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Adiós Benfica, por Quique Sanchez Flores

à(s) 02:11

terça-feira, 9 de junho de 2009


Hoje chegou a confirmação oficial do que há muito se previa. Por mais que ultimamente se tenha falado bastante nas maiores perspectivas de sucesso que a continuidade oferece em relação à mudança, a verdade é que a permanência de Quique Flores no comando do Benfica era já um produto com prazo de validade extinto.
Por muitas razões. Pela conjectura em que navega o clube vai para duas décadas, pelo percurso da equipa bastante abaixo das expectativas. Mas se, por exemplo, o despedimento de Fernando Santos me pareceu prematuro e contra-natura, assim não é com Quique. Não que o espanhol não tenha boas ideias ou não seja um bom profissional. Não que o Benfica não tenha evoluído no que diz respeito ao profissionalismo da estrutura para o futebol, ou na metodologia científica aplicada no processo de treino. Mas sim porque o espanhol revelou sempre um desconhecimento profundo do nosso futebol, que nunca demonstrou abertura para contrariar. A equipa manteve-se sem qualquer evolução desde o início da época, e essa é a maior crítica que se pode fazer a um treinador.

Na perspectiva de Rui Costa, acredito que a decisão não tenha sido fácil. Precisamente porque no final da sua primeira época como director desportivo foi obrigado a abdicar do 'seu' treinador. O homem que acreditava, aquando do estudo do seu perfil, ser o mais indicado para devolver o sucesso ao Benfica. Assim não foi. Obviamente que soluções de continuidade serão mais aconselháveis, mas não quando não são apresentadas perspectivas de evolução, ou no mínimo de continuação de bom trabalho. Não houve sequer uma evolução na ponta final da temporada, algo que acredito poderia fazer valer a continuidade do espanhol. Tal não aconteceu, e o desfecho foi o cenário mais óbvio.

O próximo treinador será muito provavelmente Jorge Jesus. No campo, é um treinador de top. Assim comprovam os discursos dos seus ex-jogadores, os resultados e as exibições das suas equipas. Mas para o sucesso muitas vezes tal facto não é suficiente. Em primeiro lugar, Jesus terá de evoluir a nível do discurso. É certo que o bom futebol vale mais do que um grande discurso (Quique Flores é disso um bom exemplo, inversamente), no sentido de aproximar os adeptos da equipa, mas principalmente na fase inicial será importante passar a mensagem. Depois a estrutura para o futebol terá que ser mais presente, mais solidária nos maus momentos, ao contrário do que aconteceu pontualmente com Quique nesta época.
Esse é o segredo de uma equipa vencedora. Começa antes da entrada em campo, na preparação, na estrutura que suporta os craques, no profissionalismo, no método, na segurança que permite ao treinador centra-se apenas nas suas funções: treinar.

Até hoje muitas críticas têm sido feitas pelo facto de o Benfica contratar jogadores antes da escolha do treinador. Sou completamente contra essas opiniões. Elas podem ser feitas na eventualidade de não haver uma ideia de jogo definida para o clube. Acredito que Rui Costa a tenha. E as contratações, salvo ajustes pontuais ou uma ou duas exigências para potenciar o modelo, não devem ser feitas de acordo exclusivamente com os desejos do treinador. Devem sim, estar de acordo com o que se pretende para o clube, baseando-as em opiniões avalizadas a nível técnico-táctico por alguém com conhecimento suficiente de futebol (segundo se consta discutidas entre Quique e Rui Costa) e suportadas pelo departamente de prospecção.
Apesar de tudo, algo continua a falhar no Benfica. A excessiva 'ligação' a certo tipo de empresários, e a, até agora, indisfarçável predilecção pelo mercado sul-americano em detrimento do português. Factos estranhos, especialmente quando se aproxima a lei do '6+5'.

Nova encruzilhada no Benfica

à(s) 02:30

segunda-feira, 13 de abril de 2009


Todos os que seguem futebol com maior ou menor atenção sabem como tem sido o Benfica das últimas (quase) duas décadas. Sem querer ser pouco rigoroso e procurando não fugir à verdade, o facto é que existe uma pré-época onde jornais e dirigentes vendem ilusões, um início de temporada onde o entusiasmo está no auge e vai decrescendo com o passar dos meses e dos jogos. No final do percurso, por entre uma ou outra taça conquistada, renasce a fé no sentido de que a epoca seguinte será a do grande êxito.

Êxito que em futebol não nasce por obra do acaso. Por isso o campeonato, uma prova de regularidade, onde os mais bem preparados vencem no final. E o absolutamente contra-natura jejum de títulos no Benfica, tem essencialmente nascido de falta de preparação/competência para recolocar o clube no caminho do sucesso. O que facilmente se constata pelo 'corropio' de treinadores nas últimos tempos.
É certo e sabido que desde Eriksson que nenhum técnico consegue completar duas épocas à frente da equipa. Alguns por manifesta incompetência, outros pela sede de vitória imediata que existe num clube grande. Ora, se a estabilidade é um dos caminhos mais curtos para o sucesso, não é difícil perceber parte das razões para o insucesso do clube.

Mas Quique Flores tem de certa forma contrariado todos estes conceitos, incluindo alguns mais universais no mundo do futebol. O Benfica desta época (exceptuando algum desgaste motivado pelas questões de justiça desportiva) parece ter sido bem erigido. A direcção desportiva teve provavelmente a melhor prestação de mercado dos últimos anos, o treinador contratado dava boas indicações. Forte na metodologia, forte na teoria, não pode haver dúvidas de que Quique Flores profissionalizou e dotou a estrutura para o futebol de meios mais capazes e avançados.
Contudo, dentro das quatro linhas, quando as combinações, a solidez, a motivação, os golos, são a teoria que passa à prática, Quique falhou.
Falhou porque 9 meses após a chegada ao Benfica, afirma que a equipa maioritariamente não joga como pretende. Falhou porque o Benfica raramente apresentou um futebol em consonância com o seu estatuto. Falhou tacticamente porque nunca demonstrou capacidade em apresentar um modelo alternativo ao seu 'hispânico' 4x4x2, que cedo se percebeu não resultar. Falhou porque mostra já alguma desmotivação, porque perdeu o seu estado de graça, e porque já nem nas conferências de imprensa tem conseguido boas exibições. Falhou porque o Benfica saiu cedo de cena na UEFA, num grupo acessível, porque saiu cedo da Taça de Portugal, porque perdeu cedo (a 7 jornadas do fim) as hipóteses de lutar pelo título. Provavelmente falhará porque o segundo grande objectivo (a Liga dos Campeões) está a 4 pontos de distância, quando há apenas 6 jornadas em disputa. Falhou porque nunca conseguiu tirar o melhor rendimento dos seus jogadores.
Ou seja, Quique mesmo que em processos de treino, de aprendizagem, de logística, tenha trazido qualidade ao clube, não a soube transportar para o local onde as épocas se decidem e tudo faz sentido. Disse que o espanhol tem contrariado alguns conceitos universais no mundo benfiquista em particular, do futebol em geral. Porque o treinador do Benfica, demonstra conhecimentos suficientes para não poder ser considerado uma má aposta de Rui Costa. Mas ao director desportivo do Benfica, importa perceber se esses conhecimentos se esgotam na teoria, ou se o 'seu' treinador quis, persistente ou inconscientemente, testar até ao fim (com todas as consequências que para o clube daí advieram) o modelo e o sistema que defende. E nesse sentido, pensar na continuidade do técnico. Ou pelo contrário, voltar à história recente do clube, e contratar um novo timoneiro.

Ontem, curiosamente, Quique experimentou as maiores sensações de antipatia desde que está no Benfica. Num dos melhores jogos da equipa. Só que este Benfica, também contraria uma das verdades universais do futebol: não conseguiu vencer, mesmo jogando bem. Precisamente o oposto do que aconteceu a semana passada na Amadora, e do que, regra geral, vem acontecido na maioria dos jogos. Esta derrota não é culpa do espanhol. O Benfica construiu oportunidades e somou volume de jogo ofensivo suficiente para sair da Luz com uma vitória. Mas, para pouca sorte do espanhol, a sua equipa já transportava consigo uma margem de erro igual a zero. Fruto de jogos pouco conseguidos, de resultados indesejados, de opções duvidosas.
Repito, o Benfica fez um dos melhores jogos da época. Não que tenha sido um jogo extraordinário, mas a fasquia exibicional não estava também muito alta. A verdade é que se olha para a equipa e se vê Ruben Amorim no centro, permitindo à equipa respirar melhor, ter mais critério na posse de bola, fazendo-a circular com mais qualidade. Ao mesmo tempo que não perde capacidade de pressionar o adversário, embora nesse aspecto a diferença entre Katsouranis e Carlos Martins seja considerável. Numa época, Ruben Amorim e Katsouranis co-existiram 3/4 partidas no centro do meio-campo da equipa.

Depois, o 'labirinto Aimar'. O argentino fez provavelmente o melhor jogo com a camisola do Benfica. Em que posição? Naquela onde no futebol actual jogam os elementos mais capazes de desequilibrar: colados à linha contrária ao seu pé dominante. Exemplos? Messi, Robben, Ribery ou Ronaldo. Para aproveitar fortes movimentos interiores, confundindo marcações, arrastando defesas. Há contudo uma diferença: os laterais. Daniel Alves, Sérgio Ramos, Lahm ou Evra. Quatro laterais de forte propensão ofensiva, capazes de alargar o jogo da equipa, com capacidade de chegar à linha para cruzar. No Benfica não é assim. David Luiz é único jogador do plantel capaz de desempenhar com qualidade a posição de lateral esquerdo (mérito de Quique), mas é destro, e privilegia também ele movimentos interiores. É certo que ontem realizou uma boa partida, aparecendo bastantes vezes na área contrária. Mas, em condições normais, ao invés de alargar o jogo, afunila-o. Mais o 'labirinto Aimar se adensa' e se constata que o plantel do Benfica não foi bem formado, quando se vê que com Reyes e Di Maria, é na extrema esquerda um dos lugares em que o Benfica melhor está servido individualmente.
Á direita, Balboa é a única solução, quando seria importante um jogador de valia indiscutível para aquele flanco. Frente à Académica foi o Reyes o homem que partia da direita, e que fazia o mesmo que Aimar e David Luiz no lado esquerdo: aproximava-se tendencialmente do centro.

O Benfica desta época, é, olhando aos resultados, outro erro de casting. Há agora uma tarefa muito difícil para Rui Costa, no sentido de perceber as pistas dadas pela equipa, e pelo seu técnico. De perceber se vale a pena, neste caso específico, olhar a ciclos equipa-treinador de dois/três anos. E escolher entre duas manobras potencialmente arriscadas: a continuidade de Quique ou uma nova 'revolução'.

Dinâmica Quique, dinâmica!

à(s) 22:29

domingo, 25 de janeiro de 2009


6aF chuvosa em Lisboa. No estádio do Restelo não era excepção, e esse facto podia facilmente constatar-se pelo estado do relvado. Pesado, lento, sem muita disposição para o futebol. Em campo duas equipas com estados de espírito diferentes. Os novos guerreiros do Belenenses de Pacheco, a lutar por uma segunda volta melhor, mais tranquila. O Benfica de Quique Flores, que continua a tentar encontrar-se a cada jogo que passa, e que tentava virar o campeonato na liderança.

Confesso que tentei até ao limite não criticar o espanhol. Principalmente porque lhe reconheço boas ideias e porque me revejo na sua postura, tranquila, positiva, conciliadora. O limite era a primeira volta. Onde, ao fim de 16 jogos, reconheça-se, que apesar de tudo o Benfica está a um ponto da liderança, num campeonato atípico. Mas as perspectivas, para os principais candidatos ao título parecem-me hoje diferentes.
O Porto, primeiro classificado, é uma equipa de certa forma irregular. Capaz do melhor e do menos bom. Tem debilidades importantes na defesa, mas ofensivamente é uma equipa fortíssima, criando muitas oportunidades de golo, apesar de alguma falta de capacidade para marcar o ritmo de jogo.
O Sporting é uma equipa muito equilibrada. Talvez não consiga o muito bom, mas apresenta sempre um rendimento elevado, controla bem o jogo, forte defensivamente e suficiente ofensivamente.
O Benfica não apresenta as debilidades defensivas do Porto. Mas fica muito longe do seu volume ofensivo. E depois, ao contrário do Sporting, não é propriamente uma equipa equilibrada, sendo aliás, excessivamente 'curta'.

Já inúmeras vezes foi diagnosticada (e bem) a escassez de soluções ofensivas do Benfica. Quase sempre bola parada, ou em alternativa, bola nas costas da defesa, aproveitando Suazo. O problema é que as primeiras, são um complemento fundamental no futebol actual, mas numa equipa grande não deveriam passar disso - um complemento. Quanto à segunda, toda a gente em Portugal percebeu que o Benfica joga assim, e portanto, quem defronta a equipa de Quique Flores, esforça-se por não subir em demasia a linha defensiva. Esse facto podia ser aproveitado pelo Benfica, mas há uma incapacidade gritante da equipa em controlar, em dominar o meio-campo.

Já escrevi aqui no Futebol Total, que a Quique Flores parece faltar uma maior identificação com o nosso futebol. O espanhol provavelmente ignora-o, porque continua a manter Diamantino na bancada, e não dá sinais de perceber por si a questão. No excelente Lateral Esquerdo, PB diz e muito bem acerca deste tema: 'Ter ideias e procurar desenvolve-las é positivo. Não perceber o contexto onde se está inserido, e não procurar a evolução, mesmo que isso implique alterações nas dinâmicas ou sistema, poderá ser um caminho para o insucesso'. Nada mais correcto.

Depois, há uma outra questão importante. Se de Camacho me recordo dos chavões 'ganas' e 'salir a ganar', Quique fala muitas vezes em 'dinâmica'. E é precisamente a dinâmica que falta ao sistema e ao modelo de jogo do Benfica, para que resulte em pleno. É precisamente a dinâmica que é essencial para que o 4x4x2 funcione. Pensemos em grandes equipas europeias que joguem assim. Facilmente chegamos ao Manchester United, a grande equipa europeia que mais assemelha ao Benfica no desenho táctico. Mas as diferenças são abismais. Dirá o leitor que o Benfica não tem Vidic, Evra, Carrick, Ronaldo, Rooney ou Berbatov, por exemplo. É óbvio que não tem, mas tem também bons executantes, e isso é indesmentível. Só que a grande diferença não está nos nomes, está na dinâmica. Não está principalmente na qualidade técnica, está na intensidade colocada no desafio, está no carrossel imposto, na capacidade de percorrer diferentes zonas do campo, em harmonia, sem desequilibrar a equipa.
Isto vê-se no Manchester. Obviamente que o Benfica por todas as razões e mais uma, não poderá ser o Manchester United. Mas pode melhorar a sua dinâmica. Os jogadores não podem estar tão presos a um lugar. Não pode haver tanta distância entre linhas, especialmente entre o meio-campo e o ataque. Não pode haver tanta falta de controlo do ritmo de jogo, de ter a bola, de a circular. O processo ofensivo não pode ser tão curto, tão pouco imaginativo, com falta de alguém que o conduza.

Volto a dizer, para bem da sua equipa, Quique Flores deverá fazer uma reflexão. Primeiro perceber as condicionantes e as particularidades do campeonato que disputa, a matriz orientadora da maioria das equipas. Depois, olhar para o seu plantel e características dos seus jogadores. E depois, perceber se a solução passa por alterar o desenho ou se pela complexidade do que estará a tentar implementar, a equipa precisa de mais tempo para assimilar as suas ideias. A ser este último, a verdade é que tempo e futebol não são termos convergentes. E principalmente, não se tem verificado algo importante de jogo para jogo: a evolução da equipa, e dos seus processos.

Dinâmica Quique, dinâmica!


PS:_ Cardozo tem sido um jogador claramente sub-aproveitado na equipa. Suazo é encarado como salvador da pátria, por vezes faz-me lembrar o velho Mantorras, na dependência que a equipa parece ter do hondurenho. Sidnei foi estranhamente 'encostado'. Yebda está há já alguns jogos em baixo de forma e Amorim continua a não ser testado no centro. E agora Reyes (que considero claramente o jogador mais importante deste Benfica, em processo ofensivo) foi vítima de uma espécie de 'acusação pública', que pensei já não existir nos dias de hoje. Ao treinador compete também ser o último a entrar e fechar a porta do balneário. Quique deixou-a aberta na passada 6aF. Este método não costuma dar bons resultados.

Quique Flores - do céu ao inferno?

à(s) 01:26

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Quando um treinador chega a um clube como o Benfica, terá que estar preparado para a rapidez com que o estado de espírito à sua volta muda, por vezes de um dia para o outro. Especialmente quando facilmente conquista os adeptos e também, por que não dizê-lo, grande parte da crítica.

Na história recente do Benfica não será fácil encontrar alguém que tenha conquistado tudo e todos tão facilmente. Trapattoni foi campeão mas nunca conseguiu conquistar unanimidade suficiente para que se pudesse dizer que tenha sido amado. Koeman foi o treinador que nos últimos anos conseguiu levar mais longe o clube em provas europeias, mas em prejuízo do campeonato (prova que considerava secundária) e nunca foi muito apreciado nas hostes benfiquistas. Fernando Santos acredito que tenha sido o melhor treinador do Benfica desde Mourinho, foi aquele que conseguiu melhor rácio plantel/resultados/exibições, mas alguma falta de carisma fez com que tenha sido facilmente despedido, também com a aprovação da esmagadora maioria dos adeptos do clube. Da segunda passagem de Camacho quase nem vale a pena a falar, tal o deserto de ideias, a falta de motivação e de imaginação, o mau futebol e os maus resultados da equipa. Quique foi diferente. Até Domingo.

Encarado como um treinador promissor, com uma carreira promissora pela frente, Quique chegou a Lisboa como aposta pessoal de Rui Costa. A sua imagem bem trabalhada, o seu discurso fluente, a sua simpatia e abertura, a facilidade com que discutia futebol, o seu cavalheirismo (procurando não entrar em questões polémicas), conquistaram adeptos e rivais. Naturalmente que pediu tempo porque iria reconstruir uma equipa e esse mesmo tempo, tem que admitir-se, foi-lhe dado. Até Domingo.

Antes da partida com o Trofense, o Benfica tinha dados sinais preocupantes (principalmente na Luz com Galatasaray, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Nacional. Fora, em Atenas), misturados com bons sinais (especialmente com o Nápoles, o Sporting, o Vitória de Guimarães e o Marítimo). Uma equipa de altos e baixos. Uma equipa que, preocupantemente para os benfiquistas, Quique Flores ao fim de 6 meses de trabalho ainda não conseguiu estabilizar.
Já aqui disse, o espanhol indubitavelmente tem boas ideias. Rege-se por princípios tácticos interessantes, e adequa-se perfeitamente ao futebol moderno. Falta-lhe, parece-me, uma maior identificação com o nosso futebol. Para isso penso num adjunto português. Com conhecimentos. Que ninguém duvide que por exemplo Carlos Azenha foi parte importante do sucesso do Porto nos últimos dois anos. O Benfica tem que procurar isso em alguém. Nos seus quadros, o homem que actualmente mais próximo estará de o conseguir fazer com qualidade chama-se Diamantino Miranda, arredado do relvado desde a chegada de Quique. A "muleta" que Quique Flores mais tem utilizado para essa função, é o homem que chegou (justificadamente) rotulado como grande preparador físico: Pako Ayestarán. Também em virtude desse facto, importa questionar, o porquê da vinda de Frán Escribá.

Mais do que debilidades importantes na lateral esquerda da defesa, é na resolução do problema central do meio-campo, e no chamar para perto de si aqueles que melhor o podem ajudar, que penso residir a solução para Quique Flores dar a volta a esta situação. O jogo na Trofa é um marco importante da época. Pode ser o ponto de viragem e uma espécie de alerta para debilidades que poderiam manifestar-se em alturas mais decisivas da época, ou caso Quique não queira perceber os sinais, pode ser o início do seu fim.

Entretanto, é necessário esperar a evolução da equipa e do treinador, a partir deste grande sinal de alarme. A paciência e o futebol, são duas palavras que não casam muito bem nos países latinos, mas é na continuidade que se constrói a base do sucesso. O Benfica dos últimos anos (começando pelas altas patentes) esqueceu-se dessa premissa. Os rivais (principalmente o Porto), não. E também aí tem residido a diferença.

O Novo Benfica ou o código de Quique

à(s) 03:35

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Como prometido, começa hoje (pelo líder) uma análise sobre os 7 primeiros classificados do nosso principal campeonato.

2008/2009. É mais uma época dirão alguns. É a época dirão outros. Muitos destes são benfiquistas. O Benfica nos últimos anos ganhou uma fama que não deve apreciar: a do "este ano é que é". E na realidade este é indiscutivelmente um ano importantíssimo para um novo Benfica. Pelo menos na mente de LFV e principalmente, de Rui Costa. Que considera esta a época zero. Por isso não caiu o "carmo e a trindade" depois da prestação desastrosa na Taça UEFA, eliminação consumada logo após uma saída extemporânea da Taça de Portugal, em Matosinhos. Restam os extremos: a principal prioridade - o Campeonato, e a última - a Taça da Liga.

Para conquistá-los, um espanhol, o mesmo que deixou cair os objectivos intermédios. Quique Flores é um jovem treinador (43 anos), que chegou à Luz com algum cartel, conquistado em Espanha. Por duas meritórias passagem uma por Getafe, outra por Valência onde construiu uma equipa ainda hoje considerada uma lição de táctica e objecto de alguns estudos. Estes factores, aliados à sua enorme facilidade de comunicação, boa relação com a imprensa, ambição e ao mesmo tempo realismo, levaram Rui Costa a contratá-lo. Precisamente com a indicação de que este seria o ano zero no clube da Luz, e portanto algumas declarações do espanhol em relação à sua prioridade: conquistar um lugar na Champions. Os benfiquistas no entanto querem mais. E quando olham para o plantel, aumentam essa esperança. Plantel que apesar de ter algumas lacunas, permite-lhes sonhar e esquecer por momentos o factor tempo, que uma equipa leva a assimilar correctamente todos os conceitos do treinador.

Quique soube-se reforçar para colocar a equipa a jogar no seu esquema ideal, o 4x4x2. Mas a equipa apresenta ainda algumas dificuldades. Uma equipa vale pelo conjunto, mas vou tentar esquematizá-la por sectores.
Na baliza Quim começou a época. E bem, em virtude do rendimento de épocas anteriores. No entanto desengane-se quem pretendeu fazer do bracarense um GR extraordinário. Quim é um bom guarda-redes, em boa forma penso que discute com Eduardo o título de melhor português, mas apresenta carências especialmente quando necessita sair dos postes. Quer em bolas aéreas, quer em bolas lançadas para a área. E nesse ponto, quando Quique quer linhas muito próximas e portanto defesa subida, seria importante ter algúem na baliza que saiba sair, substituir-se à defesa, permitindo-lhe subir uns metros. Penso em Helton por exemplo.
Nas laterais do quarteto defensivo aparecem habitualmente Maxi e Jorge Ribeiro. Em relação ao primeiro pouco há a dizer, exceptuando o facto de ter melhorado bastante os níveis da época passada, apresentando um rendimento muito constante, desprovido de erros, embora ainda algo atabalhoado a atacar. Urge uma solução para aumentar a competitividade na posição e dar uma alternativa para uma potencial oscilação de forma do uruguaio. Que no entanto tem cumprido e bastante bem. À esquerda é diferente. Léo saiu da equipa porque não sabia interpretar o modelo. É bom ofensivamente (apesar de não ser forte nos cruzamentos cria bastante caudal ofensivo e fornece quase sempre boas linhas de passe), mas desequilibra muito a equipa em transição defensiva. A sua estampa física também não é a do típico lateral moderno. Jorge Ribeiro ganhou-lhe o lugar, mas é no cômputo geral pior jogador. Mas cruza melhor , é uma boa opção para a bola parada e defensivamente interpreta mais correctamente o que Quique pede. Apesar de tudo, não o posso considerar forte a defender, dando muitas vezes as costas ao adversário e muitas vezes não se aproxima correctamente do central, deixando um perigoso espaço vazio.
No centro, Sidnei e Luisão. Se o primeiro tem sido uma das revelações da prova, forte no desarme, perigoso na bola parada, sai bem a jogar, Luisão é reconhecidamente a extensão do treinador no campo. A voz de comando. Mas não é de todo o jogador indicado para jogar com as linhas subidas. Falta-lhe velocidade, não se sente muito confortável com muitos metros nas costas. Apesar de tudo, ainda que não perfeitamente, tem cumprido e a sua ausência no sector ainda é muito notada como se viu em Atenas.

No entanto é no meio campo que reside o principal problema do Benfica. O 4x4x2 pressupõe os 4 médios alinhados horizontalmente, mas não é isso que Quique pretende. Os habituais Reyes e Ruben Amorim não são extremos puros. São na maioria das vezes médios interiores, condutores de bola em diagonais rumo ao centro e nem tanto na procura da linha de fundo. Ainda que Reyes o faça algumas vezes. Aliás, o espanhol é a principal solução para a saída de bola orientada do Benfica. Saída da zona de pressão em direcção às imediações da área adversária. Ou então, na conquista de faltas, porque a sua habilidade técnica permite-lhe isso. Está realmente a demonstrar ser um grande jogador. Amorim é diferente. Não tem tanta habilidade técnica, mas sabe também sair a jogar. É o modelo de jogador inteligente, que sabe muito bem o seu papel em campo, e as necessidades da equipa. Por isso em situação defensiva deambula inúmeras vezes para o meio, de forma a restaurar algum equilíbrio numérico naquela zona do terreno. Depois, Yebda e Katsouranis. Tem sido muito discutido a opção de Quique por Katsouranis mais posicional e Yebda com maior liberdade, aparecendo mais frequentemente em zonas ofensivas. Percebo a sua ideia. No fundo quer aproveitar a maior amplitude de movimentos do francês, o seu maior pulmão. Defensiva e ofensivamente. O típico vai a todas. Mas a equipa perde identidade, perde capacidade de sair a jogar, de ter a bola, de construir jogo. O pressuposto de Quique seria mais viável num 4x2x3x1 onde à frente de Yebda estivesse alguém que transportasse a bola com qualidade. No 4x4x2 é diferente, e por isso a dupla Binya x Katsouranis funciona melhor. O camaronês (está muito melhor jogador) fica mais fixo, o grego joga mais. No fundo é a essência do bom futebol. Enquanto Yebda tenta transportar a bola pelo campo entregando-a quase no pé do colega, Katsouranis faz a bola correr. O jogo fica mais imprevisível, mais rápido, mais perigoso para a equipa contrária. O Benfica agradece.

Ofensivamente quatro excelentes opções: Nuno Gomes e Aimar, Cardozo e Suazo. Emparelhei-os porque acredito neles dois a dois. Não em Nuno Gomes e Aimar juntos ou Cardozo e Suazo juntos. Antes um dos primeiros com um dos segundos. Quique já experimentou Cardozo e Suazo mas aí, sem alguém com capacidade para buscar bola, a distância para o meio campo fica ainda mais acentuada. Penso até que se poderia fazer uma gestão interessante. Utilizar as características de Cardozo para que este jogo principalmente nos jogos em casa, onde as equipas estejam mais fechadas, mais juntas da baliza, com pouco espaço nas costas para que Suazo possa fazer uso da sua velocidade. Aí, em ataque continuado, em cruzamentos para a área onde Cardozo joga bem de cabeça, ou até mesmo num dos seus fortes pontapés capazes de destruir uma baliza. Fora avança Suazo. Cardozo é um jogador mais lento, mastiga mais o jogo, não se envolve tanto no processo ofensivo. Fora de portas, onde os adversários são mais atrevidos, a velocidade de Suazo, a inteligência de procurar espaços, são uma arma muito poderosa. Aimar e Nuno Gomes? Esses jogam onde for, desde que o físico lhes permita.

Falei de 15, sobram alguns. Miguel Vítor tem demonstrado que mais cedo ou mais tarde será titular da defesa do Benfica. David Luiz está a regressar, mas a sua velocidade pode ser uma arma importante para a defesa alta do Benfica e mesmo na lateral demonstrou ser opção válida. Carlos Martins pode ser um jogador exuberante apenas em determinados períodos da época, mas raramente falha um passe, é inteligente na forma de jogar e tem um remate forte, tudo factores que o colocam muitas vezes no 11. Urreta está ainda muito verde, mas tem um potencial que merece ser aproveitado. De Di Maria sabe-se que é um jogador, muito embora a sua imaturidade, capaz de mexer com um jogo, pela sua velocidade, capacidade técnica e espontaneidade - um suplente de luxo. Quanto ao muito discutido Balboa, não me vou apressar a crucificá-lo. Vislumbrei nele qualidades que me fazem pensar que irá ser mais do que o barrete que muitos apelidam.

Em suma, este Benfica tem algumas debilidades. Mas tem muitas qualidades que me fazem considerá-lo um fortíssimo candidato ao título. Desde que resolva alguns dos seus problemas. A condição física de alguns jogadores. A capacidade de gerir um jogo e um resultado. Controlando o jogo com e sem bola, que é algo que as grandíssimas equipas sabem fazer e que o Benfica não tem conseguido. Que resolva o seu problema central no meio campo. E que provavelmente na hora de defender, saiba, consiga ou queira, criar mais linhas defensivas, de pressão sobre a bola, preenchendo melhor o espaço vazio.
Será esta parte da distância para a interpretação total do código de Quique.