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A evolução do Shakhtar

à(s) 02:52

quinta-feira, 21 de maio de 2009


O clube ucraniano tem pouco mais de 70 anos de vida. Ainda longe do centenário, ainda longe da grandeza histórica dos rivais de Kiev, onde se destaca o Dynamo. Contudo, desde a virada do século, os 'laranjas' de Donetsk adquiriram um maior protagonismo interno, alargado nas últimas épocas para carreiras interessantes no domínio europeu. Terminaram com a hegemonia do clube da capital, ao mesmo tempo que conseguem já a maior média de assistências do campeonato ucraniano.

Se o maior protagonismo interno foi inicialmente adquirido, como referi, na viragem do século (Taça da Ucrânia em 2001, Dobradinha em 2002), com recurso a jogadores ucranianos (os africanos Aghahowa e Okoronkwo seriam as excepções com maior qualidade), foi a partir de 2004/2005, com a abertura das fronteiras de Donetsk ao mercado brasileiro que o clube deu o grande salto. A nível interno campeonatos conquistados em 2005, 2006 e 2008, Taça em 2008, Supertaça em 2005 e 2008. E a chegada de brasileiros como Elano, Jadson, Matuzálem, Leonardo, Fernandinho, Willian, Ilsinho ou Luiz Adriano. Tudo jovens com grande margem de evolução, e ainda não totalmente preparados para o salto do Brasileirão para os grandes clubes dos principais campeonatos, ao mesmo tempo que apresentam uma qualidade indiscutível.

Na Europa, e depois de carreiras interessantes na Taça UEFA e na Liga dos Campeões, chegou hoje a consagração na UEFA. Sob o comando do competente Mircea Lucescu, o Shakhtar emergiu de um grupo interessante de candidatos onde figuravam nomes fortes como Milan, Valência ou Zenit e interessantes como Bremen, Hamburgo, City, Villa, Tottenham, Udinese, Marselha ou CSKA, entre outros. Nesta competição, que neste formato, teve o seu término em 2008/2009, é difícil apontar o clube mais forte. Essencialmente pelo facto de os treinadores rodarem bastante o onze, privilegiando as competições internas. Apesar de tudo, os ucranianos foram certamente das equipas mais fortes e consolidadas e como tal, a vitória final assenta bem.

Tacticamente a equipa assenta num 4x2x3x1, muito dinâmico. Na baliza Pyatov é um guarda-redes interessante, com bons reflexos e apesar da falha monumental frente ao Bremen, mais forte entre os postes do que fora deles. À sua frente Chygrynskiy é titular indiscutível, o típico central da escola ucraniana, corpulento mas com grande leitura de jogo e forte no desarme, enquanto Kucher e Ischenko discutem a outra vaga. Os laterais são jogadores semelhantes, de muitíssima qualidade e de grande propensão ofensiva. O croata Darijo Srna e o romeno Rat, dois protótipos do lateral moderno.
Á frente da defesa um duplo pivot. Hubschmann mais posicional (castigado na final e substituído por Lewandowski), compensa quase sempre as subidas dos laterais. No papel ao seu lado, mas com incomparavelmente mais liberdade o tecnicista Fernandinho, temível na bola parada, e com grande facilidade de remate. Nas laterais, igualmente dois brasileiros. Ilsinho (lateral de origem mas com grande qualidade técnica) mais vertical na direita, o jovem Willian mais sobre a esquerda, ele que originalmente é uma espécie de 10 à moda antiga, quase sempre em diagonais para o interior do terreno, deixando as costas para as subidas de Rat.
Mais adiantados, os maiores desequilibradores e fazedores de golos: Luiz Adriano mais fixo na frente, entre os centrais. Jadson nas suas costas, numa espécie de 'jogador 9,5', capaz de contribuir com bastantes golos e assistências. Referência ainda para Marcelo Moreno, boliviano vindo do Cruzeiro, que na UEFA jogou pouco, mas com muito futebol nos pés, e uma próxima temporada à espera da explosão no futebol europeu.

Enfim, os ucranianos mantiveram o bom registo dos países de leste na Taça UEFA. Nas últimas 5 épocas, pelo meio da dobradinha do Sevilha, CSKA, Zenit e agora Shakhtar inscreveram o nome na galeria dos vencedores. Para o clube de Donetsk este é o mote decisivo para o estabelecimento de um nome forte e respeitado na Europa do futebol. O grande desígnio do actual presidente - vencer a Liga dos Campeões, pode já ter estado mais longe.

Perspectivas na UEFA

à(s) 20:15

sexta-feira, 10 de abril de 2009


Ao mesmo tempo que na Liga dos Campeões atingimos a fase mais decisiva, também esta semana se jogou a primeira mão dos quartos de final da Taça UEFA. Onde o factor casa teve, em três dos quatro jogos, um peso acentuado no resultado final. A verdade é que se na Champions temos 8 equipas de nível bastante alto, também esta competição ficará para a história, porque para além de ser a última neste formato, tem actualmente a disputá-la 8 muito boas equipas. Vamos aos jogos:

PSG x Dynamo Kiev - Este seria, à partida, o jogo menos apetecível desta fase. O PSG porque na luta pelo título francês, tem dado primazia à competição interna, o Dynamo porque ao contrário do Shakhtar, não me parece ter equipa para prolongar na Europa, a capacidade que demonstra na Ucrânia.
É no entanto certo que ambas as formações tiveram muito mérito em atingir esta fase. O PSG suportado por toda a competência do seu técnico, e numa fase crescente enquanto equipa/clube, formado por uma mescla de jovens jogadores como Chantôme, Sessegnon ou Hoarou com homens mais experientes como Makelelé, Giuly ou Rothen. O Kiev, após uma boa fase de grupos da Champions (especialmente quando comparado com os últimos anos) tem naturais ambições de progredir, até porque conta com jogadores como Milevskiy, Aliyev ou Eremenko.
Com 0x0 em Paris, há uma ligeira dose de favoritismo para os ucranianos, muito embora os franceses tenham provado em Braga que não se pode tomar tal facto como adquirido. Esta é contudo a eliminatória mais em aberto.

Shakhtar x Marseille - Num embate entre dois dos 'repescados' da Liga dos Campeões, perspectivava-se algum equilíbrio. Mas com alguma vantagem para os ucranianos, pelo factor casa, por terem anteriormente eliminado dois dos 'pesos-pesados' da competição (Tottenham e CSKA Moscovo) e pela focalização interna do Marselha, que não atingindo os níveis do PSG, existe.
Ainda assim, o resultado é relativamente enganador porque os franceses deram uma boa réplica. O 2x0 não espelha fielmente o que se passou em campo, mas é um resultado excelente para o Shakhtar e que abre muitas perspectivas para a passagem. Contudo, jogar no Velódrome é muito difícil e a eliminatória ainda não está fechada. Veremos o que fazem Niang, Ben Arfa, Zenden e companhia e como se defendem Jadson, Srna ou Fernandinho, por exemplo.

Werder Bremen x Udinese - Esta era uma autêntica final antecipada. Duas excelentes equipas, com boas performances europeias, mas estranhamente, e tendo em conta o valor dos seus plantéis, muito abaixo das expectativas na competição interna. Esta Taça UEFA é a única perspectiva de sucesso para ambos, e por isso concerteza se assistiria a um jogo muito intenso.
Assim foi. Mais do que intenso, bem disputado, bem jogado. O 3x1 é também um resultado enganador para o que se passou em campo, e poderia ter ainda sido pior para a Udinese se Quagliarella não tem reduzido perto do fim.
Na 2a mão assistiremos a mais um bom confronto, entre duas equipas que não seguem propriamente a escola dos seus países, antes praticam um futebol mais técnico e aberto. O 4x4x2 losango do Bremen, com grandes intérpretes como Diego, Ozil ou Pizarro e o 4x3x3 da Udinese (com muitas promessas sul americanas!) de Quagliarella, Di Natale ou Pepe. Mais golos, e incerteza no resultado naquela que, não me canso de o dizer, daria uma boa final.

Hamburgo x Man City - Final antecipada é outro dos adjectivos com que se podia caracterizar este confronto. O resultado não espanta os mais atentos, porque o Hamburgo é uma das grandes equipas alemãs (provavelmente, depois da dupla goleada sofrida pelo Bayern, a mais forte candidata ao título). E porque os ingleses são uma equipa em casa, e outra completamente diferente, fora.
Apesar de tudo, o City começou melhor, com um excelente golo de Ireland, mas insuficiente para suster a pressão dos alemães, que com relativa facilidade chegaram aos 3 golos. A vantagem de 3x1 pode ser importante para a equipa de Olic, Petric e Guerrero, principalmente pelas perspectivas de marcar fora que o seu poderio ofensivo lhe confere. Mas a turma de Ireland, Wright Phillips e Robinho é fortíssima em casa, faz da UEFA o principal ponto de retorno ao investimento feito nesta época e concerteza irá fazer a vida difícil ao Hamburgo.