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A evolução do Shakhtar

à(s) 02:52

quinta-feira, 21 de maio de 2009


O clube ucraniano tem pouco mais de 70 anos de vida. Ainda longe do centenário, ainda longe da grandeza histórica dos rivais de Kiev, onde se destaca o Dynamo. Contudo, desde a virada do século, os 'laranjas' de Donetsk adquiriram um maior protagonismo interno, alargado nas últimas épocas para carreiras interessantes no domínio europeu. Terminaram com a hegemonia do clube da capital, ao mesmo tempo que conseguem já a maior média de assistências do campeonato ucraniano.

Se o maior protagonismo interno foi inicialmente adquirido, como referi, na viragem do século (Taça da Ucrânia em 2001, Dobradinha em 2002), com recurso a jogadores ucranianos (os africanos Aghahowa e Okoronkwo seriam as excepções com maior qualidade), foi a partir de 2004/2005, com a abertura das fronteiras de Donetsk ao mercado brasileiro que o clube deu o grande salto. A nível interno campeonatos conquistados em 2005, 2006 e 2008, Taça em 2008, Supertaça em 2005 e 2008. E a chegada de brasileiros como Elano, Jadson, Matuzálem, Leonardo, Fernandinho, Willian, Ilsinho ou Luiz Adriano. Tudo jovens com grande margem de evolução, e ainda não totalmente preparados para o salto do Brasileirão para os grandes clubes dos principais campeonatos, ao mesmo tempo que apresentam uma qualidade indiscutível.

Na Europa, e depois de carreiras interessantes na Taça UEFA e na Liga dos Campeões, chegou hoje a consagração na UEFA. Sob o comando do competente Mircea Lucescu, o Shakhtar emergiu de um grupo interessante de candidatos onde figuravam nomes fortes como Milan, Valência ou Zenit e interessantes como Bremen, Hamburgo, City, Villa, Tottenham, Udinese, Marselha ou CSKA, entre outros. Nesta competição, que neste formato, teve o seu término em 2008/2009, é difícil apontar o clube mais forte. Essencialmente pelo facto de os treinadores rodarem bastante o onze, privilegiando as competições internas. Apesar de tudo, os ucranianos foram certamente das equipas mais fortes e consolidadas e como tal, a vitória final assenta bem.

Tacticamente a equipa assenta num 4x2x3x1, muito dinâmico. Na baliza Pyatov é um guarda-redes interessante, com bons reflexos e apesar da falha monumental frente ao Bremen, mais forte entre os postes do que fora deles. À sua frente Chygrynskiy é titular indiscutível, o típico central da escola ucraniana, corpulento mas com grande leitura de jogo e forte no desarme, enquanto Kucher e Ischenko discutem a outra vaga. Os laterais são jogadores semelhantes, de muitíssima qualidade e de grande propensão ofensiva. O croata Darijo Srna e o romeno Rat, dois protótipos do lateral moderno.
Á frente da defesa um duplo pivot. Hubschmann mais posicional (castigado na final e substituído por Lewandowski), compensa quase sempre as subidas dos laterais. No papel ao seu lado, mas com incomparavelmente mais liberdade o tecnicista Fernandinho, temível na bola parada, e com grande facilidade de remate. Nas laterais, igualmente dois brasileiros. Ilsinho (lateral de origem mas com grande qualidade técnica) mais vertical na direita, o jovem Willian mais sobre a esquerda, ele que originalmente é uma espécie de 10 à moda antiga, quase sempre em diagonais para o interior do terreno, deixando as costas para as subidas de Rat.
Mais adiantados, os maiores desequilibradores e fazedores de golos: Luiz Adriano mais fixo na frente, entre os centrais. Jadson nas suas costas, numa espécie de 'jogador 9,5', capaz de contribuir com bastantes golos e assistências. Referência ainda para Marcelo Moreno, boliviano vindo do Cruzeiro, que na UEFA jogou pouco, mas com muito futebol nos pés, e uma próxima temporada à espera da explosão no futebol europeu.

Enfim, os ucranianos mantiveram o bom registo dos países de leste na Taça UEFA. Nas últimas 5 épocas, pelo meio da dobradinha do Sevilha, CSKA, Zenit e agora Shakhtar inscreveram o nome na galeria dos vencedores. Para o clube de Donetsk este é o mote decisivo para o estabelecimento de um nome forte e respeitado na Europa do futebol. O grande desígnio do actual presidente - vencer a Liga dos Campeões, pode já ter estado mais longe.

O Paços de Paulo Sérgio

à(s) 02:41

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Quando o sorteio das meias-finais da Taça de Portugal ditou os confrontos entre Porto e Estrela da Amadora, e entre Nacional e Paços de Ferreira, o mundo do futebol pensou que, com maior ou menor dificuldade, os finalistas estariam à partida encontrados. Seriam FC Porto e Nacional da Madeira os intervenientes desta época no espectáculo do Jamor (e sim, apoio e apoiarei o Estádio Nacional como melhor local para se realizar a Final, ontem, hoje, provavelmente amanhã).
O futebol é uma caixinha de surpresas e o potencialmente melhor preparado Nacional foi surpreendido em plena Choupana por um Paços de Ferreira que pela primeira vez ao longo da actual época respira no campeonato com alguma tranquilidade.

A equipa sofreu de dores de crescimento ao longo de quase toda a época. Afinal, sofreu uma transição de treinadores com métodos e formas de pensar bastante diferentes. Saiu José Mota, homem da casa, e com obra feita no clube, chegou o promissor Paulo Sérgio, ex-jogador do Paços e ex-treinador do Beira-Mar.
De facto foram inúmeras as críticas ao jovem técnico. O Paços perdeu por 6 vezes nas primeiras 7 jornadas, provavelmente por alterar em demasia a forma de jogar, de partida para partida, mais em função do adversário, e das exigências que cada jogo previsivelmente traria. De facto, é difícil compreender e vai contra todas as 'regras' do futebol promover tanta rotatividade entre sistemas, que era o que acontecia no Paços, algures entre o 3x5x2, o 4x3x3 e o 4x2x3x1.
Actualmente, Paulo Sérgio já não o faz. Tem um sistema base - o 4x3x3 e promove algumas nuances de acordo com o adversário, ora interiorizando mais os extremos, ora jogando em duplo pivot defensivo, ora utilizando uma frente de ataque mais móvel. A base, contudo, mantém-se. E o facto de os melhores resultados aparecerem na fase terminal da época, quando os jogadores melhor assimilaram este conceito, não será de estranhar. Mérito também do treinador, jovem português com qualidade e margem de progressão. E muito importante, privilegia as boas ideias, o futebol positivo.

Nas quatro linhas, é na defesa que mora o ser o sector mais frágil da equipa. Na baliza, a herança deixada por Peçanha era enorme. Cássio é um bom guarda-redes, mas capaz do melhor e por vezes do pior, deixando a equipa algo insegura. À sua frente, Ricardo, central de raiz, ocupa mais frequentemente o flanco direito da defesa, desde que Ferreira subiu para o meio-campo. À esquerda, Jorginho chegado no Inverno, dá muita qualidade à equipa, forte a defender, forte a atacar. No centro da defesa Danielson e Kelly fazem uma dupla razoável, algo normal, porque o brasileiro chegou apenas em Janeiro e o francês é lateral esquerdo de origem.
É no meio-campo que reside a maior riqueza de opções no Paços. Paulo Sousa, Pedrinha, Dedé, Filipe Anunciação e o referido Ferreira conferem segurança defensiva, apesar de Pedrinha ser de todos o mais dotado tecnicamente, o mais criterioso na posse de bola. Depois, Rui Miguel e Cristiano, um português e um brasileiro, as duas mais valias da equipa, os jogadores mais capazes de desequilibrar o adversário. Jogando mais sobre a ala, ou mais puxados ao centro, a equipa ganha criatividade e qualidade com estes elementos.
Na frente, na ausência do goleador William, André Pinto, Carlos Carneiro ou Edson dotam o Paços de soluções importantes.

É com este plantel que o Paços afastou Naval, Vizela, Arouca e Rebordosa. E que vai permitir a Paulo Sérgio coroar com uma final a sua época de estreia num clube primodivisionário. Ao mesmo tempo que se trata de um grande prémio para uma equipa modesta, cumpridora e séria.
No Jamor o favoritismo está todo do lado do Porto. Os castores chegarão a esse palco conscientes desse facto, mas sabendo que o futebol é uma caixinha de surpresas e que num dia bom, conjugado com uma tarde menos feliz dos dragões, a equipa tem hipóteses de conquistar o troféu. E mesmo que não aconteça, as competições europeias, em 2009/2010 já colocarão os pacenses no mapa do futebol europeu. Quem diria?

O Marítimo de Lori Sandri

à(s) 15:06

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


O Marítimo é a última equipa a figurar neste espaço de análise, conforme por mim proposto - 7 primeiros classificados da Liga.
Esta época na Madeira continua a senda de bons resultados. O Marítimo não tem ficado atrás do Nacional e, fora algumas fragilidades demonstradas com os grandes (apesar de ter empatado a zero no Dragão), tem feito um percurso muito interessante no principal campeonato. Mesmo depois de um início muito tremido da turma de Lori Sandri.
Em relação ao brasileiro, confesso que inicialmente olhei com bastante desconfiança para a sua contratação. Um pouco à imagem de Casemiro Mior. Só que enquanto este último teve a liberdade, de uma direcção recém empossada e com problemas mais céleres para resolver, para promover uma autêntica revolução (com sotaque no plantel), no Marítimo contratou-se com ciência e qualidade. E houve tempo (mesmo após insistentes rumores no início da época de que o brasileiro estaria por um fio) para adaptação a um novo futebol. Hoje, pode dizer-se que a substituição de Sebastião Lazaroni foi mais pacífica do que se poderia supor.

Sandri esquematizou a equipa numa espécie de 5x3x2, um esquema que no Marítimo facilmente varia para 3x5x2 ou 3x4x3. Para estas derivações três jogadores chave: Paulo Jorge, Miguelito e Marcinho.
Na baliza Marcos é indiscutível. Embora recentemente tenha sido ventilado como potencial alvo do Benfica, não o considero guarda-redes para equipa grande. No entanto, os seus méritos e as suas qualidades são indiscutíveis, e é claramente um dos melhores guarda-redes das equipas da 'classe média' do nosso campeonato. A sua experiência transmite confiança aos homens que jogam à sua frente.
Que são três. Van der Linden foi o homem que Carlos Pereira escolheu para perpetuar a saga de centrais holandeses iniciada pelo excelente Van der Gaag. Considero-os jogadores parecidos. Têm qualidade, a escola holandesa, que faz do posicionamento a sua principal arma. Ofensivamente, não sendo tão forte como o seu antecessor, é também perigoso. Um bom jogador. A seu lado, dois brasileiros: Fernando Cardozo e João Guilherme. O primeiro, tem os genes do sul do Brasil. O típico central duro, forte, intenso. É muito forte no jogo aéreo, e na marcação é impiedoso. João Guilherme é diferente, mais técnico, não tão intenso. Muitas vezes funciona como uma espécie de líbero, aproveitando também a sua cultura de médio defensivo, vemo-lo aliás não poucas vezes junto de Olberdam.

Este brasileiro, é o tampão do meio-campo. O típico ladrão de bolas. Já anda por Portugal há alguns anos, mas após um início difícil, tem vindo a assumir-se como um bom jogador. E atenção, porque não é um simples tosco. Chuta para a bancada quando é preciso, mas sabe também sair a jogar. Embora essa função esteja mais a cabo do capitão Bruno, já uma espécie de enciclopédia da bola. Procurem a esperteza, a sapiência num jogador, aliem-na a qualidade técnica, a capacidade de sair a jogar e fazer a equipa jogar, e encontram em Bruno esse jogador. É provavelmente a extensão do treinador em campo.
Nas alas Paulo Jorge e Miguelito. Dois dos tais homens que permitem à equipa variar entre sistemas. Porque são defesas laterais em processo defensivo e verdadeiros médios ala quando a equipa tem a bola. O primeiro tem sentido mais dificuldade para adaptar-se a essa posição, mas o seu jogo tem melhorado gradualmente, e são constantes os desequilíbrios que provoca na defesa contrária. Quanto a Miguelito já conhece a posição de trás para a frente, penso aliás ser essa a posição onde mais rende. Carlos Fernandes tem de esperar para jogar, e terá mais hipótese de fazê-lo como terceiro central.

Na frente três homens que fazem da mobilidade e qualidade técnica a sua principal arma. Principalmente Marcinho e Djalma. Baba é diferente. É o mais fixo dos três, aquele que tem como função aparecer mais vezes na área, em zona de finalização. Tem sido uma boa surpresa e acredito, deixado Bruno Fogaça em desespero pela sua pouca utilização. No entanto, Ytalo deverá surgir mais forte nesta segunda metade, e ser um concorrente forte do senegalês.
Marcinho é outra das chaves para Sandri. Tem uma qualidade técnica fantástica, mas tacticamente é débil. Talvez por isso o treinador não o agarre muito a uma função. Parte do centro do meio-campo ofensivo, mas vemo-lo descair muitas vezes para as alas. Nascem dos seus pés grande parte das boas jogadas do Marítimo. Dos seus e dos de Djalma, talvez a principal figura da equipa. O angolano tem sido um dos bons jogadores da Liga, e jogando maioritariamente nas alas, aparece muitas vezes em posição de finalização. A equipa parece jogar para estes dois homens, protegidos por uma armada bem montada nas suas costas, habitualmente com uma referência à sua frente, o brasileiro e o angolano jogam e fazem jogar.

Apesar do actual sétimo lugar, e de ter bons 13/14 jogadores este plantel do Marítimo parece-me mais curto em qualidade do que os anteriores. Desde que não haja baixas prolongadas, o clube parece-me ser também um candidato sério à taça UEFA. Caso contrário será mais difícil. A acompanhar.

A Madeira também é Nacional

à(s) 03:17

terça-feira, 13 de janeiro de 2009


O Nacional não é um clube com uma história muito extensa no nosso futebol. Principalmente no principal campeonato. Mesmo na Madeira viveu muitos anos na sombra do Marítimo.
No entanto, nos últimos anos tem vindo a ganhar um estatuto importante de forma absolutamente merecida. Se em relação ao Sporting de Braga mencionei o seu presidente como parte essencial do seu sucesso, também neste caso importa mencionar Rui Alves. Mesmo que tenha beneficiado de determinadas contigências.

A verdade é que nesta época, corrigiu, o que de alguma forma foi um erro de casting na época passada, e colocou Jokanovic (aproveitando os seus conhecimentos na área) como principal rosto da exploração de um mercado alternativo ao brasileiro. Para o seu lugar, um homem competente - o professor Manuel Machado. Que tem recolocado o clube nos lugares cimeiros, algo a que o Nacional nos tem vindo a habituar nos últimos anos.

Machado esquematizou a equipa num 4x4x2 losango. Mesmo perdendo jogadores importantes como Diego Benaglio, Fernando Cardozo, Juliano Spadacio e Fellype Gabriel, construiu uma equipa forte, que joga bem futebol e não é demasiado calculista, o que proporciona sempre bons espectáculos.
Na baliza Rafael Bracalli, tem sido um excelente subsituto de Diego, revelando uma boa presença entre os postos.
Nas laterais, Alonso à esquerda e Patacas à direita providenciam importante balanço ofensivo, fulcral para o sucesso do modelo. O brasileiro cota-se como um dos melhores laterais da Liga, enquanto o capitão Patacas é o grande patrão do balneário. Nuno Pinto (ex- Trofense, formado no Boavista) é uma importante alternativa a Alonso.
No centro da defesa o argelino Halliche, e os brasileiros Maicon e Felipe Lopes vão discutindo as duas vagas. São bons jogadores, de valia semelhante, fortes no jogo aéreo, que se posicionam bem, e dão tranquilidade ao treinador.

O meio campo tem primado por alguma rotatividade. Se à frente da defesa Cléber Oliveira é o dono do lugar, no vértice ofensivo, a grande aposta de Manuel Machado é uma carta fora do baralho: Rafael Bastos. O brasileiro nunca conseguiu ser o jogador que foi no Belenenses, e actualmente já não faz parte do plantel.
No entanto, Ruben Micael, ex-jogador do União da Madeira, tem desempenhado bem essa função. O madeirense tem qualidade e tem sido uma das boas revelações da Liga. É rápido, desequilibrador, e aparece bem em zonas de finalização.
Nos vértices laterais Edson Sitta e Luis Alberto são os homens que têm actuado mais vezes. Note-se que não são jogadores que abram na faixa, em posse, antes povoam mais zonas centrais. E cobrem bem as subidas dos laterais, que pela qualidade com que atacam, são os eleitos de Machado para povoar as alas, em processo ofensivo. Quero referir Luis Alberto, um bom jogador, proveniente do Cruzeiro, e que tacticamente é de uma competência enorme.
Bruno Amaro, mais numa lógica de contenção (também pode jogar no flanco direito da defesa) e Juninho numa perspectiva mais ofensiva, são complementos importantes aos habituais titulares nesta zona do campo.

Na frente, indiscutivelmente Nené, principal figura da equipa. Curiosamente, o brasileiro foi observado por Manuel Machado numa digressão promocional por Portugal dos jogadores dispensáveis (?!) do Cruzeiro. Actualmente, mais do que uma aposta ganha, é o melhor marcador do campeonato. Bom jogo de cabeça, bom posicionamento, velocidade, remate com os dois pés, muito espírito de equipa. Este é Nené. Um jogador que vai dar que falar. A seu lado Mateus ou Fabiano Oliveira. Se for o angolano, a equipa ganha um homem rápido, que gosta de cair nas linhas, iludindo marcações. Em alternativa, o brasileiro é um jogador mais tecnicista, e mais parecido com Nené. Duas boas opções contudo.
Pavlovic, Lovro e Duje Cop são três jovens promessas recrutadas por Jokanovic. Dos três, destaco o último, que aos 18 anos é já uma certeza no seu país, e tem muito futebol nos pés. Vamos concerteza ter oportunidade de conhecê-lo melhor a partir de Janeiro.

Enfim, este Nacional da Madeira é uma das boas equipas deste campeonato, e o mesmo se aplica no que concerne ao futebol praticado.
A qualidade individual dos seus jogadores, e a boa esquematização táctica imposta pelo seu técnico, faz com que possa ter aspirações de vencer qualquer adversário. E torna-o num muito forte candidato à Taça UEFA.

Bom Jesus de Braga

à(s) 12:57

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


A minha idade não me permite ver futebol há tanto tempo quanto isso. Lembro-me vagamente do Braga do Rui Correia, do Zé Nuno Azevedo, do Artur Jorge, do Barroso, do Karoglan ou do Forbs. Depois o de Armando Sá, Ricardo Rocha, Tiago, do Fehér, do Zé Roberto. Provavelmente alguns destes jogadores nem coincidiram na mesma equipa, mas a ideia que essencialmente quero passar, é que todos eram grandes jogadores. Mas não tenho a memória de considerar o Braga ano após ano como uma equipa temível. Naturalmente, um candidato à UEFA, ou à primeira metade da tabela.
Isso mudou. E justiça seja feita desde a chegada de António Salvador, aquele que considero um dos dirigentes mais sagazes e profícuos do futebol português. Um homem, que desde que começou a consolidar o seu projecto, colocou o Braga como actual quarto grande do futebol português (sim, considero o título de quarto grande rotativo, ou seja Belenenses, Boavista, Braga e Vitória de Guimarães vão chamando a si a disputa). Contratações cirurgicamente (bem) efectuadas, um estádio fantástico que foi um acto de coragem, boa política financeira.

Mas, apesar de tudo, com um ego demasiado grande. Ou provavelmente com a ambição que o clube crescesse mais depressa do que podia. Por isso, desde a saída de Jesualdo Ferreira (após excelente trabalho) nenhum treinador tenha conseguido cumprir a 100% os objectivos propostos. E por lá passaram homens competentes como Carlos Carvalhal, Manuel Machado ou Jorge Costa. Este ano talvez seja diferente. Salvador contratou alguém que sabe muito da coisa - Jorge Jesus. E que provavelmente tem um ego até maior que o seu. Mas agora, tem uma espécie de dicionário do futebol nacional - Carlos Janela - a fazer a ponte. E os resultados estão à vista. Embora uma maior focalização inicial na Europa tenha feito o Braga sair de duas competições (Taça de Portugal e Taça da Liga) mais cedo do que o previsto, no campeonato os minhotos estão a apenas quatro pontos do primeiro lugar. As hipóteses de uma candidatura mais séria serão testadas durante este mês de Janeiro.

A equipa assenta por base numa mescla entre o 4x4x2 losango e o 4x1x3x2. Para isso, conta com a capacidade de Luis Aguiar bascular no terreno, alternando, muitas vezes no mesmo jogo, entre os dois sistemas. Quando joga Mossoró no centro, pelas suas características, tem mais dificuldade em baixar fazendo com que o Braga assuma mais o losango.
Na baliza aquele que considero o melhor guarda-redes do campeonato - Eduardo. Excelente quer entre os postes, quer fora deles, transmite muita força, liderança e confiança ao quarteto defensivo.
Que tem sido assolado por lesões, essencialmente no centro da defesa. Se Paulo Jorge é uma carta fora do baralho desde o início de época, Moisés e Rodriguez, têm sido também afectados por algumas mazelas. Fora isso, são a dupla indiscutível, centrais de muita qualidade, fortes na marcação (mais Moisés), muito bons a ler o jogo e a sair a jogar (mais Rodriguez), fortes nas bolas paradas ofensivas (outra vez mais Moisés).
Nas laterais outros dois bons jogadores: Evaldo e João Pereira. O primeiro, mais forte defensivamente, equilibra mais a equipa, enquanto o segundo aparece mais em incursões ofensivas. Embora ambos desempenhem bem as duas funções (e respectivas transições), o que lhes permite alternar funções, permitindo várias soluções à equipa, sem a desequilibrar. Também por isso a promessa Edimar (que vai finalmente poder alinhar) terá dificuldades em jogar, um pouco à imagem de Filipe Oliveira.

Mesmo por que, na impossibilidade de João Pereira, ou quando Jesus pretende outro tipo de soluções, seja Frechaut o homem que actua na lateral direita. Ou no centro da defesa quando há lesões ou castigos. Ou à frente da defesa. Uma autêntica benesse como o seu treinador o tem apelidado. Quando a equipa está toda operacional, é na posição 6 que Frechaut actua. Discutindo esse lugar com Vandinho. Lugar onde me parece o Braga ainda poder melhorar. Seria com o Madrid, o melhor Madrid. Com boa leitura de jogo e ocupação de espaço, cultura de posse, qualidade de passe. Bruno Tiago e Stélvio são duas jovens promessas que poderiam igualmente ocupar essa mesma posição. Têm qualidade, mas neste plantel a afirmação será difícil.
Mais sobre a direita, o lugar é de Alan. Porque as lesões e a falta de ritmo não largam Jorginho, mas porque o brasileiro desempenha as funções muito bem. Culto tacticamente, cumpre muito bem tarefas defensivas, e a atacar abre muito bem na faixa, dando largura ao jogo do Braga. Rapidez, qualidade técnica, imprevisibilidade, tudo armas com que dota a equipa.
Á esquerda, maioritariamente, alinha um jogador incompreendido no Minho. César Peixoto. Mesmo assobiado, já afirmou não mudar o seu futebol. Acredito que Jesus agradeça. Porque numa equipa com muitos homens de pendor ofensivo, ele é quem melhor equilibra a equipa. Ou antes, nunca a desequilibra. Sabe quando guardar a bola, sabe quando soltá-la. Mesmo que por vezes seja de certa forma passivo, a sua colocação no terreno resolve muitos problemas ao Braga. E depois tem muita qualidade quer no cruzamento, quer na bola parada. A importância de Peixoto, faz com que Matheus jogue poucas vezes ali. Apenas quando Jesus quer arriscar mais. Caso contrário actua no vértice ofensivo, ou na frente. Maioritariamente até inicia os jogos a partir do banco. Porque é daqueles jogadores capazes de mexer com um jogo, de abanar com os colegas, de deixar de rastos defesas já desgastadas. Muita qualidade técnica naquele pé esquerdo.
Mais sobre o centro Aguiar ou Mossoró. Mais o uruguaio porque é mais capaz no conjunto dos quatro momentos de jogo. Mesmo ofensivamente, não sendo tão imprevisível, tão tecnicista, dá mais soluções. É mais consequente, bate bem bolas paradas, faz mais golos. E depois a tal questão do sistema que falei em cima. Dá mais equilíbrio à equipa e possibilita a transição entre o losango e o trio de meio campo em linha.

Á frente quatro boas opções. Cinco se contássemos com Orlando, que não tem alinhado. Se de Paulo César se pode aplicar um pouco do que disse a Matheus, sendo até indicado para jogar mais no contra ataque, o austríaco Linz, principal figura do Braga nas últimas épocas, tem tido dificuldades em entrar no 11, porque Meyong e Renteria se complementam melhor e se adequam mais a um esquema com dois avançados. Linz continua a ser um óptimo jogador, obviamente que nada desaprendeu, e tem utilidade em determinado tipo de jogos, ou situações específicas dentro de um jogo. No entanto, a sua menor mobilidade, faz com que esteja mais talhado para jogar sozinho na frente. Com alguém nas costas.
Meyong e Renteria quase já jogam de olhos fechados. O camaronês é um avançado que consegue iludir muito bem a marcação, que joga também muito bem fora da aérea, mas que ao mesmo tempo é um excelente finalizador, marcando muitos golos. Renteria tem reconhecidas dificuldades na marcação. Mas é importantíssimo na equipa. É algo trapalhão, é verdade, mas Meyong pode agradecer em boa parte ao colombiano grande parte dos golos que tem marcado esta época. Renteria, embora não seja um exímio finalizador, desgasta imenso a defesa contrária, abrindo ao mesmo tempo inúmeros espaços, porque joga com qualidade e de forma inteligente. Sem dúvida um dos bons avançados da nossa Liga, talhado para esquemas com dois homens na frente.

Em suma este Braga, é ao contrário do que se poderia pensar pela quantidade e qualidade de soluções de cariz mais ofensiva, uma equipa muitíssimo equilibrada e que defende muito bem. Prova disso é o facto de ser a defesa menos batida do campeonato. E curiosamente a atacar é mais curta. Conta com uma média de cerca de um golo por jogo, sendo que Meyong tem cerca de metade dos golos da equipa (6 em 14, 13 jornadas). O conseguir este equilíbrio é um dos grandes méritos de Jorge Jesus, aliás, é mais uma prova da sua capacidade enquanto treinador. E está num clube excelente para explanar as suas qualidades.
Nesta segunda metade do campeonato, um dos principais desafios dos arsenalistas será melhorar a relação entre processos. Principalmente nas transições ofensivas, claro, sem perder o equilíbrio que vem demonstrando. Acredito que a solução passará pelo melhor Andrés Madrid, afinal, uma garantia de "saída" de bola com qualidade.
Passando bem por Janeiro, acredito que este Braga seja uma equipa a ter em conta na disputa pelos três primeiros lugares. O salto que tem faltado ao clube.

O Leixões de Mota

à(s) 18:50

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Foto Reuters

O Leixões, quarto classificado é o próximo clube a fazer parte deste espaço de análise. Análise esse que já tinha sido feita no Futebol Total, e que não irá fugir muito ao que já aqui escrevi.

Obviamente que o Leixões tem todos os problemas inerentes às equipas mais pequenas, e também em virtude do sofrimento da época passada para evitar a despromoção, o seu feito merece mais destaque. E mesmo porque perdeu Jorge Gonçalves (que agora pode regressar) para o Santander no último dia do mercado de transferências.
Para superar tudo isso, tem contado com uma dupla muito importante. Vitor Oliveira e José Mota. O primeiro, homem da casa, desempenha agora a função de director desportivo. E bem, porque ao parece, as contratações não obedeceram a "interesses empresariais", antes aos interesses da equipa, em consonância com o treinador José Mota. Acredito que esteja aí também um dos segredos do sucesso. Até porque se vê que a equipa em geral e os jogadores em particular, interpretam muito bem as instruções do treinador e as exigências do sistema.

Dizem que o Leixões assenta num 4x4x2 losango. Apesar de concordar, acho a premissa incompleta. O Leixões varia entre o 4x4x2 losango e o 4x3x3. Para essas variações, conta com um jogador chave, que para além de ser muito forte tecnicamente, interpreta os aspectos e as exigências tácticas do jogo como ninguém: Wesley.
Na baliza está Beto, que depois da época passada ser a da afirmação, encontra-se agora seguramente no Top-5 entre os guarda-redes da Liga. O quarteto defensivo é constituído habitualmente por Laranjeiro (ex-capitão da U.Leiria) à esquerda, que sobe mais, Vasco Fernandes (bastante maduro depois da sua passagem por Espanha) mais posicional à direita, e pelos fortes Elvis e Joel no eixo.
À frente da defesa o capitão Bruno China, o ladrão de bolas tradicional, o portador da alma leixonense. Ladeado por dois homens: à direita Roberto, vindo do Celta de Vigo, um suporte muito importante, a âncora táctica da equipa. À esquerda Hugo Morais, esquerdino, a bola habitualmente passa por ele para as transições rápidas.
Nas alas habitualmente Diogo Valente ocupa a faixa esquerda e à direita, Braga - vindo da 2ª divisão (Leça) e transformando-se na principal revelação do clube, pelos golos importantes que marcou e pelo bom futebol que joga. Em alternativa, Zé Manuel e Marques são sempre armas importantes para sairem do banco. Mais no meio, o mágico de Matosinhos, o brasileiro Wesley. Por aquilo que demonstra desde que está em Portugal, estranha-se um pouco não ter atingido ainda outros voos, mas enquanto isso não acontece, é no Leixões que explana o seu futebol, os seus golos.

O jovem brasileiro Chumbinho, agora que viu a sua inscrição regularizada, pode finalmente confirmar as qualidades técnicas com que vem rotulado, e já tem dado um ar da sua graça. Será o substituto natural caso Wesley saia. Em alternativa, mas moldando a equipa num 4x3x3 mais fixo, José Mota pode optar pelo goleador Roberto, desde que este recupere totalmente da lesão.
Nuno Silva no centro da defesa, Castanheira para ocupar um dos lugares do trio de meio campo e Serginho Baiano (embora não esteja o jogador de antes) mais para a frente são também opções consideráveis.

O Leixões, que actualmente se encontra a dois pontos da liderança, não será certamente o campeão nacional, mas, pelo que demonstrou, tem mais do que capacidade para fazer um excelente campeonato e terminar nos lugares europeus. Mesmo que a concorrência com Braga, Nacional, Marítimo e Vitória de Guimarães não vá ser fácil. As gentes de Matosinhos, os seus adeptos - dos mais fiéis de Portugal, merecem tudo isso.

Sporting - continuação do bom trabalho

à(s) 00:40

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009


O Sporting é a terceira equipa a ser aqui analisada com maior pormenor.

Esta pode ser uma opinião polémica, mas bem ou mal, penso que o Sporting não atinge actualmente um nível de paixão semelhante ao dos rivais Benfica e Porto. Como consequências mais visíveis desse facto, para além de uma menor afluência de público aos seus jogos, temos uma menor exposição da equipa e uma maior tranquilidade para que Paulo Bento possa trabalhar. O jovem treinador português, que recorde-se profissionalmente enquanto técnico principal apenas defendeu o Sporting, tem sabido aproveitar muito bem esta conjuntura. Principalmente nesta temporada.

Classificou-se de forma inédita e com uma performance muito boa para os oitavos de final da Liga dos Campeões, foi eliminado na Taça de Portugal pelo Porto num jogo de tripla, e segue com as aspirações intactas na Taça da Liga e Campeonato. Falando deste Campeonato, o Sporting parece-me ter um horizonte risonho. Prevê-se uma prova disputada até ao fim, e os leões têm-se pautado por uma grande regularidade, colocando-se como candidatos. A equipa, mesmo admitindo que individualmente esteja ligeiramente abaixo de Porto e Benfica, parece mais equilibrada que a dos rivais, mais forte colectivamente, mesmo que em determinados jogos lhe falte alguém mais explosivo, capaz de resolver o jogo individualmente. Por tudo isto, muito mérito para Paulo Bento.
Que apenas encontra focos de crítica na forma como gere o seu balneário, a nível disciplinar. A verdade é que pelo menos em relação a Vukcevic, o tempo veio dar-lhe razão (pelo menos até ao momento), com o montenegrino a pouco e pouco a regressar à equipa.

Tacticamente o Sporting é uma equipa muito forte. Para começar, só o facto de assentar num 4x4x2 losango, reconhecidamente um dos sistemas mais difíceis de treinar, é algo a assinalar. Até porque claro, o Sporting o faz bem, desde que tenha homens e alternativas de qualidade para todas as posições (e este ano, ao contrário do ano passado tem). Por Paulo Bento ser um adepto da rotatividade vai ser de certa forma difícil falar da equipa nos mesmos moldes daquilo que fiz em relação a Porto e Benfica.

Na baliza, perdida a melhor opção (olhando exclusivamente a aspectos técnicos) Stojkovic, Rui Patrício tem sido o dono do lugar, ao mesmo tempo que ganha algum consenso entre os adeptos. Mesmo que denote ainda alguma inexperiência a sair dos postes, tem sido mais seguro, e esse facto transmite-se ao quarteto defensivo.
Na lateral direita Abel e Pereirinha discutem o lugar. Penso que a escolha dos dois dependerá do homem que joga à sua frente. Se for Izmailov, um homem que abre mais na faixa, que alarga mais o jogo da equipa, Abel terá mais tendência a jogar. Se o russo for deslocado para o flanco esquerdo e como consequência Moutinho ou Rochemback apareçam como interiores direitos, será o jovem Pereirinha a alinhar, fazendo uso da sua velocidade, da sua boa capacidade ofensiva, fazendo com que o Sporting não perca largura em fase ofensiva.
À esquerda Grimi e Caneira são opções preferenciais. Aqui parece-me que o português será melhor opção. Por duas razões: Grimi estranhamente tarda em confirmar as boas indicações dadas na época passada, e Caneira dá uma maior solidez defensiva, dando ao mesmo tempo maior liberdade ao lateral direito. Em termos de profundidade ofensiva, a menor propensão atacante de Caneira estará acautelada porque à sua frente, surge habitualmente Izmailov, e mesmo Vukcevic está a reaparecer.
Na zona central se Polga, pela capacidade de liderança, pela leitura de jogo, pela tranquilidade que confere ao sector, é absolutamente indiscutível, Tonel e Carriço vão discutir o outro lugar. Primeiro porque Caneira parece ser opção mais para o lado esquerdo, depois porque a lesão de Tonel abriu caminho ao aparecimento de Carriço. Que tem demonstrado pormenores que fazem com que seja actualmente o elemento em melhores condições para acompanhar Polga. Mesmo que ainda aborde alguns lances de forma inexperiente, demonstra muita tranquilidade, desarma muito bem e sabe sair a jogar. Mais um bom produto das escolas de Alvalade.

O meio-campo é o principal expoente da rotatividade imposta por Paulo Bento. À frente da defesa, embora Rochemback e Adrien sejam opções interessantes, penso que Veloso é o homem que melhor desempenha as funções de 6. Já aqui defendi porquê. Se Adrien tem visto o seu crescimento algo adiado pela forte concorrência, Rochemback é diferente. Tem jogado bastantes vezes como vértice mais recuado do losango, mas não me parece reunir as características necessárias para o fazer muito bem. Além de não ser forte na cobertura aos centrais, jogando mais recuado, não consegue aplicar com frequência os seus dois maiores predicados: passes de ruptura e principalmente remate. É sem dúvida uma boa contratação, é um activo do clube, mas no 4x4x2 losango não consegue explanar as suas melhores características. Pelo menos na posição mais recuada. No sistema utilizado pelo Sporting, Rochemback terá mais rendimento como interior direito, desde que Pereirinha jogue como lateral, de forma a que a equipa não perca largura. Depois Moutinho. Uma dádiva para qualquer treinador, pela intensidade, pela sapiência táctica, pela capacidade que tem de ocupar diversas posições sem desequilibrar a equipa. Aliás, a rotatividade que Paulo Bento aplica no Sporting é em grande parte suportada pela sua presença. Mesmo que se diga que é prejudicado por não criar rotinas numa posição, acredito que a sua inteligência dentro de campo lhe permita continuar a evoluir. Mesmo que individualmente não seja um prodígio, colectivamente é excelente. Izmailov, penso que seja, o melhor jogador do Sporting nesta temporada. Num dos vértices laterais do losango, dá à equipa intensidade, velocidade, qualidade de passe, e é um dos principais portadores de bola para a saída da zona de pressão. Muito importante portanto nas transições ofensivas da equipa. Além disso tem valido golos e assistências importantes. Dos homens de meio campo, Romagnoli é o mais limitado posicionalmente porque apenas desempenha com qualidade o vértice mais ofensivo do losango. Mesmo que não seja forte fisicamente, tem qualidade técnica, desequilibra e é principalmente jogador para grandes jogos, onde habitualmente aparece no esquema de Paulo Bento, em diagonais para uma das laterais, para em conjunto com um dos interiores, criar superioridade sobre o lateral contrário. Depois Vukcevic. Um jogador que considero importantíssimo para as hipóteses de o Sporting construir uma carreira de sucesso na Liga. Porque de todos os elementos do plantel do Sporting, é aquele que consegue desequilibrar mais facilmente, resolver um jogo. Na esquerda ou no centro, o jogador mais forte dos leões no um para um. E desde que ele e Paulo Bento resolvam os seus problemas, vai ser muito importante quando o Sporting defrontar equipas mais fechadas. E isso vai acontecer, com o avançar da Liga, quando chegarem as principais decisões.

À frente, a dúvida reside no parceiro do levezinho. Liedson é indiscutível pela sua capacidade de luta, por nunca desistir de uma bola, por saber ler o jogo e ocupar os espaços como ninguém, confundido as marcações, aproveitando bolas perdidas, e consequentemente, fazendo golos. Mesmo que, e é um facto, não seja um prodígio de técnica, o brasileiro aproveita a sua mobilidade para criar desequilíbrios nas laterais, é o primeiro defesa da equipa, e o seu jogador mais decisivo. Se Tiuí tem sido desde o início da época uma carta fora do baralho, Derlei parece andar a perder algum espaço. Principalmente pela indisciplina que tem prejudicado a equipa. E depois porque actualmente Djaló e Postiga têm oferecido soluções mais interessantes. O primeiro pela qualidade técnica, rapidez e imprevisibilidade. O segundo pela combatividade, também pela capacidade técnica, e pela capacidade de remate.

Em suma, este Sporting está claramente mais forte que o da época passada. A tranquilidade, a regularidade que tem apresentado, e o regresso de Vukcevic, são aliados de peso para uma candidatura forte e suportada ao título.

Porto - transição ou continuação?

à(s) 00:15

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008


O FC Porto é o segundo cliente deste espaço de análise, construído no sentido descendente, segundo a tabela classificativa do Mais Futebol.

Uma equipa que venceu o último campeonato com uma vantagem de 20 pontos para o segundo classificado, só poderia ser considerada a principal favorita à revalidação da conquista. Tal premissa seria uma verdade absoluta se o Porto não tivesse deixado sair três dos principais artífices do rendimento apresentado na época passada: Bosingwa, Assunção e Quaresma. Assunção era o pêndulo, o centro de todo o futebol do Porto, na fase defensiva, na fase ofensiva e nas suas respectivas transições. Por aqui se percebe a sua importância. Quaresma, mesmo que na época passada estivesse algo abaixo daquilo que pode e sabe fazer, continuava a ser o homem que colocava sempre junto de si dois adversários, um dos principais flanqueadores de jogo e um homem capaz de decidir um jogo. Bosingwa era a locomotiva. Um homem que conseguia fazer sozinho um corredor, permitindo derivações para o centro (criando superioridade numérica) do homem que jogasse à sua frente, factos que não o impediam de cumprir bem as tarefas defensivas.

A verdade é que nada disto é pouco. Estes homens representavam 30% do futebol do Porto, e nessa percentagem estavam incluidas diversas nuances que apenas as características dos próprios lhes permitiam desempenhar. Ora por aqui se vê a tarefa que Jesualdo Ferreira teria pela frente. Não direi que seja tão complexa como por exemplo a de Quique Flores, porque o treinador do Porto já orientava grande parte do seu elenco actual, estando portanto alguns dos seus jogadores já familiarizados com as suas ideias, mas, mesmo não tendo que implementar um novo modelo, algumas nuances teve que promover.
Admito que na sua óptica nem tudo fossem más notícias. Afinal, pode agora, com algumas das alterações efectuadas, aplicar de forma mais conveniente e com mais sucesso (Alvalde e Turquia por exemplo) um 4x4x2 que tentou em diversas vezes. Até porque que onde antes tinha Marek Cech, agora tem Tomás Costa, onde tinha Quaresma agora tem Cristian Rodriguez (mesmo que o português seja indiscutivelmente melhor jogador). Apesar de tudo é a partir do 4x3x3 que Jesualdo tem feito a equipa alinhar na maior parte dos jogos.

Helton é dono e senhor da baliza. Mesmo que o seu excesso de confiança (traduzido em algumas falhas) lhe tenha valido alguns jogos na bancada, a sua elasticidade, a facilidade em interceptar bolas aéreas e a qualidade com a bola nos pés, dão confiança à defesa, permitindo-lhes também jogar uns metros mais à frente.
No centro da defesa, o sempre impetuoso Bruno Alves, um dos bons centrais do nosso campeonato, é indiscutível. É um dos principais portadores da famigerada mística portista (não é por acaso que veste a camisola 2), e oferece soluções importantes nas bolas paradas ofensivas, quer em cantos, quer nos livres directos - embora ainda não seja o batedor que alguns querem fazer crer. Defensivamente, é praticamente intransponível em bolas altas, forte no um para um, embora quando desviado para zonas mais laterais, tenha algumas dificuldades. A seu lado o ex-Belenenses Rolando já conquistou o lugar. Paulatinamente tem vindo a melhorar o seu posicionamento, e faz uso da sua velocidade para dobrar muitas vezes os seus companheiros. Apesar de tudo, de certa forma ainda precisa de melhorar a sua leitura de jogo, mas numa escola de bons centrais como a do Porto não deverá ter dificuldades.
Nas laterais é diferente. É talvez o ponto mais débil deste Porto. Se de Lino e Benitez não há muito a dizer, porque até ao momento ainda não apresentaram rendimento para fazer parte de uma grande equipa, Pedro Emanuel continua o mesmo. Quando joga, é a voz de comando da equipa. A idade já não lhe permite o mesmo vigor físico, não tem a cultura de lateral, mas a sua presença é importante. Porque defensivamente fecha sempre muito bem junto aos centrais, e, quando a equipa se encontra em processo ofensivo, permite mais liberdade ao lateral contrário. Que actualmente é Fucile. Ganhou o lugar ao romeno Sapunaru, jogador no qual os portistas tinham depositado naturais esperanças, como substituto de Bosingwa, mas que demonstrou, apesar de ser bom tecnicamente, ser ainda algo macio e ingénuo. Fucile ganha muito com a presença de Pedro Emanuel precisamente pelo que referi atrás. Sendo mais forte a atacar do que a defender, o uruguaio sente-se mais confortável e melhora os seus desempenhos, aproveitando muitas vezes o facto de não ter ninguém à sua frente, porque quer Lisandro quer Hulk procuram muito o centro.

À frente da defesa, o brasileiro Fernando. Muitos esperam a todo o custo que se torne o novo Paulo Assunção, mas ninguém se deve esquecer que ainda na época passada jogava no Estrela da Amadora, muitas das vezes a lateral direito. No entanto, Fernando tem qualidade. Não terá propriamente as mesmas características de Assunção. Arrisco a dizer que não sendo naturalmente tão bom no processo defensivo, mostra pormenores que me fazem acreditar que ofensivamente é melhor jogador. Principalmente a nível do passe. Mas para o lugar de 6 no seu modelo, Jesualdo não quererá por certo grandes veleidades ofensivas. O professor pretenderá antes uma melhor cobertura do espaço, uma pressão inteligente e orientada para recuperar e sair a jogar com bola, um apoio aos centrais, um encurtar distâncias e melhorar a ligação entre a defesa e o meio campo. Por isso Assunção era um "5", Fernando é um "6", não desempenhando estas funções com a mesma qualidade. Mas tem potencial e tem vindo a crescer. Raul Meireles mais sobre a esquerda, joga à sua frente. É um médio típico do Futebol Total, colocando sempre grande intensidade no seu jogo, percorrendo cada quadradinho de relva, procurando cada bola. Passa, recebe, a equipa progride e ele muitas vezes surge na zona de finalização onde pode aplicar o seu forte pontapé. É o médio mais pressionante deste Porto. A seu lado e ligeiramente mais adiantado, Lucho Gonzalez. Podem vir tentar explicar as suas menos conseguidas exibições, com o facto de actualmente estar a desempenhar papéis diferentes em campo. Certo, tudo isso é verdade. Não há mais Paulo Assunção, e Lucho tem também de preocupar-se em equilibrar mais a equipa. Há Hulk mais a frente para combinações mais frequentes com Lisandro, e Lucho não aparece tanto em zonas de finalização, por permutas com o compatriota. Mas indiscutivelmente o argentino está em baixo de forma. Tem vindo a falhar alguns passes, algo absolutamente invulgar nele, não coloca tanta intensidade em campo (mesmo que não seja uma das suas principais características) e dá impressão que não procura tanto o jogo, para depois o ajudar (e como sabe ajudar) a decidir. Provavelmente um abaixamento de forma temporário, mas mais do que o Porto, o nosso campeonato precisa dele, ou não fosse o melhor jogador a actuar em Portugal.

À frente, habitualmente, um trio. Mais sobre a esquerda Rodriguez. O uruguaio foi contratado como substituto de Quaresma, mas tal facto é uma utopia. São jogadores completamente diferentes. Rodriguez coloca o jogo num nível mais físico e não tão técnico. Olhos no chão, progride metros com a bola desviando-se dos obstáculos, fazendo uso principalmente do "toca e foge". É um bom transportador de bola, aparece bem em situações de finalização, mas peca em relação a Quaresma em dois aspectos: não consegue alargar o jogo, e dificilmente decide um jogo sozinho. Apesar de tudo e como referi acima, veio proporcionar a Jesualdo Ferreira uma melhor explanação do 4x4x2, com fogachos de 4x3x3 (em fase ofensiva). Ele e Tomás Costa são os jogadores que melhor permitem este estado híbrido. Lisandro continua o mesmo. É certo que a presença de Hulk, enquanto não se vão entendendo, não lhe permite explanar o seu jogo a 100%. Agora aparece mais vezes no lado direito, muitas vezes mais longe da baliza, aproveitando menos a inteligência de jogo de Lucho. No entanto a raça está lá, a incrível facilidade de remate com os dois pés, o bom jogo de cabeça, o saber iludir as marcações, o permanente recuo para ir buscar o jogo, não sendo um avançado passivo e o também muito importante facto de ser o primeiro defesa da equipa. Depois Hulk. Ele que juntamente com Aimar tem sido provavelmente o jogador mais discutido deste campeonato. Lembro-me que quando chegou, numa altura em que para as bandas do Dragão se falava, por exemplo, de Simão e Adriano, a maior parte dos adeptos do Porto olhou-o de lado. Os adeptos rivais rejubilaram com a contratação e o valor dispendido. Hoje já não é bem assim. Em grande parte devido ao trabalho que Jesualdo Ferreira tem feito com o brasileiro. Hulk acaba por fazer jus ao nome. Num futebol actual onde este aspecto assume muita importância, a sua capacidade física é impressionante. A velocidade também. É uma tarefa quase impossível tirar-lhe a bola que leva colada ao pé esquerdo. Muitas vezes, tal como Rodriguez, de olhos colados no chão. Mas Hulk é diferente, tem mais técnica e é capaz de decidir jogos. Falta-lhe talvez o mais importante. Pôr o talento ao serviço do colectivo. É nesse aspecto que o treinador do Porto mais tem trabalhado, é esse aspecto que muitas vezes deixa Lisandro num autêntico ataque de nervos, por estar em melhor posição e ver Hulk a levar adiante uma jogada individual que sai frustrada. A sua inteligência de jogo tem que melhorar (e tem vindo a melhorar) para que possa ser um grande jogador. Até isso acontecer vai sendo um jogador com enorme potencial, com um incrível pontapé, que tem ajudado a crescer o Porto, mas que muitas vezes leva a equipa por caminhos errados. No entanto, é indiscutelmente por Hulk, que passa um dos caminhos para um Porto melhor nesta época.

O plantel do Porto não fica por aqui. Tem um suplente de luxo, chamado Tomás Costa. Um grande jogador, fortíssimo tacticamente, com capacidade técnica, e que põe a intensidade das pampas em campo. Sempre às portas do 11. Stepanov é um dos que está próximo da saída, não conseguindo fazer jus aos 4 milhões de euros nele investidos. No entanto penso que o Porto não se quererá desfazer definitivamente dele, até porque o que lhe falta em solidez mental, sobra em capacidade. Ainda muito para evoluir. Com Nuno no plantel Jesualdo pode contar com um elemento que não deixa Helton adormecer à sombra da bananeira e que é ao mesmo tempo uma força no balneário. De Pelé algo está por trás da sua ausência do jogo. Potencial não lhe falta, mas parece não estar completamente comprometido com a equipa e quando assim é, torna-se difícil. Guarín, é outro bom suplente do Porto. Jesualdo experimentou-o como homem mais recuado mas o colombiano não tem a cultura dessa posição. Terá que ter alguém nas costas para se sentir mais confortável. E aparecer nas imediações da área adversária, onde se costuma sentir confortável. Candeias, é o extremo mais puro deste Porto. Formado nas escolas do clube, tem demonstrado bastante potencial devido a uma habilidade técnica acima da média. Pode ser uma solução importante para determinadas situações. Tarik nem tanto. Jesualdo conseguiu tirar dele (principalmente) na época passada um rendimento que muitos não achariam possível. Nesta as aparições do marroquino têm sido diferentes. É certo que começou lesionado, que há o Ramadão, mas desconfio que não vá ser figura de proa neste Porto. Mariano será algo mais. O argentino pensa mais depressa que aquilo que as suas capacidades técnicas permitem, e por isso é muito trapalhão. Mas a sua versatilidade, o seu querer, farão com que apareça em bastantes jogos, muitos deles vindo do banco. De Farías uma incógnita. Quase sempre que joga, marca. Apesar disso o seu rendimento em campo nunca é excepcional. Alguns jogos são mesmo muito fracos. Provavelmente por isso não aparece tantas vezes em campo. Porque se olhássemos apenas para as estatísticas, o argentino andava na linha da frente.

Em suma, o Porto ficou a perder nas trocas de Bosingwa por Sapunaru, de Assunção por Fernando, de Quaresma por Rodriguez e também, devo dizê-lo de Carlos Azenha por José Gomes ( a nível de postura e de conhecimento). Mas ganhou entre outros, Tomás Costa e Hulk. E é pelo equilíbrio que Jesualdo Ferreira conseguir dar aos pratos da balança que passará grande parte do sucesso do Porto.
A equipa mantém-se muito pressionante, não dando grandes espaços para o adversário jogar, melhorou nas bolas paradas ofensivas, o meio-campo continua a articular-se com inteligência. Mas não explora ainda de forma conveniente o jogo lateral, e muitas vezes define mal na hora de atacar. Defensivamente, ainda existem algumas descoordenações, naturais porque não havia Rolando e Fernando a época passada. Apesar de tudo, temos aqui mais um forte candidato ao título.

O Novo Benfica ou o código de Quique

à(s) 03:35

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Como prometido, começa hoje (pelo líder) uma análise sobre os 7 primeiros classificados do nosso principal campeonato.

2008/2009. É mais uma época dirão alguns. É a época dirão outros. Muitos destes são benfiquistas. O Benfica nos últimos anos ganhou uma fama que não deve apreciar: a do "este ano é que é". E na realidade este é indiscutivelmente um ano importantíssimo para um novo Benfica. Pelo menos na mente de LFV e principalmente, de Rui Costa. Que considera esta a época zero. Por isso não caiu o "carmo e a trindade" depois da prestação desastrosa na Taça UEFA, eliminação consumada logo após uma saída extemporânea da Taça de Portugal, em Matosinhos. Restam os extremos: a principal prioridade - o Campeonato, e a última - a Taça da Liga.

Para conquistá-los, um espanhol, o mesmo que deixou cair os objectivos intermédios. Quique Flores é um jovem treinador (43 anos), que chegou à Luz com algum cartel, conquistado em Espanha. Por duas meritórias passagem uma por Getafe, outra por Valência onde construiu uma equipa ainda hoje considerada uma lição de táctica e objecto de alguns estudos. Estes factores, aliados à sua enorme facilidade de comunicação, boa relação com a imprensa, ambição e ao mesmo tempo realismo, levaram Rui Costa a contratá-lo. Precisamente com a indicação de que este seria o ano zero no clube da Luz, e portanto algumas declarações do espanhol em relação à sua prioridade: conquistar um lugar na Champions. Os benfiquistas no entanto querem mais. E quando olham para o plantel, aumentam essa esperança. Plantel que apesar de ter algumas lacunas, permite-lhes sonhar e esquecer por momentos o factor tempo, que uma equipa leva a assimilar correctamente todos os conceitos do treinador.

Quique soube-se reforçar para colocar a equipa a jogar no seu esquema ideal, o 4x4x2. Mas a equipa apresenta ainda algumas dificuldades. Uma equipa vale pelo conjunto, mas vou tentar esquematizá-la por sectores.
Na baliza Quim começou a época. E bem, em virtude do rendimento de épocas anteriores. No entanto desengane-se quem pretendeu fazer do bracarense um GR extraordinário. Quim é um bom guarda-redes, em boa forma penso que discute com Eduardo o título de melhor português, mas apresenta carências especialmente quando necessita sair dos postes. Quer em bolas aéreas, quer em bolas lançadas para a área. E nesse ponto, quando Quique quer linhas muito próximas e portanto defesa subida, seria importante ter algúem na baliza que saiba sair, substituir-se à defesa, permitindo-lhe subir uns metros. Penso em Helton por exemplo.
Nas laterais do quarteto defensivo aparecem habitualmente Maxi e Jorge Ribeiro. Em relação ao primeiro pouco há a dizer, exceptuando o facto de ter melhorado bastante os níveis da época passada, apresentando um rendimento muito constante, desprovido de erros, embora ainda algo atabalhoado a atacar. Urge uma solução para aumentar a competitividade na posição e dar uma alternativa para uma potencial oscilação de forma do uruguaio. Que no entanto tem cumprido e bastante bem. À esquerda é diferente. Léo saiu da equipa porque não sabia interpretar o modelo. É bom ofensivamente (apesar de não ser forte nos cruzamentos cria bastante caudal ofensivo e fornece quase sempre boas linhas de passe), mas desequilibra muito a equipa em transição defensiva. A sua estampa física também não é a do típico lateral moderno. Jorge Ribeiro ganhou-lhe o lugar, mas é no cômputo geral pior jogador. Mas cruza melhor , é uma boa opção para a bola parada e defensivamente interpreta mais correctamente o que Quique pede. Apesar de tudo, não o posso considerar forte a defender, dando muitas vezes as costas ao adversário e muitas vezes não se aproxima correctamente do central, deixando um perigoso espaço vazio.
No centro, Sidnei e Luisão. Se o primeiro tem sido uma das revelações da prova, forte no desarme, perigoso na bola parada, sai bem a jogar, Luisão é reconhecidamente a extensão do treinador no campo. A voz de comando. Mas não é de todo o jogador indicado para jogar com as linhas subidas. Falta-lhe velocidade, não se sente muito confortável com muitos metros nas costas. Apesar de tudo, ainda que não perfeitamente, tem cumprido e a sua ausência no sector ainda é muito notada como se viu em Atenas.

No entanto é no meio campo que reside o principal problema do Benfica. O 4x4x2 pressupõe os 4 médios alinhados horizontalmente, mas não é isso que Quique pretende. Os habituais Reyes e Ruben Amorim não são extremos puros. São na maioria das vezes médios interiores, condutores de bola em diagonais rumo ao centro e nem tanto na procura da linha de fundo. Ainda que Reyes o faça algumas vezes. Aliás, o espanhol é a principal solução para a saída de bola orientada do Benfica. Saída da zona de pressão em direcção às imediações da área adversária. Ou então, na conquista de faltas, porque a sua habilidade técnica permite-lhe isso. Está realmente a demonstrar ser um grande jogador. Amorim é diferente. Não tem tanta habilidade técnica, mas sabe também sair a jogar. É o modelo de jogador inteligente, que sabe muito bem o seu papel em campo, e as necessidades da equipa. Por isso em situação defensiva deambula inúmeras vezes para o meio, de forma a restaurar algum equilíbrio numérico naquela zona do terreno. Depois, Yebda e Katsouranis. Tem sido muito discutido a opção de Quique por Katsouranis mais posicional e Yebda com maior liberdade, aparecendo mais frequentemente em zonas ofensivas. Percebo a sua ideia. No fundo quer aproveitar a maior amplitude de movimentos do francês, o seu maior pulmão. Defensiva e ofensivamente. O típico vai a todas. Mas a equipa perde identidade, perde capacidade de sair a jogar, de ter a bola, de construir jogo. O pressuposto de Quique seria mais viável num 4x2x3x1 onde à frente de Yebda estivesse alguém que transportasse a bola com qualidade. No 4x4x2 é diferente, e por isso a dupla Binya x Katsouranis funciona melhor. O camaronês (está muito melhor jogador) fica mais fixo, o grego joga mais. No fundo é a essência do bom futebol. Enquanto Yebda tenta transportar a bola pelo campo entregando-a quase no pé do colega, Katsouranis faz a bola correr. O jogo fica mais imprevisível, mais rápido, mais perigoso para a equipa contrária. O Benfica agradece.

Ofensivamente quatro excelentes opções: Nuno Gomes e Aimar, Cardozo e Suazo. Emparelhei-os porque acredito neles dois a dois. Não em Nuno Gomes e Aimar juntos ou Cardozo e Suazo juntos. Antes um dos primeiros com um dos segundos. Quique já experimentou Cardozo e Suazo mas aí, sem alguém com capacidade para buscar bola, a distância para o meio campo fica ainda mais acentuada. Penso até que se poderia fazer uma gestão interessante. Utilizar as características de Cardozo para que este jogo principalmente nos jogos em casa, onde as equipas estejam mais fechadas, mais juntas da baliza, com pouco espaço nas costas para que Suazo possa fazer uso da sua velocidade. Aí, em ataque continuado, em cruzamentos para a área onde Cardozo joga bem de cabeça, ou até mesmo num dos seus fortes pontapés capazes de destruir uma baliza. Fora avança Suazo. Cardozo é um jogador mais lento, mastiga mais o jogo, não se envolve tanto no processo ofensivo. Fora de portas, onde os adversários são mais atrevidos, a velocidade de Suazo, a inteligência de procurar espaços, são uma arma muito poderosa. Aimar e Nuno Gomes? Esses jogam onde for, desde que o físico lhes permita.

Falei de 15, sobram alguns. Miguel Vítor tem demonstrado que mais cedo ou mais tarde será titular da defesa do Benfica. David Luiz está a regressar, mas a sua velocidade pode ser uma arma importante para a defesa alta do Benfica e mesmo na lateral demonstrou ser opção válida. Carlos Martins pode ser um jogador exuberante apenas em determinados períodos da época, mas raramente falha um passe, é inteligente na forma de jogar e tem um remate forte, tudo factores que o colocam muitas vezes no 11. Urreta está ainda muito verde, mas tem um potencial que merece ser aproveitado. De Di Maria sabe-se que é um jogador, muito embora a sua imaturidade, capaz de mexer com um jogo, pela sua velocidade, capacidade técnica e espontaneidade - um suplente de luxo. Quanto ao muito discutido Balboa, não me vou apressar a crucificá-lo. Vislumbrei nele qualidades que me fazem pensar que irá ser mais do que o barrete que muitos apelidam.

Em suma, este Benfica tem algumas debilidades. Mas tem muitas qualidades que me fazem considerá-lo um fortíssimo candidato ao título. Desde que resolva alguns dos seus problemas. A condição física de alguns jogadores. A capacidade de gerir um jogo e um resultado. Controlando o jogo com e sem bola, que é algo que as grandíssimas equipas sabem fazer e que o Benfica não tem conseguido. Que resolva o seu problema central no meio campo. E que provavelmente na hora de defender, saiba, consiga ou queira, criar mais linhas defensivas, de pressão sobre a bola, preenchendo melhor o espaço vazio.
Será esta parte da distância para a interpretação total do código de Quique.

Uma das boas equipas inglesas

à(s) 20:00

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quem não estiver tão atento à Premier League e passar os olhos na tabela classificativa, é capaz de ter uma surpresa. Em 5º lugar, a apenas um ponto do Arsenal e a dois do Manchester United, aparece a equipa actualmente mais representativa de Birmingham: o Aston Villa. Desde a chegada de Martin O'Neill, o Villa tem contado com a permanente irregularidade do Tottenham, para em conjunto com o Everton, disputar o lugar de quinto grande em Inglaterra. Pelo menos enquanto o Manchester City não explode.

O irlandês, trouxe ao Aston Villa a tendência que tem chegado nos últimos anos à Premier League (ou pelo menos aos clubes do topo). A europeização do seu futebol, e uma argúcia táctica que não se via antes. Apesar de não ter a capacidade financeira de clubes como os de Manchester ou o Chelsea, as contratações efectuadas têm sido, regra geral, muito bem conseguidas. Por exemplo, Ashley Young, actualmente e a par de Theo Walcott, o melhor extremo inglês. Após uma grande época em 2006/2007, ao serviço do na altura recém promovido Watford, Young captou as atenções de Martin O'Neill que viu nele um complemento muito importante para o esquema que queria implantar na equipa, tornando-o hoje, provavelmente no seu jogador com maior expressão.

O sistema do Villa assenta preferencialmente num 4x3x3, muito talhado para o contra-ataque. Na baliza, com a saída do prometedor Scott Carson para o WBA, chegou o norte-americano e veterano de Premier League, Brad Friedel, que transmite a confiança necessária ao quarteto defensivo. É precisamente na defesa que O'Neill tem tido mais dúvidas. Habitualmente o quarteto defensivo é constituído por Luke Young à direita e por Nicky Shorey (mais ofensivo) no flanco esquerdo. No centro, o indiscutível e patrão do sector Martin Laursen faz-se acompanhar do promissor Curtis Davies. No entanto, quando O'Neill opta por Cuellar para jogar no centro, assiste-se a uma espécie de revolução: Young passa para a esquerda, Davies para a direita, e Shorey sai da equipa. Em jogos com grau de dificuldade mais elevado.
No meio campo, Reo Coker, jovem esperança inglesa é o tampão, o homem mais recuado. Ladeado pelo grande capitão e exímio marcador de bolas paradas Gareth Barry e pelo búlgaro Petrov (não confundir com o extremo do City). Steve Sidwell, ex-Chelsea tem vindo a ganhar preponderância na equipa, e muito em breve, deve tornar-se num titular indiscutível.
No ataque o norueguês John Carew é a referência da equipa. Em torno dela, movem-se os muito rápidos e excelentes jogadores, Ashley Young e Gabriel Agbonlahor. Aliás, a lesão actual de Carew fez deslocar Agbonlahor para o centro, entrando James Milner na equipa. Também por isso, o Villa tem feito menos golos. Mas continua na senda dos bons resultados.

Na Velha Albion, pátria do futebol, onde se respira o verdadeiro espectáculo (dentro e fora das quatro linhas), o Aston Villa é uma das melhores equipas para seguir.

Inferno grego...

à(s) 23:29

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


O título do post tem razão de ser. O estádio Karaskaiki foi um verdadeiro inferno para a equipa do Benfica. O Benfica sofreu o 0x1 aos 40 segundos do jogo.
Mas o golo inaugural do Olympiakos, foi sintomático em relação ao que se viria a passar no resto do encontro. Um desequilíbrio defensivo enorme, principalmente entre David Luiz (ainda não estaria preparado para um jogo desta exigência) e Jorge Ribeiro. A equipa do Olympiakos foi extremamente inteligente no aproveitamento do espaço concedido pelo Benfica, entre o central esquerdo e o lateral esquerdo.

O espanhol Valverde (que ao serviço do Espanhol, já eliminou o Benfica da taça UEFA), demonstrou ter a lição bem estudada. Apostou num 4x2x3x1, com dois médios mais posicionais - Dudu e Patsatzoglou a proteger a defesa (o elo mais fraco do Olympiakos) e três médios mais ofensivos - Belluschi (o tal que esteve nas cogitações do Porto), Djordevic (com uma missão mais de contenção, sobre o lado esquerdo) e Galletti (aberto no lado direito, mas recorrendo frequentemente a movimentos interiores) . Na frente o muito móvel Diogo. Foi aliás pelo sucesso da parceria entre Diogo e Galletti que o Olympiakos destroçou a defesa do Benfica, aproveitando o tal espaço entre David Luiz e Jorge Ribeiro, e o facto de o brasileiro sair imesas vezes da posição para procurar Diogo ou Belluschi. Aliás, por isso não jogou Kovacevic, mais estático, como homem mais avançado.
Quique Flores, montou o Benfica no 4x4x2 habitual, com Ruben Amorim sobre o lado direito e Binya no lugar de Katsouranis (o grego não estava a 100%). Ofensivamente, o Benfica fez um bom jogo. Circulou sempre a bola com qualidade, teve movimentos interessantes, oportunidades. No entanto, se há jogo que deve figurar nos manuais, sobre como se perde um jogo na defesa, é este. E nem falo do meio-campo defensivo, porque Yebda e Binya fizeram o seu papel. No entanto, Quique e os adeptos do Benfica terão saído deste jogo com algumas certezas: Luisão, ao contrário do que muitos dizem, ainda é o patrão da defesa, e quiçá da equipa. Faz muita falta. Jorge Ribeiro não terá qualidade para ser titular neste tipo de jogos. Binya e Balboa podem ser opções muito credíveis ao longo da época.
Quanto à qualificação (numa prova onde tinha ambições), não será preciso uma calculadora para se saber que estará praticamente fora do horizonte do clube da Luz.

Depois do Porto em Londres, da selecção no Brasil, do Sporting em Alvalde frente ao Barcelona, agora o Benfica em Atenas. Mau de mais para ser verdade. Acredito que estas goleadas não passem de infelizes coincidências, mas estes jogos devem fazer soar o alerta, porque não há memória destas conjugações de resultados na mesma época.
O Braga, perdeu o jogo nos últimos 10 minutos. Apesar de tudo o Wolfsburgo foi regra geral, superior, controlando o meio-campo. Ainda assim, um empate no campo do Herenveen, deixa os arsenalistas praticamente qualificados. Num grupo que não é nada fácil.

Porto europeu

à(s) 04:17

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Muito interessante e animador para os seus adeptos, o Porto de ontem à noite. Num palco tradicionalmente difícil para qualquer equipa que o visite, e perante um adversário que necessitava da vitória a todo o custo, o que se viu ontem à noite na Turquia, foi um Porto bastante forte.
Um Porto que durante todo o jogo, assentou num 4x4x2, preenchendo bem o meio campo, sempre com Rodriguez a permitir que o sistema fosse de certa forma híbrido, quando (não muitas vezes) abria na faixa esquerda em processo ofensivo, transformando o 4x4x2 numa espécie de 4x3x3.

No entanto é da experiência europeia em 4x4x2 que importa falar. Uma experiência que foi de sucesso. E algo que faltou na época passada ao Porto, para se afirmar mais consistentemente na Liga dos Campeões. Obviamente que a ausência de Lucho tirou alguma qualidade e inteligência aos movimentos da equipa, mas mesmo sem o argentino, a equipa do Porto demonstrou sempre que sabia muito bem o que estava a fazer em campo. Ocupando sempre muito bem os espaços, adiantando bem as linhas para pressionar alto o meio campo e contrário, e muito importante, saindo bem para o ataque. Neste jogo também, Rodriguez pode confirmar a Jesualdo Ferreira, que é mais sobre o meio-campo que rende mais. E Tomás Costa (principalmente) e Guarín, dão ao treinador do Porto, opções que na época passada não tinha. Uma palavra para Fernando que, mesmo sem atingir ainda o nível de Assunção, tem crescido bastante, e fez mais um excelente jogo.

Obviamente que o Fenerbahce é uma equipa bastante diferente da que na época passada, quase eliminou o Chelsea da Liga dos Campeões. Aragonés não soube aproveitar o excelente trabalho de Zico, antes pelo contrário, desperdiçou-o por completo. Este jogo demonstra que a grande parte dos jogadores não estão com ele. No entanto, nada disso retira brilho à vitória do Porto, onde Lisandro voltou a ser o atacante mortífero da época passada. Resta um jogo, no Dragão com o Arsenal. Vencendo, o Porto alcança o primeiro lugar e evita os principais tubarões. Será mais um teste à dimensão europeia do clube. O último antes das eliminatórias, onde tudo se decide.

Atribulações no Arsenal

à(s) 19:02

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


O clube de Londres, um dos grandes emblemas europeus, passa por uma temporada algo atribulada. Os maus resultados dentro de campo, reflectem um balneário em crise, mas não só.

O Arsenal, liderado por Wenger, tem vindo a optar, por uma política que é de louvar. Principalmente desde a saída de Henry e Patrick Vieira, tem vindo a recrutar jovens promessas e a integrá-las progressivamente na equipa principal, findos um-dois-três anos de clube. Com consequências óbvias no balanço financeiro. Até porque, convém não esquecer que entretanto, construíram o novo Wembley. Peter Hill Wood (o chairman), em consonância com Arsene Wenger tem seguido esta política de contenção e razoabilidade que devia criar raízes no futebol actual. Contudo, provavelmente só no Reino Unido isto seja possível, pela cultura desportiva dos seus adeptos.

A ajudar a tudo isto à "paciência" dos adeptos, o futebol atractivo que o Arsenal pratica. Assente habitualmente num 4x4x2, com o espanhol Almunia na baliza, os frances Sagna e Clichy ocupam as laterais, sendo o segundo bastante mais ofensivo, aproveitando o facto de à sua frente não ter um extremo puro. No centro dois bons centrais: Gallas e Touré - não obstante Silvestre tenha vindo a fazer sombra ao costa marfinense. No meio-campo, um duplo pivot: Denilson e Fabregas, apesar de o espanhol se libertar mais para desempenhar tarefas ofensivas. Na ala esquerda Nasri, que frequentemente aparece em movimentos interiores para criar desequilíbrios, aproveitando as constantes subidas de Clichy. À direita, o supersónico Theo Walcott, extremo puro, tem evoluído a olhos vistos. Na frente, os mortíferos Van Persie e Adebayor.
Como alternativas, Wenger não tem grande margem de manobra. Silvestre e Song aparecem na defesa, Diaby, Eboué e agora o jovem Ramsey no meio campo, e Vela e Bendtner no ataque. O checo Rosicky, grande jogador, tem estado lesionado desde Janeiro. A juntar a esta escassez de opções, o departamento médico do clube Londrino tem andado lotado: Sagna, Touré, Walcott e Adebayor têm sido clientes habituais.

Como já referi, o balneário também não tem ajudado. Provavelmente devido ao excesso de juventude em consonância com a pressão de um grande clube. Há relato de diversos atritos, e o capitão Gallas veio a público pela segunda vez desde que está no Arsenal, fazer eco disso mesmo. O francês aliás parece não ser pacífico, se nos lembrarmos dos problemas que levantou no Chelsea de Mourinho. Resultado imediato - foi destituído do cargo de capitão, que provavelmente será entregue a Fabregas.

É certo que o Arsenal vai às compras em Janeiro, alterando de certa forma a sua política recente. No entanto, até lá terá ainda muitos e complicados jogos na Premier League, pelo que pode comprometer ainda mais as suas aspirações ao título. A Liga dos Campeões surgirá como objectivo maior, muito embora Wenger recentemente o tenha desmentido. Não poderia ser de outra forma.

Notas do clássico

à(s) 14:59

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Assistimos no passado fim-de-semana aquele que provavelmente foi o melhor clássico da época. Acredito que muito por culpa da postura do Sporting, que "obrigou" o Porto a dar o seu melhor para que, em virtude dos moldes da competição, não ficasse de fora.

As equipas entraram em campo de forma completamente oposta. Paulo Bento montou o Sporting no losango habitual, acrescentando (entre outros) Romagnoli em relação ao último clássico. A presença do argentino, principalmente nestes jogos, é fundamental para o clube de Alvalade. Jogando no vértice mais ofensivo do losango, Romagnoli procura muita das vezes uma faixa (normalmente a esquerda) causando desequilíbrios e muitas situações de superioridade numérica. O Sporting tirou grande vantagem dessa basculação do argentino e das combinações explosivas com Izmailov (o melhor jogador do Sporting), ao mesmo tempo que Postiga e Liedson desgastavam bastante a defesa do Porto.

Já o Porto entrou em campo bastante amorfo. Jesualdo Ferreira voltou a fazer uma alterações (é prática comum nestes clássicos), mas a presença de Mariano entre os titulares não se compreende, quando Rodriguez e Tomás Costa aqueciam o banco. Mariano não é o melhor jogador do mundo, mas vê-se que para além das limitações técnicas sofre também de alguma crise de confiança - e obviamente que lançá-lo num clássico destes, depois de alguns jogos longe da titularidade, não ajuda. De resto o Porto jogou com as linhas bastante recuadas, com Lisandro (?) e Mariano variadíssimas vezes a jogar no meio campo, ficando Hulk mais na frente.
Esta forma de jogar confundiu o Porto, e a avalanche ofensiva do Sporting foi crescendo. Em qualidade e intensidade. 0 1x0 ao intervalo era inteiramente justo.

Na 2a parte Rodriguez substituiu Mariano Gonzalez, mas não foi apenas isso que mudou no jogo do Porto. Lisandro juntou-se mais a Hulk na frente, e os desequilíbrios criados por Romagnoli e Izmailov na primeira parte, eram agora "imitados" por Hulk e Rodriguez na faixa esquerda do Porto. O Porto chegou ao golo do empate num lance de contra ataque, numa grande jogada de Hulk. A propósito deste tema, penso não ser coerente criticar Rochemback. Todos sabemos que o brasileiro não faz da velocidade a sua principal arma. Nem é condição essencial para se ser bom jogador de futebol, a rapidez, caso contrário as equipas seriam constituídas por 11 velocistas. Rochemback terá outras características importantes para o Sporting, e o problema naquela jogada foi ser ele a acompanhar Hulk. Numa transição defensiva rápida, não pode ser Rochemback a acompanhar o jogador mais veloz da equipa adversária.

O jogo manteve-se vivo e emotivo até ao final, com algum ascendente do Sporting, mas com o Porto a criar bastantes jogadas de perigo. O 1x1 pode considerar-se justo, até porque nenhuma equipa merecia a eliminação.