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Adiós Benfica, por Quique Sanchez Flores

à(s) 02:11

terça-feira, 9 de junho de 2009


Hoje chegou a confirmação oficial do que há muito se previa. Por mais que ultimamente se tenha falado bastante nas maiores perspectivas de sucesso que a continuidade oferece em relação à mudança, a verdade é que a permanência de Quique Flores no comando do Benfica era já um produto com prazo de validade extinto.
Por muitas razões. Pela conjectura em que navega o clube vai para duas décadas, pelo percurso da equipa bastante abaixo das expectativas. Mas se, por exemplo, o despedimento de Fernando Santos me pareceu prematuro e contra-natura, assim não é com Quique. Não que o espanhol não tenha boas ideias ou não seja um bom profissional. Não que o Benfica não tenha evoluído no que diz respeito ao profissionalismo da estrutura para o futebol, ou na metodologia científica aplicada no processo de treino. Mas sim porque o espanhol revelou sempre um desconhecimento profundo do nosso futebol, que nunca demonstrou abertura para contrariar. A equipa manteve-se sem qualquer evolução desde o início da época, e essa é a maior crítica que se pode fazer a um treinador.

Na perspectiva de Rui Costa, acredito que a decisão não tenha sido fácil. Precisamente porque no final da sua primeira época como director desportivo foi obrigado a abdicar do 'seu' treinador. O homem que acreditava, aquando do estudo do seu perfil, ser o mais indicado para devolver o sucesso ao Benfica. Assim não foi. Obviamente que soluções de continuidade serão mais aconselháveis, mas não quando não são apresentadas perspectivas de evolução, ou no mínimo de continuação de bom trabalho. Não houve sequer uma evolução na ponta final da temporada, algo que acredito poderia fazer valer a continuidade do espanhol. Tal não aconteceu, e o desfecho foi o cenário mais óbvio.

O próximo treinador será muito provavelmente Jorge Jesus. No campo, é um treinador de top. Assim comprovam os discursos dos seus ex-jogadores, os resultados e as exibições das suas equipas. Mas para o sucesso muitas vezes tal facto não é suficiente. Em primeiro lugar, Jesus terá de evoluir a nível do discurso. É certo que o bom futebol vale mais do que um grande discurso (Quique Flores é disso um bom exemplo, inversamente), no sentido de aproximar os adeptos da equipa, mas principalmente na fase inicial será importante passar a mensagem. Depois a estrutura para o futebol terá que ser mais presente, mais solidária nos maus momentos, ao contrário do que aconteceu pontualmente com Quique nesta época.
Esse é o segredo de uma equipa vencedora. Começa antes da entrada em campo, na preparação, na estrutura que suporta os craques, no profissionalismo, no método, na segurança que permite ao treinador centra-se apenas nas suas funções: treinar.

Até hoje muitas críticas têm sido feitas pelo facto de o Benfica contratar jogadores antes da escolha do treinador. Sou completamente contra essas opiniões. Elas podem ser feitas na eventualidade de não haver uma ideia de jogo definida para o clube. Acredito que Rui Costa a tenha. E as contratações, salvo ajustes pontuais ou uma ou duas exigências para potenciar o modelo, não devem ser feitas de acordo exclusivamente com os desejos do treinador. Devem sim, estar de acordo com o que se pretende para o clube, baseando-as em opiniões avalizadas a nível técnico-táctico por alguém com conhecimento suficiente de futebol (segundo se consta discutidas entre Quique e Rui Costa) e suportadas pelo departamente de prospecção.
Apesar de tudo, algo continua a falhar no Benfica. A excessiva 'ligação' a certo tipo de empresários, e a, até agora, indisfarçável predilecção pelo mercado sul-americano em detrimento do português. Factos estranhos, especialmente quando se aproxima a lei do '6+5'.

A próxima época pode ser deles

à(s) 02:47

quinta-feira, 4 de junho de 2009


O campeonato português terminou e chega a hora do balanço. Por entre objectivos cumpridos, insucessos e segundas metas alcançadas, houve jogadores que deixaram a sua marca, o seu cunho qualitativo na prova. Porque mesmo que nem todas as equipas não tenham atingido aquilo a que se propuseram, existem jogadores nos seus plantéis capazes de mais. Este artigo é sobre isso mesmo, os jogadores jovens capazes de explodir num grande, ou os menos jovens, mas ainda capazes de lá chegar. Tudo isto compilado num plantel de 25 elementos.

Júlio César (Belenenses, 22 anos) - o jovem guarda-redes brasileiro de 22 anos, ex-Botafogo, foi quase sempre o melhor elemento de um irreconhecível e mal preparado Belenenses. A sua agilidade dentro dos postes e a boa saída a cruzamentos, factores aliados a uma previsível boa preparação mental (jogou numa grande equipa brasileira e manteve sempre o nível exibicional no aflito e sobre constante pressão Belenenses), fazem dele uma aposta muito interessante, agora ou na próxima época. Para a 2a Liga é difícil que vá.

Eduardo (Braga, 26 anos) - Defendo-o desde a época passada, Eduardo é o melhor guarda-redes português. Mesmo com dois jogos infelizes esta época (PSG e Benfica), a opinião não mudou e a chamada à Selecção principal é um justo prémio. Contudo, ainda é excessivo compará-lo por exemplo a Vítor Baía, mas as suas qualidades e segurança- principalmente dentro dos postes, tornam-no capaz de jogar ao mais alto nível.

Ventura (Porto, 21 anos) - O jovem portista praticamente não jogou nesta temporada. Teve aparições discretas na Taça da Liga e no jogo da Trofa, mas o conhecimento que tenho dele fazem-me inclui-lo na lista, em detrimento de jogadores de qualidade como Beto ou Bracalli. Precisamente pela grande margem de progressão.

Miguel Lopes (Rio Ave, 22 anos) - A transferência para o Porto está consumada, justificadamente. Tem uma grande propensão ofensiva o que, conseguindo agarrar o lugar, pode fazer com que desempenhe no Porto tarefas semelhantes às de Bosingwa. Para isso conta com a sua rapidez de recuperação e a sua boa capacidade de cruzar. Tem como ainda como aliados a altura e o bom remate.

João Pereira (Braga, 25 anos) - O João Pereira que apareceu no Benfica está diferente. Mais jogador, mais forte defensivamente, mantendo as qualidades ofensivas que de certo modo o destacaram no clube da Luz e que o faziam actuar algumas vezes como médio. Não duvido tratar-se de uma boa aposta para um clube superior, apesar de precisar moldar alguma agressividade que apresenta em determinados lances. A estatura também pode ser um handicap, mas a qualidade está lá.

Tiago Pinto (Trofense, 21 anos) - O filho de João Vieira Pinto é uma das boas revelações desta temporada. Foi sempre um dos destaques do despromovido Trofense, e agora, apesar de ainda pertencer aos quadros do Sporting, o seu futuro é uma incógnita. Por ser jovem, por actuar numa posição carenciada em Portugal, e por indiscutivelmente poder ter um futuro muito interessante à sua frente, o próximo passo é muito importante. Para se fixar como lateral terá que melhorar aspectos do seu jogo defensivo, mas ofensivamente é já muito forte.

Evaldo (Braga, 27 anos) - Nesta posição o jogador do Braga ganhou a corrida a André Marques do Setúbal e a Sílvio do Rio Ave. Essencialmente por, apesar de a margem de progressão não ser tanta, representar no imediato uma opção mais sólida. A sua temporada é disso prova. Fez praticamente todos os jogos, debaixo de uma regularidade impressionante. Não será 'a opção', mas é sem dúvida um bom jogador.

Nuno André Coelho (Estrela da Amadora, 23 anos) - O jovem defesa central regressa na próxima época ao Porto. Não me espantaria se agarrasse o lugar de Bruno Alves, embora os dragões devam recorrer ao mercado porque mesmo Rolando é de certa forma algo inexperiente. Contudo, passo a passo, não tenho dúvidas que este jovem se vai impor na equipa. Alto, forte no um para um e bom marcador de livres, Nuno Coelho é já um bom jogador.

Sereno (Vitória de Guimarães, 24 anos) - 2008/09 foi uma época madrasta para Sereno. A grave lesão contraída nos dois joelhos só lhe permitiu reaparecer no final da temporada, e também por isso é natural que haja algumas reticências no que toca ao seu futebol. Mas quem pode ver os dois últimos jogos do Vitória, constata que a qualidade está lá intacta, a forma de jogar mais em 'soupless' que fazem muitas vezes lembrar Ricardo Carvalho. Posicionamento, leitura de jogo, velocidade, capacidade na saída de bola. Muito bom jogador.

Maicon (Nacional da Madeira, 20 anos) - O brasileiro venceu a corrida a Diego Ângelo e ao seu companheiro Felipe Lopes. Em relação ao primeiro porque tem maior margem de progressão, em relação ao segundo porque é já mais completo. Tem algumas debilidades naturais de quem vem do Brasil, mas notou-se bastante evolução ao longo da época. Fisicamente é fortíssimo, tecnicamente ainda precisa melhorar, mas o Porto certamente será uma boa escola para o fazer.

Rodriguez (Braga, 25 anos) - O peruano, à imagem de Sereno, não teve uma época famosa, muito graças às lesões. Mas também à imagem do vimaranense, faz parte desta lista pela inquestionável qualidade e capacidade para mais altos voos. Tecnicamente também ele com qualidade, muito forte no desarme, boas características físicas e um preço de mercado que certamente baixou em virtude da menor utilização, são mais valias a seu favor.

Roberto Sousa (Leixões, 24 anos) - O brasileiro emprestado pelo Celta de Vigo é craque. Contudo, há um par de anos ninguém diria que seria emprestado por um clube da 2a divisão espanhola a um clube médio português. Essencialmente porque lhe apontavam um grande futuro. No lado direito do triângulo do meio-campo de José Mota percebeu-se porquê, embora lhe falte alguma regularidade. Que precisa consolidar se quiser alcançar uma equipa mais forte, mas a qualidade de passe, a capacidade de jogar de cabeça levantada e a bom remate são armas importantes para a afirmação.

Adrien Silva (Sporting, 20 anos) - Jogador muito jovem, provavelmente o próximo a explodir saído da Academia de Alcochete. Ainda em período recente fortemente conotado com o Chelsea, Adrien jogou mais esta temporada. Apesar de tudo, pela concorrência e não só, a sua entrada no 11 inicial tem sido gradual. Mas é já um jogador muito interessante, o médio defensivo moderno que não se limita a destruir e a tapar caminhos para a sua baliza, mas é muito capaz no processo inverso, na construção, na cultura de posse, no passe.

Hugo Leal (Trofense, 29 anos) - Luiz Alberto, brasileiro do Nacional, podia fazer parte deste 'plantel'. Mas Hugo Leal é, reconheço, um jogador que me enche as medidas. Apesar de certamente não lamentar tanto quanto ele os caminhos errados que tomou quando mais jovem, e que o impediram de chegar a patamares altíssimos. Ainda assim, aos 29 anos vai passeando classe pelo nosso campeonato, e acredito ainda ser uma boa solução para qualquer boa equipa. A leitura de jogo, a muita inteligência, a qualidade técnico-táctica estão todas lá.

Ruben Micael (Nacional, 22 anos) - Vindo do União da Madeira, através da prospecção nacionalista na Região Autónoma, Ruben Micael era encarado no início da época como um jogador de plantel. Depois de alguns jogos de fora, o passar dos meses veio contrariar essa tese e demonstraram aos 22 anos e primeira experiência na Liga principal, um jogador muito maduro, que joga sempre de cabeça levantada, competente tacticamente e desequilibrador (essencialmente a nível da qualidade de passe) ofensivamente. Um bom reforço para qualquer equipa.

Fábio Coentrão (Rio Ave, 21 anos) - O jovem de Vila do Conde, é a par de Yazalde e Carlos Brito a principal razão da manutenção do Rio Ave. É certo que jogou apenas 6 meses em Portugal, mas a sua preponderância no jogo ofensivo da equipa (marcou mesmo alguns golos), a sua capacidade técnica, a sua juventude, dão-lhe justificadamente um lugar nestas escolhas. Desde que solidificando aspectos mentais, a próxima época (previsivelmente no Benfica) pode ser de afirmação.

Cristiano (Paços de Ferreira, 25 anos) - 10 nas costas, bola no pé esquerdo, muita capacidade técnica, algum individualismo e inconsequência, mas um dos grandes responsáveis pelos objectivos alcançados pelo Paços. Também por esse facto e pela despromoção do Trofense não é Helder Barbosa a figurar na lista. Mas Cristiano, 25 anos, terá ainda de ser mais objectivo se quiser vingar a um nível superior. No resto, qualidade é com ele.

Varela (Estrela da Amadora, 24 anos) - Silvestre Varela está longe de ser um desconhecido para os amantes do futebol português. Saído do Sporting, conta já com passagens pelo Setúbal e Huelva, antes da chegada ao Estrela da Amadora, onde pelo centro ou pela direita, fazendo uso da sua velocidade e técnica, foi sempre um dos principais desequilibradores. A transferência para o Porto é já um dado adquirido, apesar de certamente ir ter algumas dificuldades em alcançar a titularidade. Contudo será concerteza utili para certo tipo de jogos, contando para isso com uma maior objectividade e sentido de baliza, que me fizeram preferi-lo a Djalma.

Urretavizcaya (Benfica, 19 anos) - Veio do Uruguai rotulado de grande promessa, depois de brilhar pelo River Plate de Montevideo. A pré-época deixou boas indicações, mas a forte na concorrência na ala esquerda e a preferência de Quique por maior contenção na direita, aliados aos quase dois meses que passou na selecção, fizeram-no perder o comboio. Que recuperou quando o Benfica já tinha os dois principais objectivos bem longe. Da parte final da época dos encarnados Urreta é a melhor memória, jogando na ala direita, mostrando pormenores interessantes, capacidade técnica acima da média, velocidade e curiosamente um processo decisional mais ou menos bem conseguido. A próxima época pode confirmar o valor que se prevê, e que já atraiu olheiros de Arsenal e Fiorentina.

Nuno Assis (Vitória de Guimarães, 31 anos) - É certo que Assis não é jovem. É certo que já passou em clubes como Benfica e Sporting. E é certo que as suas melhores performances foram em Guimarães. Mas principalmente na Luz, conseguiu grandes jogos quando foi parte importante na conquista do último campeonato. Provavelmente foi incompreendido ou mal aproveitado, a polémica com doping não ajudou. Mas é justo reconhecer que Nuno Assis foi certamente um dos três melhores jogadores da segunda metade do campeonato, catapultando o Vitória para uma melhoria exibicional, através de golos, assistências e da capacidade em fazer jogar a equipa. Por isso não podia ficar de fora desta lista. Certamente que não voltará a um grande português, mas não estou assim tão certo que se o fizesse não tivesse bastante utilidade.

Rui Miguel (Paços de Ferreira, 25 anos) - Este ainda jovem jogador do Paços foi a par de Cristiano, uma das figuras da equipa. Saído da Naval há duas épocas para a Polónia (onde foi campeão ao serviço do Lubin), provavelmente por motivos financeiros, é agora um alvo bastante apetecível para os clubes portugueses, pela capacidade que apresentou na prova. Fortíssimo a nível técnico, com boa capacidade de remate, Rui Miguel jogava no Paços sobre o centro-direita, atrás do avançado. Um médio ofensivo interessante para explodir na próxima época.

Luís Aguiar (Braga, 23 anos) - O urugaio do Braga, que teve um post no Futebol Total há uns meses atrás, foi já transferido para o Dínamo de Moscovo. 3M€ por metade do passe não é propriamente uma pechincha, mas apesar de tudo foi concerteza um investimento com retorno. Aguiar representa mais um caso de um jogador super-desaproveitado pelos grandes portugueses, e que vai jogar na Rússia longe dos melhores palcos. Ainda assim, considero-o de todos os jogadores que não actuam num grande, e mesmo sabendo da sua curta passagem pelo FCP, aquele que actualmente estaria mais preparado para 'pegar de estaca'. Joga com os dois pés, executa muito bem a bola parada, forte na finalização e na construção, participa com qualidade no processo defensivo, nunca desiste de um lance, pode ocupar várias posições no meio-campo. Era preciso mais para jogar no Porto, Benfica ou Sporting? Pelos vistos era...

Nené (Nacional, 25 anos) - Referência incontornável deste campeonato, discute penso com Aguiar o título de mais preparado para jogar num grande. Melhor marcador da prova ao serviço de uma equipa 'não grande' está longe de ser um mau cartão de visita. Se juntarmos a essa marca o facto de os golos serem obtidos de todas as formas - bola parada, cabeça, pé direito e pé esquerdo, e a capacidade e disponibilidade para ser o primeiro defesa da equipa, fazem do brasileiro ex-Cruzeiro um alvo imperdível na relação qualidade-preço para qualquer clube com uma boa gestão desportiva.

Baba (Marítimo, 21 anos) - Um daqueles diamantes africanos a precisarem de ser lapidados, mas já com muito futebol nos pês. Rápido, forte, explosivo, espontâneo no remate, Baba conseguiu esta época uma boa marca a nível de golos, e foi um dos destaques de um Maritimo mediano. Fala-se já em muitos clubes interessados, mas a permanência na Madeira por mais uma época, por forma a ser bem trabalhado por Carvalhal, longe dos holofotes e da pressão dos maiores palcos, será provavelmente uma boa medida. Uma boa promessa nos verde-rubros, ganhando o lugar a Carlos Saleiro, tendo como vantagem o facto de ter iniciado a época na Primeira Liga.

Douglas (Vitória de Guimarães, 23 anos) - William do Paços poderia perfeitamente figurar nesta lista, até porque marcou mais golos que Douglas e porque à semelhança do compatriota teve uma época prometedora destruída por uma lesão. Contudo, o avançado vitoriano cativa-me mais. Tem características físicas muito importantes para um avançado, sendo capaz de segurar a bola com qualidade, ao mesmo tempo que a capacidade de remate é acima da média. O tal instinto matador que diferencia os avançados e que Douglas tem. Dois anos depois, o Vitória tem um sucessor à altura para Saganowski.

Este é obviamente um exercício subjectivo, passível de discussão, mas certamente que um plantel destes daria muito bem conta de si numa competição como a Liga Sagres. Ao mesmo tempo que não duvido que muitos destes jogadores estarão em breve a actuar em patamares superiores ao actual. Todos eles para continuar a seguir com atenção.

A evolução do Shakhtar

à(s) 02:52

quinta-feira, 21 de maio de 2009


O clube ucraniano tem pouco mais de 70 anos de vida. Ainda longe do centenário, ainda longe da grandeza histórica dos rivais de Kiev, onde se destaca o Dynamo. Contudo, desde a virada do século, os 'laranjas' de Donetsk adquiriram um maior protagonismo interno, alargado nas últimas épocas para carreiras interessantes no domínio europeu. Terminaram com a hegemonia do clube da capital, ao mesmo tempo que conseguem já a maior média de assistências do campeonato ucraniano.

Se o maior protagonismo interno foi inicialmente adquirido, como referi, na viragem do século (Taça da Ucrânia em 2001, Dobradinha em 2002), com recurso a jogadores ucranianos (os africanos Aghahowa e Okoronkwo seriam as excepções com maior qualidade), foi a partir de 2004/2005, com a abertura das fronteiras de Donetsk ao mercado brasileiro que o clube deu o grande salto. A nível interno campeonatos conquistados em 2005, 2006 e 2008, Taça em 2008, Supertaça em 2005 e 2008. E a chegada de brasileiros como Elano, Jadson, Matuzálem, Leonardo, Fernandinho, Willian, Ilsinho ou Luiz Adriano. Tudo jovens com grande margem de evolução, e ainda não totalmente preparados para o salto do Brasileirão para os grandes clubes dos principais campeonatos, ao mesmo tempo que apresentam uma qualidade indiscutível.

Na Europa, e depois de carreiras interessantes na Taça UEFA e na Liga dos Campeões, chegou hoje a consagração na UEFA. Sob o comando do competente Mircea Lucescu, o Shakhtar emergiu de um grupo interessante de candidatos onde figuravam nomes fortes como Milan, Valência ou Zenit e interessantes como Bremen, Hamburgo, City, Villa, Tottenham, Udinese, Marselha ou CSKA, entre outros. Nesta competição, que neste formato, teve o seu término em 2008/2009, é difícil apontar o clube mais forte. Essencialmente pelo facto de os treinadores rodarem bastante o onze, privilegiando as competições internas. Apesar de tudo, os ucranianos foram certamente das equipas mais fortes e consolidadas e como tal, a vitória final assenta bem.

Tacticamente a equipa assenta num 4x2x3x1, muito dinâmico. Na baliza Pyatov é um guarda-redes interessante, com bons reflexos e apesar da falha monumental frente ao Bremen, mais forte entre os postes do que fora deles. À sua frente Chygrynskiy é titular indiscutível, o típico central da escola ucraniana, corpulento mas com grande leitura de jogo e forte no desarme, enquanto Kucher e Ischenko discutem a outra vaga. Os laterais são jogadores semelhantes, de muitíssima qualidade e de grande propensão ofensiva. O croata Darijo Srna e o romeno Rat, dois protótipos do lateral moderno.
Á frente da defesa um duplo pivot. Hubschmann mais posicional (castigado na final e substituído por Lewandowski), compensa quase sempre as subidas dos laterais. No papel ao seu lado, mas com incomparavelmente mais liberdade o tecnicista Fernandinho, temível na bola parada, e com grande facilidade de remate. Nas laterais, igualmente dois brasileiros. Ilsinho (lateral de origem mas com grande qualidade técnica) mais vertical na direita, o jovem Willian mais sobre a esquerda, ele que originalmente é uma espécie de 10 à moda antiga, quase sempre em diagonais para o interior do terreno, deixando as costas para as subidas de Rat.
Mais adiantados, os maiores desequilibradores e fazedores de golos: Luiz Adriano mais fixo na frente, entre os centrais. Jadson nas suas costas, numa espécie de 'jogador 9,5', capaz de contribuir com bastantes golos e assistências. Referência ainda para Marcelo Moreno, boliviano vindo do Cruzeiro, que na UEFA jogou pouco, mas com muito futebol nos pés, e uma próxima temporada à espera da explosão no futebol europeu.

Enfim, os ucranianos mantiveram o bom registo dos países de leste na Taça UEFA. Nas últimas 5 épocas, pelo meio da dobradinha do Sevilha, CSKA, Zenit e agora Shakhtar inscreveram o nome na galeria dos vencedores. Para o clube de Donetsk este é o mote decisivo para o estabelecimento de um nome forte e respeitado na Europa do futebol. O grande desígnio do actual presidente - vencer a Liga dos Campeões, pode já ter estado mais longe.

Obreiros do Tetra

à(s) 01:24

terça-feira, 12 de maio de 2009


O Porto materializou ontem, na sequência do que se esperava, a conquista do tetra-campeonato. Sobre o total mérito da conquista já aqui falei no dia seguinte à vitória em Guimarães, e portanto hoje importa-me destacar aqueles que penso serem os dois principais obreiros desta vitória.

É comum dizer-se que as naus precisam de um timoneiro para chegar a bom porto. No futebol não é diferente. Contudo, em algumas equipas, tal a qualidade e maturidade dos jogadores, tal a rotina de bons processos existente, o peso do treinador dissipa-se um pouco. Neste Porto não foi assim. Não que o plantel não seja de qualidade, mas em grande parte dos seus elementos, denotava-se no início da época, que seria precisa muita evolução para que a equipa atingisse os seus objectivos. Rolando, Sapunaru, Cissokho, Fernando, Rodriguez e Hulk são exemplos claros do que falo. No crescimento individual destes elementos, e ao mesmo tempo da equipa, o mérito vai todo para Jesualdo Ferreira (JF).
Não foi uma nem duas vezes que ouvimos o 'Professor' afirmar que no Porto também se faz formação na equipa principal. Mas a formação que assistimos nesta época não foi apenas a nível individual. Foi também no que respeita ao modelo de jogo da equipa, que naturalmente sofreu um abalo com as saídas dos nucleares Bosingwa, Quaresma e Paulo Assunção, e a entrada de jogadores com características distintas. Jesualdo percebeu que não há jogadores iguais e que teria de alterar a forma da equipa jogar, sob pena de os reforços não conseguirem interpretar o modelo da mesma forma. Na capacidade de um treinador perceber os seus activos, o meio envolvente, e conjugando estes factores, a melhor forma de levar a equipa ao sucesso, está grande parte da sua qualidade. JF teve essa capacidade.
Mesmo depois de alguns precalços, mesmo depois de bastante contestação, o Porto manteve fidelidade aos seus princípios, às convicções da sua equipa técnica, e ao mesmo tempo que se readaptavam por exemplo Lucho, Meireles e Lisandro a novas funções, e se assistia ao crescimento dos jogadores acima citados, a equipa retomou o caminho das vitórias. O grande mérito de Jesualdo Ferreira passa por aí, pela competência no processo de treino e de jogo, e pela inteligência que lhe permitiu encaixar-se bem no clube, obtendo um lugar de destaque. Numa época em que foi tri-campeão, atingiu a final da Taça, e os quartos de final da Champions, o reconhecimento (tardio) da esmagadora maioria dos adeptos chegou. Na próxima época, deverá continuar.

Helton, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Cissokho e Fernando. Uma equipa desempenha tarefas conjuntas nos cinco momentos do jogo, mas estes jogadores formaram em muitas partidas, o grupo com maiores responsabilidades defensivas. Se exceptuarmos a baliza, apenas Bruno Alves jogava no Porto na época passada. Todos os restantes elementos actuavam em clubes ou campeonatos de menor exigência e responsabilidade. Se falo de JF como parte integrante para o crescimento da equipa, dentro do campo Bruno Alves era a sua extensão. Não raras vezes vimos o central portista em diálogo com os companheiros de sector durante as partidas, corrigindo acções ou posições. Uma voz de comando dentro de campo, e talvez o jogador expoente de Jesualdo Ferreira, por ser aquele que mais cresceu com o treinador. Passado de mal-amado entre os adeptos a um dos capitães de equipa, pretendido por meia Europa, Bruno Alves é também o marcador do golo do tetra.
Pelas suas qualidades como central, pela importância que tem dentro da equipa, pelo seus golos fundamentais (Sporting e Nacional são dois exemplos fortíssimos), destaco-o como o jogador do ano no Porto. Mesmo que Lisandro e Lucho sejam (acredito que a par do melhor Aimar) os melhores jogadores a actuar em Portugal, mesmo que Meireles tenha crescido imensamente, mesmo que Hulk seja um vulcão futebolístico prestes a explodir. Mesmo assim, penso no Porto vencedor do campeonato e vejo Jesualdo Ferreira e Bruno Alves.

A próxima época está já a caminho, e com ou sem Bruno Alves, com ou sem JF, o Porto parte já um passo à frente da concorrência. A equipa é jovem e tem margem de crescimento, os processos estão identificados e bem definidos, e a estabilidade é uma imagem de marca. Além disso, um título deixa-nos sempre mais perto do próximo. Principalmente quando existe uma superioridade inequívoca. Foi o caso.

Jogadores revelação da Premier League

à(s) 01:48

segunda-feira, 4 de maio de 2009


Aquela que, no cômputo geral, é provavelmente a melhor Liga do Mundo aproxima-se do fim. As posições estão mais ou menos clarificadas, o título para o Man Utd, os lugares da Champions para o Big Four, a UEFA para Everton, Aston Villa e um terceiro clube entre City, West Ham e Fulham. A despromoção é um cenário cada vez mais real para WBA e Middlesbrough, ao mesmo tempo que Hull City, Sunderland e Newcastle fogem à última 'vaga'.
O defeso está a chegar com as ofertas mirabolantes, as trocas de jogadores entre clubes concorrentes, tudo o que torna o mercado inglês um dos mercados de transferências mais peculiares. Na boca de muitos treinadores, na lista de muitos empresários, estarão muitos dos jogadores revelação desta época.

Denilson
- não foi a primeira época de Arsenal. O jovem brasileiro já fazia parte dos quadros da turma de Wenger há algum tempo, mas foi este o ano da sua afirmação. Teve como principal desígnio substituir Gilberto Silva, depois de um defeso em que o Arsenal procurou sem sucesso, um pivot defensivo. E a sua época foi bastante bem conseguida. Competente na cobertura defensiva, dá qualidade à equipa na saída para o ataque, e contribuiu decisivamente com algumas assistências. Ao lado de Fabregas, o rendimento de Denilson foi muito positivo.

Ashley Young e Agbonlahor
- residiu no Aston Villa a sociedade mais entusiasmante na primeira metade da Premier League. Estes jovens ingleses, rápidos, técnicos e explosivos conduziram o Villa a uma luta bem real pelo apuramento para a Champions, que o Arsenal enterrou quando o campeonato se aproximou do fim. Ainda assim nada apaga a carreira destas duas promessas reais, desequilibrando o adversário essencialmente em velocidade. Apesar de tudo são diferentes, Young mais técnico sobre a ala, Agbonlahor mais forte em frente à baliza, aparece mais no meio. A próxima época, provavelmente ainda no Villa, será a da confirmação, ao mesmo tempo que a Selecção Inglesa será um cenário cada vez mais constante.

Taylor e Davies
- Se falei de uma sociedade interessante na primeira metade da época, Matt Taylor e Kevin Davies representam uma das mais interessantes no terço final, ao serviço do Bolton. Apesar de não serem propriamente jogadores revelação, atingiram níveis qualitativos bastante elevados, provavelmente mais do que o que seria expectável. Kevin Davies fortíssimo dentro da área, essencialmente de cabeça. Matt Taylor, temível nas bolas paradas, lateral de origem, com um bom pé esquerdo que lhe permitiu avançar no terreno e ter mais oportunidades de visar a baliza. Foram os golos destes dois homens que permitiram ao Bolton fugir da linha de água e à perspectiva (por altura do Natal muito real) de despromoção.

Baines e Fellaini
- Num Everton cada vez mais sólido e constante e superiormente bem orientado por David Moyes, Leighton Baines e Marouane Fellaini são as faces do novo futebol da equipa. Um acréscimo de qualidade para acompanhar os já interessantes Jagielka, Lescott, Arteta, Cahill ou Yakubu. 2008/2009 foi já a segunda época para Baines, vindo do Wigan, mas foi apenas a partir de Dezembro que o lateral esquerdo se afirmou. Competente a defender, muito bom a atacar, Baines é hoje, depois de Ashley Cole, o melhor lateral esquerdo inglês.
A tarefa de Fellaini não era fácil. Grande revelação do campeonato belga, chegou ao Everton por um valor muito próximo dos 20milhões de euros, e tinha como companheiros de meio-campo Arteta, Cahill, Phil Neville, Pienaar ou Leon Osman. Contudo, o belga agarrou o lugar, num estilo técnico e robusto, mas capaz de contribuir com muitos golos para a equipa. Sinal muito positivo para esta primeira época de Premier League.

Turner
- Num Hull City que inicialmente foi a grande surpresa do campeonato, e que actualmente luta para não descer, Michael Turner foi a par de Geovanni, a grande figura da equipa. Central tipicamente inglês, com boa leitura de jogo, forte no jogo aéreo e perigoso nas bolas paradas ofensivas, o jovem inglês na próxima época concerteza dará o salto para um clube de maior dimensão.

Skrtel
- O Liverpool tem um bom lote de centrais. Embora nenhum seja verdadeiramente de top, Carragher, Agger, Hyppia e Martin Skrtel dão tranquilidade a Benitez no centro da defesa. O eslovaco, chegado do Zenit no mercado de transferências do Inverno de 2008, conquistou esta época o lugar ao lado do capitão Carragher, deixando Agger e Hyppia com pouco espaço de manobra. Rápido, forte no um para um, de processos simples, Skrtel fez uma boa época em Inglaterra.

Ireland
- O irlandês do City é uma das grandes figuras do Campeonato. No 4x2x3x1 do City desempenha com qualidade quer o lugar de médio de transição quer o lugar de médio mais ofensivo. Apesar de tudo, é como médio de transição, vindo de trás, que Ireland melhor expressa o seu futebol. Sempre com grande qualidade na posse de bola, fortíssimo em movimentos verticais, Ireland aparece inúmeras vezes em situação de remate, e consegue muitos golos devido a essa capacidade. Será sem sombra de dúvidas, uma das grandes figuras do novo City.

Rafael da Silva
- o jovem brasileiro que Queirós tenta seduzir para jogar por Portugal, é um jogador com muito potencial. Se no início da época se questionou bastante o facto de Ferguson não reforçar o lado direito da defesa, as prestações de Rafael deixaram claro que será ele o futuro dono do posto. Nesta primeira época, o dedo de Ferguson percebe-se pelo facto de a sua aparição no onze titular ser criteriosa e gradual, lutando pelo lugar com Brown, Neville e O'Shea. Contudo, nenhum destes terá já a qualidade de Rafael, que embora de baixa estatura e ainda com algumas limitações a nível de posicionamento, demonstra já inúmeras qualidades. Técnica apurada que lhe permite sair a jogar pela lateral, boa capacidade de cruzamento, rapidez na recuperação defensiva são as suas principais marcas.

Lennon e Modric
- O Tottenham tem grandes valores individuais e no início da época havia muitas expectativas em White Hart Lane. Apesar de tudo, só após a troca de Juande Ramos pelo 'dinossauro' Redknapp é que a equipa conseguiu bons resultados. Para esta evolução, muito contribuíram os alas do 4x4x2 de HR: Aaron Lennon e Luka Modric. O croata cumpre a sua primeira época em Inglaterra e chegou ao Tottenham depois de um excelente Europeu. A fase inicial, jogando mais sobre a zona central foi de difícil afirmação, mas nos últimos tempos, partindo da esquerda, em movimentos interiores, fazendo uso do seu drible curto, da sua excelente capacidade de passe, tem feito grandes jogos.
De Lennon direi sem pestanejar, que é o jogador mais entusiasmante do último terço de Premier League. Com uma rapidez impressionante, sobre a direita, em drible curto ou ultrapassando os adversários em velocidade, Lennon é um quebra cabeças para os defesas adversários. Fortíssimo no contra-ataque, bom nos cruzamentos, o jovem inglês tem um números impressionantes nos últimos 10 jogos: 3 golos, 5 assistências, 4 vezes melhor em campo. Passam muito por estes dois jogadores as perspectivas de sucesso do Tottenham na próxima época.

Brunt - Este jovem médio norte irlandês, jogando na ala ou mais atrás do ponta de lança, tem sido também ele, uma boa surpresa. Com 8 golos marcados ao serviço do último classificado, na época de estreia no principal campeonato inglês, Brunt certamente não ficará mais tempo no WBA. As suas características que se distinguem pela finta curta e pela grande inteligência na ocupação dos espaços, pedem uma melhor equipa.

Carlton Cole
- o 12 do West Ham não é propriamente um desconhecido. Aos 25 anos conta já com passagens por Chelsea e Aston Villa, mas, 9 golos e 5 assistências para golo, ao serviço dos londrinos, numa época que para ele terminou em Março, são de assinalar. Com 1,91 é o típico ponta de lança do velho futebol inglês, embora curiosamente seja mais forte a jogar com os pés.

Zaki e Valencia
- O egípcio foi um dos grandes destaques individuais da primeira metade da época. Um bom avançado, que recua para receber a bola e não se limita a recebê-la perto da área. E muita facilidade de remate. Contudo, se, ao serviço do Wigan, 10 golos até Dezembro são uma marca excelente, o facto de não ter festejado qualquer um em 2009 merece um acompanhamento mais cuidado. A qualidade está lá, o lado psicológico parece não acompanhar.

O equatoriano Valência, foi um dos destaques já na época passada. Esperar-se-ia uma subida de rendimento na actual, mas tal não aconteceu. O nível manteve-se, e talvez o destaque aqui dado seja errado, mas o potencial e muitos bons momentos proporcionados pelo extremo direito fazem-me escolhê-lo. Quem sabe se não precisa do salto para explodir.

Não aos emprestados!

à(s) 02:18

terça-feira, 28 de abril de 2009


Os jogadores emprestados sempre estiveram envoltos em muita polémica. Por todas as razões. Porque se jogavam contra o seu 'clube-mãe' as suas performances eram questionadas. Porque se marcavam um golo a esse mesmo clube ou realizavam uma grande exibição, a verdade desportiva estaria pretensamente adulterada, porque o emprestado contribuía para um resultado menos positivo do clube que lhe pagava pelo menos parte do salário. E porque se não jogassem estariam a enfraquecer o clube que defendiam na época em questão. Porque serão à partida mais valias que dotam a equipa de soluções importantes e que não jogando, as privam de rotinas adquiridas ao longo da época.

Pela última razão, regulamentou-se que, aquando da celebração do contrato de empréstimo, não seria permitido impedir o jogador de defrontar o seu 'clube-mãe'. Contudo, hoje em dia continuam a assistir-se a demasiadas coincidências para acreditar que não existam acordos ocultos sobre esta matéria.
A solução para uma prova mais justa e competitiva passa pelo impedimento dos empréstimos entre clubes da mesma divisão. Assim fosse, as constantes desconfianças seriam evitadas. Sobre a performance dos jogadores, sobre a veracidade de determinadas lesões, mesmo sobre opções de treinadores.

O próprio processo de empréstimo é revertido de alguma concorrência desleal, que deve ser banida. Vejamos na óptica dos clubes mais pequenos: regem-se por orçamentos restritos, curtos, decorrentes de gestão apertada, de resultados desportivos anteriores, de melhores encaixes financeiros decorrentes das vendas. Contudo, alguns deles conseguem, através de relações privilegiadas com clubes maiores, chegar a jogadores pretensamente com maior qualidade, colocando-se em teoria, num patamar qualitativamente superior ao dos adversários mais directos. Sem méritos desportivos ou de gestão, aparentes.

Empréstimos de jogadores são um processo demasiado nebuloso. Eles serão importantes para os jogadores mais jovens, no sentido de transitar das camadas jovens para o futebol profissional, mas nesse caso, uma divisão inferior será suficiente. Vejamos os casos de sucesso de Pereirinha, Miguel Vítor ou Miguel Veloso por exemplo.
Aliás, este tipo de medida restritiva potencia uma melhor gestão, e um maior cuidado no recrutamento de activos. E mesmo dois, três, quatro excedentários podem ser com maior ou menor facilidade colocados noutro campeonato. O Braga fê-lo com Linz, o Porto colocou Pitbull e Paulo Machado, o Benfica Sepsi e Adu.
Mais do que isto, é criar condições para alguma falta de transparência e para relações pretensamente ocultas que em nada beneficiam o futebol. A Liga deveria estar atenta.

O Paços de Paulo Sérgio

à(s) 02:41

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Quando o sorteio das meias-finais da Taça de Portugal ditou os confrontos entre Porto e Estrela da Amadora, e entre Nacional e Paços de Ferreira, o mundo do futebol pensou que, com maior ou menor dificuldade, os finalistas estariam à partida encontrados. Seriam FC Porto e Nacional da Madeira os intervenientes desta época no espectáculo do Jamor (e sim, apoio e apoiarei o Estádio Nacional como melhor local para se realizar a Final, ontem, hoje, provavelmente amanhã).
O futebol é uma caixinha de surpresas e o potencialmente melhor preparado Nacional foi surpreendido em plena Choupana por um Paços de Ferreira que pela primeira vez ao longo da actual época respira no campeonato com alguma tranquilidade.

A equipa sofreu de dores de crescimento ao longo de quase toda a época. Afinal, sofreu uma transição de treinadores com métodos e formas de pensar bastante diferentes. Saiu José Mota, homem da casa, e com obra feita no clube, chegou o promissor Paulo Sérgio, ex-jogador do Paços e ex-treinador do Beira-Mar.
De facto foram inúmeras as críticas ao jovem técnico. O Paços perdeu por 6 vezes nas primeiras 7 jornadas, provavelmente por alterar em demasia a forma de jogar, de partida para partida, mais em função do adversário, e das exigências que cada jogo previsivelmente traria. De facto, é difícil compreender e vai contra todas as 'regras' do futebol promover tanta rotatividade entre sistemas, que era o que acontecia no Paços, algures entre o 3x5x2, o 4x3x3 e o 4x2x3x1.
Actualmente, Paulo Sérgio já não o faz. Tem um sistema base - o 4x3x3 e promove algumas nuances de acordo com o adversário, ora interiorizando mais os extremos, ora jogando em duplo pivot defensivo, ora utilizando uma frente de ataque mais móvel. A base, contudo, mantém-se. E o facto de os melhores resultados aparecerem na fase terminal da época, quando os jogadores melhor assimilaram este conceito, não será de estranhar. Mérito também do treinador, jovem português com qualidade e margem de progressão. E muito importante, privilegia as boas ideias, o futebol positivo.

Nas quatro linhas, é na defesa que mora o ser o sector mais frágil da equipa. Na baliza, a herança deixada por Peçanha era enorme. Cássio é um bom guarda-redes, mas capaz do melhor e por vezes do pior, deixando a equipa algo insegura. À sua frente, Ricardo, central de raiz, ocupa mais frequentemente o flanco direito da defesa, desde que Ferreira subiu para o meio-campo. À esquerda, Jorginho chegado no Inverno, dá muita qualidade à equipa, forte a defender, forte a atacar. No centro da defesa Danielson e Kelly fazem uma dupla razoável, algo normal, porque o brasileiro chegou apenas em Janeiro e o francês é lateral esquerdo de origem.
É no meio-campo que reside a maior riqueza de opções no Paços. Paulo Sousa, Pedrinha, Dedé, Filipe Anunciação e o referido Ferreira conferem segurança defensiva, apesar de Pedrinha ser de todos o mais dotado tecnicamente, o mais criterioso na posse de bola. Depois, Rui Miguel e Cristiano, um português e um brasileiro, as duas mais valias da equipa, os jogadores mais capazes de desequilibrar o adversário. Jogando mais sobre a ala, ou mais puxados ao centro, a equipa ganha criatividade e qualidade com estes elementos.
Na frente, na ausência do goleador William, André Pinto, Carlos Carneiro ou Edson dotam o Paços de soluções importantes.

É com este plantel que o Paços afastou Naval, Vizela, Arouca e Rebordosa. E que vai permitir a Paulo Sérgio coroar com uma final a sua época de estreia num clube primodivisionário. Ao mesmo tempo que se trata de um grande prémio para uma equipa modesta, cumpridora e séria.
No Jamor o favoritismo está todo do lado do Porto. Os castores chegarão a esse palco conscientes desse facto, mas sabendo que o futebol é uma caixinha de surpresas e que num dia bom, conjugado com uma tarde menos feliz dos dragões, a equipa tem hipóteses de conquistar o troféu. E mesmo que não aconteça, as competições europeias, em 2009/2010 já colocarão os pacenses no mapa do futebol europeu. Quem diria?

J.Moutinho, Kasparov num tabuleiro verde

à(s) 01:31

quarta-feira, 22 de abril de 2009


O Sporting anunciou ontem à noite, a renovação do contrato com o seu capitão, saído da Academia, João Moutinho. O clube passa a receber o valor total da venda do seu activo, ao mesmo tempo que baixa o valor da sua claúsula de rescisão. No que parece uma cedência de ambas as partes, de Moutinho porque abdica da parcela a que tinha direito em caso de transferência, do Sporting porque baixa o valor pelo qual poderá transferir o seu jogador mais valioso.
22.5 milhões de euros é o valor que os interessados terão de desembolsar, para passar a contar com o português no seu plantel.

Olhando para a conjectura de mercado, em épocas de crise económico-financeira, podemos questionar se existe algum clube disposto ou capaz de dispender este valor para concluir a operação. Mas é muito provável que em Inglaterra, por entre Aston Villa, Arsenal, Everton, Manchester City ou Chelsea, pelo menos um avance na direcção de Moutinho.
Tal facto só dá conta da valia do capitão do Sporting. Ninguém olha para ele esperando que resolva directamente jogos. Porque não tem um drible fabuloso, porque não tem uma capacidade de remate acima da média, porque não tem uma visão de jogo extraordinária. Então porquê? Porquê 22.5 milhões de euros por um jogador assim? É simples, aos 22 anos, Moutinho representa na perfeição o protótipo de jogador moderno.

De uma regularidade assombrosa, capaz de realizar uma época completa, sem decréscimo de performance. Capaz de preencher todas as posições próximas da zona mais central do meio-campo, sozinho, em duplo pivot ou losango. Sempre com grande sapiência e maturidade que lhe permitem entender muito bem cada momento do jogo, todas as exigências da posição que ocupa, todas as necessidades da equipa.
Como referi, não se pode esperar de Moutinho que decida jogos. Embora por vezes o faça. Vale em média 6/7 golos por época, um pouco mais se falarmos de assistências. Mas, mais do que tudo, vê-se nas equipas que defende, um equilíbrio entre ataque e defesa, ou seja, muita competência nas transições. E uma qualidade pouco comum, de conciliar técnica, com muita capacidade táctica e de trabalho de equipa.
Inteligência, competência e seriedade. Este é o futebol do 28 do Sporting, mais um excelente 'produto' da Academia de Alcochete, e que dificilmente se continuará a expressar em Portugal.

A gestão de Ferguson

à(s) 01:14

segunda-feira, 20 de abril de 2009


No Manchester United mora uma autêntica constelação de estrelas. Olhando para o plantel, vemos que apenas existe alguma falta de cobertura na lateral direita da defesa (onde já actuaram Rafael da Silva, Gary Neville, Wes Brown e John O'Shea), e talvez na zona central porque Evans, embora promissor, está ainda a bastante distância, qualitativamente falando, de Vidic ou Ferdinand.
Também por isso, referi, por alturas de Novembro, que acreditava que a equipa tinha todas as condições para vencer as cinco competições em que estava envolvida - Campeonato do Mundo de Clubes, Taça da Liga, Taça de Inglaterra, Premier League e Liga dos Campeões. Tendo sempre claro, que no futebol, uma escorregadela ou uma bola no poste, por exemplo, podem separar a glória do fracasso.

Mas o futebol de grande qualidade praticado pela equipa, além de atractivo visualmente, eficaz e cínico e sólido quando é preciso (assim foi no Dragão), indicava que não seria uma coincidência a equipa atingir a glória máxima. Seria antes, o reflexo do trabalho e da qualidade, aliados a uma pontinha de sorte necessária neste tipo de feitos únicos, e que já tinha sido vista na conquista da Taça da Liga, nos penalties frente ao Tottenham, já depois de em Dezembro vencer o Campeonato do Mundo.
A Premier League, a 6 jornadas do fim, não está ainda decidida, apesar de o Man Utd seguir em primeiro com um ponto de vantagem sobre o Liverpool, e menos um jogo a disputar em casa. Na Liga dos Campeões, está já na recta final da prova, e defronta o Arsenal nas meias-finais. Mas a Taça de Inglaterra, e o feito mítico, perdeu-os hoje, em Wembley, frente ao Everton. Foi no desempate por grandes penalidades, onde não teve a tal fortuna que acompanhou a equipa frente ao Tottenham e até frente ao Chelsea, em Moscovo, na época passada. Mas ainda antes da bola começar a rolar, Alex Ferguson foi capaz de dissipar a vantagem natural do Manchester com uma gestão duvidosa.

O Manchester jogou no Porto na última 4aF, recebe o Portsmouth para o campeonato, na próxima 4aF e disputava hoje, em terreno neutro, a meia-final de uma competição com um valor simbólico muito grande em Inglaterra. Frente a um adversário, o Everton, que depois do 'big four' e aproveitando o menor fulgor actual do Aston Villa, é a quinta melhor equipa inglesa.
Ferguson considerou, e penso que olha a ciclos semanais, que no binómio importância/dificuldade a partida com o Everton não era tão relevante.
Sendo assim, deixou de fora do onze Van der Sar, Evra, Carrick, Scholes, Giggs, Rooney, Ronaldo ou Berbatov, todos titulares no Dragão. O Everton alinhando com os melhores, levou o jogo à decisão final e Ferguson caiu. Por estas opções se percebe que o treinador do Manchester joga actualmente as 'fichas todas' na Liga dos Campeões e no campeonato. Mas parece-me relevante perguntar, se não seria possível vencer hoje e na 4aF, com alguma gestão na partida com o Portsmouth.

É principalmente neste campo que se nota mais a ausência de Carlos Queiroz. Mais do que capacidade e tenacidade de acção ao longo dos 90 minutos, mais até do que no escalonamento de onzes, o português é forte na gestão de recursos humanos, em consonância com os objectivos do clube e o rendimento dos jogadores. Até porque era já CQ o homem que estava mais perto dos atletas no processo de treino. Actualmente, quando a gestão ganha uma importância fundamental principalmente nas equipas que, nesta fase da época, estão envolvidas em mais do que uma competição, esta é a segunda brecha aberta no clube.
Por alturas do confronto europeu, com o Porto, Ferguson fez mal a gestão das partidas para o campeonato, defrontando o Aston Villa (por opção), num Domingo, dois dias antes do jogo da Champions. De facto conseguiu reverter a conjectura desfavorável da primeira mão, mas o clube correu mais riscos que aqueles que eram previstos. A época ainda não acabou, mas Ferguson já não terá mais o desconforto que tinha revelado por estar ainda em três competições. Daqui para a frente a rotatividade será mais fácil de fazer, porque as selecções só regressam em Junho e a Taça de Inglaterra foi já perdida. O Manchester previsivelmente voltará a ser um candidato fortíssimo a ganhar o que lhe resta.

AC Milan - renovar é preciso

à(s) 02:40

sexta-feira, 17 de abril de 2009


O Milan é, aos olhos de muitos, o maior clube do mundo. É certo que esta afirmação pode ser polémica, especialmente quando pensamos em clubes como Liverpool e Real Madrid, ou mais recentemente em Manchester United ou Barcelona, mas o facto é que esta grandíssima 'societá' tem uma história riquíssima que os últimos anos não têm prestigiado.
Sendo certo que venceu a Liga dos Campeões há duas épocas atrás, os dois anos seguintes foram pobres a nível de competições europeias: duas vezes nos oitavos de final, na Champions e na UEFA. Pouco para um clube habituado a ser considerado um candidato palpável a vencer tudo. No Calcio o panorama é ainda mais negro - a última vitória data de 2003-2004, pouco antes do escândalo do 'Calciocaos' do qual o clube, mesmo escapando à despromoção, nunca se conseguiu recompor.

Se imaginássemos um gráfico sobre a performance do Milan nos últimos anos o seu traçado concerteza seria uma curva descendente, no sentido inverso à média de idades do seu plantel. Os 'rossonneri' têm adoptado nos últimos anos uma filosofia inerente à criação do 'MilanLab', mas esses frutos, neste elenco actual, parecem ter terminado. É necessário o surgimento de um novo ciclo, que funcione como alavanca para o regresso ao sucesso. Fazendo jus ao facto de ser o segundo maior clube italiano no que diz respeito à conquista de 'Scudettos' e Europeu no que diz respeito à prova rainha do futebol, a Liga dos Campeões. E honrando o históricos recente de jogadores como Van Basten, Gullit ou Rijkaard, Baresi, Costacurta ou Maldini.

Olhando aos rostos actuais do Milan, é pertinente perguntar se não terá já terminado o ciclo de Carlo Ancelotti, chegado ao comando da equipa em 2001. O italiano teve muito boas performances europeias, mas a nível interno tem de certa forma falhado, visto que conquistou apenas um campeonato em 8 anos à frente da equipa. Denota alguma falta de rasgo no banco e mesmo o modelo e sistema que aplica, parecem já estar de certa forma estanques e demasiado compartimentados, num 4x3x2x1 demasiado rígido. Para esse factor obviamente contribui o progressivo desgaste sofrido por alguns dos seus jogadores, especialmente no sector defensivo.

Na baliza, a renovação é premente. Dida, Kalac e Abiatti têm todos idade superior a 30 anos, e não apresentam índices qualitativos que façam jus ao clube. A defesa apresenta nomes como Zambrotta, Kaladze, Jankulovski ou Nesta (que passou praticamente toda a época lesionado) capazes de dar dimensão à equipa, mas homens como o grandíssimo Maldini ou Favalli estão a caminho da retirada. Bonera e Senderos por sua vez têm falta de estofo para este nível. À excelente contratação de Thiago Silva, devem somar-se mais uma ou duas de boa qualidade.
O meio-campo é bem constituído. Os mais defensivos Gattuso, Ambrosini ou Flamini, os centro campistas Pirlo e Beckham, ou os mais ofensivos Seedorf, Ronaldinho ou Kaká. Emerson está já um degrau abaixo do exigível, e os uruguaios Cardacio e Viudez são estrelas emergentes, com muito talento nos pés. Apesar de tudo, falta imaginação e criatividade para desequilibrar na ala, e atletas com estas características serão fundamentais.
No ataque, um jogador como Gilardino (transferido para a Fiorentina) encaixava bem para acompanhar Pato e Borriello, porque o matador Inzaghi caminha também ele para a retirada e Schevchenko nunca mais encontrou o seu futebol desde a passagem por Londres.

Marzoratti, Darmian, Antonini, Paloschi, Aubameyang ou Gourcuff (principalmente este) são rostos do futuro do clube, mas é indesmentível que o Milan será um dos protagonistas do próximo defeso. Ou não fosse um dos clubes mais ricos do mundo, e não estivessem os seus tiffosi (incluindo Berlusconi) sedentos de recuperar a glória e o domínio. Até porque na mesma cidade mora José Mourinho que vai tornar a tarefa é tudo menos fácil. A dúvida é só uma: num dos Calcios previsivelmente mais apaixonantes de sempre, 2009/2010 será para o Milan o 'ano zero' ou já o 'ano um'? Restam poucos meses para sabermos a resposta, mas o grande futebol estará de regresso a San Siro ao mesmo tempo que o rubro-negro vai voltar a estar na moda.


Nova encruzilhada no Benfica

à(s) 02:30

segunda-feira, 13 de abril de 2009


Todos os que seguem futebol com maior ou menor atenção sabem como tem sido o Benfica das últimas (quase) duas décadas. Sem querer ser pouco rigoroso e procurando não fugir à verdade, o facto é que existe uma pré-época onde jornais e dirigentes vendem ilusões, um início de temporada onde o entusiasmo está no auge e vai decrescendo com o passar dos meses e dos jogos. No final do percurso, por entre uma ou outra taça conquistada, renasce a fé no sentido de que a epoca seguinte será a do grande êxito.

Êxito que em futebol não nasce por obra do acaso. Por isso o campeonato, uma prova de regularidade, onde os mais bem preparados vencem no final. E o absolutamente contra-natura jejum de títulos no Benfica, tem essencialmente nascido de falta de preparação/competência para recolocar o clube no caminho do sucesso. O que facilmente se constata pelo 'corropio' de treinadores nas últimos tempos.
É certo e sabido que desde Eriksson que nenhum técnico consegue completar duas épocas à frente da equipa. Alguns por manifesta incompetência, outros pela sede de vitória imediata que existe num clube grande. Ora, se a estabilidade é um dos caminhos mais curtos para o sucesso, não é difícil perceber parte das razões para o insucesso do clube.

Mas Quique Flores tem de certa forma contrariado todos estes conceitos, incluindo alguns mais universais no mundo do futebol. O Benfica desta época (exceptuando algum desgaste motivado pelas questões de justiça desportiva) parece ter sido bem erigido. A direcção desportiva teve provavelmente a melhor prestação de mercado dos últimos anos, o treinador contratado dava boas indicações. Forte na metodologia, forte na teoria, não pode haver dúvidas de que Quique Flores profissionalizou e dotou a estrutura para o futebol de meios mais capazes e avançados.
Contudo, dentro das quatro linhas, quando as combinações, a solidez, a motivação, os golos, são a teoria que passa à prática, Quique falhou.
Falhou porque 9 meses após a chegada ao Benfica, afirma que a equipa maioritariamente não joga como pretende. Falhou porque o Benfica raramente apresentou um futebol em consonância com o seu estatuto. Falhou tacticamente porque nunca demonstrou capacidade em apresentar um modelo alternativo ao seu 'hispânico' 4x4x2, que cedo se percebeu não resultar. Falhou porque mostra já alguma desmotivação, porque perdeu o seu estado de graça, e porque já nem nas conferências de imprensa tem conseguido boas exibições. Falhou porque o Benfica saiu cedo de cena na UEFA, num grupo acessível, porque saiu cedo da Taça de Portugal, porque perdeu cedo (a 7 jornadas do fim) as hipóteses de lutar pelo título. Provavelmente falhará porque o segundo grande objectivo (a Liga dos Campeões) está a 4 pontos de distância, quando há apenas 6 jornadas em disputa. Falhou porque nunca conseguiu tirar o melhor rendimento dos seus jogadores.
Ou seja, Quique mesmo que em processos de treino, de aprendizagem, de logística, tenha trazido qualidade ao clube, não a soube transportar para o local onde as épocas se decidem e tudo faz sentido. Disse que o espanhol tem contrariado alguns conceitos universais no mundo benfiquista em particular, do futebol em geral. Porque o treinador do Benfica, demonstra conhecimentos suficientes para não poder ser considerado uma má aposta de Rui Costa. Mas ao director desportivo do Benfica, importa perceber se esses conhecimentos se esgotam na teoria, ou se o 'seu' treinador quis, persistente ou inconscientemente, testar até ao fim (com todas as consequências que para o clube daí advieram) o modelo e o sistema que defende. E nesse sentido, pensar na continuidade do técnico. Ou pelo contrário, voltar à história recente do clube, e contratar um novo timoneiro.

Ontem, curiosamente, Quique experimentou as maiores sensações de antipatia desde que está no Benfica. Num dos melhores jogos da equipa. Só que este Benfica, também contraria uma das verdades universais do futebol: não conseguiu vencer, mesmo jogando bem. Precisamente o oposto do que aconteceu a semana passada na Amadora, e do que, regra geral, vem acontecido na maioria dos jogos. Esta derrota não é culpa do espanhol. O Benfica construiu oportunidades e somou volume de jogo ofensivo suficiente para sair da Luz com uma vitória. Mas, para pouca sorte do espanhol, a sua equipa já transportava consigo uma margem de erro igual a zero. Fruto de jogos pouco conseguidos, de resultados indesejados, de opções duvidosas.
Repito, o Benfica fez um dos melhores jogos da época. Não que tenha sido um jogo extraordinário, mas a fasquia exibicional não estava também muito alta. A verdade é que se olha para a equipa e se vê Ruben Amorim no centro, permitindo à equipa respirar melhor, ter mais critério na posse de bola, fazendo-a circular com mais qualidade. Ao mesmo tempo que não perde capacidade de pressionar o adversário, embora nesse aspecto a diferença entre Katsouranis e Carlos Martins seja considerável. Numa época, Ruben Amorim e Katsouranis co-existiram 3/4 partidas no centro do meio-campo da equipa.

Depois, o 'labirinto Aimar'. O argentino fez provavelmente o melhor jogo com a camisola do Benfica. Em que posição? Naquela onde no futebol actual jogam os elementos mais capazes de desequilibrar: colados à linha contrária ao seu pé dominante. Exemplos? Messi, Robben, Ribery ou Ronaldo. Para aproveitar fortes movimentos interiores, confundindo marcações, arrastando defesas. Há contudo uma diferença: os laterais. Daniel Alves, Sérgio Ramos, Lahm ou Evra. Quatro laterais de forte propensão ofensiva, capazes de alargar o jogo da equipa, com capacidade de chegar à linha para cruzar. No Benfica não é assim. David Luiz é único jogador do plantel capaz de desempenhar com qualidade a posição de lateral esquerdo (mérito de Quique), mas é destro, e privilegia também ele movimentos interiores. É certo que ontem realizou uma boa partida, aparecendo bastantes vezes na área contrária. Mas, em condições normais, ao invés de alargar o jogo, afunila-o. Mais o 'labirinto Aimar se adensa' e se constata que o plantel do Benfica não foi bem formado, quando se vê que com Reyes e Di Maria, é na extrema esquerda um dos lugares em que o Benfica melhor está servido individualmente.
Á direita, Balboa é a única solução, quando seria importante um jogador de valia indiscutível para aquele flanco. Frente à Académica foi o Reyes o homem que partia da direita, e que fazia o mesmo que Aimar e David Luiz no lado esquerdo: aproximava-se tendencialmente do centro.

O Benfica desta época, é, olhando aos resultados, outro erro de casting. Há agora uma tarefa muito difícil para Rui Costa, no sentido de perceber as pistas dadas pela equipa, e pelo seu técnico. De perceber se vale a pena, neste caso específico, olhar a ciclos equipa-treinador de dois/três anos. E escolher entre duas manobras potencialmente arriscadas: a continuidade de Quique ou uma nova 'revolução'.

Muito Porto

à(s) 03:02

terça-feira, 7 de abril de 2009


Depois de pesar os prós e os contras, de analisar o calendário, e de reflectir sobre os três grandes, deixei aqui uma afirmação: morava em Guimarães o último grande obstáculo do Porto à conquista do tetracampeonato.
Pela tradicional dificuldade em jogar no D.Afonso Henriques, pela recente rivalidade entre as duas equipas e consequente ambiente envolvente, pela valia do adversário e recente crescimento enquanto equipa e finalmente pela conjectura actual, depois de uma semana com jogos de Selecções e a três dias do confronto com o Man Utd, algo que obrigaria Jesualdo Ferreira a fazer alguma gestão da equipa. Nada disto seria pouco.

Dificuldades exacerbadas pelo golo de Roberto, um pouco contra a corrente do jogo, após entrada forte do Porto. A verdade é que mesmo sem Fucile, Lucho, Rodriguez ou Lisandro (quatro titulares indiscutíveis), a equipa deu mostras de toda a sua qualidade, suportada por um Hulk que fez aquela que considero a melhor e mais completa exibição no campeonato, por um Raul Meireles que cresce a olhos vistos, e por dois argentinos (Farías e Mariano) que apesar de mal amados no reino do Dragão, são de uma utilidade imensa. No final, uma vitória inquestionável, suportada por movimentos colectivos excelentes, resultantes de um processo de treino eficaz.

Se recuarmos uns meses, recordamos que na pré-época, mesmo sendo o Porto detentor do título, muitas desconfianças se abatiam sobre a equipa. Porque Bosingwa, Assunção e Quaresma saíram, porque os praticamente desconhecidos Sapunaru, Fernando e Hulk chegaram. Porque o Sporting apresentava uma estabilidade importante, porque o Benfica fazia desfilar grandes nomes. Desconfianças essas que aumentaram quase exponencialmente após os desaires com Leixões e Naval no campeonato, Arsenal e Dynamo Kiev na Liga dos Campeões.
Imunes ao que os rodeava, Jesualdo Ferreira e a sua estrutura próxima, nunca perderam o rumo. Confiantes nos activos, na sua evolução, na linha traçada no início da época. Hoje percebe-se que a aposta foi ganha. O Porto atingiu, pela primeira vez desde Mourinho, os quartos de final da Champions, ao mesmo tempo que a final da Taça de Portugal e o título estão 'ao virar da esquina'.

De resto, importa reflectir sobre um ponto: a evolução. Olhamos para o Sporting e constatamos alguma estagnação, que parece vir desde o início da época. Pensamos no Benfica e vemos que a equipa ao invés de crescer, tem regredido. O Porto, por sua vez, segue a tendência que positivamente é mais natural: tem evoluído de mês para mês. Terminará em Maio este processo que permite ao FCP chegar na frente no final desta temporada, e iniciar a próxima um passo à frente dos concorrentes directos. Nada de anormal portanto.

As perdas de Vukcevic e Suazo

à(s) 03:08

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Entre a última jornada do campeonato e a última jornada das Selecções, Sporting e Benfica sofreram um rude golpe nos princípios de jogo, pelos quais se vêm regendo na presente época. Pela perda de dois dos homens que melhor interpretavam essa forma de jogar, essencialmente no que diz respeito à vertente ofensiva.

A importância daquilo que se trabalhou na pré-época, e que se foi moldando com o decorrer do campeonato, desvanece-se em parte. Apesar de a conjectura, anteriormente negativa, retirar agora algum do peso que estas ausência podem ter, quer para Paulo Bento, quer para Quique Flores. Isto porque ambos os treinadores, tiveram, por força das circunstâncias, de em parte da época formatar a equipa para a ausência destes dois excelentes executantes. Paulo Bento e Vukcevic por questões disciplinares, Quique Flores e Suazo devido aos problemas físicos e à fadiga decorrente de constantes viagens para o hondurenho actuar pela sua equipa nacional.
São, muito embora sejam ambos jogadores de grande classe, situações com contornos relativamente diferentes. Apesar de conceder que indiscutivelmente, são péssimas notícias para os treinadores de Sporting e Benfica.

Paulo Bento deixará de contar, muito provavelmente até final da época, com o jogador do plantel mais capaz de desmontar os sistemas defensivos impostos pelos adversários. Especialmente em casa, perante equipas mais fechadas, quando a previsibilidade do seu losango se acentua. Vukcevic representa isso. O desequilíbrio, a força, o repentismo, a técnica, que muitas vezes dá o sal e a pimenta ao jogo de régua e esquadro do Sporting. E a capacidade, de que Paulo Bento tanto gosta, de desempenhar vários papéis, seja numa ala, no vértice ofensivo ou mesmo na frente de ataque. A partir de hoje, mais espaço para Pereirinha e Romagnoli. Mas um Sporting menos forte.

Quique Flores não estará mais feliz. Ou não fosse David Suazo o intérprete essencial para um bom aproveitamento do modelo que o espanhol preconizou. Sempre primeira opção nos jogos mais importantes, o hondurenho era o principal destinatário do processo ofensivo benfiquista. Sempre o disse, considero Suazo um óptimo jogador. Contudo, a demasiada 'dependência' que o Benfica tinha de si, levava a que a equipa desvirtuasse um pouco o ADN de equipa grande, e ao mesmo tempo, desaproveitasse Cardozo e Nuno Gomes.
Bola nas costas da defesa, muitos metros para progredir em velocidade, em movimentos verticais ou em diagonais em direcção à baliza, batendo os adversários mais com rapidez do que com técnica. Esse é o melhor Suazo, aquele que teve grande sucesso no Cagliari e nos primeiros tempos de Benfica, menos no Inter e na segunda metade do campeonato português, quando os treinadores perceberam melhor a sua forma de jogar. Em virtude dessas mesmas características, é-me difícil compreender que Quique faça de um jogador com as suas qualidades, a sua principal arma ofensiva. Especialmente quando o Benfica necessita maioritariamente de assumir o jogo, construindo em progressão. Nesse sentido, a lesão do hondurenho até pode ser uma notícia menos má para os benfiquistas. Isto se, no pouco que resta da época, Quique conseguir estabilizar um modelo solidamente alternativo. É difícil.

Estas lesões, representando um duro golpe para os rivais lisboetas, não deixa de ser uma boa notícia para o Porto. Que até pode não ser tão relevante assim se os dragões vencerem em Guimarães (num jogo onde Rodriguez e Lucho estão diminúidos, Lisandro castigado, e o Man Utd estará a quatro dias de distância). Naquele que, penso, será o último grande obstáculo à conquista do tetracampeonato.

A Selecção de 2006 e a de hoje

à(s) 03:17

quarta-feira, 1 de abril de 2009


Nas últimas semanas não tem sido raro dizer-se que Portugal passa por um decréscimo de qualidade a nível dos jogadores seleccionáveis, e terá também em virtude desse facto, de renovar o elenco. Não concordo com ambos, e se em relação ao aspecto qualitativo deixo ao critério dos leitores fazer a sua própria análise, no que diz respeito à renovação, parece-me manifestamente exagerado em virtude da idade, das perspectivas de crescimento e do valor actual de grande parte do recente seleccionado.
De seguida, os 23 convocados para o Mundial 2006, onde atingimos as meias-finais, e uma selecção feita por mim, com base naquilo que têm sido as opções de Queirós, e naquilo que acredito ser o melhor para Portugal.

2006:
Ricardo - Sporting, Quim - Benfica, Bruno Vale - Estrela da Amadora
Miguel - Valência, Paulo Ferreira - Chelsea
Ricardo Costa - Porto, Ricardo Carvalho - Chelsea, Fernando Meira - Estugarda
Nuno Valente - Everton, Caneira - Sporting
Costinha - D.Moscovo, Petit - Benfica
Maniche - D.Moscovo, Tiago - Lyon, Deco - Barcelona, Hugo Viana - Valência
Luis Boa Morte - Fulham, Simão - Benfica, Cristiano Ronaldo - Man Utd, Figo - Inter
Postiga - Saint Ettiene, Pauleta - PSG, Nuno Gomes - Benfica

2009:
Eduardo - Braga, Quim - Benfica, Rui Patrício - Sporting
Miguel - Valência, Bosingwa - Chelsea
Ricardo Carvalho - Chelsea, Pepe - Real Madrid, Bruno Alves - Porto
Paulo Ferreira - Chelsea, Duda - Málaga
Fernando Meira - Zenit, Raul Meireles - Porto
Maniche - Atlético Madrid, Tiago - Juventus, Deco - Chelsea, Moutinho - Sporting
Nani - Man Utd, Simão - Atlético Madrid, C. Ronaldo - Man Utd, Quaresma - Chelsea
Danny - Zenit, Nuno Gomes - Benfica, Postiga - Sporting, Hugo Almeida - Bremen

É certo que poderíamos falar em maturação de características, em tops de forma, em carreira ascendente ou descendente. Mas penso que essa discussão penderia sempre para o equilíbrio entre 2006 e 2009. Poderia ainda acrescentar a esta lista Beto, Rolando, Nélson, Caneira, Antunes, César Peixoto, Miguel Veloso (que acredito poder ser o nosso médio mais defensivo), Ruben Amorim, Manuel Fernandes, Eliseu ou até Orlando Sá.
Tudo isto para afirmar, que é completamente errado dizer-se que esta Selecção tem menos qualidade em relação às mais recentes equipas de Portugal. A prova que uma 'mentira muitas vezes contada se torna verdade'. Os jogadores estão à vista, são de grande qualidade, e ainda bem que assim é. Para todos. Para Madail, para Queirós e para nós adeptos. A África do Sul espera por nós.

A Selecção Nacional e Cristiano Ronaldo

à(s) 03:13

terça-feira, 31 de março de 2009


Actualmente em Portugal discutem-se as razões para os maus resultados da Selecção Nacional. Razões essas que certamente não estarão isoladas, muito menos limitadas a uma menor performance dos jogadores ou do treinador.
O facto é que são eles os rostos mais visíveis, aqueles que directamente podem alterar o estado de coisas. A verdade é que o edifício federativo não é bem solidificado, não há uma visão de futuro, e muito menos um fenómeno de identidade nacional e de políticas definidas existe. O problema, penso eu, extravasa ainda o âmbito mais estrito da federação, e vai ainda de encontro aos clubes, à sua política de recrutamento, e ao seu futebol jovem. No sentido figurado, há demasiados interesses para que todos possam remar para o mesmo lado.

É certo que Scolari conseguia disfarçar bem este estado de coisas, com os óptimos resultados alcançados. A verdade é que nem o brasileiro preparou convenientemente os anos vindouros (desconheço as competências que lhe foram atribuídas), nem os dirigentes federativos, assentes numa base de sucesso, foram capazes de lançar as sementes para um futuro próspero. Hoje em dia é mais difícil. Queirós é reconhecidamente um homem mais bem preparado que o seu antecessor (e provavelmente o homem indicado) para levar a cabo esta reforma. Contudo, a conjectura actual não lhe permite desenvolver este trabalho a 100%. E o professor, através de algumas opções duvidosas, também não a tem conseguido reverter. Perante isto, Portugal encontra-se numa espécie de encruzilhada.
Uma questão importa deixar: existe ou não tempo e condições suficientes para que se possa preparar e proceder às reformas necessárias, sem comprometer a qualificação para o Mundial? Actualmente é muito difícil. Mas parece-me que ainda vamos a tempo. Há qualidade e competência para isso. Importa ter uma noção presente: preparar o futuro, não é sinónimo de comprometer o presente. Especialmente quando na actualidade existem condições mais do que suficientes para o sucesso.

E o sucesso passa pela união dos esforços de todos. Obviamente que nisto tudo há um nome que salta à vista: o de Cristiano Ronaldo. O melhor do mundo como suporte da nossa bandeira, com o peso do país sobre os ombros e o destino da selecção no pé direito, em cada 'rocket' ou na cabeça, depois de um cruzamento.
Aqui há os dois lados da moeda. Não tenho grandes dúvidas que Cristiano não reúne actualmente as melhores condições para ser o capitão de equipa. Primeiro porque não terá as características e a maturidade suficiente para o bom desempenho do cargo, e as suas declarações antes do jogo com a Suécia são disso prova. Depois porque a grande visibilidade e reconhecimento internacional, não é motivo isolado para ostentar a braçadeira. Messi não é capitão da Argentina, Kaká, Ronaldinho ou Robinho não capitaneiam o Brasil, Torres ou Fabregas idem na Espanha, Henry ou Ribery na França, entre muitos outros exemplos. Por fim porque a pressão dos adeptos portugueses sobre CR7 já está longe ser pequena e aumenta sendo ele o capitão de equipa.
Do outro lado, o jogador. Parece-me absolutamente injustificada a exigência, em regime de cobrança, colocada pelos portugueses sobre Ronaldo. Infelizmente é assim. Recordo-me perfeitamente do mesmo se passar com Figo. Hoje muitos comparam os dois, dizendo que Cristiano teria muito a aprender, a todos os níveis, com o jogador do Inter. Em Portugal antes de se idolatrar ou reconhecer, exige-se! Anos depois, nascem ídolos de barro, para contrapor às estrelas actuais.
Obviamente que não se pode exigir a mesma performance no clube de origem e na Selecção. Pela falta de mecanismos e de rotinas. Pela diferença infinita de tempo de treino. Pela falta de identificação com os jogadores, exponenciada por uma maior rotatividade nas convocatórias.

Particularizando em Ronaldo, acrescentaria a excessiva pressão de que é alvo, e a inexistência na Selecção do jogador que permite ao nosso nº 7, o avolumar de golos (essencialmente na época passada): Wayne Rooney. Obviamente que juntamente com toda a dinâmica da equipa do Man Utd. Mas é o inglês, a sua disciplina táctica, a capacidade de percorrer vários metros de terreno, o entendimento que tem com o português que permite o seu constante surgimento em condições de finalizar. Rooney parte da sua posição natural de avançado, mas sai muitas vezes desse habitat, em permuta com um Ronaldo vindo de trás em movimentos verticais, ou de um flanco em diagonais. Este é o Ronaldo dos golos, que os adeptos pretendem ver com as cores de Portugal.
Embora 63 internacionalizações e 22 golos não me pareçam de todo um mau score para um extremo. Embora pelo que anteriormente afirmei, e insistindo no que venho dito, mais do que um finalizador, vejo um pivot que poderia exponenciar esta forma de jogar do melhor do mundo, e ao mesmo tempo de toda a equipa: Nuno Gomes. No resto, Cristiano continua a ser importante. Pelos desequilíbrios em velocidade, pelo forte jogo aéreo, pela atenção que desperta no adversário, deixando muitas vezes livre o colega mais próximo. É isto que importa compreender.

Tão cedo entre a espada e a parede

à(s) 18:33

domingo, 29 de março de 2009


1 - Este era, reconhecidamente por todos, um jogo fundamental para as contas da Selecção, em casa, frente a um adversário directo. O público não se demitiu das responsabilidades, compareceu em massa e foi sempre o 12º jogador.

2 - Obviamente que na conjectura actual, esta era uma partida que importava muito vencer. Essencialmente porque deixava Portugal a depender apenas de si próprio. Mas, mesmo que a Selecção continue a revelar incapacidade em vencer adversários directos em fase de qualificação, quando no final olharmos para o trajecto da equipa, não será este o resultado comprometedor. Antes a derrota perante a Dinamarca e o empate frente à Albânia.

3 - Ainda este resultado, estabelece o ponto de viragem definitivo na postura que Portugal terá de ter nos restantes jogos. Se uma qualificação pode ser encarada, com alguma tranquilidade, numa perspectiva resultadista - nas últimas qualificações fizemos isso muito bem, nas partidas que faltam a Selecção tem obrigatoriamente que entrar em campo sempre para ganhar. Incluindo nas, teoricamente mais difíceis, partidas na Hungria e na Dinamarca.

4 - Não pode portanto haver dúvidas. Um resultado menos positivo atira-nos para fora do Mundial. Contudo, mesmo com vitórias em todos os jogos (e Portugal tem indiscutivelmente equipa para isso), é preciso ter consciência que será preciso uma escorregadela da Suécia para alcançar o segundo posto. Sim, porque o primeiro lugar já será inatingível, e serão os suecos os nossos principais oponentes na disputa pela vaga que permite o acesso aos play-off.

5 - Digo-o sem problemas. Fui um dos que defendeu Carlos Queiroz como melhor opção para suceder a Luís Filipe Scolari. Hoje, tenho dúvidas. Do professor esperaria uma reforma importante e necessária dos quadros, alicerces e princípios da Selecção e consequentemente do edifício do futebol português. Actualmente isso não acontece.
Em mais do que uma entrevista (e ultimamente têm sido inúmeras), percebe-se que as boas ideias estão lá, mas a oportunidade não. A qualificação para o Mundial focaliza, naturalmente, todas as atenções do seleccionador. Só que CQ tem sido incapaz de fazer jus à história recente e à qualidade da equipa, através de opções técnico tácticas para mim incompreensíveis. Que me leva actualmente a questionar sobre se seria ou não mais útil num outro posto, que provavelmente não aceitaria.

6 - Sempre houve uma série de vozes críticas em relação à forma como o anterior seleccionador procedia às convocatórias. Pois bem, eu afirmo aqui que sou partidário dessa forma de agir. Na Selecção praticamente não há tempo de treino. Não há espaço para criar novas rotinas, novos laços, por cada concentração. Por isto, um grupo base, um núcleo duro alargado, com mecanismos quase automáticos, dentro e fora do campo, é aqui fundamental. Scolari não é tacticamente, ou a nível de treino, um grande treinador. Mas nas selecções o peso dessas componentes é muito menor. O brasileiro sempre percebeu isso muito bem. E juntava esse facto com o aspecto motivacional. Ressalvando um facto: esta não é uma comparação Scolari vs Queirós. Até porque o seleccionador nacional é Carlos Queiroz, e é este que tem de ser apoiado, no sentido de levar a equipa a bom porto. É antes uma comparação de métodos e de formas de agir e pensar.
Atentemos nas palavras de Deco, ontem após o final do jogo 'estamos a ter muitas alterações na Selecção com a entrada de novos jogadores, nova equipa técnica e tudo leva algum tempo de adaptação'. Eu pergunto se não teria sido mais inteligente, e principalmente mais seguro, proceder a estas alterações com uma base sólida a nível pontual, e aproveitar o que de bom deixou o seleccionador anterior. Lembremo-nos como Jesualdo Ferreira chegou ao FCP, praticamente no final da pré-época, após a saída do treinador campeão, Co Adriaanse. Perante um esquema táctico pouco comum, de difícil afirmação europeia, Jesualdo aproveitou o que de bom tinha deixado o seu antecessor, e passo a passo, após alguma consolidação pontual, implementou as suas ideias. No final, foi campeão.

7 - Agora a convocatória e as opções para o jogo. A baliza é ainda foco de dúvida. Continuo a reafirmar que Eduardo é actualmente o melhor guarda redes português (até porque Quim não joga). Mas sabemos que não temos neste posto um nível semelhante às melhores selecções mundiais, desde a saída de Vitor Baía. Em relação à defesa e meio-campo, parece-me haver em Portugal matéria prima mais do que suficiente.
Na frente, já não é assim. Hugo Almeida é útil apenas para determinadas situações de jogo e parece-me que subverte em demasia os princípios de jogo da equipa, Orlando Sá é uma aposta exclusivamente de futuro, de Edinho não vou falar. Por todas estas razões, continuo a achar incompreensível a ausência das convocatórias de Nuno Gomes e/ou Postiga (actualmente lesionado). Estes jogadores, não sendo os típicos matadores, não sendo os mais idolatrados pelos adeptos, são indicutivelmente os avançados mais capazes de perceber, de contribuir e de concretizar o jogo de Portugal. Não tenho qualquer dúvida acerca disso.

8 - Particularmente em relação a ontem, é inconcebível que olhemos para o banco e vejamos Gonçalo Brandão (originalmente central, mas que pode fazer o lugar de lateral esquerdo) e Rolando, e não vejamos o outro lateral convocado, Nélson, jogador capaz de actuar em ambos os flancos da defesa. A equação era fácil. Queirós tinha em campo três defesas centrais. No banco, certamente que Gonçalo Brandão e Nélson seriam os jogadores mais indicados para cobrir as posições defensivas. Ou não fossem em conjunto capazes de cobrir todas as posições da defesa. Rolando e Brandão cumpririam em conjunto todas menos uma - a que foi necessária.
Depois a própria substituição. Saída de Bosingwa, entrada de Rolando para o centro da defesa, Carvalho para o lado direito. Com um empate a zero. Seria arriscar tanto, retirar Bosingwa e colocar de imediato Deco, recuando Pepe para central e Meireles para trinco? Queirós deitou fora uma substituição, e esgotou as alterações aos 65 minutos com Nani e Moutinho no banco...E piorou o panorama, ao retirar Tiago (que estava a fazer um bom jogo), mantendo Pepe como homem mais recuado.

9 - Depois, a própria colocação de Pepe como médio mais defensivo. Esta recuperação (o luso-brasileiro chegou a jogar no meio-campo quando actuava no Marítimo) de Queirós pode ser importante quando não há Miguel Veloso (será que vai voltar a haver), quando não se sabe se Assunção alguma vez jogará por Portugal, e quando se pretende jogar com Meireles mais à frente. E ontem, na primeira metade Pepe foi mesmo um dos melhores portugueses em campo. Mas já não havia Deco, e portanto a dificuldade em construir adensar-se-ia previsivelmente. Nestas condições, e mesmo perante uns suecos fortes nas bolas aéreas, jogar com Pepe, em casa e num jogo onde era necessário ganhar, não foi propriamente uma ajuda à performance ofensiva.

10 - Insistindo no mesmo, ver Danny, que não sendo um extremo puro rende mais junto aos flancos, como homem mais avançado, com Nuno Gomes fora da convocatória é para mim um mistério. A entrada de Hugo Almeida foi um desastre, mesmo sendo este uma das partidas onde potencialmente poderia ter sido útil.
Olhando para a convocatória de Carlos Queirós, constata-se que também o actual seleccionador nacional não convoca apenas jogadores habituais titulares no clube de origem. Maniche não é titular no Atlético, Nani idem no Man Utd, Hugo Almeida vai jogando no Bremen. Por exemplo. Quim, Ricardo Quaresma e Nuno Gomes têm vindo a ser 'esquecidos'. Desta vez juntou-se-lhes Miguel. Não percebo o critério, se é que existe.

11 - Por Portugal, não há um jogador que tenha realizado uma exibição de destaque. Pepe esteve bem na primeira parte, a entrada de Deco mexeu com a equipa. Duda fez também um jogo seguro, embora por vezes lhe faltasse alguma acutilância. Contudo, ontem não foi o jogo ideal para testar a sua capacidade defensiva (afinal a principal competência de um lateral), embora pelo que fez, justifique nova 'oportunidade'.
De Cristiano Ronaldo dizer que, ao contrário do que foi muito veiculado quando Queirós chegou à equipa (inclusive pelo seleccionador), o rendimento tem sido semelhante ao seu passado recente, mesmo que actualmente tenha o seu ex-treinador de equipa a orientá-lo. De qualquer forma, dizer que me parece normal. Aceito que se exija ao melhor do mundo que se resolvam jogos, mas não há muitos exemplos de jogadores que atinjam na selecção, a mesma performance desenvolvida no clube. Por motivos óbvios.
Contudo, e por mais ou menos razões que tenha, CR7 devia perceber que declarações como as suas de 6aF, exponenciadas pelo facto de ser capitão de equipa, não podem cair bem no seio do grupo, num momento tão importante como este.

12 - Uma palavra para a Suécia. Esta equipa está longe do nível patenteado nos últimos anos, principalmente na ausência de Ibrahimovic. Contudo, fiel à sua matriz, fez ontem no Dragão um excelente jogo, frio e seguro, suportada pelos experientes Mellberg, Kallstrom e Larsson. E levou para casa um resultado muito importante.

13 - Após as recentes performances de Portugal em grandes competições e olhando para o grupo de qualificação em que estamos inseridos, termino convicto de que ficarmos de fora do Mundial 2010 será um dos maiores desastres do futebol português nos últimos anos. Maior mesmo do que, a tão falada, prestação de 2002.