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Vitória do futebol?

à(s) 02:27

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Tinha-o aqui escrito, a primeira mão das meias finais, tinha deixado bastante a desejar. Também no jogo de Manchester, mas principalmente no de Barcelona. A estirpe desta competição, a qualidade das equipas, dos seus jogadores, dos seus técnicos fazia-nos esperar muito mais. Não foi bem assim, mas apesar de tudo viu-se muito mais futebol e emoção do que há uma semana atrás.

Arsenal x Manchester Utd - Em Londres esperava ao Arsenal uma tarefa hercúlea, mas não impossível. Apesar de tudo, defrontar o Manchester Utd, que além de fortíssimo a defender tem jogadores perigosíssimos para jogar em contra-ataque, com uma desvantagem de 0x1 era difícil. As ausências de Gallas, Clichy ou Arshavin não ajudavam.
No entanto, alertei há uns tempos atrás para o facto de o Arsenal ir crescer bastante como equipa no último terço da temporada, alicerçado no regresso pós-lesão de muitas das suas grandes figuras. A verdade é que esta jovem equipa ainda não foi suficiente para o Manchester, e o que se viu ao longo de 180min foi ainda uma grande diferença de qualidade. Além de processos de jogo, de opções ou não estivessem no banco do Arsenal Fabianski, Silvestre, Eboué, Denilson, Diaby, Vela e Bendtner ao passo que no do Manchester, ao lado de Alex Ferguson se sentavam Kuszsack, Evans, Rafael, Scholes, Giggs, Tevez e Berbatov.
No mais, foi um Arsenal diferente da primeira mão. A entrada de Van Persie para o lugar de Diaby permitiu à equipa jogar no esquema que mais gosta, o 4x4x2 clássico, com Van Persie a baixar muitas vezes entre linhas, para as costas de Adebayor. Ferguson tambem alterou, para um 4x3x3 com Rooney e Park nas alas, Ronaldo na frente e Anderson, Fletcher e Carrick no meio-campo.
A estória do jogo quase se resume ao impacto do primeiro golo no jogo, à extraordinária partida de Ronaldo, à superioridade do trio de meio campo do United sobre Fabregas e Song, à fantástica competência defensiva de Ferdinand e Vidic e à constação de que o MU é de facto uma equipa especial e que o Arsenal ainda precisa de crescer para se bater a este nível. Ronaldo foi o melhor em campo, ao passo que do lado do Arsenal apenas Van Persie mostrou argumentos para incomodar o Manchester.

Chelsea x Barcelona - Stamford Bridge completamente cheio, muita gente com o 4x4 com o Liverpool na mente, pensando que o jogo de Barcelona tinha sido uma espécie de equívoco. A verdade é que o 11 inicial de ambas as equipas, fazia antever que se assistiria a um jogo melhor, mais aberto, sem complexos de inferioridade. O Chelsea porque preferiu Anelka a Obi Mikel, o Barça porque estava desfalcado de Marquez, Puyol e Henry (que são factos que convém não esquecer).
Teorizando, poder-se-ia antever que o primeiro golo traria indícios muito precisos sobre o apurado. Porque o Chelsea se marcasse primeiro poderia baixar as linhas e jogar como preferia frente a este Barça, porque o Barcelona se marcasse primeiro poderia aproveitar como tão bem sabe o espaço que o Chelsea seria obrigado a dar. Marcou o Chelsea, colocando-se em vantagem na eliminatória. As linhas dos blues baixaram muitos metros, quase sempre com 10 jogadores atrás do meio-campo, sem espaço para os blaugrana praticarem o seu futebol. Pelo contrário, o Chelsea foi sempre perigoso no ataque, com Drogba a assumir um papel de destaque. O jogo desenvolveu-se quase sempre nesta toada, espanhóis com pouco espaço para explanarem o seu melhor futebol, ingleses quase sempre melhores e mais perigosos ao longo dos 90 minutos. Até aos 93 minutos de jogo, com o golaço de Iniesta, que não quis ficar atrás do grande pontapé de Essien.

Uma palavra para os treinadores. Hiddink velha raposa, é um mestre do jogo, Pep Guardiola, é na sua época de estreia uma confirmação, que colocou uma equipa a jogar o futebol mais espectacular dos últimos anos. Contudo, no domínio da intervenção no decorrer do jogo, não me parece terem estado tão bem.
Guardiola porque demorou demasiado tempo a perceber que, na ausência de Henry, e perante jogo tão apagado de Busquets, ao mesmo tempo que Iniesta demonstrava ser o jogador mais interventivo da equipa, seria uma boa opção puxar o baixinho para o meio-campo onde o Barça estava com tanta dificuldade em contruir jogo, substituindo Busquets por Bojan. Hiddink porque com 70 minutos de jogo, uma superioridade inequívoca e mais um jogador em campo, aproveitou alguma inferioridade física de Drogba para o substituir por Belletti. Ultra-conservadorismo, especialmente quando havia Kalou no banco, fortíssimo em contra-ataque e com Keita adaptado a lateral-esquerdo. O holandês que estudou tão bem o Barça, esqueceu-se de uma coisa: estes culés, podem sempre e em qualquer circunstância marcar um golo. Hiddink podia ter-se precavido tentando forçar o segundo. Não pensou assim, saiu. Foi Guardiola quem, onde Mourinho foi feliz, fez de Setubalense, e encetou um sprint ao longo da linha lateral, festejando o golo de Iniesta (melhor em campo a par de Essien).
No cômputo geral, a eliminatória foi equilibrada. Bastante melhor o Barcelona na primeira mão, bastante melhor o Chelsea hoje. Obviamente que é impossível passar ao lado da arbitragem, mas se há, no máximo 3 penaltys não assinalados a favor do Chelsea (coisa nunca vista e impensável a este nível), na eliminatória houve também prejuízo para o Barcelona num penalty sobre Henry e numa expulsão perdoada a Ballack na primeira mão e numa má decisão do árbitro ao expulsar Abidal na segunda. Assim, por tudo isto, é difícil encontrar justiça no apuramento de alguma das equipas. Na Hora H, acredito que tenha vencido o futebol.


A 27 de Maio encontram-se em Roma as duas equipas que praticam um futebol mais atraente. Aquelas que são mais capazes de trazer novos adeptos à modalidade, ao mesmo tempo que renovam o gosto dos que já são 'aficionados'. É provavelmente a Final mais ansiada que tenho memória, e sem dúvida será um espectáculo a não perder. Um palpite? Já o digo desde o início da época - Manchester United. Mas se for o Barça, o futebol agradece na mesma.

Mais futebol meus senhores!

à(s) 02:36

quinta-feira, 30 de abril de 2009


Quando as melhores competições atingem a recta final, quando o melhor futebol se defronta na relva ao longo de 180 minutos, quando há incontável talento por cada metro quadrado de relva, os cuidados aumentam. Os técnicos, os jogadores, sabem que um simples erro pode deixar demasiado longe o objectivo de uma época, para alguns o sonho de uma carreira.
Em parte, foi esse o pensamento que inundou a mente de Hiddink e Wenger, treinadores de equipas que visitavam adversários teoricamente mais fortes. Um pensamento que não beneficia o melhor futebol, mas que não pode ser censurável, até porque foi a melhor forma que encontraram de manter em aberto a eliminatória. Vamos por partes.

Barcelona x Chelsea - Um Camp Nou com 100 mil pessoas esperava as equipas. Meia-final da Champions, um Chelsea acabado de eliminar o Liverpool num jogo de loucos, um Barça portador do futebol que traz adeptos à modalidade, que nos cola ao sofá. De um lado o metódico, o sonhador Guardiola. Do outro 'a raposa' Hiddink. Messi e Xavi, Drogba e Lampard.
O treinador holandês sabia o que o esperava. A Catalunha foi esta época um autêntico pesadelo para as equipas que por lá passaram. Especialmente quando defrontava aqueles que em teoria seriam melhores, o Barcelona motivava-se a níveis altíssimos. Atlético de Madrid, Sevilha, Valência, Lyon ou Bayern foram vergados a pesadas derrotas.
O Chelsea tem um plantel, e um estilo de jogo que não lhe permitem grandes transições rápidas. A estratégia seria ocupação perfeita dos espaços, saída para o ataque por Drogba, esperando subida da equipa. A primeira premissa resultou, a segunda não. Mérito do Barça. Explicação também pelo alinhamento do Chelsea, que transformou o 4x3x3 habitual num 4x5x1 com Ballack e Mikel à frente da defesa, Essien e Malouda fechando nas alas, Lampard perdido no centro, demasiado longe de Drogba. Natual, Lampard não é jogador para o aquele futebol. Apesar de tudo, não censuro Hiddink. Foi a melhor forma que o holandês encontrou para manter a eliminatória em aberto. Conseguiu-o.
O Barcelona encontrou pela primeira vez nesta época, uma equipa capaz de travar o seu futebol. Sim, é certo, não ganhou sempre. Mas em todas essas partidas, percebeu-se que o jogo continuava fluído, chegando perto da baliza contrária. Contra o Chelsea não. As tabelas, os passes de ruptura, as fintas, as mudanças de velocidade, o jogo apoiado e de pé para pé esbarraram quase sempre na muralha azul. Com o 4x3x3 habitual e Abidal na esquerda em detrimento de Puyol, pensar-se-ia que o Barça poderia fazer mais uso do jogo exterior, mas Essien foi um monstro, pelo que Daniel Alves era o único jogador capaz de dotar a equipa dessa alternativa, conciliando-a com o seu poderoso jogo vertical, e com as diagonais dos seus avançados. Foi contudo insuficiente para desmontar a teia do Chelsea. Mais ainda, para levar de vencido aquele adversário, Guardiola precisaria de ter todos os seus jogadores inspiradíssimos. mas a noite não foi a melhor para Henry e Messi, dois dos potencialmente maiores desequilibradores.
Individualmente, destaco Dani Alves e Touré do lado do Barcelona, Terry e Essien do lado do Chelsea. Dois defesas, dois médios mais defensivos, explica bem o que foi o jogo. Embora o brasileiro receba destaque pelo facto de ser, a par de Iniesta, o maior desequilibrador em campo. Bosingwa é fortemente elogiado por ter parado Messi. Mas o português fez uma exibição à imagem da equipa. E teve a sorte de nunca ter sido exposto em demasia a duelos individuais. Ainda assim, ponto muito positivo.
A segunda mão em Stamford Bridge será diferente. A eliminatória decidida em 90 minutos e espero um Chelsea mais afoito ofensivamente, o que à partida indicará um jogo mais aberto. Golos e muita intensidade, ingredientes expectáveis para de hoje a oito dias.

Man Utd x Arsenal - Em Old Trafford o primeiro de três confrontos entre Red Devils e Gunners, no próximo mês. Todos eles, assentes em bases diferentes. O de hoje seria naturalmente aquele em que o Arsenal jogaria mais recolhido. Direi contudo, que em demasia.
Parece-me que o Arsenal tentou ser uma equipa à imagem do Chelsea em Camp Nou. Contudo, Wenger tem à sua disposição um conjunto de elementos que lhe permitiriam fazer um jogo diferente, especialmente a nível ofensivo. Walcott, Fabregas e Nasri estiveram sempre muito presos a amarras tácticas, e a própria opção por Diaby em detrimento de Denilson ajuda a explicar o pensamento de Wenger. Mais contenção, mais músculo, menos fantasia ou qualidade de passe. Parece-me um erro. O Arsenal teve uma produção ofensiva nula, e defensivamente nunca conseguiu a competência do Chelsea. O ox1 é um resultado lisonjeiro, Almunia e a barra explicam-no muito bem.
Frente ao 4x2x3x1 do Arsenal, o 4x3x3 europeu do Manchester, que Ronaldo e Rooney sabem também transformar em 4x5x1, em determinados momentos do jogo. O certo é que nos grandes jogos europeus, Ferguson não prescende do trio de meio-campo na zona central, abdicando do seu 4x4x2 mais de consumo interno. Hoje, com Scholes e Giggs no banco, foram Carrick, Fletcher e Anderson a jogar. O inglês mais no miolo, essencialmente posicional, o escocês e o brasileiro a soltarem-se mais no ataque. O Manchester controlou sempre o jogo, ao mesmo tempo que o dominava. Alguma inépcia dos seus avançados, somada à grande exibição de Almunia, explicam que não tenha deixado a eliminatória muito perto da resolução.
Individualmente, a somar ao referido Almunia, parece-me justo distinguir o jovem Alexandre Song, por ter realizado uma das melhores exibições da equipa, numa zona onde os Gunners tiveram sempre dificuldades. No MU, o grande destaque vai para o colectivo, pela grande exibição. Compacta, confiante, personalizada em todos os momentos do jogo.
A 2a mão, um pouco à imagem do confronto de Stamford Bridge, trar-nos-á potencialmente mais golos. Um Arsenal que sabe jogar bom futebol, à procura do golo e um Manchester temível no contra-ataque.

Uma última nota. Camp Nou e Old Trafford. Meias-finais da Liga dos Campeões. Artistas como Xavi, Iniesta, Messi, Henry, Etoo, Lampard, Drogba, Ronaldo, Tevez, Rooney, Berbatov, Fabregas, Walcott, Adebayor. Quem foi o único jogador a balançar as redes nesta meia-final? John O'Shea. Tem o que se lhe diga...Que para a semana seja diferente!

Futebol é tudo isto

à(s) 02:18

quarta-feira, 15 de abril de 2009


Quartos de final da Liga dos Campeões. Persistem as oito melhores equipas, das 32 que tiveram um desempenho mais positivo na época passsada. Somam-se demonstrações do futebol de alto nível, aquele que ensina a gostar deste jogo, que converte até os mais cépticos.
Podem ser duelos tácticos, autênticas partidas de xadrez no relvado, como o jogo do Dragão entre Porto e Atlético de Madrid. Podem ser vitórias inquestionáveis, baseadas na intensidade como a do Liverpool frente ao Real Madrid, ou na beleza pura do futebol mais fantástico como a do Barcelona frente ao Bayern. Ou até mesmo empates loucos como o de ontem em Stamford Bridge, entre Chelsea e Liverpool. Com emoção, erros, reviravoltas no marcador, boas jogadas, e golos!

A partida entre estes dois rivais ingleses deveria fazer parte do manancial do verdadeiro futebol, o futebol espectáculo. E ser apresentada áqueles que, com total legitimidade, duvidam, desprezam ou criticam este desporto. Ao mesmo tempo que se devia perceber tudo aquilo que estava em jogo.
Os milhões de euros, o prestígio, a 'simples' vitória num confronto excepcional, a capacidade de alegrar os seus adeptos no que muitos consideravam o duelo da época, a oportunidade de seguir em frente na melhor prova futebolística do planeta, o desafio de tentar derrotar o Barcelona que muitos consideram a melhor equipa do mundo, os duelos individuais: entre os jogadores, entre os mestres de banco, Hiddink e Benitez.

À partida, depois do que se viu na primeira mão, a eliminatória estaria muito perto de estar sentenciada. A vantagem do Chelsea era bastante grande, e a este nível, que prima pelo equilíbrio, existem poucas reviravoltas espectaculares. No mais, o grande capitão e melhor jogador da equipa, Gerrard, falhou o teste físico de última hora, e ficou de fora da partida.
Mas pensar assim era, admito, desprezar o espírito centenário do magnífico Liverpool, o clube mais vitorioso da pátria do futebol, o segundo clube com mais Taças dos Campeões conquistadas, o clube que há poucos anos conseguiu o, desde aí apelidado, 'Milagre de Istambul', quando recuperou de uma desvantagem de 0x3 para derrotar o Milan na final. O clube suportado pelos melhores adeptos do mundo, ao lado da equipa, nas vitórias, nas derrotas, nos períodos melhores e nos menos bons. Alma de vitória, espírito de luta que se respira em Anfield e se estende aos jogadores, principalmente nestes grandes palcos.

O jogo em si não foi brilhante a nível tactico. Bastantes erros individuais e colectivos, alguns por demérito próprio, outros provocados.
O Chelsea manteve a mesma equipa de Anfield, montada num 4x3x3 em que Malouda baixava bastantes vezes ao meio-campo (um pouco à imagem do que faz Rodriguez no Porto), e apenas Ricardo Carvalho surgiu no lugar de Terry. No mais, Ivanovic continuou a ser preferido a Belletti ou Mancienne na lateral direita, e Ballack a Deco ou Mikel no meio-campo.
Na ausência de Gerrard, Benitez desmontou o 'Europeu' 4x2x3x1 e jogou também ele num 4x3x3 onde Lucas, Alonso e Mascherano (e como é diferente o Liverpool com o argentino) preenchiam o meio-campo, e Kuyt e Benayoun não estavam tão juntos à ala, antes surgiam mais próximos de Fernando Torres. Também por isso jogou o israelita em detrimento de Riera.

Incrivelmente, aos 28 minutos o Liverpool vencia já por 2x0 e estava a um golo de ficar em vantagem na eliminatória. Xabi Alonso e Fábio Aurélio souberam aproveitar dois erros de Ivanovic e Cech, e os 'reds' ganharam importantíssimo ascendente mental. Contudo, o Chelsea voltou melhor do balneário e deu a volta ao resultaodo. 3x2 aos 80 minutos, pensar-se-ia que tudo teria terminado. Puro engano, aos 84 o resultado ja era favorável ao Liverpool por 4x3, e a esperança dos seus adeptos era legítima. Enterrada aos 90 minutos pelo segundo golo de Lampard e o gesto de Drogba para os adeptos, dizendo que tudo tinha acabado.

O espectáculo não terminaria sem mais três grandes episódios. Ainda na compensação, enquanto se viam os jogadores do Liverpool a correr como se o cronómetro marcasse uns 30 minutos, Essien retirou, de forma fantástica, com a cabeça, uma bola em cima da linha de golo. O apito do árbitro deu azo a grandes manifestações nas bancadas - centenas de bandeiras do Chelsea ao vento, vozes em coro dos adeptos do Liverpool entoando o 'You'll never walk alone' e um arrepio na espinha que concerteza percorreu todos os amantes do futebol. Mesmo aqueles que torciam pelo Liverpool. Afinal, tínhamos acabado de assistir a um dos grandes confrontos do século. Quando será o próximo?

A outra Champions

à(s) 02:49

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Os quartos de final da melhor competição do mundo do futebol vão a meio. Se ontem meia Europa ficou surpreendida com o resultado e principalmente a exibição alcançada pelo Porto em Manchester, também hoje os resultados tiveram a sua pontinha de surpresa. E sendo os jogos de 3aF pautados por bastante equilíbrio, normal nesta fase mais avançada, os de hoje praticamente definiram dois semi-finalistas.

Villarreal x Arsenal - No El Madrigal defrontaram-se duas equipas que embora assentem os seus princípios em futebol positivo e de ataque, sofrem muito poucos golos. Assim, o empate final a uma bola não é de todo um resultado inesperado e traduz muito bem o que se passou em campo.

De um lado um Villarreal bastante forte em casa, e assente num 4x4x2 com Senna a fazer uma excelente exibição no controlo do meio campo, e um duo muito perigoso na frente - Rossi mais móvel, Llorente mais posicional. Do outro, um Arsenal que adivinho fará um final de época muito forte. Sem Van Persie nem Eduardo e jogando fora de portas, Wenger montou a equipa numa espécie de 4x2x3x1 com Song e Denilson à frente da defesa e Fabregas, Nasri e Walcott nas costas de Adebayor. Pelo facto de não jogar com alas puros, o Villarreal conseguiu sempre equilibrar numericamente no meio-campo e essa será parte da explicação para o encaixe das duas equipas.

A segunda mão decide-se agora em Londres, e a vantagem está do lado do Arsenal, que perante o seu público concerteza vai materializar a passagem às meias-finais. Fase a partir da qual tudo é possível.

Liverpool x Chelsea - Neste confronto de velhos conhecidos, o favoritismo estaria à partida do lado do Liverpool. A equipa de Benitez vem claramente a crescer de forma, está ao fim de alguns anos ainda a discutir o campeonato em Abril, e destruiu completamente Manchester Utd e Real Madrid nas últimas semanas.
A verdade é que Benitez tinha uma ausência de peso, devido a castigo. Era Javier Mascherano, e se a sua importância é relativamente dissipada em Inglaterra, em jogos europeus ganha contornos quase fundamentais. Mesmo não desvalorizando Lucas Leiva, é a sociedade Xabi Alonso-Mascherano que suporta toda a equipa nestes grandes jogos. Pela capacidade de pressionar alto, pela incrível intensidade, pelo respeito que impõe no adversário. Hoje o argentino não pode dar o seu contributo à equipa, e o que se viu foi um Gerrard desinspirado porque na sua cabeça estava o dilema entre equilibrar o meio-campo ou chegar mais perto de Torres (excelente jogo, o melhor do Liverpool).
Quando é assim, o adversário respira melhor.
Mas o Chelsea ganhou, não pela falta de Mascherano, antes por uma grandíssima exibição, num dos campos mais difíceis de jogar. Em desvantagem muito cedo, a equipa nunca se perdeu, e em 4x3x3 com um monstruoso Essien a controlar metros e metros à sua volta, e um rapidíssimo Malouda a sair em transições rápidas, o Chelsea fez um jogo mestre em Anfield. Mérito para Hiddink porque se vislumbra agora que a equipa está mais bem preparada para as exigências do alto nível, ao mesmo tempo que concilia esse factor com bom futebol.

Em Stamford Bridge só uma hecatombe retira a passagem do Chelsea às meias-finais, as quintas nos últimos seis anos. O Liverpool, ao contrário do ADN imposto por Benitez, concerteza persistirá, esta época, até ao fim na luta pelo campeonato. E o espanhol provavelmente vai cair na Champions frente a alguém que sabe tanto ou mais de táctica do que ele.

Barcelona x Bayern - Em Camp Nou enfrentavam-se duas das mais concretizadoras equipas da competição, com 24 golos cada. Se a estatística apontava um jogo com golos e oportunidades para ambos os lados o Barcelona encarregou-se de a desmentir. Assente nos princípios do bom futebol que tão bem tem demonstrado esta época, o Barça fez uma primeira parte de luxo, asfixiando os alemães por completo, através de defesa subida, pressão orientada e combinações, arrancadas e trocas de bola do outro mundo. Foi um autêntico carrossel ofensivo, com Messi, Etoo, Henry, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves a aparecerem constantemente na área de Butt.
Foram 4 golos na primeira parte, podiam ter sido ainda mais, e que permitiram à equipa suportar uma segunda metade em alguma descompressão, controlando o jogo e gerindo já as meias finais (Marquez por exemplo limpou os cartões amarelos).
A verdade é que a impotência que se tinha apontado ao Sporting na eliminatória anterior, pode agora apontar-se ao Bayern de Munique, que ao longo de 90 minutos em Camp Nou conseguiu 5 remates, apenas 1 enquadrado com a baliza. Numa equipa que conta com jogadores como Schweinsteiger, Ribery ou Toni esta estatística dá conta da competência defensiva do Barcelona ao longo de todo o jogo. Ofensivamente os quatro golos falam por si, onde o tridente ofensivo fez o estrago do costume.
A segunda mão em Munique será exclusivamente para cumprir calendário
.

Os caminhos de Quaresma

à(s) 02:33

quarta-feira, 4 de março de 2009


Hoje à hora de jantar procuro decidir entre o Liverpool Sunderland e o Portsmouth x Chelsea para passar as duas horas seguintes. O primeiro passa em HD, tem Gerrard e joga-se num Anfield repleto e com a relva super bem tratada. O segundo disputa-se debaixo de chuva intensa, em Fratton Park. Perante estes factos não será difícil perceber qual o jogo que fui seguindo com mais atenção. Tudo mudou com a entrada de Quaresma.

59 minutos. O jogo entre Portsmouth e Chelsea estava completamente equilibrado. O terreno de jogo estava pesado e as equipas (ambas em 4x3x3) encaixadas. Guus Hiddink olha para o banco e vê Quaresma. O campo não estaria perfeitamente adequado às características do cigano, mas o treinador holandês, demonstrando já um conhecimento importante das características do português, sabe que ele será o homem ideal para desfazer o nó em que se encontra o jogo.
Sai Kalou. Devo aliás dizer que é para mim inconcebível ver Quaresma como suplente do costa marfinense. Não que não o considere bom jogador, mas porque me parece que são jogadores semelhantes. Mas Quaresma é melhor nas boas características, e menos mau nas negativas. E mesmo que Kalou tenha potencialmente uma relação mais próxima com o golo, Quaresma é decisivo, mais vezes.
Apesar de tudo, continua a errar. É certo que o vimos, com espírito de equipa, a defender quando a equipa tentava segurar a vantagem de 1x0. Algo em que era muito criticado quando jogava no Porto. Mas cometeu um erro grave: uma falta desnecessária aos 90 minutos, que deu origem a um livre lateral, lance perigosíssimo quando se defronta uma equipa que conta por exemplo com Crouch, Campbell ou Distin. Podia o Chelsea, através de uma acção sua, ter desperdiçado a vantagem que Quaresma ajudou a construir.

Sim, porque foi Quaresma quem mudou as coordenadas da partida. Mais sobre o flanco direito, colocou a cabeça em água a Hreidarsson. O velho Quaresma, demolidor no um para um, muito perigoso nos cruzamentos, de trivela ou com o peito do pé. Deu confiança à equipa, ganhou ele próprio confiança. A confiança que veio perdendo. Ou parte dela. A verdade é que nos pouco mais de 31 minutos em que jogou, voltamos a ver parte do melhor Quaresma. Mesmo a jogada do golo, nasce de um cruzamento de Bosingwa para Drogba, desde o flanco direito, após combinação lusa.

Este é capaz de ser o primeiro passo para um bom fim de época do português. Depois da na primeira metade da época ter sido de certa forma uma desilusão, a chegada à Premier League pareceu-me uma boa opção. Poucos dias depois da transferência, era já titular no Chelsea de Scolari, A saída de Felipão endureceu o caminho de Quaresma, que até ontem foi suplente em duas partidas, e fez dois jogos pelas reservas. Talvez esta exibição seja o antídoto que o português precise para voltar ao seu melhor futebol. Bom para o Chelsea, bom para a Selecção Nacional, bom para o futebol.

Os pecados de Scolari

à(s) 00:42

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Scolari foi hoje despedido do Chelsea. Após mais um empate caseiro e uma exibição pouco conseguida, com o Hull City. Aliás, se dele exigissem campeonatos perfeitos, diria que o seu principal pecado foi, para além dos jogos com os maiores do futebol inglês, aqueles onde defrontou em Stamford Bridge, equipas que mais que tentar ganhar o jogo, tentaram empatá-lo (foi assim com Hull, Newcastle e West Ham, e foi-o quase com o Stoke). Não vitórias, além dos referidos, apenas nos empates com Tottenham em casa, Everton e Fulham fora.

Olhando exclusivamente para as estatísticas, constatamos que em 25 jogos o Chelsea venceu 14. Empatou 7 e perdeu 4 (dois com o Liverpool, um com o Manchester United e um com o Arsenal). É a segunda defesa com 15 golos consentidos e o melhor ataque com 44 golos marcados. É certo que nos últimos 6 jogos venceu 2, e é certo que com um jogo a mais se encontra a 7 pontos do primeiro. Mas apesar de tudo, esse primeiro classificado, é o Manchester United, aquele que tem de longe, a melhor equipa e o melhor plantel da Premier League. E continua à frente do Arsenal, em lugar de acesso à Liga dos Campeões. Nem tudo é mau portanto. Até porque a Premier League é um campeonato muito competitivo.

Contudo, obviamente que a prestação de Scolari não foi um mar de rosas. Tal como
aqui adiantei em finais de Dezembro, Felipão estava a passar com dificuldades.
Também porque o balneário do Chelsea sempre foi muito mais difícil que o do Portugal (já desde o final do percurso de Mourinho). E na frente de ataque residiu o seu principal foco desestabilizador, com sucessivas polémicas criadas por Anelka e Drogba, ora reclamando a titularidade, ora reclamando uma parceria.


Depois, a sua preparação psicológica também falhou, pelo já referido baqueamento do equipa nos grandes momentos. Em 7 grandes jogos, o Chelsea apenas venceu uma vez, frente à Roma.
Lesões como as de elementos chave como Essien, Ricardo Carvalho, Drogba ou mais recentemente Joe Cole, e o súbito défice físico e consequente abaixamento de forma de Deco, foram também factores que contribuem para este estado de coisas.

Tal como as questões tácticas. É indesmentível que Scolari não é um dos melhores tácticos do mundo. Apesar de tudo, manteve o bom registo defensivo do Chelsea, num sector sempre muito bem liderado por John Terry. E manteve o bom aproveitamento de bolas paradas. Mas ofensivamente, o Chelsea pautava-se sempre por dificuldades em desmontar defesas. Porque mastigava sempre demais o jogo, porque não o lateralizava em volume suficiente - e para isso contribuiu sempre a preferência do brasileiro por homens como Ballack em detrimento de Malouda ou Kalou. E depois sempre um banco algo curto, de onde muitas vezes saiu Belletti como opção para melhorar o desempenho da equipa. A saída de Wright Phillips e a não contratação de Robinho (ambos para o City) não beneficiaram em nada o clube.


Quaresma poderia mudar esse estado de coisas, foi uma contratação inteligente de Scolari. Abramovich não quis experar. Há pouca paciência no russo, não compreende bem o futebol inglês. E também por isso em despedimentos de treinadores principais, dispendeu 45 milhões de euros desde Mourinho (cerca de um ano e meio).
Quanto ao futuro, por Hiddink, Zola ou Rijkaard deverá passar o nome do próximo treinador do Chelsea. A tempo do sucesso na próxima época. Nesta duvido.

Felipão em dificuldades

à(s) 19:52

domingo, 28 de dezembro de 2008



Bem sei que a Premier League é a par da Primera Divisón Espanhola, o campeonato mais equilibrado do Mundo. Que há voltas e reviravoltas, tropeços, despistes e escorregadelas. Muitas vezes seguidas de caminhos seguros em direcção à glória.


No entanto no Chelsea de hoje a cultura não é propriamente essa. Por várias razões. Pelo novo riquismo imposto por Abramovich, principalmente pelo "cheguei, vi e venci" de José Mourinho. E até pelo "quase lá" de um israelita previamente condenado ao insucesso em todas as linhas, mas que também ele andou à distãncia de uma escorregadela (como a de Terry em Moscovo) da glória. Mesmo Avram Grant que pegando numa equipa com a época em andamento conseguiu resultados muito interessantes, mesmo sendo um dos braços direitos do líder, saiu pela porta das traseiras. Para chegar Scolari.


Que pela primeira vez desde que saiu o Euromilhões em Stamford Bridge, não teve direito a grandes reforços. Bosingwa já tinha sido contratado, e o brasileiro apenas acrescentou ao plantel por indicação própria, o mágico Deco. E entretanto o Chelsea até quis fazer dinheiro com a venda de Shaun Wright Phillips (extremo direito rapidíssimo), jogador com características sem igual no plantel dos blues e que até se tem dado muito bem na casa mãe, no Manchester City. Entretanto também, Ricardo Carvalho tem passado grande parte da época no estaleiro, Drogba voltou a jogar agora, Essien nem se fala. Scolari e seus adjuntos já vieram a praça pública reclamar reforços, mas as altas patentes já se apressaram a negar. Isto claro, depois de Felipão ter visto a sua grande pretensão - Robinho (11 golos, 3 assistências) - fugir também para o Manchester City.


Abramovich não quer saber nada disto. Pretende que o Chelsea ganhe. Algo que não consegue há dois anos, de domínio de Ronaldo e companhia. Actualmente o Chelsea segue em segundo lugar a três pontos do Liverpool. O Manchester United segue perto, muito perto, a 7 pontos mas com três jogos em casa a menos. E na próxima jornada em Old Trafford, confronto entre estes dois gigantes. Avizinham-se mais problemas para Scolari.
Que hoje não conseguiu mais do que um empate em Craven Cottage perante um também surpreendente Fulham. O segundo empate consecutivo fora, depois de uma campanha 100% vitoriosa. Em casa, o recorde de invencibilidade iniciado por Ranieri, incrivelmente abrilhantado por Mourinho e bem continuado por Grant, caiu aos pés do Liverpool e foi enterrado com o Arsenal.
Mesmo na Liga dos Campeões, qualificação, mas com um ou dois tropeções inesperados.


Tacticamente, pela opção por Malouda deverá passar parte do sucesso. Como já não há Wright Phillips, é pelo francês que deve passar o alargamento do jogo do Chelsea, tão importante quando se defrontam equipas mais fechadas. Ashley Cole e Bosingwa fazem isso muito bem mas não chegam. No meio, o fantástico Lampard dita as leis. Impressionante a capacidade de não oscilar o seu rendimento (elevadíssimo) com o passar dos anos. Mais na frente, Drogba parece estar a querer assumir-se como o dono do lugar. Anelka, vai ter que se habituar-se mais vezes ao ostracismo do banco. Um revés, para alguém tão irregular e com problemas de confiança. Mas com talento.

Enfim, Scolari está com alguns problemas. Nos próximos três jogos e na diminuição ou aumento da distância para o primeiro lugar, findas essas partidas, estará parte do seu futuro. Mas só porque é o Chelsea, clube sedento de vitórias, liderado por alguém que percebe mais de petróleo do que de futebol. Talvez em alguns aspectos devessem olhar para os vizinhos do Arsenal. O futebol agradecia, a Premier League e o seu espírito sentir-se-iam melhor representadas.

No mundo da Premier League

à(s) 18:25

domingo, 14 de dezembro de 2008


A 17ª jornada da Premier League (em Portugal vamos na 11ª...) parece ter deixado tudo na mesma. O big four empatou, ou seja é o mesmo que dizer que Liverpool, Chelsea, Manchester Utd e Arsenal, não conseguiram vencer os seus jogos. Mas por detrás destes quatro empates, há notas interessantes que ficaram.

Falando da primeira, arrisco-me a fazer uma previsão. O Manchester Utd vai revalidar o ceptro de Campeão Inglês. Essa minha convicção sai reforçada após esta última jornada, por uma razão simples: se Liverpool e Chelsea empataram em casa frente a Hull e West Ham respectivamente (duas equipas da classe média do campeonato), se o Arsenal apesar de jogar fora, também não conseguiu vencer o mediano Middlesbrough, o Manchester pode considerar o seu resultado positivo. Afinal, empatou no terreno do cada vez mais forte Tottenham a manteve distâncias. Está a 6 pontos do Liverpool e a 5 do Chelsea, contando contudo, com menos um jogo. No entanto, o leitor repare que, o clube de Ronaldo e Nani já fez todas as, em teoria, deslocações mais complicadas. Já saiu para jogar contra Liverpool, Arsenal, Chelsea, Aston Villa, Everton, Manchester City, Tottenham e Portsmouth (quando Redknapp ainda dava cartas no clube, internamente). Além de que, mantém uma enorme consistência defensiva e no meio campo vê Paul Scholes regressar após lesão. Indiscutivelmente são bons sinais, de alento e motivação. Apesar da imprevisibilidade da Premier League.

A segunda nota, é em relação ao Chelsea. Os comandados de Scolari, voltaram a desperdiçar mais uma oportunidade de ultrapassarem o Liverpool e assumirem isolados o comando da classificação. Sempre em jogos caseiros, o que de alguma forma indica que desta vez Scolari parece não estar a ter a sua habitual, grande influência mental, sobre os seus pupilos.
Penso que existe, para além deste factor, uma questão táctica para o que se tem verificado. Em Stanford Bridge, perante equipas demasiadamente fechadas, a opção por Ballack em detrimento de Malouda ou Kalou, retira amplitude de movimentos ofensivos à equipa, até porque as zonas laterais do campo são principalmente ocupadas apenas por dois homens, Ashley Cole e Bosingwa. Assim, sendo, o jogo central, com Mikel, Ballack, Lampard e Deco fica demasiado mastigado. Se é certo que Malouda nunca atingiu no Chelsea os níveis evidenciados no Lyon, e se Kalou ainda é de certa forma, um jogador ingénuo, penso que neste tipo de jogos, são ambos mais úteis que o alemão.

A terceira nota, tem a ver com o assumir (dentro do campo) do Aston Villa, comandado por Ashley Young e Gabbi Agbonlahor, de uma candidatura à Liga dos Campeões. Em prejuízo do Arsenal, que terá forçosamente que melhorar os seus níveis actuais. Pela cauda da tabela, WBA e Blackburn não conseguem disfarçar o seu mau momento, e são cada vez mais fortes candidatos à descida. Tudo isto numa altura em que se aproxima uma fase onde muito se encaminha para as decisões finais - o Natal.