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É preciso cuidado, Sporting.

à(s) 01:59

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Por entre Taças e Supertaças, o título nacional já foge há 8 épocas. O afastamento dos adeptos em relação à equipa é cada vez maior, as clareiras no estádio são cada vez mais visíveis, o fosso na média de assistências anual aumenta para os rivais, a impaciência dos adeptos cresce a cada dia que passa.
A verdade é que num clube com um superior ecletismo como é o Sporting, o fervor à volta do futebol é um pouco dissipado, mas os sportinguistas sempre tiveram uma exigente cultura de vitória, e o discurso dos seus dirigentes nos últimos tempos, quando abordavam as mais valias do constante 2º lugar relativizando de alguma forma o 1º, não caiu bem no seio dos adeptos.
É inegável que a situação financeira do Sporting não é famosa. Fruto de gestão danosa, principalmente na década de 90, o clube vive um pouco de mãos atadas, mas tal facto não pode ser motivo único para os resultados.

Mais do que tudo, importa perceber que a gestão desportiva do Sporting tem sido bastante negativa, ao mesmo tempo que os seus dirigentes vão dando perigosas facadas na cultura de vitória da equipa de futebol. Os adeptos naturalmente, não compreendem, e afastam-se cada vez mais de Alvalade, dos seus jogadores.
Vejamos, o Sporting é indiscutivelmente um grande clube. Mas corre riscos sérios ficar perdido algures entre a estrutura médio-superior do edifício do futebol português, se o clube não encontrar alternativas para a situação actual, alterando o seu caminho. É necessário um pouco mais de risco, de coragem, de ambição!
É preciso que não se esqueça o passado recente do Sporting, e as perspectivas de futuro.
Quando se tem uma Academia formadora e vanguardista como a de Alcochete, quando se tem um número de associados a rondar os 100 mil, quando se tem a história que o clube tem, a cultura de exigência tem que ser maior, os resultados desportivos podem e devem ser superiores.

Quando falo em resultados desportivos, não aponto o dedo acusador a Paulo Bento. Antes pelo contrário. Tenho dúvidas que algum treinador (real) tivesse feito melhor neste Sporting. A estrutura para o futebol parece não existir ou é muito pouco definida, nunca se perceberam muito bem as funções por exemplo, de Pedro Barbosa. Certo é que Paulo Bento tem que se alongar muito para fora do âmbito normal de técnico, dando o 'peito às balas', desgastando-se em demasia, e afastando-se daquilo que deve, sabe e pode fazer. Mas aí não podem ser a ele imputadas responsabilidades, até porque se percebe que o Sporting estaria pior não fossem algumas das intervenções do seu treinador (sem discutir, o propósito ou o tom das mesmas).


Olhando para o plantel e para o trabalho de Bento, constata-se que o seu pecado passa por não conseguir dotar a equipa de um modelo de jogo alternativo de sucesso ao que vem apresentando. Não tanto de sistema, visto que o mais importante é dar qualidade e bons intérpretes ao sistema, qualquer que ele seja. E o Sporting tem intérpretes para o losango.

Mais frágil na defesa, onde a baixa de forma de Polga já leva mais de 20 jogos, sem que o clube tenha precavido um substituto à altura para o brasileiro, durante o mercado de Verão. Até porque está mais do que visto que Paulo Bento perdeu alguma da confiança que já teve em Tonel. A lateral esquerda foi igualmente um pouco descurada, estando longe de se perceber as razões da não renovação de Tiago Pinto.
No resto, a equipa é bem montada, apesar de se sentir bastante a ausência de Izmailov, principalmente porque Vukcevic não cumpre na perfeição os desígnios tácticos do modelo, no meio-campo, e talvez fosse mais útil no vértice ofensivo do losango ou no ataque.
É óbvio que depois existem 'pequenos quês' como as parcas apostas em Pereirinha ou Djaló, mas essas são questões pontuais, que não deixam de ser discutíveis, mas para as quais só Paulo Bento terá uma resposta.

Pensando neste campeonato, mesmo ainda sem ter sido cumprido o primeiro terço, é difícil que o Sporting já vá atingir a Liga dos Campeões. Esta será muito provavelmente uma prova onde os grandes, salvo algum rombo inesperado, perderão poucos pontos e a distância do Sporting para os primeiros lugares é ja bastante grande. Importa aos seus responsáveis reflectir em termos de prioridades e pensar se não será preferível começar desde já a formar uma equipa de sucesso para os anos vindouros, mais importante do que tudo, estruturada numa base competente, sólida e assertiva. Sem esquecer que o arrojo será mais do que nunca, muito importante. O futebol português só fica a ganhar com um Sporting forte.

Belluschi, Mati Fernandez e...Reyes

à(s) 03:03

quinta-feira, 9 de julho de 2009


O defeso está ainda em fase de 'banho maria', à porta do mês previsivelmente escaldante de Agosto. Os treinadores estão cada vez mais mentalizados para a impossibilidade de fazer estágios com os plantéis fechados, porque os melhores negócios surgem regra geral no oitavo mês do ano, quando os clubes vendedores vêem o tempo a escassear para reequilibrar orçamentos e os clubes compradores cometem algumas megalomanias.
Apesar de tudo nos três grandes houve já movimentações interessantes. O Porto após uma preparação do seu plantel para a futura regra dos 6+5 vive actualmente o período habitual de procurar substitutos à altura dos jogadores que saem e fizeram grandes carreiras no Dragão. O Sporting mantendo a tradição recente de mexer pouco busca previsivelmente apenas um companheiro de peso para o 'levezinho' e quiçá mais uma alternativa no meio-campo. O Benfica procura mais um avançado, ao mesmo tempo que deixa em stand-by as questões de Reyes e da baliza. Neste sentido há três jogadores que podem ser fulcrais para as suas equipas.

Fernando Belluschi, prestes a completar 26 anos, é um jogador que não terá no Porto a sua primeira experiência europeia. Após ser uma das constantes revelações do River Plate, chegou ao Olympiakos onde, mesmo ligeiramente abaixo das performances nos 'milionarios', fez um campeonato grego bom, o mesmo no que diz respeito à Taça UEFA. Dele se espera que substitua Lucho, mas como aqui referi aquando da saída do argentino, não há jogador semelhante a 'El Comandante' ao alcance do Porto. Jesualdo terá de alterar parcialmente o modelo até porque Belluschi tem características diferentes de Lucho.
Do novo reforço do Porto espera-se que tenha um peso mais decisivo no último terço do terreno, funcionando como uma espécie de segundo avançado, e garantindo, penso, uma boa média de golos por época. Capaz no um para um, com capacidade técnica elevada, forte a aparecer no espaço e portador de um bom remate, Belluschi é no entanto ainda menos jogador que Lucho. Não terá, pelo menos inicialmente, um peso semelhante na equipa, nem sequer será tão influente na construção de jogo, possibilitando provavelmente a Raul Meireles ou mesmo a Cristian Rodriguez um papel ainda mais influente na equipa. Apesar de tudo, o Porto minimizou os danos da saída de Lucho com aquele que acredito terá sido um excelente reforço.

O chileno Matias Fernandez é mais um produto daquilo que de bom o Chile tem feito ao nível das camadas jovens, e tem sido muito. O Villarreal, fazendo jus ao estatuto (a par da Udinese) do clube europeu que melhor recruta nos clubes com exposição menor na América do Sul, esteve atento à evolução do craque e resgatou-o. Se a primeira época foi feita dentro das expectativas, num processo de adaptação europeia, ao mesmo tempo que demonstrava pormenores que aguçavam a curiosidade dos adeptos, a segunda foi diferente. Esperava-se a afirmação, mas alguma indisciplina táctica no rigoroso 4x4x2 do Villarreal, levaram Pelegrini a apostar de forma preferencial no experiente Ibazaga.
A saída do treinador para o Real, e as consequentes indefenições em torno do novo sistema táctico fazem-me questionar largamente a venda do chileno, mas certo de que se tratou de um fantástico negócio para o Sporting. No vértice ofensivo do losango, 'Matigol' trará a capacidade de desequilibrar que os leões raramente tiveram com Romagnoli e que terão impedido o modelo de Paulo Bento de evoluir para um patamar superior. Depois da saída de Quaresma e Ronaldo, não tenho dúvida que Mati Fernandez é o jogador tecnicamente mais evoluído que passou pelo Sporting, e tratando-se certamente de uma excelente adição ao nosso campeonato, será interessante verificar como se adaptará às exigências de Paulo Bento. Acredito que bem.

O futebol fora das quatro linhas foi e sempre será mais difícil de perceber que o jogado na relva. O 'caso' Reyes enquadra-se nesta premissa. Ao espanhol não há apreciador de futebol que negue qualidade. Justificadamente pode muitas vezes apontar-se alguma falta de entrega, algo que com Jesus muito provavelmente ficaria fora do campo. Mas é indiscutivel que Reyes foi um dos melhores jogadores do Benfica na época passada, dotando a equipa de um toque de classe, de uma capacidade de transição e de bola parada muito elevadas.
Quando se aponta insistentemente para o interesse do Benfica num avançado, quando tem já no plantel Cardozo, Nuno Gomes, Saviola, Mantorras e potencialmente Nelson Oliveira (mesmo Di Maria pode desempenhar essas funções num sistema com dois homens na frente), quando vêm a publico os valores potencialmente envolvidos na transacção de Reyes e os valores ainda disponiveis pelo Benfica para o reforço do plantel, quando se assume o interesse no espanhol, quando o jogador assume a preferência pela clube e quando o Atlético assume estar vendedor, é difícil perceber que o jogador não esteja já na Suiça com os encarnados.
Mais ainda, Jorge Jesus referiu recentemente que privilegia jogadores polivalentes e vejo Reyes a desempenhar funções no vértice esquerdo e ofensivo do losango do meio-campo e ainda a poder actuar como segundo avançado - foi nesta posição que o espanhol teve as melhores épocas da sua carreira, no Sevilla e Arsenal.
Esta série de factores estranhos pode fazer com que o Benfica perca aquele que seria um jogador importante. Ou então esta não passa de uma estratégia (arriscada) de Rui Costa baixar o preço do atleta. Só o tempo dirá. Segue o defeso.

J.Moutinho, Kasparov num tabuleiro verde

à(s) 01:31

quarta-feira, 22 de abril de 2009


O Sporting anunciou ontem à noite, a renovação do contrato com o seu capitão, saído da Academia, João Moutinho. O clube passa a receber o valor total da venda do seu activo, ao mesmo tempo que baixa o valor da sua claúsula de rescisão. No que parece uma cedência de ambas as partes, de Moutinho porque abdica da parcela a que tinha direito em caso de transferência, do Sporting porque baixa o valor pelo qual poderá transferir o seu jogador mais valioso.
22.5 milhões de euros é o valor que os interessados terão de desembolsar, para passar a contar com o português no seu plantel.

Olhando para a conjectura de mercado, em épocas de crise económico-financeira, podemos questionar se existe algum clube disposto ou capaz de dispender este valor para concluir a operação. Mas é muito provável que em Inglaterra, por entre Aston Villa, Arsenal, Everton, Manchester City ou Chelsea, pelo menos um avance na direcção de Moutinho.
Tal facto só dá conta da valia do capitão do Sporting. Ninguém olha para ele esperando que resolva directamente jogos. Porque não tem um drible fabuloso, porque não tem uma capacidade de remate acima da média, porque não tem uma visão de jogo extraordinária. Então porquê? Porquê 22.5 milhões de euros por um jogador assim? É simples, aos 22 anos, Moutinho representa na perfeição o protótipo de jogador moderno.

De uma regularidade assombrosa, capaz de realizar uma época completa, sem decréscimo de performance. Capaz de preencher todas as posições próximas da zona mais central do meio-campo, sozinho, em duplo pivot ou losango. Sempre com grande sapiência e maturidade que lhe permitem entender muito bem cada momento do jogo, todas as exigências da posição que ocupa, todas as necessidades da equipa.
Como referi, não se pode esperar de Moutinho que decida jogos. Embora por vezes o faça. Vale em média 6/7 golos por época, um pouco mais se falarmos de assistências. Mas, mais do que tudo, vê-se nas equipas que defende, um equilíbrio entre ataque e defesa, ou seja, muita competência nas transições. E uma qualidade pouco comum, de conciliar técnica, com muita capacidade táctica e de trabalho de equipa.
Inteligência, competência e seriedade. Este é o futebol do 28 do Sporting, mais um excelente 'produto' da Academia de Alcochete, e que dificilmente se continuará a expressar em Portugal.

As perdas de Vukcevic e Suazo

à(s) 03:08

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Entre a última jornada do campeonato e a última jornada das Selecções, Sporting e Benfica sofreram um rude golpe nos princípios de jogo, pelos quais se vêm regendo na presente época. Pela perda de dois dos homens que melhor interpretavam essa forma de jogar, essencialmente no que diz respeito à vertente ofensiva.

A importância daquilo que se trabalhou na pré-época, e que se foi moldando com o decorrer do campeonato, desvanece-se em parte. Apesar de a conjectura, anteriormente negativa, retirar agora algum do peso que estas ausência podem ter, quer para Paulo Bento, quer para Quique Flores. Isto porque ambos os treinadores, tiveram, por força das circunstâncias, de em parte da época formatar a equipa para a ausência destes dois excelentes executantes. Paulo Bento e Vukcevic por questões disciplinares, Quique Flores e Suazo devido aos problemas físicos e à fadiga decorrente de constantes viagens para o hondurenho actuar pela sua equipa nacional.
São, muito embora sejam ambos jogadores de grande classe, situações com contornos relativamente diferentes. Apesar de conceder que indiscutivelmente, são péssimas notícias para os treinadores de Sporting e Benfica.

Paulo Bento deixará de contar, muito provavelmente até final da época, com o jogador do plantel mais capaz de desmontar os sistemas defensivos impostos pelos adversários. Especialmente em casa, perante equipas mais fechadas, quando a previsibilidade do seu losango se acentua. Vukcevic representa isso. O desequilíbrio, a força, o repentismo, a técnica, que muitas vezes dá o sal e a pimenta ao jogo de régua e esquadro do Sporting. E a capacidade, de que Paulo Bento tanto gosta, de desempenhar vários papéis, seja numa ala, no vértice ofensivo ou mesmo na frente de ataque. A partir de hoje, mais espaço para Pereirinha e Romagnoli. Mas um Sporting menos forte.

Quique Flores não estará mais feliz. Ou não fosse David Suazo o intérprete essencial para um bom aproveitamento do modelo que o espanhol preconizou. Sempre primeira opção nos jogos mais importantes, o hondurenho era o principal destinatário do processo ofensivo benfiquista. Sempre o disse, considero Suazo um óptimo jogador. Contudo, a demasiada 'dependência' que o Benfica tinha de si, levava a que a equipa desvirtuasse um pouco o ADN de equipa grande, e ao mesmo tempo, desaproveitasse Cardozo e Nuno Gomes.
Bola nas costas da defesa, muitos metros para progredir em velocidade, em movimentos verticais ou em diagonais em direcção à baliza, batendo os adversários mais com rapidez do que com técnica. Esse é o melhor Suazo, aquele que teve grande sucesso no Cagliari e nos primeiros tempos de Benfica, menos no Inter e na segunda metade do campeonato português, quando os treinadores perceberam melhor a sua forma de jogar. Em virtude dessas mesmas características, é-me difícil compreender que Quique faça de um jogador com as suas qualidades, a sua principal arma ofensiva. Especialmente quando o Benfica necessita maioritariamente de assumir o jogo, construindo em progressão. Nesse sentido, a lesão do hondurenho até pode ser uma notícia menos má para os benfiquistas. Isto se, no pouco que resta da época, Quique conseguir estabilizar um modelo solidamente alternativo. É difícil.

Estas lesões, representando um duro golpe para os rivais lisboetas, não deixa de ser uma boa notícia para o Porto. Que até pode não ser tão relevante assim se os dragões vencerem em Guimarães (num jogo onde Rodriguez e Lucho estão diminúidos, Lisandro castigado, e o Man Utd estará a quatro dias de distância). Naquele que, penso, será o último grande obstáculo à conquista do tetracampeonato.

E a podridão não acaba

à(s) 03:49

terça-feira, 24 de março de 2009


O título é tudo que eu não quero escrever no blog. O assunto idem. Se fosse por apetites, hoje estaria a escrever sobre José Mourinho, e a sua distinção pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Contudo, o futebol português não deixa. E não é possível deixar passar toda esta situação em claro.


Infelizmente, e ao contrário do que a sua importância transpareceria, a Taça da Liga começou mal, e acabou pior. Com maus contributos dos três maiores clubes portugueses. É pena.
Mas, o que me aborrece e me indigna é a leviandade, o falso moralismo, o clima de suspeição, o 'incêndio' que, e não é de hoje, se tem criado à volta deste assunto. Desde televisões, passando por jornais, blogs, cafés. Desde os responsáveis, os ilustres, aos mais anónimos.

Já se ouviu, já se leu, chorrilho de disparates tal, que é difícil ficar impávido. Já vi defender-se e apoiar a atitude de Pedro Silva. Hoje, depois de serenar, o brasileiro veio apresentar as desculpas naturais. Como obviamente teria de ser. Depois a repetição de um jogo, por um erro de arbitragem aos 73 minutos. Defendido por pessoas com responsabilidade como uma medida possível e de enorme bom senso e justiça. Esquecendo-se o precedente grave que esta situação induziria.

Agora, a arbitragem. Lucílio Batista errou? Indiscutivelmente. Errou disciplinarmente ao longo de todo o jogo, errou gravemente no lance da grande penalidade. Em relação a este lance o que me parece incrível, é tratá-lo de forma diferente de todos os outros erros de arbitragem que se têm visto ao longo da época. Só não se confunda incompetência com intencionalidade. Muito menos falemos em roubos. Lucílio errou porque não é um bom árbitro. Lucílio provavelmente sentiu-se desesperado por após o apito e a conversa com o assistente, não ter a certeza da sua decisão. Porque sabia o que o esperava. Mas alguém tem dúvidas que há um sentimento repressivo e repercutório nos árbitros, que os condiciona, que agudiza ainda mais a sua falta de preparação, sentimento esse que é propiciado pelas pressões que os clubes exercem? Os mesmos que no dia seguinte aos jogos se indignam? Que pena que a hipocrisia não termine.

É para mim impensável que este episódio seja empolado da forma como o está a ser. Quando há clubes que habitualmente são muito mais gravemente e quiçá escandalosamente expoliados, e que devido à sua menor dimensão não consigam fazer valer a sua voz. O futebol português está cada vez mais transformado no futebol dos grandes, dos cosmopolitas, dos levianos, em jogos de interesses. Em relação aos grandes problemas que transtornam e ferem de morte este desporto, o silêncio dos que podem é quase total. Os problemas da arbitragem, esses sim. São escalpelizados até ao tutano, quase sempre pelos mesmos clubes, em jogos de pressões, ou por simples e inteligentes manobras de diversão. Mas são tratados pontualmente, conjecturalmente, ao sabor do vento, das marés e das conveniências. Porque as reformas que são precisas, não interessam fazer. Existem sempre forças ocultas que o impedem.

Agora, uma espécie de guerra SportingxBenfica. Com Taça da Liga, título nacional e Liga dos Campeões pelo meio. Colocando-se uma direcção competente, um trabalho importante e sério como o que tem sido levado a cabo pela equipa de Hermínio Loureiro, em causa. Tudo por um penalty. Que em teoria valeu uma final, mas não passa de um penalty a por em causa uma estabilidade, um crescimento, uma limpeza do nosso futebol. Um lance a fazer esquecer as defesas de Quim, o penalty de Cardozo, o crescimento de Pereirinha e Miguel Vítor, a regularidade de Tiago. A festa nas bancadas, a excelente organização da partida.

No meio, os parasitas. Os que aproveitam esta triste situação para captar leitores, para captar seguidores, para defender causas com imenso oportunismo à mistura. Os programas do costume, que passam horas a discutir o mesmo lance, com incursões fossilizadas a uma, duas, três, cinco, dez épocas atrás. E o futebol. Que vai perdendo credibilidade nas mãos destas pessoas. Que vai morrendo devagarinho enquanto nada muda. Que perde a sua essência, quando se discute o acessório, e se esquece (porque dá jeito), o essencial.
E nós, os adeptos que vêem o desporto-rei apaixonadamente e desinteressadamente, ficamos no centro de tudo isto. Alguns preocupados, questionam-se. Outros riem-se enquanto enchem os bolsos e enganam os adeptos. Incompetência, falta de seriedade e de carácter, falta de espírito de compromisso e de idoneidade. Vai assim o futebol em Portugal. E já não basta mudar as caras. É preciso mudar a nossa cultura desportiva. Que vai muito mal...

O epílogo da Taça da Liga

à(s) 02:36

segunda-feira, 23 de março de 2009


1 - Depois de dois confrontos entre os rivais lisboetas, o primeiro com clara vantagem para o Benfica, o segundo com clara vantagem para o Sporting, este seria o último tira teimas da época, entre estas duas equipas. Logo numa final, que os dois clubes atingiram com inteiro mérito.

2 - Contudo, a partida foi quase sempre equilibrada. Alguma superioridade do Benfica no final da 1a parte, e do Sporting, no início da 2a, não chegam para apontar uma equipa que no jogo jogado merecesse a vitória mais do que o adversário.

3 - Se o início do encontro deixava antever um jogo intenso, de certa forma bem jogado, e com emoção, tal não se veio a verificar. Os nervos, as quezílias, a falta de discernimento, tomaram conta dos jogadores. Algo de certa forma natural, até porque a consagração estaria à distância de 90 minutos.

4 - Paulo Bento fez o Sporting alinhar no sistema habitual, com os intérpretes ultimamente habituais. Pedro Silva à direita, Caneira à esquerda, Pereirinha no vértice interior direito do losango (Izmailov estava lesionado) e Rochemback à frente da defesa. Na frente, Liedson e Derlei, habituais pesadelos do Benfica.

5 - Por sua vez, o Benfica apresentou-se numa espécie de losango, com Ruben Amorim na esquerda e Reyes na direita (posições teoricamente alteradas devido ao pendor ofensivo dos laterais adversários, mais Pedro Silva, menos Caneira), e com Aimar nas costas de Nuno Gomes e Suazo. A primeira intenção seria encaixar no adversário.

6 - Principais destaques individuais para Rochemback (um jogo ideal para as suas características) e Moutinho (o equilíbrio de sempre, incursões ofensivas perigosas e um papel muito importante no meio-campo) no Sporting. No Benfica, Reyes (ao contrário das últimas partidas, soube conciliar a sua enorme qualidade técnica com espírito de sacrifício) e Miguel Vítor (ganhou quase sempre uma luta intensa com Derlei, e tem crescido como jogador a olhos vistos). Referência também para Quim, que embora tenha tido um ou dos erros ao longo dos 90 minutos, foi enorme nos penalties, que até nem foram assim tão mal marcados pelos jogadores do Sporting.

7 - A partida confirmou ainda que Polga continua longe do seu melhor nível, assim como Suazo, que por entre lesões, e exibições pouco conseguidas, vem demonstrando que em 2009 o Hondurenho tem sido um grande flop. O 4x4x2 losango agudiza ainda mais o facto de que é Cardozo quem deveria assumir a titularidade, ao lado de Nuno Gomes.

8 - É impossível passar ao lado da arbitragem de Lucílio Batista. Que não se esgota no lance do penalty. Sendo certo que por entre demasiadas sanções disciplinares perdoadas, o minuto 73 vai ficar na história da partida, como sendo aquele que directamente alterou o seu cariz. Erros graves, que mancharam o jogo.

9 - Se Lucílio Batista errou, Pedro Silva, mesmo tendo inicialmente a razão do seu lado, não ficou atrás. A sua primeira reacção de confrontação do árbitro não pode passar em branco, muito menos a atitude manifestamente desrespeitosa de desfazer-se da sua medalha.
Mais ainda, e mesmo compreendendo a revolta de todos os Sportinguistas, me parece excessivo e despropositado, continuar a utilizar a palavra 'roubo', principalmente da parte de alguns dos seus responsáveis. É natural e imperioso que se faça uma exposição à Liga, que o árbitro seja 'afastado' por alguns jogos, mas para bem do futebol, é importante que se continue a repudiar a premeditação que a palavra roubo tem associada.

10 - Por fim, é de lamentar que uma competição importante tenha tido um final destes. Contudo, ao contrário de alguns profetas da desgraça que certamente rejubilaram com este final, é importante que se continue a dar o valor que esta prova merece.
Por se tratar indiscutivelmente de uma competição importante pelos motivos que já anteriormente referi, pelo crescimento que revelou da primeira para a segunda edição. E que vai continuar, acredito.

11 - Uma última nota para as novas tecnologias. Com base nesta polémica, foi esta noite aproveitado, com imensa demagogia à mistura, o penalty mal assinalado por Lucílio Batista, para reforçar esta problemática. Já aqui deixei a minha opinião em relação a este assunto. E parece.me que, defender uma posição, com base num lance ultra polémico, com um tempo de paragem de jogo invulgar, tem o que se lhe diga.
Sejamos claros. Tempos de decisão como aquele não acontecem sempre, aliás, acontecem raramente. Portanto, definir os lances em que se recorreria ao vídeo, seria no mínimo polémico. Mas se os defensores das novas tecnologias acharem por bem, se acharem que se justifica, então que se invista neste equipamento para colocar no relvado. E para em casos como este, utilizar duas, três ou quatro vezes por época. Parar o jogo em cada lance duvidoso é que não.

Vendavais em Liverpool e Munique

à(s) 02:32

quarta-feira, 11 de março de 2009


No mágico Anfield Road, estiveram hoje duas equipas que contabilizam 14 (!!) Ligas dos Campeões. 5 para o Liverpool, 9 para o Real Madrid. Fosse o peso dos números e este confronto dar-se-ia apenas na final. Sendo nos oitavos de final, seria o Real Madrid o apurado.
Assim não foi. De facto, olhando para as últimas épocas, elevamos (ainda mais) o Liverpool ao estatuto de superpotência europeia e colocamos o Real Madrid num plano inferior, mais de consumo interno. Ou não tivessem os reds, desde 2003/2004 (ano do título do Porto), uma Liga dos Campeões, uma meia final e uma final. Por sua vez, o Real não ultrapassa os oitavos de final da prova, precisamente desde 2003/2004.

Depois da vitória por 1x0 conquistada no Bernabéu, o favoritismo certamente que era do Liverpool. Mas, conhecendo o valor da equipa de Juande Ramos, e a recuperação que tem encetado no campeonato espanhol, nas últimas jornadas, pensar-se-ia que se discutiria intensamente cada minuto da eliminatória. Nada mais errado. Empurrado pelos seus adeptos, tivemos um Liverpool demolidor desde o primeiro minuto, em cada metro quadrado de relva.

Assente no seu 4x2x3x1 europeu, com os intensíssimos Alonso e Mascherano a dominar o meio campo, e Gerrard, Kuyt e Babel atrás de Torres, os reds foram fantásticos. Alta rotação, trocas posicionais, intensidade, técnica, garra, tudo misturado com disciplina táctica. E a sociedade Gerrard e Torres a funcionar na perfeição. Quando Casillas não conseguiu salvar mais a sua equipa com defesas impossíveis, os golos chegaram. Primeiro Torres, depois Gerrard à meia hora, num penalty. Que sendo fantasma, colocou o marcador num 2x0 mais que justo. E a eliminatória nuns definitivos 3x0. O resto do jogo foi a gestão natural, e o aproveitar da superioridade táctica e psicológica.
O Real Madrid nunca conseguiu fazer o seu jogo. Além de o adversário nunca lhe ter permitido pensar o jogo, viveu numa anarquia táctica preocupante, especialmente à frente de Lassana e Gago. Robben, que seria à partida o principal desequilibrador, nunca se encontrou, Sneijder e Higuain idem, e Raul foi sempre um homem demasiado só.

Depois deste jogo algumas certezas. Mesmo que individualmente o Real em nada fique a dever ao Liverpool, os ingleses são muito mais fortes no seu conjunto. E sem dúvidas que nos quartos de final são um dos adversários que qualquer equipa quererá evitar. Ou não tivessem aquele que até hoje tem sido o melhor jogador da Liga dos Campeões: Steven Gerrard. 7 golos (é um médio) e futebol que nunca mais acaba.

Em Munique já aqui o disse, esperava um jogo de baixa rotação. Fiquei absolutamente surpreendido pela vontade, motivação e ambição do Bayern, que mesmo tendo a eliminatória completamente decidida a seu favor desde Alvalade, nunca desistiu de procurar um golo mais. Mentalidade alemã, de louvar.
No Sporting deve fazer-se uma reflexão. Em 5 jogos contra Bayern, Barcelona e Real Madrid (particular), a equipa de Alvalade marcou 6 golos e sofreu 25. No campeonato é a defesa menos batida. Isto deve dizer alguma coisa.
Além da qualidade táctica e individual, que está longe de reflectir a diferença de 11 golos, falta à equipa estofo, mentalidade e capacidade de motivação. Este complexo de inferioridade é muito da responsabilidade do treinador. Mas não só.
Contudo, ao contrário do que ainda se diz a quente, a demissão de Paulo Bento, não é de todo a melhor solução nesta altura. Ou não estivesse o Sporting com uma final para disputar e na luta pelo título de campeão.
A partir deste grande golpe, resta aos sportinguistas esperar que haja uma estrutura capaz de proteger o balneário, um treinador capaz de motivar e focar os pupilos, e uns jogadores merecedores de vestir a camisola do Sporting.

A pouca exigência competitiva em Portugal

à(s) 02:52

terça-feira, 3 de março de 2009


Este texto é centrado nas exigências competitivas dos clubes portugueses, tendo como exemplo as últimas semanas de Porto e Sporting. E o que se vê nos principais campeonatos europeus.

Quando, correctamente, se fala no Big Five, em referência aos campeonatos alemão, espanhol, francês, inglês e italiano, é por forma a colocar esses campeonatos no justo patamar a que pertencem. Que é o primeiro, se falarmos de capacidade financeira, mobilização de adeptos, sucesso nas provas europeias. Sem descurar que obviamente, estas três componentes, de forma mais ou menos directa, estão interligadas.
Mas também é justo dizer, que em Portugal se tem feito muito com pouco. Principalmente pelas competências dos nossos treinadores a nível táctico.

Contudo, há algo que falha. A questão do treino, a exigência competitiva. Assisto desde há muitos anos no nosso campeonato, a uma espécie de desculpabilização para resultados menos positivos quando há uma sequência de jogos maior. Algo que me parece de tal forma enraizado na nossa mentalidade, que soa a 'normal'. Eu penso que não é.
Vamos então em direcção a Inglaterra (poderíamos dar como exemplo qualquer um dos cinco campeonatos acima referidos, embora não seja segredo pra quem vai seguindo este blog, que acompanho a Premier League praticamente da mesma forma que acompanho a Liga Portuguesa).
Em terras de 'Sua Majestade' disputa-se a Taça de Inglaterra, a Taça da Liga, e um campeonato com 38 partidas (mais 8 que em Portugal). Há todos as épocas, 9 equipas qualificadas para competições europeias. E um tipo de futebol, mais exigente fisicamente. Além destes factos, em termos de núcleo duro de jogadores (a nível quantitativo), não há muitas diferenças em relação a Portugal. Mas por cá o ritmo de jogo é muito menor, a capacidade física dos atletas idem.

A questão que fica é, porquê esta desresponsabilização competitiva? Quais os princípios metodológicos de treino utilizados pelos nossos treinadores? Será também fruto de questões culturais, e de uma grande percentagem de jogadores sul-americanos (menos habituados a exigências competitivas mais 'europeias') nos planteis?
Devemos a propósito recordar as declarações (e os resultados) de José Mourinho, quando referia ter as suas equipas preparadas para jogar, sem decréscimo de performance, quando a calendarização fosse mais apertada. Contribuindo para isso a alteração de um para dois os microciclos de treino semanais.
Por todas estas razões não podem haver dúvidas da utilidade da Taça da Liga. Cujas mais valias ultrapassam o campo estritamente financeiro, e centram-se também num preenchimento importante de um buraco no calendário competitivo português, dotando as equipas de mais estímulos competitivos.

Por fim, um mero exercício teórico. Jesualdo Ferreira fez uma gestão da equipa contra o Sporting para a Taça da Liga. Perdeu 1x4. No fim de semana seguinte recebeu o Benfica (que tinha jogado nessa mesma semana, com parte dos titulares do Dragão) e empatou 1x1, sem que o Porto nunca tenha revelado condição física superior.
Paulo Bento fez uma gestão de equipa contra o Bayern de Munique. Perdeu 0x5. No fim de semana seguinte deslocou-se ao estádio do Dragão, onde, mesmo arrancando um empate, nunca a sua equipa revelou indíces físicos superiores ao adversário.
Porto e Sporting alinharam pelo mesmo discurso de desculpabilização em relação ao fraco espectáculo produzido no clássico.
No mesmo fim de semana, o Atlético de Madrid venceu o Barcelona por 4x3 e o Inter empatou com a Roma 3x3. Duas partidas de grau de intensidade elevadíssimo entre quatro equipas ainda em prova na Liga dos Campeões. Conclusões? Estão à vista.

Um clássico muito pobre

à(s) 22:19

domingo, 1 de março de 2009



1 - Ponto prévio. Depois de uma jornada de Liga dos Campeões a meio da semana, e estando os clubes portugueses (inexplicavelmente) pouco formatados para três jogos em 7 dias, não se podia esperar uma grande partida entre Porto e Sporting.

2 - Apesar de tudo, era exigível um pouco mais de ambas as equipas, principalmente ao nível do jogo ofensivo. É que, se o Sporting x Porto para a Taça de Portugal foi o melhor clássico da época, o de ontem, foi indiscutivelmente o pior.

3 - A estratégia dos treinadores, de certa forma, percebe-se. Jesualdo sabia que um empate colocava o Porto a depender apenas de si próprio, numa altura em que todas os três grandes já se defrontaram. Depois de ontem, actualmente o Porto tem vantagem na diferença de golos (+6, o que entre clubes equilibrados não é pouco) perante o Benfica, e vantagem no confronto directo com o Sporting.
Para Paulo Bento, depois de um resultado traumático a meio da semana, e perante uma saída de grau de dificuldade muito elevado, o mais importante seria, antes de tudo, conservar as distâncias. Até porque neste campeonato, os candidatos ao título têm perdido pontos onde menos se espera.

4 - O Porto apresentou-se no sistema habitual, embora a presença de Pedro Emanuel no flanco direito, tenha feito com que a equipa explorasse pouco jogo por esse lado. Rodriguez, ao contrário do jogo em Madrid, surgiu mais vezes em zona atacante, deixando o meio-campo entregue aos habituais Fernando, Lucho e Meireles. No mais, o normal em jogos do Porto em casa, Lisandro preferencialmente sobre a direita e Hulk na zona central.

5 - Um Sporting também no sistema habitual, embora a presença de Izmailov e Pereirinha tenha dado mais largura á equipa, em contraponto com o jogo com o Bayern. E apesar de João Moutinho ter sido sempre mais um médio centro, do que um 'vértice ofensivo'. A saída forçada de Grimi por troca com Caneira, também não permitiu a Paulo Bento, explorar o lado direito do Porto. Muito embora Grimi até estivesse a ser o pior jogador da equipa.

6 - A forma como as equipas e os seus treinadores encararam a partida, a sua menor condição física, e uma tendência de João Ferreira para apitar muitas vezes, encaminharam o jogo para o registo cinzento e sem golos.

7 - Jesualdo Ferreira, à semelhança do que aconteceu contra o Benfica, voltou a substituir Lisandro por volta dos 87 minutos. A questão que deixo é se, por mais desgastado que esteja, não será preferível manter um jogador em campo que é claramente melhor que o seu substituto, ainda mais quando este apenas tem pouco mais de 5 minutos para se integrar na partida.

8 - Volta a ser preocupante para o Sporting a discrepância nas declarações de Gomes Pereira e Paulo Bento. O treinador referiu ter feito todas as substituições por lesão, ao passo que o médico reiterou que Izmailov não apresentava qualquer problema físico. A ser assim não se percebe a saída do russo.

9 - No Porto Cristian Rodriguez fez uma grande exibição, cotando-se como um dos melhores da equipa, ao lado de Meireles. O uruguaio vai ser uma baixa importante com o Leixões, num jogo onde as suas características seriam importantes.

10 - Do lado do Sporting, Daniel Carriço continua a crescer a olhos vistos e fez mais um jogo em níveis bastante altos. Ao mesmo tempo, Pereirinha, além de equilibrado defensivamente, foi sempre um dos principais 'carregadores' da equipa para o ataque.

11 - Depois de ver o jogo Atlético de Madrid 4 x Barcelona 3, fico ainda mais a duvidar do argumento de que, com jogo a meio semana, seria impossível dar mais. Coisas do nosso campeonato.
Em relação à prova, saídas do Porto a Matosinhos, Guimarães e Madeira (para defrontar um Marítimo que vai sem dúvida crescer com a chegada de Carvalhal); do Benfica a Braga e ao Nacional; e do Sporting a Marítimo, Leixões e Guimarães, acentuam ainda mais a ideia de um campeonato que será decidido muito perto do final.

E pode o Sporting ser campeão?!

à(s) 04:14

sábado, 28 de fevereiro de 2009


A memória leva-me ao início da época. E a pensar na política de defeso do Sporting. Manutenção de todos os seus principais jogadores, contratações cirúrgicas, com conhecimento do campeonato português e de baixo custo. Perspectivas de aposta forte e continuada nos jovens da Academia (Patrício, Carriço, Adrien e Pereirinha).
Pensei nas saídas de Quaresma, Bosingwa e Assunção no Porto, e na revolução no Benfica, e dei por mim a achar que o Sporting talvez fosse o mais forte candidato ao título. Afinal, além da gestão desportiva e financeira, dentro das quatro linhas, o sistema e o modelo eram os mesmos das últimas épocas, com Paulo Bento a ter hipótese de, perante praticamente os mesmos jogadores, o poder aperfeiçoar, e mais, testar alternativas.
No campo, a época começou de forma muito positiva. O Sporting venceu o Porto para a supertaça de forma segura, e iniciou o campeonato com duas boas exibições em casa frente a Trofense e Belenenses, intercaladas com uma vitória 'à candidato', em Braga. Mas algo já vinha a ser perdido.

Paulo Bento não controlava totalmente o balneário. As afirmações do capitão de equipa João Moutinho, no início da época, tentando forçar a sua saída para o Everton, foram sintomáticas. Depois, os casos herdados da época passada, Stojkovic e Vukcevic. Apesar de tudo, não estando no seio da estrutura do Sporting, obviamente não conheço os contornos das duas situações. O certo é que o treinador do Sporting as resolveu de forma diferente.
Na baliza, afastou definitivamente Stojkovic, apostando firmemente em Rui Patrício. A verdade é que, mesmo considerando Stojkovic melhor tecnicamente, a aposta de Paulo Bento foi ganha. Convém não esquecer a margem de progressão do jovem internacional sub-21 português e a evolução já registada neste período.
Vukcevic foi diferente. É praticamente unânime que o 10 do Sporting é o jogador do plantel mais capaz individualmente. A equipa precisa dele para por vezes sair das amarras tácticas do adversário e por vezes do próprio sistema. Aqui mesmo que com um contributo desnecessário de Derlei (lembro-me a propósito de uma entrevista dada ao Domingo Desportivo, onde critica abertamente o colega), parece-me que ao seu estilo, o treinador do Sporting geriu bem toda esta situação. Por vezes até, Bento e Vuk fazem-me lembrar a dupla Mourinho - Adriano.
De facto Vukcevic reapareceu decisivo e em grande forma e provavelmente assim irá continuar, mesmo que haja alguma poeira a ser levantada pelo facto de estranhamente ser dado como inapto clinicamente, 24horas antes um clássico decisivo para o seu clube, por padecer de síndrome gripal.

Por fim, o caso mais crónico no balneário do Sporting. Custa-me escrever isto de Miguel Veloso, um jogador a quem reconheço grandes potencialidades, e que podia ser uma importantíssima mais valia para a selecção, num futebol onde o médio mais defensivo deixa de ser aquele que tem como missão destruir, mas que acima de tudo, deve saber ler o jogo, e ser o primeiro a construir. Esta época uma série de episódios, de birrinhas, de focalização noutros aspectos, têm impedido Veloso de fazer aquilo que sabe, para o que lhe pagam, e de cumprir o contrato que de livre e espontânea vontade, assinou. Hoje, durante a antevisão ao clássico por parte de Paulo Bento, ficamos a saber de mais qualquer coisa.
Tudo mais me espanta quando na família, tem pessoas imensamente experienciadas no mundo do futebol. Para o 24 do Sporting a solução parece-me simples: fazer aquilo que melhor sabe que é jogar de futebol, e pedir a alguém que lhe conte as estórias de Hugo Leal ou Manuel Fernandes. Por exemplo.

Enfim, a vida de Paulo Bento tem sido tudo menos fácil. Estes factos, somados a egos (factos comentados em surdina) mais complicados de Derlei, Caneira ou Rochemback, e a 'batalhas' travadas pelo Sporting em que costuma ser o único a dar o peito às balas, fazem-me apreciar o seu trabalho. A final da Taça da Liga, a qualificação inédita para os Oitavos de final da Liga dos Campeões, uma eliminação da Taça de Portugal depois de um grandíssimo jogo frente a um dos grandes, e a luta pelo título (amanhã saberemos em pormenor a solidez dessa candidatura) são bons sinais para o Sporting.
Mas falta algo para um maior crescimento e mais sustentado. A nível europeu, como já referi, o recurso a uma ou outra mais valia com maior andamento nestas provas. Internamente, algo que os campões têm de ter: espírito de missão. Se em Alvalade ainda se vai a tempo? Não sei.

É que Carriço pode estar a crescer a olhos vistos, Moutinho pode continuar a ser um poço inesgotável de equilíbrio e energia, Vukcevic pode continuar a desequilibrar, e Liedson a decidir partidas. Mas os campeonatos antes do campo, começam a ganhar-se no balneário. Cada vez admiro mais Izmailov.

Lisandro e Ribery - classe à flor da relva

à(s) 03:59

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Olhamos para estes dois nomes. E pensamos no que têm em comum. Facilmente chegamos a duas semelhanças, óbvias: têm ambos 25 anos, são ambos grandíssimos jogadores. E depois pensamos nos oitavos de final da Champions.

Começo por Lisandro. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que é para mim o melhor avançado do futebol português. Inteligente na procura dos espaços, facilidade espantosa em rematar com os dois pés. Bom jogo de cabeça, capacidade técnica e uma grande sede de bola, nunca dando um lance por perdido. Além disso, uma leitura de jogo acima da média.
Parte das suas qualidades viram-se no jogo contra o Atlético, para a Liga dos Campeões. Onde os grandes jogadores, que estão longe dos maiores palcos, ganham super-motivação. O primeiro golo é uma demonstração da capacidade de remate fácil com o pé esquerdo. No segundo, a sua leitura de jogo deixou Antonio Lopez a perguntar-se de onde tinha surgido. E Licha ajuda o Porto a empatar um jogo, onde fez mais do que o suficiente para vencer.
É certo que ao mais alto nível, tanto desperdício é perigoso. Mas o Atlético de Madrid é, indiscutivelmente, mais forte em casa. E no Porto, vai ter que procurar o resultado, dando espaço para os dragões jogarem da forma que mais gostam.
Voltando a Lisandro, de certa forma percebo o seu menor rendimento na Liga Portuguesa. Chegou a Portugal com muitos golos na bagagem. Nas duas primeiras épocas no Porto, foi encostado a uma linha. O ano passado, no centro, mostrou a sua melhor faceta. Neste, tem de dividir o seu habitat natural com o prodígio Hulk. Umas vezes no centro, outras na direita. Pretensas questões contratuais e um aproximar de fim de ciclo podem explicar o resto. De resto, Licha é isto. O típico (bom) jogador argentino. Sangue na guelra e muito futebol nos pés.

Hoje em Alvalade, nada ficou igual depois da passagem do scarface. Encostado a um flanco, onde cabem no futebol moderno os jogadores mais técnicos e capazes de decidir jogos, fez quase o que quis da equipa do Sporting. Quase sempre em movimentos interiores, percorreu sabiamente o espaço entre Abel e Tonel, ou entre Rochemback e os centrais. Sem nunca precisar de forçar o ritmo em demasia.
Ribery joga em média-rotação. Protesta com o colega, desistindo da jogada, se este não lhe endossa a bola como pretende. Mas defensivamente não desequilibra a equipa. E apesar de laivos de personalidade geniosa, entende o jogo como colectivo. Muito forte no passe, aparece nas imediações da área adversária em progressão, ou quase sem darmos por ele.
Curiosamente o seu percurso futebolístico nunca foi estável ou fortemente sustentado, até chegar ao Marselha. Depois, das grandes exibições no Velodrome ao colosso de Munique foi um passo. E hoje, vendo-o jogar, quase que parece deslizar na relva. Tal como o actual Lisandro, principalmente na Liga dos Campeões.
Contra o Sporting ajudou a mostrar a Paulo Bento, que mudar /adaptar a equipa em função do adversário nunca deixa de ser perigoso. E o Bayern (depois de Real Madrid e Barcelona) demonstra que o Sporting ainda precisa de crescer bastante, deixando de lado algum complexo de inferioridade, para se bater com os gigantes. Além de dois ou três jogadores com grande experiência internacional. Porque nesta fase, a Academia não chega.

Sobre a primeira mão dos oitavos de final da LC, salientar a grande exibição do Manchester em Milão, apesar de Mourinho ir certamente a Old Trafford criar muitos problemas. Continuando o duelo entre Ingleses e Italianos, Chelsea e Arsenal levaram de vencida Juventus e Roma por 1x0, embora me pareça que o Chelsea vá ter mais dificuldades para passar do que o Arsenal (principalmente se Wenger puder contar com Adebayor, Walcott e Fabregas na 2a mão).
Villarreal e Panathinaikos discutem na Grécia, qual dos dois será o intruso entre as 8 equipas mais fortes da Europa. Ainda que Benitez tenha conseguido uma grande vitória frente ao Real Madrid, a eliminatória não está ganha, e em Anfield o jogo será muitíssimo disputado. O resto foi este fantástico golo do melhor batedor de livres do mundo, e um Barcelona que em Camp Nou garantirá a passagem á próxima fase frente a um Lyon que, sendo uma boa equipa, não está ao nível de outras épocas.

As revelações do derby

à(s) 19:15

domingo, 22 de fevereiro de 2009


O Sporting x Benfica é sem sombra de dúvidas, o maior derby do futebol português. A sua história percorre décadas, as jogadas, os golos, o que há para contar dos jogos passados, ocupam sempre largos minutos/parágrafos nos espaços noticiosos, tentando antever-se o que se poderá passar em campo. Sempre com duas correntes, uma defendendo (mais racionalmente) que quem chega melhor ao derby tem mais hipótese de o ganhar, outra socorrendo-se do facto de em muitos confrontos vencer a equipa que parte para o jogo em pior condição. Se considerarmos 'pior condição' apenas a tabela classificativa, então constatamos que esta última saiu ontem por cima.

Contudo, faço agora uso de uma frase famosa, 'prognósticos, só no fim do jogo'. E aqui refiro-me àquilo que o jogo nos deixou, em termos de perspectivas para o campeonato. Que são mais risonhas para o Sporting. Apesar de, volto a ressalvar, não conseguir encontrar em nenhum dos três grandes, regularidade exibicional, evolução marcada na solução dos seus principais problemas, estabilidade psicológica, e mesmo qualidade de jogo, para que considere algum consideravelmente mais forte e consequentemente mais candidato.

Em relação ao jogo propriamente dito, não posso discordar de Paulo Bento quando diz que o resultado peca por escasso. Especialmente pela segunda parte do Sporting. Mas vamos por pontos:

1 - O Sporting adiantou-se no marcador quando ambas as equipas ainda tentavam assentar os seus modelos, sem clara superioridade. O golo é de uma execução fantástica de Liedson, mas percebe-se a reacção de Quique Flores pelos dois erros que o antecederam.

2 - O Benfica reagiu bastante bem ao golo sofrido e fez um resto de primeira parte bem conseguida. Aimar e Yebda destacaram-se nesse período, enquanto o Sporting não conseguiu traduzir em volume de jogo o ímpeto que o golo marcado supostamente traria.

3 - A segunda parte começa com um golo do Sporting (em mais uma desconcentração colectiva grave do Benfica), que dá clube de Alvalade mais estabilidade para aproveitar as nuances (muito bem) impostas por Paulo Bento ao intervalo.

4 - A saber: trocou Izmailov por Vukcevic, aproximando o russo de Moutinho (valendo-se do facto de naquele lado actuar Amorim), e deu liberdade ao montenegrino para 'cair em cima' de David Luiz quer forçando o erro individual, quer utilizando movimentos interiores. Aí, o meio-campo do Sporting asfixiou completamente a zona central do Benfica (com Moutinho, Izmailov, Vukcevic e por vezes Rochemback a jogarem bastante na zona dos desprotegidos Yebda e Katsouranis. Enquanto Liedson e Derlei saiam inúmeras vezes do centro em direcção às alas).

5 - O Benfica nunca conseguiu reagir ao pressing intenso do Sporting, e com a zona central completamente bloqueada, eram importantes as saídas pelas laterais. Aí, Reyes seria fundamental, mas o espanhol fez uma exibição paupérrima na segunda metade. Intensidade e rasgo zero, pouca rapidez e incapacidade de galgar metros em posse, levando a equipa para a frente. Aqui, a entrada de Di Maria para o lugar de Reyes teria sido mais válida, mantendo a equipa equilibrada e dotando-a de capacidade de progressão. Quique Flores preferiu guardar o espanhol para as bolas paradas (bate sempre muito bem).

6 - As substituições no Benfica nunca conseguiram alterar minimamente o cariz da partida, o clube da Luz nunca conseguiu conservar a posse de bola, e consequência, o Sporting ia crescendo cada vez mais.

7 - Falar de erros individuais no Benfica é demasiado redutor. Muito embora (p.ex) David Luiz tenha feito uma exibição desastrada, Quique Flores terá de reflectir nas razões que levaram o Benfica a não conseguir qualquer remate à baliza no período compreendido entre os 45 e os 80 minutos. E nas razões pelas quais a equipa nunca conseguiu suster o caudal ofensivo do adversário, muito embora naturalmente, os motivos possam estar interligados.

8 - Paulo Bento saiu do clássico, penso, confirmado como o treinador dos três grandes mais capaz de ler o jogo e operá-lo a favor da sua equipa. E com a certeza que, mesmo tendo individualmente menor qualidade exibicional, consegue com o seu modelo, tirar o melhor rendimento da maioria dos seus jogadores. Além da convicção de que conta com um leque de escolhas alargado, sem que a equipa se ressinta de alguma rotatividade.

9 - Por seu turno, Quique Flores saberá que o seu Benfica precisa de crescer para poder chegar ao título. Depois do muito bom jogo no Porto, pensou-se que esse seria o estímulo que faltava à equipa, mas o jogo seguinte com o Paços de Ferreira revelou os problemas do costume, e ontem contra o Sporting, a equipa demonstrou carências que não se lhe conheciam.

10 - Estamos no final de Fevereiro, já na segunda volta, e neste momento, Reyes e Suazo não fizeram o suficiente para que o Benfica avance para as suas contratações no final da época (muito menos pelos números supostamente envolvidos). Por seu turno, continuo a bater-me que Aimar (mesmo que ontem não tenha feito um grande jogo) foi uma boa contratação. Apesar de tudo, David Luiz continua a ser, de longe, a melhor solução para a lateral esquerda da defesa do Benfica. E Cardozo, jogo após jogo, prova que tem de ser mais bem aproveitado.

11 - No Sporting, Liedson demonstra (se fosse preciso) a alguns críticos, as suas mais valias. Confundir qualidade de jogo com esteticidade, tem que se lhe diga. Mas se fosse preciso, o 'levezinho' marcou ontem dois grandes golos, e 10 golos em 12 jogos contra o Benfica, não será por acaso. Izmailov e Vukcevic continuam a somar grandes exibições e Pereirinha a provar que é um jogador útil, especialmente nas conjecturas como a que o levou a entrar. Pelo contrário, continuo convencido que Adrien ou Miguel Veloso desempenham melhor a função de pivot defensivo do que Rochemback e a dupla de centrais do Sporting revela algumas carências, que frente a Klose e Toni, não serão um bom cartão de vi
sita.

As meias-finais

à(s) 01:18

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Por entre as conjecturas já sabidas, as meias-finais da Taça da Liga realizaram-se esta 4aF. É obrigatório no Futebol Total analisar os grandes clássicos, mas antes quero deixar umas curtas linhas para o Benfica x Vitória de Guimarães. O jogo onde Artur Soares Dias também cumpriu um minuto de silêncio em honra do pai.

A partida não foi excepcional. Antes pelo contrário, apesar de intensa, foi muitas das vezes mal jogado. O Benfica manteve-se na toada da época. Não se desequilibra muitas vezes, mas também não desequilibra o adversário. Continua a notar-se uma falta de evolução nos problemas, na qualidade exibicional da equipa, muito embora a equipa de Quique Flores continue a ganhar jogos. Relevo para o crescimento de Aimar, e para as boas exibições de Reyes e Cardozo. A propósito destes dois jogadores, duas notas. Quanto a Reyes, e comparando com Di Maria (que hoje voltou a demonstrar carências importantes), não dá para perceber a preferência última de Quique para com o argentino. O jogo no Dragão deve dar pistas para o resto da época. Em relação ao clássico, nota para a substituição de Cardozo por Di Maria (com Nuno Gomes e Mantorras no banco), quando o resultado ainda se cifrava em 0x0, o que pode ser um indicador de que Suazo poderá não estar em condições para alinhar no Domingo e o treinador do Benfica tem um plano de jogo alternativo.
O Vitória de Guimarães, é notoriamente uma equipa em crescendo, e Nuno Assis um dos principais expoentes dessa evolução. A equipa apresentou-se no habitual 4x2x3x1, e a espaços, conseguiu jogar bem no relvado da Luz. Nota para a forma metódica e progressiva com que Manuel Cajuda tem integrado os reforços de Inverno.

Em Alvalde o jogo e o resultado foram mais desequilibrados do que na Luz. Já aqui me expressei acerca das opções de Jesualdo Ferreira, mas não me parece que os adeptos e responsáveis do Porto tivessem gostado de ver a prestação da equipa que defendeu o clube numa competição oficial.
Depois de estas duas equipas nos terem proporcionado, na Taça de Portugal, o melhor clássico da época, o de hoje, para a Taça da Liga, não tenho dúvidas que terá sido o pior.
O Sporting, apesar do resultado, não me parece ter realizado uma grande exibição. Pelo menos até ao 3x1, altura em que a resistência do Porto terminou. A equipa apresentou-se no sistema habitual, contudo com Vukcevic (avançado no papel) a descair muitas vezes para o lado direito, alargando o jogo da equipa, juntamente com Izmailov no flanco contrário. A defesa esteve sempre algo instável (particularmente Grimi), e no meio-campo Romagnoli teve sempre algumas dificuldades para assumir o seu jogo, criando as habituais situações de superioridade numérica numa das faixas.
Pelo contrário, Adrien realizou uma excelente exibição mostrando estar ali, na ausência de Miguel Veloso, a melhor solução para a posição 6. O luso-francês foi ainda bem secundado por Pedro Silva, Izmailov e Vukcevic, que realizaram boas exibições. Além de Derlei, claro, que com dois excelentes golos foi uma das maiores figuras do jogo. Acima de tudo, o Sporting aproveitou o facto de ter mais rotinas que o adversário, para afirmar a sua superioridade.
Do Porto, não se esperaria uma grande exibição. Nem que esta equipa fosse propriamente jogar de igual para igual com o Sporting. Contudo, a sua prestação, ao contrário do que afirmaram os seus técnicos, foi fraca. O 4x3x3 habitual com Farias, Mariano e Tarik, deu em certos momentos do jogo lugar a um 4x4x2, sempre que Mariano recuava uns metros. Aliás, o argentino foi um dos melhores jogadores do Porto, confirmando a sua subida de forma. Ele e Tomàs Costa. O resto da equipa definitivamente não esteve bem, revelando sempre dificuldades para levar perigo ao último terço do terreno. Mariano Gonzalez soltou-se bastantes vezes das marcações do meio-campo adversário, mas viu-se não raras vezes sozinho.
Em processo defensivo a equipa revelou muitas lacunas. Na primeira parte Guarín revelou muitas dificuldades na marcação, o que levou o Sporting a aproximar-se bastante da área do Porto. Mas tranquilamente Madrid (boa primeira parte do argentino), e a linha defensiva conseguiram resolver a maioria das situações. Na segunda metade nunca o Porto conseguiu 'aguentar' o Sporting. E se Stepanov, Benitez e Pedro Emanuel não ficaram nada bem na fotografia, o penalty de Sapunaru é de bradar aos céus. Enfim, uma estratégia de risco, que não deu resultado.
No próximo Domingo, dependendo do resultado do clássico com o Benfica, vamos perceber o verdadeiro sucesso deste planeamento.

Em Março, na final da Taça da Liga, um duelo muito interessante. Que será o 8º clássico do Sporting na temporada. Números atípicos. Mas, indiscutivelmente, bons para o espectáculo.

A não recandidatura de Soares, o Franco

à(s) 21:29

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma entrevista curta a Judite de Sousa, confirmou aquilo que se vinha falando nas últimas horas. Filipe Soares Franco anunciou que não se recandidatará à presidência do Sporting, quando lá para Junho houver eleições. Embora desconfie que possa não ser bem assim.

Mantendo sempre um low profile e um saber estar que faz falta a muitos dirigentes do futebol português, o presidente do Sporting deixou no ar um desencanto por alguma oposição associativa que tem vindo a encontrar, sempre que, segundo diz, tenta modernizar e fazer evoluir o seu clube. Pelo meio de mais uma rugidela ao Benfica e a Dias da Cunha, Soares Franco deixou duas notas ou três notas interessantes.

A primeira, um grande elogio, com o qual concordo inteiramente, ao seu treinador Paulo Bento. Depois um abordar levemente de algumas polémicas com jogadores do clube, transmitindo um recado (sobre a forma de conselho) ainda que indirecto, à família Veloso. E por fim, o puxar de certa forma a brasa à sua sardinha, no que concerne aos títulos conquistados pelo Sporting durante o seu mandato. Aqui já me custa perceber. O Sporting como clube grande que é, não pode estar contente por não vencer campeonatos. É certo que venceu duas taças, duas supertaças, que classificou três vezes para a Liga dos Campões, mas falta-lhe o título principal. E Soares Franco ao de certa forma, relativizar essa não-conquista, não está a contribuir para a grandeza do clube a que preside.

Linhas gerais, parece-me que o actual timoneiro da nau leonina estará à espera de uma espécie de vaga de fundo para continuar o seu projecto. Com essa vaga de fundo e uma vitória confortável em Junho, terá uma maior margem de manobra, para levar a cabo as ideias que tem para o clube. Para mim, que vejo de fora, só me parece que o Sporting tem a ganhar com a manutenção dos mais competentes, e Soares Franco é um deles. Indiscutivelmente.

Sporting alarga horizontes

à(s) 15:28

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


O clube de Alvalade comunicou ontem à CMVM, os planos de conclusão para Janeiro de 2010, de uma academia do Sporting na África do Sul, denominada Academia Sporting África (ASA). Numa parceria empresarial, o Sporting dividirá os lucros do projecto com os seus parceiros ao mesmo tempo que garante o direito de opção sobre todos os jogadores ali formados.

Mais uma excelente notícia para os sportinguistas que veêm uma das suas imagens de marca quebrar fronteiras e seguir logo para um viveiro de talentos como a África do Sul.
Por exemplo na Bélgica, um campeonato europeu de segunda linha, alguns clubes têm seguido com sucesso estas linhas orientacionais. Nomeadamente na Costa do Marfim, actualmente uma das maiores potências futebolísticas africanas. Mas este não é caso único. Em Portugal o Sporting é o primeiro clube a fazê-lo. Iniciativa importante.
Ler toda a notícia aqui.

Sporting - continuação do bom trabalho

à(s) 00:40

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009


O Sporting é a terceira equipa a ser aqui analisada com maior pormenor.

Esta pode ser uma opinião polémica, mas bem ou mal, penso que o Sporting não atinge actualmente um nível de paixão semelhante ao dos rivais Benfica e Porto. Como consequências mais visíveis desse facto, para além de uma menor afluência de público aos seus jogos, temos uma menor exposição da equipa e uma maior tranquilidade para que Paulo Bento possa trabalhar. O jovem treinador português, que recorde-se profissionalmente enquanto técnico principal apenas defendeu o Sporting, tem sabido aproveitar muito bem esta conjuntura. Principalmente nesta temporada.

Classificou-se de forma inédita e com uma performance muito boa para os oitavos de final da Liga dos Campeões, foi eliminado na Taça de Portugal pelo Porto num jogo de tripla, e segue com as aspirações intactas na Taça da Liga e Campeonato. Falando deste Campeonato, o Sporting parece-me ter um horizonte risonho. Prevê-se uma prova disputada até ao fim, e os leões têm-se pautado por uma grande regularidade, colocando-se como candidatos. A equipa, mesmo admitindo que individualmente esteja ligeiramente abaixo de Porto e Benfica, parece mais equilibrada que a dos rivais, mais forte colectivamente, mesmo que em determinados jogos lhe falte alguém mais explosivo, capaz de resolver o jogo individualmente. Por tudo isto, muito mérito para Paulo Bento.
Que apenas encontra focos de crítica na forma como gere o seu balneário, a nível disciplinar. A verdade é que pelo menos em relação a Vukcevic, o tempo veio dar-lhe razão (pelo menos até ao momento), com o montenegrino a pouco e pouco a regressar à equipa.

Tacticamente o Sporting é uma equipa muito forte. Para começar, só o facto de assentar num 4x4x2 losango, reconhecidamente um dos sistemas mais difíceis de treinar, é algo a assinalar. Até porque claro, o Sporting o faz bem, desde que tenha homens e alternativas de qualidade para todas as posições (e este ano, ao contrário do ano passado tem). Por Paulo Bento ser um adepto da rotatividade vai ser de certa forma difícil falar da equipa nos mesmos moldes daquilo que fiz em relação a Porto e Benfica.

Na baliza, perdida a melhor opção (olhando exclusivamente a aspectos técnicos) Stojkovic, Rui Patrício tem sido o dono do lugar, ao mesmo tempo que ganha algum consenso entre os adeptos. Mesmo que denote ainda alguma inexperiência a sair dos postes, tem sido mais seguro, e esse facto transmite-se ao quarteto defensivo.
Na lateral direita Abel e Pereirinha discutem o lugar. Penso que a escolha dos dois dependerá do homem que joga à sua frente. Se for Izmailov, um homem que abre mais na faixa, que alarga mais o jogo da equipa, Abel terá mais tendência a jogar. Se o russo for deslocado para o flanco esquerdo e como consequência Moutinho ou Rochemback apareçam como interiores direitos, será o jovem Pereirinha a alinhar, fazendo uso da sua velocidade, da sua boa capacidade ofensiva, fazendo com que o Sporting não perca largura em fase ofensiva.
À esquerda Grimi e Caneira são opções preferenciais. Aqui parece-me que o português será melhor opção. Por duas razões: Grimi estranhamente tarda em confirmar as boas indicações dadas na época passada, e Caneira dá uma maior solidez defensiva, dando ao mesmo tempo maior liberdade ao lateral direito. Em termos de profundidade ofensiva, a menor propensão atacante de Caneira estará acautelada porque à sua frente, surge habitualmente Izmailov, e mesmo Vukcevic está a reaparecer.
Na zona central se Polga, pela capacidade de liderança, pela leitura de jogo, pela tranquilidade que confere ao sector, é absolutamente indiscutível, Tonel e Carriço vão discutir o outro lugar. Primeiro porque Caneira parece ser opção mais para o lado esquerdo, depois porque a lesão de Tonel abriu caminho ao aparecimento de Carriço. Que tem demonstrado pormenores que fazem com que seja actualmente o elemento em melhores condições para acompanhar Polga. Mesmo que ainda aborde alguns lances de forma inexperiente, demonstra muita tranquilidade, desarma muito bem e sabe sair a jogar. Mais um bom produto das escolas de Alvalade.

O meio-campo é o principal expoente da rotatividade imposta por Paulo Bento. À frente da defesa, embora Rochemback e Adrien sejam opções interessantes, penso que Veloso é o homem que melhor desempenha as funções de 6. Já aqui defendi porquê. Se Adrien tem visto o seu crescimento algo adiado pela forte concorrência, Rochemback é diferente. Tem jogado bastantes vezes como vértice mais recuado do losango, mas não me parece reunir as características necessárias para o fazer muito bem. Além de não ser forte na cobertura aos centrais, jogando mais recuado, não consegue aplicar com frequência os seus dois maiores predicados: passes de ruptura e principalmente remate. É sem dúvida uma boa contratação, é um activo do clube, mas no 4x4x2 losango não consegue explanar as suas melhores características. Pelo menos na posição mais recuada. No sistema utilizado pelo Sporting, Rochemback terá mais rendimento como interior direito, desde que Pereirinha jogue como lateral, de forma a que a equipa não perca largura. Depois Moutinho. Uma dádiva para qualquer treinador, pela intensidade, pela sapiência táctica, pela capacidade que tem de ocupar diversas posições sem desequilibrar a equipa. Aliás, a rotatividade que Paulo Bento aplica no Sporting é em grande parte suportada pela sua presença. Mesmo que se diga que é prejudicado por não criar rotinas numa posição, acredito que a sua inteligência dentro de campo lhe permita continuar a evoluir. Mesmo que individualmente não seja um prodígio, colectivamente é excelente. Izmailov, penso que seja, o melhor jogador do Sporting nesta temporada. Num dos vértices laterais do losango, dá à equipa intensidade, velocidade, qualidade de passe, e é um dos principais portadores de bola para a saída da zona de pressão. Muito importante portanto nas transições ofensivas da equipa. Além disso tem valido golos e assistências importantes. Dos homens de meio campo, Romagnoli é o mais limitado posicionalmente porque apenas desempenha com qualidade o vértice mais ofensivo do losango. Mesmo que não seja forte fisicamente, tem qualidade técnica, desequilibra e é principalmente jogador para grandes jogos, onde habitualmente aparece no esquema de Paulo Bento, em diagonais para uma das laterais, para em conjunto com um dos interiores, criar superioridade sobre o lateral contrário. Depois Vukcevic. Um jogador que considero importantíssimo para as hipóteses de o Sporting construir uma carreira de sucesso na Liga. Porque de todos os elementos do plantel do Sporting, é aquele que consegue desequilibrar mais facilmente, resolver um jogo. Na esquerda ou no centro, o jogador mais forte dos leões no um para um. E desde que ele e Paulo Bento resolvam os seus problemas, vai ser muito importante quando o Sporting defrontar equipas mais fechadas. E isso vai acontecer, com o avançar da Liga, quando chegarem as principais decisões.

À frente, a dúvida reside no parceiro do levezinho. Liedson é indiscutível pela sua capacidade de luta, por nunca desistir de uma bola, por saber ler o jogo e ocupar os espaços como ninguém, confundido as marcações, aproveitando bolas perdidas, e consequentemente, fazendo golos. Mesmo que, e é um facto, não seja um prodígio de técnica, o brasileiro aproveita a sua mobilidade para criar desequilíbrios nas laterais, é o primeiro defesa da equipa, e o seu jogador mais decisivo. Se Tiuí tem sido desde o início da época uma carta fora do baralho, Derlei parece andar a perder algum espaço. Principalmente pela indisciplina que tem prejudicado a equipa. E depois porque actualmente Djaló e Postiga têm oferecido soluções mais interessantes. O primeiro pela qualidade técnica, rapidez e imprevisibilidade. O segundo pela combatividade, também pela capacidade técnica, e pela capacidade de remate.

Em suma, este Sporting está claramente mais forte que o da época passada. A tranquilidade, a regularidade que tem apresentado, e o regresso de Vukcevic, são aliados de peso para uma candidatura forte e suportada ao título.

Sorteio UEFA

à(s) 00:07

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


Motivos pessoais impediram-me de expressar uma análise sobre o sorteio das competições europeias, no que concerne especialmente às equipas portuguesas.

Começando pela Champions, penso que o Sporting não foi feliz no sorteio. Aliás, se quisermos falar em sorte, a única que o Sporting teve foi ter evitado o Man Utd. Ainda assim e falando em patamares, colocaria os alemães no primeiro juntamente com a equipa de CR7, Juventus e Liverpool no segundo e Roma e Panathinaikos num terceiro.
A equipa de Jurgen Klinsmann, depois de uma passagem pela Taça UEFA (onde na época passada atingiu as meias-finais), parece estar a regressar ao seu melhor nível. Para documentar esse facto, constatamos que num grupo que contava com Lyon e Fiorentina, o Bayern classificou-se em primeiro lugar, invencível, apenas com dois empates.
Com o pouco consensual Rensing na baliza (Butt é o seu suplente), Lahm à esquerda e Oddo à direita ocupam habitualmente as laterais, enquanto a dupla de centrais é sul-americana: Lúcio e Demichelis. À espreita para a zona central surge o belga Van Buyten. Na zona central do meio campo, Van Bommel tem sido praticamente indiscutível como homem mais recuado, tampão para as investidas contrárias. A seu lado, com mais liberdade para se soltar em tarefas mais ofensivas, Zé Roberto ou Tim Borowski, homens que possuem muita qualidade no remate. Nas alas, usando e abusando de movimentos interiores, Ribery à esquerda (a principal estrela da equipa) e Schweinsteiger à direita (perigosíssimo nas bolas paradas). Na frente são os fortes e perigosíssimos Toni e Klose as setas apontadas às balizas contrárias. Podolski continua a esperar por uma oportunidade.
No campeonato, o Bayern segue em primeiro lugar em igualdade pontual com o surpreendentemente Hoffenheim. Osso muito duro de roer para o Sporting, que precisará ser a equipa muito certinha e eficaz que tem sido na maior parte da Champions, e ganhar algum estofo que não demonstrou contra o Barcelona, para acalentar esperança de seguir em frente.

O Porto fará uma deslocação bem mais curta até Madrid. Para defrontar o Atlético. Aqui, se quisermos continuar a falar em sorte, chegamos à conclusão que o Porto evitou os teoricamente mais fortes Real Madrid, Inter e Chelsea e os teoricamente mais fracos Villarreal. Lyon e Atlético de Madrid seriam dos possíveis adversários, aqueles que mais se equivalem ao Porto, e surgindo o Atlético como adversário, penso que se tratará de uma partida muito equilibrada, e previsivelmente com muitos golos.
O Atlético qualificou-se em segundo lugar do seu grupo, apenas atrás do Liverpool, numa disputa muitíssimo equilibrada pelo segundo lugar. Terminou a primeira fase também sem derrotas, num grupo que, para além dos ingleses, contava com Marselha e PSV, boas equipas europeias, e habituais na Liga dos Campeões. No equilibradíssimo (por cima) campeonato espanhol, os colchoneros estão actualmente em 3º lugar a um ponto do Sevilla, e à frente de Real Madrid, Valência e Villarreal. Longe, em primeiro lugar, seguem os incríveis de Barcelona.
A equipa de Simão Sabrosa, joga num esquema muitíssimo semelhante ao Bayern, adversário do Sporting. Na baliza Coupet e Léo Franco vêm discutindo uma vaga entre os postes. São dois bons guarda-redes, embora o francês estando em forma, seja melhor jogador. Para formar o quarteto defensivo Javier Aguirre tem tido algumas dúvidas o que é natural, até porque domesticamente a equipa sofreu 23 golos em 16 jogos. Antonio Lopez, Perea, Pernia e Seitaridis formavam a defesa mais utilizada na época passada, mas as chegadas de Ujfalusi e Heitinga trouxeram um acréscimo de qualidade, para já ainda insuficiente. À frente da defesa, mais posicional o ex-Porto Paulo Assunção (que certamente não terá uma recepção muito favorável no Dragão), e ainda no centro, embora ligeiramente mais adiantado, surja Maniche (que ganhou o lugar a Raul Garcia). Nas alas, à direita o argentino e muito influente Maxi Rodriguez, e à esquerda Simão Sabrosa, que continua letal nas bolas paradas. Luis Garcia é um suplente de luxo. Como dupla avançada, os muito móveis Forlán e a super-estrela Kun Aguero. Estes dois homens são sinónimos de muitos golos (Pongolle, jogador também muito perigoso, é suplente da dupla). Este Atlético de Madrid é actualmente permeável defensivamente, mas tal facto também se deve ao grande ímpeto ofensivo que coloca no seu jogo. Numa eliminatória que prevejo muito equilibrada, o Porto terá de se preocupar em trazer um bom resultado do Vicente Calderon, onde sofrerá uma grande pressão, para tentar resolver a eliminatória na Invicta.

Pela Taça Uefa, o adversário do Braga, serão os belgas do Standard Liége, orientados por Laszlo Boloni. A equipa belga passou por uma travessia no deserto nos últimos anos, arredada dos títulos, mas o ex-jogador do Benfica Michel Preud'Homme devolveu alguma da glória passada ao clube, dando-lhe um título e operando uma verdadeira revolução na forma de trabalhar, apostando fortemente nas camadas jovens. Fellaini foi o primeiro a dar o salto, Defour e Witsel podem seguir-lhes os passos. Todos provenientes da academia dos belgas, e previsivelmente movimentando valores muito elevados. Na Liga Belga o Standard tem feito uma carreira algo abaixo das expectativas, ocupando actualmente o segundo posto atrás do Anderlecht. Pelo contrário, na Taça UEFA, foi primeiro colocado do grupo mais forte da fase inicial, apurando-se juntamente com Estugarda e Sampdoria, e deixando de fora os espanhóis do Sevilha.
Boloni esquematizou a equipa em 4x3x3, com Aragon na baliza, a (ex) promessa americana Onyewu a acompanhar Sarr no centro, enquanto os brasileiros Comozatto e Dante Bonfim (este já falado como estando na órbita do Benfica), ocupam as laterais direita e esquerda respectivamente. No meio campo o experientíssimo Wilfried Dalmat (um poço de técnica), acompanha as super promessas belgas Witsel e Defour. O trio ofensivo é constituído por De Camargo e Mbokani nas alas, a apoiar a principal estrela da equipa, e talvez o melhor jogador do campeonato belga, Milan Jovanic.
Prevejo igualmente uma eliminatória muito equilibrada, com o Braga a sentir algumas dificuldades. No entanto, o Braga tem provado ao longo da época que adquiriu já um importante estofo europeu, aliando boas exibições a bons resultados. No entanto, convém também não esquecer que o Standard Liége disputou a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, obrigando o Liverpool, a disputar um prolongamento. Além de tudo, duelo táctico interessante entre Jesus e Boloni.

Liga dos Campeões

à(s) 21:59

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A frase quem ri por último ri melhor, tem circulado nos últimos minutos de forma assídua na Internet. Refere-se à vitória do Porto frente ao Arsenal e consequente conquista do primeiro lugar do grupo. Apesar de os ingleses terem vindo ao Porto num ritmo descontraído e sem algumas figuras. Assim, o Porto não desejará encontrar Inter, Chelsea e Real Madrid. Lyon, Villarreal e Atlético de Madrid serão adversários de menos nome, mas nem por isso a tarefa do Porto, seja qual for o adversário dos oitavos, se afigura fácil.
O Sporting venceu ontem em Basileia, alcançado, tal como o Porto, uns óptimos e muito valorosos 12 pontos. O seu segundo lugar faz com que haja a possibilidade de defrontar o Panathinaikos nos oitavos de final, equipa grega que actualmente é a mais desejada pelos segundos classificados. Em contrapartida, Manchester Utd, Roma, Liverpool, Juventus e Bayern de Munique são adversários de muito maior peso.
De resto, os oitavos de final em Fevereiro, perspectivam já muitas possibilidades de confrontos interessantes.

Pouco Leão

à(s) 16:32

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Se ontem aqui elogiei o Porto europeu, o mesmo não posso fazer em relação ao Sporting. É óbvio que o Barcelona não é o Fenerbahce, mas o Sporting em nenhum momento do jogo, apresentou o mesmo "estofo" e a mesma disciplina táctica do Porto, tão importante em jogos europeus.
Aliado a tudo isto, o que se pode ver ontem em Alvalade, foi um manifesto complexo de inferioridade por parte da equipa do Sporting, com falta de querer e vontade. O Sporting podia e devia ter demonstrado mais ambição de levar de vencido o Barcelona, e ficar em posição para poder garantido o primeiro lugar do grupo. Mesmo que o favoritismo como é óbvio estivesse do lado do Barcelona. Note-se que falo principalmente da primeira parte, que foi quando os leões perderam o jogo.

É certo que a Paulo Bento faltavam jogadores importantes. Mas a equipa podia e devia ter feito mais. Foi sempre demasiado permissiva na defesa e meio-campo. E nunca se deu bem com o futebol rendilhado de posse de bola massiva do Barcelona. Aliás, esta equipa do Sporting está demasiado formatada para ter a bola no pé. Para os oitavos de final (para os quais se qualificou com muito mérito), Paulo Bento terá a necessidade de rever alguns dos seus princípios de jogo, sob pena de ter os mesmos dissabores.



Notas do clássico

à(s) 14:59

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Assistimos no passado fim-de-semana aquele que provavelmente foi o melhor clássico da época. Acredito que muito por culpa da postura do Sporting, que "obrigou" o Porto a dar o seu melhor para que, em virtude dos moldes da competição, não ficasse de fora.

As equipas entraram em campo de forma completamente oposta. Paulo Bento montou o Sporting no losango habitual, acrescentando (entre outros) Romagnoli em relação ao último clássico. A presença do argentino, principalmente nestes jogos, é fundamental para o clube de Alvalade. Jogando no vértice mais ofensivo do losango, Romagnoli procura muita das vezes uma faixa (normalmente a esquerda) causando desequilíbrios e muitas situações de superioridade numérica. O Sporting tirou grande vantagem dessa basculação do argentino e das combinações explosivas com Izmailov (o melhor jogador do Sporting), ao mesmo tempo que Postiga e Liedson desgastavam bastante a defesa do Porto.

Já o Porto entrou em campo bastante amorfo. Jesualdo Ferreira voltou a fazer uma alterações (é prática comum nestes clássicos), mas a presença de Mariano entre os titulares não se compreende, quando Rodriguez e Tomás Costa aqueciam o banco. Mariano não é o melhor jogador do mundo, mas vê-se que para além das limitações técnicas sofre também de alguma crise de confiança - e obviamente que lançá-lo num clássico destes, depois de alguns jogos longe da titularidade, não ajuda. De resto o Porto jogou com as linhas bastante recuadas, com Lisandro (?) e Mariano variadíssimas vezes a jogar no meio campo, ficando Hulk mais na frente.
Esta forma de jogar confundiu o Porto, e a avalanche ofensiva do Sporting foi crescendo. Em qualidade e intensidade. 0 1x0 ao intervalo era inteiramente justo.

Na 2a parte Rodriguez substituiu Mariano Gonzalez, mas não foi apenas isso que mudou no jogo do Porto. Lisandro juntou-se mais a Hulk na frente, e os desequilíbrios criados por Romagnoli e Izmailov na primeira parte, eram agora "imitados" por Hulk e Rodriguez na faixa esquerda do Porto. O Porto chegou ao golo do empate num lance de contra ataque, numa grande jogada de Hulk. A propósito deste tema, penso não ser coerente criticar Rochemback. Todos sabemos que o brasileiro não faz da velocidade a sua principal arma. Nem é condição essencial para se ser bom jogador de futebol, a rapidez, caso contrário as equipas seriam constituídas por 11 velocistas. Rochemback terá outras características importantes para o Sporting, e o problema naquela jogada foi ser ele a acompanhar Hulk. Numa transição defensiva rápida, não pode ser Rochemback a acompanhar o jogador mais veloz da equipa adversária.

O jogo manteve-se vivo e emotivo até ao final, com algum ascendente do Sporting, mas com o Porto a criar bastantes jogadas de perigo. O 1x1 pode considerar-se justo, até porque nenhuma equipa merecia a eliminação.