Crise em Anfield

em 3:11

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009


Estávamos a pouco mais de meio do defeso quando elementos do Real Madrid aterraram em Liverpool para resgatar Arbeloa e Xabi Alonso. Se em relação ao lateral espanhol, aposta de Rafa Benitez quando ninguém o conhecia, e 'apenas' um bom jogador de plantel, a perda poderia ter sido atenuada, Xabi Alonso peça fundamental no esquema do Liverpool foi uma subtracção gigante à equipa.

Com esta cedência ao mercado, colmatada apenas pela chegada de dois substitutos directos para as saídas (Glen Johnson num nível superior a Arbeloa, Aquilani ainda num nível inferior a Xabi), os responsáveis do Liverpool como que se resignaram à manutenção do défice de títulos internos.
A equipa ao invés de evoluir, e progredir para o mesmo patamar de Chelsea e Manchester, mantém-se num nível inferior, onde só com muita fortuna poderia lutar pelo título, nomeadamente numa época onde Arsenal e City ameaçam intrometer-se, por mais ou menos tempo, na luta.


De facto, desde a chegada de Fernando Torres que não se vê em Anfield uma contratação ao nível daquilo que o clube representa. A chegada de novos proprietários retirou-lhes aquela pequena dose de risco que por vezes é necessária em futebol, e transformou o Liverpool num clube com perspectivas quase exclusivamente economicistas. Isto na óptica dos 'Chairmans', obviamente que ao contrário dos 'Supporters', os melhores do Mundo.


Em todo este turbilhão, Rafa Benitez não está isento de culpas. Mesmo sem o orçamento que desejaria, tem procedido a contratações de carácter duvidoso para equipa com a qualidade dos 'reds'. Degen (100 minutos desde a época passada), Dossena, Kyrgiakos, Riera ou Voronin são bons exemplos do que refiro. As chegadas de Dossena na época passada quando faziam já parte do plantel Fábio Aurélio e Insua (e pouco tempo depois da dispensa de Riise), ou de Kyrgiakos nesta época, quando o plantel conta já com Carragher, Skrtel, Agger e o promissor Daniel Ayala para a posição, são ainda mais misteriosas.
Especialmente quando no ataque, a equipa vive constantemente orfã de um parceiro/substituto para Fernando Torres, factor exponenciado pela preferência sobre Voronin ou NGog, em detrimento do super promissor Nemeth. Mesmo na ala esquerda, e no modelo do Liverpool, será um eterno mistério a escassa utilização de Ryan Babbel.

Enfim, parece-me inegável que a qualidade do plantel do Liverpool não lhe permite de todo lutar por mais do que uma competição. Por culpa de todos aqueles que tomam decisões na estrutura do clube. E, quando em Novembro, verificamos que a equipa foi já eliminada da Taça de Inglaterra, quando percebemos que está às portas de uma saída inglória da Champions, quando no campeonato dista já 11 pontos do Chelsea, constata-se que os reds estão num caminho obscuro e difícil. Nada que afecte a paixão com que os adeptos cantam o 'You Will Never Walk Alone', mas claramente abaixo dos seus pergaminhos. Uma reflexão é necessária, porque o clube corre sérios riscos de ser ultrapassado na pior altura, a do surgimento de um forte candidato ao 'Big Four' - o Manchester City, e ao mesmo tempo em que os principais rivais Chelsea, Arsenal e MU (mesmo que os red devils passem também por um período transicional), continuam fortes e saudáveis.

Pelo que se tem observado da Premier League, das exibições da equipa, das lesões dos 'presos por arames' Aquilani, Torres e Gerrard, e mesmo pela capacidade demonstrada por Tottenham e Aston Villa, o Liverpool corre o risco de obter uma classificação final perigosamente assustadora. Porque a época ainda vai no início, porque ainda aí vem o mercado de Inverno, porque a equipa tem sempre o apoio incondicional dos adeptos, o quadro pode ser revertido. A ver vamos.

É preciso cuidado, Sporting.

em 1:59

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009


Por entre Taças e Supertaças, o título nacional já foge há 8 épocas. O afastamento dos adeptos em relação à equipa é cada vez maior, as clareiras no estádio são cada vez mais visíveis, o fosso na média de assistências anual aumenta para os rivais, a impaciência dos adeptos cresce a cada dia que passa.
A verdade é que num clube com um superior ecletismo como é o Sporting, o fervor à volta do futebol é um pouco dissipado, mas os sportinguistas sempre tiveram uma exigente cultura de vitória, e o discurso dos seus dirigentes nos últimos tempos, quando abordavam as mais valias do constante 2º lugar relativizando de alguma forma o 1º, não caiu bem no seio dos adeptos.
É inegável que a situação financeira do Sporting não é famosa. Fruto de gestão danosa, principalmente na década de 90, o clube vive um pouco de mãos atadas, mas tal facto não pode ser motivo único para os resultados.

Mais do que tudo, importa perceber que a gestão desportiva do Sporting tem sido bastante negativa, ao mesmo tempo que os seus dirigentes vão dando perigosas facadas na cultura de vitória da equipa de futebol. Os adeptos naturalmente, não compreendem, e afastam-se cada vez mais de Alvalade, dos seus jogadores.
Vejamos, o Sporting é indiscutivelmente um grande clube. Mas corre riscos sérios ficar perdido algures entre a estrutura médio-superior do edifício do futebol português, se o clube não encontrar alternativas para a situação actual, alterando o seu caminho. É necessário um pouco mais de risco, de coragem, de ambição!
É preciso que não se esqueça o passado recente do Sporting, e as perspectivas de futuro.
Quando se tem uma Academia formadora e vanguardista como a de Alcochete, quando se tem um número de associados a rondar os 100 mil, quando se tem a história que o clube tem, a cultura de exigência tem que ser maior, os resultados desportivos podem e devem ser superiores.

Quando falo em resultados desportivos, não aponto o dedo acusador a Paulo Bento. Antes pelo contrário. Tenho dúvidas que algum treinador (real) tivesse feito melhor neste Sporting. A estrutura para o futebol parece não existir ou é muito pouco definida, nunca se perceberam muito bem as funções por exemplo, de Pedro Barbosa. Certo é que Paulo Bento tem que se alongar muito para fora do âmbito normal de técnico, dando o 'peito às balas', desgastando-se em demasia, e afastando-se daquilo que deve, sabe e pode fazer. Mas aí não podem ser a ele imputadas responsabilidades, até porque se percebe que o Sporting estaria pior não fossem algumas das intervenções do seu treinador (sem discutir, o propósito ou o tom das mesmas).


Olhando para o plantel e para o trabalho de Bento, constata-se que o seu pecado passa por não conseguir dotar a equipa de um modelo de jogo alternativo de sucesso ao que vem apresentando. Não tanto de sistema, visto que o mais importante é dar qualidade e bons intérpretes ao sistema, qualquer que ele seja. E o Sporting tem intérpretes para o losango.

Mais frágil na defesa, onde a baixa de forma de Polga já leva mais de 20 jogos, sem que o clube tenha precavido um substituto à altura para o brasileiro, durante o mercado de Verão. Até porque está mais do que visto que Paulo Bento perdeu alguma da confiança que já teve em Tonel. A lateral esquerda foi igualmente um pouco descurada, estando longe de se perceber as razões da não renovação de Tiago Pinto.
No resto, a equipa é bem montada, apesar de se sentir bastante a ausência de Izmailov, principalmente porque Vukcevic não cumpre na perfeição os desígnios tácticos do modelo, no meio-campo, e talvez fosse mais útil no vértice ofensivo do losango ou no ataque.
É óbvio que depois existem 'pequenos quês' como as parcas apostas em Pereirinha ou Djaló, mas essas são questões pontuais, que não deixam de ser discutíveis, mas para as quais só Paulo Bento terá uma resposta.

Pensando neste campeonato, mesmo ainda sem ter sido cumprido o primeiro terço, é difícil que o Sporting já vá atingir a Liga dos Campeões. Esta será muito provavelmente uma prova onde os grandes, salvo algum rombo inesperado, perderão poucos pontos e a distância do Sporting para os primeiros lugares é ja bastante grande. Importa aos seus responsáveis reflectir em termos de prioridades e pensar se não será preferível começar desde já a formar uma equipa de sucesso para os anos vindouros, mais importante do que tudo, estruturada numa base competente, sólida e assertiva. Sem esquecer que o arrojo será mais do que nunca, muito importante. O futebol português só fica a ganhar com um Sporting forte.

O que esperar desta Premier League

em 3:30

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009


Vai já na 6a jornada aquele que é por muitos considerado o melhor e mais competitivo campeonato europeu. A Premier League, histórica competição da pátria do futebol, perdeu o melhor jogador do Mundo, mas ainda assim continua a brindar os adeptos com grandes espectáculos, golos, estádios cheios.

Na liderança da competição segue já a equipa que considero a principal favorita à conquista do ceptro de campeão. O Chelsea modificado para o 4x4x2 losango, por Ancelotti, é uma máquina de jogar futebol. Com um plantel muito completo (apenas ligeiramente curto no ataque, onde Anelka e Drogba não têm um substituto à altura), a equipa tem os processos de jogo bastante bem assimilados e joga sempre numa intensidade muito elevada. O talento individual dos seus executantes faz o resto, e também por isso os blues são 'o candidato'.
O Manchester United é provavelmente principal adversário do Chelsea, embora não me pareça que este vá ser um campeonato tão competitivo como o último, no que diz respeito à luta pelo título. Os 'red devils', estão consideravelmente menos fortes com as saídas de Ronaldo e Tevez, e mesmo que Ferguson afirme que tal facto servirá para deixar o colectivo mais forte, sabemos que não é verdade. O colectivo era mais forte também com jogadores como Cristiano e Tevez, e ao MU resta esperar por explosões a altíssimo nível e pouco prováveis de Obertan, Valencia ou Nani, e pelo crescimento exponencial daquilo que Berbatov conseguiu fazer na época passada, por forma a poder dar a adição de qualidade ao trabalho de Evra, Vidic, Ferdinand e Rooney. Este assemelha-se como um daqueles anos transicionais que Ferguson reserva, na antecâmara de uma nova grande equipa.

Ligeiramente mais abaixo, o Liverpool surge com a mesma cara da época passada. Perdeu Arbeloa e Xabi Alonso, recrutou Glenn Johnson e Aquilani, e se claramente fica a ganhar na lateral direita, no meio campo, mesmo reconhecendo a elevada qualidade do italiano, fica a perder com a troca. Na frente, Benitez continua a esperar pelo crescimento de Nemeth e NGog, para fazer companhia a Torres, ao mesmo tempo que recuperou Voronin. Manifestamente pouco para ser um candidato sólido até final.
Mantendo o diapasão sobre o Big Four, o Arsenal terá que ter cuidado, para não perder o comboio da Champions para o City. As perdas de Touré e Adebayor para os blues de Manchester são um duro golpe, e não se espera que o Arsenal faça muito melhor do que na época passada. Mesmo com o crescimento de Walcott, o reaparecimento de Rosicky, e a completa adaptação de Arshavin, continua a faltar aos gunners um pouco mais de experiência e classe para mais altos voos. Apesar de tudo, política longe de ser censurável, antes pelo contrário.
Ameaçador q.b., surge o renovado City, com uma equipa e um plantel muito fortes, e já com sinais dados de que lutará até ao fim, por um lugar nos primeiros classificados. Adebayor, Robinho, Tevez e Ireland, entre outros, não mereceriam outro destino.

Um patamar mais abaixo, e como equipas capazes de surpreender, mas sem a capacidade de lutar com os maiores até ao fim, surgem os fortes Everton, Tottenham e Aston Villa. Tendo em conta a valia dos seus planteis e dos seus treinadores, certamente que ocuparão no final um lugar europeu, na primeira metade da tabela.

Pelas vagas restantes nos 10 primeiros lutarão Stoke City (promovido na época passada mas fortíssimo a jogar em casa e com um plantel muito equilibrado), Fulham (à imagem da época passada onde de forma algo surpreendente conseguiu a qualificação para a Europa), West Ham
(bem orientado por Zola e com uma 'prenda' de José Mourinho - Luis Jimenez, para apoiar o perigosíssimo Carlton Cole) e Sunderland (equipa cirurgicamente bem reforçada com as chegadas de Turner, Cattermole e Bent).

Na luta pela manutenção, se Bolton e Blackburn pelas suas valias individuais poderão estar mais livres de grandes sobressaltos, entre Wolves (do muito prometedor Sylvan Ebanks Blake), Hull City, Burnley, Birmingham, Wigan e Portsmouth (provavelmente a equipa mais fraca do campeonato, como também é atestado pelos seus actuais zero pontos) deverão estar os despromovidos quando a época terminar.

Sem Ronaldo, mas com Gerrard, Torres, Lampard, Drogba, Fabregas, Rooney, Adebayor, Robinho, Defoe, e muitos mais. Além do fantástico ambiente, da atmosfera vibrante, do ritmo de jogo, da lealdade entre agentes do jogo. Assim vai a Velha Albion. O espectáculo continua.

O declínio de uma Selecção

em 1:43

terça-feira, 8 de Setembro de 2009


Quando no caminho de Portugal para o Mundial de 2010, se atravessaram selecções de classe média-alta europeia, como Dinamarca e Suécia, percebeu-se que o caminho não seria fácil. Contudo, o recente trajecto da selecção portuguesa nos últimos 4 anos, um dos melhores de sempre (senão o melhor), dava a confiança necessária de um apuramento que mais tarde ou mais cedo chegaria.
Mais ainda, mesmo tendo saído o competente Scolari, chegou Queirós (cuja escolha apoiei), homem conhecedor de todo o edifício da Federação, dos seus problemas, das suas virtudes, e alguém que a nível táctico tem boas competências consolidadas com o tempo e com experiências interessantes em diversos clubes.

Hoje, percebe-se que a chegada de Queirós foi um erro, mais por culpa própria, do que por culpa de quem o escolheu - Madail, que mesmo tendo uma péssima liderança federativa, não pode ser fortemente responsabilizado por uma escolha, que seria a mesma da esmagadora maioria dos portugueses.
Actualmente, não existem grandes dúvidas que Queirós falhou redondamente. Portugal pode chegar ao Mundial (e ainda acredito que chegará), Portugal poderia até vencer o Mundial, mas a partir do momento em que a equipa deixou de depender de si própria a 3 jornadas do final, de um grupo que mesmo não sendo fácil, não é 'de morte', o balanço não pode ser bom.

E não pode ser bom porque o Seleccionador se esqueceu do primeiro objectivo: a qualificação. Não deixa de ser curioso que apenas para esta dupla jornada Queirós tenha feito aquela que considero a melhor convocatória, apostando em jogadores de qualidade que poderiam permitir o sucesso imediato. Mas, fê-lo apenas quando é pressionado pelo tempo, pelos resultados, pelos dirigentes, pelos adeptos.
Para CQ, o percurso foi o inverso do razoável: experiências atrás de experiências quando a qualificação estava no início e longe de estar garantida, regresso à consolidação, aos melhores dos melhores, quando as perspectivas são negras.

Se as experiências efectuadas foram sempre duvidosas (e nesta premissa não incluo jogos particulares), as actuais certezas de Queirós são...incertezas! Assim se viu na partida do passado Sábado, onde o treinador fez aquilo que se compreende no adepto de bancada e não se pode admitir num treinador - ou seja, mudar em função do resultado e não em função dos sinais que a equipa dava dentro do campo.
Depois, ao contrário do que tenho lido, sou da firme opinião que a aposta em Liedson como primeira opção para rebater o resultado é errada. Não pela maior ou menor qualidade do 'levezinho', mas essencialmente porque continuo com grandes dificuldades para perceber como é que Queirós não percebe que Nuno Gomes, jogando mais ou jogando menos, continua a ser, dentro da nossa conjectura, o melhor jogador para actuar como avançando, aumentando o rendimento da equipa em geral e de Ronaldo em particular. De Nuno Gomes não se esperam golos atrás de golos da sua autoria, mas pode e deve esperar-se um aumento da quantidade e qualidade de situações de concretização por parte da equipa, precisamente pela sua inteligência, de arrastar marcações, de abrir espaços, de jogar ao primeiro toque.
Liedson mesmo marcando o golo do empate, teve uma prestação quase nula até cerca dos 80 minutos. Não é de estranhar esse facto, visto que acabara de cumprir a primeira concentração, os primeiros treinos com o grupo, visto até que tem feito exibições não mais do que razoáveis. O que é de estranhar é que tenha sido o jogador do Sporting a primeira opção do seleccionador nacional no momento mais complicado pelo qual passou Portugal no apuramento. Daqui se percebe um pouco o estado de espírito de CQ.

Agora resta a Portugal vencer os três jogos que faltam. Se Queirós continuar a recorrer a jogadores como Eduardo, Rui Patrício, Beto, Bosingwa, Miguel, Bruno Alves, José Castro, Pepe, Ricardo Carvalho, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Tiago, Maniche, Deco, Simão, Danny, Nani, Ronaldo, Nuno Gomes e Liedson, se tiver a sorte de ver a afirmação de Quaresma no Inter, de César Peixoto no Benfica, de Hugo Viana no Braga, de Maniche no Colónia, eventualmente até de Postiga no Sporting, ou o recuperar da lesão de Paulo Ferreira no Chelsea e se com estes quiser construir e solidificar um grupo para tentar chegar ao Mundial e eventualmente cumprir com sucesso uma participação na prova, ao mesmo tempo que vai integrando gradualmente um ou outro jogador dos sub-21, as perspectivas de sucesso aumentam.
Se ao contrário pretender manter experiências incompreensíveis e alterações de sistema e modelo de jogo constantes, então dará definitivamente razão aqueles que afirmam que será realmente útil num gabinete, projectando e planeando todo o edifício da nossa Selecção, deixando o treino para alguém mais competente.

Ao contrário do que se tem afirmado, Portugal tem ainda sólidas aspirações de estar presente na fase final do Mundial. Essencialmente porque ao contrário do que se tem dito, a Dinamarca não poderá (repetindo o tristemente célebre jogo do Euro-2004) facilitar com a Suécia, uma vez que uma derrota caseira poderá atirar os dinamarqueses para o Play-Off onde poderá encontrar selecções fortes como França, Croácia ou Rússia. Assim sendo, resta-nos impreterivelmente vencer as nossas partidas, esperar por uma derrota da Suécia ou mesmo por um empate - transferindo a decisão para a diferença de golos. Vamos acreditar. Ou, excluindo 2004-2008, não fosse essa a nossa sina.

Férias e perspectivas

em 1:37

terça-feira, 4 de Agosto de 2009


Os mais frequentes visitantes deste espaço concerteza repararam na diminuição da frequência de artigos, nos últimos dois meses. Nem sempre tal facto se deveu a falta de tempo. Antes, a algum afastamento daquilo que penso tão bem apelidar-se de 'silly season'.
Umas (espero) retemperadoras férias aproximam-se. No regresso, os principais campeonatos estarão a dar o seu pontapé de saída. As indicações serão bem mais palpáveis, e não se falará num plano tão relativo e conjectural. Poder-se-à perceber até que ponto Jesualdo consegue reverter as saídas de Lucho e Lisandro, se Paulo Bento logrará tirar o seu losango de alguma estagnação, se Jesus consegue materializar o entusiasmo dos benfiquistas através do seu 4x1x3x2. Perceber-se-à melhor se Marítimo, Guimarães ou Braga terão capacidade para destronar o Nacional do 4º lugar da época passada. Se Jorge Costa faz um bom trabalho no prometedor Olhanense, o mesmo se aplicando a Carlos Azenha no Setúbal. Se o Belenenses não comete os mesmos erros da época passada...

Lá por fora ter-se-à uma ideia mais concreta sobre se apenas a Juventus poderá rivalizar com o previsivelmente fortíssimo Inter de Mourinho ou se o Milan ainda recorre bem ao mercado. Se o City consegue destronar o Arsenal do Big Four e se Liverpool ou Chelsea conseguem aproveitar bem a saída de Ronaldo do MU e conquistar o ceptro de campeão inglês. Em França perceber melhor como será o duelo Lucho - Lisandro, Marselha - Lyon, com Bordéus e PSG pelo meio. Na Alemanha se Van Gaal transforma o Bayern numa equipa temível, como pretendem os seus dirigentes, ou se Wolfsburgo, Hamburgo, Leverkusen ou Schalke serão adversários incómodos.

E finalmente em Espanha, na 'La Liga' em que todo o Mundo porá os olhos, como será o duelo de gigantes Messi-Ibrahimovic vs Ronaldo-Kaká, no mais que nunca apaixonante Real - Barça, com Sevilla, Valência, Villarreal e Atlético a tentarem uma intromissão que actualmente aparenta ser demasiado ousada.

No que toca a contratações, saber por exemplo até que ponto Sneijder e Van der Vaart não teriam lugar no Real Madrid, se Onyewu é mesmo o central que o Milan precisava, ou se Elano não caberia num clube de primeira linha europeia...

Até já.

O erro de Laporta

em 2:09

segunda-feira, 20 de Julho de 2009


Foi no início de Junho, já lá vai cerca de um mês e meio, que Joan Laporta, presidente do Barcelona, equipa que dizimou toda e qualquer concorrência na época passada, veio a público lançar as primeiras críticas à pretensa política do Real Madrid. Ainda não se adivinhavam os valores envolvidos nas contratações de Kaká, Ronaldo ou Benzema já Laporta se afirmara contra o regresso aos Galácticos, falando numa perspectiva de mercado.

A verdade é que ao longo deste período de tempo, as declarações do presidente do Barça sobre este assunto não foram escassas. A meu ver absolutamente desnecessárias, até porque quem partia estratosfericamente na frente seria a sua equipa, e quem teria de se preocupar seriam os madridistas e demais competidores dos culés. Na cabeça do máximo responsável catalão provavelmente assim não será, e após as inúmeras investidas a favor do equilíbrio financeiro do mercado, Laporta faz aquilo que considero ser um grande erro.
Percebo o seu incómodo pelos holofotes da pré-época estarem todos virados para Madrid, deixando Barcelona quase 'às moscas', algo impensável para quem ganhou (bem) tudo aquilo que havia para ganhar. Mas o presidente dos catalães deveria perceber que campeonatos não se vencem nesta altura do ano, e não devia tentar competir com o Real Madrid em algo que simplesmente não consegue. A política financeira e o impacto no mercado.

Tudo isto devido ao negócio cada vez mais iminente com o Inter. Para ter o impactante Zlatan Ibrahimovic no seu plantel, saem para o Inter (agora transformado pelo Barcelona num grande candidato à conquista da Liga dos Campeões) Samuel Etoo, Aleksandr Hleb e 40 milhões de euros, quantia que vai permitir a José Mourinho dar os últimos retoques ao seu plantel. Algo impensável para o português há um mês atrás, quando supostamente teria de fazer uma grande ginástica para montar uma equipa que lhe desse mais garantias que a anterior.
Simultaneamente, os de Milão perdem o fantástico Ibrahimovic, mas ganham Etoo que será à partida garantia de tantos ou mais golos que o sueco, e de superior trabalho de equipa, algo que encaixa muito bem na matriz dos interistas. Ganham Hleb, um médio ofensivo capaz de fazer ligação entre o meio campo e o ataque, algo que faltou tantas vezes a José Mourinho na época passada. E ganham ainda 40 milhões de euros, parte dos quais concerteza será investida no reforço criterioso de uma ou duas posições em falta.

O Barça, por sua vez, ao mesmo tempo que fortalece o Inter, perde 40 milhões de euros, perde o segundo melhor marcador do campeonato espanhol com uma marca superior a 30 golos. Perde o bielorusso Hleb, que obviamente não tendo lugar na equipa titular, foi sempre um jogador importante para determinados momentos. O que ganha? É verdade, chega Zlatan Ibrahimovic, jogador fantástico, capaz de decidir jogos, capaz de fazer coisas inimagináveis com Messi, Xavi ou Iniesta. Ganha no facto de Etoo, incompatibilizado com Guardiola, sair no seu último ano de contrato. Mas sem o camaronês faltará acredito, alguma objectividade ao último terço do futebol da equipa. E depois a já referida questão 'Inter'.
Não teria sido uma manobra mais produtiva ter contratado Villa ao Valência e ter deixado sair Etoo para os referidos pela imprensa como interessados no camaronês, Milan, Liverpool, United ou City? Questões que a época se encarregará de responder.

Nota: Este artigo está longe de pretender por em causa o valor de Ibrahimovic. O sueco será provavelmente o melhor avançado do mundo, ou no mínimo está no lote dos melhores juntamente com Villa, Torres, Etoo, Rooney, Adebayor, Benzema e Drogba. Sorte de quem o puder treinar. A questão, centra-se mais numa perspectiva de mercado, de adaptação às futuras equipas e no facto de a diferença entre Etoo e Ibrahimovic ser muito inferior à que este negócio faz transparecer.

Belluschi, Mati Fernandez e...Reyes

em 3:03

quinta-feira, 9 de Julho de 2009


O defeso está ainda em fase de 'banho maria', à porta do mês previsivelmente escaldante de Agosto. Os treinadores estão cada vez mais mentalizados para a impossibilidade de fazer estágios com os plantéis fechados, porque os melhores negócios surgem regra geral no oitavo mês do ano, quando os clubes vendedores vêem o tempo a escassear para reequilibrar orçamentos e os clubes compradores cometem algumas megalomanias.
Apesar de tudo nos três grandes houve já movimentações interessantes. O Porto após uma preparação do seu plantel para a futura regra dos 6+5 vive actualmente o período habitual de procurar substitutos à altura dos jogadores que saem e fizeram grandes carreiras no Dragão. O Sporting mantendo a tradição recente de mexer pouco busca previsivelmente apenas um companheiro de peso para o 'levezinho' e quiçá mais uma alternativa no meio-campo. O Benfica procura mais um avançado, ao mesmo tempo que deixa em stand-by as questões de Reyes e da baliza. Neste sentido há três jogadores que podem ser fulcrais para as suas equipas.

Fernando Belluschi, prestes a completar 26 anos, é um jogador que não terá no Porto a sua primeira experiência europeia. Após ser uma das constantes revelações do River Plate, chegou ao Olympiakos onde, mesmo ligeiramente abaixo das performances nos 'milionarios', fez um campeonato grego bom, o mesmo no que diz respeito à Taça UEFA. Dele se espera que substitua Lucho, mas como aqui referi aquando da saída do argentino, não há jogador semelhante a 'El Comandante' ao alcance do Porto. Jesualdo terá de alterar parcialmente o modelo até porque Belluschi tem características diferentes de Lucho.
Do novo reforço do Porto espera-se que tenha um peso mais decisivo no último terço do terreno, funcionando como uma espécie de segundo avançado, e garantindo, penso, uma boa média de golos por época. Capaz no um para um, com capacidade técnica elevada, forte a aparecer no espaço e portador de um bom remate, Belluschi é no entanto ainda menos jogador que Lucho. Não terá, pelo menos inicialmente, um peso semelhante na equipa, nem sequer será tão influente na construção de jogo, possibilitando provavelmente a Raul Meireles ou mesmo a Cristian Rodriguez um papel ainda mais influente na equipa. Apesar de tudo, o Porto minimizou os danos da saída de Lucho com aquele que acredito terá sido um excelente reforço.

O chileno Matias Fernandez é mais um produto daquilo que de bom o Chile tem feito ao nível das camadas jovens, e tem sido muito. O Villarreal, fazendo jus ao estatuto (a par da Udinese) do clube europeu que melhor recruta nos clubes com exposição menor na América do Sul, esteve atento à evolução do craque e resgatou-o. Se a primeira época foi feita dentro das expectativas, num processo de adaptação europeia, ao mesmo tempo que demonstrava pormenores que aguçavam a curiosidade dos adeptos, a segunda foi diferente. Esperava-se a afirmação, mas alguma indisciplina táctica no rigoroso 4x4x2 do Villarreal, levaram Pelegrini a apostar de forma preferencial no experiente Ibazaga.
A saída do treinador para o Real, e as consequentes indefenições em torno do novo sistema táctico fazem-me questionar largamente a venda do chileno, mas certo de que se tratou de um fantástico negócio para o Sporting. No vértice ofensivo do losango, 'Matigol' trará a capacidade de desequilibrar que os leões raramente tiveram com Romagnoli e que terão impedido o modelo de Paulo Bento de evoluir para um patamar superior. Depois da saída de Quaresma e Ronaldo, não tenho dúvida que Mati Fernandez é o jogador tecnicamente mais evoluído que passou pelo Sporting, e tratando-se certamente de uma excelente adição ao nosso campeonato, será interessante verificar como se adaptará às exigências de Paulo Bento. Acredito que bem.

O futebol fora das quatro linhas foi e sempre será mais difícil de perceber que o jogado na relva. O 'caso' Reyes enquadra-se nesta premissa. Ao espanhol não há apreciador de futebol que negue qualidade. Justificadamente pode muitas vezes apontar-se alguma falta de entrega, algo que com Jesus muito provavelmente ficaria fora do campo. Mas é indiscutivel que Reyes foi um dos melhores jogadores do Benfica na época passada, dotando a equipa de um toque de classe, de uma capacidade de transição e de bola parada muito elevadas.
Quando se aponta insistentemente para o interesse do Benfica num avançado, quando tem já no plantel Cardozo, Nuno Gomes, Saviola, Mantorras e potencialmente Nelson Oliveira (mesmo Di Maria pode desempenhar essas funções num sistema com dois homens na frente), quando vêm a publico os valores potencialmente envolvidos na transacção de Reyes e os valores ainda disponiveis pelo Benfica para o reforço do plantel, quando se assume o interesse no espanhol, quando o jogador assume a preferência pela clube e quando o Atlético assume estar vendedor, é difícil perceber que o jogador não esteja já na Suiça com os encarnados.
Mais ainda, Jorge Jesus referiu recentemente que privilegia jogadores polivalentes e vejo Reyes a desempenhar funções no vértice esquerdo e ofensivo do losango do meio-campo e ainda a poder actuar como segundo avançado - foi nesta posição que o espanhol teve as melhores épocas da sua carreira, no Sevilla e Arsenal.
Esta série de factores estranhos pode fazer com que o Benfica perca aquele que seria um jogador importante. Ou então esta não passa de uma estratégia (arriscada) de Rui Costa baixar o preço do atleta. Só o tempo dirá. Segue o defeso.

Obrigado, foi um Lucho

em 0:50

quinta-feira, 2 de Julho de 2009


Não para todos, mas o futebol foi, é, e há-de ser muito mais do que meras questões clubísticas. Este desporto é também uma forma de arte e se há jogador nos últimos anos em Portugal que ajudou a perceber isso foi Lucho Gonzalez, 'El Comandante'. O final de Junho trouxe-nos a notícia da sua saída para o Marselha. É uma pena, e digo-o acredito que representando adeptos de todos os quadrantes. Quando falamos do futebol de Lucho, não interessa se somos adeptos do Porto, Benfica, Sporting ou de outro qualquer clube. Interessa que somos adeptos de futebol. E gostamos de ter o melhor deste desporto bem perto de nós.

Luís Oscar Gonzalez nasceu em Janeiro de 1981 em Buenos Aires, capital da Argentina. Os primeiros passos e o epíteto de grande promessa chegaram no Huracán, pormenores que o levaram a dar o salto para um dos melhores clubes das 'pampas', o River Plate. Onde a sua qualidade veio ao de cima, de forma natural, como o seu jogo. O Porto, no início da sua virada recente para o mercado sul-americano não estava de todo desatento e resgatou o diamante dos 'milionarios'. Para quem como eu, vê Lucho (o apelido não é por acaso) como tendo sido consecutivamente o melhor jogador do nosso campeonato, esta terá sido a melhor contratação dos dragões desde a conquista da Liga dos Campeões.

Deste jogador não esperamos aquela frase 'trato a bola por tu'. Lucho Gonzalez não é propriamente atleta de grandes adornos ou de fintas mirabolantes. É na relação com a equipa, com as exigências do jogo que 'El Comandante' se destaca. Porque o percebe sempre muito bem, porque não precisa de correr kms para estar onde está a bola, porque pensa sempre um segundo (em futebol é uma eternidade) antes dos demais. O esférico sai sempre jogável dos seus pés ou não fosse fortíssimo na tomada de decisões. O passe para o avançado, a triangulação, as trocas posicionais, a recepção orientada para a baliza. Um jogador para valer 10 golos por época, aproximadamente o mesmo a nível de assistências, e incomparavelmente mais no que diz respeito à importância (ofensiva, defensiva e transicional) no jogo da equipa. Um pequeno exemplo? Relembremos o Porto x Manchester United desta época no Dragão e percebamos a diferença na equipa portuguesa antes da lesão e após a lesão de Lucho.
Uma outra nota. O fair-play, o respeito para com o adversário. Num futebol que perigosamente está cada vez mais num nível de 'encenação' e de pouca entreajuda entre colegas, tocando muitas vezes a falta de respeito, Lucho era também neste ponto um bom exemplo.

O Marselha é o próximo passo de um jogador que, prestes a completar 29 anos, já muitos esperavam que terminasse a carreira europeia no Porto. Não sei se o clube segundo classificado da Liga Francesa, mesmo em crescendo, será a melhor opção desportiva para Lucho. A verdade é que chegando a esta fase da carreira muitos jogadores pensam mais no aspecto económico. Longe de ser censurável. Não se pode é deixar de lamentar que um indivíduo como Lucho, uma qualidade futebolística como a que ostenta, provavelmente nunca vá brilhar nos melhores clubes de Inglaterra, Espanha ou Itália (como assentava bem no Inter de Mourinho...). Provavelmente essa foi também uma das razões para, mesmo com cerca de quatro dezenas de internacionalizações, nunca ter adquirido o estatuto de titular indiscutível da Selecção Argentina.

Na perspectiva económica, este foi para o Porto um bom negócio. É indesmentível. Desportivamente e a nível de balneário duvido. No campo porque a sociedade Meireles-Lucho era um dos maiores suportes da equipa, e porque não há jogador semelhante a Lucho Gonzalez ao alcance do Porto. Tal como na época passada caberá a Jesualdo, não subsitituir directamente um jogador que sai, mas perceber qual a melhor forma da equipa reagir a esta perda, alterando parcialmente o seu modelo. A nível de balneário o caso será mais complicado. Especialmente se às perdas de Pedro Emanuel e Lucho Gonzalez, se somarem as mais ou menos previsíveis de Bruno Alves ou Nuno. Seria importante para a estrutura do Porto manter estes dois jogadores. Porque perder as reconhecidamente quatro traves mestras do grupo, numa época será um duro golpe.
Ou não nos lembrássemos todos do período crítico da equipa por alturas de Outubro/Novembro e das entrevistas e dos abraços de todos os jogadores a Pedro Emanuel no final da temporada, salientando a sua importância nos sucessos da época.

A armada invencível

em 1:33

terça-feira, 23 de Junho de 2009


Faz pouco mais de 13 meses, e a opinião de grande parte do Mundo do futebol sobre a Espanha era semelhante: grande campeonato, excelentes canteras, jogadores temíveis, equipas fortíssimas, Selecção principal um patamar abaixo. Dominados por um estigma que atingia o grupo na altura das grandes competições: a expectativa no meio de tanta qualidade era elevada, os resultados não eram os melhores.

Provavelmente o Euro-2008 seria a primeira das grandes competições na qual a Espanha não era, regra geral, considerada uma das selecções favoritas (salvo, e com todo o mérito, por José Mourinho). O desfecho final da prova, e a forma como esta decorreu, comprovaram como o futebol está longe de ser uma ciência exacta. A Espanha dominou em toda a linha, marcando uma superioridade assinalável em relação às restantes equiopas. Afinal, foi um Campeonato da Europa de Selecções, em 1964, a sua principal conquista da história. E foi a mesma prova, 44 anos depois, que devolveu a glória a 'nuestros hermanos'.
Em Campeonatos do Mundo, salvo o 4º lugar em 1950, as sucessivas equipas de Espanha não lograram nunca ultrapassar a barreira dos quartos de final. Falta portanto alguma consagração a nível mundial a este país no que ao futebol de selecções diz respeito.

Os seus adeptos pensarão que melhor altura do que esta é difícil. A Espanha brilha individual e colectivamente no campo, denota estar num patamar qualitativo superior a todas as outras selecções. A prová-lo o 1º lugar no Ranking FIFA, o record absoluto de vitórias consecutivas - 15, e o primeiro lugar ex-aequeo com o Brasil no que diz respeito à invencibilidade - 35 jogos sem derrotas. O grande confronto pode realizar-se na Final da Taça das Confederações. A superioridade actual da Espanha, a superioridade histórica do Brasil, num jogo que o Mundo aguarda ansiosamente.

A magia brasileira, e o futebol de régua, esquadro, triangulação, bola no pé e passe curto da Espanha. A equipa manteve a matriz, mesmo com a saída de Aragonés e a chegada de Del Bosque.
Na baliza Casillas é o dono absoluto das redes, e mesmo com a boa concorrência de Reina e Valdés, ou com a promessa Asenjo, a sua titularidade não está sequer ameaçada. Voz de comando e muita qualidade a comandar uma defesa forte, com sangue na guelra e experiência. Sergio Ramos e Capdevilla são laterais altos e competentes a defender, mas que sobem muito bem, criando inúmeros desequilíbrios. O habitual Puyol e o central de futuro Albiol assumem as despesas no centro.
Á frente da defesa Senna ou Xabi Alonso são o tampão às investidas adversárias, e os primeiros construtores de jogo, sempre com imenso critério na posse. Um pouco mais à frente, Xavi e Iniesta, os 'bi-campeões da Europa' (clube e selecção) e certamente uma das grandes explicações destes sucessos moldam a equipa, dão-lhe as coordenadas do futebol bonito e eficaz. Iniesta não está e nas Confederações é Fabregas quem (bem) o substitui. Também por aqui percebemos a riqueza das opções de Del Bosque. O quarto médio, que muitas vezes se adianta no terreno, tem a cultura de extremo e acelera o jogo quase sempre pelo flanco esquerdo - Riera e David Silva competem pela titularidade.
O duo da frente, dispensa apresentações. Basta dizer que a Espanha tem dois dos avançados do top-5 Mundial, são eles Villa e Torres, homens capazes de decidir jogos de um momento para o outro, e garantia de muitos golos.

No banco, o sábio Del Bosque, o homem capaz de domar os Galácticos de Madrid, comanda agora as operações. Depois do Europeu, pelo que a equipa tem jogado na fase de qualificação, os adeptos já só sonham com o Mundial 2010 na África do Sul. E se o futebol for mesmo feito de ciclos, a próxima sucessora da 'Julie Rimet' já tem um destino: Madrid.

Adiós Benfica, por Quique Sanchez Flores

em 2:11

terça-feira, 9 de Junho de 2009


Hoje chegou a confirmação oficial do que há muito se previa. Por mais que ultimamente se tenha falado bastante nas maiores perspectivas de sucesso que a continuidade oferece em relação à mudança, a verdade é que a permanência de Quique Flores no comando do Benfica era já um produto com prazo de validade extinto.
Por muitas razões. Pela conjectura em que navega o clube vai para duas décadas, pelo percurso da equipa bastante abaixo das expectativas. Mas se, por exemplo, o despedimento de Fernando Santos me pareceu prematuro e contra-natura, assim não é com Quique. Não que o espanhol não tenha boas ideias ou não seja um bom profissional. Não que o Benfica não tenha evoluído no que diz respeito ao profissionalismo da estrutura para o futebol, ou na metodologia científica aplicada no processo de treino. Mas sim porque o espanhol revelou sempre um desconhecimento profundo do nosso futebol, que nunca demonstrou abertura para contrariar. A equipa manteve-se sem qualquer evolução desde o início da época, e essa é a maior crítica que se pode fazer a um treinador.

Na perspectiva de Rui Costa, acredito que a decisão não tenha sido fácil. Precisamente porque no final da sua primeira época como director desportivo foi obrigado a abdicar do 'seu' treinador. O homem que acreditava, aquando do estudo do seu perfil, ser o mais indicado para devolver o sucesso ao Benfica. Assim não foi. Obviamente que soluções de continuidade serão mais aconselháveis, mas não quando não são apresentadas perspectivas de evolução, ou no mínimo de continuação de bom trabalho. Não houve sequer uma evolução na ponta final da temporada, algo que acredito poderia fazer valer a continuidade do espanhol. Tal não aconteceu, e o desfecho foi o cenário mais óbvio.

O próximo treinador será muito provavelmente Jorge Jesus. No campo, é um treinador de top. Assim comprovam os discursos dos seus ex-jogadores, os resultados e as exibições das suas equipas. Mas para o sucesso muitas vezes tal facto não é suficiente. Em primeiro lugar, Jesus terá de evoluir a nível do discurso. É certo que o bom futebol vale mais do que um grande discurso (Quique Flores é disso um bom exemplo, inversamente), no sentido de aproximar os adeptos da equipa, mas principalmente na fase inicial será importante passar a mensagem. Depois a estrutura para o futebol terá que ser mais presente, mais solidária nos maus momentos, ao contrário do que aconteceu pontualmente com Quique nesta época.
Esse é o segredo de uma equipa vencedora. Começa antes da entrada em campo, na preparação, na estrutura que suporta os craques, no profissionalismo, no método, na segurança que permite ao treinador centra-se apenas nas suas funções: treinar.

Até hoje muitas críticas têm sido feitas pelo facto de o Benfica contratar jogadores antes da escolha do treinador. Sou completamente contra essas opiniões. Elas podem ser feitas na eventualidade de não haver uma ideia de jogo definida para o clube. Acredito que Rui Costa a tenha. E as contratações, salvo ajustes pontuais ou uma ou duas exigências para potenciar o modelo, não devem ser feitas de acordo exclusivamente com os desejos do treinador. Devem sim, estar de acordo com o que se pretende para o clube, baseando-as em opiniões avalizadas a nível técnico-táctico por alguém com conhecimento suficiente de futebol (segundo se consta discutidas entre Quique e Rui Costa) e suportadas pelo departamente de prospecção.
Apesar de tudo, algo continua a falhar no Benfica. A excessiva 'ligação' a certo tipo de empresários, e a, até agora, indisfarçável predilecção pelo mercado sul-americano em detrimento do português. Factos estranhos, especialmente quando se aproxima a lei do '6+5'.

A próxima época pode ser deles

em 2:47

quinta-feira, 4 de Junho de 2009


O campeonato português terminou e chega a hora do balanço. Por entre objectivos cumpridos, insucessos e segundas metas alcançadas, houve jogadores que deixaram a sua marca, o seu cunho qualitativo na prova. Porque mesmo que nem todas as equipas não tenham atingido aquilo a que se propuseram, existem jogadores nos seus plantéis capazes de mais. Este artigo é sobre isso mesmo, os jogadores jovens capazes de explodir num grande, ou os menos jovens, mas ainda capazes de lá chegar. Tudo isto compilado num plantel de 25 elementos.

Júlio César (Belenenses, 22 anos) - o jovem guarda-redes brasileiro de 22 anos, ex-Botafogo, foi quase sempre o melhor elemento de um irreconhecível e mal preparado Belenenses. A sua agilidade dentro dos postes e a boa saída a cruzamentos, factores aliados a uma previsível boa preparação mental (jogou numa grande equipa brasileira e manteve sempre o nível exibicional no aflito e sobre constante pressão Belenenses), fazem dele uma aposta muito interessante, agora ou na próxima época. Para a 2a Liga é difícil que vá.

Eduardo (Braga, 26 anos) - Defendo-o desde a época passada, Eduardo é o melhor guarda-redes português. Mesmo com dois jogos infelizes esta época (PSG e Benfica), a opinião não mudou e a chamada à Selecção principal é um justo prémio. Contudo, ainda é excessivo compará-lo por exemplo a Vítor Baía, mas as suas qualidades e segurança- principalmente dentro dos postes, tornam-no capaz de jogar ao mais alto nível.

Ventura (Porto, 21 anos) - O jovem portista praticamente não jogou nesta temporada. Teve aparições discretas na Taça da Liga e no jogo da Trofa, mas o conhecimento que tenho dele fazem-me inclui-lo na lista, em detrimento de jogadores de qualidade como Beto ou Bracalli. Precisamente pela grande margem de progressão.

Miguel Lopes (Rio Ave, 22 anos) - A transferência para o Porto está consumada, justificadamente. Tem uma grande propensão ofensiva o que, conseguindo agarrar o lugar, pode fazer com que desempenhe no Porto tarefas semelhantes às de Bosingwa. Para isso conta com a sua rapidez de recuperação e a sua boa capacidade de cruzar. Tem como ainda como aliados a altura e o bom remate.

João Pereira (Braga, 25 anos) - O João Pereira que apareceu no Benfica está diferente. Mais jogador, mais forte defensivamente, mantendo as qualidades ofensivas que de certo modo o destacaram no clube da Luz e que o faziam actuar algumas vezes como médio. Não duvido tratar-se de uma boa aposta para um clube superior, apesar de precisar moldar alguma agressividade que apresenta em determinados lances. A estatura também pode ser um handicap, mas a qualidade está lá.

Tiago Pinto (Trofense, 21 anos) - O filho de João Vieira Pinto é uma das boas revelações desta temporada. Foi sempre um dos destaques do despromovido Trofense, e agora, apesar de ainda pertencer aos quadros do Sporting, o seu futuro é uma incógnita. Por ser jovem, por actuar numa posição carenciada em Portugal, e por indiscutivelmente poder ter um futuro muito interessante à sua frente, o próximo passo é muito importante. Para se fixar como lateral terá que melhorar aspectos do seu jogo defensivo, mas ofensivamente é já muito forte.

Evaldo (Braga, 27 anos) - Nesta posição o jogador do Braga ganhou a corrida a André Marques do Setúbal e a Sílvio do Rio Ave. Essencialmente por, apesar de a margem de progressão não ser tanta, representar no imediato uma opção mais sólida. A sua temporada é disso prova. Fez praticamente todos os jogos, debaixo de uma regularidade impressionante. Não será 'a opção', mas é sem dúvida um bom jogador.

Nuno André Coelho (Estrela da Amadora, 23 anos) - O jovem defesa central regressa na próxima época ao Porto. Não me espantaria se agarrasse o lugar de Bruno Alves, embora os dragões devam recorrer ao mercado porque mesmo Rolando é de certa forma algo inexperiente. Contudo, passo a passo, não tenho dúvidas que este jovem se vai impor na equipa. Alto, forte no um para um e bom marcador de livres, Nuno Coelho é já um bom jogador.

Sereno (Vitória de Guimarães, 24 anos) - 2008/09 foi uma época madrasta para Sereno. A grave lesão contraída nos dois joelhos só lhe permitiu reaparecer no final da temporada, e também por isso é natural que haja algumas reticências no que toca ao seu futebol. Mas quem pode ver os dois últimos jogos do Vitória, constata que a qualidade está lá intacta, a forma de jogar mais em 'soupless' que fazem muitas vezes lembrar Ricardo Carvalho. Posicionamento, leitura de jogo, velocidade, capacidade na saída de bola. Muito bom jogador.

Maicon (Nacional da Madeira, 20 anos) - O brasileiro venceu a corrida a Diego Ângelo e ao seu companheiro Felipe Lopes. Em relação ao primeiro porque tem maior margem de progressão, em relação ao segundo porque é já mais completo. Tem algumas debilidades naturais de quem vem do Brasil, mas notou-se bastante evolução ao longo da época. Fisicamente é fortíssimo, tecnicamente ainda precisa melhorar, mas o Porto certamente será uma boa escola para o fazer.

Rodriguez (Braga, 25 anos) - O peruano, à imagem de Sereno, não teve uma época famosa, muito graças às lesões. Mas também à imagem do vimaranense, faz parte desta lista pela inquestionável qualidade e capacidade para mais altos voos. Tecnicamente também ele com qualidade, muito forte no desarme, boas características físicas e um preço de mercado que certamente baixou em virtude da menor utilização, são mais valias a seu favor.

Roberto Sousa (Leixões, 24 anos) - O brasileiro emprestado pelo Celta de Vigo é craque. Contudo, há um par de anos ninguém diria que seria emprestado por um clube da 2a divisão espanhola a um clube médio português. Essencialmente porque lhe apontavam um grande futuro. No lado direito do triângulo do meio-campo de José Mota percebeu-se porquê, embora lhe falte alguma regularidade. Que precisa consolidar se quiser alcançar uma equipa mais forte, mas a qualidade de passe, a capacidade de jogar de cabeça levantada e a bom remate são armas importantes para a afirmação.

Adrien Silva (Sporting, 20 anos) - Jogador muito jovem, provavelmente o próximo a explodir saído da Academia de Alcochete. Ainda em período recente fortemente conotado com o Chelsea, Adrien jogou mais esta temporada. Apesar de tudo, pela concorrência e não só, a sua entrada no 11 inicial tem sido gradual. Mas é já um jogador muito interessante, o médio defensivo moderno que não se limita a destruir e a tapar caminhos para a sua baliza, mas é muito capaz no processo inverso, na construção, na cultura de posse, no passe.

Hugo Leal (Trofense, 29 anos) - Luiz Alberto, brasileiro do Nacional, podia fazer parte deste 'plantel'. Mas Hugo Leal é, reconheço, um jogador que me enche as medidas. Apesar de certamente não lamentar tanto quanto ele os caminhos errados que tomou quando mais jovem, e que o impediram de chegar a patamares altíssimos. Ainda assim, aos 29 anos vai passeando classe pelo nosso campeonato, e acredito ainda ser uma boa solução para qualquer boa equipa. A leitura de jogo, a muita inteligência, a qualidade técnico-táctica estão todas lá.

Ruben Micael (Nacional, 22 anos) - Vindo do União da Madeira, através da prospecção nacionalista na Região Autónoma, Ruben Micael era encarado no início da época como um jogador de plantel. Depois de alguns jogos de fora, o passar dos meses veio contrariar essa tese e demonstraram aos 22 anos e primeira experiência na Liga principal, um jogador muito maduro, que joga sempre de cabeça levantada, competente tacticamente e desequilibrador (essencialmente a nível da qualidade de passe) ofensivamente. Um bom reforço para qualquer equipa.

Fábio Coentrão (Rio Ave, 21 anos) - O jovem de Vila do Conde, é a par de Yazalde e Carlos Brito a principal razão da manutenção do Rio Ave. É certo que jogou apenas 6 meses em Portugal, mas a sua preponderância no jogo ofensivo da equipa (marcou mesmo alguns golos), a sua capacidade técnica, a sua juventude, dão-lhe justificadamente um lugar nestas escolhas. Desde que solidificando aspectos mentais, a próxima época (previsivelmente no Benfica) pode ser de afirmação.

Cristiano (Paços de Ferreira, 25 anos) - 10 nas costas, bola no pé esquerdo, muita capacidade técnica, algum individualismo e inconsequência, mas um dos grandes responsáveis pelos objectivos alcançados pelo Paços. Também por esse facto e pela despromoção do Trofense não é Helder Barbosa a figurar na lista. Mas Cristiano, 25 anos, terá ainda de ser mais objectivo se quiser vingar a um nível superior. No resto, qualidade é com ele.

Varela (Estrela da Amadora, 24 anos) - Silvestre Varela está longe de ser um desconhecido para os amantes do futebol português. Saído do Sporting, conta já com passagens pelo Setúbal e Huelva, antes da chegada ao Estrela da Amadora, onde pelo centro ou pela direita, fazendo uso da sua velocidade e técnica, foi sempre um dos principais desequilibradores. A transferência para o Porto é já um dado adquirido, apesar de certamente ir ter algumas dificuldades em alcançar a titularidade. Contudo será concerteza utili para certo tipo de jogos, contando para isso com uma maior objectividade e sentido de baliza, que me fizeram preferi-lo a Djalma.

Urretavizcaya (Benfica, 19 anos) - Veio do Uruguai rotulado de grande promessa, depois de brilhar pelo River Plate de Montevideo. A pré-época deixou boas indicações, mas a forte na concorrência na ala esquerda e a preferência de Quique por maior contenção na direita, aliados aos quase dois meses que passou na selecção, fizeram-no perder o comboio. Que recuperou quando o Benfica já tinha os dois principais objectivos bem longe. Da parte final da época dos encarnados Urreta é a melhor memória, jogando na ala direita, mostrando pormenores interessantes, capacidade técnica acima da média, velocidade e curiosamente um processo decisional mais ou menos bem conseguido. A próxima época pode confirmar o valor que se prevê, e que já atraiu olheiros de Arsenal e Fiorentina.

Nuno Assis (Vitória de Guimarães, 31 anos) - É certo que Assis não é jovem. É certo que já passou em clubes como Benfica e Sporting. E é certo que as suas melhores performances foram em Guimarães. Mas principalmente na Luz, conseguiu grandes jogos quando foi parte importante na conquista do último campeonato. Provavelmente foi incompreendido ou mal aproveitado, a polémica com doping não ajudou. Mas é justo reconhecer que Nuno Assis foi certamente um dos três melhores jogadores da segunda metade do campeonato, catapultando o Vitória para uma melhoria exibicional, através de golos, assistências e da capacidade em fazer jogar a equipa. Por isso não podia ficar de fora desta lista. Certamente que não voltará a um grande português, mas não estou assim tão certo que se o fizesse não tivesse bastante utilidade.

Rui Miguel (Paços de Ferreira, 25 anos) - Este ainda jovem jogador do Paços foi a par de Cristiano, uma das figuras da equipa. Saído da Naval há duas épocas para a Polónia (onde foi campeão ao serviço do Lubin), provavelmente por motivos financeiros, é agora um alvo bastante apetecível para os clubes portugueses, pela capacidade que apresentou na prova. Fortíssimo a nível técnico, com boa capacidade de remate, Rui Miguel jogava no Paços sobre o centro-direita, atrás do avançado. Um médio ofensivo interessante para explodir na próxima época.

Luís Aguiar (Braga, 23 anos) - O urugaio do Braga, que teve um post no Futebol Total há uns meses atrás, foi já transferido para o Dínamo de Moscovo. 3M€ por metade do passe não é propriamente uma pechincha, mas apesar de tudo foi concerteza um investimento com retorno. Aguiar representa mais um caso de um jogador super-desaproveitado pelos grandes portugueses, e que vai jogar na Rússia longe dos melhores palcos. Ainda assim, considero-o de todos os jogadores que não actuam num grande, e mesmo sabendo da sua curta passagem pelo FCP, aquele que actualmente estaria mais preparado para 'pegar de estaca'. Joga com os dois pés, executa muito bem a bola parada, forte na finalização e na construção, participa com qualidade no processo defensivo, nunca desiste de um lance, pode ocupar várias posições no meio-campo. Era preciso mais para jogar no Porto, Benfica ou Sporting? Pelos vistos era...

Nené (Nacional, 25 anos) - Referência incontornável deste campeonato, discute penso com Aguiar o título de mais preparado para jogar num grande. Melhor marcador da prova ao serviço de uma equipa 'não grande' está longe de ser um mau cartão de visita. Se juntarmos a essa marca o facto de os golos serem obtidos de todas as formas - bola parada, cabeça, pé direito e pé esquerdo, e a capacidade e disponibilidade para ser o primeiro defesa da equipa, fazem do brasileiro ex-Cruzeiro um alvo imperdível na relação qualidade-preço para qualquer clube com uma boa gestão desportiva.

Baba (Marítimo, 21 anos) - Um daqueles diamantes africanos a precisarem de ser lapidados, mas já com muito futebol nos pês. Rápido, forte, explosivo, espontâneo no remate, Baba conseguiu esta época uma boa marca a nível de golos, e foi um dos destaques de um Maritimo mediano. Fala-se já em muitos clubes interessados, mas a permanência na Madeira por mais uma época, por forma a ser bem trabalhado por Carvalhal, longe dos holofotes e da pressão dos maiores palcos, será provavelmente uma boa medida. Uma boa promessa nos verde-rubros, ganhando o lugar a Carlos Saleiro, tendo como vantagem o facto de ter iniciado a época na Primeira Liga.

Douglas (Vitória de Guimarães, 23 anos) - William do Paços poderia perfeitamente figurar nesta lista, até porque marcou mais golos que Douglas e porque à semelhança do compatriota teve uma época prometedora destruída por uma lesão. Contudo, o avançado vitoriano cativa-me mais. Tem características físicas muito importantes para um avançado, sendo capaz de segurar a bola com qualidade, ao mesmo tempo que a capacidade de remate é acima da média. O tal instinto matador que diferencia os avançados e que Douglas tem. Dois anos depois, o Vitória tem um sucessor à altura para Saganowski.

Este é obviamente um exercício subjectivo, passível de discussão, mas certamente que um plantel destes daria muito bem conta de si numa competição como a Liga Sagres. Ao mesmo tempo que não duvido que muitos destes jogadores estarão em breve a actuar em patamares superiores ao actual. Todos eles para continuar a seguir com atenção.

Em mais que uma final, 'més que un club'

em 1:41

quinta-feira, 28 de Maio de 2009


Quando se diz que este seria, até agora, o jogo mais ansiado do século, não é por acaso. Percebeu-se um pouco isso no jogo de Stamford Bridge entre Chelsea e Barcelona, percebeu-se sobretudo isso na ansiedade, nas expectativas, nos debates que antecederam a partida. Algo natural, até porque não me lembro de um confronto com um cariz tão decisivo, e que reunisse frente a frente duas equipas tão capazes individual e colectivamente. Duas equipas que obtivessem tão bons resultados jogando um futebol tão positivo.

O Manchester consolidou esta época, aquilo que iniciou na transacta. Uma imagem de solidez, de espírito competitivo fortíssimo, uma capacidade de manietar muito bem todos os momentos do jogo, de se moldar tacticamente e de forma eficaz às exigências dos 90 minutos (hoje não foi um bom exemplo), e de ao mesmo tempo praticar um bom futebol, atractivo, técnico, eficaz!
Variando entre o 4x3x3 mais europeu, com Ronaldo no centro e Rooney e Park ou Giggs na ala, à frente de um trio de meio-campo, ou entre um 4x4x2 com Ronaldo e Giggs/Park abertos na faixa e Tevez ou Berbatov a acompanhar Rooney na frente.
Mais uma grande época em Manchester, com jogadores menos capazes individualmente como O'Shea, Fletcher ou Park a alinharem em muitos jogos, e a provarem o excelente trabalho que se faz em Old Trafford. Mesmo depois da subjugação da final, é preciso dar o valor que a equipa tem e que faz dela a melhor das duas ultimas temporadas, com duas finais da Liga dos Campeões, um Campeonato do Mundo de clubes e duas Premier League's conquistadas.

O Barça desta época, é a prova de que um projecto idealista pode resultar, pode fazer os adeptos desta modalidade ter o grande prazer de ver o futebol de rua a dar cartas ao mais alto nível. Um projecto que só resultaria com um treinador como Guardiola, que provavelmente passou os últimos anos afastado dos vícios do futebol actual, em laboratório a congeminar os ensinamentos que recebeu no Dream Team de Cruyff. Mesmo a sua própria forma de jogar, no início da fase de construção, num futebol de régua e esquadro, técnico, preciso, descontraído, mas sempre produtivo.
Um projecto destes só poderia ter sucesso com jogadores como Xavi, Iniesta e Messi. Baixo centro de rotação, físico não muito desenvolvido, a antítese do que dizem ser o protótipo de jogador moderno. Mas e o talento onde fica? Estes jogadores explicam que o talento ainda ocupa o papel principal no melhor futebol. E se o notável crescimento de Piqué, o vaivém ofensivo de Daniel Alves que põe a equipa a jogar muitas vezes em 3x4x3 ou 3x3x4, o pulmão de Puyol, o tampão que Touré e Keita fazem às investidas adversárias, e que hoje Busquets com mais 'soupless' também fez muito bem, o instinto de Etoo e a classe de Henry dão muito ao Barcelona, são os 'três baixinhos' o principal suporte desta forma de jogar. Também por isso, na 2ª mão da meia-final, contra o Chelsea, o Barcelona se ressentiu muito do facto de Iniesta ter sido afastado da fase de construção.
O passe curto, o futebol apoiado, a progressão da equipa sempre com bola nas imediações, as muitas linhas de passe em cada momento, as tabelinhas, as desmarcações, as triangulações - o futebol ideal, o futebol do Barça, o resultado do fantástico trabalho preconizado por Guardiola, que levou os 'culés' à conquista do inédito triplete.

O jogo de Roma, começou com vantagem para um dos 'Gladiadores' - Cristiano Ronaldo. O United entrou fortíssimo, nos primeiros 5 minutos vimos 4 remates muito perigosos do português, e o favoritismo inclinava-se para o MU. Até que ao minuto 10, Iniesta pegou na bola e resolveu, assistindo Etoo para o primeiro golo do jogo. Esse foi o momento chave da final. A partir daí os ingleses tremeram, demasiados passes errados, o sub-consciente que temia o poderio demonstrado pelo Barça ao longo da época, veio ao de cima.
O futebol fantástico dos catalães tomou conta da partida, e no banco do Manchester, Ferguson nunca soube reverter a situação. Piorou-a até, quando se esqueceu de uma das noções básicas do futebol - a de que muitos avançados não significam golos. Especialmente quando se defrontam equipas como o Barça, com o poderio do seu meio-campo. Abdicar de Anderson ao intervalo, sendo o brasileiro o jogador com mais capacidade de pressionar e ter a bola, foi um autêntico tiro no pé, assim como colocar Berbatov antes de Scholes. Tudo isto atenua a exibição do Manchester. Mas a explicação para a vitória tranquila e justíssima do Barça (que penso não espelhar a real diferença entre as duas equipas), está no próprio futebol dos catalães.

A UEFA elegeu Messi como melhor em campo, mas Iniesta foi gigante. Dele um dia Guardiola disse qualquer coisa como 'Não usa gel no cabelo, não aparece nas revistas, não se lhe vêem muitas namoradas, mas em campo é o melhor'. Nunca esta frase foi tão verdade como hoje em Roma. Como nunca um estilo de futebol será tão testado como o do Barcelona na próxima época. Se o Barça continuar a brilhar, como acredito que continue, então podemos assistir a um novo (velho) paradigma no futebolês. O de que, fica mais perto da vitória, a equipa que joga melhor. Assim seja!

A evolução do Shakhtar

em 2:52

quinta-feira, 21 de Maio de 2009


O clube ucraniano tem pouco mais de 70 anos de vida. Ainda longe do centenário, ainda longe da grandeza histórica dos rivais de Kiev, onde se destaca o Dynamo. Contudo, desde a virada do século, os 'laranjas' de Donetsk adquiriram um maior protagonismo interno, alargado nas últimas épocas para carreiras interessantes no domínio europeu. Terminaram com a hegemonia do clube da capital, ao mesmo tempo que conseguem já a maior média de assistências do campeonato ucraniano.

Se o maior protagonismo interno foi inicialmente adquirido, como referi, na viragem do século (Taça da Ucrânia em 2001, Dobradinha em 2002), com recurso a jogadores ucranianos (os africanos Aghahowa e Okoronkwo seriam as excepções com maior qualidade), foi a partir de 2004/2005, com a abertura das fronteiras de Donetsk ao mercado brasileiro que o clube deu o grande salto. A nível interno campeonatos conquistados em 2005, 2006 e 2008, Taça em 2008, Supertaça em 2005 e 2008. E a chegada de brasileiros como Elano, Jadson, Matuzálem, Leonardo, Fernandinho, Willian, Ilsinho ou Luiz Adriano. Tudo jovens com grande margem de evolução, e ainda não totalmente preparados para o salto do Brasileirão para os grandes clubes dos principais campeonatos, ao mesmo tempo que apresentam uma qualidade indiscutível.

Na Europa, e depois de carreiras interessantes na Taça UEFA e na Liga dos Campeões, chegou hoje a consagração na UEFA. Sob o comando do competente Mircea Lucescu, o Shakhtar emergiu de um grupo interessante de candidatos onde figuravam nomes fortes como Milan, Valência ou Zenit e interessantes como Bremen, Hamburgo, City, Villa, Tottenham, Udinese, Marselha ou CSKA, entre outros. Nesta competição, que neste formato, teve o seu término em 2008/2009, é difícil apontar o clube mais forte. Essencialmente pelo facto de os treinadores rodarem bastante o onze, privilegiando as competições internas. Apesar de tudo, os ucranianos foram certamente das equipas mais fortes e consolidadas e como tal, a vitória final assenta bem.

Tacticamente a equipa assenta num 4x2x3x1, muito dinâmico. Na baliza Pyatov é um guarda-redes interessante, com bons reflexos e apesar da falha monumental frente ao Bremen, mais forte entre os postes do que fora deles. À sua frente Chygrynskiy é titular indiscutível, o típico central da escola ucraniana, corpulento mas com grande leitura de jogo e forte no desarme, enquanto Kucher e Ischenko discutem a outra vaga. Os laterais são jogadores semelhantes, de muitíssima qualidade e de grande propensão ofensiva. O croata Darijo Srna e o romeno Rat, dois protótipos do lateral moderno.
Á frente da defesa um duplo pivot. Hubschmann mais posicional (castigado na final e substituído por Lewandowski), compensa quase sempre as subidas dos laterais. No papel ao seu lado, mas com incomparavelmente mais liberdade o tecnicista Fernandinho, temível na bola parada, e com grande facilidade de remate. Nas laterais, igualmente dois brasileiros. Ilsinho (lateral de origem mas com grande qualidade técnica) mais vertical na direita, o jovem Willian mais sobre a esquerda, ele que originalmente é uma espécie de 10 à moda antiga, quase sempre em diagonais para o interior do terreno, deixando as costas para as subidas de Rat.
Mais adiantados, os maiores desequilibradores e fazedores de golos: Luiz Adriano mais fixo na frente, entre os centrais. Jadson nas suas costas, numa espécie de 'jogador 9,5', capaz de contribuir com bastantes golos e assistências. Referência ainda para Marcelo Moreno, boliviano vindo do Cruzeiro, que na UEFA jogou pouco, mas com muito futebol nos pés, e uma próxima temporada à espera da explosão no futebol europeu.

Enfim, os ucranianos mantiveram o bom registo dos países de leste na Taça UEFA. Nas últimas 5 épocas, pelo meio da dobradinha do Sevilha, CSKA, Zenit e agora Shakhtar inscreveram o nome na galeria dos vencedores. Para o clube de Donetsk este é o mote decisivo para o estabelecimento de um nome forte e respeitado na Europa do futebol. O grande desígnio do actual presidente - vencer a Liga dos Campeões, pode já ter estado mais longe.

Foi um prazer, Figo.

em 11:32

terça-feira, 19 de Maio de 2009


Foi no passado fim de semana, de conquista para o Inter, que um dos melhores e maiores jogadores portugueses de sempre anunciou o final da sua carreira. Luís Filipe Madeira Figo pendura as chuteiras no ano em que completa 37 anos. E o futebol fica mais pobre.

O ainda jogador do Inter, é dos que ficarão para sempre marcados na memória de quem os viu jogar. Especialmente daqueles que, como eu, cresceram idolatrando o seu futebol. E a sua postura fora dos relvados. Em cromos de cadernetas de futebol, em posters gigantes nas paredes do quarto, nos jornais e revistas, na televisão ou no estádio, Figo acompanhou nos últimos 15 anos o imaginário de todos os que gostam de futebol. No Porto ou em Lisboa, em Madrid ou até em Barcelona, em Milão ou em Pequim, não há quem não tenha ficado rendido à sua qualidade.

'Os Pastilhas' formaram o atleta e homem, o Sporting continuou o processo consolidando-o e tornando Figo num grande jogador, de dimensão europeia. Do polémico trio Barcelona-Juventus-Parma em 1995/96 ninguém se esquece, mas foi na Catalunha que Figo se deu a conhecer ao Mundo. Um dos últimos extremos direitos à moda antiga, fazia do pique e da capacidade de driblar os seus principais recursos, antes de chegar à linha e efectuar cruzamentos absolutamente perfeitos que fizeram as delícias de inúmeros avançados. Apesar de se destacar nas assistências, Figo mantinha também uma boa relação com o golo, quer em bola corrida, quer de bola parada - livres e penalties superiormente bem executados.
Nos Galácticos do Real Madrid, após o Verão quente de 2000/2001, Figo foi já um jogador diferente. Menos exuberante, igualmente espectacular e eficaz, o 10 do Madrid tornou-se ali num jogador completíssimo a todos os níveis. Dessa época, e como consequência dessa evolução, o galardão atribuído para melhor jogador do Mundo pela FIFA, foi seu, foi português. Um prémio importantíssimo pouco tempo depois da pior recepção de sempre a um jogador de futebol, em Camp Nou, ao serviço do Real Madrid.
2005, ano final da 'era Galáctica' trouxe-lhe o Inter. Muitos pensaram ser ali, já com 33 anos, o último ano de Figo, cumprido maioritariamente em baixa rotação. Puro engano. Estamos em 2009 e o português olha para a sua carreira em Milão e, embora lhe falte o sucesso europeu alcançado em Barcelona e Madrid, vê um tetracampeonato. Num Inter onde, num trajecto descendente a nível físico, foi encontrando outras posições no campo, menos colado à linha, mais perto da zona central, organizando jogo. Não deixou de ser uma espécie de evolução táctica, que só os muitos anos de futebol permitiram a Figo cumprir com sucesso. Contudo, algo se manteve sempre no seu futebol: a qualidade com que tratava a bola, e a inteligência sempre presente no destino que lhe dava.
Com 127 internacionalizações, 32 golos, momentos inesquecíveis, sucessivos jogos enquanto capitão, Figo foi também figura incontornável da Selecção Nacional Portuguesa. Ao serviço da qual, em 2000, 2004 e 2006 não andou longe da merecida consagração absoluta.

Resumidamente, foi esta a fantástica carreira de Figo dentro das quatro linhas. Tal como fez questão de referir, com uma média de títulos colectivos superior ao número de anos de actividade desportiva. Muito poucos se podem gabar do mesmo. Daqui se percebe a importância deste jogador nas equipas por onde passou. E da inteligência na hora de escolher o seu rumo. Porque também fora de campo Figo foi especial. Uma figura emblemática que ultrapassa e muito o âmbito do futebol, ao qual concerteza ainda terá muito para dar, provavelmente ajudando à reciclagem do nosso dirigismo desportivo.

Num país que tem dificuldades em reconhecer os melhores (Cristiano Ronaldo é o melhor exemplo actual), num país que nunca foi totalmente unânime em relação à figura deste extraordinário jogador, o melhor elogio que se pode fazer é garantir que ele, o eterno 7 de Portugal, discute legitimamente com Eusébio, o epíteto de melhor e maior jogador português de sempre. E que bom sinal quando estas distinções podem ser partilhadas. No mais, o futebol de Figo continuará a viver em VHS, em DVD, no Youtube, ou mesmo num simples cromo de futebol. Eu ainda tenho o meu.

Obreiros do Tetra

em 1:24

terça-feira, 12 de Maio de 2009


O Porto materializou ontem, na sequência do que se esperava, a conquista do tetra-campeonato. Sobre o total mérito da conquista já aqui falei no dia seguinte à vitória em Guimarães, e portanto hoje importa-me destacar aqueles que penso serem os dois principais obreiros desta vitória.

É comum dizer-se que as naus precisam de um timoneiro para chegar a bom porto. No futebol não é diferente. Contudo, em algumas equipas, tal a qualidade e maturidade dos jogadores, tal a rotina de bons processos existente, o peso do treinador dissipa-se um pouco. Neste Porto não foi assim. Não que o plantel não seja de qualidade, mas em grande parte dos seus elementos, denotava-se no início da época, que seria precisa muita evolução para que a equipa atingisse os seus objectivos. Rolando, Sapunaru, Cissokho, Fernando, Rodriguez e Hulk são exemplos claros do que falo. No crescimento individual destes elementos, e ao mesmo tempo da equipa, o mérito vai todo para Jesualdo Ferreira (JF).
Não foi uma nem duas vezes que ouvimos o 'Professor' afirmar que no Porto também se faz formação na equipa principal. Mas a formação que assistimos nesta época não foi apenas a nível individual. Foi também no que respeita ao modelo de jogo da equipa, que naturalmente sofreu um abalo com as saídas dos nucleares Bosingwa, Quaresma e Paulo Assunção, e a entrada de jogadores com características distintas. Jesualdo percebeu que não há jogadores iguais e que teria de alterar a forma da equipa jogar, sob pena de os reforços não conseguirem interpretar o modelo da mesma forma. Na capacidade de um treinador perceber os seus activos, o meio envolvente, e conjugando estes factores, a melhor forma de levar a equipa ao sucesso, está grande parte da sua qualidade. JF teve essa capacidade.
Mesmo depois de alguns precalços, mesmo depois de bastante contestação, o Porto manteve fidelidade aos seus princípios, às convicções da sua equipa técnica, e ao mesmo tempo que se readaptavam por exemplo Lucho, Meireles e Lisandro a novas funções, e se assistia ao crescimento dos jogadores acima citados, a equipa retomou o caminho das vitórias. O grande mérito de Jesualdo Ferreira passa por aí, pela competência no processo de treino e de jogo, e pela inteligência que lhe permitiu encaixar-se bem no clube, obtendo um lugar de destaque. Numa época em que foi tri-campeão, atingiu a final da Taça, e os quartos de final da Champions, o reconhecimento (tardio) da esmagadora maioria dos adeptos chegou. Na próxima época, deverá continuar.

Helton, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Cissokho e Fernando. Uma equipa desempenha tarefas conjuntas nos cinco momentos do jogo, mas estes jogadores formaram em muitas partidas, o grupo com maiores responsabilidades defensivas. Se exceptuarmos a baliza, apenas Bruno Alves jogava no Porto na época passada. Todos os restantes elementos actuavam em clubes ou campeonatos de menor exigência e responsabilidade. Se falo de JF como parte integrante para o crescimento da equipa, dentro do campo Bruno Alves era a sua extensão. Não raras vezes vimos o central portista em diálogo com os companheiros de sector durante as partidas, corrigindo acções ou posições. Uma voz de comando dentro de campo, e talvez o jogador expoente de Jesualdo Ferreira, por ser aquele que mais cresceu com o treinador. Passado de mal-amado entre os adeptos a um dos capitães de equipa, pretendido por meia Europa, Bruno Alves é também o marcador do golo do tetra.
Pelas suas qualidades como central, pela importância que tem dentro da equipa, pelo seus golos fundamentais (Sporting e Nacional são dois exemplos fortíssimos), destaco-o como o jogador do ano no Porto. Mesmo que Lisandro e Lucho sejam (acredito que a par do melhor Aimar) os melhores jogadores a actuar em Portugal, mesmo que Meireles tenha crescido imensamente, mesmo que Hulk seja um vulcão futebolístico prestes a explodir. Mesmo assim, penso no Porto vencedor do campeonato e vejo Jesualdo Ferreira e Bruno Alves.

A próxima época está já a caminho, e com ou sem Bruno Alves, com ou sem JF, o Porto parte já um passo à frente da concorrência. A equipa é jovem e tem margem de crescimento, os processos estão identificados e bem definidos, e a estabilidade é uma imagem de marca. Além disso, um título deixa-nos sempre mais perto do próximo. Principalmente quando existe uma superioridade inequívoca. Foi o caso.