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Maldini, no Domingo não devia ter sido assim!

à(s) 04:42

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


Inter x Milan. Aos 42 minutos de jogo, quando após um livre longo a meio-campo cobrado por Muntari, Maldini vigiava Adriano, não podia adivinhar que Pirlo e Kaladze iam falhar. O georgiano porque permitiu a Ibrahimovic saltar mais alto e endossar a bola para o interior da área. Pirlo porque não é o trabalhador incansável que é Ambrosini (que no início da partida tinha tirado um golo certo a Stankovic) e deixou o sérvio à vontade para fazer o 2x0.
Aí, o grandíssimo jogador italiano deve ter olhado para o banco, e vendo que defrontava uma equipa de Mourinho, constatou que já não ia a tempo da vitória, tão importante para o Milan reentrar na luta pelo título.

E o Milan não lutar pelo título até ao fim, na última época do monstro Maldini, é quase um sacrilégio. Paolo, nascido em 1968, passou 25 anos no Milan, clube da sua vida. Onde chegará a Maio com mais de mil jogos de vermelho e preto vestido. O grande capitão, um dos maiores símbolos da história de um dos principais clubes do mundo.
Constatar, impotentes, o final de carreira destes exemplos, devia a nós adeptos, deixar um misto de saudosismo e preocupação. Primeiro porque são já raros os Maldinis no futebol, e depois, porque o desporto-rei, na pele dos protagonistas, é cada vez mais um negócio e menos uma paixão. A mística vai deixando de existir, a identificação dos torcedores com os jogadores, onde ano após ano, apontando de olhos fechados para um lado do campo, se sabia quem seria o jogador que envergava a camisola do seu clube, também desaparece.

Vão sobrando as memórias. E de Maldini só podem ser positivas. O italiano é uma das vítimas das 'Bolas de Ouro'. Injustificadamente, nunca viu o seu nome ser distinguido a esse nível. Mas sempre falou desse facto de forma distinta e despreocupada. Um senhor dentro do campo e fora dele, reconhecidamente um exemplo de fair play.
O capitan eleganza, como os tiffosi apreciam chamar-lhe, foi um grande defesa lateral esquerdo. Rápido, com a boa escola defensiva italiana, pé esquerdo muito técnico, os seus bons cruzamentos eram sucessivos alimentadores dos avançados. Época após época, um destaque natural entre os melhores laterais do mundo.
Os anos foram passando também para o italiano, o futebol exigia cada vez mais dos laterais um vaivém no corredor, e Maldini foi aprimorando cada vez mais o saber táctico. Resultado? Passou a jogar mais frequentemente como central. E conseguiu figurar também neste posto específico como um dos melhores do mundo. Fantástico!
A verdade é que olhamos para o seu futebol, para todos os aspectos do seu jogo, e facilmente constatamos que se se proporcionasse, poderia também ter sido médio. O que nos dá ideia de quão completo é.

7 vezes campeão italiano, 1 Taça de Itália, 5 supercopas italianas, 5 vezes campeão europeu, 5 Supertaças europeias, 3 vezes campeão do mundo de clubes, 1 vez campeão do Mundo de clubes.
Olhamos para este palmarés fantástico e para a época actual, e constatamos que ver Maldini em Maio a despedir-se com a Taça UEFA (troféu que lhe falta) nas mãos seria uma justa homenagem a si e ao futebol. Perdoem-me os nacionalistas, mas para mim, Paolo e a sua carreira ultrapassam essas questões. Seria mais do que tudo, um obrigado! A camisola 3 no Milan? Essa nunca mais ninguém a veste.

A consagração merecida

à(s) 20:07

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Passagem de testemunho

Já aqui tive oportunidade de me pronunciar sobre o que penso em relação às razões pelas quais Cristiano Ronaldo merece indiscutivelmente o galardão de Fifa World Player 2008.

Mesmo que em Portugal ainda haja muito boa gente a escrever, ou a afirmar que o prémio não deveria ser de Cristiano. Principalmente por razões que têm a ver com uma pretensa humildade que lhe dizem faltar.
Mesmo acreditando que quem pensa tais coisas conheça CR7 muito bem, e tenha portanto razão, ainda assim pergunto o que é que a humildade (que não confundamos as coisas, é um atributo de personalidade muito importante) terá a ver com a capacidade futebolística de um jogador. Assim sendo, deveria propor-se à FIFA a atribuição de mais um prémio: aquele que distinga o jogador mais humilde, ou mais afável de 2008.
Se, pelo contrário, quem afirma faltar humildade a Ronaldo tira conclusões com base em algumas atitudes durante os jogos (e consequente carga emocional envolvente) e nem sequer está atento às inúmeras entrevistas dadas pelo português (aconselho a propósito os Incríveis do excelente Daniel Oliveira), então resta-me concordar com alguém, que recentemente afirmou que grande parte dos portugueses, tem muitas dificuldades em reconhecer valor aos seus compatriotas.

Deixando agora estas questões de lado, resumidamente, Ronaldo merece o prémio por aquilo que fez durante toda a época passada. 42 golos em jogos oficiais, vencedor e melhor marcador da Premier League (recentemente considerada a melhor Liga do Mundo), vencedor e melhor marcador da Liga dos Campeões, pulverização de inúmeros títulos individuais. É certo que fez um Europeu abaixo das expectativas, mas convém não esquecer que fez a prova debilitado fisicamente. E convém também não esquecer que foi um dos principais responsáveis pelo apuramento de Portugal para a prova, cotando-se como um dos melhores marcadores da fase de qualificação.

A segunda metade de 2008 é diferente. Até agora tem sido indiscutivelmente de Messi. Provavelmente se a votação fosse hoje, Ronaldo teria mais dificuldades em conquistar o prémio. Mas a votação terminou em Agosto. E mesmo a grande vantagem que Messi tem demonstrado nesta época sobre os demais, não lhe garantem o próximo prémio, até porque as principais decisões são a partir de Abril. No entanto, é indiscutível que o argentino, pela incrível qualidade que tem demonstrado, está já um passo à frente da concorrência.

Em relação aos nomeados, tenho alguma dificuldade em perceber a presença de Kaká no lote. Principalmente porque há dois grandíssimos jogadores, Gerrard e Ibrahimovic, que viram os seus nomes fora desta corrida. E que se arriscam a passar ao lado de uma distinção, que pelo seu nível de jogo, seria mais do que merecida. Um pouco à imagem, num passado recente, de Maldini, Raúl ou Del Piero. O futebol por vezes é injusto. Mas 2008/2009 ainda está a meio e daqui a um ano cá estaremos. Entretanto, 'show must go on'.

Quanto a Cristiano Ronaldo, o nosso orgulho, mais uma vez: Obrigado e Parabéns!