Super Leixões

à(s) 21:30

segunda-feira, 17 de novembro de 2008


Provavelmente ninguém diria, nem mesmo os responsáveis e adeptos do Leixões, mas a verdade é que à 8ª jornada da Liga Sagres, os bebés de Matosinhos são líderes isolados, quando já jogaram com os três grandes, dois deles fora de casa.
Outro dado que merece destaque, e que não tem sido mencionado, é o facto de o Leixões ter perdido para o Racing de Santander no último dia do mercado, o seu melhor jogador da época passada - Jorge Gonçalves.

Obviamente que o Leixões tem todos os problemas inerentes às equipas mais pequenas, e também em virtude do sofrimento da época passada para evitar a despromoção, o seu feito merece mais destaque.
Para superar tudo isso, tem contado com uma dupla muito importante. Vitor Oliveira e José Mota. O primeiro, homem da casa, desempenha agora a função de director desportivo. E bem, porque ao parece, as contratações não obedeceram a "interesses empresariais", antes aos interesses da equipa, em consonância com o treinador José Mota. Acredito que esteja aí também um dos segredos do sucesso. Até porque se vê que a equipa em geral e os jogadores em particular, interpretam muito bem as instruções do treinador e as exigências do sistema.

Dizem que o Leixões assenta num 4x4x2 losango. Apesar de concordar, acho a premissa incompleta. O Leixões varia entre o 4x4x2 losango e o 4x3x3. Para essas variações, conta com um jogador chave, que para além de ser muito forte tecnicamente, interpreta os aspectos e as exigências tácticas do jogo como ninguém: Wesley.
Na baliza está Beto, que depois da época passada ser a da afirmação, encontra-se agora seguramente no Top-5 entre os guarda-redes da Liga. O quarteto defensivo é constituído habitualmente por Laranjeiro (ex-capitão da U.Leiria) à esquerda, Vasco Fernandes (bastante maduro depois da sua passagem por Espanha) à direita, e pelos fortes Elvis e Joel no eixo. À frente da defesa o capitão Bruno China, o ladrão de bolas tradicional, o portador da alma leixonense. Ladeado por dois homens: à direita Roberto, vindo do Celta de Vigo, um suporte muito importante, a âncora táctica da equipa. À esquerda Hugo Morais, esquerdino, a bola habitualmente passa por ele para as transições rápidas. Nas alas habitualmente Diogo Valente ocupa a faixa esquerda e à direita, Braga - vindo da 2ª divisão (Leça) e transformando-se na principal revelação do clube, pelos golos importantes que marcou e pelo bom futebol que joga. Em alternativa, Zé Manuel e Marques são sempre armas importantes para sairem do banco. Mais no meio, o mágico de Matosinhos, o brasileiro Wesley. Por aquilo que demonstra desde que está em Portugal, estranha-se um pouco não ter atingido ainda outros voos, mas enquanto isso não acontece, é no Leixões que explana o seu futebol, os seus golos.

O Leixões não será certamente o campeão nacional, mas, pelo que demonstrou, tem mais do que capacidade para fazer um excelente campeonato e terminar nos lugares europeus. As gentes de Matosinhos, os seus adeptos - dos mais fiéis de Portugal, merecem tudo isso.


5 comentários:

Anónimo disse...

Vasco Fernandes (bastante maduro depois da sua passagem por Itália)... Itália? Itália? Foi lá de férias? Ou para as competições europeias?

José Lemos disse...

Caro "anónimo" .... obrigado pela correcção! valha-nos a vossa sabedoria e atenção..

E a bela da ironia, sempre um acrescento interessante...

Carlos Saraiva disse...

A ver vamos se esta equipa não é «desmontada» em Janeiro. É certo que se o for, o Leixões terá garantida a manutenção, mas se mantiver este grupo pode muito bem chegar à europa.

http://chutodeletra.blogspot.com/

José Lemos disse...

Carlos, exacto, neste momento essa questão já se começa a por..

Resta saber, se pesados os pratos da balança, qual das opções será mais rentável desportiva e financeiramente.

Certo é que os nomes de Beto, Braga, Bruno China e Wesley já circulam por diversos blocos de notas.

Anónimo disse...

Mas brevemente vai começar a circular também o nome de Chumbinho, porque o rapaz já foi autorizado a jogar. Foi pena, porque se começasse a jogar só em Janeiro talvez fizesse o resto da época no Leixões.
De resto, já vi em diversos locais que estão a dar o Joel como titular, mas atenção porque a dupla de centrais titular são o Elvis e o Nuno Silva, uma dupla que já joga junta há três épocas. Esta é também a terceira época do Beto no Clube, bem como do Hugo Morais; o Bruno China já está na primeira equipa do Leixões há meia dúzia de anos. O Diogo Valente, o Marques, o Nwoko e o Castanheira já vêm da época passada. E outros, que de momento não recordo. É assim que se faz uma equipa: com estabilidade. Ah, esquecia-me do Roberto, que há dois anos foi o melhor marcador da II Liga e que parece ter perdido a titularidade. Mas o que tem impressionado mais no Leixões é a atitude: a equipa dá tudo o que tem em todos os jogos. Não lhe peçam para dar mais, porque não tem. Mas se conseguir manter esta atitude até ao fim, irá longe.