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Obrigado, foi um Lucho

à(s) 00:50

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Não para todos, mas o futebol foi, é, e há-de ser muito mais do que meras questões clubísticas. Este desporto é também uma forma de arte e se há jogador nos últimos anos em Portugal que ajudou a perceber isso foi Lucho Gonzalez, 'El Comandante'. O final de Junho trouxe-nos a notícia da sua saída para o Marselha. É uma pena, e digo-o acredito que representando adeptos de todos os quadrantes. Quando falamos do futebol de Lucho, não interessa se somos adeptos do Porto, Benfica, Sporting ou de outro qualquer clube. Interessa que somos adeptos de futebol. E gostamos de ter o melhor deste desporto bem perto de nós.

Luís Oscar Gonzalez nasceu em Janeiro de 1981 em Buenos Aires, capital da Argentina. Os primeiros passos e o epíteto de grande promessa chegaram no Huracán, pormenores que o levaram a dar o salto para um dos melhores clubes das 'pampas', o River Plate. Onde a sua qualidade veio ao de cima, de forma natural, como o seu jogo. O Porto, no início da sua virada recente para o mercado sul-americano não estava de todo desatento e resgatou o diamante dos 'milionarios'. Para quem como eu, vê Lucho (o apelido não é por acaso) como tendo sido consecutivamente o melhor jogador do nosso campeonato, esta terá sido a melhor contratação dos dragões desde a conquista da Liga dos Campeões.

Deste jogador não esperamos aquela frase 'trato a bola por tu'. Lucho Gonzalez não é propriamente atleta de grandes adornos ou de fintas mirabolantes. É na relação com a equipa, com as exigências do jogo que 'El Comandante' se destaca. Porque o percebe sempre muito bem, porque não precisa de correr kms para estar onde está a bola, porque pensa sempre um segundo (em futebol é uma eternidade) antes dos demais. O esférico sai sempre jogável dos seus pés ou não fosse fortíssimo na tomada de decisões. O passe para o avançado, a triangulação, as trocas posicionais, a recepção orientada para a baliza. Um jogador para valer 10 golos por época, aproximadamente o mesmo a nível de assistências, e incomparavelmente mais no que diz respeito à importância (ofensiva, defensiva e transicional) no jogo da equipa. Um pequeno exemplo? Relembremos o Porto x Manchester United desta época no Dragão e percebamos a diferença na equipa portuguesa antes da lesão e após a lesão de Lucho.
Uma outra nota. O fair-play, o respeito para com o adversário. Num futebol que perigosamente está cada vez mais num nível de 'encenação' e de pouca entreajuda entre colegas, tocando muitas vezes a falta de respeito, Lucho era também neste ponto um bom exemplo.

O Marselha é o próximo passo de um jogador que, prestes a completar 29 anos, já muitos esperavam que terminasse a carreira europeia no Porto. Não sei se o clube segundo classificado da Liga Francesa, mesmo em crescendo, será a melhor opção desportiva para Lucho. A verdade é que chegando a esta fase da carreira muitos jogadores pensam mais no aspecto económico. Longe de ser censurável. Não se pode é deixar de lamentar que um indivíduo como Lucho, uma qualidade futebolística como a que ostenta, provavelmente nunca vá brilhar nos melhores clubes de Inglaterra, Espanha ou Itália (como assentava bem no Inter de Mourinho...). Provavelmente essa foi também uma das razões para, mesmo com cerca de quatro dezenas de internacionalizações, nunca ter adquirido o estatuto de titular indiscutível da Selecção Argentina.

Na perspectiva económica, este foi para o Porto um bom negócio. É indesmentível. Desportivamente e a nível de balneário duvido. No campo porque a sociedade Meireles-Lucho era um dos maiores suportes da equipa, e porque não há jogador semelhante a Lucho Gonzalez ao alcance do Porto. Tal como na época passada caberá a Jesualdo, não subsitituir directamente um jogador que sai, mas perceber qual a melhor forma da equipa reagir a esta perda, alterando parcialmente o seu modelo. A nível de balneário o caso será mais complicado. Especialmente se às perdas de Pedro Emanuel e Lucho Gonzalez, se somarem as mais ou menos previsíveis de Bruno Alves ou Nuno. Seria importante para a estrutura do Porto manter estes dois jogadores. Porque perder as reconhecidamente quatro traves mestras do grupo, numa época será um duro golpe.
Ou não nos lembrássemos todos do período crítico da equipa por alturas de Outubro/Novembro e das entrevistas e dos abraços de todos os jogadores a Pedro Emanuel no final da temporada, salientando a sua importância nos sucessos da época.

Foi um prazer, Figo.

à(s) 11:32

terça-feira, 19 de maio de 2009


Foi no passado fim de semana, de conquista para o Inter, que um dos melhores e maiores jogadores portugueses de sempre anunciou o final da sua carreira. Luís Filipe Madeira Figo pendura as chuteiras no ano em que completa 37 anos. E o futebol fica mais pobre.

O ainda jogador do Inter, é dos que ficarão para sempre marcados na memória de quem os viu jogar. Especialmente daqueles que, como eu, cresceram idolatrando o seu futebol. E a sua postura fora dos relvados. Em cromos de cadernetas de futebol, em posters gigantes nas paredes do quarto, nos jornais e revistas, na televisão ou no estádio, Figo acompanhou nos últimos 15 anos o imaginário de todos os que gostam de futebol. No Porto ou em Lisboa, em Madrid ou até em Barcelona, em Milão ou em Pequim, não há quem não tenha ficado rendido à sua qualidade.

'Os Pastilhas' formaram o atleta e homem, o Sporting continuou o processo consolidando-o e tornando Figo num grande jogador, de dimensão europeia. Do polémico trio Barcelona-Juventus-Parma em 1995/96 ninguém se esquece, mas foi na Catalunha que Figo se deu a conhecer ao Mundo. Um dos últimos extremos direitos à moda antiga, fazia do pique e da capacidade de driblar os seus principais recursos, antes de chegar à linha e efectuar cruzamentos absolutamente perfeitos que fizeram as delícias de inúmeros avançados. Apesar de se destacar nas assistências, Figo mantinha também uma boa relação com o golo, quer em bola corrida, quer de bola parada - livres e penalties superiormente bem executados.
Nos Galácticos do Real Madrid, após o Verão quente de 2000/2001, Figo foi já um jogador diferente. Menos exuberante, igualmente espectacular e eficaz, o 10 do Madrid tornou-se ali num jogador completíssimo a todos os níveis. Dessa época, e como consequência dessa evolução, o galardão atribuído para melhor jogador do Mundo pela FIFA, foi seu, foi português. Um prémio importantíssimo pouco tempo depois da pior recepção de sempre a um jogador de futebol, em Camp Nou, ao serviço do Real Madrid.
2005, ano final da 'era Galáctica' trouxe-lhe o Inter. Muitos pensaram ser ali, já com 33 anos, o último ano de Figo, cumprido maioritariamente em baixa rotação. Puro engano. Estamos em 2009 e o português olha para a sua carreira em Milão e, embora lhe falte o sucesso europeu alcançado em Barcelona e Madrid, vê um tetracampeonato. Num Inter onde, num trajecto descendente a nível físico, foi encontrando outras posições no campo, menos colado à linha, mais perto da zona central, organizando jogo. Não deixou de ser uma espécie de evolução táctica, que só os muitos anos de futebol permitiram a Figo cumprir com sucesso. Contudo, algo se manteve sempre no seu futebol: a qualidade com que tratava a bola, e a inteligência sempre presente no destino que lhe dava.
Com 127 internacionalizações, 32 golos, momentos inesquecíveis, sucessivos jogos enquanto capitão, Figo foi também figura incontornável da Selecção Nacional Portuguesa. Ao serviço da qual, em 2000, 2004 e 2006 não andou longe da merecida consagração absoluta.

Resumidamente, foi esta a fantástica carreira de Figo dentro das quatro linhas. Tal como fez questão de referir, com uma média de títulos colectivos superior ao número de anos de actividade desportiva. Muito poucos se podem gabar do mesmo. Daqui se percebe a importância deste jogador nas equipas por onde passou. E da inteligência na hora de escolher o seu rumo. Porque também fora de campo Figo foi especial. Uma figura emblemática que ultrapassa e muito o âmbito do futebol, ao qual concerteza ainda terá muito para dar, provavelmente ajudando à reciclagem do nosso dirigismo desportivo.

Num país que tem dificuldades em reconhecer os melhores (Cristiano Ronaldo é o melhor exemplo actual), num país que nunca foi totalmente unânime em relação à figura deste extraordinário jogador, o melhor elogio que se pode fazer é garantir que ele, o eterno 7 de Portugal, discute legitimamente com Eusébio, o epíteto de melhor e maior jogador português de sempre. E que bom sinal quando estas distinções podem ser partilhadas. No mais, o futebol de Figo continuará a viver em VHS, em DVD, no Youtube, ou mesmo num simples cromo de futebol. Eu ainda tenho o meu.

Adriano, o Imperador

à(s) 02:08

segunda-feira, 27 de abril de 2009


O apelido já o acompanhará até ao fim da carreira, aconteça o que acontecer. Adriano é o Imperador porque domina. Mas esse domínio não é o domínio comum ao jogador 'normal', quando recebe a bola de um companheiro. O melhor Adriano era aquele que dominava a bola, a equipa, o adversário, o próprio jogo. Por isso o 'Imperador'.
O avançado brasileiro explodiu quando Ronaldo, 'o fenómeno', atravessava um período de menor fulgor. O futebol precisava de um novo monstro, se chegasse do Brasil melhor. Adriano justificava o epíteto e a expectativa. Chegado ao Inter, oriundo do seu Flamengo, com 19 anos e depois de uma grande época no 'Mengão', a sua primeira época na Europa foi difícil. Natural, porque o Calcio não será o melhor habitat para um jovem brasileiro explodir na sua primeira época europeia. Fiorentina primeiro, Parma depois acolheram Adriano e o que se viu foram golos e grandes exibições. O potencial tinha-se confirmado, o futebol do brasileiro precisava de se afirmar numa equipa de primeiríssima linha, o regresso ao Inter foi algo natural.

No regresso, as duas primeiras épocas no clube foram excelentes. Para sua infelicidade, Adriano encontrou um Internazionale transformado numa verdadeira sociedade das nações. E que qualitativamente não fazia jus à história do clube. Contudo, o brasileiro explanou o seu melhor futebol, tornando-se na estrela da equipa. Robustez física, fortíssimo em espaços reduzidos, uma técnica muito apurada e um remate destruidor com o pé esquerdo. A média de golos situava-se em números elevados, e a equipa girava muito à sua volta. Porque além de balançar as redes adversárias, o 10 era mestre em assistir para golo ou em segurar jogo, esperando pela subida dos companheiros.

2006 foi o ano negro, que representou a viragem entre o fantástico Adriano e aquele que só apareceu a espaços. A sua capacidade psicológica foi insuficiente para aguentar a trágica morte do pai. A péssima performance do Brasil no Mundial 2006 tornou-o num dos bodes expiatórios, por ser um dos jogadores em que os adeptos depositavam maiores esperanças. E o seu futebol atingiu um ocaso, o qual Roberto Mancini foi incapaz de ajudar a ultrapassar. A partir dessa época, o melhor Adriano pouco se viu. Pouquíssimos jogos em Itália, chegando aliás a ser emprestado ao São Paulo, numa metade de época sabática, quase em reabilitação, sem realizar qualquer jogo oficial. Em toda a carreira, foi na Selecção Brasileira que se deu melhor. No 'Escrete' conserva uma média de golos superior a meio por jogo. A explicação talvez seja simples, é no gramado brasileiro, rodeado de 'brincas na areia' por todos os lados, que o Imperador se sente mais perto da favela brasileira, do futebol de rua.

2008/2009 seria a época que todos esperavam como a do seu regresso à melhor forma. Ou não fosse treinado por José Mourinho. A verdade é que esta foi desde início uma relação complicada, com demasiados altos e baixos. O melhor Adriano viu-se pouco, e mesmo a capacidade técnica parece ter saído afectada pelo alheamento do jogo constante que o brasileiro demonstrava. Os mísseis saídos do pé esquerdo viram-se menos, por consequência os golos também.
O início de Abril foi fatídico no que diz respeito à sua carreira no Inter. A recusa em voltar a Itália, depois de um jogo da Selecção brasileira. A confirmação de que nem Mourinho tinha conseguido fazer o jogador reentrar nos eixos do total profissionalismo. E a rescisão de contrato no dia 24 de Abril. Uma perda imensa para o futebol europeu.

Adriano transportou para o discurso e para as atitudes, parte daquilo que o seu futebol tinha de melhor. A descontracção, alguma irresponsabilidade, o risco. O seu comportamento não se coaduna com o de um jogador profissional. Mas estou longe de o censurar. O brasileiro foi atrás da sua felicidade. E ela está na favela, no calor, no calção largo, na cerveja, no churrasco. E no meio de tudo isto, nas partidas de futebol profissional, algures nos campos brasileiros. Por isso não duvido que o melhor Adriano vai regressar. Seja no imediato no Brasil, ou futuramente, se sentir a falta de maior competitividade, num país mais latino como Espanha, quiçá Portugal.
A verdade é que em toda esta estória, há um lado positivo. Num futebol cada vez mais robotizado, numa indústria cada vez mais sedenta de ídolos, num mundo por vezes excessivamente competitivo e enganador, Adriano mostra a muitos jovens que a felicidade, a realização, podem estar noutro lado, numa outra forma. Porque existem cada vez mais miúdos perdidos por uma ilusão que não se tornou em tudo o que esperavam, que não conseguem alcançar. O futebol não é só os milhões, as capas de jornal e revistas, a fama, a exposição. Ele pode ser só um jogo de rua, um estado de descontracção. Adriano é a prova.

J.Moutinho, Kasparov num tabuleiro verde

à(s) 01:31

quarta-feira, 22 de abril de 2009


O Sporting anunciou ontem à noite, a renovação do contrato com o seu capitão, saído da Academia, João Moutinho. O clube passa a receber o valor total da venda do seu activo, ao mesmo tempo que baixa o valor da sua claúsula de rescisão. No que parece uma cedência de ambas as partes, de Moutinho porque abdica da parcela a que tinha direito em caso de transferência, do Sporting porque baixa o valor pelo qual poderá transferir o seu jogador mais valioso.
22.5 milhões de euros é o valor que os interessados terão de desembolsar, para passar a contar com o português no seu plantel.

Olhando para a conjectura de mercado, em épocas de crise económico-financeira, podemos questionar se existe algum clube disposto ou capaz de dispender este valor para concluir a operação. Mas é muito provável que em Inglaterra, por entre Aston Villa, Arsenal, Everton, Manchester City ou Chelsea, pelo menos um avance na direcção de Moutinho.
Tal facto só dá conta da valia do capitão do Sporting. Ninguém olha para ele esperando que resolva directamente jogos. Porque não tem um drible fabuloso, porque não tem uma capacidade de remate acima da média, porque não tem uma visão de jogo extraordinária. Então porquê? Porquê 22.5 milhões de euros por um jogador assim? É simples, aos 22 anos, Moutinho representa na perfeição o protótipo de jogador moderno.

De uma regularidade assombrosa, capaz de realizar uma época completa, sem decréscimo de performance. Capaz de preencher todas as posições próximas da zona mais central do meio-campo, sozinho, em duplo pivot ou losango. Sempre com grande sapiência e maturidade que lhe permitem entender muito bem cada momento do jogo, todas as exigências da posição que ocupa, todas as necessidades da equipa.
Como referi, não se pode esperar de Moutinho que decida jogos. Embora por vezes o faça. Vale em média 6/7 golos por época, um pouco mais se falarmos de assistências. Mas, mais do que tudo, vê-se nas equipas que defende, um equilíbrio entre ataque e defesa, ou seja, muita competência nas transições. E uma qualidade pouco comum, de conciliar técnica, com muita capacidade táctica e de trabalho de equipa.
Inteligência, competência e seriedade. Este é o futebol do 28 do Sporting, mais um excelente 'produto' da Academia de Alcochete, e que dificilmente se continuará a expressar em Portugal.

Boa Páscoa, por 'El Niño' Torres

à(s) 18:12

sábado, 11 de abril de 2009

Saudades de Batistuta

à(s) 03:10

quinta-feira, 5 de março de 2009


Hoje enquanto percorria as etiquetas do blog, deparei-me com uma apelidada de 'Estrelas do Futebol'. Imediatamente pensei que ter uma rubrica assim e nela não constar aquele que foi o meu maior ídolo futebolístico de criança, era um enorme contra senso.

E sim, ele foi Gabriel Batistuta. Não é difícil perceber. Somos miúdos, só vemos bola à nossa frente. Queremos lá saber da escola, o que nos importa é nas tardes livres ou mesmo no recreio, formar equipas pra dar uns chutos. E queremos todos jogar a avançados. Algo óbvio, até porque desde tenra idade todos sabemos que são os avançados quem vive mais perto do golo, e queremos impressionar as meninas que estão a assistir ou ganhar um lugar de destaque no seio do nosso grupo. Fica uma dúvida: que nome gritar a seguir ao golo. 'Gooolooo e o nosso nome a seguir' não soa bem. O momento tem de ser épico. E pra isso vamos buscar algum jogador famoso para imitar. Eu escolhi Batistuta. Cabelos compridos, camisola viola, golos atrás de golos. Perfeito!


Os anos passam, o ídolo é o mesmo. Mas há mais curiosidade para saber cada vez mais coisas. E para perceber melhor os terrenos que pisa, a sua forma de jogar. Imediatamente se nota um traço comum a todos os seus movimentos: o instinto de matador. É natural. Batistuta tinha que ter esta predisposição natural para o golo. Só assim se explica que um jogador que se tenha dedicado ao futebol apenas a partir dos 17 anos (era basquetbolista) tenha deixado o nome na História de forma tão consistente.
Três primeiras épocas como profissional, três grandes clubes argentinos: Newells Old Boys, River Plate e Boca Juniors. Admitir-se-ia que principalmente no River Plate não gostassem de Batistuta, pela sua transferência para o inimigo Boca, de onde deu o salto para a Europa. Mas a sua postura fora de campo, a sua entrega ao jogo, tudo o que deu à Argentina, fizeram com que fosse idolatrado em todo país. E considerado o maior jogador alvi-celeste entre Maradona e Messi. Naturalmente, ou não fosse o melhor marcador de sempre da selecção, com uns impressionantes 56 golos em 78 internacionalizações.


A porta da Europa, abriu-a a Fiorentina (já na altura por 3 milhões de dólares). Longe de imaginar estaria Batistuta e os dirigentes viola, que o argentino seria o maior jogador da História do clube de Florença. Um verdadeiro ícone a todos os níveis, amado pelos adeptos, apreciado pela imprensa, gerador de suspiros femininos. 9 anos, 269 jogos, 168 golos. A braçadeira de capitão. E a assumpção da Fiorentina como equipa temida em Itália, respeitada na Europa, chegando à Liga dos Campeões, onde balançou as redes de Barcelona, Manchester United, entre outros. O clube homenageou-o com uma estátua em bronze, algo com que poucos jogadores se podem orgulhar (quando Maldini e Raul deixarem o campo, provavelmente nunca mais nenhum).

9 anos depois, em 2000 Batistuta partia de uma Florença em lágrimas, em direcção à Roma. Em busca de uma Serie A, algo que não conseguira na Fiorentina. 30 milhões de dólares por um jogador de 31 anos? perguntaram alguns. Mas caramba, era Batigol. Fabio Capello deu-lhe o papel principal da sua Roma, e o título, 17 anos depois voltou à equipa da capital. Números? 20 golos em 30 jogos.
Na época seguinte, as malditas lesões. Que levaram a sua carreira ao declínio, e a um final tranquilo no Qatar, já depois de um empréstimo ao Inter. O tempo também passa para os grandes jogadores.

Mas a memória o tempo não consegue apagar. E na retina ficam o seu faro para o golo, os livres, a capacidade de aparecer nas costas dos defesas, o remate fácil e potente com ambos os pés, o poder no jogo aéreo. A facilidade com que decidia jogos. Querem ver o estofo de um grande ponta de lança? Dêem-lhe o Calcio. Onde Batistuta brilhou ao mais alto nível durante 12 anos. Palavras para quê? Provavelmente muito mais havia para dizer.
Há dúvidas da grandeza e da qualidade do argentino? Pergunte-se a Rui Costa. Ou não fosse deles a 'societá' mais interessante da segunda metade dos anos 90 em Itália.

Os caminhos de Quaresma

à(s) 02:33

quarta-feira, 4 de março de 2009


Hoje à hora de jantar procuro decidir entre o Liverpool Sunderland e o Portsmouth x Chelsea para passar as duas horas seguintes. O primeiro passa em HD, tem Gerrard e joga-se num Anfield repleto e com a relva super bem tratada. O segundo disputa-se debaixo de chuva intensa, em Fratton Park. Perante estes factos não será difícil perceber qual o jogo que fui seguindo com mais atenção. Tudo mudou com a entrada de Quaresma.

59 minutos. O jogo entre Portsmouth e Chelsea estava completamente equilibrado. O terreno de jogo estava pesado e as equipas (ambas em 4x3x3) encaixadas. Guus Hiddink olha para o banco e vê Quaresma. O campo não estaria perfeitamente adequado às características do cigano, mas o treinador holandês, demonstrando já um conhecimento importante das características do português, sabe que ele será o homem ideal para desfazer o nó em que se encontra o jogo.
Sai Kalou. Devo aliás dizer que é para mim inconcebível ver Quaresma como suplente do costa marfinense. Não que não o considere bom jogador, mas porque me parece que são jogadores semelhantes. Mas Quaresma é melhor nas boas características, e menos mau nas negativas. E mesmo que Kalou tenha potencialmente uma relação mais próxima com o golo, Quaresma é decisivo, mais vezes.
Apesar de tudo, continua a errar. É certo que o vimos, com espírito de equipa, a defender quando a equipa tentava segurar a vantagem de 1x0. Algo em que era muito criticado quando jogava no Porto. Mas cometeu um erro grave: uma falta desnecessária aos 90 minutos, que deu origem a um livre lateral, lance perigosíssimo quando se defronta uma equipa que conta por exemplo com Crouch, Campbell ou Distin. Podia o Chelsea, através de uma acção sua, ter desperdiçado a vantagem que Quaresma ajudou a construir.

Sim, porque foi Quaresma quem mudou as coordenadas da partida. Mais sobre o flanco direito, colocou a cabeça em água a Hreidarsson. O velho Quaresma, demolidor no um para um, muito perigoso nos cruzamentos, de trivela ou com o peito do pé. Deu confiança à equipa, ganhou ele próprio confiança. A confiança que veio perdendo. Ou parte dela. A verdade é que nos pouco mais de 31 minutos em que jogou, voltamos a ver parte do melhor Quaresma. Mesmo a jogada do golo, nasce de um cruzamento de Bosingwa para Drogba, desde o flanco direito, após combinação lusa.

Este é capaz de ser o primeiro passo para um bom fim de época do português. Depois da na primeira metade da época ter sido de certa forma uma desilusão, a chegada à Premier League pareceu-me uma boa opção. Poucos dias depois da transferência, era já titular no Chelsea de Scolari, A saída de Felipão endureceu o caminho de Quaresma, que até ontem foi suplente em duas partidas, e fez dois jogos pelas reservas. Talvez esta exibição seja o antídoto que o português precise para voltar ao seu melhor futebol. Bom para o Chelsea, bom para a Selecção Nacional, bom para o futebol.

Aguiar, o novo Francescoli

à(s) 03:29

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


A designação não é minha. Luís Aguiar recebeu-a no Uruguai, quando ainda jogava no Liverpool de Montevideu. Mesmo idolatrando Recoba e Forlan, os uruguaios procuravam um novo pibe, digno sucessor de Francescoli. E o 'escolhido' foi Aguiar, internacional uruguaio sub-20. Hoje percebe-se que não foi por acaso.

O Porto, descobriu-o. Provavelmente da mesma forma que descobriu Hulk e ninguém sabe como. Chegado a Portugal, Aguiar foi emprestado primeiramente ao Estrela da Amadora, onde substituiria Binya, chamado de volta para o Benfica de Camacho. A primeira metade da época não lhe correu bem, até porque certamente o Estrela não seria o clube indicado para um jovem uruguaio brilhar no seu primeiro ano de Europa.
A partir de Dezembro, na Académica, foi diferente. Aguiar conseguiu ser mais constante, mostrando atributos que aguçavam o apetite de todos. Estranhamente não ficou num Porto carente de elementos desequilibradores no meio-campo. Jesualdo Ferreira deve agora, perguntar-se o porquê de o ter dispensado.

Hoje no Braga de Jesus, Meyong, Renteria ou Alan, Luis Aguiar é o 'jogador mais'. Bem sei que este Braga vale pelo colectivo, mas notam-se diferenças no equilíbrio da equipa quando o 22 não joga. Vendo-o actuar uma característica raríssima salta à vista. Joga perfeitamente e de forma semelhante com os dois pés. É frequente vermos este grande jogador marcar cantos ou livres, de pé direito ou de pé esquerdo.
No futebol moderno, dizem não haver espaço para os '10' á moda antiga. Mas para '10' de escola uruguaia há, sem dúvida. Aguiar é um deles. Pela disponibilidade para o jogo, pela capacidade de perceber os seus diferentes momentos. Porque o vemos num instante junto aos avançados (leva por exemplo 6 golos na Taça UEFA), e no outro vemo-lo junto ao médio mais defensivo. E depois mistura velocidade, recepção quase sempre orientada, técnica, garra, facilidade de remate, intensidade, e a já referida capacidade nas bolas paradas.
Aos 23 anos, é já um jogador muito completo e uma indiscutível mais valia neste Sporting de Braga. A pergunta que fica é: por quanto tempo mais?

Fugindo agora um pouco para a Taça UEFA, vemos que o seu grande golo de hoje, figura nos melhores da jornada ao lado dos de Pato (a Taça UEFA terminou para Maldini mais cedo do que a sua carreira merecia), Ben Arfa, Rothen (adversário do Braga), Kewell, e Giovanni dos Santos (continuo sem perceber como faz parte das segundas escolhas no Tottenham).

Lisandro e Ribery - classe à flor da relva

à(s) 03:59

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Olhamos para estes dois nomes. E pensamos no que têm em comum. Facilmente chegamos a duas semelhanças, óbvias: têm ambos 25 anos, são ambos grandíssimos jogadores. E depois pensamos nos oitavos de final da Champions.

Começo por Lisandro. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que é para mim o melhor avançado do futebol português. Inteligente na procura dos espaços, facilidade espantosa em rematar com os dois pés. Bom jogo de cabeça, capacidade técnica e uma grande sede de bola, nunca dando um lance por perdido. Além disso, uma leitura de jogo acima da média.
Parte das suas qualidades viram-se no jogo contra o Atlético, para a Liga dos Campeões. Onde os grandes jogadores, que estão longe dos maiores palcos, ganham super-motivação. O primeiro golo é uma demonstração da capacidade de remate fácil com o pé esquerdo. No segundo, a sua leitura de jogo deixou Antonio Lopez a perguntar-se de onde tinha surgido. E Licha ajuda o Porto a empatar um jogo, onde fez mais do que o suficiente para vencer.
É certo que ao mais alto nível, tanto desperdício é perigoso. Mas o Atlético de Madrid é, indiscutivelmente, mais forte em casa. E no Porto, vai ter que procurar o resultado, dando espaço para os dragões jogarem da forma que mais gostam.
Voltando a Lisandro, de certa forma percebo o seu menor rendimento na Liga Portuguesa. Chegou a Portugal com muitos golos na bagagem. Nas duas primeiras épocas no Porto, foi encostado a uma linha. O ano passado, no centro, mostrou a sua melhor faceta. Neste, tem de dividir o seu habitat natural com o prodígio Hulk. Umas vezes no centro, outras na direita. Pretensas questões contratuais e um aproximar de fim de ciclo podem explicar o resto. De resto, Licha é isto. O típico (bom) jogador argentino. Sangue na guelra e muito futebol nos pés.

Hoje em Alvalade, nada ficou igual depois da passagem do scarface. Encostado a um flanco, onde cabem no futebol moderno os jogadores mais técnicos e capazes de decidir jogos, fez quase o que quis da equipa do Sporting. Quase sempre em movimentos interiores, percorreu sabiamente o espaço entre Abel e Tonel, ou entre Rochemback e os centrais. Sem nunca precisar de forçar o ritmo em demasia.
Ribery joga em média-rotação. Protesta com o colega, desistindo da jogada, se este não lhe endossa a bola como pretende. Mas defensivamente não desequilibra a equipa. E apesar de laivos de personalidade geniosa, entende o jogo como colectivo. Muito forte no passe, aparece nas imediações da área adversária em progressão, ou quase sem darmos por ele.
Curiosamente o seu percurso futebolístico nunca foi estável ou fortemente sustentado, até chegar ao Marselha. Depois, das grandes exibições no Velodrome ao colosso de Munique foi um passo. E hoje, vendo-o jogar, quase que parece deslizar na relva. Tal como o actual Lisandro, principalmente na Liga dos Campeões.
Contra o Sporting ajudou a mostrar a Paulo Bento, que mudar /adaptar a equipa em função do adversário nunca deixa de ser perigoso. E o Bayern (depois de Real Madrid e Barcelona) demonstra que o Sporting ainda precisa de crescer bastante, deixando de lado algum complexo de inferioridade, para se bater com os gigantes. Além de dois ou três jogadores com grande experiência internacional. Porque nesta fase, a Academia não chega.

Sobre a primeira mão dos oitavos de final da LC, salientar a grande exibição do Manchester em Milão, apesar de Mourinho ir certamente a Old Trafford criar muitos problemas. Continuando o duelo entre Ingleses e Italianos, Chelsea e Arsenal levaram de vencida Juventus e Roma por 1x0, embora me pareça que o Chelsea vá ter mais dificuldades para passar do que o Arsenal (principalmente se Wenger puder contar com Adebayor, Walcott e Fabregas na 2a mão).
Villarreal e Panathinaikos discutem na Grécia, qual dos dois será o intruso entre as 8 equipas mais fortes da Europa. Ainda que Benitez tenha conseguido uma grande vitória frente ao Real Madrid, a eliminatória não está ganha, e em Anfield o jogo será muitíssimo disputado. O resto foi este fantástico golo do melhor batedor de livres do mundo, e um Barcelona que em Camp Nou garantirá a passagem á próxima fase frente a um Lyon que, sendo uma boa equipa, não está ao nível de outras épocas.

Maldini, no Domingo não devia ter sido assim!

à(s) 04:42

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


Inter x Milan. Aos 42 minutos de jogo, quando após um livre longo a meio-campo cobrado por Muntari, Maldini vigiava Adriano, não podia adivinhar que Pirlo e Kaladze iam falhar. O georgiano porque permitiu a Ibrahimovic saltar mais alto e endossar a bola para o interior da área. Pirlo porque não é o trabalhador incansável que é Ambrosini (que no início da partida tinha tirado um golo certo a Stankovic) e deixou o sérvio à vontade para fazer o 2x0.
Aí, o grandíssimo jogador italiano deve ter olhado para o banco, e vendo que defrontava uma equipa de Mourinho, constatou que já não ia a tempo da vitória, tão importante para o Milan reentrar na luta pelo título.

E o Milan não lutar pelo título até ao fim, na última época do monstro Maldini, é quase um sacrilégio. Paolo, nascido em 1968, passou 25 anos no Milan, clube da sua vida. Onde chegará a Maio com mais de mil jogos de vermelho e preto vestido. O grande capitão, um dos maiores símbolos da história de um dos principais clubes do mundo.
Constatar, impotentes, o final de carreira destes exemplos, devia a nós adeptos, deixar um misto de saudosismo e preocupação. Primeiro porque são já raros os Maldinis no futebol, e depois, porque o desporto-rei, na pele dos protagonistas, é cada vez mais um negócio e menos uma paixão. A mística vai deixando de existir, a identificação dos torcedores com os jogadores, onde ano após ano, apontando de olhos fechados para um lado do campo, se sabia quem seria o jogador que envergava a camisola do seu clube, também desaparece.

Vão sobrando as memórias. E de Maldini só podem ser positivas. O italiano é uma das vítimas das 'Bolas de Ouro'. Injustificadamente, nunca viu o seu nome ser distinguido a esse nível. Mas sempre falou desse facto de forma distinta e despreocupada. Um senhor dentro do campo e fora dele, reconhecidamente um exemplo de fair play.
O capitan eleganza, como os tiffosi apreciam chamar-lhe, foi um grande defesa lateral esquerdo. Rápido, com a boa escola defensiva italiana, pé esquerdo muito técnico, os seus bons cruzamentos eram sucessivos alimentadores dos avançados. Época após época, um destaque natural entre os melhores laterais do mundo.
Os anos foram passando também para o italiano, o futebol exigia cada vez mais dos laterais um vaivém no corredor, e Maldini foi aprimorando cada vez mais o saber táctico. Resultado? Passou a jogar mais frequentemente como central. E conseguiu figurar também neste posto específico como um dos melhores do mundo. Fantástico!
A verdade é que olhamos para o seu futebol, para todos os aspectos do seu jogo, e facilmente constatamos que se se proporcionasse, poderia também ter sido médio. O que nos dá ideia de quão completo é.

7 vezes campeão italiano, 1 Taça de Itália, 5 supercopas italianas, 5 vezes campeão europeu, 5 Supertaças europeias, 3 vezes campeão do mundo de clubes, 1 vez campeão do Mundo de clubes.
Olhamos para este palmarés fantástico e para a época actual, e constatamos que ver Maldini em Maio a despedir-se com a Taça UEFA (troféu que lhe falta) nas mãos seria uma justa homenagem a si e ao futebol. Perdoem-me os nacionalistas, mas para mim, Paolo e a sua carreira ultrapassam essas questões. Seria mais do que tudo, um obrigado! A camisola 3 no Milan? Essa nunca mais ninguém a veste.

Um jogador intemporal

à(s) 01:20

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


Depois de ontem em Londres, Brasil e Itália terem animado a semana futebolística, esta noite, algures no Sul de França, uma sociedade de estrelas pisou a relva.

Tanto que podia escrever sobre o França 0 x Argentina 2, ou sobre o conservadorismo de Domenech ao não abandonar o duplo pivot (que prende muito a equipa), recuando Gourcouff para a posição em que rende melhor (ligeiramente à frente do médio mais recuado) e colocando Nasri ou Malouda em detrimento de Toulalan. Podia escrever sobre a sua preferência por Anelka em detrimento de Benzema ou por Abidal em detrimento de Evra. Ou mesmo de Mandanda por Lloris.
Podia escrever sobre o que parece ser o abandono definitivo por parte de Maradona, de um 3x5x2 já com raízes na selecção argentina, e da sua dúvida entre o 4x4x2 e o 4x3x3, entre Jonas Gutierrez (ou Maxi Rodriguez) e Carlitos Tevez. Podia falar de Lucho, Lisandro ou Di Maria, ou ainda da presença do lateral Marcos Angeleri (suposto alvo de Porto e Benfica), entre os 4 seleccionados que não jogam na Europa. Ou ainda da ausência de Riquelme. Podia falar de Ribery, Messi, Henry ou Aguero

Mas ao ouvir o 'El Himno Nacional Argentino', vendo a expressão de Javier Zanetti, decidi que hoje era ele o principal protagonista destas linhas.
José Mourinho e Diego Armando Maradona. Futebolisticamente podem ter muita coisa em comum, mas nenhuma delas será como a sorte de ter este jogador nas equipas que orientam. Mais de 13 anos de Inter. Mais de 13 de Selecção. 600 jogos pelo clube de Milão, 119 internacionalizações pela Argentina. Ou seja, um monstro do futebol actual, e apesar de tudo, não muito aclamado. Mas sempre poucas capas de jornal.
Zanetti é muito discreto. No futebol como fora dele. No entanto, os anos correm, os treinadores passam, os seleccionadores vão e vêm, dirigentes são eleitos, há revoluções no plantel. Zanetti fica.
No futebol actual não deve haver jogador com tantos kms nas pernas. O argentino conhece cada quadradinho de relva do Giuseppe Meazza. Na lateral-esquerda ou na lateral-direita quando estava na plenitude física. Hoje mais na zona central do meio-campo. No entanto algumas coisas não mudam há anos: a cultura táctica, a entrega ao jogo e às suas cores, a braçadeira de capitão. Se na Argentina, em favor de uma renovação, Maradona decidiu entregar o título a Javier Mascherano, no Inter o capitão ainda é Zanetti. O líder de balneário, a extensão de Mourinho em campo. Não é à toa que mesmo com 35 anos, é um dos jogadores mais utilizados do plantel.
Continuem a segui-lo porque ao contrário do título, nem Zanetti é intemporal. Contudo, o argentino é um dos grandes exemplos do futebol actual, e mais do que isso, uma das suas estrelas.

O Futebol Total de Iniesta

à(s) 16:30

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009


Na presente época o Barcelona domina as conversas sobre bom futebol. Justificadamente. A equipa de Guardiola coloca-se praticamente ao nível dos históricos Dream Teams culés de Cruyff, Stoichkov, o próprio Guardiola e Romário, ou da de Rikjkaard, Messi, Deco ou Ronaldinho. Apesar de tudo, ainda lhe falta algo para as igualar: títulos.
Contudo, não haja dúvidas que jogar bom futebol é um atalho para as conquista. Para esse futebol, não há dúvida que contribuem os muito falados Messi, Xavi, Etoo ou Daniel Alves. Mas na zona central do terreno, joga um baixinho, sempre em alta rotação, que carbura a máquina ofensiva do Barça, e que muitas vezes é esquecido: Andrés Iniesta.

O jovem catalão é mais um grande médio saído da cantera do Barcelona. Tal como Bakero, Guardiola, Fabregas, Xavi ou mesmo a promessa prestes a explodir no Arsenal, Fran Mérida. Todos são jogadores diferentes, e talvez mesmo o mais diferente seja Iniesta. Mas têm algo em comum: uma fantástica leitura de jogo, inteligência em movimento, grande precisão no passe. Iniesta será o mais diferente, porque de todos é o mais rápido, o mais técnico, o mais capaz no 1 para 1. Também por isso joga por vezes no flanco esquerdo, no lugar que era de Ronaldinho, e que agora é maioritariamente ocupado por Henry.
Em diagonais, movimentos interiores da esquerda para o centro, ou em movimentos verticais a partir do centro, Iniesta não sabe jogar mal. E se o meio-campo é a zona nuclear, o centro de operações de uma equipa, o Barcelona só ganha com isso. Touré ou Keita mais fortes e destrutivos, Iniesta, Xavi e Busquets mais cerebrais e construtivos. Este é actualmente o ADN culé. E Iniesta é indiscutivelmente uma das estrelas do Barça.

O palanca negra

à(s) 17:12

domingo, 1 de fevereiro de 2009


Indiscutivelmente Mantorras é um caso especial. Daqueles que no futebol, e até na vida, se encontram raramente.
De uma promessa no Alverca a uma confirmação na primeira época do Benfica. As expectativas, justificadamente, eram altas. O resto já se sabe.

A verdade é que benfiquistas, portistas, sportinguistas, adeptos em geral estão divididos em relação ao angolano. Se a maior parte o respeita, existem alguns que ainda põem em causa o seu papel no Benfica, do ponto de vista competitivo. A resposta, se fosse preciso, o angolano deu-a ontem. Mais três pontos para o clube da Luz, num jogo que, devido às condições do terreno, se inclinava para um 0x0. E este está longe de ser caso único na carreira de Mantorras.

Por tudo isto o público delira quando sai para aquecimento. Porque o 9 do Benfica é também uma lição de vida. Um homem que tinha tudo para ser um grande jogador, e que encara o seu menos apto estado físico sempre com um sorriso no rosto. E a cabeça levantada. Muito trabalho e dedicação. E um sentido de baliza pouco visto, que lhe permite ter uma média de 1 golo por 94 minutos.

O joelho de Mantorras nunca mais o deixará jogar continuadamente ao mais alto nível. Mas ainda lhe permite continuar a fazer aquilo que mais gosta. E tal como ele, os adeptos também sorriem quando o vêem em campo. Porque no futebol, também há espaço para a vida. E ainda bem.

Hulk e a evolução

à(s) 02:16

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


Na imprensa escrita, em programas televisivos, na blogosfera, nos cafés, nas bancadas, em inúmeros sítios, Hulk tem sido tema de conversa. Não deverei andar longe da verdade se disser que o brasileiro é actualmente o jogador mais 'discutido' do campeonato.
O seu potencial, o seu valor actual, o impacto e a importância que tem no Porto actual.

Tal como previ na 'antevisão' que fiz ao campeonato 2008/2009, os 5,5 milhões de euros pagos pelo Porto, por metade do passe de Hulk, tendo uma elevada margem de risco (que se mantém), não foram um mau investimento. antes pelo contrário. Considero o brasileiro um jogador com um potencial elevadíssimo. Mas há que por alguma água na fervura. Hulk está no ano zero da sua experiência europeia. Naturalmente que denota evoluções importantes no seu jogo, de Agosto para cá. Tem a orientá-lo um treinador que chamam de justificadamente chamam de professor, e que disse recentemente, que parte da formação do Porto se faz na equipa principal sendo Hulk um dos casos mais evidentes. Mas ainda não é o jogador que dele fazem crer. E tem, em 2009/2010, ano no qual Jesualdo Ferreira pode ou não ser o seu treinador, provavelmente uma época decisiva para o que se vislumbra ser uma grande afirmação no futebol europeu. Desde, repito, que tenha a orientá-lo alguém que compreenda o seu jogo, e o ajude a evoluir.

Actualmente, Hulk é no Porto um caso paradigmático. Muitas vezes permite à equipa escapar do emaranhado do adversário, mas embrenhar-se no seu próprio. Muitas vezes desequilibra o adversário, muita das vezes desequilibra a própria equipa. Inúmeras vezes cria jogadas de perigo, muitas vezes mata jogadas de perigo. Chama-se Hulk pela intensidade, pelo vigor físico, mas por muitos dos factores que citei acima devia ser uma espécie de 'Dr Jekyll' e 'Mr Hyde' do futebol.
Dizer que Hulk melhorou na tomada de decisões, na inteligência de jogo, na disciplina táctica não é de todo incorrecto. Veêm-se melhorias, fruto do trabalho, mas reconheçamos, insuficientes. Dizer que o brasileiro está muito melhor nesse aspecto é que já não me parece. Jogadores com estas características, com passagens pelo Brasil e pelo Japão (não falo do Vilanovense), dificilmente melhoram muito em 6 meses. Falta-lhes alguma escola. Mas está num bom sítio para aprender. E tem-no feito.
Entretanto compreende-se a aposta continuada de Jesualdo. É com jogos que se evolui. No entanto, na cabeça do treinador ainda pairam algumas dúvidas. Como conjugá-lo com Lisandro. Dependendo do adversário, dependendo se a equipa joga fora ou em casa, e portanto tem mais ou menos espaço, joga em locais diferentes. Muitas vezes parte da ala. Outras parte do centro. E digo parte porque o brasileiro não pode estar amarrado a uma zona específica e restrita. Fazê-lo seria quase como prender um animal selvagem numa jaula. Hulk precisa de metros para correr, para explodir, para fintar adversários, para levar a equipa para a frente, saltando zonas de pressão, para em poucos segundos transportar a equipa de uma situação de sufoco para uma de domínio.

O brasileiro é um alimentador de debates, um empolgador de bancadas, um jogador sobre o qual há muitas linhas para escrever. Dizer que é uma das grandes figuras deste campeonato não é mentira. Mas dizer que ainda pode dar mais, para si e para a equipa também não. Como não é mentira dizer que só será um grande jogar quando moldar os aspectos que referi acima. Até isso acontecer vai sendo um jogador com enorme potencial, com um incrível pontapé, com uma capacidade técnica e uma intensidade fortíssimas, mas que muitas vezes leva a equipa por caminhos errados. Este é Hulk, o incrível.

Os três 'príncipes' de Manchester

à(s) 01:02

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


Em Old Trafford moram os grandes capitães Scholes e Rio Ferdinand. Joga aquele que é provavelmente o melhor lateral-esquerdo do mundo, Patrice Evra. Mora uma espécie de guardião intemporal das balizas, Van der Sar, que actualmente já leva 11(!!) jogos sem ser batido no campeonato. Uma apache argentino cheio de garra e técnica, Carlitos Tevez. Um coreano que sabe mais de táctica que muitos italianos, Ji Sung Park. Grandes promessas do futebol como os irmãos da Silva, ou os 'nossos' Nani e Anderson. Um panzer intenso chamado Wayne Rooney. E há o melhor do mundo, Cristiano Ronaldo. Entre muitos outros. Uma constelação de estrelas liderada por um Sir, Alex Ferguson.

Qualquer um dos jogadores que falei acima era digno de figurar nesta espaço, mas tal não vai acontecer. Porque em Manchester há um Rei (Ronaldo), há um Sir, há uma história, há muitas estrelas, e nesta época há três príncipes. E as próximas linhas são para eles.

De trás para a frente, como se fazem as boas equipas, começo por aquele que considero actualmente o melhor defesa central do mundo, Nemanja Vidic. Aos 27 anos, quase três épocas depois de ter chegado do Spartak de Moscovo, quase incógnito, ainda lhe falta algum reconhecimento da comunidade futebolística, ainda algo enfeitiçada por jogadores como Puyol, Nesta e Cannavarro. Contudo, ainda está prestes a atingir a 'idade ideal' para aquela posição, e portanto ainda temos tempo para o ver melhorar ainda mais o seu jogo.
Primeiro de tudo, é praticamente instransponível no jogo aéreo. Utiliza essa facilidade muito bem nas bolas paradas ofensivas, algo que o torna num dos melhores cabeceadores do mundo. Depois, sendo certo que não tem na rapidez uma das suas principais armas, colmata esse factor com uma excepcional leitura de jogo e um muito bom posicionamento em campo. A sua impetuosidade e o seu poder de choque, são características temidas pelos avançados. Por fim, algo muito importante num defesa: não inventa, chuta para a bancada quando é preciso e sabe sair a jogar quando pode. Indiscutivelmente, merece que falem mais dele.

No meio campo, um autêntico exemplo do que é saber jogar. Recorrentemente falo em Maldini, Raúl ou Del Piero como grandes injustiçados do futebol por nunca terem vencido grandes prémios individuais. Esqueço-me muitas vezes de um, mas coloco-o praticamente no mesmo patamar. Falo de Ryan Giggs. Se quando estiverem a ver o Man Utd o procurarem na ala esquerda, já não têm grande probabilidade de vislumbrar o galês. Esse era o Giggs de antes, extremo esquerdo à moda antiga, explosivo, bola colada ao pé, qualidade de passe, cruzamentos infalíveis, bola parada com uma precisão incrível. A idade foi avançando e já não tem o mesmo vigor físico. Não perdeu a capacidade técnica e foi ganhando experiência, saber, ainda mais inteligência de jogo. Sabiamente Ferguson puxou-o para o círculo central e é esse o actual habitat de Giggs.
A seu lado um box-to-box. O galês pauta mais o ritmo da equipa. Que o procura muito quando tem dificuldades em progredir. Ainda ontem contra o WBA, três assitências para golo. Se tiverem oportunidade, vejam a que proporcionou o primeiro golo a Ronaldo. A prova que a bola ganha olhos nos seus pés, porque ele, como se diz, consegue jogar de olhos fechados. Aos 35 anos um grande exemplo de qualidade, longevidade e dedicação. Sorte dos 'Reds'.

Por fim a frente de ataque. O ponta de lança, homem mais fixo de uma equipa em constante rotação. Quem tiver dúvidas se é possível associar inteligência e futebol, veja um búlgaro de 27 anos a jogar, seu nome Berbatov. Provavelmente é o jogador da equipa que menos corre durante o jogo. Mas tenho a certeza, é o que 'corre melhor'. Um estilo 'jingão', desengoçado, mas uma qualidade técnica incrível. Não muito rápido com bola, mas rapidíssimo a pensar e a executar. Tomadas de decisão quase sempre acertadas. E depois golos, muitos golos. Misturados com assistências. Nas horas decisivas. Foi do Leverkusen para o Tottenham, mas faltava-lhe um clube gigante para expressar o seu futebol na totalidade. E tem-no conseguido em 2008/2009.

Estes três homens, e a restante equipa, não devem deixar Mourinho dormir tranquilo nos últimos tempos. Mesmo que saiba que o português adore estes desafios, que prepare as equipas como ninguém para os mesmos. Mesmo que saiba que referiu que o Inter merecia um tubarão nos oitavos da Champions. Ainda assim desconfio que o Manchester era o último dos seus desejos. E sim, tenho visto o que o super-Barça pode e sabe fazer.