Que sinais nos dá o Benfica?

à(s) 23:51

quarta-feira, 13 de julho de 2011



No Letra1

SLB 2011/2012 - o caminho

à(s) 18:24

sexta-feira, 13 de maio de 2011



Depois de um 2010/2011 muito bom, com extraordinários momentos de futebol, bancadas cheias, e jogadores valorizados, era expectável, na mente dos adeptos, que esta época fosse para o Benfica, um ano de consolidação.

As bases estavam lançadas, o fundamental era que existisse um sólido e competente processo de gestão. Assim não foi.


Se as vendas de Ramires e de Di Maria se afiguravam como inevitáveis, e traduziram-se em boas manobras financeiras e de valorização, fortes indicações foram dadas na pré-época, de que o plantel seria mal gerido. Desde logo a falta de alternativas credíveis a Fábio Coentrão, e principalmente a Maxi Pereira. No meio-campo, após a perda de Wesley para o Werder Bremen, é incompreensível a desistência pura e simples de tapar essa posição fundamental no sistema táctico de um Benfica que iria jogar a Liga dos Campeões (um jogador à imagem de Ramires, um médio fortíssimo em transição defensiva), tendo também em conta as informações que o departamento clínico do Benfica tinha, vindas da Selecção Nacional, acerca da muito precária condição física de Ruben Amorim. Ao mesmo tempo, no flanco esquerdo, foi sempre de difícil entendimento para os benfiquistas, o empréstimo de Urretavizcaya.

Assim, em Agosto, quando a época teve o seu início oficial, facilmente se percebia que o Benfica tinha um plantel qualitativamente bem abaixo daquilo que o seu título de campeão exigia e a sua política comunicacional, erradamente anunciava. Este é de facto um problema recorrente no clube, a gestão de expectativas dos seus adeptos e dos seus jogadores. Aquilo que esta direcção ainda não conseguiu perceber, é que não é necessária um grande impacto de comunicação no Benfica, especialmente quando a equipa ganha. A envolvência dos adeptos para com o clube, exponenciada ao máximo quando existem vitórias, é mais do que suficiente para o catapultar para níveis impressionantes. Querer dar passos maiores do que as pernas, quando o Benfica, sejamos claros, tem andado arredados de altos voos contínuos, praticamente nas últimas duas décadas, é além de desnecessário, contra-producente, como aliás se viu. Tem ainda um terceiro revés, o de proporcionar aos adversários directos, lanças importantes e bem utilizadas, no ataque ao clube.

O jogo da Supertaça frente ao rival Porto, representava um claro marco na época de ambas as equipas. De um lado o Benfica, campeão nacional, e a fazer uma boa pré-época, do outro lado um Porto vindo de uma época decepcionante, com um treinador olhado com desconfiança por parte dos adeptos, e chegado de uma pré-época insegura. Estes eram os dados favoráveis ao Benfica. Desfavoravelmente, o facto óbvio, de o plantel do Porto ser mais equilibrado, e importantíssimo, questões motivacionais. E foi este o ponto, que impeliu o Porto para uma vitória clara, e o Benfica para uma derrota perturbadora, o que aliás se percebeu, pela reacção, dentro do campo, dos seus jogadores. O cenário da final da Taça da Liga, foi em 3 meses, invertido. E, de forma inesperada, o FCP, partiu para o campeonato, com algum ascendente sobre o Benfica.

O início de campeonato, foi fatal para quebrar praticamente tudo o que a equipa tinha constituído na época passada. Dois jogos com arbitragens prejudiciais, um jogo (na Madeira) onde Roberto comprometeu a fundo, juntamente com a vitória do Porto na Supertaça, foram suficientes para acabar com algo do qual o Benfica de Jesus sempre pareceu depender: o estado emocional, a auto-estima.

Este início periclitante e atribulado, mais do que não fez do que exponenciar três pontos sobre os quais o Benfica e os seus responsáveis devem reflectir e aprender:

1 - A péssima constituição, principalmente em termos de 2as linhas, deste plantel

2 - A péssima manobra de gestão que representou a venda de David Luiz, a meio da época desportiva. Um clube como o Benfica terá sempre de recusar este tipo de negócios, que claramente comprometem o seu presente desportivo. Com a saída de David Luiz, o Benfica perdeu um jogador com uma enorme empatia perante a massa adepta. Perdeu um jogador que enchia de confiança a equipa, à qual muitas vezes dava o impulso motivacional necessário. Perdeu um titular e uma mais-valia indiscutível para a qual não encontrou substituto. E nem por isso alcançou um encaixe financeiro irrecusável (que a cada jogo de David Luiz no Chelsea se comprova como tendo sido ajustado).
3 -
A inexplicável precariedade física da equipa, quando cedo abdicou do campeonato português. Mais inexplicável se torna esta precariedade (que ninguém duvide, foi um dos principais focos de insucesso), quando se vê a exuberância e o fulgor do Porto de Villas Boas, que mesmo com o campeonato conquistado raramente deixou de apresentar a sua melhor equipa, ao mesmo tempo que manteve sempre elevados índices.

Aliás, é na diferença para o FCP que o Benfica tem de encontrar antídoto. É praticamente impossível encontrar época semelhante a esta, em termos de subjugação perante o rival. Desde a derrota na Supertaça, para os 5x0 sofridos no Dragão, passando pela conquista do campeonato pelo rival em pleno Estádio da Luz, até à inexplicável eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal, também em Lisboa. Época onde também o Braga, elevado a novo rival, feriu o Benfica: com uma vitória caseira que atirou o Benfica para fora da luta pelo campeonato; com a eliminação do clube da Luz, nas meias-finais de uma competição europeia. São demasiadas feridas para um clube com esta grandeza.

São feridas que a direcção do Benfica e a sua gestão desportiva têm de saber sanar. Só um fortíssimo Benfica em 2011/2012 pode esquecer e minimizar época tão negra na história do clube. Época onde também o Braga, que se confirmou e se elevou a novo rival, feriu o Benfica: com uma vitória caseira que atirou o Benfica para fora da luta pelo campeonato; com a eliminação do clube da Luz, nas meias-finais de uma competição europeia.

Apesar de tudo, e é algo que importa referir por ser uma novidade no passado recente, naquela que talvez tenha sido uma das épocas mais negras de sempre, o Benfica uniu troféus e prestações meritórias em diversas provas: uma Taça da Liga, meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa, qualificação para a Liga dos Campeões. Sem dúvida que uma evolução, e uma prova de uma mentalidade ganhadora, que paulatinamente tem regressado.

Há vários caminhos nos quais a gestão desportiva do Benfica tem que apostar, para repito, apagar esta época de má memória:
1 - Desde logo, utilizar uma política de comunicação mais condizente com a história do clube: mais focada no trabalho, mais apostado em reunir os seus adeptos, de forma positiva, à volta da equipa. Menos focada na guerrilha que hoje em dia paira no futebol português. O Benfica tem suporte para construir tendências, e não, ter que se adaptar àquelas que vigoram como forma de alcançar a vitória.

2 - Dar mais visibilidade a Rui Costa, para além daquela que tem tido ultimamente, no círculo central do campo, no final dos jogos. Rui Costa é um símbolo do Benfica, tem competências já provadas, e acima de tudo uma qualidade comunicacional elevada, além de uma grande empatia com os adeptos. É fundamental que surja mais vezes.
3 - Eliminar a música 'Cheira bem, cheira a Lisboa' do Estádio da Luz. Esse é um caminho muito perigoso para um clube que sempre foi um clube nacional, com extensão para todo o mundo, e não um clube regional. Além do mais, há uma grande fatia de adeptos presentes na Luz, que são provenientes de fora de Lisboa. O futebol, não é política, não é regionalismo, é paixão, é identificação.
4 - Encarar os adeptos como principal força de sustentação do clube, defendendo-os em qualquer circunstância.

5 - Saber identificar os parceiros que podem lutar pela credibilização do futebol português, identificando igualmente aqueles que não o fazem, ou apenas o façam pontualmente, por jogos de interesse.

6 - Perceber o fim de ciclo de alguns jogadores com qualidade, mas que notoriamente já esgotaram o seu contributo ao Benfica, essencialmente por questões motivacionais.

7 - Afastar atletas sem qualidade para representar o clube: Luís Filipe, Alan Kardec, Filipe Menezes, Weldon, Fernandez.

8 - Diminuir de forma drástica os jogadores pertencentes aos quadros do clube (Eder Luís, Yebda, Shaffer, Filipe Bastos, Balboa, Marcel, Patric, etc) , negociando-os pelos valores justos. Operação que permite um encaixe financeiro interessante, associado a diminuição da folha salarial.

9 - Compreender que Roderick Miranda pode ser um futuro estandarte do clube, mas necessita de rodar uma temporada, assumindo a titularidade num clube de primeira liga.
10 -
Valorizar a importância enorme que Nuno Gomes tem na estrutura de valores benfiquistas, e na passagem dos mesmos aos outros jogadores do plantel, propondo-lhe a renovação do contrato.
11 - Identificar a empatia existente entre Fábio Coentrão e os adeptos, entender que se trata de um jogador à Benfica, um jogador no qual os adeptos se revêm plenamente. Desde Rui Costa que não existe um caso tamanho de comunhão tão grande entre um jogador e a massa associativa, facto que é fundamental que se valorize, porque é importante que possa existir uma ligação afectiva grande entre a equipa e os adeptos, agora que a confiança foi perdida. Perceber de igual forma os sinais que vão sendo dados pelo jogador, e propor-lhe a extensão do contrato, com revisão salarial, garantindo a sua presença no plantel da próxima época.

12 - Há caminhos para diminuir o esforço financeiro que a permanência de Fábio Coentrão significa. É essencial que se dê uma prova de força, de independência de empresários, e que o Benfica faça aquilo que referi acima. Que se livre dos excedentários, e é nessa política de 'saneamento', que, mais do que as vendas de activos, pode estar o segredo para o equilíbrio financeiro. Sem esquecer as sempre importantes receitas de merchandising e que a própria Liga dos Campeões voltará a proporcionar.

13 - Reforçar o plantel de forma racional, sem demasiadas mexidas. Aos já contratados Matic e Bruno César, juntar reforços a custo zero (Wass, Nolito) a reforços bem identificados e naturalmente com investimento associado - desde logo a contratação de Toto Salvio, de um defesa central que possa assumir parceria com Luisão (permitindo a Jardel crescer) e de um ponta de lança letal que possa substituir Cardozo. Mais ainda, proporcionar o regresso de Urreta, Rodrigo, Nelson Oliveira, Miguel Vítor e David Simão.

Por fim, é fundamental que se possa dar um voto de confiança a Jorge Jesus. Apesar de ser impossível imputar-lhe algumas responsabilidades:

A) - Na formação do plantel,

B) - Na gestão do mesmo - dois exemplos: a constante preferência por Kardec em detrimento de Weldon e Nuno Gomes; a insistência inconsequente num Saviola que, fruto das alterações no modelo de jogo - que fazem com que se desgaste muito mais e com que se afaste das zonas onde pode ser mais decisivo, teve uma época péssima

C) - No processo físico da equipa (foco fundamental onde o treinador pode e deve melhorar - na época passada referiu ter abdicado parcialmente da UEFA por esta razão, nesta época percebe-se que juntamente com questões motivacionais associadas, esse foi um dos principais pontos de insucesso)

D) - Na inabilidade táctica que teve frente ao FCP na 2ª mão da meia-final da Taça de Portugal, e frente ao Braga na 2ª mão da meia-final da UEFA.
E) -
No discurso muitas vezes desadequado
F) - Na perda, em larga escala, no confronto directo com Villas Boas

G) - Assuma-se que teve pouca matéria prima à disposição, assuma-se que teve lesões importantes (Salvio e Amorim), assuma-se que a equipa tem ainda pouca confiança em Roberto, mas JJ nunca pareceu conseguir tornar o processo defensivo (ao contrário do ofensivo) suficientemente capaz, especialmente em transição. O número de jogadores que participa neste processo, no Benfica 2010/2011 foi quase sempre insuficiente e um dos principais focos de insegurança.

Estas responsabilidades podem e devem ser assumidas por um treinador que por direito próprio conquistou uma margem de manobra que lhe permite liderar a equipa na nova época, fruto da sua competência e daquilo que já mostrou ser capaz. É no entanto um período decisivo para o treinador do Benfica, que se requer de reflexão, aprendizagem e alteração de alguns comportamentos.

Vem aí também um período de aprendizagem para o Benfica, uma aprendizagem que se requer rápida e assertiva. A clareza e exuberância com que conquistou o campeonato anterior, faziam adivinhar um novo ciclo, que por erros próprios e grande mérito do adversário, não se verificou. O clube continua a ser de uma dimensão incomparável em termos de marca, em termos de paixão, em termos de adeptos. No entanto, essa pedestal onde o Benfica viveu e se acomodou durante as últimas décadas está cada vez mais em risco, e se a nível interno ainda existe alguma margem de títulos que confere conforto (sem que possa deixar de ser olhada com preocupação a esmagadora diferença dos últimos anos), a nível europeu, tem vindo a ser paulatinamente destronado pelo FCP, que neste momento conta já com um maior currículo.

É, tendo em conta este cenário, aliado à superioridade do rival na última época, com base nestes pressupostos que o Benfica tem de assentar a sua próxima época desportiva.

Os 22 + 1 de Queirós

à(s) 15:17

domingo, 9 de maio de 2010


Lendo este blog é fácil perceber a discordância para com muitas das opções de Queirós. Provavelmente a lista final do professor terá ainda alguns nomes diferentes. Contudo, nunca existirá um seleccionador imune a críticas nas opções técnicas, tácticas e de jogadores. Já sabemos que deste lado é mais fácil. Desse também e o leitor estará livre para discordar, devendo para isso utilizar a caixa de comentários.

Quim - Tem sido difícil perceber a ausência de Quim dos convocados de Queirós. O seleccionador já deu a transparecer que após a goleada sofrida com o Brasil necessitou de fortalecer o grupo, mas a constante não convocação do guarda-redes do Benfica é difícil de entender. Se numa selecção se elegem os melhores, e se mesmo não podendo dizer que o GR menos batido do campeonato é claramente o melhor de todos os guardiões portugueses, também não consigo apontar algum que seja melhor do que ele.
Eduardo - O guardião do Braga tem sido o dono das redes da Selecção, e mesmo não emprestando a qualidade extra que se pretende sempre dos melhores guarda-redes, não tem comprometido. A titularidade no Braga, o percurso ascendente desde Setúbal, e aquilo que já conquistou pela Selecção, fazem-me não ter dúvidas de que será um indiscutível nos 23.
Rui Patrício - Aos 22 anos Rui Patrício é dono absoluto das redes do Sporting, e mesmo não sendo um jogador totalmente apreciado por Alvalade, é importante que tenha consciência do seu valor e que vá crescendo sem queimar etapas. A presença num Mundial, como terceiro guarda-redes, é mais uma. Quem sabe se em 2014, mais próximo do pico de maturação de um 'keeper', não pode ser o titular de Portugal?

Miguel - A época de Miguel tem sido irregular. Dentro e fora do campo. O ex-Estrela da Amadora e Benfica nunca teve uma estrutura mental, nem atitudes que o pudessem catapultar para o nível que o seu potencial aparentava. Provavelmente precisaria de um novo campeonato, quem sabe Inglaterra, para estabilizar o seu futebol. Não deixa contudo de ser um dos bons laterais direitos do futebol europeu. Beneficiará da lesão do Bosingwa para marcar presença, numa perspectiva mais ofensiva para a lateral direita.
Paulo Ferreira - Paulo Ferreira é daqueles jogadores que todos os treinadores gostam de ter no plantel. Disciplinado tacticamente, consciente das suas limitações, bom companheiro no balneário, polivalente. Nunca esperamos ver um fantástico jogo a Paulo Ferreira, como lhe esperamos ver um jogo péssimo. É verdade que já os teve, mas a sua principal virtude é a constância. Tal como Miguel, aproveita a ausência de Bosingwa (embora acredite que Queirós o fosse sempre preferir, numa perspectiva de 23, ao lateral do Valência) e será o titular em jogos onde CQ pretenda uma maior coesão defensiva, ou jogue com um extremo direito declarado.
Fábio Coentrão - Que dizer de Coentrão? Discutir se é descoberta de Jesus ou Queirós? Ou dizer que é a grande revelação do campeonato português? Que foi fantástico para Portugal que a sua adaptação a lateral-esquerdo no Benfica tenha sido óptima? Precisando naturalmente de melhorar alguns aspectos a nível de posicionamento, Fábio é excelente a nível ofensivo, é fortíssimo em transição, e deveria ser, com algumas salvaguardas do treinador (provavelmente com Paulo Ferreira como titular no lado direita, ou com o médio mais recuado mais amarrado defensivamente), o indiscutível defesa-esquerdo. Além de que, será o único jogador dos 23 que poderá jogar, com qualidade, como extremo esquerdo numa perspectiva de linha de fundo, mais vertical.
Pepe - Pepe é um dos poucos absolutamente indiscutíveis da Selecção. A rotura no Ligamento Cruzado Anterior do joelho fez temer a sua presença, mas como defesa central ou médio mais defensivo (prefiro a primeira), a sua titularidade é indiscutível. E a época para o madrileno começa agora.
Carriço - Esta é talvez a minha escolha mais 'polémica'. E não tenho dúvidas que não constará dos seleccionáveis. No seu lugar surge Rolando, que não discuto, apresenta aos 24 anos já maior maturidade e provavelmente mais alguma confiança para a equipa. Aquilo que me faz escolher Carriço é simples: Rolando e Carriço serão sempre o quarto central de Portugal. Central esse que dificilmente jogará. Ambos fizeram épocas competentes, mas nenhum fez uma época extraordinária. Porque vejo mais potencial em Carriço, numa perspectiva de aprendizagem, ele que apenas tem 21 anos, e porque não vejo tão mais qualidade em Rolando, apenas mais 'andamento' em grandes palcos.
Carvalho - Ricardo Carvalho é, à imagem de Pepe outro dos indiscutíveis. Esperamos todos que a nível físico, a sua principal debilidade, se apresente bem, e se assim for, Portugal estará muito forte no centro da defesa.
Bruno Alves - A época do capitão do Porto não foi a melhor, e terá alguma dificuldade em ser titular se Queirós contar com Pepe como defesa central. No entanto, é preciso não esquecer a sua qualidade, o seu espírito competitivo e aquilo que já vem dando à Selecção. É, indiscutivelmente, importante.

Pedro Mendes - O pêndulo, a âncora, o geómetra. Chamem-lhe o que quiserem, mas Pedro Mendes é fundamental, quer na cobertura defensiva, que no primeiro passe, quer na destruição de jogo adversário. Mais importante do que isso, é o pivot à volta do qual gira muito do jogo da equipa. É importante.
Raul Meireles - O homem que selou a nossa qualificação, um todo o terreno muito bom nas transições, um carrilero no meio-campo. A época no Porto também não foi a melhor, mas as suas prestações na Selecção foram sempre acima da média. Se fisicamente bem provavelmente será titular.
Miguel Veloso - Esta época era importante para Veloso. A passada foi difícil, com muitos problemas, que punham em causa a sua afirmação. 2009-2010 correspondeu às expectativas e o jogador do Sporting cumpre as expectativas acerca da sua evolução. Considero-o um excelente médio, muitíssimo inteligente, com um pé esquerdo fantástico, que lhe permite marcar bons golos, ser eficaz no passe e competente em bolas paradas. Como médio-defensivo, como lateral-esquerdo ou médio centro, a importância de Miguel Veloso na Selecção será muita. Confere qualidade com e sem bola.
Tiago - época difícil para Tiago, na sequência do que tem sido desde que abandonou o Lyon. Contudo, ninguém discute a sua qualidade, e a importância que pode ter num 'plantel' por dar mais do que uma solução a nível de posição. Tem perdido alguma da capacidade com que fazia golos (embora tenha melhorado esse aspecto no Atlético de Madrid), e as suas performances por Portugal têm sido irregulares, mas se for dele extraído o melhor, é atleta para ajudar bastante a selecção. Além de que, é dos poucos que pode fazer a posição de Deco.
Ruben Amorim - Muitas dúvidas sobre a sua convocatória, nenhuma dúvida sobre a sua qualidade. Desde a época passada no Benfica onde mesmo não sendo titular indiscutível, podemos dizer tratar-se do 12º jogador. Muito bom com bola nos pés, tomando praticamente sempre a melhor decisão, seja no timing e na correcção de passe, seja na cobertura. Aparece em zonas de finalização e sabe jogar e fazer jogar a equipa. Além de que, numa estratégia onde se pretende que a equipa tenha a bola massivamente, a sua colocação como lateral direito faz todo o sentido. Importante.
Deco - O mágico tem vindo a cair de forma. A qualidade com bola está lá, intacta, mas a intensidade física caiu bastante. Contudo, numa prova curta, se a sua condição for bem gerida, ele é fundamental. Para desequilibrar, com a sua inteligência e sua qualidade. Espera-se muito de Deco. Também ele é indiscutível.
Simão - Internacionalizações em catadupa, muita experiência, importância no balneário, qualidade no campo. Não sei se Simão será titular indiscutível, provavelmente não. Mas é de uma valia muito importante, apesar de perdido algum do fulgor que apresentava há dois anos atrás. No entanto, continua a desequilibrar, é muito forte em livres directos, e contra selecções mais fortes mesmo sendo extremo, protege bem a equipa. Tem ainda a vantagem de poder jogar como vértice ofensivo de um losango, ou de um 4x1x3x2, à imagem do que fazia (bem) no Benfica de Fernando Santos.
Nani - início de época difícil, final fantástico assumindo um papel de destaque no Man Utd. A querer assumir a titularidade na Selecção e com fortes possibilidades de o fazer. Virtuosismo, irreverência, desequilíbrio, Nani pode desempenhar um papel fundamental na Selecção.

Ronaldo - É certo que uma selecção é o conjunto de 23 jogadores, mas Ronaldo é 'o jogador'. O nosso expoente máximo, a nossa maior esperança, aquele que pode desequilibrar os pratos da balança a nosso favor. Depois de uma época fantástica a nível individual, onde até ao momento em 33 jogos leva 32 golos, o Mundial pode ser a grande oportunidade para o jogador do Real reclamar para si o título de melhor jogador do Mundo. Ele acredita, Queirós acredita, Portugal acredita! Como homem mais avançado, como extremo partindo da esquerda para o meio, como segundo avançado, como homem solto, em arrancadas, explosões, livres, dribles, cantos, Ronaldo vai fazer um grande Mundial!

Danny - Depois de algum tempo lesionado, o jogador do Zenit voltou à competição e está a fazer uma excelente prova na Rússia. Como avançado mais móvel, ou jogando na linha, virtuosismo, técnica, repentismo, qualidade no passe, são características que não me fazem ter grandes dúvidas sobre a justiça da sua chamada.
Hugo Almeida - Coloco Hugo Almeida por duas ou três razões. A primeira é a completa ausência de Nuno Gomes em 2009-2010. Quem lê aquilo que escrevo sabe o quanto aprecio o jogador do Benfica, pela sua inteligência, pela sua capacidade de fazer jogar a equipa e de abrir espaços (como agradeceria Ronaldo com um bom Nuno Gomes como titular), pela sua experiência, por aquilo que deu já a Portugal. Não jogando, não pode ter aspirações. Infelizmente. A segunda razão é o facto de Hugo Almeida oferecer características totalmente diferentes daqueles que darão Danny ou Liedson. É mais posicional, remata melhor de longe, prende melhor os centrais adversários. E a terceira, é que fez uma boa época em Bremen. Pode matar muito jogo, mas pode ser importante em determinadas alturas.
Liedson - É verdade, Portugal não tem Torres. Não tem Villa, Drogba, Rooney, Milito, Tevez ou Fabiano. Ou uma série deles que podia enunciar, alguns que nem marcarão presença no Mundial. Terá Liedson, o que bem vistas as coisas, tem bastantes pontos positivos. O levezinho não vai construir muito jogo de qualidade, poderá não marcar muitos golos, mas vai abrir espaços para os colegas, vai desgastar as defesas contrárias, vai ter oportunidades surgidas do nada. Pode não ter a qualidade óptima para dar seguimento ao resto do meio-campo e ataque, mas é sem dúvida a melhor opção para o ataque. E é com ele que contamos. Quem sabe se não faz uma grande prova?

O 23º: Será um médio se Queirós acreditar que Fábio Coentrão, Paulo Ferreira e Miguel Veloso serão suficientes para cobrir a lateral esquerda, e pretender mais uma opção a meio-campo para jogar mais vezes com quatro médios. Será um defesa se Queirós contar unicamente com Ferreira para a direita e Veloso para o meio-campo.

Martins ou Moutinho - O jogador do Benfica fez uma época superior às expectativas, coloca uma intensidade elevada em jogo, é fortíssimo nas bolas paradas. O capitão do Sporting, pelo contrário, esteve bastante abaixo do que se esperava, mas é tacticamente mais capaz e tem mais ritmo de selecção. A optar, provavelmente Queirós optará pelo sportinguista, mas não me parece que a escolha seja tão linear assim.
Nuno Assis não seria de facto uma opção tão descabida. Tem sido claramente o melhor jogador do quarto classificado para baixo e tem grande mais valia técnica. Tenho contudo algumas dúvidas se apresentará bom rendimento num palco como o Mundial, mas não será de todo injusto ou surpreendente se fizer parte dos 23.
Duda ou Peixoto - Aqui é que a porca torce o rabo. Apenas se faz referência a estes jogadores por não haver definitivamente mais opções (talvez Evaldo, mas o bracarense acaba de se naturalizar e nunca sequer fez um estágio com a Selecção). Admito que definitivamente não vejo qualidade em Duda para fazer parte da Selecção, mas concebo que a necessidade possa fazer com que a sua chamada seja necessária. Duvido que Queirós não pudesse ter experimentado mais insistentemente outro jogador na lateral-esquerda, até porque Duda não é um bom extremo (posição de origem) e nunca será um bom lateral. É um jogador razoável, com experiência de Liga Espanhola. Mas nunca será uma mais valia para a Selecção. Peixoto é mais jogador. Tem mais qualidade de passe, sobe melhor, ocupa melhor o espaço, percebe melhor aquilo que o jogo, a equipa, e o adversário pedem. Mas nem conseguiu a titularidade no Benfica, onde praticamente não jogou nos últimos meses. É mais débil fisicamente e muitas vezes vira a cara à luta, o que não agrada de todo a um treinador. Opção difícil...

Nota:este texto foi igualmente publicado no Academia de Talentos.

Pistas para o clássico

à(s) 01:37

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Quando no próximo Domingo, Luisão e Bruno Alves liderarem as suas equipas em direcção ao relvado do Estádio da Luz, todo o Portugal futebolístico estará parado para assistir ao confronto entre aqueles que acredito serem os dois grandes candidatos ao título.
O jogo da 14ª jornada não terá um peso fundamental como se pode perceber pelo facto de ainda não termos atingido a primeira metade do campeonato. Contudo será muito importante, fora a óbvia questão pontual, para aferir os sinais que as equipas vêm dando nos últimos tempos.

Começando pelo Benfica, a crítica tem apontado algum decréscimo exibicional nos últimos tempos. A questão é relativa. Coloquemos a questão: será lógico colocar um rótulo com base em duas/três exibições/resultados menos positivos? O Benfica dos últimos jogos tem duas exibições que podem por em dúvida o seu crescimento, por dois motivos diferentes, mas igualmente preocupantes: Alvalade por alguma falta de ambição, Olhão pelo descontrolo emocional. Nesse sentido, o jogo com o Porto assume grande importância para que possamos perceber o que vale esta equipa. Será uma partida onde a ambição será necessária, será uma partida em que o controlo emocional será fundamental.

O modelo e o sistema de Jesus estão implementados, embora não tenhamos ainda assistido ao longo da época a uma opção alternativa em situações em que o jogo ou o resultado assim o exijam. Quando tal acontece, a ideia do seu treinador passa sempre pelo acréscimo de avançados, moldando-se à forma da equipa adversária defender. A questão é, não deveria ser o Benfica a fazer adaptar o adversário a uma nova forma de atacar? As baixas para o confronto com os Dragões, e a confirmar-se a ausência de Ramires, responderão em parte a esta questão.
O Benfica terá que jogar de forma diferente, primeiro porque César Peixoto que irá assumir o lugar de Di Maria/Coentrão no meio-campo, significando tal facto, maior posse, maior critério, mas menos capacidade nas transições, menos assertividade. Depois porque Carlos Martins, Menezes ou Urreta assumirão o lugar de Ramires, significando nos dois primeiros casos uma maior aproximação ao meio e uma menor capacidade nas transições, enquanto que se a opção recair em Urreta, o equilíbrio defensivo não será tão forte.
Tudo isto somado à previsível titularidade de David Luiz no lado esquerdo da defesa, implicará um Benfica mais forte no meio, mais concentrado, mas com menos influência sobre os flancos. Na capacidade de Jesus preparar os jogadores para esta diferente forma de jogar, estará o maior ou menor sucesso dos Encarnados na partida.


O Porto tem respirado melhor no último mês. Mesmo estando ainda um ponto atrás do rival, as suas últimas exibições, aliados ao seu passado recente de inícios de temporada periclitantes e consolidação por alturas de Dezembro, trazem confiança aos seus adeptos. Os bons sinais foram dados frente a Rio Ave, Vitória de Guimarães e Atlético de Madrid, mas tal como no caso do Benfica, o jogo de Domingo ajudará a demonstrar se os últimos jogos são uma espécie de coincidência ou uma tendência importante.

Jesualdo Ferreira tem a vantagem de ter o seu núcleo duro completamente disponível, ao mesmo tempo que teve possibilidades de gerir a equipa de forma tranquila frente ao Vitória de Setúbal. O facto de, ao contrário do Benfica, não ter um outro confronto a meio da semana, permite ao treinador do Porto, focalizar os seus jogadores totalmente no confronto de Domingo.

Este Porto tem tido dois principais problemas. O primeiro e mais importante, é saber quem e como vai assumir preferencialmente a vaga de Lucho Gonzalez. Por lá têm passado sequencialmente Mariano Gonzalez, Guarin, Belluschi e de uma forma mais tímida Valeri, mas na Luz é previsivel que seja Guarín a assumir o posto, uma vez que no confronto a meio-campo estará parte da decisão do clássico. O segundo problema, tem a ver com a co-habitação pacífica e produtiva de Hulk com a equipa. Até agora, e exceptuando a partida de Madrid, os melhores jogos do Porto foram sem o brasileiro no onze, isto sem menosprezar a sua enorme qualidade individual. Assim, e como Rodriguez provavelmente actuará por saber muito bem baixar para quarto médio, a dúvida estará entre Varela, Hulk e Falcão. Em condições normais, Falcão seria titular, mas a provável titularidade de Sidnei, Luisão e David Luiz, estará a aliciar Jesualdo a apresentar um ataque mais móvel e mais susceptível de confundir marcações zonais.


Enfim, com um estádio cheio, um ambiente fantástico, excelentes executantes, e com as duas equipas separadas por apenas um ponto, estão reunidas todas as condições para um excelente espectáculo de futebol. Seja mais táctico ou mais aberto, os condimentos estão lá. Assim seja.

Portugal e Queirós, rescaldo e perspectivas

à(s) 17:35

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Quando Carlos Queirós voltou a ser Seleccionador Nacional de Portugal, e embora tivesse o apoio de grande parte da nossa 'praça', desde comentadores a treinadores, passando por adeptos e presidentes, todos sabiam que a sua tarefa não seria nada fácil. Principalmente por ter de substituir Luis Felipe Scolari, brasileiro que goste-se mais ou menos, tão bons resultados trouxe a Portugal na sua passagem por cá. E contra factos, resultados desportivos, vitórias inesquecíveis, envolvimento do público com a selecção, contra isso não podem existir argumentos.

De Queirós esperava-se, não que conseguisse ter o mesmo cariz mobilizador e motivacional imprimido pelo seu antecessor, mas que pudesse reverter esse mesmo carisma de outra forma, utilizando outras competências. Nomeadamente a nível táctico onde é capaz, e a nível de trabalho de gabinete, onde poderia reorganizar de forma mais clara e produtiva todo o edifício do futebol português. Contudo, com o modelo actual para as concentrações das Selecções, por ser regra geral num curto intervalo de tempo entre jogos domésticos, o tempo que restava ao treinador era pouco para por em prática grande nuances tácticas. Os jogadores normalmente chegavam à concentração um dia depois dos jogos das suas equipas, ainda fatigados e com viagens pelo meio, e restavam a CQ (como aos outros seleccionadores, note-se) pouco mais de 4 dias de treino para colocar em prática, expor e treinar as suas ideias. Assim, por não ser o motivador que era Scolari, também por ir variando as convocatórias (algo que o brasileiro não fazia, fazendo da Selecção uma espécie de clube, mantendo o núcleo duro com uma ou outra alteração, e por isso de certa forma, consolidando os mecanismos de treino e a união de grupo), e por estar inserido num grupo difícil com os nórdicos Suécia e Dinamarca e ainda com os incómodos Húngaros, o trabalho de Queirós foi tremido.

Portugal teve uma qualificação difícil, quando já muito poucos acreditavam ser possível, por todos os factores já referidos e também, julgo por algumas opções incompreensíveis por parte do Seleccionador Nacional. Pessoalmente, e sendo certo que a posição de defesa lateral-esquerdo tem carências importantes, continuo sem perceber a insistência em Duda. Também por termos Miguel Veloso, que joga de facto melhor como médio-defensivo, mas, que mesmo fora da posição natural, terá mais rendimento que Duda. Espera-se para ver aquilo que Jorge Jesus consegue extrair de César Peixoto no Benfica, ou mesmo a afirmação de Tiago Pinto no Braga, mas não traz muito conforto pensar que na África do Sul esta carência se mantenha.
Ao mesmo tempo, as recorrentes chamadas de Edinho e Hugo Almeida (simultaneamente), são difíceis de compreender. São jogadores que não fazem a equipa jogar, que muitas vezes não entendem o seu jogo, e que, principalmente no caso do segundo, são mais finalizadores. Mas o que se pretende de um jogador deste tipo? Van Nistelrooy, Inzaghi, Dzeko, Luca Toni são atletas com este perfil, que passam grande parte do tempo à margem do jogo, mas quando têm a bola no pé, marcam golos. Os dois exemplos por mim referidos, fazem-no pouco. Agora que temos Liedson, mais matador, e quando eu ainda acredito em Nuno Gomes (porque tenho memória e sei aquilo que fez e continua a fazer sempre que é chamado, principalmente nas fases finais), porque acredito na sua capacidade de fazer jogar a equipa, não vejo grande utilidade em Almeida ou Edinho.
Batendo na mesma tecla, a de fazer jogar a equipa, pensemos em Pepe (excelente central) a trinco. Tudo bem, será uma boa medida frente a equipas de valor semelhanteao nosso, imponentes fisicamente e onde potencialmente precisemos de passar 50% do tempo de jogo em processos defensivos. Mas Pepe jogou naquela posição, por exemplo, frente à Albânia, e na Luz frente à Bósnia. A crítica é unânime: Pepe foi o melhor jogador em campo no primeiro jogo do Play-off, recuperou imensas bolas, destruiu imenso jogo adversário, etc etc. É tudo verdade, Pepe fez um excelente jogo, é positivamente agressivo, rouba bem a bola, mas não a sabe conservar. E se a equipa tem um jogador numa zona nuclear, que não sabe conservar a bola, que não a sabe circular, é natural que a perca muitas vezes. E que portanto haja bastante jogo contrário para Pepe destruir. Num jogo perante uma equipa bastante inferior (a segunda mão provou-o), onde precisávamos de marcar golos, a sua titularidade naquela posição foi um erro. Penso em Meireles, Veloso, Moutinho ou Pedro Mendes (na altura lesionado) para jogar ali e vejo Portugal a ter a bola com mais critério, a dominar. E a estar mais perto do golo.
Esta é a cultura das duas equipas mais fortes do Mundo, Barcelona e Espanha, ter a bola. Massivamente. Porque tendo a bola, além de estarmos mais perto de marcar, defendemos melhor, porque a equipa adversária está atrás dela. Valores superiores a 60% de posse de bola e os bons resultados das duas equipas referidas por mim, não são coincidência. Portugal deve perceber essa tendência, lembrar-se da sua matriz, ter a bola, jogá-la de pé para pé (tem jogadores para isso) e assim acredito que possa estar mais perto das vitórias.

Mas nem tudo foram maus sinais no trabalho de Queirós, antes pelo contrário. Ultrapassadas estas questões, temos razões para estar bastante confiantes numa excelente prestação na África do Sul. Primeiro porque o Seleccionador terá três semanas de trabalho com os jogadores antes da prova, e terá assim tempo de colocar as suas boas convicções em prática. É uma boa ideia querer abandonar a estandardização do 4x3x3 ou do 4x2x3x1 e utilizar como sistema alternativo o 4x4x2 em losango ou o 4x1x3x2. Actualmente esta é uma medida necessária, primeiro porque os melhores treinadores e as melhores equipas são aquelas que durante o jogo são capazes, de adaptar com qualidade, a sua disposição táctica a diferentes circunstâncias. E depois porque a equipa adversária nunca saberá com que esquematização do adversário poderá contar.
Igualmente a nível da formação, onde vem explanando boas ideias, para que o futebol em Portugal tenha futuro. Houvesse um reformista e alguém com boas ideias como Queirós a cada 20 anos no nosso futebol, e pelo menos a nível de Selecções poderíamos estar descansados.

Quanto à próxima grande prova em que vamos participar, acredito que também. Até porque Ronaldo fará um Mundial excepcional, acredito. E se Ricardo Carvalho, Bosingwa, Bruno Alves, Pepe, Veloso, Moutinho, Meireles, Tiago, Simão, Nani, Deco, Nuno Gomes e Liedson, entre outros, souberem acompanhá-lo, e vão saber, então somos capazes de lá para Junho ter muitas alegrias.
Ainda assim será preciso não esquecer que Espanha, Brasil e Inglaterra lá estarão como melhores selecções do Mundo da actualidade, que Itália e Alemanha se agigantam sempre nas fases finais, que a Argentina é sempre a Argentina e tem Messi, que a Holanda teve 10 vitórias em 10 jogos de qualificação, e que, pelo facto de o Mundial se realizar em África, as mais fortes selecções africanas (Gana e Costa de Marfim) possam também ter uma palavra a dizer. Todos estes são factores com que temos de contar. Mas ainda assim, Portugal vai dar que falar.

Crise em Anfield

à(s) 03:11

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Estávamos a pouco mais de meio do defeso quando elementos do Real Madrid aterraram em Liverpool para resgatar Arbeloa e Xabi Alonso. Se em relação ao lateral espanhol, aposta de Rafa Benitez quando ninguém o conhecia, e 'apenas' um bom jogador de plantel, a perda poderia ter sido atenuada, Xabi Alonso peça fundamental no esquema do Liverpool foi uma subtracção gigante à equipa.

Com esta cedência ao mercado, colmatada apenas pela chegada de dois substitutos directos para as saídas (Glen Johnson num nível superior a Arbeloa, Aquilani ainda num nível inferior a Xabi), os responsáveis do Liverpool como que se resignaram à manutenção do défice de títulos internos.
A equipa ao invés de evoluir, e progredir para o mesmo patamar de Chelsea e Manchester, mantém-se num nível inferior, onde só com muita fortuna poderia lutar pelo título, nomeadamente numa época onde Arsenal e City ameaçam intrometer-se, por mais ou menos tempo, na luta.


De facto, desde a chegada de Fernando Torres que não se vê em Anfield uma contratação ao nível daquilo que o clube representa. A chegada de novos proprietários retirou-lhes aquela pequena dose de risco que por vezes é necessária em futebol, e transformou o Liverpool num clube com perspectivas quase exclusivamente economicistas. Isto na óptica dos 'Chairmans', obviamente que ao contrário dos 'Supporters', os melhores do Mundo.


Em todo este turbilhão, Rafa Benitez não está isento de culpas. Mesmo sem o orçamento que desejaria, tem procedido a contratações de carácter duvidoso para equipa com a qualidade dos 'reds'. Degen (100 minutos desde a época passada), Dossena, Kyrgiakos, Riera ou Voronin são bons exemplos do que refiro. As chegadas de Dossena na época passada quando faziam já parte do plantel Fábio Aurélio e Insua (e pouco tempo depois da dispensa de Riise), ou de Kyrgiakos nesta época, quando o plantel conta já com Carragher, Skrtel, Agger e o promissor Daniel Ayala para a posição, são ainda mais misteriosas.
Especialmente quando no ataque, a equipa vive constantemente orfã de um parceiro/substituto para Fernando Torres, factor exponenciado pela preferência sobre Voronin ou NGog, em detrimento do super promissor Nemeth. Mesmo na ala esquerda, e no modelo do Liverpool, será um eterno mistério a escassa utilização de Ryan Babbel.

Enfim, parece-me inegável que a qualidade do plantel do Liverpool não lhe permite de todo lutar por mais do que uma competição. Por culpa de todos aqueles que tomam decisões na estrutura do clube. E, quando em Novembro, verificamos que a equipa foi já eliminada da Taça de Inglaterra, quando percebemos que está às portas de uma saída inglória da Champions, quando no campeonato dista já 11 pontos do Chelsea, constata-se que os reds estão num caminho obscuro e difícil. Nada que afecte a paixão com que os adeptos cantam o 'You Will Never Walk Alone', mas claramente abaixo dos seus pergaminhos. Uma reflexão é necessária, porque o clube corre sérios riscos de ser ultrapassado na pior altura, a do surgimento de um forte candidato ao 'Big Four' - o Manchester City, e ao mesmo tempo em que os principais rivais Chelsea, Arsenal e MU (mesmo que os red devils passem também por um período transicional), continuam fortes e saudáveis.

Pelo que se tem observado da Premier League, das exibições da equipa, das lesões dos 'presos por arames' Aquilani, Torres e Gerrard, e mesmo pela capacidade demonstrada por Tottenham e Aston Villa, o Liverpool corre o risco de obter uma classificação final perigosamente assustadora. Porque a época ainda vai no início, porque ainda aí vem o mercado de Inverno, porque a equipa tem sempre o apoio incondicional dos adeptos, o quadro pode ser revertido. A ver vamos.

É preciso cuidado, Sporting.

à(s) 01:59

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Por entre Taças e Supertaças, o título nacional já foge há 8 épocas. O afastamento dos adeptos em relação à equipa é cada vez maior, as clareiras no estádio são cada vez mais visíveis, o fosso na média de assistências anual aumenta para os rivais, a impaciência dos adeptos cresce a cada dia que passa.
A verdade é que num clube com um superior ecletismo como é o Sporting, o fervor à volta do futebol é um pouco dissipado, mas os sportinguistas sempre tiveram uma exigente cultura de vitória, e o discurso dos seus dirigentes nos últimos tempos, quando abordavam as mais valias do constante 2º lugar relativizando de alguma forma o 1º, não caiu bem no seio dos adeptos.
É inegável que a situação financeira do Sporting não é famosa. Fruto de gestão danosa, principalmente na década de 90, o clube vive um pouco de mãos atadas, mas tal facto não pode ser motivo único para os resultados.

Mais do que tudo, importa perceber que a gestão desportiva do Sporting tem sido bastante negativa, ao mesmo tempo que os seus dirigentes vão dando perigosas facadas na cultura de vitória da equipa de futebol. Os adeptos naturalmente, não compreendem, e afastam-se cada vez mais de Alvalade, dos seus jogadores.
Vejamos, o Sporting é indiscutivelmente um grande clube. Mas corre riscos sérios ficar perdido algures entre a estrutura médio-superior do edifício do futebol português, se o clube não encontrar alternativas para a situação actual, alterando o seu caminho. É necessário um pouco mais de risco, de coragem, de ambição!
É preciso que não se esqueça o passado recente do Sporting, e as perspectivas de futuro.
Quando se tem uma Academia formadora e vanguardista como a de Alcochete, quando se tem um número de associados a rondar os 100 mil, quando se tem a história que o clube tem, a cultura de exigência tem que ser maior, os resultados desportivos podem e devem ser superiores.

Quando falo em resultados desportivos, não aponto o dedo acusador a Paulo Bento. Antes pelo contrário. Tenho dúvidas que algum treinador (real) tivesse feito melhor neste Sporting. A estrutura para o futebol parece não existir ou é muito pouco definida, nunca se perceberam muito bem as funções por exemplo, de Pedro Barbosa. Certo é que Paulo Bento tem que se alongar muito para fora do âmbito normal de técnico, dando o 'peito às balas', desgastando-se em demasia, e afastando-se daquilo que deve, sabe e pode fazer. Mas aí não podem ser a ele imputadas responsabilidades, até porque se percebe que o Sporting estaria pior não fossem algumas das intervenções do seu treinador (sem discutir, o propósito ou o tom das mesmas).


Olhando para o plantel e para o trabalho de Bento, constata-se que o seu pecado passa por não conseguir dotar a equipa de um modelo de jogo alternativo de sucesso ao que vem apresentando. Não tanto de sistema, visto que o mais importante é dar qualidade e bons intérpretes ao sistema, qualquer que ele seja. E o Sporting tem intérpretes para o losango.

Mais frágil na defesa, onde a baixa de forma de Polga já leva mais de 20 jogos, sem que o clube tenha precavido um substituto à altura para o brasileiro, durante o mercado de Verão. Até porque está mais do que visto que Paulo Bento perdeu alguma da confiança que já teve em Tonel. A lateral esquerda foi igualmente um pouco descurada, estando longe de se perceber as razões da não renovação de Tiago Pinto.
No resto, a equipa é bem montada, apesar de se sentir bastante a ausência de Izmailov, principalmente porque Vukcevic não cumpre na perfeição os desígnios tácticos do modelo, no meio-campo, e talvez fosse mais útil no vértice ofensivo do losango ou no ataque.
É óbvio que depois existem 'pequenos quês' como as parcas apostas em Pereirinha ou Djaló, mas essas são questões pontuais, que não deixam de ser discutíveis, mas para as quais só Paulo Bento terá uma resposta.

Pensando neste campeonato, mesmo ainda sem ter sido cumprido o primeiro terço, é difícil que o Sporting já vá atingir a Liga dos Campeões. Esta será muito provavelmente uma prova onde os grandes, salvo algum rombo inesperado, perderão poucos pontos e a distância do Sporting para os primeiros lugares é ja bastante grande. Importa aos seus responsáveis reflectir em termos de prioridades e pensar se não será preferível começar desde já a formar uma equipa de sucesso para os anos vindouros, mais importante do que tudo, estruturada numa base competente, sólida e assertiva. Sem esquecer que o arrojo será mais do que nunca, muito importante. O futebol português só fica a ganhar com um Sporting forte.

O que esperar desta Premier League

à(s) 03:30

sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Vai já na 6a jornada aquele que é por muitos considerado o melhor e mais competitivo campeonato europeu. A Premier League, histórica competição da pátria do futebol, perdeu o melhor jogador do Mundo, mas ainda assim continua a brindar os adeptos com grandes espectáculos, golos, estádios cheios.

Na liderança da competição segue já a equipa que considero a principal favorita à conquista do ceptro de campeão. O Chelsea modificado para o 4x4x2 losango, por Ancelotti, é uma máquina de jogar futebol. Com um plantel muito completo (apenas ligeiramente curto no ataque, onde Anelka e Drogba não têm um substituto à altura), a equipa tem os processos de jogo bastante bem assimilados e joga sempre numa intensidade muito elevada. O talento individual dos seus executantes faz o resto, e também por isso os blues são 'o candidato'.
O Manchester United é provavelmente principal adversário do Chelsea, embora não me pareça que este vá ser um campeonato tão competitivo como o último, no que diz respeito à luta pelo título. Os 'red devils', estão consideravelmente menos fortes com as saídas de Ronaldo e Tevez, e mesmo que Ferguson afirme que tal facto servirá para deixar o colectivo mais forte, sabemos que não é verdade. O colectivo era mais forte também com jogadores como Cristiano e Tevez, e ao MU resta esperar por explosões a altíssimo nível e pouco prováveis de Obertan, Valencia ou Nani, e pelo crescimento exponencial daquilo que Berbatov conseguiu fazer na época passada, por forma a poder dar a adição de qualidade ao trabalho de Evra, Vidic, Ferdinand e Rooney. Este assemelha-se como um daqueles anos transicionais que Ferguson reserva, na antecâmara de uma nova grande equipa.

Ligeiramente mais abaixo, o Liverpool surge com a mesma cara da época passada. Perdeu Arbeloa e Xabi Alonso, recrutou Glenn Johnson e Aquilani, e se claramente fica a ganhar na lateral direita, no meio campo, mesmo reconhecendo a elevada qualidade do italiano, fica a perder com a troca. Na frente, Benitez continua a esperar pelo crescimento de Nemeth e NGog, para fazer companhia a Torres, ao mesmo tempo que recuperou Voronin. Manifestamente pouco para ser um candidato sólido até final.
Mantendo o diapasão sobre o Big Four, o Arsenal terá que ter cuidado, para não perder o comboio da Champions para o City. As perdas de Touré e Adebayor para os blues de Manchester são um duro golpe, e não se espera que o Arsenal faça muito melhor do que na época passada. Mesmo com o crescimento de Walcott, o reaparecimento de Rosicky, e a completa adaptação de Arshavin, continua a faltar aos gunners um pouco mais de experiência e classe para mais altos voos. Apesar de tudo, política longe de ser censurável, antes pelo contrário.
Ameaçador q.b., surge o renovado City, com uma equipa e um plantel muito fortes, e já com sinais dados de que lutará até ao fim, por um lugar nos primeiros classificados. Adebayor, Robinho, Tevez e Ireland, entre outros, não mereceriam outro destino.

Um patamar mais abaixo, e como equipas capazes de surpreender, mas sem a capacidade de lutar com os maiores até ao fim, surgem os fortes Everton, Tottenham e Aston Villa. Tendo em conta a valia dos seus planteis e dos seus treinadores, certamente que ocuparão no final um lugar europeu, na primeira metade da tabela.

Pelas vagas restantes nos 10 primeiros lutarão Stoke City (promovido na época passada mas fortíssimo a jogar em casa e com um plantel muito equilibrado), Fulham (à imagem da época passada onde de forma algo surpreendente conseguiu a qualificação para a Europa), West Ham
(bem orientado por Zola e com uma 'prenda' de José Mourinho - Luis Jimenez, para apoiar o perigosíssimo Carlton Cole) e Sunderland (equipa cirurgicamente bem reforçada com as chegadas de Turner, Cattermole e Bent).

Na luta pela manutenção, se Bolton e Blackburn pelas suas valias individuais poderão estar mais livres de grandes sobressaltos, entre Wolves (do muito prometedor Sylvan Ebanks Blake), Hull City, Burnley, Birmingham, Wigan e Portsmouth (provavelmente a equipa mais fraca do campeonato, como também é atestado pelos seus actuais zero pontos) deverão estar os despromovidos quando a época terminar.

Sem Ronaldo, mas com Gerrard, Torres, Lampard, Drogba, Fabregas, Rooney, Adebayor, Robinho, Defoe, e muitos mais. Além do fantástico ambiente, da atmosfera vibrante, do ritmo de jogo, da lealdade entre agentes do jogo. Assim vai a Velha Albion. O espectáculo continua.

O declínio de uma Selecção

à(s) 01:43

terça-feira, 8 de setembro de 2009


Quando no caminho de Portugal para o Mundial de 2010, se atravessaram selecções de classe média-alta europeia, como Dinamarca e Suécia, percebeu-se que o caminho não seria fácil. Contudo, o recente trajecto da selecção portuguesa nos últimos 4 anos, um dos melhores de sempre (senão o melhor), dava a confiança necessária de um apuramento que mais tarde ou mais cedo chegaria.
Mais ainda, mesmo tendo saído o competente Scolari, chegou Queirós (cuja escolha apoiei), homem conhecedor de todo o edifício da Federação, dos seus problemas, das suas virtudes, e alguém que a nível táctico tem boas competências consolidadas com o tempo e com experiências interessantes em diversos clubes.

Hoje, percebe-se que a chegada de Queirós foi um erro, mais por culpa própria, do que por culpa de quem o escolheu - Madail, que mesmo tendo uma péssima liderança federativa, não pode ser fortemente responsabilizado por uma escolha, que seria a mesma da esmagadora maioria dos portugueses.
Actualmente, não existem grandes dúvidas que Queirós falhou redondamente. Portugal pode chegar ao Mundial (e ainda acredito que chegará), Portugal poderia até vencer o Mundial, mas a partir do momento em que a equipa deixou de depender de si própria a 3 jornadas do final, de um grupo que mesmo não sendo fácil, não é 'de morte', o balanço não pode ser bom.

E não pode ser bom porque o Seleccionador se esqueceu do primeiro objectivo: a qualificação. Não deixa de ser curioso que apenas para esta dupla jornada Queirós tenha feito aquela que considero a melhor convocatória, apostando em jogadores de qualidade que poderiam permitir o sucesso imediato. Mas, fê-lo apenas quando é pressionado pelo tempo, pelos resultados, pelos dirigentes, pelos adeptos.
Para CQ, o percurso foi o inverso do razoável: experiências atrás de experiências quando a qualificação estava no início e longe de estar garantida, regresso à consolidação, aos melhores dos melhores, quando as perspectivas são negras.

Se as experiências efectuadas foram sempre duvidosas (e nesta premissa não incluo jogos particulares), as actuais certezas de Queirós são...incertezas! Assim se viu na partida do passado Sábado, onde o treinador fez aquilo que se compreende no adepto de bancada e não se pode admitir num treinador - ou seja, mudar em função do resultado e não em função dos sinais que a equipa dava dentro do campo.
Depois, ao contrário do que tenho lido, sou da firme opinião que a aposta em Liedson como primeira opção para rebater o resultado é errada. Não pela maior ou menor qualidade do 'levezinho', mas essencialmente porque continuo com grandes dificuldades para perceber como é que Queirós não percebe que Nuno Gomes, jogando mais ou jogando menos, continua a ser, dentro da nossa conjectura, o melhor jogador para actuar como avançando, aumentando o rendimento da equipa em geral e de Ronaldo em particular. De Nuno Gomes não se esperam golos atrás de golos da sua autoria, mas pode e deve esperar-se um aumento da quantidade e qualidade de situações de concretização por parte da equipa, precisamente pela sua inteligência, de arrastar marcações, de abrir espaços, de jogar ao primeiro toque.
Liedson mesmo marcando o golo do empate, teve uma prestação quase nula até cerca dos 80 minutos. Não é de estranhar esse facto, visto que acabara de cumprir a primeira concentração, os primeiros treinos com o grupo, visto até que tem feito exibições não mais do que razoáveis. O que é de estranhar é que tenha sido o jogador do Sporting a primeira opção do seleccionador nacional no momento mais complicado pelo qual passou Portugal no apuramento. Daqui se percebe um pouco o estado de espírito de CQ.

Agora resta a Portugal vencer os três jogos que faltam. Se Queirós continuar a recorrer a jogadores como Eduardo, Rui Patrício, Beto, Bosingwa, Miguel, Bruno Alves, José Castro, Pepe, Ricardo Carvalho, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Tiago, Maniche, Deco, Simão, Danny, Nani, Ronaldo, Nuno Gomes e Liedson, se tiver a sorte de ver a afirmação de Quaresma no Inter, de César Peixoto no Benfica, de Hugo Viana no Braga, de Maniche no Colónia, eventualmente até de Postiga no Sporting, ou o recuperar da lesão de Paulo Ferreira no Chelsea e se com estes quiser construir e solidificar um grupo para tentar chegar ao Mundial e eventualmente cumprir com sucesso uma participação na prova, ao mesmo tempo que vai integrando gradualmente um ou outro jogador dos sub-21, as perspectivas de sucesso aumentam.
Se ao contrário pretender manter experiências incompreensíveis e alterações de sistema e modelo de jogo constantes, então dará definitivamente razão aqueles que afirmam que será realmente útil num gabinete, projectando e planeando todo o edifício da nossa Selecção, deixando o treino para alguém mais competente.

Ao contrário do que se tem afirmado, Portugal tem ainda sólidas aspirações de estar presente na fase final do Mundial. Essencialmente porque ao contrário do que se tem dito, a Dinamarca não poderá (repetindo o tristemente célebre jogo do Euro-2004) facilitar com a Suécia, uma vez que uma derrota caseira poderá atirar os dinamarqueses para o Play-Off onde poderá encontrar selecções fortes como França, Croácia ou Rússia. Assim sendo, resta-nos impreterivelmente vencer as nossas partidas, esperar por uma derrota da Suécia ou mesmo por um empate - transferindo a decisão para a diferença de golos. Vamos acreditar. Ou, excluindo 2004-2008, não fosse essa a nossa sina.

Férias e perspectivas

à(s) 01:37

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Os mais frequentes visitantes deste espaço concerteza repararam na diminuição da frequência de artigos, nos últimos dois meses. Nem sempre tal facto se deveu a falta de tempo. Antes, a algum afastamento daquilo que penso tão bem apelidar-se de 'silly season'.
Umas (espero) retemperadoras férias aproximam-se. No regresso, os principais campeonatos estarão a dar o seu pontapé de saída. As indicações serão bem mais palpáveis, e não se falará num plano tão relativo e conjectural. Poder-se-à perceber até que ponto Jesualdo consegue reverter as saídas de Lucho e Lisandro, se Paulo Bento logrará tirar o seu losango de alguma estagnação, se Jesus consegue materializar o entusiasmo dos benfiquistas através do seu 4x1x3x2. Perceber-se-à melhor se Marítimo, Guimarães ou Braga terão capacidade para destronar o Nacional do 4º lugar da época passada. Se Jorge Costa faz um bom trabalho no prometedor Olhanense, o mesmo se aplicando a Carlos Azenha no Setúbal. Se o Belenenses não comete os mesmos erros da época passada...

Lá por fora ter-se-à uma ideia mais concreta sobre se apenas a Juventus poderá rivalizar com o previsivelmente fortíssimo Inter de Mourinho ou se o Milan ainda recorre bem ao mercado. Se o City consegue destronar o Arsenal do Big Four e se Liverpool ou Chelsea conseguem aproveitar bem a saída de Ronaldo do MU e conquistar o ceptro de campeão inglês. Em França perceber melhor como será o duelo Lucho - Lisandro, Marselha - Lyon, com Bordéus e PSG pelo meio. Na Alemanha se Van Gaal transforma o Bayern numa equipa temível, como pretendem os seus dirigentes, ou se Wolfsburgo, Hamburgo, Leverkusen ou Schalke serão adversários incómodos.

E finalmente em Espanha, na 'La Liga' em que todo o Mundo porá os olhos, como será o duelo de gigantes Messi-Ibrahimovic vs Ronaldo-Kaká, no mais que nunca apaixonante Real - Barça, com Sevilla, Valência, Villarreal e Atlético a tentarem uma intromissão que actualmente aparenta ser demasiado ousada.

No que toca a contratações, saber por exemplo até que ponto Sneijder e Van der Vaart não teriam lugar no Real Madrid, se Onyewu é mesmo o central que o Milan precisava, ou se Elano não caberia num clube de primeira linha europeia...

Até já.

O erro de Laporta

à(s) 02:09

segunda-feira, 20 de julho de 2009


Foi no início de Junho, já lá vai cerca de um mês e meio, que Joan Laporta, presidente do Barcelona, equipa que dizimou toda e qualquer concorrência na época passada, veio a público lançar as primeiras críticas à pretensa política do Real Madrid. Ainda não se adivinhavam os valores envolvidos nas contratações de Kaká, Ronaldo ou Benzema já Laporta se afirmara contra o regresso aos Galácticos, falando numa perspectiva de mercado.

A verdade é que ao longo deste período de tempo, as declarações do presidente do Barça sobre este assunto não foram escassas. A meu ver absolutamente desnecessárias, até porque quem partia estratosfericamente na frente seria a sua equipa, e quem teria de se preocupar seriam os madridistas e demais competidores dos culés. Na cabeça do máximo responsável catalão provavelmente assim não será, e após as inúmeras investidas a favor do equilíbrio financeiro do mercado, Laporta faz aquilo que considero ser um grande erro.
Percebo o seu incómodo pelos holofotes da pré-época estarem todos virados para Madrid, deixando Barcelona quase 'às moscas', algo impensável para quem ganhou (bem) tudo aquilo que havia para ganhar. Mas o presidente dos catalães deveria perceber que campeonatos não se vencem nesta altura do ano, e não devia tentar competir com o Real Madrid em algo que simplesmente não consegue. A política financeira e o impacto no mercado.

Tudo isto devido ao negócio cada vez mais iminente com o Inter. Para ter o impactante Zlatan Ibrahimovic no seu plantel, saem para o Inter (agora transformado pelo Barcelona num grande candidato à conquista da Liga dos Campeões) Samuel Etoo, Aleksandr Hleb e 40 milhões de euros, quantia que vai permitir a José Mourinho dar os últimos retoques ao seu plantel. Algo impensável para o português há um mês atrás, quando supostamente teria de fazer uma grande ginástica para montar uma equipa que lhe desse mais garantias que a anterior.
Simultaneamente, os de Milão perdem o fantástico Ibrahimovic, mas ganham Etoo que será à partida garantia de tantos ou mais golos que o sueco, e de superior trabalho de equipa, algo que encaixa muito bem na matriz dos interistas. Ganham Hleb, um médio ofensivo capaz de fazer ligação entre o meio campo e o ataque, algo que faltou tantas vezes a José Mourinho na época passada. E ganham ainda 40 milhões de euros, parte dos quais concerteza será investida no reforço criterioso de uma ou duas posições em falta.

O Barça, por sua vez, ao mesmo tempo que fortalece o Inter, perde 40 milhões de euros, perde o segundo melhor marcador do campeonato espanhol com uma marca superior a 30 golos. Perde o bielorusso Hleb, que obviamente não tendo lugar na equipa titular, foi sempre um jogador importante para determinados momentos. O que ganha? É verdade, chega Zlatan Ibrahimovic, jogador fantástico, capaz de decidir jogos, capaz de fazer coisas inimagináveis com Messi, Xavi ou Iniesta. Ganha no facto de Etoo, incompatibilizado com Guardiola, sair no seu último ano de contrato. Mas sem o camaronês faltará acredito, alguma objectividade ao último terço do futebol da equipa. E depois a já referida questão 'Inter'.
Não teria sido uma manobra mais produtiva ter contratado Villa ao Valência e ter deixado sair Etoo para os referidos pela imprensa como interessados no camaronês, Milan, Liverpool, United ou City? Questões que a época se encarregará de responder.

Nota: Este artigo está longe de pretender por em causa o valor de Ibrahimovic. O sueco será provavelmente o melhor avançado do mundo, ou no mínimo está no lote dos melhores juntamente com Villa, Torres, Etoo, Rooney, Adebayor, Benzema e Drogba. Sorte de quem o puder treinar. A questão, centra-se mais numa perspectiva de mercado, de adaptação às futuras equipas e no facto de a diferença entre Etoo e Ibrahimovic ser muito inferior à que este negócio faz transparecer.

Belluschi, Mati Fernandez e...Reyes

à(s) 03:03

quinta-feira, 9 de julho de 2009


O defeso está ainda em fase de 'banho maria', à porta do mês previsivelmente escaldante de Agosto. Os treinadores estão cada vez mais mentalizados para a impossibilidade de fazer estágios com os plantéis fechados, porque os melhores negócios surgem regra geral no oitavo mês do ano, quando os clubes vendedores vêem o tempo a escassear para reequilibrar orçamentos e os clubes compradores cometem algumas megalomanias.
Apesar de tudo nos três grandes houve já movimentações interessantes. O Porto após uma preparação do seu plantel para a futura regra dos 6+5 vive actualmente o período habitual de procurar substitutos à altura dos jogadores que saem e fizeram grandes carreiras no Dragão. O Sporting mantendo a tradição recente de mexer pouco busca previsivelmente apenas um companheiro de peso para o 'levezinho' e quiçá mais uma alternativa no meio-campo. O Benfica procura mais um avançado, ao mesmo tempo que deixa em stand-by as questões de Reyes e da baliza. Neste sentido há três jogadores que podem ser fulcrais para as suas equipas.

Fernando Belluschi, prestes a completar 26 anos, é um jogador que não terá no Porto a sua primeira experiência europeia. Após ser uma das constantes revelações do River Plate, chegou ao Olympiakos onde, mesmo ligeiramente abaixo das performances nos 'milionarios', fez um campeonato grego bom, o mesmo no que diz respeito à Taça UEFA. Dele se espera que substitua Lucho, mas como aqui referi aquando da saída do argentino, não há jogador semelhante a 'El Comandante' ao alcance do Porto. Jesualdo terá de alterar parcialmente o modelo até porque Belluschi tem características diferentes de Lucho.
Do novo reforço do Porto espera-se que tenha um peso mais decisivo no último terço do terreno, funcionando como uma espécie de segundo avançado, e garantindo, penso, uma boa média de golos por época. Capaz no um para um, com capacidade técnica elevada, forte a aparecer no espaço e portador de um bom remate, Belluschi é no entanto ainda menos jogador que Lucho. Não terá, pelo menos inicialmente, um peso semelhante na equipa, nem sequer será tão influente na construção de jogo, possibilitando provavelmente a Raul Meireles ou mesmo a Cristian Rodriguez um papel ainda mais influente na equipa. Apesar de tudo, o Porto minimizou os danos da saída de Lucho com aquele que acredito terá sido um excelente reforço.

O chileno Matias Fernandez é mais um produto daquilo que de bom o Chile tem feito ao nível das camadas jovens, e tem sido muito. O Villarreal, fazendo jus ao estatuto (a par da Udinese) do clube europeu que melhor recruta nos clubes com exposição menor na América do Sul, esteve atento à evolução do craque e resgatou-o. Se a primeira época foi feita dentro das expectativas, num processo de adaptação europeia, ao mesmo tempo que demonstrava pormenores que aguçavam a curiosidade dos adeptos, a segunda foi diferente. Esperava-se a afirmação, mas alguma indisciplina táctica no rigoroso 4x4x2 do Villarreal, levaram Pelegrini a apostar de forma preferencial no experiente Ibazaga.
A saída do treinador para o Real, e as consequentes indefenições em torno do novo sistema táctico fazem-me questionar largamente a venda do chileno, mas certo de que se tratou de um fantástico negócio para o Sporting. No vértice ofensivo do losango, 'Matigol' trará a capacidade de desequilibrar que os leões raramente tiveram com Romagnoli e que terão impedido o modelo de Paulo Bento de evoluir para um patamar superior. Depois da saída de Quaresma e Ronaldo, não tenho dúvida que Mati Fernandez é o jogador tecnicamente mais evoluído que passou pelo Sporting, e tratando-se certamente de uma excelente adição ao nosso campeonato, será interessante verificar como se adaptará às exigências de Paulo Bento. Acredito que bem.

O futebol fora das quatro linhas foi e sempre será mais difícil de perceber que o jogado na relva. O 'caso' Reyes enquadra-se nesta premissa. Ao espanhol não há apreciador de futebol que negue qualidade. Justificadamente pode muitas vezes apontar-se alguma falta de entrega, algo que com Jesus muito provavelmente ficaria fora do campo. Mas é indiscutivel que Reyes foi um dos melhores jogadores do Benfica na época passada, dotando a equipa de um toque de classe, de uma capacidade de transição e de bola parada muito elevadas.
Quando se aponta insistentemente para o interesse do Benfica num avançado, quando tem já no plantel Cardozo, Nuno Gomes, Saviola, Mantorras e potencialmente Nelson Oliveira (mesmo Di Maria pode desempenhar essas funções num sistema com dois homens na frente), quando vêm a publico os valores potencialmente envolvidos na transacção de Reyes e os valores ainda disponiveis pelo Benfica para o reforço do plantel, quando se assume o interesse no espanhol, quando o jogador assume a preferência pela clube e quando o Atlético assume estar vendedor, é difícil perceber que o jogador não esteja já na Suiça com os encarnados.
Mais ainda, Jorge Jesus referiu recentemente que privilegia jogadores polivalentes e vejo Reyes a desempenhar funções no vértice esquerdo e ofensivo do losango do meio-campo e ainda a poder actuar como segundo avançado - foi nesta posição que o espanhol teve as melhores épocas da sua carreira, no Sevilla e Arsenal.
Esta série de factores estranhos pode fazer com que o Benfica perca aquele que seria um jogador importante. Ou então esta não passa de uma estratégia (arriscada) de Rui Costa baixar o preço do atleta. Só o tempo dirá. Segue o defeso.

Obrigado, foi um Lucho

à(s) 00:50

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Não para todos, mas o futebol foi, é, e há-de ser muito mais do que meras questões clubísticas. Este desporto é também uma forma de arte e se há jogador nos últimos anos em Portugal que ajudou a perceber isso foi Lucho Gonzalez, 'El Comandante'. O final de Junho trouxe-nos a notícia da sua saída para o Marselha. É uma pena, e digo-o acredito que representando adeptos de todos os quadrantes. Quando falamos do futebol de Lucho, não interessa se somos adeptos do Porto, Benfica, Sporting ou de outro qualquer clube. Interessa que somos adeptos de futebol. E gostamos de ter o melhor deste desporto bem perto de nós.

Luís Oscar Gonzalez nasceu em Janeiro de 1981 em Buenos Aires, capital da Argentina. Os primeiros passos e o epíteto de grande promessa chegaram no Huracán, pormenores que o levaram a dar o salto para um dos melhores clubes das 'pampas', o River Plate. Onde a sua qualidade veio ao de cima, de forma natural, como o seu jogo. O Porto, no início da sua virada recente para o mercado sul-americano não estava de todo desatento e resgatou o diamante dos 'milionarios'. Para quem como eu, vê Lucho (o apelido não é por acaso) como tendo sido consecutivamente o melhor jogador do nosso campeonato, esta terá sido a melhor contratação dos dragões desde a conquista da Liga dos Campeões.

Deste jogador não esperamos aquela frase 'trato a bola por tu'. Lucho Gonzalez não é propriamente atleta de grandes adornos ou de fintas mirabolantes. É na relação com a equipa, com as exigências do jogo que 'El Comandante' se destaca. Porque o percebe sempre muito bem, porque não precisa de correr kms para estar onde está a bola, porque pensa sempre um segundo (em futebol é uma eternidade) antes dos demais. O esférico sai sempre jogável dos seus pés ou não fosse fortíssimo na tomada de decisões. O passe para o avançado, a triangulação, as trocas posicionais, a recepção orientada para a baliza. Um jogador para valer 10 golos por época, aproximadamente o mesmo a nível de assistências, e incomparavelmente mais no que diz respeito à importância (ofensiva, defensiva e transicional) no jogo da equipa. Um pequeno exemplo? Relembremos o Porto x Manchester United desta época no Dragão e percebamos a diferença na equipa portuguesa antes da lesão e após a lesão de Lucho.
Uma outra nota. O fair-play, o respeito para com o adversário. Num futebol que perigosamente está cada vez mais num nível de 'encenação' e de pouca entreajuda entre colegas, tocando muitas vezes a falta de respeito, Lucho era também neste ponto um bom exemplo.

O Marselha é o próximo passo de um jogador que, prestes a completar 29 anos, já muitos esperavam que terminasse a carreira europeia no Porto. Não sei se o clube segundo classificado da Liga Francesa, mesmo em crescendo, será a melhor opção desportiva para Lucho. A verdade é que chegando a esta fase da carreira muitos jogadores pensam mais no aspecto económico. Longe de ser censurável. Não se pode é deixar de lamentar que um indivíduo como Lucho, uma qualidade futebolística como a que ostenta, provavelmente nunca vá brilhar nos melhores clubes de Inglaterra, Espanha ou Itália (como assentava bem no Inter de Mourinho...). Provavelmente essa foi também uma das razões para, mesmo com cerca de quatro dezenas de internacionalizações, nunca ter adquirido o estatuto de titular indiscutível da Selecção Argentina.

Na perspectiva económica, este foi para o Porto um bom negócio. É indesmentível. Desportivamente e a nível de balneário duvido. No campo porque a sociedade Meireles-Lucho era um dos maiores suportes da equipa, e porque não há jogador semelhante a Lucho Gonzalez ao alcance do Porto. Tal como na época passada caberá a Jesualdo, não subsitituir directamente um jogador que sai, mas perceber qual a melhor forma da equipa reagir a esta perda, alterando parcialmente o seu modelo. A nível de balneário o caso será mais complicado. Especialmente se às perdas de Pedro Emanuel e Lucho Gonzalez, se somarem as mais ou menos previsíveis de Bruno Alves ou Nuno. Seria importante para a estrutura do Porto manter estes dois jogadores. Porque perder as reconhecidamente quatro traves mestras do grupo, numa época será um duro golpe.
Ou não nos lembrássemos todos do período crítico da equipa por alturas de Outubro/Novembro e das entrevistas e dos abraços de todos os jogadores a Pedro Emanuel no final da temporada, salientando a sua importância nos sucessos da época.