e uma vez que Simão está lesionado, deveria ser Quaresma o chamado para acompanhar Ronaldo e Nani, praticamente na mesma perspectiva de Veloso.

No restante, nota positiva para as chamadas de Eliseu e de Orlando Sá (será importante observar este jovem ponta de lança), continuando longe de compreender a continuada ausência de Nuno Gomes. Quer a nível de balneário, quer a nível de qualidade dentro das quatro linhas. Vamos esperar pelo próximo jogo oficial de Portugal, para perceber melhor as ideias de Carlos Queirós.

Revolução à vista?

à(s) 17:06

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Carlos Queirós anunciou que provavelmente teria de proceder a uma espécie de revolução na Selecção, que agora já não sabe bem com quem pode contar.

Eu se fosse ao seleccionador nacional não ia por aí. Salvo uma ou duas excepções, a esmagadora maioria destes jogadores são aqueles que tiveram muito sucesso com Scolari. Aliás, dos que jogaram frente ao Brasil, apenas Danny não era opção de Felipão, e no entanto penso que a sua presença na equipa nacional seja inquestionável.

Portanto, é com estes que Portugal deve contar. Até porque a nossa base de recrutamento é bastante pequena e ninguém quer uma quebra de qualidade só por que sim.
Acredito que não são estas atitudes mais extremadas que possam mudar o rumo a Portugal. E espero que Queirós também veja isso. A evolução e as melhorias são por outro caminho.

Pagode e caipirinha

à(s) 14:33

quinta-feira, 20 de novembro de 2008



Pois é. Ninguém nas suas mais pessimistas previsões, diria que Portugal ia sair de Brasília pregado a tão estrondosa derrota. Um 6x2 é um resultado incomum, e onde os dois golos marcados pela selecção lusa podem servir para atenuar a ideia de um descalabro, mas basta pensar que um 4x0 ou um 5x1 são resultados semelhantes (diferença de 4 golos) para aquilatar que o que se passou ontem à noite nos arredores de Brasília foi uma espécie de humilhação.

Um jogo entre dois países irmãos com um estádio cheio de pessoas vibrantes e onde marcaram presença ainda bastantes portugueses, dois hinos lindíssimos abrilhantados pelos respectivos intérpretes, um início de jogo entusiasmante davam todas as pistas de que seria um jogo extraordinário, de festa. E foi-o para o Brasil, não para Portugal.

Volto a afirmar que confio nas capacidades de Carlos Queirós. Sei também que não foi o seleccionador nacional quem marcou o particular e que muito provavelmente se pudesse ter escolhido, não aceitaria a partida. Mas ontem à noite Queirós exponenciou, por erros próprios, a margem de risco que o jogo já trazia para Portugal.

Desde já não falo na convocatória. Apesar de continuar a não ter dúvidas que Nuno Gomes é a melhor opção para a frente de ataque, percebo de certa forma a experiência Danny.
O que não se percebe é experimentar Tiago na posição 6, num jogo com este grau de exigência, perante o fortíssimo meio campo ofensivo do Brasil. Tiago é um excelente jogador, mas não reúne as características necessárias para ser um número 6. Não me lembro sequer de ter alguma jogado naquela posição. No Braga, Barroso jogava atrás de Tiago, no Benfica era Petit, no Chelsea Makelelé, no Lyon Toulalan e actualmente na Juventus é Sissoko quem tem desempenhado essa função. Para o lugar de médio mais recuado não me parece existirem grandes dúvidas. Raúl Meireles apesar de ser certo modo uma adaptação, é aquele que neste momento oferece mais garantias. Fernando Meira pontualmente pode ser uma opção. Depois há Pelé e Miguel Veloso que quanto a mim podem ser no futuro as melhores opções, mas tudo isso vai depender da evolução que tiverem nos seus clubes.
Depois, elogiei aqui a convocatória de César Peixoto. Mas, não se percebe que tenha entrado a 10 minutos do fim para jogar no meio campo (?!), quando durante toda a segunda parte o Brasil fez do corredor esquerdo português o seu principal passador.
Quanto à experiência Ronaldo na posição 9, estou ao contrário de muitos, completamente contra. Ronaldo é um jogador que melhor que ninguém deve aparecer naquela posição, e não partir daquela posição, dando-se excessivamente à marcação. São coisas diferentes e Queirós melhor do que ninguém devia sabê-lo, aliás a "experiência" durou apenas 30 minutos.

Individualmente Bruno Alves deixou-nos com saudades de Ricardo Carvalho, mas obviamente que não pode ser crucificado até porque ninguém no quarteto defensivo esteve acima da mediocridade. Para isso, é certo que o meio-campo não deu a cobertura necessária, antes pelo contrário, os desequilíbrios nasceram daí. De Cristiano Ronaldo não me lembro de uma única acção positiva, antes (à imagem de outros elementos da equipa), tiques de mau perdedor. Se este jogo contasse alguma coisa para a atribuição da Bola de Ouro, o capitão da Selecção ficaria muito longe do galardão. Tiago este como já referi, absolutamente perdido em campo, mas não seria justo pedir mais. Quanto a Deco, muito longe do que nos tem habituado. Na primeira parte sempre demasiado próximo de Danny, demasiadamente dado à marcação e sem vigor físico que lhe permitisse por em prática os seus atributos.
Pela positiva, destaco as boas exibições de Danny na primeira parte, Nani na segunda e Maniche. O luso-venezuelano foi sacrificado ao intervalo para testar a tal opção "CR9", mas apesar de muitas vezes desapoiado, estava a desenvolver acções interessantes. Maniche terá sido o melhor português em campo.

Naturalmente que a exibição do Brasil, mesmo contando com a ajuda portuguesa, foi extraordinária. Maicon foi sempre mais um extremo que um lateral, criando desequilíbrios sucessivos. Anderson mais parece um rolo-compressor pela intensidade que coloca em campo, aliada a uma cultura táctica incrível para quem tem 20 anos. Elano foi o pêndulo brasileiro, não admira que Mourinho o admire tanto, pois para além de ser muito forte tecnicamente, a nível táctico é fortíssimo sacrificando-se inúmeras vezes para que o Brasil não se desequilibrasse. Até porque à sua frente, Kaká, Robinho e Fabiano deram espectáculo. Grande exibição!

Dizem que as estatísticas (ataques, remates, cantos, posse de bola) foram semelhantes. É certo que sim. Mas sabemos que hoje em dia isso nada representa no futebol. Importa sim a forma como se interpretam essas acções, e principalmente como se definem as jogadas, e nesse campo, a diferença de qualidade foi gritante.
No entanto, e apesar da derrota estrondosa, ver jogos assim dá gosto. Até que começaram as substituições sucessivas, o ritmo de jogo foi altíssimo, a entrega foi absolutamente inquestionável (valha-nos isso), e o tempo útil de jogo foi dos mais elevados que tenho memória. O futebol português teria muito a ganhar se os jogadores do nosso campeonato seguissem a conduta que se verificou ontem à noite. E isso está na mentalidade, não na qualidade.

Para terminar, acredito que nem tudo tenha sido negativo, e que se possam tirar ilações importantes desta partida. A começar pela postura dos responsáveis portugueses cada vez que sofríamos um golo e pelas declarações de Queirós após o jogo. A rever...