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Os 22 + 1 de Queirós

à(s) 15:17

domingo, 9 de maio de 2010


Lendo este blog é fácil perceber a discordância para com muitas das opções de Queirós. Provavelmente a lista final do professor terá ainda alguns nomes diferentes. Contudo, nunca existirá um seleccionador imune a críticas nas opções técnicas, tácticas e de jogadores. Já sabemos que deste lado é mais fácil. Desse também e o leitor estará livre para discordar, devendo para isso utilizar a caixa de comentários.

Quim - Tem sido difícil perceber a ausência de Quim dos convocados de Queirós. O seleccionador já deu a transparecer que após a goleada sofrida com o Brasil necessitou de fortalecer o grupo, mas a constante não convocação do guarda-redes do Benfica é difícil de entender. Se numa selecção se elegem os melhores, e se mesmo não podendo dizer que o GR menos batido do campeonato é claramente o melhor de todos os guardiões portugueses, também não consigo apontar algum que seja melhor do que ele.
Eduardo - O guardião do Braga tem sido o dono das redes da Selecção, e mesmo não emprestando a qualidade extra que se pretende sempre dos melhores guarda-redes, não tem comprometido. A titularidade no Braga, o percurso ascendente desde Setúbal, e aquilo que já conquistou pela Selecção, fazem-me não ter dúvidas de que será um indiscutível nos 23.
Rui Patrício - Aos 22 anos Rui Patrício é dono absoluto das redes do Sporting, e mesmo não sendo um jogador totalmente apreciado por Alvalade, é importante que tenha consciência do seu valor e que vá crescendo sem queimar etapas. A presença num Mundial, como terceiro guarda-redes, é mais uma. Quem sabe se em 2014, mais próximo do pico de maturação de um 'keeper', não pode ser o titular de Portugal?

Miguel - A época de Miguel tem sido irregular. Dentro e fora do campo. O ex-Estrela da Amadora e Benfica nunca teve uma estrutura mental, nem atitudes que o pudessem catapultar para o nível que o seu potencial aparentava. Provavelmente precisaria de um novo campeonato, quem sabe Inglaterra, para estabilizar o seu futebol. Não deixa contudo de ser um dos bons laterais direitos do futebol europeu. Beneficiará da lesão do Bosingwa para marcar presença, numa perspectiva mais ofensiva para a lateral direita.
Paulo Ferreira - Paulo Ferreira é daqueles jogadores que todos os treinadores gostam de ter no plantel. Disciplinado tacticamente, consciente das suas limitações, bom companheiro no balneário, polivalente. Nunca esperamos ver um fantástico jogo a Paulo Ferreira, como lhe esperamos ver um jogo péssimo. É verdade que já os teve, mas a sua principal virtude é a constância. Tal como Miguel, aproveita a ausência de Bosingwa (embora acredite que Queirós o fosse sempre preferir, numa perspectiva de 23, ao lateral do Valência) e será o titular em jogos onde CQ pretenda uma maior coesão defensiva, ou jogue com um extremo direito declarado.
Fábio Coentrão - Que dizer de Coentrão? Discutir se é descoberta de Jesus ou Queirós? Ou dizer que é a grande revelação do campeonato português? Que foi fantástico para Portugal que a sua adaptação a lateral-esquerdo no Benfica tenha sido óptima? Precisando naturalmente de melhorar alguns aspectos a nível de posicionamento, Fábio é excelente a nível ofensivo, é fortíssimo em transição, e deveria ser, com algumas salvaguardas do treinador (provavelmente com Paulo Ferreira como titular no lado direita, ou com o médio mais recuado mais amarrado defensivamente), o indiscutível defesa-esquerdo. Além de que, será o único jogador dos 23 que poderá jogar, com qualidade, como extremo esquerdo numa perspectiva de linha de fundo, mais vertical.
Pepe - Pepe é um dos poucos absolutamente indiscutíveis da Selecção. A rotura no Ligamento Cruzado Anterior do joelho fez temer a sua presença, mas como defesa central ou médio mais defensivo (prefiro a primeira), a sua titularidade é indiscutível. E a época para o madrileno começa agora.
Carriço - Esta é talvez a minha escolha mais 'polémica'. E não tenho dúvidas que não constará dos seleccionáveis. No seu lugar surge Rolando, que não discuto, apresenta aos 24 anos já maior maturidade e provavelmente mais alguma confiança para a equipa. Aquilo que me faz escolher Carriço é simples: Rolando e Carriço serão sempre o quarto central de Portugal. Central esse que dificilmente jogará. Ambos fizeram épocas competentes, mas nenhum fez uma época extraordinária. Porque vejo mais potencial em Carriço, numa perspectiva de aprendizagem, ele que apenas tem 21 anos, e porque não vejo tão mais qualidade em Rolando, apenas mais 'andamento' em grandes palcos.
Carvalho - Ricardo Carvalho é, à imagem de Pepe outro dos indiscutíveis. Esperamos todos que a nível físico, a sua principal debilidade, se apresente bem, e se assim for, Portugal estará muito forte no centro da defesa.
Bruno Alves - A época do capitão do Porto não foi a melhor, e terá alguma dificuldade em ser titular se Queirós contar com Pepe como defesa central. No entanto, é preciso não esquecer a sua qualidade, o seu espírito competitivo e aquilo que já vem dando à Selecção. É, indiscutivelmente, importante.

Pedro Mendes - O pêndulo, a âncora, o geómetra. Chamem-lhe o que quiserem, mas Pedro Mendes é fundamental, quer na cobertura defensiva, que no primeiro passe, quer na destruição de jogo adversário. Mais importante do que isso, é o pivot à volta do qual gira muito do jogo da equipa. É importante.
Raul Meireles - O homem que selou a nossa qualificação, um todo o terreno muito bom nas transições, um carrilero no meio-campo. A época no Porto também não foi a melhor, mas as suas prestações na Selecção foram sempre acima da média. Se fisicamente bem provavelmente será titular.
Miguel Veloso - Esta época era importante para Veloso. A passada foi difícil, com muitos problemas, que punham em causa a sua afirmação. 2009-2010 correspondeu às expectativas e o jogador do Sporting cumpre as expectativas acerca da sua evolução. Considero-o um excelente médio, muitíssimo inteligente, com um pé esquerdo fantástico, que lhe permite marcar bons golos, ser eficaz no passe e competente em bolas paradas. Como médio-defensivo, como lateral-esquerdo ou médio centro, a importância de Miguel Veloso na Selecção será muita. Confere qualidade com e sem bola.
Tiago - época difícil para Tiago, na sequência do que tem sido desde que abandonou o Lyon. Contudo, ninguém discute a sua qualidade, e a importância que pode ter num 'plantel' por dar mais do que uma solução a nível de posição. Tem perdido alguma da capacidade com que fazia golos (embora tenha melhorado esse aspecto no Atlético de Madrid), e as suas performances por Portugal têm sido irregulares, mas se for dele extraído o melhor, é atleta para ajudar bastante a selecção. Além de que, é dos poucos que pode fazer a posição de Deco.
Ruben Amorim - Muitas dúvidas sobre a sua convocatória, nenhuma dúvida sobre a sua qualidade. Desde a época passada no Benfica onde mesmo não sendo titular indiscutível, podemos dizer tratar-se do 12º jogador. Muito bom com bola nos pés, tomando praticamente sempre a melhor decisão, seja no timing e na correcção de passe, seja na cobertura. Aparece em zonas de finalização e sabe jogar e fazer jogar a equipa. Além de que, numa estratégia onde se pretende que a equipa tenha a bola massivamente, a sua colocação como lateral direito faz todo o sentido. Importante.
Deco - O mágico tem vindo a cair de forma. A qualidade com bola está lá, intacta, mas a intensidade física caiu bastante. Contudo, numa prova curta, se a sua condição for bem gerida, ele é fundamental. Para desequilibrar, com a sua inteligência e sua qualidade. Espera-se muito de Deco. Também ele é indiscutível.
Simão - Internacionalizações em catadupa, muita experiência, importância no balneário, qualidade no campo. Não sei se Simão será titular indiscutível, provavelmente não. Mas é de uma valia muito importante, apesar de perdido algum do fulgor que apresentava há dois anos atrás. No entanto, continua a desequilibrar, é muito forte em livres directos, e contra selecções mais fortes mesmo sendo extremo, protege bem a equipa. Tem ainda a vantagem de poder jogar como vértice ofensivo de um losango, ou de um 4x1x3x2, à imagem do que fazia (bem) no Benfica de Fernando Santos.
Nani - início de época difícil, final fantástico assumindo um papel de destaque no Man Utd. A querer assumir a titularidade na Selecção e com fortes possibilidades de o fazer. Virtuosismo, irreverência, desequilíbrio, Nani pode desempenhar um papel fundamental na Selecção.

Ronaldo - É certo que uma selecção é o conjunto de 23 jogadores, mas Ronaldo é 'o jogador'. O nosso expoente máximo, a nossa maior esperança, aquele que pode desequilibrar os pratos da balança a nosso favor. Depois de uma época fantástica a nível individual, onde até ao momento em 33 jogos leva 32 golos, o Mundial pode ser a grande oportunidade para o jogador do Real reclamar para si o título de melhor jogador do Mundo. Ele acredita, Queirós acredita, Portugal acredita! Como homem mais avançado, como extremo partindo da esquerda para o meio, como segundo avançado, como homem solto, em arrancadas, explosões, livres, dribles, cantos, Ronaldo vai fazer um grande Mundial!

Danny - Depois de algum tempo lesionado, o jogador do Zenit voltou à competição e está a fazer uma excelente prova na Rússia. Como avançado mais móvel, ou jogando na linha, virtuosismo, técnica, repentismo, qualidade no passe, são características que não me fazem ter grandes dúvidas sobre a justiça da sua chamada.
Hugo Almeida - Coloco Hugo Almeida por duas ou três razões. A primeira é a completa ausência de Nuno Gomes em 2009-2010. Quem lê aquilo que escrevo sabe o quanto aprecio o jogador do Benfica, pela sua inteligência, pela sua capacidade de fazer jogar a equipa e de abrir espaços (como agradeceria Ronaldo com um bom Nuno Gomes como titular), pela sua experiência, por aquilo que deu já a Portugal. Não jogando, não pode ter aspirações. Infelizmente. A segunda razão é o facto de Hugo Almeida oferecer características totalmente diferentes daqueles que darão Danny ou Liedson. É mais posicional, remata melhor de longe, prende melhor os centrais adversários. E a terceira, é que fez uma boa época em Bremen. Pode matar muito jogo, mas pode ser importante em determinadas alturas.
Liedson - É verdade, Portugal não tem Torres. Não tem Villa, Drogba, Rooney, Milito, Tevez ou Fabiano. Ou uma série deles que podia enunciar, alguns que nem marcarão presença no Mundial. Terá Liedson, o que bem vistas as coisas, tem bastantes pontos positivos. O levezinho não vai construir muito jogo de qualidade, poderá não marcar muitos golos, mas vai abrir espaços para os colegas, vai desgastar as defesas contrárias, vai ter oportunidades surgidas do nada. Pode não ter a qualidade óptima para dar seguimento ao resto do meio-campo e ataque, mas é sem dúvida a melhor opção para o ataque. E é com ele que contamos. Quem sabe se não faz uma grande prova?

O 23º: Será um médio se Queirós acreditar que Fábio Coentrão, Paulo Ferreira e Miguel Veloso serão suficientes para cobrir a lateral esquerda, e pretender mais uma opção a meio-campo para jogar mais vezes com quatro médios. Será um defesa se Queirós contar unicamente com Ferreira para a direita e Veloso para o meio-campo.

Martins ou Moutinho - O jogador do Benfica fez uma época superior às expectativas, coloca uma intensidade elevada em jogo, é fortíssimo nas bolas paradas. O capitão do Sporting, pelo contrário, esteve bastante abaixo do que se esperava, mas é tacticamente mais capaz e tem mais ritmo de selecção. A optar, provavelmente Queirós optará pelo sportinguista, mas não me parece que a escolha seja tão linear assim.
Nuno Assis não seria de facto uma opção tão descabida. Tem sido claramente o melhor jogador do quarto classificado para baixo e tem grande mais valia técnica. Tenho contudo algumas dúvidas se apresentará bom rendimento num palco como o Mundial, mas não será de todo injusto ou surpreendente se fizer parte dos 23.
Duda ou Peixoto - Aqui é que a porca torce o rabo. Apenas se faz referência a estes jogadores por não haver definitivamente mais opções (talvez Evaldo, mas o bracarense acaba de se naturalizar e nunca sequer fez um estágio com a Selecção). Admito que definitivamente não vejo qualidade em Duda para fazer parte da Selecção, mas concebo que a necessidade possa fazer com que a sua chamada seja necessária. Duvido que Queirós não pudesse ter experimentado mais insistentemente outro jogador na lateral-esquerda, até porque Duda não é um bom extremo (posição de origem) e nunca será um bom lateral. É um jogador razoável, com experiência de Liga Espanhola. Mas nunca será uma mais valia para a Selecção. Peixoto é mais jogador. Tem mais qualidade de passe, sobe melhor, ocupa melhor o espaço, percebe melhor aquilo que o jogo, a equipa, e o adversário pedem. Mas nem conseguiu a titularidade no Benfica, onde praticamente não jogou nos últimos meses. É mais débil fisicamente e muitas vezes vira a cara à luta, o que não agrada de todo a um treinador. Opção difícil...

Nota:este texto foi igualmente publicado no Academia de Talentos.

Portugal e Queirós, rescaldo e perspectivas

à(s) 17:35

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Quando Carlos Queirós voltou a ser Seleccionador Nacional de Portugal, e embora tivesse o apoio de grande parte da nossa 'praça', desde comentadores a treinadores, passando por adeptos e presidentes, todos sabiam que a sua tarefa não seria nada fácil. Principalmente por ter de substituir Luis Felipe Scolari, brasileiro que goste-se mais ou menos, tão bons resultados trouxe a Portugal na sua passagem por cá. E contra factos, resultados desportivos, vitórias inesquecíveis, envolvimento do público com a selecção, contra isso não podem existir argumentos.

De Queirós esperava-se, não que conseguisse ter o mesmo cariz mobilizador e motivacional imprimido pelo seu antecessor, mas que pudesse reverter esse mesmo carisma de outra forma, utilizando outras competências. Nomeadamente a nível táctico onde é capaz, e a nível de trabalho de gabinete, onde poderia reorganizar de forma mais clara e produtiva todo o edifício do futebol português. Contudo, com o modelo actual para as concentrações das Selecções, por ser regra geral num curto intervalo de tempo entre jogos domésticos, o tempo que restava ao treinador era pouco para por em prática grande nuances tácticas. Os jogadores normalmente chegavam à concentração um dia depois dos jogos das suas equipas, ainda fatigados e com viagens pelo meio, e restavam a CQ (como aos outros seleccionadores, note-se) pouco mais de 4 dias de treino para colocar em prática, expor e treinar as suas ideias. Assim, por não ser o motivador que era Scolari, também por ir variando as convocatórias (algo que o brasileiro não fazia, fazendo da Selecção uma espécie de clube, mantendo o núcleo duro com uma ou outra alteração, e por isso de certa forma, consolidando os mecanismos de treino e a união de grupo), e por estar inserido num grupo difícil com os nórdicos Suécia e Dinamarca e ainda com os incómodos Húngaros, o trabalho de Queirós foi tremido.

Portugal teve uma qualificação difícil, quando já muito poucos acreditavam ser possível, por todos os factores já referidos e também, julgo por algumas opções incompreensíveis por parte do Seleccionador Nacional. Pessoalmente, e sendo certo que a posição de defesa lateral-esquerdo tem carências importantes, continuo sem perceber a insistência em Duda. Também por termos Miguel Veloso, que joga de facto melhor como médio-defensivo, mas, que mesmo fora da posição natural, terá mais rendimento que Duda. Espera-se para ver aquilo que Jorge Jesus consegue extrair de César Peixoto no Benfica, ou mesmo a afirmação de Tiago Pinto no Braga, mas não traz muito conforto pensar que na África do Sul esta carência se mantenha.
Ao mesmo tempo, as recorrentes chamadas de Edinho e Hugo Almeida (simultaneamente), são difíceis de compreender. São jogadores que não fazem a equipa jogar, que muitas vezes não entendem o seu jogo, e que, principalmente no caso do segundo, são mais finalizadores. Mas o que se pretende de um jogador deste tipo? Van Nistelrooy, Inzaghi, Dzeko, Luca Toni são atletas com este perfil, que passam grande parte do tempo à margem do jogo, mas quando têm a bola no pé, marcam golos. Os dois exemplos por mim referidos, fazem-no pouco. Agora que temos Liedson, mais matador, e quando eu ainda acredito em Nuno Gomes (porque tenho memória e sei aquilo que fez e continua a fazer sempre que é chamado, principalmente nas fases finais), porque acredito na sua capacidade de fazer jogar a equipa, não vejo grande utilidade em Almeida ou Edinho.
Batendo na mesma tecla, a de fazer jogar a equipa, pensemos em Pepe (excelente central) a trinco. Tudo bem, será uma boa medida frente a equipas de valor semelhanteao nosso, imponentes fisicamente e onde potencialmente precisemos de passar 50% do tempo de jogo em processos defensivos. Mas Pepe jogou naquela posição, por exemplo, frente à Albânia, e na Luz frente à Bósnia. A crítica é unânime: Pepe foi o melhor jogador em campo no primeiro jogo do Play-off, recuperou imensas bolas, destruiu imenso jogo adversário, etc etc. É tudo verdade, Pepe fez um excelente jogo, é positivamente agressivo, rouba bem a bola, mas não a sabe conservar. E se a equipa tem um jogador numa zona nuclear, que não sabe conservar a bola, que não a sabe circular, é natural que a perca muitas vezes. E que portanto haja bastante jogo contrário para Pepe destruir. Num jogo perante uma equipa bastante inferior (a segunda mão provou-o), onde precisávamos de marcar golos, a sua titularidade naquela posição foi um erro. Penso em Meireles, Veloso, Moutinho ou Pedro Mendes (na altura lesionado) para jogar ali e vejo Portugal a ter a bola com mais critério, a dominar. E a estar mais perto do golo.
Esta é a cultura das duas equipas mais fortes do Mundo, Barcelona e Espanha, ter a bola. Massivamente. Porque tendo a bola, além de estarmos mais perto de marcar, defendemos melhor, porque a equipa adversária está atrás dela. Valores superiores a 60% de posse de bola e os bons resultados das duas equipas referidas por mim, não são coincidência. Portugal deve perceber essa tendência, lembrar-se da sua matriz, ter a bola, jogá-la de pé para pé (tem jogadores para isso) e assim acredito que possa estar mais perto das vitórias.

Mas nem tudo foram maus sinais no trabalho de Queirós, antes pelo contrário. Ultrapassadas estas questões, temos razões para estar bastante confiantes numa excelente prestação na África do Sul. Primeiro porque o Seleccionador terá três semanas de trabalho com os jogadores antes da prova, e terá assim tempo de colocar as suas boas convicções em prática. É uma boa ideia querer abandonar a estandardização do 4x3x3 ou do 4x2x3x1 e utilizar como sistema alternativo o 4x4x2 em losango ou o 4x1x3x2. Actualmente esta é uma medida necessária, primeiro porque os melhores treinadores e as melhores equipas são aquelas que durante o jogo são capazes, de adaptar com qualidade, a sua disposição táctica a diferentes circunstâncias. E depois porque a equipa adversária nunca saberá com que esquematização do adversário poderá contar.
Igualmente a nível da formação, onde vem explanando boas ideias, para que o futebol em Portugal tenha futuro. Houvesse um reformista e alguém com boas ideias como Queirós a cada 20 anos no nosso futebol, e pelo menos a nível de Selecções poderíamos estar descansados.

Quanto à próxima grande prova em que vamos participar, acredito que também. Até porque Ronaldo fará um Mundial excepcional, acredito. E se Ricardo Carvalho, Bosingwa, Bruno Alves, Pepe, Veloso, Moutinho, Meireles, Tiago, Simão, Nani, Deco, Nuno Gomes e Liedson, entre outros, souberem acompanhá-lo, e vão saber, então somos capazes de lá para Junho ter muitas alegrias.
Ainda assim será preciso não esquecer que Espanha, Brasil e Inglaterra lá estarão como melhores selecções do Mundo da actualidade, que Itália e Alemanha se agigantam sempre nas fases finais, que a Argentina é sempre a Argentina e tem Messi, que a Holanda teve 10 vitórias em 10 jogos de qualificação, e que, pelo facto de o Mundial se realizar em África, as mais fortes selecções africanas (Gana e Costa de Marfim) possam também ter uma palavra a dizer. Todos estes são factores com que temos de contar. Mas ainda assim, Portugal vai dar que falar.

O declínio de uma Selecção

à(s) 01:43

terça-feira, 8 de setembro de 2009


Quando no caminho de Portugal para o Mundial de 2010, se atravessaram selecções de classe média-alta europeia, como Dinamarca e Suécia, percebeu-se que o caminho não seria fácil. Contudo, o recente trajecto da selecção portuguesa nos últimos 4 anos, um dos melhores de sempre (senão o melhor), dava a confiança necessária de um apuramento que mais tarde ou mais cedo chegaria.
Mais ainda, mesmo tendo saído o competente Scolari, chegou Queirós (cuja escolha apoiei), homem conhecedor de todo o edifício da Federação, dos seus problemas, das suas virtudes, e alguém que a nível táctico tem boas competências consolidadas com o tempo e com experiências interessantes em diversos clubes.

Hoje, percebe-se que a chegada de Queirós foi um erro, mais por culpa própria, do que por culpa de quem o escolheu - Madail, que mesmo tendo uma péssima liderança federativa, não pode ser fortemente responsabilizado por uma escolha, que seria a mesma da esmagadora maioria dos portugueses.
Actualmente, não existem grandes dúvidas que Queirós falhou redondamente. Portugal pode chegar ao Mundial (e ainda acredito que chegará), Portugal poderia até vencer o Mundial, mas a partir do momento em que a equipa deixou de depender de si própria a 3 jornadas do final, de um grupo que mesmo não sendo fácil, não é 'de morte', o balanço não pode ser bom.

E não pode ser bom porque o Seleccionador se esqueceu do primeiro objectivo: a qualificação. Não deixa de ser curioso que apenas para esta dupla jornada Queirós tenha feito aquela que considero a melhor convocatória, apostando em jogadores de qualidade que poderiam permitir o sucesso imediato. Mas, fê-lo apenas quando é pressionado pelo tempo, pelos resultados, pelos dirigentes, pelos adeptos.
Para CQ, o percurso foi o inverso do razoável: experiências atrás de experiências quando a qualificação estava no início e longe de estar garantida, regresso à consolidação, aos melhores dos melhores, quando as perspectivas são negras.

Se as experiências efectuadas foram sempre duvidosas (e nesta premissa não incluo jogos particulares), as actuais certezas de Queirós são...incertezas! Assim se viu na partida do passado Sábado, onde o treinador fez aquilo que se compreende no adepto de bancada e não se pode admitir num treinador - ou seja, mudar em função do resultado e não em função dos sinais que a equipa dava dentro do campo.
Depois, ao contrário do que tenho lido, sou da firme opinião que a aposta em Liedson como primeira opção para rebater o resultado é errada. Não pela maior ou menor qualidade do 'levezinho', mas essencialmente porque continuo com grandes dificuldades para perceber como é que Queirós não percebe que Nuno Gomes, jogando mais ou jogando menos, continua a ser, dentro da nossa conjectura, o melhor jogador para actuar como avançando, aumentando o rendimento da equipa em geral e de Ronaldo em particular. De Nuno Gomes não se esperam golos atrás de golos da sua autoria, mas pode e deve esperar-se um aumento da quantidade e qualidade de situações de concretização por parte da equipa, precisamente pela sua inteligência, de arrastar marcações, de abrir espaços, de jogar ao primeiro toque.
Liedson mesmo marcando o golo do empate, teve uma prestação quase nula até cerca dos 80 minutos. Não é de estranhar esse facto, visto que acabara de cumprir a primeira concentração, os primeiros treinos com o grupo, visto até que tem feito exibições não mais do que razoáveis. O que é de estranhar é que tenha sido o jogador do Sporting a primeira opção do seleccionador nacional no momento mais complicado pelo qual passou Portugal no apuramento. Daqui se percebe um pouco o estado de espírito de CQ.

Agora resta a Portugal vencer os três jogos que faltam. Se Queirós continuar a recorrer a jogadores como Eduardo, Rui Patrício, Beto, Bosingwa, Miguel, Bruno Alves, José Castro, Pepe, Ricardo Carvalho, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Tiago, Maniche, Deco, Simão, Danny, Nani, Ronaldo, Nuno Gomes e Liedson, se tiver a sorte de ver a afirmação de Quaresma no Inter, de César Peixoto no Benfica, de Hugo Viana no Braga, de Maniche no Colónia, eventualmente até de Postiga no Sporting, ou o recuperar da lesão de Paulo Ferreira no Chelsea e se com estes quiser construir e solidificar um grupo para tentar chegar ao Mundial e eventualmente cumprir com sucesso uma participação na prova, ao mesmo tempo que vai integrando gradualmente um ou outro jogador dos sub-21, as perspectivas de sucesso aumentam.
Se ao contrário pretender manter experiências incompreensíveis e alterações de sistema e modelo de jogo constantes, então dará definitivamente razão aqueles que afirmam que será realmente útil num gabinete, projectando e planeando todo o edifício da nossa Selecção, deixando o treino para alguém mais competente.

Ao contrário do que se tem afirmado, Portugal tem ainda sólidas aspirações de estar presente na fase final do Mundial. Essencialmente porque ao contrário do que se tem dito, a Dinamarca não poderá (repetindo o tristemente célebre jogo do Euro-2004) facilitar com a Suécia, uma vez que uma derrota caseira poderá atirar os dinamarqueses para o Play-Off onde poderá encontrar selecções fortes como França, Croácia ou Rússia. Assim sendo, resta-nos impreterivelmente vencer as nossas partidas, esperar por uma derrota da Suécia ou mesmo por um empate - transferindo a decisão para a diferença de golos. Vamos acreditar. Ou, excluindo 2004-2008, não fosse essa a nossa sina.