Jesualdo Ferreira conquistou uma passagem (para si) inédita, aos quartos de final da prova rainha do futebol. Absolutamente por mérito próprio. Se nas duas últimas épocas (principalmente contra o Schalke) a passagem tinha ficado perto, nesta, o Porto mostrou uma aprendizagem com os erros dos últimos dois anos, que lhe valeram a passagem. Frente a um, ofensivamente, excelente Atlético de Madrid, o Porto foi sempre superior ao longo dos 180 minutos. Mesmo que não tenha traduzido essa superioridade em golos, nunca a passagem esteve comprometida.
Depois, a equipa mostrou duas caras importantes nestas competições. Se na primeira mão, colocou sempre um ritmo alto, intenso e forte no jogo, chegando à baliza inúmeras vezes e desequilibrando não raras vezes o adversário, hoje, soube sempre controlar a partida, com a bola longe da sua baliza, ao mesmo tempo que, perigava a do adversário. Ou seja, uma equipa com 'perfume' em Madrid, cínica no Dragão. Nesta afirmação de qualidade em relação a outras épocas, um nome salta à vista: Cristian Rodriguez. E a capacidade com que dota a equipa, de variar entre o 4x3x3 e o 4x4x2, essencial na Europa.
Para os quartos de final, o Villarreal concerteza não sairá da cabeça dos dragões, como o adversário ideal. O submarino amarelo é claramente o parente pobre dos oito maiores da Europa, versão 2008/2009. Não sendo contudo um adversário fácil, ou não fosse actualmente o 4º classificado da Primeira Divisão Espanhola.
Mais a Norte, em Inglaterra, frente à actual melhor equipa do Mundo, e com um 0x0 trazido da primeira mão, que não daria conforto a nenhuma das equipas, o Inter, naturalmente que caiu. Mas caiu de pé, porque mesmo sendo inferior ao Manchester, conseguiu, em alguns momentos do jogo, por em sentido os ingleses, contando mesmo com duas bolas nos ferros (Ibrahimovic e Adriano).
Há já quem questione a continuidade de Mourinho à frente do Inter, no final da época. De facto Mancini deixou um legado de domínio interno. Pela falta de afirmação europeia do Inter, passou a sua saída e consequente contratação do treinador português. Contudo, há algumas coisas que se devem perceber.
Em primeiro lugar, relembrar que, mesmo não tirando mérito a Mancini, o sucesso do Inter começou a ser construído na sequência do Calciocaos. Com Juventus e Milan arredados da disputa. O panorama imposto a Mourinho é diferente. Chegou, é certo, a uma equipa campeã, mas com os principais adversários (Juventus e Milan) em trajectória ascendente.
E depois, o mais importante. Olhando para o plantel e para a equipa do Inter, facilmente se constata que aquela não é uma equipa à imagem de Mourinho. Desde a falta de pensadores no meio-campo, a toda a ala esquerda, e principalmente no centro da defesa, onde tem existido (por lesões e faltas de confiança), uma rotatividade quase suicida.
Por todas estas razões, não me parece que a continuidade do treinador deva sequer ser posta em causa. Mourinho ao seu estilo, não tem feito muitos amigos em Itália, tem criado inúmeras polémicas, mas a sua competência e o seu bom trabalho, num plantel envelhecido (Toldo, Cordoba, Samuel, Materazzi, Zanetti, Vieira, Figo, Cruz e Crespo acima dos 30 anos) e em termos qualitativos, demasiadamente curto, está à vista.
Em 2009/2010, com o rejuvenescimento anunciado do Milan, e a estabilização da Juventus, três épocas depois do regresso à Série A, o Calcio será provavelmente o mais apaixonante dos últimos anos. Mourinho concerteza estará à altura do desafio, e com os jogadores certos, poderá também atacar a Liga dos Campeões.



