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O Paços de Paulo Sérgio

à(s) 02:41

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Quando o sorteio das meias-finais da Taça de Portugal ditou os confrontos entre Porto e Estrela da Amadora, e entre Nacional e Paços de Ferreira, o mundo do futebol pensou que, com maior ou menor dificuldade, os finalistas estariam à partida encontrados. Seriam FC Porto e Nacional da Madeira os intervenientes desta época no espectáculo do Jamor (e sim, apoio e apoiarei o Estádio Nacional como melhor local para se realizar a Final, ontem, hoje, provavelmente amanhã).
O futebol é uma caixinha de surpresas e o potencialmente melhor preparado Nacional foi surpreendido em plena Choupana por um Paços de Ferreira que pela primeira vez ao longo da actual época respira no campeonato com alguma tranquilidade.

A equipa sofreu de dores de crescimento ao longo de quase toda a época. Afinal, sofreu uma transição de treinadores com métodos e formas de pensar bastante diferentes. Saiu José Mota, homem da casa, e com obra feita no clube, chegou o promissor Paulo Sérgio, ex-jogador do Paços e ex-treinador do Beira-Mar.
De facto foram inúmeras as críticas ao jovem técnico. O Paços perdeu por 6 vezes nas primeiras 7 jornadas, provavelmente por alterar em demasia a forma de jogar, de partida para partida, mais em função do adversário, e das exigências que cada jogo previsivelmente traria. De facto, é difícil compreender e vai contra todas as 'regras' do futebol promover tanta rotatividade entre sistemas, que era o que acontecia no Paços, algures entre o 3x5x2, o 4x3x3 e o 4x2x3x1.
Actualmente, Paulo Sérgio já não o faz. Tem um sistema base - o 4x3x3 e promove algumas nuances de acordo com o adversário, ora interiorizando mais os extremos, ora jogando em duplo pivot defensivo, ora utilizando uma frente de ataque mais móvel. A base, contudo, mantém-se. E o facto de os melhores resultados aparecerem na fase terminal da época, quando os jogadores melhor assimilaram este conceito, não será de estranhar. Mérito também do treinador, jovem português com qualidade e margem de progressão. E muito importante, privilegia as boas ideias, o futebol positivo.

Nas quatro linhas, é na defesa que mora o ser o sector mais frágil da equipa. Na baliza, a herança deixada por Peçanha era enorme. Cássio é um bom guarda-redes, mas capaz do melhor e por vezes do pior, deixando a equipa algo insegura. À sua frente, Ricardo, central de raiz, ocupa mais frequentemente o flanco direito da defesa, desde que Ferreira subiu para o meio-campo. À esquerda, Jorginho chegado no Inverno, dá muita qualidade à equipa, forte a defender, forte a atacar. No centro da defesa Danielson e Kelly fazem uma dupla razoável, algo normal, porque o brasileiro chegou apenas em Janeiro e o francês é lateral esquerdo de origem.
É no meio-campo que reside a maior riqueza de opções no Paços. Paulo Sousa, Pedrinha, Dedé, Filipe Anunciação e o referido Ferreira conferem segurança defensiva, apesar de Pedrinha ser de todos o mais dotado tecnicamente, o mais criterioso na posse de bola. Depois, Rui Miguel e Cristiano, um português e um brasileiro, as duas mais valias da equipa, os jogadores mais capazes de desequilibrar o adversário. Jogando mais sobre a ala, ou mais puxados ao centro, a equipa ganha criatividade e qualidade com estes elementos.
Na frente, na ausência do goleador William, André Pinto, Carlos Carneiro ou Edson dotam o Paços de soluções importantes.

É com este plantel que o Paços afastou Naval, Vizela, Arouca e Rebordosa. E que vai permitir a Paulo Sérgio coroar com uma final a sua época de estreia num clube primodivisionário. Ao mesmo tempo que se trata de um grande prémio para uma equipa modesta, cumpridora e séria.
No Jamor o favoritismo está todo do lado do Porto. Os castores chegarão a esse palco conscientes desse facto, mas sabendo que o futebol é uma caixinha de surpresas e que num dia bom, conjugado com uma tarde menos feliz dos dragões, a equipa tem hipóteses de conquistar o troféu. E mesmo que não aconteça, as competições europeias, em 2009/2010 já colocarão os pacenses no mapa do futebol europeu. Quem diria?

Fuga à despromção

à(s) 03:11

terça-feira, 17 de março de 2009


Estamos a 8 jornadas do fim. Entrados já no último terço do campeonato, a prova fracciona-se por objectivos. O título, as competições europeias, a melhor posição possível, a manutenção. Por este último, concorrem actualmente 6 equipas.

Olhando para a posição na tabela classificativa, para o percurso da época, e para a qualidade dos intérpretes e do seu jogo, estabeleço a Académica como equipa transicional, entre os já 'tranquilos' e os 'aflitos'. Naval, Paços de Ferreira, Vitória de Setúbal, Trofense, Belenenses e Rio Ave serão portanto as equipas que provavelmente permanecerão em constante sobressalto até ao final do campeonato, ou perto disso.

Em relação ao crescimento enquanto equipas e à sua evolução, daqui até ao final não haverá mudanças, embora esta paragem funcione como uma espécie de última afinação. Cada jogo é uma autêntica final e a preparação na semana anterior não tem já uma visão panorâmica, mas é centrada apenas no adversário. A pressão, o condicionamento mental, a mentalidade sofredora vão sobrepor-se à lucidez táctica e de ideias.
Nesse sentido, mesmo com mais qualidade individual, Belenenses e Vitória de Setúbal terão mais dificuldades. São equipas que inicialmente foram formatadas para andar pela parte superior da tabela. Jaime Pacheco e Carlos Cardoso são dois técnicos capazes de dar essa capacidade de sofrimento, mas têm o handicap de não terem chegado no início da época. Naval, Paços, Rio Ave e Trofense, pelo contrário, são equipas preparadas desde o início da época para sofrer.

Os da Figueira da Foz, relativamente bem orientados por Ulisses Morais, têm um plantel formado por jogadores com pouca expressão na Primeira Liga. Oriundos do mercado brasileiro, e das divisões secundárias de França e Portugal. Ainda assim, esquematizados em 4x3x3 praticam um futebol interessante, muito embora tenham debilidades importantes para este nível. A força da equipa está na dupla de centrais, os brasileiros Paulão e Diego Ângelo, enquanto Hauw e Marinho dão um toque de classe.
O Paços de Ferreira é um caso de persistência na principal divisão. Exceptuando duas boas épocas com José Mota, os castores têm dificuldades habituais, em virtude do seu baixo e cumpridor orçamento. Paulo Sérgio faz a sua estreia no principal campeonato, e embora me pareça ter boas ideias, há uma falha na consolidação dos processos de jogo - a equipa já variou entre o 3x5x2, o 4x3x3 e o 4x2x3x1. Tal facto também se reflecte nos golos sofridos, e mesmo que tenha em Cristiano e Rui Miguel jogadores claramente acima da média, a equipa tem passado por dificuldades.
O Trofense não é diferente. A equipa conseguiu esta época a primeira aparição no escalão principal, devido à excelente Liga de Honra que realizou na época passada. O plantel aparentava ser equilibrado e interessante, mas a saída prematura do treinador, e dois ou três casos de indisciplina (Zé Carlos e Nascimento seriam jogadores importantes) colocaram a equipa em dificuldades. Apesar de tudo Tulipa tem demonstrado ser um excelente treinador, e jogam na Trofa bons executantes, tal como Tiago Pinto, Hugo Leal e Charles Chad. Ainda assim, a falta de experiência pode ser um handicap importante.

Falta de experiência é algo que o Vitória de Setúbal não se pode queixar. Depois da óptima época passada, de reforços de qualidade tais como Mateus, Leandro Lima ou Bruno Gama, orientados pela revelação Daúto Faquirá (entretanto 'engulido' pelos problemas), os sadinos têm sofrido bastante. Falta de compromisso da cidade com o clube, graves problemas directivos e alguma falta de espírito grupo levaram o clube a este estado de coisas, que o bombeiro de serviço Carlos Cardoso tem tentado resolver. Tem ultimamente esquematizado a equipa num 4x3x3 com grande mobilidade dos três da frente, e as últimas duas vitórias terão constituído um balão de oxigénio importantíssimo, quiçá decisivo.
Em termos de experiência de Liga principal, o Belenenses não fica muito atrás do vitória. Mas, depois de uma boa performance na época passada, aos comandos de Jorge Jesus, os azuis do Restelo fizeram uma nova planificação para este campeonato absolutamente desastrada. Com a nova direcção e o treinador Casemiro Mior como grandes responsáveis. O Belenenses está hoje a pagar a completa descaracterização do plantel e nem a chegada de bons jogadores em Dezembro tem estabilizado a equipa. Jaime Pacheco, tendo em vista a conjectura, pareceu-me uma boa escolha, embora a falta de identidade em relação a um onze base, o tenha vindo a prejudicar. Contudo, com jogadores como Silas, Ávalos, Zé Pedro ou Vinicius, o Belenenses tem que fazer mais.
O Rio Ave, que acompanhou o Trofense na subida de divisão, não tem a qualidade do Belenenses. Sofrendo também da mudança de treinador, os vila-condenses têm bons executantes nas alas e na defesa, mas faltam homens no meio campo além de um bom avançado. O plantel é também ele fundamentalmente oriundo de divisões secundárias. Apesar de tudo, as chegadas de Coentrão, Candeias e Yazalde dão ao Rio Ave armas que não tinha, para poder lutar até ao fim pela manutenção.

6 equipas, um traço comum. Mais do que alcançar um objectivo, já só se pretende fugir. À descida. As palestras surgem mais vezes. O receio como estado de espírito, a luta em lugar da técnica, uma época em 90 minutos.