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Pistas para o clássico

à(s) 01:37

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Quando no próximo Domingo, Luisão e Bruno Alves liderarem as suas equipas em direcção ao relvado do Estádio da Luz, todo o Portugal futebolístico estará parado para assistir ao confronto entre aqueles que acredito serem os dois grandes candidatos ao título.
O jogo da 14ª jornada não terá um peso fundamental como se pode perceber pelo facto de ainda não termos atingido a primeira metade do campeonato. Contudo será muito importante, fora a óbvia questão pontual, para aferir os sinais que as equipas vêm dando nos últimos tempos.

Começando pelo Benfica, a crítica tem apontado algum decréscimo exibicional nos últimos tempos. A questão é relativa. Coloquemos a questão: será lógico colocar um rótulo com base em duas/três exibições/resultados menos positivos? O Benfica dos últimos jogos tem duas exibições que podem por em dúvida o seu crescimento, por dois motivos diferentes, mas igualmente preocupantes: Alvalade por alguma falta de ambição, Olhão pelo descontrolo emocional. Nesse sentido, o jogo com o Porto assume grande importância para que possamos perceber o que vale esta equipa. Será uma partida onde a ambição será necessária, será uma partida em que o controlo emocional será fundamental.

O modelo e o sistema de Jesus estão implementados, embora não tenhamos ainda assistido ao longo da época a uma opção alternativa em situações em que o jogo ou o resultado assim o exijam. Quando tal acontece, a ideia do seu treinador passa sempre pelo acréscimo de avançados, moldando-se à forma da equipa adversária defender. A questão é, não deveria ser o Benfica a fazer adaptar o adversário a uma nova forma de atacar? As baixas para o confronto com os Dragões, e a confirmar-se a ausência de Ramires, responderão em parte a esta questão.
O Benfica terá que jogar de forma diferente, primeiro porque César Peixoto que irá assumir o lugar de Di Maria/Coentrão no meio-campo, significando tal facto, maior posse, maior critério, mas menos capacidade nas transições, menos assertividade. Depois porque Carlos Martins, Menezes ou Urreta assumirão o lugar de Ramires, significando nos dois primeiros casos uma maior aproximação ao meio e uma menor capacidade nas transições, enquanto que se a opção recair em Urreta, o equilíbrio defensivo não será tão forte.
Tudo isto somado à previsível titularidade de David Luiz no lado esquerdo da defesa, implicará um Benfica mais forte no meio, mais concentrado, mas com menos influência sobre os flancos. Na capacidade de Jesus preparar os jogadores para esta diferente forma de jogar, estará o maior ou menor sucesso dos Encarnados na partida.


O Porto tem respirado melhor no último mês. Mesmo estando ainda um ponto atrás do rival, as suas últimas exibições, aliados ao seu passado recente de inícios de temporada periclitantes e consolidação por alturas de Dezembro, trazem confiança aos seus adeptos. Os bons sinais foram dados frente a Rio Ave, Vitória de Guimarães e Atlético de Madrid, mas tal como no caso do Benfica, o jogo de Domingo ajudará a demonstrar se os últimos jogos são uma espécie de coincidência ou uma tendência importante.

Jesualdo Ferreira tem a vantagem de ter o seu núcleo duro completamente disponível, ao mesmo tempo que teve possibilidades de gerir a equipa de forma tranquila frente ao Vitória de Setúbal. O facto de, ao contrário do Benfica, não ter um outro confronto a meio da semana, permite ao treinador do Porto, focalizar os seus jogadores totalmente no confronto de Domingo.

Este Porto tem tido dois principais problemas. O primeiro e mais importante, é saber quem e como vai assumir preferencialmente a vaga de Lucho Gonzalez. Por lá têm passado sequencialmente Mariano Gonzalez, Guarin, Belluschi e de uma forma mais tímida Valeri, mas na Luz é previsivel que seja Guarín a assumir o posto, uma vez que no confronto a meio-campo estará parte da decisão do clássico. O segundo problema, tem a ver com a co-habitação pacífica e produtiva de Hulk com a equipa. Até agora, e exceptuando a partida de Madrid, os melhores jogos do Porto foram sem o brasileiro no onze, isto sem menosprezar a sua enorme qualidade individual. Assim, e como Rodriguez provavelmente actuará por saber muito bem baixar para quarto médio, a dúvida estará entre Varela, Hulk e Falcão. Em condições normais, Falcão seria titular, mas a provável titularidade de Sidnei, Luisão e David Luiz, estará a aliciar Jesualdo a apresentar um ataque mais móvel e mais susceptível de confundir marcações zonais.


Enfim, com um estádio cheio, um ambiente fantástico, excelentes executantes, e com as duas equipas separadas por apenas um ponto, estão reunidas todas as condições para um excelente espectáculo de futebol. Seja mais táctico ou mais aberto, os condimentos estão lá. Assim seja.

Belluschi, Mati Fernandez e...Reyes

à(s) 03:03

quinta-feira, 9 de julho de 2009


O defeso está ainda em fase de 'banho maria', à porta do mês previsivelmente escaldante de Agosto. Os treinadores estão cada vez mais mentalizados para a impossibilidade de fazer estágios com os plantéis fechados, porque os melhores negócios surgem regra geral no oitavo mês do ano, quando os clubes vendedores vêem o tempo a escassear para reequilibrar orçamentos e os clubes compradores cometem algumas megalomanias.
Apesar de tudo nos três grandes houve já movimentações interessantes. O Porto após uma preparação do seu plantel para a futura regra dos 6+5 vive actualmente o período habitual de procurar substitutos à altura dos jogadores que saem e fizeram grandes carreiras no Dragão. O Sporting mantendo a tradição recente de mexer pouco busca previsivelmente apenas um companheiro de peso para o 'levezinho' e quiçá mais uma alternativa no meio-campo. O Benfica procura mais um avançado, ao mesmo tempo que deixa em stand-by as questões de Reyes e da baliza. Neste sentido há três jogadores que podem ser fulcrais para as suas equipas.

Fernando Belluschi, prestes a completar 26 anos, é um jogador que não terá no Porto a sua primeira experiência europeia. Após ser uma das constantes revelações do River Plate, chegou ao Olympiakos onde, mesmo ligeiramente abaixo das performances nos 'milionarios', fez um campeonato grego bom, o mesmo no que diz respeito à Taça UEFA. Dele se espera que substitua Lucho, mas como aqui referi aquando da saída do argentino, não há jogador semelhante a 'El Comandante' ao alcance do Porto. Jesualdo terá de alterar parcialmente o modelo até porque Belluschi tem características diferentes de Lucho.
Do novo reforço do Porto espera-se que tenha um peso mais decisivo no último terço do terreno, funcionando como uma espécie de segundo avançado, e garantindo, penso, uma boa média de golos por época. Capaz no um para um, com capacidade técnica elevada, forte a aparecer no espaço e portador de um bom remate, Belluschi é no entanto ainda menos jogador que Lucho. Não terá, pelo menos inicialmente, um peso semelhante na equipa, nem sequer será tão influente na construção de jogo, possibilitando provavelmente a Raul Meireles ou mesmo a Cristian Rodriguez um papel ainda mais influente na equipa. Apesar de tudo, o Porto minimizou os danos da saída de Lucho com aquele que acredito terá sido um excelente reforço.

O chileno Matias Fernandez é mais um produto daquilo que de bom o Chile tem feito ao nível das camadas jovens, e tem sido muito. O Villarreal, fazendo jus ao estatuto (a par da Udinese) do clube europeu que melhor recruta nos clubes com exposição menor na América do Sul, esteve atento à evolução do craque e resgatou-o. Se a primeira época foi feita dentro das expectativas, num processo de adaptação europeia, ao mesmo tempo que demonstrava pormenores que aguçavam a curiosidade dos adeptos, a segunda foi diferente. Esperava-se a afirmação, mas alguma indisciplina táctica no rigoroso 4x4x2 do Villarreal, levaram Pelegrini a apostar de forma preferencial no experiente Ibazaga.
A saída do treinador para o Real, e as consequentes indefenições em torno do novo sistema táctico fazem-me questionar largamente a venda do chileno, mas certo de que se tratou de um fantástico negócio para o Sporting. No vértice ofensivo do losango, 'Matigol' trará a capacidade de desequilibrar que os leões raramente tiveram com Romagnoli e que terão impedido o modelo de Paulo Bento de evoluir para um patamar superior. Depois da saída de Quaresma e Ronaldo, não tenho dúvida que Mati Fernandez é o jogador tecnicamente mais evoluído que passou pelo Sporting, e tratando-se certamente de uma excelente adição ao nosso campeonato, será interessante verificar como se adaptará às exigências de Paulo Bento. Acredito que bem.

O futebol fora das quatro linhas foi e sempre será mais difícil de perceber que o jogado na relva. O 'caso' Reyes enquadra-se nesta premissa. Ao espanhol não há apreciador de futebol que negue qualidade. Justificadamente pode muitas vezes apontar-se alguma falta de entrega, algo que com Jesus muito provavelmente ficaria fora do campo. Mas é indiscutivel que Reyes foi um dos melhores jogadores do Benfica na época passada, dotando a equipa de um toque de classe, de uma capacidade de transição e de bola parada muito elevadas.
Quando se aponta insistentemente para o interesse do Benfica num avançado, quando tem já no plantel Cardozo, Nuno Gomes, Saviola, Mantorras e potencialmente Nelson Oliveira (mesmo Di Maria pode desempenhar essas funções num sistema com dois homens na frente), quando vêm a publico os valores potencialmente envolvidos na transacção de Reyes e os valores ainda disponiveis pelo Benfica para o reforço do plantel, quando se assume o interesse no espanhol, quando o jogador assume a preferência pela clube e quando o Atlético assume estar vendedor, é difícil perceber que o jogador não esteja já na Suiça com os encarnados.
Mais ainda, Jorge Jesus referiu recentemente que privilegia jogadores polivalentes e vejo Reyes a desempenhar funções no vértice esquerdo e ofensivo do losango do meio-campo e ainda a poder actuar como segundo avançado - foi nesta posição que o espanhol teve as melhores épocas da sua carreira, no Sevilla e Arsenal.
Esta série de factores estranhos pode fazer com que o Benfica perca aquele que seria um jogador importante. Ou então esta não passa de uma estratégia (arriscada) de Rui Costa baixar o preço do atleta. Só o tempo dirá. Segue o defeso.

Obrigado, foi um Lucho

à(s) 00:50

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Não para todos, mas o futebol foi, é, e há-de ser muito mais do que meras questões clubísticas. Este desporto é também uma forma de arte e se há jogador nos últimos anos em Portugal que ajudou a perceber isso foi Lucho Gonzalez, 'El Comandante'. O final de Junho trouxe-nos a notícia da sua saída para o Marselha. É uma pena, e digo-o acredito que representando adeptos de todos os quadrantes. Quando falamos do futebol de Lucho, não interessa se somos adeptos do Porto, Benfica, Sporting ou de outro qualquer clube. Interessa que somos adeptos de futebol. E gostamos de ter o melhor deste desporto bem perto de nós.

Luís Oscar Gonzalez nasceu em Janeiro de 1981 em Buenos Aires, capital da Argentina. Os primeiros passos e o epíteto de grande promessa chegaram no Huracán, pormenores que o levaram a dar o salto para um dos melhores clubes das 'pampas', o River Plate. Onde a sua qualidade veio ao de cima, de forma natural, como o seu jogo. O Porto, no início da sua virada recente para o mercado sul-americano não estava de todo desatento e resgatou o diamante dos 'milionarios'. Para quem como eu, vê Lucho (o apelido não é por acaso) como tendo sido consecutivamente o melhor jogador do nosso campeonato, esta terá sido a melhor contratação dos dragões desde a conquista da Liga dos Campeões.

Deste jogador não esperamos aquela frase 'trato a bola por tu'. Lucho Gonzalez não é propriamente atleta de grandes adornos ou de fintas mirabolantes. É na relação com a equipa, com as exigências do jogo que 'El Comandante' se destaca. Porque o percebe sempre muito bem, porque não precisa de correr kms para estar onde está a bola, porque pensa sempre um segundo (em futebol é uma eternidade) antes dos demais. O esférico sai sempre jogável dos seus pés ou não fosse fortíssimo na tomada de decisões. O passe para o avançado, a triangulação, as trocas posicionais, a recepção orientada para a baliza. Um jogador para valer 10 golos por época, aproximadamente o mesmo a nível de assistências, e incomparavelmente mais no que diz respeito à importância (ofensiva, defensiva e transicional) no jogo da equipa. Um pequeno exemplo? Relembremos o Porto x Manchester United desta época no Dragão e percebamos a diferença na equipa portuguesa antes da lesão e após a lesão de Lucho.
Uma outra nota. O fair-play, o respeito para com o adversário. Num futebol que perigosamente está cada vez mais num nível de 'encenação' e de pouca entreajuda entre colegas, tocando muitas vezes a falta de respeito, Lucho era também neste ponto um bom exemplo.

O Marselha é o próximo passo de um jogador que, prestes a completar 29 anos, já muitos esperavam que terminasse a carreira europeia no Porto. Não sei se o clube segundo classificado da Liga Francesa, mesmo em crescendo, será a melhor opção desportiva para Lucho. A verdade é que chegando a esta fase da carreira muitos jogadores pensam mais no aspecto económico. Longe de ser censurável. Não se pode é deixar de lamentar que um indivíduo como Lucho, uma qualidade futebolística como a que ostenta, provavelmente nunca vá brilhar nos melhores clubes de Inglaterra, Espanha ou Itália (como assentava bem no Inter de Mourinho...). Provavelmente essa foi também uma das razões para, mesmo com cerca de quatro dezenas de internacionalizações, nunca ter adquirido o estatuto de titular indiscutível da Selecção Argentina.

Na perspectiva económica, este foi para o Porto um bom negócio. É indesmentível. Desportivamente e a nível de balneário duvido. No campo porque a sociedade Meireles-Lucho era um dos maiores suportes da equipa, e porque não há jogador semelhante a Lucho Gonzalez ao alcance do Porto. Tal como na época passada caberá a Jesualdo, não subsitituir directamente um jogador que sai, mas perceber qual a melhor forma da equipa reagir a esta perda, alterando parcialmente o seu modelo. A nível de balneário o caso será mais complicado. Especialmente se às perdas de Pedro Emanuel e Lucho Gonzalez, se somarem as mais ou menos previsíveis de Bruno Alves ou Nuno. Seria importante para a estrutura do Porto manter estes dois jogadores. Porque perder as reconhecidamente quatro traves mestras do grupo, numa época será um duro golpe.
Ou não nos lembrássemos todos do período crítico da equipa por alturas de Outubro/Novembro e das entrevistas e dos abraços de todos os jogadores a Pedro Emanuel no final da temporada, salientando a sua importância nos sucessos da época.

Obreiros do Tetra

à(s) 01:24

terça-feira, 12 de maio de 2009


O Porto materializou ontem, na sequência do que se esperava, a conquista do tetra-campeonato. Sobre o total mérito da conquista já aqui falei no dia seguinte à vitória em Guimarães, e portanto hoje importa-me destacar aqueles que penso serem os dois principais obreiros desta vitória.

É comum dizer-se que as naus precisam de um timoneiro para chegar a bom porto. No futebol não é diferente. Contudo, em algumas equipas, tal a qualidade e maturidade dos jogadores, tal a rotina de bons processos existente, o peso do treinador dissipa-se um pouco. Neste Porto não foi assim. Não que o plantel não seja de qualidade, mas em grande parte dos seus elementos, denotava-se no início da época, que seria precisa muita evolução para que a equipa atingisse os seus objectivos. Rolando, Sapunaru, Cissokho, Fernando, Rodriguez e Hulk são exemplos claros do que falo. No crescimento individual destes elementos, e ao mesmo tempo da equipa, o mérito vai todo para Jesualdo Ferreira (JF).
Não foi uma nem duas vezes que ouvimos o 'Professor' afirmar que no Porto também se faz formação na equipa principal. Mas a formação que assistimos nesta época não foi apenas a nível individual. Foi também no que respeita ao modelo de jogo da equipa, que naturalmente sofreu um abalo com as saídas dos nucleares Bosingwa, Quaresma e Paulo Assunção, e a entrada de jogadores com características distintas. Jesualdo percebeu que não há jogadores iguais e que teria de alterar a forma da equipa jogar, sob pena de os reforços não conseguirem interpretar o modelo da mesma forma. Na capacidade de um treinador perceber os seus activos, o meio envolvente, e conjugando estes factores, a melhor forma de levar a equipa ao sucesso, está grande parte da sua qualidade. JF teve essa capacidade.
Mesmo depois de alguns precalços, mesmo depois de bastante contestação, o Porto manteve fidelidade aos seus princípios, às convicções da sua equipa técnica, e ao mesmo tempo que se readaptavam por exemplo Lucho, Meireles e Lisandro a novas funções, e se assistia ao crescimento dos jogadores acima citados, a equipa retomou o caminho das vitórias. O grande mérito de Jesualdo Ferreira passa por aí, pela competência no processo de treino e de jogo, e pela inteligência que lhe permitiu encaixar-se bem no clube, obtendo um lugar de destaque. Numa época em que foi tri-campeão, atingiu a final da Taça, e os quartos de final da Champions, o reconhecimento (tardio) da esmagadora maioria dos adeptos chegou. Na próxima época, deverá continuar.

Helton, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Cissokho e Fernando. Uma equipa desempenha tarefas conjuntas nos cinco momentos do jogo, mas estes jogadores formaram em muitas partidas, o grupo com maiores responsabilidades defensivas. Se exceptuarmos a baliza, apenas Bruno Alves jogava no Porto na época passada. Todos os restantes elementos actuavam em clubes ou campeonatos de menor exigência e responsabilidade. Se falo de JF como parte integrante para o crescimento da equipa, dentro do campo Bruno Alves era a sua extensão. Não raras vezes vimos o central portista em diálogo com os companheiros de sector durante as partidas, corrigindo acções ou posições. Uma voz de comando dentro de campo, e talvez o jogador expoente de Jesualdo Ferreira, por ser aquele que mais cresceu com o treinador. Passado de mal-amado entre os adeptos a um dos capitães de equipa, pretendido por meia Europa, Bruno Alves é também o marcador do golo do tetra.
Pelas suas qualidades como central, pela importância que tem dentro da equipa, pelo seus golos fundamentais (Sporting e Nacional são dois exemplos fortíssimos), destaco-o como o jogador do ano no Porto. Mesmo que Lisandro e Lucho sejam (acredito que a par do melhor Aimar) os melhores jogadores a actuar em Portugal, mesmo que Meireles tenha crescido imensamente, mesmo que Hulk seja um vulcão futebolístico prestes a explodir. Mesmo assim, penso no Porto vencedor do campeonato e vejo Jesualdo Ferreira e Bruno Alves.

A próxima época está já a caminho, e com ou sem Bruno Alves, com ou sem JF, o Porto parte já um passo à frente da concorrência. A equipa é jovem e tem margem de crescimento, os processos estão identificados e bem definidos, e a estabilidade é uma imagem de marca. Além disso, um título deixa-nos sempre mais perto do próximo. Principalmente quando existe uma superioridade inequívoca. Foi o caso.

Ainda te ris Alex?

à(s) 01:43

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Rezam as crónicas que Sir Alex Ferguson deu grandes gargalhadas de satisfação quando a sorte quis que o FCP fosse o adversário da sua equipa. Perante o quadro de oponentes, não censuro a preferência dos tubarões por Porto ou Villarreal. Mas uma coisa é preferir, outra é desvalorizar.

Foi isso que me pareceu ter acontecido. O Man Utd apresentou-se inicialmente no seu 4x5x1 habitual quando atinge fases mais avançadas na Europa (embora o faça preferencialmente fora de casa), mas ao contrário do que seria de esperar, apareceu Park no lugar de Giggs. O sul coreano é excelente quando a equipa actua em 4x4x2 com dois avançados e um ala muito ofensivo (normalmente Ronaldo) porque equilibra o conjunto. É diferente quando num 4x5x1, ele, Ronaldo e Rooney seriam as lanças apontadas à baliza adversária.
Ferguson pensou que seria suficiente, enganou-se redondamente. O Man Utd raramente foi perigoso, raramente foi dominador, raramente foi intenso. Houve uma tentativa de reequilibrar a equipa em 4x4x2, mas nas alas apareciam Fletcher e Park. Até por volta dos 60 minutos quando Giggs entrou em campo, secundado, minutos mais tarde, por Tevez. Aí viu-se parte do melhor Man Utd, que ficou guardado na gaveta até muito tarde.

Que importa? Agradeceu o Porto. Antes do jogo referi que era a melhor equipa do Mundo frente à melhor equipa de Portugal. Que os portugueses teriam que ter muita sorte para levar a eliminatória à discussão no Dragão. A verdade é que me enganei, e o que se viu em Old Trafford foi um Porto dominador, personalizado, e bom de bola, que assustou os ingleses e os remeteu a um jogo do qual nunca verdadeiramente conseguiram sair.
A equipa apresentou-se no seu 4x1x3x2 europeu, com Rodriguez numa exibição fantástica e coroada com um golo, a abrir inúmeras vezes na esquerda, jogando em cima de O'Shea o elo mais fraco do adversário. Desdobrando-a no 4x3x3 importante para manter a defesa do United em sentido. Partindo sempre dos 4 médios, com uma linha de 3 - Lucho mais sobre a direita, Meireles no centro e Rodriguez. Atrás desta linha e à frente da defesa, o melhor em campo: Fernando. Grande exibição do jovem brasileiro, a provar o seu enorme crescimento (grande mérito de Jesualdo Ferreira). Bom na cobertura, importante nas dobras, fortíssimo na leitura de jogo. De resto, numa exibição que primou pela qualidade dos movimentos colectivos (e só assim se pode ter sucesso a este nível), Cissokho, o já referido Rodriguez e Lisandro também realizaram exibições de grande destaque.

O 2x1 não era de todo um mau resultado, mas o 2x2, além da óbvia vantagem numérica, é um resultado fantástico. Porque permite ao Porto jogar no Dragão da forma que mais gosta. Dando a iniciativa de jogo ao adversário (que necessita de marcar), para depois atacar preferencialmente em transições ofensivas rápidas, lançando Hulk e Rodriguez sobre os defesas adversários.
Contudo, a eliminatória está longe de estar resolvida. Principalmente se Rio Ferdinand (essencialmente este) e Berbatov puderem dar o seu contributo à equipa do MU, dotando-a de mais classe e equilíbrio. Além de que este jogo deve ter feito soar o sinal de alerta nos ingleses, que se apresentarão em Portugal uns furos acima daquilo que fizeram hoje. Ainda assim, a vantagem está do lado dos portistas e as meias-finais da Champions estão agora muito mais perto. À distância de 90 minutos.

Muito Porto

à(s) 03:02

terça-feira, 7 de abril de 2009


Depois de pesar os prós e os contras, de analisar o calendário, e de reflectir sobre os três grandes, deixei aqui uma afirmação: morava em Guimarães o último grande obstáculo do Porto à conquista do tetracampeonato.
Pela tradicional dificuldade em jogar no D.Afonso Henriques, pela recente rivalidade entre as duas equipas e consequente ambiente envolvente, pela valia do adversário e recente crescimento enquanto equipa e finalmente pela conjectura actual, depois de uma semana com jogos de Selecções e a três dias do confronto com o Man Utd, algo que obrigaria Jesualdo Ferreira a fazer alguma gestão da equipa. Nada disto seria pouco.

Dificuldades exacerbadas pelo golo de Roberto, um pouco contra a corrente do jogo, após entrada forte do Porto. A verdade é que mesmo sem Fucile, Lucho, Rodriguez ou Lisandro (quatro titulares indiscutíveis), a equipa deu mostras de toda a sua qualidade, suportada por um Hulk que fez aquela que considero a melhor e mais completa exibição no campeonato, por um Raul Meireles que cresce a olhos vistos, e por dois argentinos (Farías e Mariano) que apesar de mal amados no reino do Dragão, são de uma utilidade imensa. No final, uma vitória inquestionável, suportada por movimentos colectivos excelentes, resultantes de um processo de treino eficaz.

Se recuarmos uns meses, recordamos que na pré-época, mesmo sendo o Porto detentor do título, muitas desconfianças se abatiam sobre a equipa. Porque Bosingwa, Assunção e Quaresma saíram, porque os praticamente desconhecidos Sapunaru, Fernando e Hulk chegaram. Porque o Sporting apresentava uma estabilidade importante, porque o Benfica fazia desfilar grandes nomes. Desconfianças essas que aumentaram quase exponencialmente após os desaires com Leixões e Naval no campeonato, Arsenal e Dynamo Kiev na Liga dos Campeões.
Imunes ao que os rodeava, Jesualdo Ferreira e a sua estrutura próxima, nunca perderam o rumo. Confiantes nos activos, na sua evolução, na linha traçada no início da época. Hoje percebe-se que a aposta foi ganha. O Porto atingiu, pela primeira vez desde Mourinho, os quartos de final da Champions, ao mesmo tempo que a final da Taça de Portugal e o título estão 'ao virar da esquina'.

De resto, importa reflectir sobre um ponto: a evolução. Olhamos para o Sporting e constatamos alguma estagnação, que parece vir desde o início da época. Pensamos no Benfica e vemos que a equipa ao invés de crescer, tem regredido. O Porto, por sua vez, segue a tendência que positivamente é mais natural: tem evoluído de mês para mês. Terminará em Maio este processo que permite ao FCP chegar na frente no final desta temporada, e iniciar a próxima um passo à frente dos concorrentes directos. Nada de anormal portanto.

As perdas de Vukcevic e Suazo

à(s) 03:08

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Entre a última jornada do campeonato e a última jornada das Selecções, Sporting e Benfica sofreram um rude golpe nos princípios de jogo, pelos quais se vêm regendo na presente época. Pela perda de dois dos homens que melhor interpretavam essa forma de jogar, essencialmente no que diz respeito à vertente ofensiva.

A importância daquilo que se trabalhou na pré-época, e que se foi moldando com o decorrer do campeonato, desvanece-se em parte. Apesar de a conjectura, anteriormente negativa, retirar agora algum do peso que estas ausência podem ter, quer para Paulo Bento, quer para Quique Flores. Isto porque ambos os treinadores, tiveram, por força das circunstâncias, de em parte da época formatar a equipa para a ausência destes dois excelentes executantes. Paulo Bento e Vukcevic por questões disciplinares, Quique Flores e Suazo devido aos problemas físicos e à fadiga decorrente de constantes viagens para o hondurenho actuar pela sua equipa nacional.
São, muito embora sejam ambos jogadores de grande classe, situações com contornos relativamente diferentes. Apesar de conceder que indiscutivelmente, são péssimas notícias para os treinadores de Sporting e Benfica.

Paulo Bento deixará de contar, muito provavelmente até final da época, com o jogador do plantel mais capaz de desmontar os sistemas defensivos impostos pelos adversários. Especialmente em casa, perante equipas mais fechadas, quando a previsibilidade do seu losango se acentua. Vukcevic representa isso. O desequilíbrio, a força, o repentismo, a técnica, que muitas vezes dá o sal e a pimenta ao jogo de régua e esquadro do Sporting. E a capacidade, de que Paulo Bento tanto gosta, de desempenhar vários papéis, seja numa ala, no vértice ofensivo ou mesmo na frente de ataque. A partir de hoje, mais espaço para Pereirinha e Romagnoli. Mas um Sporting menos forte.

Quique Flores não estará mais feliz. Ou não fosse David Suazo o intérprete essencial para um bom aproveitamento do modelo que o espanhol preconizou. Sempre primeira opção nos jogos mais importantes, o hondurenho era o principal destinatário do processo ofensivo benfiquista. Sempre o disse, considero Suazo um óptimo jogador. Contudo, a demasiada 'dependência' que o Benfica tinha de si, levava a que a equipa desvirtuasse um pouco o ADN de equipa grande, e ao mesmo tempo, desaproveitasse Cardozo e Nuno Gomes.
Bola nas costas da defesa, muitos metros para progredir em velocidade, em movimentos verticais ou em diagonais em direcção à baliza, batendo os adversários mais com rapidez do que com técnica. Esse é o melhor Suazo, aquele que teve grande sucesso no Cagliari e nos primeiros tempos de Benfica, menos no Inter e na segunda metade do campeonato português, quando os treinadores perceberam melhor a sua forma de jogar. Em virtude dessas mesmas características, é-me difícil compreender que Quique faça de um jogador com as suas qualidades, a sua principal arma ofensiva. Especialmente quando o Benfica necessita maioritariamente de assumir o jogo, construindo em progressão. Nesse sentido, a lesão do hondurenho até pode ser uma notícia menos má para os benfiquistas. Isto se, no pouco que resta da época, Quique conseguir estabilizar um modelo solidamente alternativo. É difícil.

Estas lesões, representando um duro golpe para os rivais lisboetas, não deixa de ser uma boa notícia para o Porto. Que até pode não ser tão relevante assim se os dragões vencerem em Guimarães (num jogo onde Rodriguez e Lucho estão diminúidos, Lisandro castigado, e o Man Utd estará a quatro dias de distância). Naquele que, penso, será o último grande obstáculo à conquista do tetracampeonato.

Mourinho cai, Jesualdo sorri

à(s) 04:10

quinta-feira, 12 de março de 2009


Em mais uma eliminatória da Liga dos Campeões que confirma as equipas inglesas como dominadoras no futebol europeu (passaram todas), e no último par de anos, a decadência das italianas (caíram todas), é de dois treinadores portugueses que vamos falar.

Jesualdo Ferreira conquistou uma passagem (para si) inédita, aos quartos de final da prova rainha do futebol. Absolutamente por mérito próprio. Se nas duas últimas épocas (principalmente contra o Schalke) a passagem tinha ficado perto, nesta, o Porto mostrou uma aprendizagem com os erros dos últimos dois anos, que lhe valeram a passagem. Frente a um, ofensivamente, excelente Atlético de Madrid, o Porto foi sempre superior ao longo dos 180 minutos. Mesmo que não tenha traduzido essa superioridade em golos, nunca a passagem esteve comprometida.
Depois, a equipa mostrou duas caras importantes nestas competições. Se na primeira mão, colocou sempre um ritmo alto, intenso e forte no jogo, chegando à baliza inúmeras vezes e desequilibrando não raras vezes o adversário, hoje, soube sempre controlar a partida, com a bola longe da sua baliza, ao mesmo tempo que, perigava a do adversário. Ou seja, uma equipa com 'perfume' em Madrid, cínica no Dragão. Nesta afirmação de qualidade em relação a outras épocas, um nome salta à vista: Cristian Rodriguez. E a capacidade com que dota a equipa, de variar entre o 4x3x3 e o 4x4x2, essencial na Europa.
Para os quartos de final, o Villarreal concerteza não sairá da cabeça dos dragões, como o adversário ideal. O submarino amarelo é claramente o parente pobre dos oito maiores da Europa, versão 2008/2009. Não sendo contudo um adversário fácil, ou não fosse actualmente o 4º classificado da Primeira Divisão Espanhola.

Mais a Norte, em Inglaterra, frente à actual melhor equipa do Mundo, e com um 0x0 trazido da primeira mão, que não daria conforto a nenhuma das equipas, o Inter, naturalmente que caiu. Mas caiu de pé, porque mesmo sendo inferior ao Manchester, conseguiu, em alguns momentos do jogo, por em sentido os ingleses, contando mesmo com duas bolas nos ferros (Ibrahimovic e Adriano).
Há já quem questione a continuidade de Mourinho à frente do Inter, no final da época. De facto Mancini deixou um legado de domínio interno. Pela falta de afirmação europeia do Inter, passou a sua saída e consequente contratação do treinador português. Contudo, há algumas coisas que se devem perceber.
Em primeiro lugar, relembrar que, mesmo não tirando mérito a Mancini, o sucesso do Inter começou a ser construído na sequência do Calciocaos. Com Juventus e Milan arredados da disputa. O panorama imposto a Mourinho é diferente. Chegou, é certo, a uma equipa campeã, mas com os principais adversários (Juventus e Milan) em trajectória ascendente.
E depois, o mais importante. Olhando para o plantel e para a equipa do Inter, facilmente se constata que aquela não é uma equipa à imagem de Mourinho. Desde a falta de pensadores no meio-campo, a toda a ala esquerda, e principalmente no centro da defesa, onde tem existido (por lesões e faltas de confiança), uma rotatividade quase suicida.
Por todas estas razões, não me parece que a continuidade do treinador deva sequer ser posta em causa. Mourinho ao seu estilo, não tem feito muitos amigos em Itália, tem criado inúmeras polémicas, mas a sua competência e o seu bom trabalho, num plantel envelhecido (Toldo, Cordoba, Samuel, Materazzi, Zanetti, Vieira, Figo, Cruz e Crespo acima dos 30 anos) e em termos qualitativos, demasiadamente curto, está à vista.
Em 2009/2010, com o rejuvenescimento anunciado do Milan, e a estabilização da Juventus, três épocas depois do regresso à Série A, o Calcio será provavelmente o mais apaixonante dos últimos anos. Mourinho concerteza estará à altura do desafio, e com os jogadores certos, poderá também atacar a Liga dos Campeões.

O futuro de Jesualdo

à(s) 02:50

sábado, 7 de março de 2009


Este é um tema que tem vindo a ser cada vez mais dominante na actualidade do Porto. Ainda na antevisão à partida deste fim de semana com o Leixões, a pergunta foi novamente colocada a Jesualdo Ferreira. O treinador escusou-se a responder, mas disse uma verdade: já se fala sobre este assunto desde Novembro.

É normal. Ou não se tratasse do treinador de um dos grandes, bicampeão nacional. Que ainda assim, está a léguas de conseguir consenso entre os adeptos do Porto. Uma das razões, a sua ligação emocional com o Benfica (aconteceu o mesmo com Fernando Santos, 'engenheiro do penta'). A outra, será o pouco sucesso em provas a eliminar.
O Porto de Jesualdo é uma equipa muito forte em provas de regularidade. É assim na fase de grupos da Liga dos Campeões (onde conseguiu dois inéditos primeiros lugares, à frente de Liverpool e Arsenal). É assim no Campeonato Nacional, onde após uma primeira temporada que primou pelo maior equilíbrio (Jesualdo chegou a meio da pré época, e teve de transformar uma equipa moldada em 3-3-4), arrancou para uma segunda demolidora a todos os níveis. Em 2008/09 novamente maior equilíbrio, por alguma transformação que sofre a equipa, e também pela subida dos rivais.
Em provas a eliminar tem sido um Porto com mais dificuldades. Quer na Taça de Portugal, quer na Taça da Liga, quer na fase mais adiantada da Champions. Apesar de tudo, excepção feita à Taça da Liga, nesta época há perspectivas diferentes para Jesualdo. Segue a caminho da final da Taça de Portugal, e na Europa, tem grandes probabilidades de atingir os quartos de final.

Não raras vezes os críticos apontam-lhe alguma falta de postura. Mas goste-se ou não, o treinador do FCP, opta por um discurso à Porto. Identificado com a realidade do clube, os seus problemas, as suas mais valias. Depois, não esquecer o seu excelente trabalho 'de campo', traduzido num crescimento enquanto activos de muitos dos seus jogadores. E acredito, num trabalho importante a nível de estruturação do clube, e das suas manobras de futuro. A médio prazo também.
Mas esta constatação, somada a títulos, não chega aos adeptos do Porto, que actualmente, são os mais exigentes em Portugal. E consequência, Jesualdo nunca foi um treinador consensual.

Actualmente põe-se a questão sobre a sua continuidade. Muitos há que a defendem, com base em resultados. Seria talvez mais natural que assim fosse. Mas não me parece. No Porto, mais do que a resultados, olham-se a ciclos. Foi assim, por exemplo, com Carlos Alberto Silva, Robson, Oliveira ou Fernando Santos. E é provavelmente esta uma das razões para o sucesso do clube.
Por isto acredito que o ciclo de Jesualdo terminou. O sucessor? Tem-se falado muito de Jesus ou Paulo Bento, técnicos, indiscutivelmente, do agrado de Pinto da Costa. Eu juntava um nome: Carlos Azenha.

A pouca exigência competitiva em Portugal

à(s) 02:52

terça-feira, 3 de março de 2009


Este texto é centrado nas exigências competitivas dos clubes portugueses, tendo como exemplo as últimas semanas de Porto e Sporting. E o que se vê nos principais campeonatos europeus.

Quando, correctamente, se fala no Big Five, em referência aos campeonatos alemão, espanhol, francês, inglês e italiano, é por forma a colocar esses campeonatos no justo patamar a que pertencem. Que é o primeiro, se falarmos de capacidade financeira, mobilização de adeptos, sucesso nas provas europeias. Sem descurar que obviamente, estas três componentes, de forma mais ou menos directa, estão interligadas.
Mas também é justo dizer, que em Portugal se tem feito muito com pouco. Principalmente pelas competências dos nossos treinadores a nível táctico.

Contudo, há algo que falha. A questão do treino, a exigência competitiva. Assisto desde há muitos anos no nosso campeonato, a uma espécie de desculpabilização para resultados menos positivos quando há uma sequência de jogos maior. Algo que me parece de tal forma enraizado na nossa mentalidade, que soa a 'normal'. Eu penso que não é.
Vamos então em direcção a Inglaterra (poderíamos dar como exemplo qualquer um dos cinco campeonatos acima referidos, embora não seja segredo pra quem vai seguindo este blog, que acompanho a Premier League praticamente da mesma forma que acompanho a Liga Portuguesa).
Em terras de 'Sua Majestade' disputa-se a Taça de Inglaterra, a Taça da Liga, e um campeonato com 38 partidas (mais 8 que em Portugal). Há todos as épocas, 9 equipas qualificadas para competições europeias. E um tipo de futebol, mais exigente fisicamente. Além destes factos, em termos de núcleo duro de jogadores (a nível quantitativo), não há muitas diferenças em relação a Portugal. Mas por cá o ritmo de jogo é muito menor, a capacidade física dos atletas idem.

A questão que fica é, porquê esta desresponsabilização competitiva? Quais os princípios metodológicos de treino utilizados pelos nossos treinadores? Será também fruto de questões culturais, e de uma grande percentagem de jogadores sul-americanos (menos habituados a exigências competitivas mais 'europeias') nos planteis?
Devemos a propósito recordar as declarações (e os resultados) de José Mourinho, quando referia ter as suas equipas preparadas para jogar, sem decréscimo de performance, quando a calendarização fosse mais apertada. Contribuindo para isso a alteração de um para dois os microciclos de treino semanais.
Por todas estas razões não podem haver dúvidas da utilidade da Taça da Liga. Cujas mais valias ultrapassam o campo estritamente financeiro, e centram-se também num preenchimento importante de um buraco no calendário competitivo português, dotando as equipas de mais estímulos competitivos.

Por fim, um mero exercício teórico. Jesualdo Ferreira fez uma gestão da equipa contra o Sporting para a Taça da Liga. Perdeu 1x4. No fim de semana seguinte recebeu o Benfica (que tinha jogado nessa mesma semana, com parte dos titulares do Dragão) e empatou 1x1, sem que o Porto nunca tenha revelado condição física superior.
Paulo Bento fez uma gestão de equipa contra o Bayern de Munique. Perdeu 0x5. No fim de semana seguinte deslocou-se ao estádio do Dragão, onde, mesmo arrancando um empate, nunca a sua equipa revelou indíces físicos superiores ao adversário.
Porto e Sporting alinharam pelo mesmo discurso de desculpabilização em relação ao fraco espectáculo produzido no clássico.
No mesmo fim de semana, o Atlético de Madrid venceu o Barcelona por 4x3 e o Inter empatou com a Roma 3x3. Duas partidas de grau de intensidade elevadíssimo entre quatro equipas ainda em prova na Liga dos Campeões. Conclusões? Estão à vista.

Um clássico muito pobre

à(s) 22:19

domingo, 1 de março de 2009



1 - Ponto prévio. Depois de uma jornada de Liga dos Campeões a meio da semana, e estando os clubes portugueses (inexplicavelmente) pouco formatados para três jogos em 7 dias, não se podia esperar uma grande partida entre Porto e Sporting.

2 - Apesar de tudo, era exigível um pouco mais de ambas as equipas, principalmente ao nível do jogo ofensivo. É que, se o Sporting x Porto para a Taça de Portugal foi o melhor clássico da época, o de ontem, foi indiscutivelmente o pior.

3 - A estratégia dos treinadores, de certa forma, percebe-se. Jesualdo sabia que um empate colocava o Porto a depender apenas de si próprio, numa altura em que todas os três grandes já se defrontaram. Depois de ontem, actualmente o Porto tem vantagem na diferença de golos (+6, o que entre clubes equilibrados não é pouco) perante o Benfica, e vantagem no confronto directo com o Sporting.
Para Paulo Bento, depois de um resultado traumático a meio da semana, e perante uma saída de grau de dificuldade muito elevado, o mais importante seria, antes de tudo, conservar as distâncias. Até porque neste campeonato, os candidatos ao título têm perdido pontos onde menos se espera.

4 - O Porto apresentou-se no sistema habitual, embora a presença de Pedro Emanuel no flanco direito, tenha feito com que a equipa explorasse pouco jogo por esse lado. Rodriguez, ao contrário do jogo em Madrid, surgiu mais vezes em zona atacante, deixando o meio-campo entregue aos habituais Fernando, Lucho e Meireles. No mais, o normal em jogos do Porto em casa, Lisandro preferencialmente sobre a direita e Hulk na zona central.

5 - Um Sporting também no sistema habitual, embora a presença de Izmailov e Pereirinha tenha dado mais largura á equipa, em contraponto com o jogo com o Bayern. E apesar de João Moutinho ter sido sempre mais um médio centro, do que um 'vértice ofensivo'. A saída forçada de Grimi por troca com Caneira, também não permitiu a Paulo Bento, explorar o lado direito do Porto. Muito embora Grimi até estivesse a ser o pior jogador da equipa.

6 - A forma como as equipas e os seus treinadores encararam a partida, a sua menor condição física, e uma tendência de João Ferreira para apitar muitas vezes, encaminharam o jogo para o registo cinzento e sem golos.

7 - Jesualdo Ferreira, à semelhança do que aconteceu contra o Benfica, voltou a substituir Lisandro por volta dos 87 minutos. A questão que deixo é se, por mais desgastado que esteja, não será preferível manter um jogador em campo que é claramente melhor que o seu substituto, ainda mais quando este apenas tem pouco mais de 5 minutos para se integrar na partida.

8 - Volta a ser preocupante para o Sporting a discrepância nas declarações de Gomes Pereira e Paulo Bento. O treinador referiu ter feito todas as substituições por lesão, ao passo que o médico reiterou que Izmailov não apresentava qualquer problema físico. A ser assim não se percebe a saída do russo.

9 - No Porto Cristian Rodriguez fez uma grande exibição, cotando-se como um dos melhores da equipa, ao lado de Meireles. O uruguaio vai ser uma baixa importante com o Leixões, num jogo onde as suas características seriam importantes.

10 - Do lado do Sporting, Daniel Carriço continua a crescer a olhos vistos e fez mais um jogo em níveis bastante altos. Ao mesmo tempo, Pereirinha, além de equilibrado defensivamente, foi sempre um dos principais 'carregadores' da equipa para o ataque.

11 - Depois de ver o jogo Atlético de Madrid 4 x Barcelona 3, fico ainda mais a duvidar do argumento de que, com jogo a meio semana, seria impossível dar mais. Coisas do nosso campeonato.
Em relação à prova, saídas do Porto a Matosinhos, Guimarães e Madeira (para defrontar um Marítimo que vai sem dúvida crescer com a chegada de Carvalhal); do Benfica a Braga e ao Nacional; e do Sporting a Marítimo, Leixões e Guimarães, acentuam ainda mais a ideia de um campeonato que será decidido muito perto do final.

Lisandro e Ribery - classe à flor da relva

à(s) 03:59

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Olhamos para estes dois nomes. E pensamos no que têm em comum. Facilmente chegamos a duas semelhanças, óbvias: têm ambos 25 anos, são ambos grandíssimos jogadores. E depois pensamos nos oitavos de final da Champions.

Começo por Lisandro. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que é para mim o melhor avançado do futebol português. Inteligente na procura dos espaços, facilidade espantosa em rematar com os dois pés. Bom jogo de cabeça, capacidade técnica e uma grande sede de bola, nunca dando um lance por perdido. Além disso, uma leitura de jogo acima da média.
Parte das suas qualidades viram-se no jogo contra o Atlético, para a Liga dos Campeões. Onde os grandes jogadores, que estão longe dos maiores palcos, ganham super-motivação. O primeiro golo é uma demonstração da capacidade de remate fácil com o pé esquerdo. No segundo, a sua leitura de jogo deixou Antonio Lopez a perguntar-se de onde tinha surgido. E Licha ajuda o Porto a empatar um jogo, onde fez mais do que o suficiente para vencer.
É certo que ao mais alto nível, tanto desperdício é perigoso. Mas o Atlético de Madrid é, indiscutivelmente, mais forte em casa. E no Porto, vai ter que procurar o resultado, dando espaço para os dragões jogarem da forma que mais gostam.
Voltando a Lisandro, de certa forma percebo o seu menor rendimento na Liga Portuguesa. Chegou a Portugal com muitos golos na bagagem. Nas duas primeiras épocas no Porto, foi encostado a uma linha. O ano passado, no centro, mostrou a sua melhor faceta. Neste, tem de dividir o seu habitat natural com o prodígio Hulk. Umas vezes no centro, outras na direita. Pretensas questões contratuais e um aproximar de fim de ciclo podem explicar o resto. De resto, Licha é isto. O típico (bom) jogador argentino. Sangue na guelra e muito futebol nos pés.

Hoje em Alvalade, nada ficou igual depois da passagem do scarface. Encostado a um flanco, onde cabem no futebol moderno os jogadores mais técnicos e capazes de decidir jogos, fez quase o que quis da equipa do Sporting. Quase sempre em movimentos interiores, percorreu sabiamente o espaço entre Abel e Tonel, ou entre Rochemback e os centrais. Sem nunca precisar de forçar o ritmo em demasia.
Ribery joga em média-rotação. Protesta com o colega, desistindo da jogada, se este não lhe endossa a bola como pretende. Mas defensivamente não desequilibra a equipa. E apesar de laivos de personalidade geniosa, entende o jogo como colectivo. Muito forte no passe, aparece nas imediações da área adversária em progressão, ou quase sem darmos por ele.
Curiosamente o seu percurso futebolístico nunca foi estável ou fortemente sustentado, até chegar ao Marselha. Depois, das grandes exibições no Velodrome ao colosso de Munique foi um passo. E hoje, vendo-o jogar, quase que parece deslizar na relva. Tal como o actual Lisandro, principalmente na Liga dos Campeões.
Contra o Sporting ajudou a mostrar a Paulo Bento, que mudar /adaptar a equipa em função do adversário nunca deixa de ser perigoso. E o Bayern (depois de Real Madrid e Barcelona) demonstra que o Sporting ainda precisa de crescer bastante, deixando de lado algum complexo de inferioridade, para se bater com os gigantes. Além de dois ou três jogadores com grande experiência internacional. Porque nesta fase, a Academia não chega.

Sobre a primeira mão dos oitavos de final da LC, salientar a grande exibição do Manchester em Milão, apesar de Mourinho ir certamente a Old Trafford criar muitos problemas. Continuando o duelo entre Ingleses e Italianos, Chelsea e Arsenal levaram de vencida Juventus e Roma por 1x0, embora me pareça que o Chelsea vá ter mais dificuldades para passar do que o Arsenal (principalmente se Wenger puder contar com Adebayor, Walcott e Fabregas na 2a mão).
Villarreal e Panathinaikos discutem na Grécia, qual dos dois será o intruso entre as 8 equipas mais fortes da Europa. Ainda que Benitez tenha conseguido uma grande vitória frente ao Real Madrid, a eliminatória não está ganha, e em Anfield o jogo será muitíssimo disputado. O resto foi este fantástico golo do melhor batedor de livres do mundo, e um Barcelona que em Camp Nou garantirá a passagem á próxima fase frente a um Lyon que, sendo uma boa equipa, não está ao nível de outras épocas.

Porto x Benfica, a análise

à(s) 23:18

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Em primeiro lugar, assumo que não foi propriamente o jogo que estava à espera. Que seria, tal como eu aqui referi, um jogo mais intenso, mais rápido, de certa forma mais agressivo e com exploração do contra-ataque como arma preferencial de cada uma das equipas, para chegar ao golo.

Começando pelo Porto, se mais fosse preciso, este jogo demonstrou que a equipa de Jesualdo Ferreira não é a mesma de outras épocas. Onde, principalmente no Dragão, assumia naturalmente uma postura agressiva, imponente e de domínio sobre o adversário.
Contra o Benfica não foi assim. Este Porto tem dificuldades contra equipas bem organizadas defensivamente e o Benfica foi-o. Dificuldades que se atenuam quando não consegue assumir o meio-campo, algo impossibilitado também pela habitual superioridade do Benfica nessa zona (recorrendo a Aimar e Ruben Amorim, para se juntarem a Yebda e Katsouranis). Mais esses problemas se atenuam se os seus principais desequilibradores se encontrarem em noite não, tal como Hulk e Rodriguez hoje. No início da 2a parte Jesualdo tentou algo diferente, colocando Lucho mais vezes na ala direita (algo que acontecia muitas vezes na época passada), mas tal também não resultou.

O Benfica também não aproveitou a sua principal arma. A transição ofensiva rápida. Provavelmente porque Suazo também não estaria nas melhores condições. Mesmo que tenha sempre dado a impressão de controlar o jogo, mesmo roçando a perfeição no sector defensivo, faltou sempre algo à equipa para que pudesse ganhar o jogo. Sem dúvida que Quique Flores montou bem a equipa, mas esta foi sempre algo 'curta'. Foi em parte o Benfica de outros jogos, uma equipa compacta e racional, mas com dificuldades em explanar ofensivamente o potencial dos seus jogadores. Mesmo com um Aimar em grande nível.

Individualmente, destaque, para além de Pablo Aimar, para Yebda e Sidnei no Benfica e para Fucile e Lucho Gonzalez no Porto.
Em relação às pistas do clássico para o resto da campeonato, facilmente podemos constatar que o Benfica precisa resolver o seu 'problema' ofensivo se quiser ser melhor e ainda mais candidato. Nos 13 jogos que faltam, tem três (Sporting, Braga e Nacional fora) onde pode explanar as suas principais características, mas tem dez jogos contra equipas mais fechadas onde poderá ter dificuldades.
O Porto não é diferente. Sente as mesmas dificuldades que o Benfica, embora as tente resolver de outra forma. Apesar de tudo, talvez aproveite melhor os espaços que o seu rival, ou os crie mais facilmente. Ressalvo, quando encontra equipas que se expõem mais. Curiosidade para ver como se portam os dragões no confronto com o Sporting, jogo interessante para ver com que Porto se pode contar até final da época.

O que eu espero do clássico

à(s) 01:52

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


Emoção, suspiros por golos falhados ou passes mal efectuados. Nervos à flor da pele, gritos de golo. Apoio às equipas, jogando num relvado que espero, não seja afectado pelo mau tempo.
E que permita às equipas lá explanar todo o seu futebol, o seu estado de espírito, tudo o que aprenderam até Fevereiro, a sua evolução. Os seus pontos fortes, e mesmo os fracos, para que possam ser explorados com mestria pelo adversário.

Tal e qual um jogo de xadrez, aproveitando cada passo em falso do rival para construir o cheque-mate. No banco, a comandar as equipas, dois rostos, duas 'escolas', duas gerações. No relvado duas equipas diferentes. Mas que têm um ponto comum: a mestria do contra-ataque, da transição ofensiva rápida. Nesse aspecto, vantagem para o Benfica, porque mesmo estando o Porto em primeiro, será a equipa de Jesualdo, por jogar perante o seu público, a assumir as maiores despesas do jogo. Ainda assim, nada nos diz qual será a mais eficaz. Até porque uma maior predisposição mental, ou até um pormenor (como a escorregadela de Terry em Moscovo) faz a diferença. Mas sabemos da força do Porto em casa, principalmente em clássicos.
Depois, os duelos individuais, os 'acasalamentos'. Hulk e David Luiz (o primeiro deverá jogar mais na ala), Suazo (se estiver em condições) e Rolando, Fernando e Aimar, Lucho e Katsouranis. E principalmente dois ou três que até podem ser mais decisivos, a desequilibrar na ala Reyes vs Fucile e o duelo uruguaio Rodriguez vs Maxi, e na luta pelo controlo das operações, luta de grande intensidade no centro do terreno Yebda vs Raul Meireles.
Até mesmo uma solução vinda do banco, seja Mariano, Farías, Tomás Costa ou Guarín, Di Maria, Cardozo, Carlos Martins ou Nuno Gomes.

Ou então nada resultar e o jogo acabar como o tempo, cinzento, num 0x0. Pessoalmente não acredito. Previsões no futebol são perigosas. A bola é traiçoeira. Mas num Dragão que se espera lotado, espero equilíbrio e muitos golos. 2x1, 1x2, 2x3, 3x2 ou 2x2. Algo que ando à volta disto. Por alguma debilidade defensiva do Porto, alguma debilidade entre linhas no Benfica, e principalmente, pela qualidade ofensiva dos elementos de ambas as equipas, os ditos desequilibradores. Posso-me enganar, mas espero que não. Eram sem dúvida 90 minutos muito bem passados.

As meias-finais

à(s) 01:18

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Por entre as conjecturas já sabidas, as meias-finais da Taça da Liga realizaram-se esta 4aF. É obrigatório no Futebol Total analisar os grandes clássicos, mas antes quero deixar umas curtas linhas para o Benfica x Vitória de Guimarães. O jogo onde Artur Soares Dias também cumpriu um minuto de silêncio em honra do pai.

A partida não foi excepcional. Antes pelo contrário, apesar de intensa, foi muitas das vezes mal jogado. O Benfica manteve-se na toada da época. Não se desequilibra muitas vezes, mas também não desequilibra o adversário. Continua a notar-se uma falta de evolução nos problemas, na qualidade exibicional da equipa, muito embora a equipa de Quique Flores continue a ganhar jogos. Relevo para o crescimento de Aimar, e para as boas exibições de Reyes e Cardozo. A propósito destes dois jogadores, duas notas. Quanto a Reyes, e comparando com Di Maria (que hoje voltou a demonstrar carências importantes), não dá para perceber a preferência última de Quique para com o argentino. O jogo no Dragão deve dar pistas para o resto da época. Em relação ao clássico, nota para a substituição de Cardozo por Di Maria (com Nuno Gomes e Mantorras no banco), quando o resultado ainda se cifrava em 0x0, o que pode ser um indicador de que Suazo poderá não estar em condições para alinhar no Domingo e o treinador do Benfica tem um plano de jogo alternativo.
O Vitória de Guimarães, é notoriamente uma equipa em crescendo, e Nuno Assis um dos principais expoentes dessa evolução. A equipa apresentou-se no habitual 4x2x3x1, e a espaços, conseguiu jogar bem no relvado da Luz. Nota para a forma metódica e progressiva com que Manuel Cajuda tem integrado os reforços de Inverno.

Em Alvalde o jogo e o resultado foram mais desequilibrados do que na Luz. Já aqui me expressei acerca das opções de Jesualdo Ferreira, mas não me parece que os adeptos e responsáveis do Porto tivessem gostado de ver a prestação da equipa que defendeu o clube numa competição oficial.
Depois de estas duas equipas nos terem proporcionado, na Taça de Portugal, o melhor clássico da época, o de hoje, para a Taça da Liga, não tenho dúvidas que terá sido o pior.
O Sporting, apesar do resultado, não me parece ter realizado uma grande exibição. Pelo menos até ao 3x1, altura em que a resistência do Porto terminou. A equipa apresentou-se no sistema habitual, contudo com Vukcevic (avançado no papel) a descair muitas vezes para o lado direito, alargando o jogo da equipa, juntamente com Izmailov no flanco contrário. A defesa esteve sempre algo instável (particularmente Grimi), e no meio-campo Romagnoli teve sempre algumas dificuldades para assumir o seu jogo, criando as habituais situações de superioridade numérica numa das faixas.
Pelo contrário, Adrien realizou uma excelente exibição mostrando estar ali, na ausência de Miguel Veloso, a melhor solução para a posição 6. O luso-francês foi ainda bem secundado por Pedro Silva, Izmailov e Vukcevic, que realizaram boas exibições. Além de Derlei, claro, que com dois excelentes golos foi uma das maiores figuras do jogo. Acima de tudo, o Sporting aproveitou o facto de ter mais rotinas que o adversário, para afirmar a sua superioridade.
Do Porto, não se esperaria uma grande exibição. Nem que esta equipa fosse propriamente jogar de igual para igual com o Sporting. Contudo, a sua prestação, ao contrário do que afirmaram os seus técnicos, foi fraca. O 4x3x3 habitual com Farias, Mariano e Tarik, deu em certos momentos do jogo lugar a um 4x4x2, sempre que Mariano recuava uns metros. Aliás, o argentino foi um dos melhores jogadores do Porto, confirmando a sua subida de forma. Ele e Tomàs Costa. O resto da equipa definitivamente não esteve bem, revelando sempre dificuldades para levar perigo ao último terço do terreno. Mariano Gonzalez soltou-se bastantes vezes das marcações do meio-campo adversário, mas viu-se não raras vezes sozinho.
Em processo defensivo a equipa revelou muitas lacunas. Na primeira parte Guarín revelou muitas dificuldades na marcação, o que levou o Sporting a aproximar-se bastante da área do Porto. Mas tranquilamente Madrid (boa primeira parte do argentino), e a linha defensiva conseguiram resolver a maioria das situações. Na segunda metade nunca o Porto conseguiu 'aguentar' o Sporting. E se Stepanov, Benitez e Pedro Emanuel não ficaram nada bem na fotografia, o penalty de Sapunaru é de bradar aos céus. Enfim, uma estratégia de risco, que não deu resultado.
No próximo Domingo, dependendo do resultado do clássico com o Benfica, vamos perceber o verdadeiro sucesso deste planeamento.

Em Março, na final da Taça da Liga, um duelo muito interessante. Que será o 8º clássico do Sporting na temporada. Números atípicos. Mas, indiscutivelmente, bons para o espectáculo.

Porto - transição ou continuação?

à(s) 00:15

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008


O FC Porto é o segundo cliente deste espaço de análise, construído no sentido descendente, segundo a tabela classificativa do Mais Futebol.

Uma equipa que venceu o último campeonato com uma vantagem de 20 pontos para o segundo classificado, só poderia ser considerada a principal favorita à revalidação da conquista. Tal premissa seria uma verdade absoluta se o Porto não tivesse deixado sair três dos principais artífices do rendimento apresentado na época passada: Bosingwa, Assunção e Quaresma. Assunção era o pêndulo, o centro de todo o futebol do Porto, na fase defensiva, na fase ofensiva e nas suas respectivas transições. Por aqui se percebe a sua importância. Quaresma, mesmo que na época passada estivesse algo abaixo daquilo que pode e sabe fazer, continuava a ser o homem que colocava sempre junto de si dois adversários, um dos principais flanqueadores de jogo e um homem capaz de decidir um jogo. Bosingwa era a locomotiva. Um homem que conseguia fazer sozinho um corredor, permitindo derivações para o centro (criando superioridade numérica) do homem que jogasse à sua frente, factos que não o impediam de cumprir bem as tarefas defensivas.

A verdade é que nada disto é pouco. Estes homens representavam 30% do futebol do Porto, e nessa percentagem estavam incluidas diversas nuances que apenas as características dos próprios lhes permitiam desempenhar. Ora por aqui se vê a tarefa que Jesualdo Ferreira teria pela frente. Não direi que seja tão complexa como por exemplo a de Quique Flores, porque o treinador do Porto já orientava grande parte do seu elenco actual, estando portanto alguns dos seus jogadores já familiarizados com as suas ideias, mas, mesmo não tendo que implementar um novo modelo, algumas nuances teve que promover.
Admito que na sua óptica nem tudo fossem más notícias. Afinal, pode agora, com algumas das alterações efectuadas, aplicar de forma mais conveniente e com mais sucesso (Alvalde e Turquia por exemplo) um 4x4x2 que tentou em diversas vezes. Até porque que onde antes tinha Marek Cech, agora tem Tomás Costa, onde tinha Quaresma agora tem Cristian Rodriguez (mesmo que o português seja indiscutivelmente melhor jogador). Apesar de tudo é a partir do 4x3x3 que Jesualdo tem feito a equipa alinhar na maior parte dos jogos.

Helton é dono e senhor da baliza. Mesmo que o seu excesso de confiança (traduzido em algumas falhas) lhe tenha valido alguns jogos na bancada, a sua elasticidade, a facilidade em interceptar bolas aéreas e a qualidade com a bola nos pés, dão confiança à defesa, permitindo-lhes também jogar uns metros mais à frente.
No centro da defesa, o sempre impetuoso Bruno Alves, um dos bons centrais do nosso campeonato, é indiscutível. É um dos principais portadores da famigerada mística portista (não é por acaso que veste a camisola 2), e oferece soluções importantes nas bolas paradas ofensivas, quer em cantos, quer nos livres directos - embora ainda não seja o batedor que alguns querem fazer crer. Defensivamente, é praticamente intransponível em bolas altas, forte no um para um, embora quando desviado para zonas mais laterais, tenha algumas dificuldades. A seu lado o ex-Belenenses Rolando já conquistou o lugar. Paulatinamente tem vindo a melhorar o seu posicionamento, e faz uso da sua velocidade para dobrar muitas vezes os seus companheiros. Apesar de tudo, de certa forma ainda precisa de melhorar a sua leitura de jogo, mas numa escola de bons centrais como a do Porto não deverá ter dificuldades.
Nas laterais é diferente. É talvez o ponto mais débil deste Porto. Se de Lino e Benitez não há muito a dizer, porque até ao momento ainda não apresentaram rendimento para fazer parte de uma grande equipa, Pedro Emanuel continua o mesmo. Quando joga, é a voz de comando da equipa. A idade já não lhe permite o mesmo vigor físico, não tem a cultura de lateral, mas a sua presença é importante. Porque defensivamente fecha sempre muito bem junto aos centrais, e, quando a equipa se encontra em processo ofensivo, permite mais liberdade ao lateral contrário. Que actualmente é Fucile. Ganhou o lugar ao romeno Sapunaru, jogador no qual os portistas tinham depositado naturais esperanças, como substituto de Bosingwa, mas que demonstrou, apesar de ser bom tecnicamente, ser ainda algo macio e ingénuo. Fucile ganha muito com a presença de Pedro Emanuel precisamente pelo que referi atrás. Sendo mais forte a atacar do que a defender, o uruguaio sente-se mais confortável e melhora os seus desempenhos, aproveitando muitas vezes o facto de não ter ninguém à sua frente, porque quer Lisandro quer Hulk procuram muito o centro.

À frente da defesa, o brasileiro Fernando. Muitos esperam a todo o custo que se torne o novo Paulo Assunção, mas ninguém se deve esquecer que ainda na época passada jogava no Estrela da Amadora, muitas das vezes a lateral direito. No entanto, Fernando tem qualidade. Não terá propriamente as mesmas características de Assunção. Arrisco a dizer que não sendo naturalmente tão bom no processo defensivo, mostra pormenores que me fazem acreditar que ofensivamente é melhor jogador. Principalmente a nível do passe. Mas para o lugar de 6 no seu modelo, Jesualdo não quererá por certo grandes veleidades ofensivas. O professor pretenderá antes uma melhor cobertura do espaço, uma pressão inteligente e orientada para recuperar e sair a jogar com bola, um apoio aos centrais, um encurtar distâncias e melhorar a ligação entre a defesa e o meio campo. Por isso Assunção era um "5", Fernando é um "6", não desempenhando estas funções com a mesma qualidade. Mas tem potencial e tem vindo a crescer. Raul Meireles mais sobre a esquerda, joga à sua frente. É um médio típico do Futebol Total, colocando sempre grande intensidade no seu jogo, percorrendo cada quadradinho de relva, procurando cada bola. Passa, recebe, a equipa progride e ele muitas vezes surge na zona de finalização onde pode aplicar o seu forte pontapé. É o médio mais pressionante deste Porto. A seu lado e ligeiramente mais adiantado, Lucho Gonzalez. Podem vir tentar explicar as suas menos conseguidas exibições, com o facto de actualmente estar a desempenhar papéis diferentes em campo. Certo, tudo isso é verdade. Não há mais Paulo Assunção, e Lucho tem também de preocupar-se em equilibrar mais a equipa. Há Hulk mais a frente para combinações mais frequentes com Lisandro, e Lucho não aparece tanto em zonas de finalização, por permutas com o compatriota. Mas indiscutivelmente o argentino está em baixo de forma. Tem vindo a falhar alguns passes, algo absolutamente invulgar nele, não coloca tanta intensidade em campo (mesmo que não seja uma das suas principais características) e dá impressão que não procura tanto o jogo, para depois o ajudar (e como sabe ajudar) a decidir. Provavelmente um abaixamento de forma temporário, mas mais do que o Porto, o nosso campeonato precisa dele, ou não fosse o melhor jogador a actuar em Portugal.

À frente, habitualmente, um trio. Mais sobre a esquerda Rodriguez. O uruguaio foi contratado como substituto de Quaresma, mas tal facto é uma utopia. São jogadores completamente diferentes. Rodriguez coloca o jogo num nível mais físico e não tão técnico. Olhos no chão, progride metros com a bola desviando-se dos obstáculos, fazendo uso principalmente do "toca e foge". É um bom transportador de bola, aparece bem em situações de finalização, mas peca em relação a Quaresma em dois aspectos: não consegue alargar o jogo, e dificilmente decide um jogo sozinho. Apesar de tudo e como referi acima, veio proporcionar a Jesualdo Ferreira uma melhor explanação do 4x4x2, com fogachos de 4x3x3 (em fase ofensiva). Ele e Tomás Costa são os jogadores que melhor permitem este estado híbrido. Lisandro continua o mesmo. É certo que a presença de Hulk, enquanto não se vão entendendo, não lhe permite explanar o seu jogo a 100%. Agora aparece mais vezes no lado direito, muitas vezes mais longe da baliza, aproveitando menos a inteligência de jogo de Lucho. No entanto a raça está lá, a incrível facilidade de remate com os dois pés, o bom jogo de cabeça, o saber iludir as marcações, o permanente recuo para ir buscar o jogo, não sendo um avançado passivo e o também muito importante facto de ser o primeiro defesa da equipa. Depois Hulk. Ele que juntamente com Aimar tem sido provavelmente o jogador mais discutido deste campeonato. Lembro-me que quando chegou, numa altura em que para as bandas do Dragão se falava, por exemplo, de Simão e Adriano, a maior parte dos adeptos do Porto olhou-o de lado. Os adeptos rivais rejubilaram com a contratação e o valor dispendido. Hoje já não é bem assim. Em grande parte devido ao trabalho que Jesualdo Ferreira tem feito com o brasileiro. Hulk acaba por fazer jus ao nome. Num futebol actual onde este aspecto assume muita importância, a sua capacidade física é impressionante. A velocidade também. É uma tarefa quase impossível tirar-lhe a bola que leva colada ao pé esquerdo. Muitas vezes, tal como Rodriguez, de olhos colados no chão. Mas Hulk é diferente, tem mais técnica e é capaz de decidir jogos. Falta-lhe talvez o mais importante. Pôr o talento ao serviço do colectivo. É nesse aspecto que o treinador do Porto mais tem trabalhado, é esse aspecto que muitas vezes deixa Lisandro num autêntico ataque de nervos, por estar em melhor posição e ver Hulk a levar adiante uma jogada individual que sai frustrada. A sua inteligência de jogo tem que melhorar (e tem vindo a melhorar) para que possa ser um grande jogador. Até isso acontecer vai sendo um jogador com enorme potencial, com um incrível pontapé, que tem ajudado a crescer o Porto, mas que muitas vezes leva a equipa por caminhos errados. No entanto, é indiscutelmente por Hulk, que passa um dos caminhos para um Porto melhor nesta época.

O plantel do Porto não fica por aqui. Tem um suplente de luxo, chamado Tomás Costa. Um grande jogador, fortíssimo tacticamente, com capacidade técnica, e que põe a intensidade das pampas em campo. Sempre às portas do 11. Stepanov é um dos que está próximo da saída, não conseguindo fazer jus aos 4 milhões de euros nele investidos. No entanto penso que o Porto não se quererá desfazer definitivamente dele, até porque o que lhe falta em solidez mental, sobra em capacidade. Ainda muito para evoluir. Com Nuno no plantel Jesualdo pode contar com um elemento que não deixa Helton adormecer à sombra da bananeira e que é ao mesmo tempo uma força no balneário. De Pelé algo está por trás da sua ausência do jogo. Potencial não lhe falta, mas parece não estar completamente comprometido com a equipa e quando assim é, torna-se difícil. Guarín, é outro bom suplente do Porto. Jesualdo experimentou-o como homem mais recuado mas o colombiano não tem a cultura dessa posição. Terá que ter alguém nas costas para se sentir mais confortável. E aparecer nas imediações da área adversária, onde se costuma sentir confortável. Candeias, é o extremo mais puro deste Porto. Formado nas escolas do clube, tem demonstrado bastante potencial devido a uma habilidade técnica acima da média. Pode ser uma solução importante para determinadas situações. Tarik nem tanto. Jesualdo conseguiu tirar dele (principalmente) na época passada um rendimento que muitos não achariam possível. Nesta as aparições do marroquino têm sido diferentes. É certo que começou lesionado, que há o Ramadão, mas desconfio que não vá ser figura de proa neste Porto. Mariano será algo mais. O argentino pensa mais depressa que aquilo que as suas capacidades técnicas permitem, e por isso é muito trapalhão. Mas a sua versatilidade, o seu querer, farão com que apareça em bastantes jogos, muitos deles vindo do banco. De Farías uma incógnita. Quase sempre que joga, marca. Apesar disso o seu rendimento em campo nunca é excepcional. Alguns jogos são mesmo muito fracos. Provavelmente por isso não aparece tantas vezes em campo. Porque se olhássemos apenas para as estatísticas, o argentino andava na linha da frente.

Em suma, o Porto ficou a perder nas trocas de Bosingwa por Sapunaru, de Assunção por Fernando, de Quaresma por Rodriguez e também, devo dizê-lo de Carlos Azenha por José Gomes ( a nível de postura e de conhecimento). Mas ganhou entre outros, Tomás Costa e Hulk. E é pelo equilíbrio que Jesualdo Ferreira conseguir dar aos pratos da balança que passará grande parte do sucesso do Porto.
A equipa mantém-se muito pressionante, não dando grandes espaços para o adversário jogar, melhorou nas bolas paradas ofensivas, o meio-campo continua a articular-se com inteligência. Mas não explora ainda de forma conveniente o jogo lateral, e muitas vezes define mal na hora de atacar. Defensivamente, ainda existem algumas descoordenações, naturais porque não havia Rolando e Fernando a época passada. Apesar de tudo, temos aqui mais um forte candidato ao título.

Sorteio UEFA

à(s) 00:07

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


Motivos pessoais impediram-me de expressar uma análise sobre o sorteio das competições europeias, no que concerne especialmente às equipas portuguesas.

Começando pela Champions, penso que o Sporting não foi feliz no sorteio. Aliás, se quisermos falar em sorte, a única que o Sporting teve foi ter evitado o Man Utd. Ainda assim e falando em patamares, colocaria os alemães no primeiro juntamente com a equipa de CR7, Juventus e Liverpool no segundo e Roma e Panathinaikos num terceiro.
A equipa de Jurgen Klinsmann, depois de uma passagem pela Taça UEFA (onde na época passada atingiu as meias-finais), parece estar a regressar ao seu melhor nível. Para documentar esse facto, constatamos que num grupo que contava com Lyon e Fiorentina, o Bayern classificou-se em primeiro lugar, invencível, apenas com dois empates.
Com o pouco consensual Rensing na baliza (Butt é o seu suplente), Lahm à esquerda e Oddo à direita ocupam habitualmente as laterais, enquanto a dupla de centrais é sul-americana: Lúcio e Demichelis. À espreita para a zona central surge o belga Van Buyten. Na zona central do meio campo, Van Bommel tem sido praticamente indiscutível como homem mais recuado, tampão para as investidas contrárias. A seu lado, com mais liberdade para se soltar em tarefas mais ofensivas, Zé Roberto ou Tim Borowski, homens que possuem muita qualidade no remate. Nas alas, usando e abusando de movimentos interiores, Ribery à esquerda (a principal estrela da equipa) e Schweinsteiger à direita (perigosíssimo nas bolas paradas). Na frente são os fortes e perigosíssimos Toni e Klose as setas apontadas às balizas contrárias. Podolski continua a esperar por uma oportunidade.
No campeonato, o Bayern segue em primeiro lugar em igualdade pontual com o surpreendentemente Hoffenheim. Osso muito duro de roer para o Sporting, que precisará ser a equipa muito certinha e eficaz que tem sido na maior parte da Champions, e ganhar algum estofo que não demonstrou contra o Barcelona, para acalentar esperança de seguir em frente.

O Porto fará uma deslocação bem mais curta até Madrid. Para defrontar o Atlético. Aqui, se quisermos continuar a falar em sorte, chegamos à conclusão que o Porto evitou os teoricamente mais fortes Real Madrid, Inter e Chelsea e os teoricamente mais fracos Villarreal. Lyon e Atlético de Madrid seriam dos possíveis adversários, aqueles que mais se equivalem ao Porto, e surgindo o Atlético como adversário, penso que se tratará de uma partida muito equilibrada, e previsivelmente com muitos golos.
O Atlético qualificou-se em segundo lugar do seu grupo, apenas atrás do Liverpool, numa disputa muitíssimo equilibrada pelo segundo lugar. Terminou a primeira fase também sem derrotas, num grupo que, para além dos ingleses, contava com Marselha e PSV, boas equipas europeias, e habituais na Liga dos Campeões. No equilibradíssimo (por cima) campeonato espanhol, os colchoneros estão actualmente em 3º lugar a um ponto do Sevilla, e à frente de Real Madrid, Valência e Villarreal. Longe, em primeiro lugar, seguem os incríveis de Barcelona.
A equipa de Simão Sabrosa, joga num esquema muitíssimo semelhante ao Bayern, adversário do Sporting. Na baliza Coupet e Léo Franco vêm discutindo uma vaga entre os postes. São dois bons guarda-redes, embora o francês estando em forma, seja melhor jogador. Para formar o quarteto defensivo Javier Aguirre tem tido algumas dúvidas o que é natural, até porque domesticamente a equipa sofreu 23 golos em 16 jogos. Antonio Lopez, Perea, Pernia e Seitaridis formavam a defesa mais utilizada na época passada, mas as chegadas de Ujfalusi e Heitinga trouxeram um acréscimo de qualidade, para já ainda insuficiente. À frente da defesa, mais posicional o ex-Porto Paulo Assunção (que certamente não terá uma recepção muito favorável no Dragão), e ainda no centro, embora ligeiramente mais adiantado, surja Maniche (que ganhou o lugar a Raul Garcia). Nas alas, à direita o argentino e muito influente Maxi Rodriguez, e à esquerda Simão Sabrosa, que continua letal nas bolas paradas. Luis Garcia é um suplente de luxo. Como dupla avançada, os muito móveis Forlán e a super-estrela Kun Aguero. Estes dois homens são sinónimos de muitos golos (Pongolle, jogador também muito perigoso, é suplente da dupla). Este Atlético de Madrid é actualmente permeável defensivamente, mas tal facto também se deve ao grande ímpeto ofensivo que coloca no seu jogo. Numa eliminatória que prevejo muito equilibrada, o Porto terá de se preocupar em trazer um bom resultado do Vicente Calderon, onde sofrerá uma grande pressão, para tentar resolver a eliminatória na Invicta.

Pela Taça Uefa, o adversário do Braga, serão os belgas do Standard Liége, orientados por Laszlo Boloni. A equipa belga passou por uma travessia no deserto nos últimos anos, arredada dos títulos, mas o ex-jogador do Benfica Michel Preud'Homme devolveu alguma da glória passada ao clube, dando-lhe um título e operando uma verdadeira revolução na forma de trabalhar, apostando fortemente nas camadas jovens. Fellaini foi o primeiro a dar o salto, Defour e Witsel podem seguir-lhes os passos. Todos provenientes da academia dos belgas, e previsivelmente movimentando valores muito elevados. Na Liga Belga o Standard tem feito uma carreira algo abaixo das expectativas, ocupando actualmente o segundo posto atrás do Anderlecht. Pelo contrário, na Taça UEFA, foi primeiro colocado do grupo mais forte da fase inicial, apurando-se juntamente com Estugarda e Sampdoria, e deixando de fora os espanhóis do Sevilha.
Boloni esquematizou a equipa em 4x3x3, com Aragon na baliza, a (ex) promessa americana Onyewu a acompanhar Sarr no centro, enquanto os brasileiros Comozatto e Dante Bonfim (este já falado como estando na órbita do Benfica), ocupam as laterais direita e esquerda respectivamente. No meio campo o experientíssimo Wilfried Dalmat (um poço de técnica), acompanha as super promessas belgas Witsel e Defour. O trio ofensivo é constituído por De Camargo e Mbokani nas alas, a apoiar a principal estrela da equipa, e talvez o melhor jogador do campeonato belga, Milan Jovanic.
Prevejo igualmente uma eliminatória muito equilibrada, com o Braga a sentir algumas dificuldades. No entanto, o Braga tem provado ao longo da época que adquiriu já um importante estofo europeu, aliando boas exibições a bons resultados. No entanto, convém também não esquecer que o Standard Liége disputou a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, obrigando o Liverpool, a disputar um prolongamento. Além de tudo, duelo táctico interessante entre Jesus e Boloni.

Liga dos Campeões

à(s) 21:59

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A frase quem ri por último ri melhor, tem circulado nos últimos minutos de forma assídua na Internet. Refere-se à vitória do Porto frente ao Arsenal e consequente conquista do primeiro lugar do grupo. Apesar de os ingleses terem vindo ao Porto num ritmo descontraído e sem algumas figuras. Assim, o Porto não desejará encontrar Inter, Chelsea e Real Madrid. Lyon, Villarreal e Atlético de Madrid serão adversários de menos nome, mas nem por isso a tarefa do Porto, seja qual for o adversário dos oitavos, se afigura fácil.
O Sporting venceu ontem em Basileia, alcançado, tal como o Porto, uns óptimos e muito valorosos 12 pontos. O seu segundo lugar faz com que haja a possibilidade de defrontar o Panathinaikos nos oitavos de final, equipa grega que actualmente é a mais desejada pelos segundos classificados. Em contrapartida, Manchester Utd, Roma, Liverpool, Juventus e Bayern de Munique são adversários de muito maior peso.
De resto, os oitavos de final em Fevereiro, perspectivam já muitas possibilidades de confrontos interessantes.

Porto europeu

à(s) 04:17

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Muito interessante e animador para os seus adeptos, o Porto de ontem à noite. Num palco tradicionalmente difícil para qualquer equipa que o visite, e perante um adversário que necessitava da vitória a todo o custo, o que se viu ontem à noite na Turquia, foi um Porto bastante forte.
Um Porto que durante todo o jogo, assentou num 4x4x2, preenchendo bem o meio campo, sempre com Rodriguez a permitir que o sistema fosse de certa forma híbrido, quando (não muitas vezes) abria na faixa esquerda em processo ofensivo, transformando o 4x4x2 numa espécie de 4x3x3.

No entanto é da experiência europeia em 4x4x2 que importa falar. Uma experiência que foi de sucesso. E algo que faltou na época passada ao Porto, para se afirmar mais consistentemente na Liga dos Campeões. Obviamente que a ausência de Lucho tirou alguma qualidade e inteligência aos movimentos da equipa, mas mesmo sem o argentino, a equipa do Porto demonstrou sempre que sabia muito bem o que estava a fazer em campo. Ocupando sempre muito bem os espaços, adiantando bem as linhas para pressionar alto o meio campo e contrário, e muito importante, saindo bem para o ataque. Neste jogo também, Rodriguez pode confirmar a Jesualdo Ferreira, que é mais sobre o meio-campo que rende mais. E Tomás Costa (principalmente) e Guarín, dão ao treinador do Porto, opções que na época passada não tinha. Uma palavra para Fernando que, mesmo sem atingir ainda o nível de Assunção, tem crescido bastante, e fez mais um excelente jogo.

Obviamente que o Fenerbahce é uma equipa bastante diferente da que na época passada, quase eliminou o Chelsea da Liga dos Campeões. Aragonés não soube aproveitar o excelente trabalho de Zico, antes pelo contrário, desperdiçou-o por completo. Este jogo demonstra que a grande parte dos jogadores não estão com ele. No entanto, nada disso retira brilho à vitória do Porto, onde Lisandro voltou a ser o atacante mortífero da época passada. Resta um jogo, no Dragão com o Arsenal. Vencendo, o Porto alcança o primeiro lugar e evita os principais tubarões. Será mais um teste à dimensão europeia do clube. O último antes das eliminatórias, onde tudo se decide.

Notas do clássico

à(s) 14:59

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Assistimos no passado fim-de-semana aquele que provavelmente foi o melhor clássico da época. Acredito que muito por culpa da postura do Sporting, que "obrigou" o Porto a dar o seu melhor para que, em virtude dos moldes da competição, não ficasse de fora.

As equipas entraram em campo de forma completamente oposta. Paulo Bento montou o Sporting no losango habitual, acrescentando (entre outros) Romagnoli em relação ao último clássico. A presença do argentino, principalmente nestes jogos, é fundamental para o clube de Alvalade. Jogando no vértice mais ofensivo do losango, Romagnoli procura muita das vezes uma faixa (normalmente a esquerda) causando desequilíbrios e muitas situações de superioridade numérica. O Sporting tirou grande vantagem dessa basculação do argentino e das combinações explosivas com Izmailov (o melhor jogador do Sporting), ao mesmo tempo que Postiga e Liedson desgastavam bastante a defesa do Porto.

Já o Porto entrou em campo bastante amorfo. Jesualdo Ferreira voltou a fazer uma alterações (é prática comum nestes clássicos), mas a presença de Mariano entre os titulares não se compreende, quando Rodriguez e Tomás Costa aqueciam o banco. Mariano não é o melhor jogador do mundo, mas vê-se que para além das limitações técnicas sofre também de alguma crise de confiança - e obviamente que lançá-lo num clássico destes, depois de alguns jogos longe da titularidade, não ajuda. De resto o Porto jogou com as linhas bastante recuadas, com Lisandro (?) e Mariano variadíssimas vezes a jogar no meio campo, ficando Hulk mais na frente.
Esta forma de jogar confundiu o Porto, e a avalanche ofensiva do Sporting foi crescendo. Em qualidade e intensidade. 0 1x0 ao intervalo era inteiramente justo.

Na 2a parte Rodriguez substituiu Mariano Gonzalez, mas não foi apenas isso que mudou no jogo do Porto. Lisandro juntou-se mais a Hulk na frente, e os desequilíbrios criados por Romagnoli e Izmailov na primeira parte, eram agora "imitados" por Hulk e Rodriguez na faixa esquerda do Porto. O Porto chegou ao golo do empate num lance de contra ataque, numa grande jogada de Hulk. A propósito deste tema, penso não ser coerente criticar Rochemback. Todos sabemos que o brasileiro não faz da velocidade a sua principal arma. Nem é condição essencial para se ser bom jogador de futebol, a rapidez, caso contrário as equipas seriam constituídas por 11 velocistas. Rochemback terá outras características importantes para o Sporting, e o problema naquela jogada foi ser ele a acompanhar Hulk. Numa transição defensiva rápida, não pode ser Rochemback a acompanhar o jogador mais veloz da equipa adversária.

O jogo manteve-se vivo e emotivo até ao final, com algum ascendente do Sporting, mas com o Porto a criar bastantes jogadas de perigo. O 1x1 pode considerar-se justo, até porque nenhuma equipa merecia a eliminação.