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Mourinho cai, Jesualdo sorri

à(s) 04:10

quinta-feira, 12 de março de 2009


Em mais uma eliminatória da Liga dos Campeões que confirma as equipas inglesas como dominadoras no futebol europeu (passaram todas), e no último par de anos, a decadência das italianas (caíram todas), é de dois treinadores portugueses que vamos falar.

Jesualdo Ferreira conquistou uma passagem (para si) inédita, aos quartos de final da prova rainha do futebol. Absolutamente por mérito próprio. Se nas duas últimas épocas (principalmente contra o Schalke) a passagem tinha ficado perto, nesta, o Porto mostrou uma aprendizagem com os erros dos últimos dois anos, que lhe valeram a passagem. Frente a um, ofensivamente, excelente Atlético de Madrid, o Porto foi sempre superior ao longo dos 180 minutos. Mesmo que não tenha traduzido essa superioridade em golos, nunca a passagem esteve comprometida.
Depois, a equipa mostrou duas caras importantes nestas competições. Se na primeira mão, colocou sempre um ritmo alto, intenso e forte no jogo, chegando à baliza inúmeras vezes e desequilibrando não raras vezes o adversário, hoje, soube sempre controlar a partida, com a bola longe da sua baliza, ao mesmo tempo que, perigava a do adversário. Ou seja, uma equipa com 'perfume' em Madrid, cínica no Dragão. Nesta afirmação de qualidade em relação a outras épocas, um nome salta à vista: Cristian Rodriguez. E a capacidade com que dota a equipa, de variar entre o 4x3x3 e o 4x4x2, essencial na Europa.
Para os quartos de final, o Villarreal concerteza não sairá da cabeça dos dragões, como o adversário ideal. O submarino amarelo é claramente o parente pobre dos oito maiores da Europa, versão 2008/2009. Não sendo contudo um adversário fácil, ou não fosse actualmente o 4º classificado da Primeira Divisão Espanhola.

Mais a Norte, em Inglaterra, frente à actual melhor equipa do Mundo, e com um 0x0 trazido da primeira mão, que não daria conforto a nenhuma das equipas, o Inter, naturalmente que caiu. Mas caiu de pé, porque mesmo sendo inferior ao Manchester, conseguiu, em alguns momentos do jogo, por em sentido os ingleses, contando mesmo com duas bolas nos ferros (Ibrahimovic e Adriano).
Há já quem questione a continuidade de Mourinho à frente do Inter, no final da época. De facto Mancini deixou um legado de domínio interno. Pela falta de afirmação europeia do Inter, passou a sua saída e consequente contratação do treinador português. Contudo, há algumas coisas que se devem perceber.
Em primeiro lugar, relembrar que, mesmo não tirando mérito a Mancini, o sucesso do Inter começou a ser construído na sequência do Calciocaos. Com Juventus e Milan arredados da disputa. O panorama imposto a Mourinho é diferente. Chegou, é certo, a uma equipa campeã, mas com os principais adversários (Juventus e Milan) em trajectória ascendente.
E depois, o mais importante. Olhando para o plantel e para a equipa do Inter, facilmente se constata que aquela não é uma equipa à imagem de Mourinho. Desde a falta de pensadores no meio-campo, a toda a ala esquerda, e principalmente no centro da defesa, onde tem existido (por lesões e faltas de confiança), uma rotatividade quase suicida.
Por todas estas razões, não me parece que a continuidade do treinador deva sequer ser posta em causa. Mourinho ao seu estilo, não tem feito muitos amigos em Itália, tem criado inúmeras polémicas, mas a sua competência e o seu bom trabalho, num plantel envelhecido (Toldo, Cordoba, Samuel, Materazzi, Zanetti, Vieira, Figo, Cruz e Crespo acima dos 30 anos) e em termos qualitativos, demasiadamente curto, está à vista.
Em 2009/2010, com o rejuvenescimento anunciado do Milan, e a estabilização da Juventus, três épocas depois do regresso à Série A, o Calcio será provavelmente o mais apaixonante dos últimos anos. Mourinho concerteza estará à altura do desafio, e com os jogadores certos, poderá também atacar a Liga dos Campeões.

Uma final antecipada

à(s) 16:57

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


É hoje. Quando as bolas do sorteio da Liga dos Campeões designaram em sorte o confronto entre Inter e Manchester Utd, o mundo do futebol entrou numa contagem decrescente para este dia. O dia em que se confrontam, primeiramente no Giuseppe Meazza, os dois melhores treinadores das suas gerações, juntando mais um capítulo a um 'duelo' onde Mourinho tem levado a melhor. No campo, defrontam-se Ronaldo e Ibrahimovic, que juntamente com Messi, Gerrard e Ronaldinho formam o quinteto de luxo dos que mais gosto de ver jogar.

Digam o que disserem esta é uma final antecipada. O Barcelona ficou desta vez de fora, porque em campo só cabem duas equipas. O futebol é pródigo em surpresas, mas não estarei longe da verdade se disser que o vencedor deste duelo tem grandes probabilidades de jogar com os culés, se não antes, na final. E só lamento que um destes gigantes tenha de ficar de fora tão cedo.
Provavelmente dir-me-ão que o Inter não pratica um futebol espectacular, nem sequer fez uma boa fase de grupos. É de facto verdade. Mas não tenho qualquer dúvida que a equipa de Mourinho se agiganta neste tipo de confrontos. Onde o seu cariz motivacional é de forma mestra, canalizado pelo treinador português. E depois não esquecer duas coisas: a primeira, o meio-campo do Inter, constituído por Zanetti, Cambiasso, Muntari e Stankovic, tendencialmente controlador, algo muito importante nestas competições. E depois, é indesmentível quando se afirma que as equipas de Mourinho estão sempre um passo mais perto da vitória que o adversário.
Mas do outro lado está o Manchester Utd. Esta época tem-se falado muito, e bem, no Barcelona. No entanto, continuo a considerar os reds, a melhor equipa da actualidade. Por duas razões: consegue estar praticamente ao nível do Barcelona em espectacularidade, consegue estar praticamente ao nível do Inter em termos de controlo do jogo. É uma equipa que consegue apresentar duas faces distintas, sem nunca perder a sua matriz. Completíssimos a todos os níveis. Hoje veremos um Manchester mais contido, não sei se com Giggs até no lugar habitual de Berbatov. Em Old Trafford veremos uma equipa avassaladora. Este é o seu equilíbrio quase perfeito.

Também por isso, dou ligeira vantagem à equipa de Alex Ferguson. Mas hoje não há Vidic. E Evans está debilitado fisicamente. Deve aparecer O'Shea ao lado de Ferdinand. O que frente a Ibrahimovic e Adriano pode ser complicado. De uma coisa não existem dúvidas: será um grande, grande jogo. Mesmo que em repetição, divirtam-se!

Falta um pensador a Mourinho

à(s) 19:32

domingo, 18 de janeiro de 2009


Aqueles que conhecem bem o trajecto de Mourinho, terão (como eu), dito que para uma equipa treinada pelo português, ter 6 pontos de vantagem sobre o segundo classificado na entrada do novo ano, seria uma vantagem praticamente inalcançável.

A verdade é que parece que nos enganamos. Caso a Juventus vença hoje no reduto da Lázio (o que também não é nada fácil), o Inter passará a ter apenas 1 ponto à maior sobre os comandados de Ranieri. Quando ainda falta muito campeonato.

Olhando rapidamente para a equipa de Mourinho, detectamos que algo não está totalmente à sua medida. Primeiramente, pela rotatividade imensa que tem feito no centro da defesa, onde praticamente não repete uma dupla de centrais. Se é verdade que no início da época esse facto se deveu a uma onda de lesões, actualmente já não será bem assim. Rivas, Burdisso, Materazzi, Samuel e Cordoba, não serão os defesas de sonho do português. Não referi Chivu propositadamente, porque me parece o preferido de Mourinho, além de o considerar o melhor. Apesar de o romeno ser também muitas vezes desviado para a esquerda ou para a zona central do meio campo.

Depois, no meio-campo, se é óbvio que Vieira já está muito longe do jogador que já foi, é Zaneti quem dita as leis, juntamente com Muntari, Cambiasso e Stankovic. Olhando para estes nomes, e para a sua colocação no terreno, e qualidades técnicas, facilmente constatamos que falta alguém que dê à equipa mais capacidade de ter a bola, que sirva melhor os avançados, que desequilibre. Um jogador à imagem de Deco, simultaneamente mágico e operário, elemento fundamental nos sucessos europeus do Porto de Mourinho. Um jogador que acredito terá faltado ao seu Chelsea para chegar mais longe na Liga dos Campeões, embora houvesse Lampard, jogador que também encaixaria como uma luva neste Inter.
A falta de imaginação do meio-campo agrava-se sobretudo quando vemos que Figo, principalmente após lesão prolongada, não tem ritmo nem intensidade para ser indiscutível na equipa. Apesar de se notar a diferença quando está em campo. A equipa pensa melhor, sente-se mais confortável, a bola chega à frente mais vezes com qualidade. Algo que Mancini e Quaresma deveriam providenciar, mas não o estão a conseguir. É aliás pelo seu baixo rendimento que Mourinho abandonou o 4x3x3 que pretenderia estabelecer, passando ao actual 4x4x2.

Com dois homens na frente, se o grandísismo Ibrahimovic é indiscutível, de Adriano, Cruz e Crespo já não se poderá dizer o mesmo. O primeiro porque tarda em encontrar-se psicologicamente, de forma a apresentar um rendimento constante, e os argentinos porque se encontram já na trajectória descendente das suas carreiras. Obinna, um jovem nigeriano, é um caso diferente. É um jogador explosivo, com muitas qualidades técnicas, mas que ainda precisa de aprendizagem para se afirmar num futebol como o Calcio.

Sabemos todos as condicionantes do mercado de Inverno, mas é indiscutível que o Inter necessita de um 'criativo' se pretender explorar todas as suas capacidades. Mourinho naturalmente que o saberá, assim como sabe que, se não o conseguir, a equipa terá muito mais dificuldades. Certo certo, é que estou convencido que para 2009/2010, vai haver uma forte mudança de rostos no Giuseppe Meazza.
Apesar de tudo, continuo a considerar o Inter o principal favorito à conquista do Scudetto, fazendo companhia às minhas apostas do top 5 dos campeonatos europeus (Barcelona, Bayern, Lyon e Manchester United). Também porque a Juventus ainda está em crescimento depois do ostracismo da segunda divisão, porque a Roma começou mortiferamente mal o campeonato, e porque esta é a segunda e última época de transição do Milan, para um regresso que adivinho fortíssimo, voltando ao que nos habituou.

Outra vez Ibrahimovic e o Inter destaca-se

à(s) 17:28

domingo, 14 de dezembro de 2008



Ibrahimovic já é um cliente habitual deste espaço. Hoje deixou mais um brilhante apontamento para os amantes do futebol. Num jogo contra o Chievo (último classificado), onde o Inter voltou a deixar um sinal preocupante. Os comandados de José Mourinho parecem por vezes deter um complexo de superioridade que os faz apanhar alguns sustos. Foi assim com a Reggina, com o Anorthosis, Panathinaikos, Lecce e agora Chievo.
Hoje, o Inter esteve a vencer por 2x0, mas permitiu o empate em menos de 20 minutos. Este facto obrigou Mourinho a lançar Crespo, Balotelli e Luís Figo, que diga-se foi juntamente com Ibrahimovic, o grande responsável pela vitória do clube milanês. O português parece estar a adquirir cada vez mais ritmo e confiança, e no tempo em que esteve em campo, formou uma ala direita muito forte com Maicon, criando sucessivos desequilíbrios.

Mais logo defrontam-se os segundos classificados, Juventus e Milan. O Inter tem actualmente 9 pontos de vantagem sobre estas duas equipas, e mais logo a candidatura de José Mourinho ao título sairá ainda mais reforçada. O português continua a dar cartas ao mais alto nível, num campeonato que este ano tem sido superior à história recente do Calcio, e onde se prevê uma luta intensa pelos lugares europeus.
Se Inter, Juventus e Milan irão certamente lutar pelo título (actualmente com mega-favoritismo para os primeiros), Napoles, Fiorentina, Génova, Lazio, Roma, Udinese e quiçá até Atalanta, Sampdoria e Palermo travarão uma disputa sem tréguas pelas posições cimeiras.

Isto é Ibrahimovic

à(s) 11:13

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



Apesar de tudo o golo soube a pouco, o Inter sofreu a segunda derrota consecutiva e o terceiro jogo sem ganhar na Liga dos Campeões, e Mourinho acabou a afirmar que para os oitavos de final, os milaneses mereciam em sorte Manchester Utd ou Barcelona.
Continua a faltar ao Inter a afirmação europeia das suas capacidades, uma das principais razões que levou Mancini ao despedimento.
No entanto, José Mourinho ainda tem muitos trunfos para lançar, e sabemos como prepara excepcionalmente as suas equipas, principalmente nos confrontos a doer.