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Vitória do futebol?

à(s) 02:27

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Tinha-o aqui escrito, a primeira mão das meias finais, tinha deixado bastante a desejar. Também no jogo de Manchester, mas principalmente no de Barcelona. A estirpe desta competição, a qualidade das equipas, dos seus jogadores, dos seus técnicos fazia-nos esperar muito mais. Não foi bem assim, mas apesar de tudo viu-se muito mais futebol e emoção do que há uma semana atrás.

Arsenal x Manchester Utd - Em Londres esperava ao Arsenal uma tarefa hercúlea, mas não impossível. Apesar de tudo, defrontar o Manchester Utd, que além de fortíssimo a defender tem jogadores perigosíssimos para jogar em contra-ataque, com uma desvantagem de 0x1 era difícil. As ausências de Gallas, Clichy ou Arshavin não ajudavam.
No entanto, alertei há uns tempos atrás para o facto de o Arsenal ir crescer bastante como equipa no último terço da temporada, alicerçado no regresso pós-lesão de muitas das suas grandes figuras. A verdade é que esta jovem equipa ainda não foi suficiente para o Manchester, e o que se viu ao longo de 180min foi ainda uma grande diferença de qualidade. Além de processos de jogo, de opções ou não estivessem no banco do Arsenal Fabianski, Silvestre, Eboué, Denilson, Diaby, Vela e Bendtner ao passo que no do Manchester, ao lado de Alex Ferguson se sentavam Kuszsack, Evans, Rafael, Scholes, Giggs, Tevez e Berbatov.
No mais, foi um Arsenal diferente da primeira mão. A entrada de Van Persie para o lugar de Diaby permitiu à equipa jogar no esquema que mais gosta, o 4x4x2 clássico, com Van Persie a baixar muitas vezes entre linhas, para as costas de Adebayor. Ferguson tambem alterou, para um 4x3x3 com Rooney e Park nas alas, Ronaldo na frente e Anderson, Fletcher e Carrick no meio-campo.
A estória do jogo quase se resume ao impacto do primeiro golo no jogo, à extraordinária partida de Ronaldo, à superioridade do trio de meio campo do United sobre Fabregas e Song, à fantástica competência defensiva de Ferdinand e Vidic e à constação de que o MU é de facto uma equipa especial e que o Arsenal ainda precisa de crescer para se bater a este nível. Ronaldo foi o melhor em campo, ao passo que do lado do Arsenal apenas Van Persie mostrou argumentos para incomodar o Manchester.

Chelsea x Barcelona - Stamford Bridge completamente cheio, muita gente com o 4x4 com o Liverpool na mente, pensando que o jogo de Barcelona tinha sido uma espécie de equívoco. A verdade é que o 11 inicial de ambas as equipas, fazia antever que se assistiria a um jogo melhor, mais aberto, sem complexos de inferioridade. O Chelsea porque preferiu Anelka a Obi Mikel, o Barça porque estava desfalcado de Marquez, Puyol e Henry (que são factos que convém não esquecer).
Teorizando, poder-se-ia antever que o primeiro golo traria indícios muito precisos sobre o apurado. Porque o Chelsea se marcasse primeiro poderia baixar as linhas e jogar como preferia frente a este Barça, porque o Barcelona se marcasse primeiro poderia aproveitar como tão bem sabe o espaço que o Chelsea seria obrigado a dar. Marcou o Chelsea, colocando-se em vantagem na eliminatória. As linhas dos blues baixaram muitos metros, quase sempre com 10 jogadores atrás do meio-campo, sem espaço para os blaugrana praticarem o seu futebol. Pelo contrário, o Chelsea foi sempre perigoso no ataque, com Drogba a assumir um papel de destaque. O jogo desenvolveu-se quase sempre nesta toada, espanhóis com pouco espaço para explanarem o seu melhor futebol, ingleses quase sempre melhores e mais perigosos ao longo dos 90 minutos. Até aos 93 minutos de jogo, com o golaço de Iniesta, que não quis ficar atrás do grande pontapé de Essien.

Uma palavra para os treinadores. Hiddink velha raposa, é um mestre do jogo, Pep Guardiola, é na sua época de estreia uma confirmação, que colocou uma equipa a jogar o futebol mais espectacular dos últimos anos. Contudo, no domínio da intervenção no decorrer do jogo, não me parece terem estado tão bem.
Guardiola porque demorou demasiado tempo a perceber que, na ausência de Henry, e perante jogo tão apagado de Busquets, ao mesmo tempo que Iniesta demonstrava ser o jogador mais interventivo da equipa, seria uma boa opção puxar o baixinho para o meio-campo onde o Barça estava com tanta dificuldade em contruir jogo, substituindo Busquets por Bojan. Hiddink porque com 70 minutos de jogo, uma superioridade inequívoca e mais um jogador em campo, aproveitou alguma inferioridade física de Drogba para o substituir por Belletti. Ultra-conservadorismo, especialmente quando havia Kalou no banco, fortíssimo em contra-ataque e com Keita adaptado a lateral-esquerdo. O holandês que estudou tão bem o Barça, esqueceu-se de uma coisa: estes culés, podem sempre e em qualquer circunstância marcar um golo. Hiddink podia ter-se precavido tentando forçar o segundo. Não pensou assim, saiu. Foi Guardiola quem, onde Mourinho foi feliz, fez de Setubalense, e encetou um sprint ao longo da linha lateral, festejando o golo de Iniesta (melhor em campo a par de Essien).
No cômputo geral, a eliminatória foi equilibrada. Bastante melhor o Barcelona na primeira mão, bastante melhor o Chelsea hoje. Obviamente que é impossível passar ao lado da arbitragem, mas se há, no máximo 3 penaltys não assinalados a favor do Chelsea (coisa nunca vista e impensável a este nível), na eliminatória houve também prejuízo para o Barcelona num penalty sobre Henry e numa expulsão perdoada a Ballack na primeira mão e numa má decisão do árbitro ao expulsar Abidal na segunda. Assim, por tudo isto, é difícil encontrar justiça no apuramento de alguma das equipas. Na Hora H, acredito que tenha vencido o futebol.


A 27 de Maio encontram-se em Roma as duas equipas que praticam um futebol mais atraente. Aquelas que são mais capazes de trazer novos adeptos à modalidade, ao mesmo tempo que renovam o gosto dos que já são 'aficionados'. É provavelmente a Final mais ansiada que tenho memória, e sem dúvida será um espectáculo a não perder. Um palpite? Já o digo desde o início da época - Manchester United. Mas se for o Barça, o futebol agradece na mesma.

Mais futebol meus senhores!

à(s) 02:36

quinta-feira, 30 de abril de 2009


Quando as melhores competições atingem a recta final, quando o melhor futebol se defronta na relva ao longo de 180 minutos, quando há incontável talento por cada metro quadrado de relva, os cuidados aumentam. Os técnicos, os jogadores, sabem que um simples erro pode deixar demasiado longe o objectivo de uma época, para alguns o sonho de uma carreira.
Em parte, foi esse o pensamento que inundou a mente de Hiddink e Wenger, treinadores de equipas que visitavam adversários teoricamente mais fortes. Um pensamento que não beneficia o melhor futebol, mas que não pode ser censurável, até porque foi a melhor forma que encontraram de manter em aberto a eliminatória. Vamos por partes.

Barcelona x Chelsea - Um Camp Nou com 100 mil pessoas esperava as equipas. Meia-final da Champions, um Chelsea acabado de eliminar o Liverpool num jogo de loucos, um Barça portador do futebol que traz adeptos à modalidade, que nos cola ao sofá. De um lado o metódico, o sonhador Guardiola. Do outro 'a raposa' Hiddink. Messi e Xavi, Drogba e Lampard.
O treinador holandês sabia o que o esperava. A Catalunha foi esta época um autêntico pesadelo para as equipas que por lá passaram. Especialmente quando defrontava aqueles que em teoria seriam melhores, o Barcelona motivava-se a níveis altíssimos. Atlético de Madrid, Sevilha, Valência, Lyon ou Bayern foram vergados a pesadas derrotas.
O Chelsea tem um plantel, e um estilo de jogo que não lhe permitem grandes transições rápidas. A estratégia seria ocupação perfeita dos espaços, saída para o ataque por Drogba, esperando subida da equipa. A primeira premissa resultou, a segunda não. Mérito do Barça. Explicação também pelo alinhamento do Chelsea, que transformou o 4x3x3 habitual num 4x5x1 com Ballack e Mikel à frente da defesa, Essien e Malouda fechando nas alas, Lampard perdido no centro, demasiado longe de Drogba. Natual, Lampard não é jogador para o aquele futebol. Apesar de tudo, não censuro Hiddink. Foi a melhor forma que o holandês encontrou para manter a eliminatória em aberto. Conseguiu-o.
O Barcelona encontrou pela primeira vez nesta época, uma equipa capaz de travar o seu futebol. Sim, é certo, não ganhou sempre. Mas em todas essas partidas, percebeu-se que o jogo continuava fluído, chegando perto da baliza contrária. Contra o Chelsea não. As tabelas, os passes de ruptura, as fintas, as mudanças de velocidade, o jogo apoiado e de pé para pé esbarraram quase sempre na muralha azul. Com o 4x3x3 habitual e Abidal na esquerda em detrimento de Puyol, pensar-se-ia que o Barça poderia fazer mais uso do jogo exterior, mas Essien foi um monstro, pelo que Daniel Alves era o único jogador capaz de dotar a equipa dessa alternativa, conciliando-a com o seu poderoso jogo vertical, e com as diagonais dos seus avançados. Foi contudo insuficiente para desmontar a teia do Chelsea. Mais ainda, para levar de vencido aquele adversário, Guardiola precisaria de ter todos os seus jogadores inspiradíssimos. mas a noite não foi a melhor para Henry e Messi, dois dos potencialmente maiores desequilibradores.
Individualmente, destaco Dani Alves e Touré do lado do Barcelona, Terry e Essien do lado do Chelsea. Dois defesas, dois médios mais defensivos, explica bem o que foi o jogo. Embora o brasileiro receba destaque pelo facto de ser, a par de Iniesta, o maior desequilibrador em campo. Bosingwa é fortemente elogiado por ter parado Messi. Mas o português fez uma exibição à imagem da equipa. E teve a sorte de nunca ter sido exposto em demasia a duelos individuais. Ainda assim, ponto muito positivo.
A segunda mão em Stamford Bridge será diferente. A eliminatória decidida em 90 minutos e espero um Chelsea mais afoito ofensivamente, o que à partida indicará um jogo mais aberto. Golos e muita intensidade, ingredientes expectáveis para de hoje a oito dias.

Man Utd x Arsenal - Em Old Trafford o primeiro de três confrontos entre Red Devils e Gunners, no próximo mês. Todos eles, assentes em bases diferentes. O de hoje seria naturalmente aquele em que o Arsenal jogaria mais recolhido. Direi contudo, que em demasia.
Parece-me que o Arsenal tentou ser uma equipa à imagem do Chelsea em Camp Nou. Contudo, Wenger tem à sua disposição um conjunto de elementos que lhe permitiriam fazer um jogo diferente, especialmente a nível ofensivo. Walcott, Fabregas e Nasri estiveram sempre muito presos a amarras tácticas, e a própria opção por Diaby em detrimento de Denilson ajuda a explicar o pensamento de Wenger. Mais contenção, mais músculo, menos fantasia ou qualidade de passe. Parece-me um erro. O Arsenal teve uma produção ofensiva nula, e defensivamente nunca conseguiu a competência do Chelsea. O ox1 é um resultado lisonjeiro, Almunia e a barra explicam-no muito bem.
Frente ao 4x2x3x1 do Arsenal, o 4x3x3 europeu do Manchester, que Ronaldo e Rooney sabem também transformar em 4x5x1, em determinados momentos do jogo. O certo é que nos grandes jogos europeus, Ferguson não prescende do trio de meio-campo na zona central, abdicando do seu 4x4x2 mais de consumo interno. Hoje, com Scholes e Giggs no banco, foram Carrick, Fletcher e Anderson a jogar. O inglês mais no miolo, essencialmente posicional, o escocês e o brasileiro a soltarem-se mais no ataque. O Manchester controlou sempre o jogo, ao mesmo tempo que o dominava. Alguma inépcia dos seus avançados, somada à grande exibição de Almunia, explicam que não tenha deixado a eliminatória muito perto da resolução.
Individualmente, a somar ao referido Almunia, parece-me justo distinguir o jovem Alexandre Song, por ter realizado uma das melhores exibições da equipa, numa zona onde os Gunners tiveram sempre dificuldades. No MU, o grande destaque vai para o colectivo, pela grande exibição. Compacta, confiante, personalizada em todos os momentos do jogo.
A 2a mão, um pouco à imagem do confronto de Stamford Bridge, trar-nos-á potencialmente mais golos. Um Arsenal que sabe jogar bom futebol, à procura do golo e um Manchester temível no contra-ataque.

Uma última nota. Camp Nou e Old Trafford. Meias-finais da Liga dos Campeões. Artistas como Xavi, Iniesta, Messi, Henry, Etoo, Lampard, Drogba, Ronaldo, Tevez, Rooney, Berbatov, Fabregas, Walcott, Adebayor. Quem foi o único jogador a balançar as redes nesta meia-final? John O'Shea. Tem o que se lhe diga...Que para a semana seja diferente!

A outra Champions

à(s) 02:49

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Os quartos de final da melhor competição do mundo do futebol vão a meio. Se ontem meia Europa ficou surpreendida com o resultado e principalmente a exibição alcançada pelo Porto em Manchester, também hoje os resultados tiveram a sua pontinha de surpresa. E sendo os jogos de 3aF pautados por bastante equilíbrio, normal nesta fase mais avançada, os de hoje praticamente definiram dois semi-finalistas.

Villarreal x Arsenal - No El Madrigal defrontaram-se duas equipas que embora assentem os seus princípios em futebol positivo e de ataque, sofrem muito poucos golos. Assim, o empate final a uma bola não é de todo um resultado inesperado e traduz muito bem o que se passou em campo.

De um lado um Villarreal bastante forte em casa, e assente num 4x4x2 com Senna a fazer uma excelente exibição no controlo do meio campo, e um duo muito perigoso na frente - Rossi mais móvel, Llorente mais posicional. Do outro, um Arsenal que adivinho fará um final de época muito forte. Sem Van Persie nem Eduardo e jogando fora de portas, Wenger montou a equipa numa espécie de 4x2x3x1 com Song e Denilson à frente da defesa e Fabregas, Nasri e Walcott nas costas de Adebayor. Pelo facto de não jogar com alas puros, o Villarreal conseguiu sempre equilibrar numericamente no meio-campo e essa será parte da explicação para o encaixe das duas equipas.

A segunda mão decide-se agora em Londres, e a vantagem está do lado do Arsenal, que perante o seu público concerteza vai materializar a passagem às meias-finais. Fase a partir da qual tudo é possível.

Liverpool x Chelsea - Neste confronto de velhos conhecidos, o favoritismo estaria à partida do lado do Liverpool. A equipa de Benitez vem claramente a crescer de forma, está ao fim de alguns anos ainda a discutir o campeonato em Abril, e destruiu completamente Manchester Utd e Real Madrid nas últimas semanas.
A verdade é que Benitez tinha uma ausência de peso, devido a castigo. Era Javier Mascherano, e se a sua importância é relativamente dissipada em Inglaterra, em jogos europeus ganha contornos quase fundamentais. Mesmo não desvalorizando Lucas Leiva, é a sociedade Xabi Alonso-Mascherano que suporta toda a equipa nestes grandes jogos. Pela capacidade de pressionar alto, pela incrível intensidade, pelo respeito que impõe no adversário. Hoje o argentino não pode dar o seu contributo à equipa, e o que se viu foi um Gerrard desinspirado porque na sua cabeça estava o dilema entre equilibrar o meio-campo ou chegar mais perto de Torres (excelente jogo, o melhor do Liverpool).
Quando é assim, o adversário respira melhor.
Mas o Chelsea ganhou, não pela falta de Mascherano, antes por uma grandíssima exibição, num dos campos mais difíceis de jogar. Em desvantagem muito cedo, a equipa nunca se perdeu, e em 4x3x3 com um monstruoso Essien a controlar metros e metros à sua volta, e um rapidíssimo Malouda a sair em transições rápidas, o Chelsea fez um jogo mestre em Anfield. Mérito para Hiddink porque se vislumbra agora que a equipa está mais bem preparada para as exigências do alto nível, ao mesmo tempo que concilia esse factor com bom futebol.

Em Stamford Bridge só uma hecatombe retira a passagem do Chelsea às meias-finais, as quintas nos últimos seis anos. O Liverpool, ao contrário do ADN imposto por Benitez, concerteza persistirá, esta época, até ao fim na luta pelo campeonato. E o espanhol provavelmente vai cair na Champions frente a alguém que sabe tanto ou mais de táctica do que ele.

Barcelona x Bayern - Em Camp Nou enfrentavam-se duas das mais concretizadoras equipas da competição, com 24 golos cada. Se a estatística apontava um jogo com golos e oportunidades para ambos os lados o Barcelona encarregou-se de a desmentir. Assente nos princípios do bom futebol que tão bem tem demonstrado esta época, o Barça fez uma primeira parte de luxo, asfixiando os alemães por completo, através de defesa subida, pressão orientada e combinações, arrancadas e trocas de bola do outro mundo. Foi um autêntico carrossel ofensivo, com Messi, Etoo, Henry, Xavi, Iniesta ou Daniel Alves a aparecerem constantemente na área de Butt.
Foram 4 golos na primeira parte, podiam ter sido ainda mais, e que permitiram à equipa suportar uma segunda metade em alguma descompressão, controlando o jogo e gerindo já as meias finais (Marquez por exemplo limpou os cartões amarelos).
A verdade é que a impotência que se tinha apontado ao Sporting na eliminatória anterior, pode agora apontar-se ao Bayern de Munique, que ao longo de 90 minutos em Camp Nou conseguiu 5 remates, apenas 1 enquadrado com a baliza. Numa equipa que conta com jogadores como Schweinsteiger, Ribery ou Toni esta estatística dá conta da competência defensiva do Barcelona ao longo de todo o jogo. Ofensivamente os quatro golos falam por si, onde o tridente ofensivo fez o estrago do costume.
A segunda mão em Munique será exclusivamente para cumprir calendário
.

Atribulações no Arsenal

à(s) 19:02

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


O clube de Londres, um dos grandes emblemas europeus, passa por uma temporada algo atribulada. Os maus resultados dentro de campo, reflectem um balneário em crise, mas não só.

O Arsenal, liderado por Wenger, tem vindo a optar, por uma política que é de louvar. Principalmente desde a saída de Henry e Patrick Vieira, tem vindo a recrutar jovens promessas e a integrá-las progressivamente na equipa principal, findos um-dois-três anos de clube. Com consequências óbvias no balanço financeiro. Até porque, convém não esquecer que entretanto, construíram o novo Wembley. Peter Hill Wood (o chairman), em consonância com Arsene Wenger tem seguido esta política de contenção e razoabilidade que devia criar raízes no futebol actual. Contudo, provavelmente só no Reino Unido isto seja possível, pela cultura desportiva dos seus adeptos.

A ajudar a tudo isto à "paciência" dos adeptos, o futebol atractivo que o Arsenal pratica. Assente habitualmente num 4x4x2, com o espanhol Almunia na baliza, os frances Sagna e Clichy ocupam as laterais, sendo o segundo bastante mais ofensivo, aproveitando o facto de à sua frente não ter um extremo puro. No centro dois bons centrais: Gallas e Touré - não obstante Silvestre tenha vindo a fazer sombra ao costa marfinense. No meio-campo, um duplo pivot: Denilson e Fabregas, apesar de o espanhol se libertar mais para desempenhar tarefas ofensivas. Na ala esquerda Nasri, que frequentemente aparece em movimentos interiores para criar desequilíbrios, aproveitando as constantes subidas de Clichy. À direita, o supersónico Theo Walcott, extremo puro, tem evoluído a olhos vistos. Na frente, os mortíferos Van Persie e Adebayor.
Como alternativas, Wenger não tem grande margem de manobra. Silvestre e Song aparecem na defesa, Diaby, Eboué e agora o jovem Ramsey no meio campo, e Vela e Bendtner no ataque. O checo Rosicky, grande jogador, tem estado lesionado desde Janeiro. A juntar a esta escassez de opções, o departamento médico do clube Londrino tem andado lotado: Sagna, Touré, Walcott e Adebayor têm sido clientes habituais.

Como já referi, o balneário também não tem ajudado. Provavelmente devido ao excesso de juventude em consonância com a pressão de um grande clube. Há relato de diversos atritos, e o capitão Gallas veio a público pela segunda vez desde que está no Arsenal, fazer eco disso mesmo. O francês aliás parece não ser pacífico, se nos lembrarmos dos problemas que levantou no Chelsea de Mourinho. Resultado imediato - foi destituído do cargo de capitão, que provavelmente será entregue a Fabregas.

É certo que o Arsenal vai às compras em Janeiro, alterando de certa forma a sua política recente. No entanto, até lá terá ainda muitos e complicados jogos na Premier League, pelo que pode comprometer ainda mais as suas aspirações ao título. A Liga dos Campeões surgirá como objectivo maior, muito embora Wenger recentemente o tenha desmentido. Não poderia ser de outra forma.