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Em mais que uma final, 'més que un club'

à(s) 01:41

quinta-feira, 28 de maio de 2009


Quando se diz que este seria, até agora, o jogo mais ansiado do século, não é por acaso. Percebeu-se um pouco isso no jogo de Stamford Bridge entre Chelsea e Barcelona, percebeu-se sobretudo isso na ansiedade, nas expectativas, nos debates que antecederam a partida. Algo natural, até porque não me lembro de um confronto com um cariz tão decisivo, e que reunisse frente a frente duas equipas tão capazes individual e colectivamente. Duas equipas que obtivessem tão bons resultados jogando um futebol tão positivo.

O Manchester consolidou esta época, aquilo que iniciou na transacta. Uma imagem de solidez, de espírito competitivo fortíssimo, uma capacidade de manietar muito bem todos os momentos do jogo, de se moldar tacticamente e de forma eficaz às exigências dos 90 minutos (hoje não foi um bom exemplo), e de ao mesmo tempo praticar um bom futebol, atractivo, técnico, eficaz!
Variando entre o 4x3x3 mais europeu, com Ronaldo no centro e Rooney e Park ou Giggs na ala, à frente de um trio de meio-campo, ou entre um 4x4x2 com Ronaldo e Giggs/Park abertos na faixa e Tevez ou Berbatov a acompanhar Rooney na frente.
Mais uma grande época em Manchester, com jogadores menos capazes individualmente como O'Shea, Fletcher ou Park a alinharem em muitos jogos, e a provarem o excelente trabalho que se faz em Old Trafford. Mesmo depois da subjugação da final, é preciso dar o valor que a equipa tem e que faz dela a melhor das duas ultimas temporadas, com duas finais da Liga dos Campeões, um Campeonato do Mundo de clubes e duas Premier League's conquistadas.

O Barça desta época, é a prova de que um projecto idealista pode resultar, pode fazer os adeptos desta modalidade ter o grande prazer de ver o futebol de rua a dar cartas ao mais alto nível. Um projecto que só resultaria com um treinador como Guardiola, que provavelmente passou os últimos anos afastado dos vícios do futebol actual, em laboratório a congeminar os ensinamentos que recebeu no Dream Team de Cruyff. Mesmo a sua própria forma de jogar, no início da fase de construção, num futebol de régua e esquadro, técnico, preciso, descontraído, mas sempre produtivo.
Um projecto destes só poderia ter sucesso com jogadores como Xavi, Iniesta e Messi. Baixo centro de rotação, físico não muito desenvolvido, a antítese do que dizem ser o protótipo de jogador moderno. Mas e o talento onde fica? Estes jogadores explicam que o talento ainda ocupa o papel principal no melhor futebol. E se o notável crescimento de Piqué, o vaivém ofensivo de Daniel Alves que põe a equipa a jogar muitas vezes em 3x4x3 ou 3x3x4, o pulmão de Puyol, o tampão que Touré e Keita fazem às investidas adversárias, e que hoje Busquets com mais 'soupless' também fez muito bem, o instinto de Etoo e a classe de Henry dão muito ao Barcelona, são os 'três baixinhos' o principal suporte desta forma de jogar. Também por isso, na 2ª mão da meia-final, contra o Chelsea, o Barcelona se ressentiu muito do facto de Iniesta ter sido afastado da fase de construção.
O passe curto, o futebol apoiado, a progressão da equipa sempre com bola nas imediações, as muitas linhas de passe em cada momento, as tabelinhas, as desmarcações, as triangulações - o futebol ideal, o futebol do Barça, o resultado do fantástico trabalho preconizado por Guardiola, que levou os 'culés' à conquista do inédito triplete.

O jogo de Roma, começou com vantagem para um dos 'Gladiadores' - Cristiano Ronaldo. O United entrou fortíssimo, nos primeiros 5 minutos vimos 4 remates muito perigosos do português, e o favoritismo inclinava-se para o MU. Até que ao minuto 10, Iniesta pegou na bola e resolveu, assistindo Etoo para o primeiro golo do jogo. Esse foi o momento chave da final. A partir daí os ingleses tremeram, demasiados passes errados, o sub-consciente que temia o poderio demonstrado pelo Barça ao longo da época, veio ao de cima.
O futebol fantástico dos catalães tomou conta da partida, e no banco do Manchester, Ferguson nunca soube reverter a situação. Piorou-a até, quando se esqueceu de uma das noções básicas do futebol - a de que muitos avançados não significam golos. Especialmente quando se defrontam equipas como o Barça, com o poderio do seu meio-campo. Abdicar de Anderson ao intervalo, sendo o brasileiro o jogador com mais capacidade de pressionar e ter a bola, foi um autêntico tiro no pé, assim como colocar Berbatov antes de Scholes. Tudo isto atenua a exibição do Manchester. Mas a explicação para a vitória tranquila e justíssima do Barça (que penso não espelhar a real diferença entre as duas equipas), está no próprio futebol dos catalães.

A UEFA elegeu Messi como melhor em campo, mas Iniesta foi gigante. Dele um dia Guardiola disse qualquer coisa como 'Não usa gel no cabelo, não aparece nas revistas, não se lhe vêem muitas namoradas, mas em campo é o melhor'. Nunca esta frase foi tão verdade como hoje em Roma. Como nunca um estilo de futebol será tão testado como o do Barcelona na próxima época. Se o Barça continuar a brilhar, como acredito que continue, então podemos assistir a um novo (velho) paradigma no futebolês. O de que, fica mais perto da vitória, a equipa que joga melhor. Assim seja!

Vitória do futebol?

à(s) 02:27

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Tinha-o aqui escrito, a primeira mão das meias finais, tinha deixado bastante a desejar. Também no jogo de Manchester, mas principalmente no de Barcelona. A estirpe desta competição, a qualidade das equipas, dos seus jogadores, dos seus técnicos fazia-nos esperar muito mais. Não foi bem assim, mas apesar de tudo viu-se muito mais futebol e emoção do que há uma semana atrás.

Arsenal x Manchester Utd - Em Londres esperava ao Arsenal uma tarefa hercúlea, mas não impossível. Apesar de tudo, defrontar o Manchester Utd, que além de fortíssimo a defender tem jogadores perigosíssimos para jogar em contra-ataque, com uma desvantagem de 0x1 era difícil. As ausências de Gallas, Clichy ou Arshavin não ajudavam.
No entanto, alertei há uns tempos atrás para o facto de o Arsenal ir crescer bastante como equipa no último terço da temporada, alicerçado no regresso pós-lesão de muitas das suas grandes figuras. A verdade é que esta jovem equipa ainda não foi suficiente para o Manchester, e o que se viu ao longo de 180min foi ainda uma grande diferença de qualidade. Além de processos de jogo, de opções ou não estivessem no banco do Arsenal Fabianski, Silvestre, Eboué, Denilson, Diaby, Vela e Bendtner ao passo que no do Manchester, ao lado de Alex Ferguson se sentavam Kuszsack, Evans, Rafael, Scholes, Giggs, Tevez e Berbatov.
No mais, foi um Arsenal diferente da primeira mão. A entrada de Van Persie para o lugar de Diaby permitiu à equipa jogar no esquema que mais gosta, o 4x4x2 clássico, com Van Persie a baixar muitas vezes entre linhas, para as costas de Adebayor. Ferguson tambem alterou, para um 4x3x3 com Rooney e Park nas alas, Ronaldo na frente e Anderson, Fletcher e Carrick no meio-campo.
A estória do jogo quase se resume ao impacto do primeiro golo no jogo, à extraordinária partida de Ronaldo, à superioridade do trio de meio campo do United sobre Fabregas e Song, à fantástica competência defensiva de Ferdinand e Vidic e à constação de que o MU é de facto uma equipa especial e que o Arsenal ainda precisa de crescer para se bater a este nível. Ronaldo foi o melhor em campo, ao passo que do lado do Arsenal apenas Van Persie mostrou argumentos para incomodar o Manchester.

Chelsea x Barcelona - Stamford Bridge completamente cheio, muita gente com o 4x4 com o Liverpool na mente, pensando que o jogo de Barcelona tinha sido uma espécie de equívoco. A verdade é que o 11 inicial de ambas as equipas, fazia antever que se assistiria a um jogo melhor, mais aberto, sem complexos de inferioridade. O Chelsea porque preferiu Anelka a Obi Mikel, o Barça porque estava desfalcado de Marquez, Puyol e Henry (que são factos que convém não esquecer).
Teorizando, poder-se-ia antever que o primeiro golo traria indícios muito precisos sobre o apurado. Porque o Chelsea se marcasse primeiro poderia baixar as linhas e jogar como preferia frente a este Barça, porque o Barcelona se marcasse primeiro poderia aproveitar como tão bem sabe o espaço que o Chelsea seria obrigado a dar. Marcou o Chelsea, colocando-se em vantagem na eliminatória. As linhas dos blues baixaram muitos metros, quase sempre com 10 jogadores atrás do meio-campo, sem espaço para os blaugrana praticarem o seu futebol. Pelo contrário, o Chelsea foi sempre perigoso no ataque, com Drogba a assumir um papel de destaque. O jogo desenvolveu-se quase sempre nesta toada, espanhóis com pouco espaço para explanarem o seu melhor futebol, ingleses quase sempre melhores e mais perigosos ao longo dos 90 minutos. Até aos 93 minutos de jogo, com o golaço de Iniesta, que não quis ficar atrás do grande pontapé de Essien.

Uma palavra para os treinadores. Hiddink velha raposa, é um mestre do jogo, Pep Guardiola, é na sua época de estreia uma confirmação, que colocou uma equipa a jogar o futebol mais espectacular dos últimos anos. Contudo, no domínio da intervenção no decorrer do jogo, não me parece terem estado tão bem.
Guardiola porque demorou demasiado tempo a perceber que, na ausência de Henry, e perante jogo tão apagado de Busquets, ao mesmo tempo que Iniesta demonstrava ser o jogador mais interventivo da equipa, seria uma boa opção puxar o baixinho para o meio-campo onde o Barça estava com tanta dificuldade em contruir jogo, substituindo Busquets por Bojan. Hiddink porque com 70 minutos de jogo, uma superioridade inequívoca e mais um jogador em campo, aproveitou alguma inferioridade física de Drogba para o substituir por Belletti. Ultra-conservadorismo, especialmente quando havia Kalou no banco, fortíssimo em contra-ataque e com Keita adaptado a lateral-esquerdo. O holandês que estudou tão bem o Barça, esqueceu-se de uma coisa: estes culés, podem sempre e em qualquer circunstância marcar um golo. Hiddink podia ter-se precavido tentando forçar o segundo. Não pensou assim, saiu. Foi Guardiola quem, onde Mourinho foi feliz, fez de Setubalense, e encetou um sprint ao longo da linha lateral, festejando o golo de Iniesta (melhor em campo a par de Essien).
No cômputo geral, a eliminatória foi equilibrada. Bastante melhor o Barcelona na primeira mão, bastante melhor o Chelsea hoje. Obviamente que é impossível passar ao lado da arbitragem, mas se há, no máximo 3 penaltys não assinalados a favor do Chelsea (coisa nunca vista e impensável a este nível), na eliminatória houve também prejuízo para o Barcelona num penalty sobre Henry e numa expulsão perdoada a Ballack na primeira mão e numa má decisão do árbitro ao expulsar Abidal na segunda. Assim, por tudo isto, é difícil encontrar justiça no apuramento de alguma das equipas. Na Hora H, acredito que tenha vencido o futebol.


A 27 de Maio encontram-se em Roma as duas equipas que praticam um futebol mais atraente. Aquelas que são mais capazes de trazer novos adeptos à modalidade, ao mesmo tempo que renovam o gosto dos que já são 'aficionados'. É provavelmente a Final mais ansiada que tenho memória, e sem dúvida será um espectáculo a não perder. Um palpite? Já o digo desde o início da época - Manchester United. Mas se for o Barça, o futebol agradece na mesma.

Mais futebol meus senhores!

à(s) 02:36

quinta-feira, 30 de abril de 2009


Quando as melhores competições atingem a recta final, quando o melhor futebol se defronta na relva ao longo de 180 minutos, quando há incontável talento por cada metro quadrado de relva, os cuidados aumentam. Os técnicos, os jogadores, sabem que um simples erro pode deixar demasiado longe o objectivo de uma época, para alguns o sonho de uma carreira.
Em parte, foi esse o pensamento que inundou a mente de Hiddink e Wenger, treinadores de equipas que visitavam adversários teoricamente mais fortes. Um pensamento que não beneficia o melhor futebol, mas que não pode ser censurável, até porque foi a melhor forma que encontraram de manter em aberto a eliminatória. Vamos por partes.

Barcelona x Chelsea - Um Camp Nou com 100 mil pessoas esperava as equipas. Meia-final da Champions, um Chelsea acabado de eliminar o Liverpool num jogo de loucos, um Barça portador do futebol que traz adeptos à modalidade, que nos cola ao sofá. De um lado o metódico, o sonhador Guardiola. Do outro 'a raposa' Hiddink. Messi e Xavi, Drogba e Lampard.
O treinador holandês sabia o que o esperava. A Catalunha foi esta época um autêntico pesadelo para as equipas que por lá passaram. Especialmente quando defrontava aqueles que em teoria seriam melhores, o Barcelona motivava-se a níveis altíssimos. Atlético de Madrid, Sevilha, Valência, Lyon ou Bayern foram vergados a pesadas derrotas.
O Chelsea tem um plantel, e um estilo de jogo que não lhe permitem grandes transições rápidas. A estratégia seria ocupação perfeita dos espaços, saída para o ataque por Drogba, esperando subida da equipa. A primeira premissa resultou, a segunda não. Mérito do Barça. Explicação também pelo alinhamento do Chelsea, que transformou o 4x3x3 habitual num 4x5x1 com Ballack e Mikel à frente da defesa, Essien e Malouda fechando nas alas, Lampard perdido no centro, demasiado longe de Drogba. Natual, Lampard não é jogador para o aquele futebol. Apesar de tudo, não censuro Hiddink. Foi a melhor forma que o holandês encontrou para manter a eliminatória em aberto. Conseguiu-o.
O Barcelona encontrou pela primeira vez nesta época, uma equipa capaz de travar o seu futebol. Sim, é certo, não ganhou sempre. Mas em todas essas partidas, percebeu-se que o jogo continuava fluído, chegando perto da baliza contrária. Contra o Chelsea não. As tabelas, os passes de ruptura, as fintas, as mudanças de velocidade, o jogo apoiado e de pé para pé esbarraram quase sempre na muralha azul. Com o 4x3x3 habitual e Abidal na esquerda em detrimento de Puyol, pensar-se-ia que o Barça poderia fazer mais uso do jogo exterior, mas Essien foi um monstro, pelo que Daniel Alves era o único jogador capaz de dotar a equipa dessa alternativa, conciliando-a com o seu poderoso jogo vertical, e com as diagonais dos seus avançados. Foi contudo insuficiente para desmontar a teia do Chelsea. Mais ainda, para levar de vencido aquele adversário, Guardiola precisaria de ter todos os seus jogadores inspiradíssimos. mas a noite não foi a melhor para Henry e Messi, dois dos potencialmente maiores desequilibradores.
Individualmente, destaco Dani Alves e Touré do lado do Barcelona, Terry e Essien do lado do Chelsea. Dois defesas, dois médios mais defensivos, explica bem o que foi o jogo. Embora o brasileiro receba destaque pelo facto de ser, a par de Iniesta, o maior desequilibrador em campo. Bosingwa é fortemente elogiado por ter parado Messi. Mas o português fez uma exibição à imagem da equipa. E teve a sorte de nunca ter sido exposto em demasia a duelos individuais. Ainda assim, ponto muito positivo.
A segunda mão em Stamford Bridge será diferente. A eliminatória decidida em 90 minutos e espero um Chelsea mais afoito ofensivamente, o que à partida indicará um jogo mais aberto. Golos e muita intensidade, ingredientes expectáveis para de hoje a oito dias.

Man Utd x Arsenal - Em Old Trafford o primeiro de três confrontos entre Red Devils e Gunners, no próximo mês. Todos eles, assentes em bases diferentes. O de hoje seria naturalmente aquele em que o Arsenal jogaria mais recolhido. Direi contudo, que em demasia.
Parece-me que o Arsenal tentou ser uma equipa à imagem do Chelsea em Camp Nou. Contudo, Wenger tem à sua disposição um conjunto de elementos que lhe permitiriam fazer um jogo diferente, especialmente a nível ofensivo. Walcott, Fabregas e Nasri estiveram sempre muito presos a amarras tácticas, e a própria opção por Diaby em detrimento de Denilson ajuda a explicar o pensamento de Wenger. Mais contenção, mais músculo, menos fantasia ou qualidade de passe. Parece-me um erro. O Arsenal teve uma produção ofensiva nula, e defensivamente nunca conseguiu a competência do Chelsea. O ox1 é um resultado lisonjeiro, Almunia e a barra explicam-no muito bem.
Frente ao 4x2x3x1 do Arsenal, o 4x3x3 europeu do Manchester, que Ronaldo e Rooney sabem também transformar em 4x5x1, em determinados momentos do jogo. O certo é que nos grandes jogos europeus, Ferguson não prescende do trio de meio-campo na zona central, abdicando do seu 4x4x2 mais de consumo interno. Hoje, com Scholes e Giggs no banco, foram Carrick, Fletcher e Anderson a jogar. O inglês mais no miolo, essencialmente posicional, o escocês e o brasileiro a soltarem-se mais no ataque. O Manchester controlou sempre o jogo, ao mesmo tempo que o dominava. Alguma inépcia dos seus avançados, somada à grande exibição de Almunia, explicam que não tenha deixado a eliminatória muito perto da resolução.
Individualmente, a somar ao referido Almunia, parece-me justo distinguir o jovem Alexandre Song, por ter realizado uma das melhores exibições da equipa, numa zona onde os Gunners tiveram sempre dificuldades. No MU, o grande destaque vai para o colectivo, pela grande exibição. Compacta, confiante, personalizada em todos os momentos do jogo.
A 2a mão, um pouco à imagem do confronto de Stamford Bridge, trar-nos-á potencialmente mais golos. Um Arsenal que sabe jogar bom futebol, à procura do golo e um Manchester temível no contra-ataque.

Uma última nota. Camp Nou e Old Trafford. Meias-finais da Liga dos Campeões. Artistas como Xavi, Iniesta, Messi, Henry, Etoo, Lampard, Drogba, Ronaldo, Tevez, Rooney, Berbatov, Fabregas, Walcott, Adebayor. Quem foi o único jogador a balançar as redes nesta meia-final? John O'Shea. Tem o que se lhe diga...Que para a semana seja diferente!

Futebol é tudo isto

à(s) 02:18

quarta-feira, 15 de abril de 2009


Quartos de final da Liga dos Campeões. Persistem as oito melhores equipas, das 32 que tiveram um desempenho mais positivo na época passsada. Somam-se demonstrações do futebol de alto nível, aquele que ensina a gostar deste jogo, que converte até os mais cépticos.
Podem ser duelos tácticos, autênticas partidas de xadrez no relvado, como o jogo do Dragão entre Porto e Atlético de Madrid. Podem ser vitórias inquestionáveis, baseadas na intensidade como a do Liverpool frente ao Real Madrid, ou na beleza pura do futebol mais fantástico como a do Barcelona frente ao Bayern. Ou até mesmo empates loucos como o de ontem em Stamford Bridge, entre Chelsea e Liverpool. Com emoção, erros, reviravoltas no marcador, boas jogadas, e golos!

A partida entre estes dois rivais ingleses deveria fazer parte do manancial do verdadeiro futebol, o futebol espectáculo. E ser apresentada áqueles que, com total legitimidade, duvidam, desprezam ou criticam este desporto. Ao mesmo tempo que se devia perceber tudo aquilo que estava em jogo.
Os milhões de euros, o prestígio, a 'simples' vitória num confronto excepcional, a capacidade de alegrar os seus adeptos no que muitos consideravam o duelo da época, a oportunidade de seguir em frente na melhor prova futebolística do planeta, o desafio de tentar derrotar o Barcelona que muitos consideram a melhor equipa do mundo, os duelos individuais: entre os jogadores, entre os mestres de banco, Hiddink e Benitez.

À partida, depois do que se viu na primeira mão, a eliminatória estaria muito perto de estar sentenciada. A vantagem do Chelsea era bastante grande, e a este nível, que prima pelo equilíbrio, existem poucas reviravoltas espectaculares. No mais, o grande capitão e melhor jogador da equipa, Gerrard, falhou o teste físico de última hora, e ficou de fora da partida.
Mas pensar assim era, admito, desprezar o espírito centenário do magnífico Liverpool, o clube mais vitorioso da pátria do futebol, o segundo clube com mais Taças dos Campeões conquistadas, o clube que há poucos anos conseguiu o, desde aí apelidado, 'Milagre de Istambul', quando recuperou de uma desvantagem de 0x3 para derrotar o Milan na final. O clube suportado pelos melhores adeptos do mundo, ao lado da equipa, nas vitórias, nas derrotas, nos períodos melhores e nos menos bons. Alma de vitória, espírito de luta que se respira em Anfield e se estende aos jogadores, principalmente nestes grandes palcos.

O jogo em si não foi brilhante a nível tactico. Bastantes erros individuais e colectivos, alguns por demérito próprio, outros provocados.
O Chelsea manteve a mesma equipa de Anfield, montada num 4x3x3 em que Malouda baixava bastantes vezes ao meio-campo (um pouco à imagem do que faz Rodriguez no Porto), e apenas Ricardo Carvalho surgiu no lugar de Terry. No mais, Ivanovic continuou a ser preferido a Belletti ou Mancienne na lateral direita, e Ballack a Deco ou Mikel no meio-campo.
Na ausência de Gerrard, Benitez desmontou o 'Europeu' 4x2x3x1 e jogou também ele num 4x3x3 onde Lucas, Alonso e Mascherano (e como é diferente o Liverpool com o argentino) preenchiam o meio-campo, e Kuyt e Benayoun não estavam tão juntos à ala, antes surgiam mais próximos de Fernando Torres. Também por isso jogou o israelita em detrimento de Riera.

Incrivelmente, aos 28 minutos o Liverpool vencia já por 2x0 e estava a um golo de ficar em vantagem na eliminatória. Xabi Alonso e Fábio Aurélio souberam aproveitar dois erros de Ivanovic e Cech, e os 'reds' ganharam importantíssimo ascendente mental. Contudo, o Chelsea voltou melhor do balneário e deu a volta ao resultaodo. 3x2 aos 80 minutos, pensar-se-ia que tudo teria terminado. Puro engano, aos 84 o resultado ja era favorável ao Liverpool por 4x3, e a esperança dos seus adeptos era legítima. Enterrada aos 90 minutos pelo segundo golo de Lampard e o gesto de Drogba para os adeptos, dizendo que tudo tinha acabado.

O espectáculo não terminaria sem mais três grandes episódios. Ainda na compensação, enquanto se viam os jogadores do Liverpool a correr como se o cronómetro marcasse uns 30 minutos, Essien retirou, de forma fantástica, com a cabeça, uma bola em cima da linha de golo. O apito do árbitro deu azo a grandes manifestações nas bancadas - centenas de bandeiras do Chelsea ao vento, vozes em coro dos adeptos do Liverpool entoando o 'You'll never walk alone' e um arrepio na espinha que concerteza percorreu todos os amantes do futebol. Mesmo aqueles que torciam pelo Liverpool. Afinal, tínhamos acabado de assistir a um dos grandes confrontos do século. Quando será o próximo?

A outra Champions

à(s) 02:49

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Os quartos de final da melhor competição do mundo do futebol vão a meio. Se ontem meia Europa ficou surpreendida com o resultado e principalmente a exibição alcançada pelo Porto em Manchester, também hoje os resultados tiveram a sua pontinha de surpresa. E sendo os jogos de 3aF pautados por bastante equilíbrio, normal nesta fase mais avançada, os de hoje praticamente definiram dois semi-finalistas.

Villarreal x Arsenal - No El Madrigal defrontaram-se duas equipas que embora assentem os seus princípios em futebol positivo e de ataque, sofrem muito poucos golos. Assim, o empate final a uma bola não é de todo um resultado inesperado e traduz muito bem o que se passou em campo.

De um lado um Villarreal bastante forte em casa, e assente num 4x4x2 com Senna a fazer uma excelente exibição no controlo do meio campo, e um duo muito perigoso na frente - Rossi mais móvel, Llorente mais posicional. Do outro, um Arsenal que adivinho fará um final de época muito forte. Sem Van Persie nem Eduardo e jogando fora de portas, Wenger montou a equipa numa espécie de 4x2x3x1 com Song e Denilson à frente da defesa e Fabregas, Nasri e Walcott nas costas de Adebayor. Pelo facto de não jogar com alas puros, o Villarreal conseguiu sempre equilibrar numericamente no meio-campo e essa será parte da explicação para o encaixe das duas equipas.

A segunda mão decide-se agora em Londres, e a vantagem está do lado do Arsenal, que perante o seu público concerteza vai materializar a passagem às meias-finais. Fase a partir da qual tudo é possível.

Liverpool x Chelsea - Neste confronto de velhos conhecidos, o favoritismo estaria à partida do lado do Liverpool. A equipa de Benitez vem claramente a crescer de forma, está ao fim de alguns anos ainda a discutir o campeonato em Abril, e destruiu completamente Manchester Utd e Real Madrid nas últimas semanas.
A verdade é que Benitez tinha uma ausência de peso, devido a castigo. Era Javier Mascherano, e se a sua importância é relativamente dissipada em Inglaterra, em jogos europeus ganha contornos quase fundamentais. Mesmo não desvalorizando Lucas Leiva, é a sociedade Xabi Alonso-Mascherano que suporta toda a equipa nestes grandes jogos. Pela capacidade de pressionar alto, pela incrível intensidade, pelo respeito que impõe no adversário. Hoje o argentino não pode dar o seu contributo à equipa, e o que se viu foi um Gerrard desinspirado porque na sua cabeça estava o dilema entre equilibrar o meio-campo ou chegar mais perto de Torres (excelente jogo, o melhor do Liverpool).
Quando é assim, o adversário respira melhor.
Mas o Chelsea ganhou, não pela falta de Mascherano, antes por uma grandíssima exibição, num dos campos mais difíceis de jogar. Em desvantagem muito cedo, a equipa nunca se perdeu, e em 4x3x3 com um monstruoso Essien a controlar metros e metros à sua volta, e um rapidíssimo Malouda a sair em transições rápidas, o Chelsea fez um jogo mestre em Anfield. Mérito para Hiddink porque se vislumbra agora que a equipa está mais bem preparada para as exigências do alto nível, ao mesmo tempo que concilia esse factor com bom futebol.

Em Stamford Bridge só uma hecatombe retira a passagem do Chelsea às meias-finais, as quintas nos últimos seis anos. O Liverpool, ao contrário do ADN imposto por Benitez, concerteza persistirá, esta época, até ao fim na luta pelo campeonato. E o espanhol provavelmente vai cair na Champions frente a alguém que sabe tanto ou mais de táctica do que ele.

Barcelona x Bayern - Em Camp Nou enfrentavam-se duas das mais concretizadoras equipas da competição, com 24 golos cada. Se a estatística apontava um jogo com golos e oportunidades para ambos os lados o Barcelona encarregou-se de a desmentir. Assente nos princípios do bom futebol que tão bem tem demonstrado esta época, o Barça fez uma primeira parte de luxo, asfixiando os alemães por completo, através de defesa subida, pressão orientada e combinações, arrancadas e trocas de bola do outro mundo. Foi um autêntico carrossel ofensivo, com Messi, Etoo, Henry, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves a aparecerem constantemente na área de Butt.
Foram 4 golos na primeira parte, podiam ter sido ainda mais, e que permitiram à equipa suportar uma segunda metade em alguma descompressão, controlando o jogo e gerindo já as meias finais (Marquez por exemplo limpou os cartões amarelos).
A verdade é que a impotência que se tinha apontado ao Sporting na eliminatória anterior, pode agora apontar-se ao Bayern de Munique, que ao longo de 90 minutos em Camp Nou conseguiu 5 remates, apenas 1 enquadrado com a baliza. Numa equipa que conta com jogadores como Schweinsteiger, Ribery ou Toni esta estatística dá conta da competência defensiva do Barcelona ao longo de todo o jogo. Ofensivamente os quatro golos falam por si, onde o tridente ofensivo fez o estrago do costume.
A segunda mão em Munique será exclusivamente para cumprir calendário
.

Ainda te ris Alex?

à(s) 01:43

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Rezam as crónicas que Sir Alex Ferguson deu grandes gargalhadas de satisfação quando a sorte quis que o FCP fosse o adversário da sua equipa. Perante o quadro de oponentes, não censuro a preferência dos tubarões por Porto ou Villarreal. Mas uma coisa é preferir, outra é desvalorizar.

Foi isso que me pareceu ter acontecido. O Man Utd apresentou-se inicialmente no seu 4x5x1 habitual quando atinge fases mais avançadas na Europa (embora o faça preferencialmente fora de casa), mas ao contrário do que seria de esperar, apareceu Park no lugar de Giggs. O sul coreano é excelente quando a equipa actua em 4x4x2 com dois avançados e um ala muito ofensivo (normalmente Ronaldo) porque equilibra o conjunto. É diferente quando num 4x5x1, ele, Ronaldo e Rooney seriam as lanças apontadas à baliza adversária.
Ferguson pensou que seria suficiente, enganou-se redondamente. O Man Utd raramente foi perigoso, raramente foi dominador, raramente foi intenso. Houve uma tentativa de reequilibrar a equipa em 4x4x2, mas nas alas apareciam Fletcher e Park. Até por volta dos 60 minutos quando Giggs entrou em campo, secundado, minutos mais tarde, por Tevez. Aí viu-se parte do melhor Man Utd, que ficou guardado na gaveta até muito tarde.

Que importa? Agradeceu o Porto. Antes do jogo referi que era a melhor equipa do Mundo frente à melhor equipa de Portugal. Que os portugueses teriam que ter muita sorte para levar a eliminatória à discussão no Dragão. A verdade é que me enganei, e o que se viu em Old Trafford foi um Porto dominador, personalizado, e bom de bola, que assustou os ingleses e os remeteu a um jogo do qual nunca verdadeiramente conseguiram sair.
A equipa apresentou-se no seu 4x1x3x2 europeu, com Rodriguez numa exibição fantástica e coroada com um golo, a abrir inúmeras vezes na esquerda, jogando em cima de O'Shea o elo mais fraco do adversário. Desdobrando-a no 4x3x3 importante para manter a defesa do United em sentido. Partindo sempre dos 4 médios, com uma linha de 3 - Lucho mais sobre a direita, Meireles no centro e Rodriguez. Atrás desta linha e à frente da defesa, o melhor em campo: Fernando. Grande exibição do jovem brasileiro, a provar o seu enorme crescimento (grande mérito de Jesualdo Ferreira). Bom na cobertura, importante nas dobras, fortíssimo na leitura de jogo. De resto, numa exibição que primou pela qualidade dos movimentos colectivos (e só assim se pode ter sucesso a este nível), Cissokho, o já referido Rodriguez e Lisandro também realizaram exibições de grande destaque.

O 2x1 não era de todo um mau resultado, mas o 2x2, além da óbvia vantagem numérica, é um resultado fantástico. Porque permite ao Porto jogar no Dragão da forma que mais gosta. Dando a iniciativa de jogo ao adversário (que necessita de marcar), para depois atacar preferencialmente em transições ofensivas rápidas, lançando Hulk e Rodriguez sobre os defesas adversários.
Contudo, a eliminatória está longe de estar resolvida. Principalmente se Rio Ferdinand (essencialmente este) e Berbatov puderem dar o seu contributo à equipa do MU, dotando-a de mais classe e equilíbrio. Além de que este jogo deve ter feito soar o sinal de alerta nos ingleses, que se apresentarão em Portugal uns furos acima daquilo que fizeram hoje. Ainda assim, a vantagem está do lado dos portistas e as meias-finais da Champions estão agora muito mais perto. À distância de 90 minutos.

Mourinho cai, Jesualdo sorri

à(s) 04:10

quinta-feira, 12 de março de 2009


Em mais uma eliminatória da Liga dos Campeões que confirma as equipas inglesas como dominadoras no futebol europeu (passaram todas), e no último par de anos, a decadência das italianas (caíram todas), é de dois treinadores portugueses que vamos falar.

Jesualdo Ferreira conquistou uma passagem (para si) inédita, aos quartos de final da prova rainha do futebol. Absolutamente por mérito próprio. Se nas duas últimas épocas (principalmente contra o Schalke) a passagem tinha ficado perto, nesta, o Porto mostrou uma aprendizagem com os erros dos últimos dois anos, que lhe valeram a passagem. Frente a um, ofensivamente, excelente Atlético de Madrid, o Porto foi sempre superior ao longo dos 180 minutos. Mesmo que não tenha traduzido essa superioridade em golos, nunca a passagem esteve comprometida.
Depois, a equipa mostrou duas caras importantes nestas competições. Se na primeira mão, colocou sempre um ritmo alto, intenso e forte no jogo, chegando à baliza inúmeras vezes e desequilibrando não raras vezes o adversário, hoje, soube sempre controlar a partida, com a bola longe da sua baliza, ao mesmo tempo que, perigava a do adversário. Ou seja, uma equipa com 'perfume' em Madrid, cínica no Dragão. Nesta afirmação de qualidade em relação a outras épocas, um nome salta à vista: Cristian Rodriguez. E a capacidade com que dota a equipa, de variar entre o 4x3x3 e o 4x4x2, essencial na Europa.
Para os quartos de final, o Villarreal concerteza não sairá da cabeça dos dragões, como o adversário ideal. O submarino amarelo é claramente o parente pobre dos oito maiores da Europa, versão 2008/2009. Não sendo contudo um adversário fácil, ou não fosse actualmente o 4º classificado da Primeira Divisão Espanhola.

Mais a Norte, em Inglaterra, frente à actual melhor equipa do Mundo, e com um 0x0 trazido da primeira mão, que não daria conforto a nenhuma das equipas, o Inter, naturalmente que caiu. Mas caiu de pé, porque mesmo sendo inferior ao Manchester, conseguiu, em alguns momentos do jogo, por em sentido os ingleses, contando mesmo com duas bolas nos ferros (Ibrahimovic e Adriano).
Há já quem questione a continuidade de Mourinho à frente do Inter, no final da época. De facto Mancini deixou um legado de domínio interno. Pela falta de afirmação europeia do Inter, passou a sua saída e consequente contratação do treinador português. Contudo, há algumas coisas que se devem perceber.
Em primeiro lugar, relembrar que, mesmo não tirando mérito a Mancini, o sucesso do Inter começou a ser construído na sequência do Calciocaos. Com Juventus e Milan arredados da disputa. O panorama imposto a Mourinho é diferente. Chegou, é certo, a uma equipa campeã, mas com os principais adversários (Juventus e Milan) em trajectória ascendente.
E depois, o mais importante. Olhando para o plantel e para a equipa do Inter, facilmente se constata que aquela não é uma equipa à imagem de Mourinho. Desde a falta de pensadores no meio-campo, a toda a ala esquerda, e principalmente no centro da defesa, onde tem existido (por lesões e faltas de confiança), uma rotatividade quase suicida.
Por todas estas razões, não me parece que a continuidade do treinador deva sequer ser posta em causa. Mourinho ao seu estilo, não tem feito muitos amigos em Itália, tem criado inúmeras polémicas, mas a sua competência e o seu bom trabalho, num plantel envelhecido (Toldo, Cordoba, Samuel, Materazzi, Zanetti, Vieira, Figo, Cruz e Crespo acima dos 30 anos) e em termos qualitativos, demasiadamente curto, está à vista.
Em 2009/2010, com o rejuvenescimento anunciado do Milan, e a estabilização da Juventus, três épocas depois do regresso à Série A, o Calcio será provavelmente o mais apaixonante dos últimos anos. Mourinho concerteza estará à altura do desafio, e com os jogadores certos, poderá também atacar a Liga dos Campeões.

Vendavais em Liverpool e Munique

à(s) 02:32

quarta-feira, 11 de março de 2009


No mágico Anfield Road, estiveram hoje duas equipas que contabilizam 14 (!!) Ligas dos Campeões. 5 para o Liverpool, 9 para o Real Madrid. Fosse o peso dos números e este confronto dar-se-ia apenas na final. Sendo nos oitavos de final, seria o Real Madrid o apurado.
Assim não foi. De facto, olhando para as últimas épocas, elevamos (ainda mais) o Liverpool ao estatuto de superpotência europeia e colocamos o Real Madrid num plano inferior, mais de consumo interno. Ou não tivessem os reds, desde 2003/2004 (ano do título do Porto), uma Liga dos Campeões, uma meia final e uma final. Por sua vez, o Real não ultrapassa os oitavos de final da prova, precisamente desde 2003/2004.

Depois da vitória por 1x0 conquistada no Bernabéu, o favoritismo certamente que era do Liverpool. Mas, conhecendo o valor da equipa de Juande Ramos, e a recuperação que tem encetado no campeonato espanhol, nas últimas jornadas, pensar-se-ia que se discutiria intensamente cada minuto da eliminatória. Nada mais errado. Empurrado pelos seus adeptos, tivemos um Liverpool demolidor desde o primeiro minuto, em cada metro quadrado de relva.

Assente no seu 4x2x3x1 europeu, com os intensíssimos Alonso e Mascherano a dominar o meio campo, e Gerrard, Kuyt e Babel atrás de Torres, os reds foram fantásticos. Alta rotação, trocas posicionais, intensidade, técnica, garra, tudo misturado com disciplina táctica. E a sociedade Gerrard e Torres a funcionar na perfeição. Quando Casillas não conseguiu salvar mais a sua equipa com defesas impossíveis, os golos chegaram. Primeiro Torres, depois Gerrard à meia hora, num penalty. Que sendo fantasma, colocou o marcador num 2x0 mais que justo. E a eliminatória nuns definitivos 3x0. O resto do jogo foi a gestão natural, e o aproveitar da superioridade táctica e psicológica.
O Real Madrid nunca conseguiu fazer o seu jogo. Além de o adversário nunca lhe ter permitido pensar o jogo, viveu numa anarquia táctica preocupante, especialmente à frente de Lassana e Gago. Robben, que seria à partida o principal desequilibrador, nunca se encontrou, Sneijder e Higuain idem, e Raul foi sempre um homem demasiado só.

Depois deste jogo algumas certezas. Mesmo que individualmente o Real em nada fique a dever ao Liverpool, os ingleses são muito mais fortes no seu conjunto. E sem dúvidas que nos quartos de final são um dos adversários que qualquer equipa quererá evitar. Ou não tivessem aquele que até hoje tem sido o melhor jogador da Liga dos Campeões: Steven Gerrard. 7 golos (é um médio) e futebol que nunca mais acaba.

Em Munique já aqui o disse, esperava um jogo de baixa rotação. Fiquei absolutamente surpreendido pela vontade, motivação e ambição do Bayern, que mesmo tendo a eliminatória completamente decidida a seu favor desde Alvalade, nunca desistiu de procurar um golo mais. Mentalidade alemã, de louvar.
No Sporting deve fazer-se uma reflexão. Em 5 jogos contra Bayern, Barcelona e Real Madrid (particular), a equipa de Alvalade marcou 6 golos e sofreu 25. No campeonato é a defesa menos batida. Isto deve dizer alguma coisa.
Além da qualidade táctica e individual, que está longe de reflectir a diferença de 11 golos, falta à equipa estofo, mentalidade e capacidade de motivação. Este complexo de inferioridade é muito da responsabilidade do treinador. Mas não só.
Contudo, ao contrário do que ainda se diz a quente, a demissão de Paulo Bento, não é de todo a melhor solução nesta altura. Ou não estivesse o Sporting com uma final para disputar e na luta pelo título de campeão.
A partir deste grande golpe, resta aos sportinguistas esperar que haja uma estrutura capaz de proteger o balneário, um treinador capaz de motivar e focar os pupilos, e uns jogadores merecedores de vestir a camisola do Sporting.

A Champions, jogo a jogo

à(s) 03:05

terça-feira, 10 de março de 2009


Amanhã joga-se a 2ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ainda com a presença de dois clubes portugueses. Parece-me acertado dizer que a partir desta fase se quebra uma espécie de barreira psicológica (que por exemplo duas boas equipas como são Porto e Lyon não têm conseguido ultrapassar), e se começam a definir os maiores candidatos à vitória final. Tendo sempre presente que, nas competições de top, os vencedores decidem-se em pormenores. Vamos à análise dos jogos.

Bayern x Sporting
- Este é de todos os oito jogos, aquele que, futebolisticamente, terá menos interesse à partida. A eliminatória está totalmente decidida e ambos os treinadores farão uma gestão dos plantéis, tendo em vista o resto da época.
Se Paulo Bento e o Sporting pretendem recuperar a boa imagem que tem deixado na prova, o Bayern naturalmente pretende voltar a fazer vincar a sua superioridade. Apesar de tudo, parece-me que será um jogo com poucos (ou mesmo nenhum) golos e jogado em ritmo baixo. As ausências de Toni, Ribery ou Liedson empobrecem um pouco a partida, mas haverá sempre curiosidade em acompanhar os desempenhos de Podolski ou Klose no Bayern e Veloso ou Vukcevic no Sporting.

Porto x Atlético Madrid - O jogo da primeira mão foi de certa forma revelador. Mostrou-nos um Porto europeu de muito bom nível e uns colchoneros abaixo do que seria de esperar. Pelo que se viu há quinze dias atrás e pela vantagem já adquirida na eliminatória, o favoritismo está do lado dos dragões.
Convém no entanto, ter presentes duas ou três coisas. Primeiro, a este nível, e a não ser que aconteçam resultados atípicos como o de Alvalade, não se pode dar nada como garantido. Depois, não esquecer que o Atlético é uma excelente equipa. Que ao contrário do que se tem dito, é bastante mais forte em casa do que fora. Mas, não deve haver dúvidas que mesmo jogando no Porto, esta equipa vai ser mais forte que o da primeira mão (viu-se o seu verdadeiro valor nas últimas partidas, com Barcelona e Real Madrid).
O Porto geneticamente tem mais dificuldades em casa, mas o facto de não necessitar de assumir as despesas do jogo, dará algum conforto a Jesualdo Ferreira pra que possa jogar o jogo do gato e do rato. Golos em perspectiva e curiosidade para seguir Hulk e Lisandro, Aguero e Simão.

Panathinaikos x Villarreal - Na Grécia joga-se o 'parente pobre' desta eliminatória. O Panathinaikos conquistou um bom resultado fora de casa, e perante o seu público costuma ser temível. Contudo, o Villarreal tem mais jogadores capazes de fazer a diferença, muito embora no futebol isso não seja, garantidamente, sinónimo de sucesso. Mais um jogo bem disputado, com bastante equilíbrio e quem sabe, com mais do que 90 minutos para disputar. Será interessante seguir Karagounis e Mantzios, Giuseppe Rossi e Santi Cazorla.

Juventus x Chelsea - Os blues conquistaram um muito bom resultado em casa (1x0) e seguem imparáveis sob o comando de Hiddink - 5 jogos, 5 vitórias. Contudo, o Chelsea não terá uma tarefa fácil em Turim. A Juventus tem sido fortíssima em casa, e do que acontecer na primeira meia hora de jogo, dependerá grande parte da resolução da eliminatória.
É certo que o Chelsea tem jogadores para marcar em Itália, mas os comandados de Claudio Ranieri são um conjunto muito disciplinado, tipicamente italiano. Prevejo um grande equilíbrio, e mesmo que uma vantagem importante esteja do lado do Chelsea, não consigo adiantar um vencedor. Trezeguet e Del Piero, Drogba e Lampard serão os homens da bola. Muito embora seja de registar o provável regresso de Essien.

Liverpool x Real Madrid - O Liverpool de Benitez é uma equipa talhada para a Europa. No início da época pensou-se que tal facto pudesse ser diferente, mas o tempo e o Manchester Utd encarregarem-se de por as coisas no seu devido lugar. Os reds conquistaram uma importantíssima vitória em Madrid, mas a eliminatória está longe de estar resolvida.
O Real Madrid, contando com jogadores como Marcelo, Sneijder, Robben ou Higuain é uma equipa fortíssima no contra ataque, e mesmo jogando no Inferno de Anfield frente ao esquadrão de Gerrard, não tem a eliminatória perdida. Um jogo previsivelmente fechado, e tal como disse Cannavarro, a ser decidido em detalhes. A vantagem está do lado do Liverpool, mas tenho curiosidade em saber quem será mais decisivo: se Gerrard e Torres, se Robben e Raul.

Manchester Utd x Inter - Os oitavos de final da prova trouxeram-nos confrontos muito interessantes. Mas este, talvez seja o maior de todos. Olhando para o resultado da primeira mão, talvez haja tendência a desmentir estas palavras, mas o score é enganador. O Manchester comprovou porque é para mim a melhor equipa do Mundo, e a resposta do Inter não foi tão débil como se pode fazer crer.
A equipa de Mourinho, tendo em conta as suas características, conseguiu um resultado positivo e vai defender o resultado a Manchester, tentando aproveitar um contra ataque ou uma bola parada. Será muito difícil para o United se sofrer um golo, muito embora a equipa seja fortíssima ofensivamente. Um jogo muito emotivo em perspectiva, e muito embora dê o favoritismo aos homens de Alex Ferguson por de facto formarem um melhor conjunto, é preciso não esquecer que José Mourinho é mestre nestes jogos. Ronaldo e Berbatov, Ibrahimovic e Cambiasso, confronto de grandes jogadores.

Roma x Arsenal - Em Londres, um penalty de Van Persie decidiu um jogo onde o Arsenal foi claramente superior. A equipa de Wenger não perde para qualquer competição desde a derrota no Dragão, e mesmo com uma razia ofensiva (que tem obrigado Wenger a fazer alinhar Bendtner em alguns jogos) tem mantido uma consistência defensiva excelente. Acredito que se passar em Roma, com os regressos à equipa de Adebayor, Eduardo, Walcott e Fabregas, o Arsenal está no top 3 dos candidatos ao troféu.
Pra isso, como disse, é preciso passar a Roma. O Arsenal conquistou o mesmo resultado que o Chelsea (1x0), tendo como adversários duas equipas italianas. A juventude da equipa torna esta premissa um pouco mais imprevisível, mas parece-me que não passará tantas dificuldades como os blues. A Roma de Spalletti tem estado nesta época uns furos abaixo do que nos habituou, e nunca se conseguiu refazer completamente da saída de Mancini (que curiosamente nem joga no Inter) e consequente ajuste de modelo. Acredito que este jogo vá primar pelo equilíbrio, e que as grandes decisões passem pelos pés de Totti e Julio Batista, Nasri e Van Persie.

Barcelona x Lyon - O Barcelona está a tirar um pouco o pé do acelerador e no Stade de Gerland o Lyon até foi melhor, mas o resultado final foi de 1x1. Tal como referi na introdução do post, o melhor Lyon tem a barreira psicológica dos oitavos de final da Liga dos Campeões, e não me parece que esta época a vá ultrapassar. Desta vez mais por impotência, porque mesmo que este não seja claramente um Lyon ao nível das últimas épocas, tem pela frente um gigante Barcelona que em Camp Nou, concerteza fará valer o seu favoritismo.
Contudo, este deve ser um jogo aberto, interessante e com golos. Ou não estivessem em campo, por exemplo, Messi e Xavi, Juninho e Benzema.

Lisandro e Ribery - classe à flor da relva

à(s) 03:59

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Olhamos para estes dois nomes. E pensamos no que têm em comum. Facilmente chegamos a duas semelhanças, óbvias: têm ambos 25 anos, são ambos grandíssimos jogadores. E depois pensamos nos oitavos de final da Champions.

Começo por Lisandro. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que é para mim o melhor avançado do futebol português. Inteligente na procura dos espaços, facilidade espantosa em rematar com os dois pés. Bom jogo de cabeça, capacidade técnica e uma grande sede de bola, nunca dando um lance por perdido. Além disso, uma leitura de jogo acima da média.
Parte das suas qualidades viram-se no jogo contra o Atlético, para a Liga dos Campeões. Onde os grandes jogadores, que estão longe dos maiores palcos, ganham super-motivação. O primeiro golo é uma demonstração da capacidade de remate fácil com o pé esquerdo. No segundo, a sua leitura de jogo deixou Antonio Lopez a perguntar-se de onde tinha surgido. E Licha ajuda o Porto a empatar um jogo, onde fez mais do que o suficiente para vencer.
É certo que ao mais alto nível, tanto desperdício é perigoso. Mas o Atlético de Madrid é, indiscutivelmente, mais forte em casa. E no Porto, vai ter que procurar o resultado, dando espaço para os dragões jogarem da forma que mais gostam.
Voltando a Lisandro, de certa forma percebo o seu menor rendimento na Liga Portuguesa. Chegou a Portugal com muitos golos na bagagem. Nas duas primeiras épocas no Porto, foi encostado a uma linha. O ano passado, no centro, mostrou a sua melhor faceta. Neste, tem de dividir o seu habitat natural com o prodígio Hulk. Umas vezes no centro, outras na direita. Pretensas questões contratuais e um aproximar de fim de ciclo podem explicar o resto. De resto, Licha é isto. O típico (bom) jogador argentino. Sangue na guelra e muito futebol nos pés.

Hoje em Alvalade, nada ficou igual depois da passagem do scarface. Encostado a um flanco, onde cabem no futebol moderno os jogadores mais técnicos e capazes de decidir jogos, fez quase o que quis da equipa do Sporting. Quase sempre em movimentos interiores, percorreu sabiamente o espaço entre Abel e Tonel, ou entre Rochemback e os centrais. Sem nunca precisar de forçar o ritmo em demasia.
Ribery joga em média-rotação. Protesta com o colega, desistindo da jogada, se este não lhe endossa a bola como pretende. Mas defensivamente não desequilibra a equipa. E apesar de laivos de personalidade geniosa, entende o jogo como colectivo. Muito forte no passe, aparece nas imediações da área adversária em progressão, ou quase sem darmos por ele.
Curiosamente o seu percurso futebolístico nunca foi estável ou fortemente sustentado, até chegar ao Marselha. Depois, das grandes exibições no Velodrome ao colosso de Munique foi um passo. E hoje, vendo-o jogar, quase que parece deslizar na relva. Tal como o actual Lisandro, principalmente na Liga dos Campeões.
Contra o Sporting ajudou a mostrar a Paulo Bento, que mudar /adaptar a equipa em função do adversário nunca deixa de ser perigoso. E o Bayern (depois de Real Madrid e Barcelona) demonstra que o Sporting ainda precisa de crescer bastante, deixando de lado algum complexo de inferioridade, para se bater com os gigantes. Além de dois ou três jogadores com grande experiência internacional. Porque nesta fase, a Academia não chega.

Sobre a primeira mão dos oitavos de final da LC, salientar a grande exibição do Manchester em Milão, apesar de Mourinho ir certamente a Old Trafford criar muitos problemas. Continuando o duelo entre Ingleses e Italianos, Chelsea e Arsenal levaram de vencida Juventus e Roma por 1x0, embora me pareça que o Chelsea vá ter mais dificuldades para passar do que o Arsenal (principalmente se Wenger puder contar com Adebayor, Walcott e Fabregas na 2a mão).
Villarreal e Panathinaikos discutem na Grécia, qual dos dois será o intruso entre as 8 equipas mais fortes da Europa. Ainda que Benitez tenha conseguido uma grande vitória frente ao Real Madrid, a eliminatória não está ganha, e em Anfield o jogo será muitíssimo disputado. O resto foi este fantástico golo do melhor batedor de livres do mundo, e um Barcelona que em Camp Nou garantirá a passagem á próxima fase frente a um Lyon que, sendo uma boa equipa, não está ao nível de outras épocas.

Uma final antecipada

à(s) 16:57

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


É hoje. Quando as bolas do sorteio da Liga dos Campeões designaram em sorte o confronto entre Inter e Manchester Utd, o mundo do futebol entrou numa contagem decrescente para este dia. O dia em que se confrontam, primeiramente no Giuseppe Meazza, os dois melhores treinadores das suas gerações, juntando mais um capítulo a um 'duelo' onde Mourinho tem levado a melhor. No campo, defrontam-se Ronaldo e Ibrahimovic, que juntamente com Messi, Gerrard e Ronaldinho formam o quinteto de luxo dos que mais gosto de ver jogar.

Digam o que disserem esta é uma final antecipada. O Barcelona ficou desta vez de fora, porque em campo só cabem duas equipas. O futebol é pródigo em surpresas, mas não estarei longe da verdade se disser que o vencedor deste duelo tem grandes probabilidades de jogar com os culés, se não antes, na final. E só lamento que um destes gigantes tenha de ficar de fora tão cedo.
Provavelmente dir-me-ão que o Inter não pratica um futebol espectacular, nem sequer fez uma boa fase de grupos. É de facto verdade. Mas não tenho qualquer dúvida que a equipa de Mourinho se agiganta neste tipo de confrontos. Onde o seu cariz motivacional é de forma mestra, canalizado pelo treinador português. E depois não esquecer duas coisas: a primeira, o meio-campo do Inter, constituído por Zanetti, Cambiasso, Muntari e Stankovic, tendencialmente controlador, algo muito importante nestas competições. E depois, é indesmentível quando se afirma que as equipas de Mourinho estão sempre um passo mais perto da vitória que o adversário.
Mas do outro lado está o Manchester Utd. Esta época tem-se falado muito, e bem, no Barcelona. No entanto, continuo a considerar os reds, a melhor equipa da actualidade. Por duas razões: consegue estar praticamente ao nível do Barcelona em espectacularidade, consegue estar praticamente ao nível do Inter em termos de controlo do jogo. É uma equipa que consegue apresentar duas faces distintas, sem nunca perder a sua matriz. Completíssimos a todos os níveis. Hoje veremos um Manchester mais contido, não sei se com Giggs até no lugar habitual de Berbatov. Em Old Trafford veremos uma equipa avassaladora. Este é o seu equilíbrio quase perfeito.

Também por isso, dou ligeira vantagem à equipa de Alex Ferguson. Mas hoje não há Vidic. E Evans está debilitado fisicamente. Deve aparecer O'Shea ao lado de Ferdinand. O que frente a Ibrahimovic e Adriano pode ser complicado. De uma coisa não existem dúvidas: será um grande, grande jogo. Mesmo que em repetição, divirtam-se!

Sorteio UEFA

à(s) 00:07

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


Motivos pessoais impediram-me de expressar uma análise sobre o sorteio das competições europeias, no que concerne especialmente às equipas portuguesas.

Começando pela Champions, penso que o Sporting não foi feliz no sorteio. Aliás, se quisermos falar em sorte, a única que o Sporting teve foi ter evitado o Man Utd. Ainda assim e falando em patamares, colocaria os alemães no primeiro juntamente com a equipa de CR7, Juventus e Liverpool no segundo e Roma e Panathinaikos num terceiro.
A equipa de Jurgen Klinsmann, depois de uma passagem pela Taça UEFA (onde na época passada atingiu as meias-finais), parece estar a regressar ao seu melhor nível. Para documentar esse facto, constatamos que num grupo que contava com Lyon e Fiorentina, o Bayern classificou-se em primeiro lugar, invencível, apenas com dois empates.
Com o pouco consensual Rensing na baliza (Butt é o seu suplente), Lahm à esquerda e Oddo à direita ocupam habitualmente as laterais, enquanto a dupla de centrais é sul-americana: Lúcio e Demichelis. À espreita para a zona central surge o belga Van Buyten. Na zona central do meio campo, Van Bommel tem sido praticamente indiscutível como homem mais recuado, tampão para as investidas contrárias. A seu lado, com mais liberdade para se soltar em tarefas mais ofensivas, Zé Roberto ou Tim Borowski, homens que possuem muita qualidade no remate. Nas alas, usando e abusando de movimentos interiores, Ribery à esquerda (a principal estrela da equipa) e Schweinsteiger à direita (perigosíssimo nas bolas paradas). Na frente são os fortes e perigosíssimos Toni e Klose as setas apontadas às balizas contrárias. Podolski continua a esperar por uma oportunidade.
No campeonato, o Bayern segue em primeiro lugar em igualdade pontual com o surpreendentemente Hoffenheim. Osso muito duro de roer para o Sporting, que precisará ser a equipa muito certinha e eficaz que tem sido na maior parte da Champions, e ganhar algum estofo que não demonstrou contra o Barcelona, para acalentar esperança de seguir em frente.

O Porto fará uma deslocação bem mais curta até Madrid. Para defrontar o Atlético. Aqui, se quisermos continuar a falar em sorte, chegamos à conclusão que o Porto evitou os teoricamente mais fortes Real Madrid, Inter e Chelsea e os teoricamente mais fracos Villarreal. Lyon e Atlético de Madrid seriam dos possíveis adversários, aqueles que mais se equivalem ao Porto, e surgindo o Atlético como adversário, penso que se tratará de uma partida muito equilibrada, e previsivelmente com muitos golos.
O Atlético qualificou-se em segundo lugar do seu grupo, apenas atrás do Liverpool, numa disputa muitíssimo equilibrada pelo segundo lugar. Terminou a primeira fase também sem derrotas, num grupo que, para além dos ingleses, contava com Marselha e PSV, boas equipas europeias, e habituais na Liga dos Campeões. No equilibradíssimo (por cima) campeonato espanhol, os colchoneros estão actualmente em 3º lugar a um ponto do Sevilla, e à frente de Real Madrid, Valência e Villarreal. Longe, em primeiro lugar, seguem os incríveis de Barcelona.
A equipa de Simão Sabrosa, joga num esquema muitíssimo semelhante ao Bayern, adversário do Sporting. Na baliza Coupet e Léo Franco vêm discutindo uma vaga entre os postes. São dois bons guarda-redes, embora o francês estando em forma, seja melhor jogador. Para formar o quarteto defensivo Javier Aguirre tem tido algumas dúvidas o que é natural, até porque domesticamente a equipa sofreu 23 golos em 16 jogos. Antonio Lopez, Perea, Pernia e Seitaridis formavam a defesa mais utilizada na época passada, mas as chegadas de Ujfalusi e Heitinga trouxeram um acréscimo de qualidade, para já ainda insuficiente. À frente da defesa, mais posicional o ex-Porto Paulo Assunção (que certamente não terá uma recepção muito favorável no Dragão), e ainda no centro, embora ligeiramente mais adiantado, surja Maniche (que ganhou o lugar a Raul Garcia). Nas alas, à direita o argentino e muito influente Maxi Rodriguez, e à esquerda Simão Sabrosa, que continua letal nas bolas paradas. Luis Garcia é um suplente de luxo. Como dupla avançada, os muito móveis Forlán e a super-estrela Kun Aguero. Estes dois homens são sinónimos de muitos golos (Pongolle, jogador também muito perigoso, é suplente da dupla). Este Atlético de Madrid é actualmente permeável defensivamente, mas tal facto também se deve ao grande ímpeto ofensivo que coloca no seu jogo. Numa eliminatória que prevejo muito equilibrada, o Porto terá de se preocupar em trazer um bom resultado do Vicente Calderon, onde sofrerá uma grande pressão, para tentar resolver a eliminatória na Invicta.

Pela Taça Uefa, o adversário do Braga, serão os belgas do Standard Liége, orientados por Laszlo Boloni. A equipa belga passou por uma travessia no deserto nos últimos anos, arredada dos títulos, mas o ex-jogador do Benfica Michel Preud'Homme devolveu alguma da glória passada ao clube, dando-lhe um título e operando uma verdadeira revolução na forma de trabalhar, apostando fortemente nas camadas jovens. Fellaini foi o primeiro a dar o salto, Defour e Witsel podem seguir-lhes os passos. Todos provenientes da academia dos belgas, e previsivelmente movimentando valores muito elevados. Na Liga Belga o Standard tem feito uma carreira algo abaixo das expectativas, ocupando actualmente o segundo posto atrás do Anderlecht. Pelo contrário, na Taça UEFA, foi primeiro colocado do grupo mais forte da fase inicial, apurando-se juntamente com Estugarda e Sampdoria, e deixando de fora os espanhóis do Sevilha.
Boloni esquematizou a equipa em 4x3x3, com Aragon na baliza, a (ex) promessa americana Onyewu a acompanhar Sarr no centro, enquanto os brasileiros Comozatto e Dante Bonfim (este já falado como estando na órbita do Benfica), ocupam as laterais direita e esquerda respectivamente. No meio campo o experientíssimo Wilfried Dalmat (um poço de técnica), acompanha as super promessas belgas Witsel e Defour. O trio ofensivo é constituído por De Camargo e Mbokani nas alas, a apoiar a principal estrela da equipa, e talvez o melhor jogador do campeonato belga, Milan Jovanic.
Prevejo igualmente uma eliminatória muito equilibrada, com o Braga a sentir algumas dificuldades. No entanto, o Braga tem provado ao longo da época que adquiriu já um importante estofo europeu, aliando boas exibições a bons resultados. No entanto, convém também não esquecer que o Standard Liége disputou a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, obrigando o Liverpool, a disputar um prolongamento. Além de tudo, duelo táctico interessante entre Jesus e Boloni.

Liga dos Campeões

à(s) 21:59

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A frase quem ri por último ri melhor, tem circulado nos últimos minutos de forma assídua na Internet. Refere-se à vitória do Porto frente ao Arsenal e consequente conquista do primeiro lugar do grupo. Apesar de os ingleses terem vindo ao Porto num ritmo descontraído e sem algumas figuras. Assim, o Porto não desejará encontrar Inter, Chelsea e Real Madrid. Lyon, Villarreal e Atlético de Madrid serão adversários de menos nome, mas nem por isso a tarefa do Porto, seja qual for o adversário dos oitavos, se afigura fácil.
O Sporting venceu ontem em Basileia, alcançado, tal como o Porto, uns óptimos e muito valorosos 12 pontos. O seu segundo lugar faz com que haja a possibilidade de defrontar o Panathinaikos nos oitavos de final, equipa grega que actualmente é a mais desejada pelos segundos classificados. Em contrapartida, Manchester Utd, Roma, Liverpool, Juventus e Bayern de Munique são adversários de muito maior peso.
De resto, os oitavos de final em Fevereiro, perspectivam já muitas possibilidades de confrontos interessantes.

Pouco Leão

à(s) 16:32

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Se ontem aqui elogiei o Porto europeu, o mesmo não posso fazer em relação ao Sporting. É óbvio que o Barcelona não é o Fenerbahce, mas o Sporting em nenhum momento do jogo, apresentou o mesmo "estofo" e a mesma disciplina táctica do Porto, tão importante em jogos europeus.
Aliado a tudo isto, o que se pode ver ontem em Alvalade, foi um manifesto complexo de inferioridade por parte da equipa do Sporting, com falta de querer e vontade. O Sporting podia e devia ter demonstrado mais ambição de levar de vencido o Barcelona, e ficar em posição para poder garantido o primeiro lugar do grupo. Mesmo que o favoritismo como é óbvio estivesse do lado do Barcelona. Note-se que falo principalmente da primeira parte, que foi quando os leões perderam o jogo.

É certo que a Paulo Bento faltavam jogadores importantes. Mas a equipa podia e devia ter feito mais. Foi sempre demasiado permissiva na defesa e meio-campo. E nunca se deu bem com o futebol rendilhado de posse de bola massiva do Barcelona. Aliás, esta equipa do Sporting está demasiado formatada para ter a bola no pé. Para os oitavos de final (para os quais se qualificou com muito mérito), Paulo Bento terá a necessidade de rever alguns dos seus princípios de jogo, sob pena de ter os mesmos dissabores.



Porto europeu

à(s) 04:17

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Muito interessante e animador para os seus adeptos, o Porto de ontem à noite. Num palco tradicionalmente difícil para qualquer equipa que o visite, e perante um adversário que necessitava da vitória a todo o custo, o que se viu ontem à noite na Turquia, foi um Porto bastante forte.
Um Porto que durante todo o jogo, assentou num 4x4x2, preenchendo bem o meio campo, sempre com Rodriguez a permitir que o sistema fosse de certa forma híbrido, quando (não muitas vezes) abria na faixa esquerda em processo ofensivo, transformando o 4x4x2 numa espécie de 4x3x3.

No entanto é da experiência europeia em 4x4x2 que importa falar. Uma experiência que foi de sucesso. E algo que faltou na época passada ao Porto, para se afirmar mais consistentemente na Liga dos Campeões. Obviamente que a ausência de Lucho tirou alguma qualidade e inteligência aos movimentos da equipa, mas mesmo sem o argentino, a equipa do Porto demonstrou sempre que sabia muito bem o que estava a fazer em campo. Ocupando sempre muito bem os espaços, adiantando bem as linhas para pressionar alto o meio campo e contrário, e muito importante, saindo bem para o ataque. Neste jogo também, Rodriguez pode confirmar a Jesualdo Ferreira, que é mais sobre o meio-campo que rende mais. E Tomás Costa (principalmente) e Guarín, dão ao treinador do Porto, opções que na época passada não tinha. Uma palavra para Fernando que, mesmo sem atingir ainda o nível de Assunção, tem crescido bastante, e fez mais um excelente jogo.

Obviamente que o Fenerbahce é uma equipa bastante diferente da que na época passada, quase eliminou o Chelsea da Liga dos Campeões. Aragonés não soube aproveitar o excelente trabalho de Zico, antes pelo contrário, desperdiçou-o por completo. Este jogo demonstra que a grande parte dos jogadores não estão com ele. No entanto, nada disso retira brilho à vitória do Porto, onde Lisandro voltou a ser o atacante mortífero da época passada. Resta um jogo, no Dragão com o Arsenal. Vencendo, o Porto alcança o primeiro lugar e evita os principais tubarões. Será mais um teste à dimensão europeia do clube. O último antes das eliminatórias, onde tudo se decide.