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E pode o Sporting ser campeão?!

à(s) 04:14

sábado, 28 de fevereiro de 2009


A memória leva-me ao início da época. E a pensar na política de defeso do Sporting. Manutenção de todos os seus principais jogadores, contratações cirúrgicas, com conhecimento do campeonato português e de baixo custo. Perspectivas de aposta forte e continuada nos jovens da Academia (Patrício, Carriço, Adrien e Pereirinha).
Pensei nas saídas de Quaresma, Bosingwa e Assunção no Porto, e na revolução no Benfica, e dei por mim a achar que o Sporting talvez fosse o mais forte candidato ao título. Afinal, além da gestão desportiva e financeira, dentro das quatro linhas, o sistema e o modelo eram os mesmos das últimas épocas, com Paulo Bento a ter hipótese de, perante praticamente os mesmos jogadores, o poder aperfeiçoar, e mais, testar alternativas.
No campo, a época começou de forma muito positiva. O Sporting venceu o Porto para a supertaça de forma segura, e iniciou o campeonato com duas boas exibições em casa frente a Trofense e Belenenses, intercaladas com uma vitória 'à candidato', em Braga. Mas algo já vinha a ser perdido.

Paulo Bento não controlava totalmente o balneário. As afirmações do capitão de equipa João Moutinho, no início da época, tentando forçar a sua saída para o Everton, foram sintomáticas. Depois, os casos herdados da época passada, Stojkovic e Vukcevic. Apesar de tudo, não estando no seio da estrutura do Sporting, obviamente não conheço os contornos das duas situações. O certo é que o treinador do Sporting as resolveu de forma diferente.
Na baliza, afastou definitivamente Stojkovic, apostando firmemente em Rui Patrício. A verdade é que, mesmo considerando Stojkovic melhor tecnicamente, a aposta de Paulo Bento foi ganha. Convém não esquecer a margem de progressão do jovem internacional sub-21 português e a evolução já registada neste período.
Vukcevic foi diferente. É praticamente unânime que o 10 do Sporting é o jogador do plantel mais capaz individualmente. A equipa precisa dele para por vezes sair das amarras tácticas do adversário e por vezes do próprio sistema. Aqui mesmo que com um contributo desnecessário de Derlei (lembro-me a propósito de uma entrevista dada ao Domingo Desportivo, onde critica abertamente o colega), parece-me que ao seu estilo, o treinador do Sporting geriu bem toda esta situação. Por vezes até, Bento e Vuk fazem-me lembrar a dupla Mourinho - Adriano.
De facto Vukcevic reapareceu decisivo e em grande forma e provavelmente assim irá continuar, mesmo que haja alguma poeira a ser levantada pelo facto de estranhamente ser dado como inapto clinicamente, 24horas antes um clássico decisivo para o seu clube, por padecer de síndrome gripal.

Por fim, o caso mais crónico no balneário do Sporting. Custa-me escrever isto de Miguel Veloso, um jogador a quem reconheço grandes potencialidades, e que podia ser uma importantíssima mais valia para a selecção, num futebol onde o médio mais defensivo deixa de ser aquele que tem como missão destruir, mas que acima de tudo, deve saber ler o jogo, e ser o primeiro a construir. Esta época uma série de episódios, de birrinhas, de focalização noutros aspectos, têm impedido Veloso de fazer aquilo que sabe, para o que lhe pagam, e de cumprir o contrato que de livre e espontânea vontade, assinou. Hoje, durante a antevisão ao clássico por parte de Paulo Bento, ficamos a saber de mais qualquer coisa.
Tudo mais me espanta quando na família, tem pessoas imensamente experienciadas no mundo do futebol. Para o 24 do Sporting a solução parece-me simples: fazer aquilo que melhor sabe que é jogar de futebol, e pedir a alguém que lhe conte as estórias de Hugo Leal ou Manuel Fernandes. Por exemplo.

Enfim, a vida de Paulo Bento tem sido tudo menos fácil. Estes factos, somados a egos (factos comentados em surdina) mais complicados de Derlei, Caneira ou Rochemback, e a 'batalhas' travadas pelo Sporting em que costuma ser o único a dar o peito às balas, fazem-me apreciar o seu trabalho. A final da Taça da Liga, a qualificação inédita para os Oitavos de final da Liga dos Campeões, uma eliminação da Taça de Portugal depois de um grandíssimo jogo frente a um dos grandes, e a luta pelo título (amanhã saberemos em pormenor a solidez dessa candidatura) são bons sinais para o Sporting.
Mas falta algo para um maior crescimento e mais sustentado. A nível europeu, como já referi, o recurso a uma ou outra mais valia com maior andamento nestas provas. Internamente, algo que os campões têm de ter: espírito de missão. Se em Alvalade ainda se vai a tempo? Não sei.

É que Carriço pode estar a crescer a olhos vistos, Moutinho pode continuar a ser um poço inesgotável de equilíbrio e energia, Vukcevic pode continuar a desequilibrar, e Liedson a decidir partidas. Mas os campeonatos antes do campo, começam a ganhar-se no balneário. Cada vez admiro mais Izmailov.

Sporting - continuação do bom trabalho

à(s) 00:40

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009


O Sporting é a terceira equipa a ser aqui analisada com maior pormenor.

Esta pode ser uma opinião polémica, mas bem ou mal, penso que o Sporting não atinge actualmente um nível de paixão semelhante ao dos rivais Benfica e Porto. Como consequências mais visíveis desse facto, para além de uma menor afluência de público aos seus jogos, temos uma menor exposição da equipa e uma maior tranquilidade para que Paulo Bento possa trabalhar. O jovem treinador português, que recorde-se profissionalmente enquanto técnico principal apenas defendeu o Sporting, tem sabido aproveitar muito bem esta conjuntura. Principalmente nesta temporada.

Classificou-se de forma inédita e com uma performance muito boa para os oitavos de final da Liga dos Campeões, foi eliminado na Taça de Portugal pelo Porto num jogo de tripla, e segue com as aspirações intactas na Taça da Liga e Campeonato. Falando deste Campeonato, o Sporting parece-me ter um horizonte risonho. Prevê-se uma prova disputada até ao fim, e os leões têm-se pautado por uma grande regularidade, colocando-se como candidatos. A equipa, mesmo admitindo que individualmente esteja ligeiramente abaixo de Porto e Benfica, parece mais equilibrada que a dos rivais, mais forte colectivamente, mesmo que em determinados jogos lhe falte alguém mais explosivo, capaz de resolver o jogo individualmente. Por tudo isto, muito mérito para Paulo Bento.
Que apenas encontra focos de crítica na forma como gere o seu balneário, a nível disciplinar. A verdade é que pelo menos em relação a Vukcevic, o tempo veio dar-lhe razão (pelo menos até ao momento), com o montenegrino a pouco e pouco a regressar à equipa.

Tacticamente o Sporting é uma equipa muito forte. Para começar, só o facto de assentar num 4x4x2 losango, reconhecidamente um dos sistemas mais difíceis de treinar, é algo a assinalar. Até porque claro, o Sporting o faz bem, desde que tenha homens e alternativas de qualidade para todas as posições (e este ano, ao contrário do ano passado tem). Por Paulo Bento ser um adepto da rotatividade vai ser de certa forma difícil falar da equipa nos mesmos moldes daquilo que fiz em relação a Porto e Benfica.

Na baliza, perdida a melhor opção (olhando exclusivamente a aspectos técnicos) Stojkovic, Rui Patrício tem sido o dono do lugar, ao mesmo tempo que ganha algum consenso entre os adeptos. Mesmo que denote ainda alguma inexperiência a sair dos postes, tem sido mais seguro, e esse facto transmite-se ao quarteto defensivo.
Na lateral direita Abel e Pereirinha discutem o lugar. Penso que a escolha dos dois dependerá do homem que joga à sua frente. Se for Izmailov, um homem que abre mais na faixa, que alarga mais o jogo da equipa, Abel terá mais tendência a jogar. Se o russo for deslocado para o flanco esquerdo e como consequência Moutinho ou Rochemback apareçam como interiores direitos, será o jovem Pereirinha a alinhar, fazendo uso da sua velocidade, da sua boa capacidade ofensiva, fazendo com que o Sporting não perca largura em fase ofensiva.
À esquerda Grimi e Caneira são opções preferenciais. Aqui parece-me que o português será melhor opção. Por duas razões: Grimi estranhamente tarda em confirmar as boas indicações dadas na época passada, e Caneira dá uma maior solidez defensiva, dando ao mesmo tempo maior liberdade ao lateral direito. Em termos de profundidade ofensiva, a menor propensão atacante de Caneira estará acautelada porque à sua frente, surge habitualmente Izmailov, e mesmo Vukcevic está a reaparecer.
Na zona central se Polga, pela capacidade de liderança, pela leitura de jogo, pela tranquilidade que confere ao sector, é absolutamente indiscutível, Tonel e Carriço vão discutir o outro lugar. Primeiro porque Caneira parece ser opção mais para o lado esquerdo, depois porque a lesão de Tonel abriu caminho ao aparecimento de Carriço. Que tem demonstrado pormenores que fazem com que seja actualmente o elemento em melhores condições para acompanhar Polga. Mesmo que ainda aborde alguns lances de forma inexperiente, demonstra muita tranquilidade, desarma muito bem e sabe sair a jogar. Mais um bom produto das escolas de Alvalade.

O meio-campo é o principal expoente da rotatividade imposta por Paulo Bento. À frente da defesa, embora Rochemback e Adrien sejam opções interessantes, penso que Veloso é o homem que melhor desempenha as funções de 6. Já aqui defendi porquê. Se Adrien tem visto o seu crescimento algo adiado pela forte concorrência, Rochemback é diferente. Tem jogado bastantes vezes como vértice mais recuado do losango, mas não me parece reunir as características necessárias para o fazer muito bem. Além de não ser forte na cobertura aos centrais, jogando mais recuado, não consegue aplicar com frequência os seus dois maiores predicados: passes de ruptura e principalmente remate. É sem dúvida uma boa contratação, é um activo do clube, mas no 4x4x2 losango não consegue explanar as suas melhores características. Pelo menos na posição mais recuada. No sistema utilizado pelo Sporting, Rochemback terá mais rendimento como interior direito, desde que Pereirinha jogue como lateral, de forma a que a equipa não perca largura. Depois Moutinho. Uma dádiva para qualquer treinador, pela intensidade, pela sapiência táctica, pela capacidade que tem de ocupar diversas posições sem desequilibrar a equipa. Aliás, a rotatividade que Paulo Bento aplica no Sporting é em grande parte suportada pela sua presença. Mesmo que se diga que é prejudicado por não criar rotinas numa posição, acredito que a sua inteligência dentro de campo lhe permita continuar a evoluir. Mesmo que individualmente não seja um prodígio, colectivamente é excelente. Izmailov, penso que seja, o melhor jogador do Sporting nesta temporada. Num dos vértices laterais do losango, dá à equipa intensidade, velocidade, qualidade de passe, e é um dos principais portadores de bola para a saída da zona de pressão. Muito importante portanto nas transições ofensivas da equipa. Além disso tem valido golos e assistências importantes. Dos homens de meio campo, Romagnoli é o mais limitado posicionalmente porque apenas desempenha com qualidade o vértice mais ofensivo do losango. Mesmo que não seja forte fisicamente, tem qualidade técnica, desequilibra e é principalmente jogador para grandes jogos, onde habitualmente aparece no esquema de Paulo Bento, em diagonais para uma das laterais, para em conjunto com um dos interiores, criar superioridade sobre o lateral contrário. Depois Vukcevic. Um jogador que considero importantíssimo para as hipóteses de o Sporting construir uma carreira de sucesso na Liga. Porque de todos os elementos do plantel do Sporting, é aquele que consegue desequilibrar mais facilmente, resolver um jogo. Na esquerda ou no centro, o jogador mais forte dos leões no um para um. E desde que ele e Paulo Bento resolvam os seus problemas, vai ser muito importante quando o Sporting defrontar equipas mais fechadas. E isso vai acontecer, com o avançar da Liga, quando chegarem as principais decisões.

À frente, a dúvida reside no parceiro do levezinho. Liedson é indiscutível pela sua capacidade de luta, por nunca desistir de uma bola, por saber ler o jogo e ocupar os espaços como ninguém, confundido as marcações, aproveitando bolas perdidas, e consequentemente, fazendo golos. Mesmo que, e é um facto, não seja um prodígio de técnica, o brasileiro aproveita a sua mobilidade para criar desequilíbrios nas laterais, é o primeiro defesa da equipa, e o seu jogador mais decisivo. Se Tiuí tem sido desde o início da época uma carta fora do baralho, Derlei parece andar a perder algum espaço. Principalmente pela indisciplina que tem prejudicado a equipa. E depois porque actualmente Djaló e Postiga têm oferecido soluções mais interessantes. O primeiro pela qualidade técnica, rapidez e imprevisibilidade. O segundo pela combatividade, também pela capacidade técnica, e pela capacidade de remate.

Em suma, este Sporting está claramente mais forte que o da época passada. A tranquilidade, a regularidade que tem apresentado, e o regresso de Vukcevic, são aliados de peso para uma candidatura forte e suportada ao título.