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Obreiros do Tetra

à(s) 01:24

terça-feira, 12 de maio de 2009


O Porto materializou ontem, na sequência do que se esperava, a conquista do tetra-campeonato. Sobre o total mérito da conquista já aqui falei no dia seguinte à vitória em Guimarães, e portanto hoje importa-me destacar aqueles que penso serem os dois principais obreiros desta vitória.

É comum dizer-se que as naus precisam de um timoneiro para chegar a bom porto. No futebol não é diferente. Contudo, em algumas equipas, tal a qualidade e maturidade dos jogadores, tal a rotina de bons processos existente, o peso do treinador dissipa-se um pouco. Neste Porto não foi assim. Não que o plantel não seja de qualidade, mas em grande parte dos seus elementos, denotava-se no início da época, que seria precisa muita evolução para que a equipa atingisse os seus objectivos. Rolando, Sapunaru, Cissokho, Fernando, Rodriguez e Hulk são exemplos claros do que falo. No crescimento individual destes elementos, e ao mesmo tempo da equipa, o mérito vai todo para Jesualdo Ferreira (JF).
Não foi uma nem duas vezes que ouvimos o 'Professor' afirmar que no Porto também se faz formação na equipa principal. Mas a formação que assistimos nesta época não foi apenas a nível individual. Foi também no que respeita ao modelo de jogo da equipa, que naturalmente sofreu um abalo com as saídas dos nucleares Bosingwa, Quaresma e Paulo Assunção, e a entrada de jogadores com características distintas. Jesualdo percebeu que não há jogadores iguais e que teria de alterar a forma da equipa jogar, sob pena de os reforços não conseguirem interpretar o modelo da mesma forma. Na capacidade de um treinador perceber os seus activos, o meio envolvente, e conjugando estes factores, a melhor forma de levar a equipa ao sucesso, está grande parte da sua qualidade. JF teve essa capacidade.
Mesmo depois de alguns precalços, mesmo depois de bastante contestação, o Porto manteve fidelidade aos seus princípios, às convicções da sua equipa técnica, e ao mesmo tempo que se readaptavam por exemplo Lucho, Meireles e Lisandro a novas funções, e se assistia ao crescimento dos jogadores acima citados, a equipa retomou o caminho das vitórias. O grande mérito de Jesualdo Ferreira passa por aí, pela competência no processo de treino e de jogo, e pela inteligência que lhe permitiu encaixar-se bem no clube, obtendo um lugar de destaque. Numa época em que foi tri-campeão, atingiu a final da Taça, e os quartos de final da Champions, o reconhecimento (tardio) da esmagadora maioria dos adeptos chegou. Na próxima época, deverá continuar.

Helton, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Cissokho e Fernando. Uma equipa desempenha tarefas conjuntas nos cinco momentos do jogo, mas estes jogadores formaram em muitas partidas, o grupo com maiores responsabilidades defensivas. Se exceptuarmos a baliza, apenas Bruno Alves jogava no Porto na época passada. Todos os restantes elementos actuavam em clubes ou campeonatos de menor exigência e responsabilidade. Se falo de JF como parte integrante para o crescimento da equipa, dentro do campo Bruno Alves era a sua extensão. Não raras vezes vimos o central portista em diálogo com os companheiros de sector durante as partidas, corrigindo acções ou posições. Uma voz de comando dentro de campo, e talvez o jogador expoente de Jesualdo Ferreira, por ser aquele que mais cresceu com o treinador. Passado de mal-amado entre os adeptos a um dos capitães de equipa, pretendido por meia Europa, Bruno Alves é também o marcador do golo do tetra.
Pelas suas qualidades como central, pela importância que tem dentro da equipa, pelo seus golos fundamentais (Sporting e Nacional são dois exemplos fortíssimos), destaco-o como o jogador do ano no Porto. Mesmo que Lisandro e Lucho sejam (acredito que a par do melhor Aimar) os melhores jogadores a actuar em Portugal, mesmo que Meireles tenha crescido imensamente, mesmo que Hulk seja um vulcão futebolístico prestes a explodir. Mesmo assim, penso no Porto vencedor do campeonato e vejo Jesualdo Ferreira e Bruno Alves.

A próxima época está já a caminho, e com ou sem Bruno Alves, com ou sem JF, o Porto parte já um passo à frente da concorrência. A equipa é jovem e tem margem de crescimento, os processos estão identificados e bem definidos, e a estabilidade é uma imagem de marca. Além disso, um título deixa-nos sempre mais perto do próximo. Principalmente quando existe uma superioridade inequívoca. Foi o caso.

Mourinho cai, Jesualdo sorri

à(s) 04:10

quinta-feira, 12 de março de 2009


Em mais uma eliminatória da Liga dos Campeões que confirma as equipas inglesas como dominadoras no futebol europeu (passaram todas), e no último par de anos, a decadência das italianas (caíram todas), é de dois treinadores portugueses que vamos falar.

Jesualdo Ferreira conquistou uma passagem (para si) inédita, aos quartos de final da prova rainha do futebol. Absolutamente por mérito próprio. Se nas duas últimas épocas (principalmente contra o Schalke) a passagem tinha ficado perto, nesta, o Porto mostrou uma aprendizagem com os erros dos últimos dois anos, que lhe valeram a passagem. Frente a um, ofensivamente, excelente Atlético de Madrid, o Porto foi sempre superior ao longo dos 180 minutos. Mesmo que não tenha traduzido essa superioridade em golos, nunca a passagem esteve comprometida.
Depois, a equipa mostrou duas caras importantes nestas competições. Se na primeira mão, colocou sempre um ritmo alto, intenso e forte no jogo, chegando à baliza inúmeras vezes e desequilibrando não raras vezes o adversário, hoje, soube sempre controlar a partida, com a bola longe da sua baliza, ao mesmo tempo que, perigava a do adversário. Ou seja, uma equipa com 'perfume' em Madrid, cínica no Dragão. Nesta afirmação de qualidade em relação a outras épocas, um nome salta à vista: Cristian Rodriguez. E a capacidade com que dota a equipa, de variar entre o 4x3x3 e o 4x4x2, essencial na Europa.
Para os quartos de final, o Villarreal concerteza não sairá da cabeça dos dragões, como o adversário ideal. O submarino amarelo é claramente o parente pobre dos oito maiores da Europa, versão 2008/2009. Não sendo contudo um adversário fácil, ou não fosse actualmente o 4º classificado da Primeira Divisão Espanhola.

Mais a Norte, em Inglaterra, frente à actual melhor equipa do Mundo, e com um 0x0 trazido da primeira mão, que não daria conforto a nenhuma das equipas, o Inter, naturalmente que caiu. Mas caiu de pé, porque mesmo sendo inferior ao Manchester, conseguiu, em alguns momentos do jogo, por em sentido os ingleses, contando mesmo com duas bolas nos ferros (Ibrahimovic e Adriano).
Há já quem questione a continuidade de Mourinho à frente do Inter, no final da época. De facto Mancini deixou um legado de domínio interno. Pela falta de afirmação europeia do Inter, passou a sua saída e consequente contratação do treinador português. Contudo, há algumas coisas que se devem perceber.
Em primeiro lugar, relembrar que, mesmo não tirando mérito a Mancini, o sucesso do Inter começou a ser construído na sequência do Calciocaos. Com Juventus e Milan arredados da disputa. O panorama imposto a Mourinho é diferente. Chegou, é certo, a uma equipa campeã, mas com os principais adversários (Juventus e Milan) em trajectória ascendente.
E depois, o mais importante. Olhando para o plantel e para a equipa do Inter, facilmente se constata que aquela não é uma equipa à imagem de Mourinho. Desde a falta de pensadores no meio-campo, a toda a ala esquerda, e principalmente no centro da defesa, onde tem existido (por lesões e faltas de confiança), uma rotatividade quase suicida.
Por todas estas razões, não me parece que a continuidade do treinador deva sequer ser posta em causa. Mourinho ao seu estilo, não tem feito muitos amigos em Itália, tem criado inúmeras polémicas, mas a sua competência e o seu bom trabalho, num plantel envelhecido (Toldo, Cordoba, Samuel, Materazzi, Zanetti, Vieira, Figo, Cruz e Crespo acima dos 30 anos) e em termos qualitativos, demasiadamente curto, está à vista.
Em 2009/2010, com o rejuvenescimento anunciado do Milan, e a estabilização da Juventus, três épocas depois do regresso à Série A, o Calcio será provavelmente o mais apaixonante dos últimos anos. Mourinho concerteza estará à altura do desafio, e com os jogadores certos, poderá também atacar a Liga dos Campeões.

O futuro de Jesualdo

à(s) 02:50

sábado, 7 de março de 2009


Este é um tema que tem vindo a ser cada vez mais dominante na actualidade do Porto. Ainda na antevisão à partida deste fim de semana com o Leixões, a pergunta foi novamente colocada a Jesualdo Ferreira. O treinador escusou-se a responder, mas disse uma verdade: já se fala sobre este assunto desde Novembro.

É normal. Ou não se tratasse do treinador de um dos grandes, bicampeão nacional. Que ainda assim, está a léguas de conseguir consenso entre os adeptos do Porto. Uma das razões, a sua ligação emocional com o Benfica (aconteceu o mesmo com Fernando Santos, 'engenheiro do penta'). A outra, será o pouco sucesso em provas a eliminar.
O Porto de Jesualdo é uma equipa muito forte em provas de regularidade. É assim na fase de grupos da Liga dos Campeões (onde conseguiu dois inéditos primeiros lugares, à frente de Liverpool e Arsenal). É assim no Campeonato Nacional, onde após uma primeira temporada que primou pelo maior equilíbrio (Jesualdo chegou a meio da pré época, e teve de transformar uma equipa moldada em 3-3-4), arrancou para uma segunda demolidora a todos os níveis. Em 2008/09 novamente maior equilíbrio, por alguma transformação que sofre a equipa, e também pela subida dos rivais.
Em provas a eliminar tem sido um Porto com mais dificuldades. Quer na Taça de Portugal, quer na Taça da Liga, quer na fase mais adiantada da Champions. Apesar de tudo, excepção feita à Taça da Liga, nesta época há perspectivas diferentes para Jesualdo. Segue a caminho da final da Taça de Portugal, e na Europa, tem grandes probabilidades de atingir os quartos de final.

Não raras vezes os críticos apontam-lhe alguma falta de postura. Mas goste-se ou não, o treinador do FCP, opta por um discurso à Porto. Identificado com a realidade do clube, os seus problemas, as suas mais valias. Depois, não esquecer o seu excelente trabalho 'de campo', traduzido num crescimento enquanto activos de muitos dos seus jogadores. E acredito, num trabalho importante a nível de estruturação do clube, e das suas manobras de futuro. A médio prazo também.
Mas esta constatação, somada a títulos, não chega aos adeptos do Porto, que actualmente, são os mais exigentes em Portugal. E consequência, Jesualdo nunca foi um treinador consensual.

Actualmente põe-se a questão sobre a sua continuidade. Muitos há que a defendem, com base em resultados. Seria talvez mais natural que assim fosse. Mas não me parece. No Porto, mais do que a resultados, olham-se a ciclos. Foi assim, por exemplo, com Carlos Alberto Silva, Robson, Oliveira ou Fernando Santos. E é provavelmente esta uma das razões para o sucesso do clube.
Por isto acredito que o ciclo de Jesualdo terminou. O sucessor? Tem-se falado muito de Jesus ou Paulo Bento, técnicos, indiscutivelmente, do agrado de Pinto da Costa. Eu juntava um nome: Carlos Azenha.

Porto - transição ou continuação?

à(s) 00:15

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008


O FC Porto é o segundo cliente deste espaço de análise, construído no sentido descendente, segundo a tabela classificativa do Mais Futebol.

Uma equipa que venceu o último campeonato com uma vantagem de 20 pontos para o segundo classificado, só poderia ser considerada a principal favorita à revalidação da conquista. Tal premissa seria uma verdade absoluta se o Porto não tivesse deixado sair três dos principais artífices do rendimento apresentado na época passada: Bosingwa, Assunção e Quaresma. Assunção era o pêndulo, o centro de todo o futebol do Porto, na fase defensiva, na fase ofensiva e nas suas respectivas transições. Por aqui se percebe a sua importância. Quaresma, mesmo que na época passada estivesse algo abaixo daquilo que pode e sabe fazer, continuava a ser o homem que colocava sempre junto de si dois adversários, um dos principais flanqueadores de jogo e um homem capaz de decidir um jogo. Bosingwa era a locomotiva. Um homem que conseguia fazer sozinho um corredor, permitindo derivações para o centro (criando superioridade numérica) do homem que jogasse à sua frente, factos que não o impediam de cumprir bem as tarefas defensivas.

A verdade é que nada disto é pouco. Estes homens representavam 30% do futebol do Porto, e nessa percentagem estavam incluidas diversas nuances que apenas as características dos próprios lhes permitiam desempenhar. Ora por aqui se vê a tarefa que Jesualdo Ferreira teria pela frente. Não direi que seja tão complexa como por exemplo a de Quique Flores, porque o treinador do Porto já orientava grande parte do seu elenco actual, estando portanto alguns dos seus jogadores já familiarizados com as suas ideias, mas, mesmo não tendo que implementar um novo modelo, algumas nuances teve que promover.
Admito que na sua óptica nem tudo fossem más notícias. Afinal, pode agora, com algumas das alterações efectuadas, aplicar de forma mais conveniente e com mais sucesso (Alvalde e Turquia por exemplo) um 4x4x2 que tentou em diversas vezes. Até porque que onde antes tinha Marek Cech, agora tem Tomás Costa, onde tinha Quaresma agora tem Cristian Rodriguez (mesmo que o português seja indiscutivelmente melhor jogador). Apesar de tudo é a partir do 4x3x3 que Jesualdo tem feito a equipa alinhar na maior parte dos jogos.

Helton é dono e senhor da baliza. Mesmo que o seu excesso de confiança (traduzido em algumas falhas) lhe tenha valido alguns jogos na bancada, a sua elasticidade, a facilidade em interceptar bolas aéreas e a qualidade com a bola nos pés, dão confiança à defesa, permitindo-lhes também jogar uns metros mais à frente.
No centro da defesa, o sempre impetuoso Bruno Alves, um dos bons centrais do nosso campeonato, é indiscutível. É um dos principais portadores da famigerada mística portista (não é por acaso que veste a camisola 2), e oferece soluções importantes nas bolas paradas ofensivas, quer em cantos, quer nos livres directos - embora ainda não seja o batedor que alguns querem fazer crer. Defensivamente, é praticamente intransponível em bolas altas, forte no um para um, embora quando desviado para zonas mais laterais, tenha algumas dificuldades. A seu lado o ex-Belenenses Rolando já conquistou o lugar. Paulatinamente tem vindo a melhorar o seu posicionamento, e faz uso da sua velocidade para dobrar muitas vezes os seus companheiros. Apesar de tudo, de certa forma ainda precisa de melhorar a sua leitura de jogo, mas numa escola de bons centrais como a do Porto não deverá ter dificuldades.
Nas laterais é diferente. É talvez o ponto mais débil deste Porto. Se de Lino e Benitez não há muito a dizer, porque até ao momento ainda não apresentaram rendimento para fazer parte de uma grande equipa, Pedro Emanuel continua o mesmo. Quando joga, é a voz de comando da equipa. A idade já não lhe permite o mesmo vigor físico, não tem a cultura de lateral, mas a sua presença é importante. Porque defensivamente fecha sempre muito bem junto aos centrais, e, quando a equipa se encontra em processo ofensivo, permite mais liberdade ao lateral contrário. Que actualmente é Fucile. Ganhou o lugar ao romeno Sapunaru, jogador no qual os portistas tinham depositado naturais esperanças, como substituto de Bosingwa, mas que demonstrou, apesar de ser bom tecnicamente, ser ainda algo macio e ingénuo. Fucile ganha muito com a presença de Pedro Emanuel precisamente pelo que referi atrás. Sendo mais forte a atacar do que a defender, o uruguaio sente-se mais confortável e melhora os seus desempenhos, aproveitando muitas vezes o facto de não ter ninguém à sua frente, porque quer Lisandro quer Hulk procuram muito o centro.

À frente da defesa, o brasileiro Fernando. Muitos esperam a todo o custo que se torne o novo Paulo Assunção, mas ninguém se deve esquecer que ainda na época passada jogava no Estrela da Amadora, muitas das vezes a lateral direito. No entanto, Fernando tem qualidade. Não terá propriamente as mesmas características de Assunção. Arrisco a dizer que não sendo naturalmente tão bom no processo defensivo, mostra pormenores que me fazem acreditar que ofensivamente é melhor jogador. Principalmente a nível do passe. Mas para o lugar de 6 no seu modelo, Jesualdo não quererá por certo grandes veleidades ofensivas. O professor pretenderá antes uma melhor cobertura do espaço, uma pressão inteligente e orientada para recuperar e sair a jogar com bola, um apoio aos centrais, um encurtar distâncias e melhorar a ligação entre a defesa e o meio campo. Por isso Assunção era um "5", Fernando é um "6", não desempenhando estas funções com a mesma qualidade. Mas tem potencial e tem vindo a crescer. Raul Meireles mais sobre a esquerda, joga à sua frente. É um médio típico do Futebol Total, colocando sempre grande intensidade no seu jogo, percorrendo cada quadradinho de relva, procurando cada bola. Passa, recebe, a equipa progride e ele muitas vezes surge na zona de finalização onde pode aplicar o seu forte pontapé. É o médio mais pressionante deste Porto. A seu lado e ligeiramente mais adiantado, Lucho Gonzalez. Podem vir tentar explicar as suas menos conseguidas exibições, com o facto de actualmente estar a desempenhar papéis diferentes em campo. Certo, tudo isso é verdade. Não há mais Paulo Assunção, e Lucho tem também de preocupar-se em equilibrar mais a equipa. Há Hulk mais a frente para combinações mais frequentes com Lisandro, e Lucho não aparece tanto em zonas de finalização, por permutas com o compatriota. Mas indiscutivelmente o argentino está em baixo de forma. Tem vindo a falhar alguns passes, algo absolutamente invulgar nele, não coloca tanta intensidade em campo (mesmo que não seja uma das suas principais características) e dá impressão que não procura tanto o jogo, para depois o ajudar (e como sabe ajudar) a decidir. Provavelmente um abaixamento de forma temporário, mas mais do que o Porto, o nosso campeonato precisa dele, ou não fosse o melhor jogador a actuar em Portugal.

À frente, habitualmente, um trio. Mais sobre a esquerda Rodriguez. O uruguaio foi contratado como substituto de Quaresma, mas tal facto é uma utopia. São jogadores completamente diferentes. Rodriguez coloca o jogo num nível mais físico e não tão técnico. Olhos no chão, progride metros com a bola desviando-se dos obstáculos, fazendo uso principalmente do "toca e foge". É um bom transportador de bola, aparece bem em situações de finalização, mas peca em relação a Quaresma em dois aspectos: não consegue alargar o jogo, e dificilmente decide um jogo sozinho. Apesar de tudo e como referi acima, veio proporcionar a Jesualdo Ferreira uma melhor explanação do 4x4x2, com fogachos de 4x3x3 (em fase ofensiva). Ele e Tomás Costa são os jogadores que melhor permitem este estado híbrido. Lisandro continua o mesmo. É certo que a presença de Hulk, enquanto não se vão entendendo, não lhe permite explanar o seu jogo a 100%. Agora aparece mais vezes no lado direito, muitas vezes mais longe da baliza, aproveitando menos a inteligência de jogo de Lucho. No entanto a raça está lá, a incrível facilidade de remate com os dois pés, o bom jogo de cabeça, o saber iludir as marcações, o permanente recuo para ir buscar o jogo, não sendo um avançado passivo e o também muito importante facto de ser o primeiro defesa da equipa. Depois Hulk. Ele que juntamente com Aimar tem sido provavelmente o jogador mais discutido deste campeonato. Lembro-me que quando chegou, numa altura em que para as bandas do Dragão se falava, por exemplo, de Simão e Adriano, a maior parte dos adeptos do Porto olhou-o de lado. Os adeptos rivais rejubilaram com a contratação e o valor dispendido. Hoje já não é bem assim. Em grande parte devido ao trabalho que Jesualdo Ferreira tem feito com o brasileiro. Hulk acaba por fazer jus ao nome. Num futebol actual onde este aspecto assume muita importância, a sua capacidade física é impressionante. A velocidade também. É uma tarefa quase impossível tirar-lhe a bola que leva colada ao pé esquerdo. Muitas vezes, tal como Rodriguez, de olhos colados no chão. Mas Hulk é diferente, tem mais técnica e é capaz de decidir jogos. Falta-lhe talvez o mais importante. Pôr o talento ao serviço do colectivo. É nesse aspecto que o treinador do Porto mais tem trabalhado, é esse aspecto que muitas vezes deixa Lisandro num autêntico ataque de nervos, por estar em melhor posição e ver Hulk a levar adiante uma jogada individual que sai frustrada. A sua inteligência de jogo tem que melhorar (e tem vindo a melhorar) para que possa ser um grande jogador. Até isso acontecer vai sendo um jogador com enorme potencial, com um incrível pontapé, que tem ajudado a crescer o Porto, mas que muitas vezes leva a equipa por caminhos errados. No entanto, é indiscutelmente por Hulk, que passa um dos caminhos para um Porto melhor nesta época.

O plantel do Porto não fica por aqui. Tem um suplente de luxo, chamado Tomás Costa. Um grande jogador, fortíssimo tacticamente, com capacidade técnica, e que põe a intensidade das pampas em campo. Sempre às portas do 11. Stepanov é um dos que está próximo da saída, não conseguindo fazer jus aos 4 milhões de euros nele investidos. No entanto penso que o Porto não se quererá desfazer definitivamente dele, até porque o que lhe falta em solidez mental, sobra em capacidade. Ainda muito para evoluir. Com Nuno no plantel Jesualdo pode contar com um elemento que não deixa Helton adormecer à sombra da bananeira e que é ao mesmo tempo uma força no balneário. De Pelé algo está por trás da sua ausência do jogo. Potencial não lhe falta, mas parece não estar completamente comprometido com a equipa e quando assim é, torna-se difícil. Guarín, é outro bom suplente do Porto. Jesualdo experimentou-o como homem mais recuado mas o colombiano não tem a cultura dessa posição. Terá que ter alguém nas costas para se sentir mais confortável. E aparecer nas imediações da área adversária, onde se costuma sentir confortável. Candeias, é o extremo mais puro deste Porto. Formado nas escolas do clube, tem demonstrado bastante potencial devido a uma habilidade técnica acima da média. Pode ser uma solução importante para determinadas situações. Tarik nem tanto. Jesualdo conseguiu tirar dele (principalmente) na época passada um rendimento que muitos não achariam possível. Nesta as aparições do marroquino têm sido diferentes. É certo que começou lesionado, que há o Ramadão, mas desconfio que não vá ser figura de proa neste Porto. Mariano será algo mais. O argentino pensa mais depressa que aquilo que as suas capacidades técnicas permitem, e por isso é muito trapalhão. Mas a sua versatilidade, o seu querer, farão com que apareça em bastantes jogos, muitos deles vindo do banco. De Farías uma incógnita. Quase sempre que joga, marca. Apesar disso o seu rendimento em campo nunca é excepcional. Alguns jogos são mesmo muito fracos. Provavelmente por isso não aparece tantas vezes em campo. Porque se olhássemos apenas para as estatísticas, o argentino andava na linha da frente.

Em suma, o Porto ficou a perder nas trocas de Bosingwa por Sapunaru, de Assunção por Fernando, de Quaresma por Rodriguez e também, devo dizê-lo de Carlos Azenha por José Gomes ( a nível de postura e de conhecimento). Mas ganhou entre outros, Tomás Costa e Hulk. E é pelo equilíbrio que Jesualdo Ferreira conseguir dar aos pratos da balança que passará grande parte do sucesso do Porto.
A equipa mantém-se muito pressionante, não dando grandes espaços para o adversário jogar, melhorou nas bolas paradas ofensivas, o meio-campo continua a articular-se com inteligência. Mas não explora ainda de forma conveniente o jogo lateral, e muitas vezes define mal na hora de atacar. Defensivamente, ainda existem algumas descoordenações, naturais porque não havia Rolando e Fernando a época passada. Apesar de tudo, temos aqui mais um forte candidato ao título.